Poemas, frases e mensagens sobre sexo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre sexo

Escaldante sedução

 
Chegada a Tróia, numa conferência de partilha de informação sobre investigação estratégica.
Apressou-se a fazer o check in pois já chegara atrasada, entrara no auditório discretamente, sentou-se num canto, a ouvir a oradora.
Uma sensação de sexto-sentido tocou-lhe na fonte, a percepção que estava a ser observada.
Um próximo orador acabara de ser anunciado, um som de movimento atrás dela, alguém se levantou, ela conseguiu absorver o aroma que lhe aflorou os sentidos e as sobrancelhas também, um homem de média altura, ombros largos dentro de um fato elegantemente vestido, o qual de costas não lhe conseguiu ver nada mais, do que um bom rabo saliente.
No palco, observou o tipo um ar altivo pele morena de cabelo escuro, com uma forte presença de correta postura.
A mensagem que o orador passava era enérgica, ela não tinha sono, seria da voz ou da presença masculina.
Terminada a intervenção o homem regressou ao seu lugar, ao passar lado a lado, fitou-a nos olhos deixando-a despida.

"Céus que escândalo o tipo é poderoso"

As horas seguintes fizeram o gosto à estratégia, entre ambos, um jogo de sedução num misto de acções comedidas, entre dois profissionais, que não se conheciam, no bar ela tirou um Martini, ele com um sorriso maroto, avança.
- Uma boa escolha, a azeitona como brinde é muito bom. Chupar a azeitona, claro, rs.
Ela como tímida que era não se pronunciou, mas esboçou um sorriso de aprovação.

"Queres festa, eu digo-te o que chupava e bem, até te transformares em Martini".

Durante o jantar o jogo de estratégia sedução, continuou, o homem, sentou-se duas mesas depois de frente para ela, falava com um grupo de estrangeiros conhecidos e olhava-a nos olhos sorrindo, a mulher começou a gostar da brincadeira, deliciava-se com uma mousse de manga chupava a colher lentamente e fitava-o nos olhos.

"Ui não, não provoques, vou perder a cabeça contigo e dou-te outra colher, de carne, minha gulosa".

Ambos deram uma gargalhada silenciosa, com cumplicidade.
O avançar da hora obrigou a retirada, a mulher seguiu em direcção ao quarto, junto à porta sentiu o aroma do perfume do tipo, achou que estava a delirar.
Quando sem nem porque junto à parede, ele faz-lhe por trás uma carga corporal, com o braço esquerdo imobiliza o braço esquerdo dela agarrando o direito, com a sua mão direita tapa-lhe docemente a boca, por sua vez não quis arriscar a deixa-la defender-se junta os pés do lado de fora dos dela, imóvel completamente a mulher tenta reagir.
- Isto parece um pouco animalesco, mas você mexe comigo.
Ela quer falar, não consegue, enquanto ele a beija lentamente da orelha, no pescoço, mordisca-lhe o ombro, a fêmea reage, o seu corpo ganha vida o quadril, vibra, a anca ganha vida própria, impossibilitada de falar, a respiração ofega numa constante oitavada.
Ele vira-a rapidamente, agarra-lhe pelo pescoço com virilidade e beija-a de uma forma prazerosa, de fome sem limites, apanhou-lhe os faróis, as coxas um verdadeiro polvo, aquele toque de dedos fortes e quentes, sentiu-se um piano a tocar a música de desejo.
O convite estava lançado, a distância do colo dele foi as costas dela na parede, no quarto com ela ao colo entrou, de pernas entrelaçadas à sua cintura, um jogo de despe a próxima peça foi surpreendente, arrancou-lhe a gravata, a camisa, ele abriu-lhe o fecho do vestido, enquanto mordia o ombro, a arte selvagem atraia-lhe os mais arrojados sentidos de plumas prazerosas.
De sandálias no solo, ficara apenas um fio dental, que com arte marcial máscula, tentada em forma de dentes foi tirado.
Ela dera-se por um todo, aquele jogo que entre quatro paredes, parecia, um tempo único, habituada a amor de mel, descobre outro tipo de sedução uma verdadeira arte de agressivo prazeroso, o musculado homem com a palma da mão, ofereceu-lhe 5 dedos tatuados numa nádega. De tal forma que o efeito foi de pascais largamente a bolas chineses efectuosas.
Corpo a corpo, o homem fitava os olhos grandes verdes, de brilho inigualável, de misto desafio, medo, prazer.
Enquanto a olhava, lambuzava-a com beijos quentes e explosivos, com o suor a brilhar no rosto.
A honra era dele, a mulher estrelas via, um sucessivo estrelar transcendental. Ela levanta-a a perna direita prende a dele e roda para cima dele, sendo aprovada a sua atitude, até então completamente submissa, para a ter uma postura de dominadora.
Cavalgando montes e vales, deixando o cavalo selvagem mansinho e explosivamente cansado, após o ranger dos dentes e o rugir de um leão, de olhos esbugalhados e de faces rosadas.

Adormeceram exaustos, após várias activas horas de agressiva carnal loucura, desmedida.
 
Escaldante sedução

COMO AS MULHERES ROTULAM OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

 
COMO AS MULHERES CLASSIFICAM
OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

Nas minhas tantas andanças por aí com as irmãs, primas, conhecidas, amigas, namoradas e esposas, pude ao longo do tempo realizar uma pesquisa acurada e deveras interessante a respeito das diversas denominações que elas nos atribuem (nós, brasileiros, do sexo masculino). Vejam só:

VIADO(assim, com "i" mesmo): como uma mulher denomina o homem quando este diz, assim, na seca, que simplesmente não quer nada com ela.

BROCHA: como uma mulher denomina o homem quando este, deliberadamente ou não, ignora as investidas e insinuações dela para cima dele.

GALINHA: como uma mulher denomina o homem quando este diz que quer algo só com as outras.

TARADO: como uma mulher denomina o homem quando este diz querer fazer tudo e mais alguma coisa com ela.

CAFAJESTE: como a mulher denomina o homem quando este diz que quer fazer tudo com ela, mas com as outras também.

CANALHA: como uma mulher denomina o homem quando este lhe dá muito prazer, mas também dá o mesmo prazer para outras.

FILHO DA PUTA: como uma mulher denomina o homem que teve com ela um teretetê isolado e nunca mais ligou de volta nem para mandar um "foi bom".

BUNDÃO: como uma mulher denomina o homem quando este não sabe direito se quer mesmo ter alguma coisa com ela ou não.

SEM-NOÇÃO: como uma mulher denomina um homem quando este a pede em namoro.

LESADO: como uma mulher denomina um homem quando este a pede em noivado.

RETARDADO: como uma mulher denomina o homem quando este a pede em casamento.

CORNO: como uma mulher denomina o homem quando este já está casado com ela.

CORNO-IMPRESTÁVEL: como uma mulher denomina um homem quando este pede a separação.

TROUXA: como uma mulher denomina o homem quando este paga as contas dela (aqui portanto o homem pode muito bem ser um trouxa sem-noção, um trouxa retardado, um corno trouxa ou um corno trouxa imprestável. Raramente essa atribuição aparece solitária).

TESÃO (as mais modernosas dizem UM-TUDO:) como uma mulher denomina o homem que ela imagina que jamais ficará com ela (aqui tem um adendo: se, por um acaso do destino, algum dia desses ela vier a conhecer este um-tudo de homem, sua denominação será necessariamente alterada para uma ou mais das denominações relacionadas acima).

Sabem o que é pior? Já mostrei este texto para ao menos uma dúzia de mulheres e todas me confirmaram a correta definição dos termos. Infelizmente, ainda me deram os cumprimentos pelo bom trabalho realizado. Inclusive, uma das leitoras o fez dessa forma: - É isso mesmo, cara. Parabéns, seu viado sem-noção... -Infelizmente, essa última denominação eu ainda não conhecia. Vou pesquisar. Algo me diz que não vou gostar.

Gê Muniz
 
COMO AS MULHERES ROTULAM OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

TEU CORPO É LÍRIO BRANCO

 
TEU CORPO É LÍRIO BRANCO
 
TEU CORPO É LÍRIO BRANCO

Teu corpo é lírio branco
Licoroso, delicado e esguio
Corredeira em chovedio
Troncho pé escorregadio
Às costas de um barranco

Teu corpo é motor de arranco
Robusto, rijo e sadio
De movimento fugidio
Provoca meu pilotar erradio
A acelerar em solavanco

Teu corpo é instável flanco
Serpeante, intenso e levadio
movediço terreno salgadio
Droga de efeito tardio
Íngreme vertente que me atranco

Teu corpo é moeda em banco
Pólvora, fogo e pavio
Canteiro aguardando o regadio
Elegante gesticular correntio
Guarnecendo teu sorriso franco

Teu corpo é maré-alta no anco
Espumoso, traiçoeiro e valadio
Outonal cair de tarde em estio
Instigando meu versejar vadio
Às paixões que não estanco

Teu corpo é furor potranco
Ardente frenesi e delírio
Aplacaste um peito baldio
Cingindo de amor o moradio
Desta alma que por hora destranco
 
TEU CORPO É LÍRIO BRANCO

EPICENTRO DE UM ABALO

 
EPICENTRO DE UM ABALO

Epicentro de um abalo
Sem lugar delimitado
Imprevisível, não verificável
Indetectável aos vitimados

Quando destrói explode por dentro
Desafia os céus, desmoronando, lento
Deglutindo as estruturas dos poros
Rebelando-se sob a violência dos ventos

Suas vigas descalças, suas fissuras,
Suas ternuras, seus heróicos atos,
Seus feitos vaidosos, prazerosos
Ignoram quaisquer perigos ou faltas

Inatacável virtude da alma equivocada
Totalmente sincero em sua incredulidade
Nunca se auto-renega ou se disfarça
Adora o desacato e, em certos casos, em vida, mata:

- Amor -
 
EPICENTRO DE UM ABALO

SÓ O AMOR FINADO NÃO MORRE MAIS

 
SÓ O AMOR FINADO NÃO MORRE MAIS

Antes eram as juras desbaratadas,
As baratas mentiras verdadeiras, bem-vindas
A língua molhada a pulsar nos lábios do outro
O âmago do estômago a vibrar em soluços
Os impulsos ocultos vazando os tutanos dos ossos...
Onde está este amor embotado, esquecido?

Vem então um segundo, um terceiro
E o amor perde o ideal de amar,
Contenta-se só com o vibrar da conquista...
Lá se vão mais e mais paixões
A perderem o amor de vista
Amores venenos dentro do mesmo amor,
Amores escambos do desamor...

Como finda tanto afeto, sem nunca acabar-se?
Eterno e pleno nos tantos (re)começos
Nos tantos desencantos de tantos finais...

Só o amor finado não morre mais
(Esgota-se na infinita paixão
De não mais querer-se a amar)
 
SÓ O AMOR FINADO NÃO MORRE MAIS

SÚPLICA SACANA E ARDIDA

 
SÚPLICA SACANA E ARDIDA

Súplica sacana e ardida
Essa que pinica a sua boca...
Arregaça a malha rendida
Da minha resistência pouca

Quanta tesura desprevenida
Quando ouço tua voz rouca...
Ao rangido de porta fendida
Encaro essa volúpia louca...

Sobre lençóis a fúria lhe agrada...
Rebola, se contorce feito uma cobra
Ao sentir no fundo cada estocada

À foda findada, o conjunto da obra:
Você satisfeita, comida, fatigada...
À boca melada, um resto que sobra...
 
SÚPLICA SACANA E ARDIDA

Enfim somos.

 
Enfim somos.
 
Amor que preenche-me
todos os poros
os fósforos e os esporos
que expurgam
o atrito que embala-me
o calor.

Amor tanto,
preenche-me encanto,
deito-me em canto
somos o mesmo manto
desta pele em cor.

Te sou rubor
quantum de acalanto
em meu peito
sem pranto
eu pronta
de amor...

Teu corpo meu veludo
membro, cabeça, tronco, tudo
corcel que conduzo
nesta estrada
ondulada
cavalgada
sem condutor

Guiando-me ao sol
neste louco arrebol
que somos nós
nos lençóis de lembranças
e amor.

Somos unos em esperança e fervor.

Já andamos tanto
que já falamos este nosso esperanto
língua de quem não acredita
que um dia para sempre
nosso sol irá se por.

Sabes porque?

Porque finalmente somos amor!
 
Enfim somos.

Quadrinhas da Eternidade

 
Quadrinhas da Eternidade
 
Quadrinhas da Eternidade

O mundo, cá dentro implode,
Estouram-se minhas luzes,
Estuporam-se meus restos;
As sobras, bicam os abutres...

Ah, esses loucos regaços!
Dessas memórias disformes,
Desbotadas, aos pedaços;
Pousam cansadas, conformes

Asserenam-se as partes
Em que mais não presto
A negra noite faz sua arte
Ao corpo que lhe empresto

A mente também se arrebenta;
Desvanecem-se as cenas novas,
Variam as antigas, em cinzentas
Somem ao lodo, as últimas trovas...

Misturam-se os paradeiros,
Os direitos rumos das retas
De fora, já sou um forasteiro
Isolado de ações ou metas

Tudo, tudo em mim repousa;
Até a sombra já me some
Nem mesmo aragem ousa...
E, ainda assim, resta o seu nome!

Dou-me ao moinho do universo,
Que me retorce, me consome;
Aniquilo-me, exposto ao reverso,
E, ainda assim, resta o seu nome...

E até já falta um "eu" a mim,
Desintegrou-se desejo, fome,
Matéria e alma. E, ainda assim,
Resta essa voz a dizer-me seu nome
 
Quadrinhas da Eternidade

Ao meu doce Orfheu

 
Ao meu doce Orfheu
 
Não deixas-me amor!
(à tua deriva)
este cupido que me flecha
que me fura, que me criva!

Eros maldito, anjo de afrodite
furto de malditos erros,
desditos corpos em crise.

LISE!!!

Separação!

Meu corpo é teu,
(E MINHA ALMA SEM RAZÃO)
belo Orfheu!
AMOR MEU...
minha alma PRESA em teu alcatraz
Não olhes
Não olhes mais para trás!

Orfheu o caduceu
há de ter alguma solução.

Asclépio, escapulário
chá, reza , fumo, erva, hinário

ORAÇÃO

Tudo para que seja tua serva
minha alma em teu corpo carcerário

CORAÇÃO.
 
Ao meu doce Orfheu

A raposa e as uvas

 
O que não é, simplesmente é assim:

Começa rosa, acaba alecrim.
Selvagem, ao campo, resfolegando
por ser chita ao invéz de cetim.

Desprovendo do encanto
qualquer rosa em qualquer jardim
pelo simples movimento
de não poder dizer:
"É minha, é para mim!"

Tantas raposas, e mariposas
tantas rosas, brancas, carmim
tantas uvas que perdem o sabor
por as bocas não saberem
supor um melhor fim...
 
A raposa e as uvas

AMES EM TI A MINHA PAIXÃO

 
AMES EM TI A MINHA PAIXÃO

A porta está trancada
Colocas chaves em vão...
Sou prisioneiro de mim por fora
Encadeado por tua visão

Bonita esta breve história...
Escancara um sangue são

Vertendo lento,
Roxo amora
Ecoa barulhento...
Tal baques de pilão

Encontram-me sete batidas
Sete gongadas amigas
Circunscritas ao cerne do peito

Sete almas por ti perdidas
Sete lágrimas de história
Levando incontido alento

Sete sopros de vida
Vão dormir nas tuas mãos
Tu dirás se curtas ou cumpridas
As entregas últimas
Até o finamento

Não procures em mim defeitos
Eles mesmos te encontrarão...

Lembres apenas meu estranho jeito
E traduzas-o por novos beijos,
Em carícias que sou afeito
Ames agora em ti, a minha paixão

Por certo que gotejarás sentida
Aos lençóis de bordados bem-feitos
Sobre corpos mudos em estirão
Destes teus tantos outros leitos...

Que nunca, jamais serão sombras
Do que meus amores seriam
Abraços que enfim morrerão

Arrumes minhas roupas,
Laves tuas mágoas em sabão
Guardes-me em gavetas poucas

Minha palavra por ti chora...
Recolhas o que de mim sobra
Pousado em letras ao chão
 
AMES EM TI A MINHA PAIXÃO

SONETO DOS AMORES ANTIGOS

 
SONETO DOS AMORES ANTIGOS

Amores passados, transplantados lírios...
Pétalas brancas em cílios, ah, tanto me recordo...
Infusão floral em luz noturnal, indeléveis delírios
Fino pano descorado em que me bordo

Noite grafite nem bem se elimina, acordo...
Pairo pelo corredor fulminado em martírio
Sonham-me os lábios, beijos... E me desbordo...
Abraço o claro e acalmo, presenteado d’um colírio

O dia respinga pelo teto, modorrento, lento
Aos regalados desatinos deste remoinho precoce
Tal um coice, amotina as dores que sustento

Dos afetos antigos, ilusão aluada me fosse
Ficou um doce balanço das carroças do tempo
Emoções devastadas qu’inda quero a posse...
 
SONETO DOS AMORES ANTIGOS

AMOR CRISTALIZADO

 
AMOR CRISTALIZADO
 
AMOR CRISTALIZADO

Amor cristalizado
Consumado até o osso
Queimado em óleo fino
Secado em sal grosso
De puro gosto alcalino
Esmaga-me um colosso
Abre-se um céu azulino
Declaro-me em calabouço
Teu nome soa-me um hino
Recito-o como um pai-nosso
Minha fome é de menino
Você o abundante almoço
Ruídos de boca-de-sino
Peitoral em alvoroço
Um traçado bailarino
Nas linhas do seu esboço
Gosto de café capuccino
Ardo em febre-do-caroço
Desejos de amor clandestino
Fantasiado de bom-moço
É meu o seu destino
Seja num fundo poço
Arrasto-me como felino
Junto as sobras do destroço
Um bem querer grã-fino
Arrepios atrás do pescoço
O que sinto é divino
Coração mudo, te ouço!
 
AMOR CRISTALIZADO

O pássaro e a rosa

 
Velo teu despertar
em manhã flogosa
tal túrgida rosa
vívida viçosa
lançada ao ar.

Mas aguardo-te
silenciosa
bela e cheirosa
vestida de prosa
para te agradar.

Anseio manhã
airosa
terna e preciosa
sem resfolegar.

Apenas olhar teus olhos
profundo mar de abrolhos
um mundo inteiro a desvendar

Submerso em teu verso
oculto em teu olhar
neste controverso
universo
onde loucos
beligeramos a amar.

Mas hoje quero
ser flor rosa
mansa e sedosa
sem espinhos,
sonhando ninhos
para se entregar.

Inteira nua
todinha tua
boca, pernas,
ancas ao ar!

E tu meu amor?

Um pássaro selvagem
Condor
bicho selvagem
caçador!

Devorando minha rosa
por ti sequiosa
de enfim ser-te tua
desabrochada flor.

tatuar-te eternamente
com sua cor!

Povoar-te docemente
invadir-te com seu odor.

Enfim, poder chamar-te

AMOR!
 
O pássaro e a rosa

A NOITE QUE TE CHAMA

 
A NOITE QUE TE CHAMA
 
A NOITE QUE TE CHAMA

Dormes combalida
Na noite que te chama

Dissolvida em água,
Suada,
Apenas linda
Estirada à cama

Sorris apagada...
Sonhos febris
(Espero que sim!)
Contam tua jornada

Se sei que vives
É porque suspiras,
Mais nada

Intuo que tens fome
Não de comida,
Mas de vida acordada

Teus braços tremem
Devaneios te engolem
Reviras-te agoniada
Das realidades que somem

Destas últimas,
Bem que pareces saciada...

Nos raros intervalos de vigília
Encontras-me parvo,
Sorrindo ao largo, vigiando-te,
Abrandado, afagado,
Neste instante, por ti, salvo

Ao ver-te finalmente desperta
Meu coração pesaroso
Altera de pronto os compassos
Badaleja resolvido,
Abafado, amorfo

Sempre perdoa
De bobo que é
Teu sonífero abandono

Por que trocas resoluta
Meu largo colo,
Meus ombros calmos,
Minha fala astuta?

Achas-te melhor acompanhada
De uma narcotizada cama?
Que te prende aos estrados
Em lençóis de força bruta?

Cerras de novo
Os olhos alquebrados
Dos cansaços da ilusão
De que estes esforços,
Destes teus trabalhos,
Um dia lá, que seja,
Felicidade trarão...

Por hora sono só
Ninam em teu peito
Nossa sonâmbula paixão...

Fissura que viaja perdida...
Embala-te em vagão-leito
Pelos trilhos desta vida

Descanso um pouco
Pousado em teus olhos atados,
Inteiramente acorrentados
Às palpebradas cortinas

Pairam aos ares
Os alentos perfumados
De teus excêntricos cheiros...

Entorpecendo os lugares
Em que tua fantasia,
Prostrada, se aninha

Sigo indormido,
Forrando desejos ao colchão,
Como fosse dinheiro...
Economizo até de mim
Os reprimidos abraços
Deste amor camareiro
 
A NOITE QUE TE CHAMA

Senti saudade, mas não era de ti

 
Hoje abateu-me a saudade, não era saudade de ti, era saudade de mim te sonhando, te ovacionando, te aplaudindo do degrau da escada de nosso coliseu, vendo-te devorar leões e arrancar a pele para forrar nosso leito, de ver-te atear fogos, amansar tufões, entre os ventos do correto e do imperfeito.

Tive saudade das coisas todas que poderíamos ter feito, saudade dos lençóis inutilmente esticados, imaculados em algum errante leito, que não vincou com nossos corpos. Tive saudade das dúvidas e remorsos, dos muros, do poços e do mar aberto sem portos ou segurança perto.

Senti saudade da selva que nos servia de relva onde as feras vinham sonhar enquanto multiplicávamos a vida e as ansiedades.

Não senti saudade de ti, mas sim de sentir-te perto.

Na verdade, não era saudade de ti e também não era de mim, de sentir-me ventre de querubim e amanhecer chorando, de vestir seda e cetim e seguir esmolando. Saudade sim, do que eu era quando tua, saudade de sentir-me feliz ao mesmo tempo que nua, saudade, saudade de ter nossa vida, não a minha ou a tua.

Hoje acordei com saudade, depois de ter-me fartado com a realidade (Saudade é uma coisa boba, que vai que vem, nunca convém e "ARRRRDE", mas passa, é que nem paixão é que nem desgraça, passa...)

Hoje acordei com saudade, não era de ti, era de mim, feliz, em parcos momentos de amor, poesia e saciedade de mim, ainda sem cicatriz, sem dor, feliz, sem loucura ou excesso de força motriz ou intensidade.

Senti saudade de ser virgem em minha mente, se ser confiante, de sonhar com futuro sorridente, com belo cavaleiro andante, de ter companhia em um jardim de livros na estante. Sim, senti saudade destas coisas de mulher que toda a criança tem, e das coisas de criança que a mulher carrega além, mas que lhe é amputada pela luta e pela labuta.

Senti muita mas muita saudade de mim, da minha suavidade, do meu olhar raso e brilhante que não havia ainda deixado de ser confiante para torna-se profundo e analítico, senti saudade da época que não tinha senso crítico, nem bom, nem deformado, senti saudade de ser crente, de acreditar em namorado, da época que delírio e febre ardente era algo causado por mosquito infectado, senti muita, mas muita saudade, de viver de verdade em um mundo por mim inventado.

Mas não era saudade de ti, era apenas saudade da alma que habitava o corpo que habitualmente morava ao teu lado.

Estranho não é? Sentir-se assim em saudade.
E no mesmo minuto sentir-se bem por tudo já ter passado...
 
Senti saudade, mas não era de ti

NAUFRÁGIO

 
NAUFRÁGIO
 
NAUFRÁGIO

Chama forjada em fornalha de lágrimas,
Serpenteada, encimada à costa do delírio...
Sorrio descarnado, contradito
Respiro. Grito. Suspensão em mágoas
Faíscas das chamas aguadas de meu pavio

Ancorei tão longe esta maldita nau pirata
Distante tanto quanto pude deixar errante
O desplante corsário de minh’alma alucinada
Eminência parda, tonitruante, equivocada...
Almeja raptar-me a razão de ser-te relutante...

Este rio seco de sofreguidão desaguou
Ao deserto salgado de um mar em estio
Que a indiferente sombra de teus olhos
Usou de descanso nas bordas dos cílios
Emborcando meus desvarios nos teus abrolhos...

O balbuciar de teus lábios em enlevo,
No fundo, procura só um lugar,
Um farol aceso no oceano, bem ao meio
Que lance em luz, mensagens erráticas ao mar
Do menear sintomático de teus pensares relhos

Teu coração embala-os dos róseos dos seios,
Lhes expulsa aos veios de meneios de ar...
A correnteza chovendo para cá, a mim os traz..
Sou eu, ardoroso de amar, quem morre ao te achar,
Ao escutar-te os anseios nos ouvidos sobrecheios...
 
NAUFRÁGIO

CRISTALINA

 
CRISTALINA
 
Cristalina

De onde te conheço, menina?
Daqui, sob este sol doido dos ateus, não.
Talvez de outros planetas, outras esferas,
De espiraladas galáxias convexas em suspensão...

Quero mais, muito mesmo, entender
De tuas realidades, de tuas quimeras,
Dos desejos de ordem que em tua alma ardem,
De tuas brincadeiras, tuas coisas sérias...

Orbitarei as terras prometidas de teus beijos.
Às margens rasas, regarei as tuas bromélias
Ondearei tuas fartas ancas amigas
Nas naus de ternura antiga, rediviva, que encerras
Cercada por carinhos verdes, de águas etéreas...

Um sonho bom de ilusão, lançarei ao teu mar:

“Areias brancas de Ilha Bela. Avanço pela restinga
Para encontrar teu rosto claro
Na choupana tropical d’um pé-de-serra
Onde tu, nupcial, sossega em meu abraço.

Nos limites do querer, tudo o que posso...
Em teu corpo, o suspense do segundo...
Na reza de fé, alegria do passo a passo
E o perder-nos no confim vasto do nosso próprio mundo”
 
CRISTALINA

Ato alimentar

 
Teu corpo farto,servido prato
à minha boca, sedenta e rouca
abarcando sonhado insano ato
que desfraldo em delírio, louca.

Meu corpo extendido em espacato
tu rendido à minha língua, solta
meu seio à boca, geme em contralto
sinto ao alto tua molhada boca

Teu toque marca-me, ferro e fogo
com poéticos dedos estéticos
em excitante erótico, de letras, jogo

Em sons ecléticos, ritmos epiléticos
somos o sumo da vida, pão e sorgo
em apopléticos movimentos do corpo, todo!
 
Ato alimentar

VIAGEM LONGA

 
VIAGEM LONGA
 
VIAGEM LONGA

Viagem longa,
Canoa carregada.

Só se aproveitam
As remadas contrárias
Trazendo oposição
À ilusão da chegada

É o sonho que cria as correntezas,
É o real que empoça as águas...

A jornada é estranha
Sem precedentes, às vezes...
Noutras horas, a mesma
De inteiros roteiros maçantes

Você continua linda, amiga...
Não é mais aquela de antes da partida

Os olhos dissonantes, as mãos compridas...
E sua alma mansamente esquecida na solidão
De uma assoalhada ilha...

Desafaste-se um pouco destas maravilhas...
Apenas cole em minha mão
E sinta nela, que estou sitiado por mares
E, também, tenho em mim, um sol que brilha...
 
VIAGEM LONGA