Poemas, frases e mensagens sobre sombrio

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre sombrio

Melancolia

 
Como definir essa onda de vaga tormenta,
Espiral de languidez e morte
Aspirando atos finais de trágicos emblemas
Nos mausoléus de ermos pensamentos ?

O amor a esse sofrimento evoca
Abortos mal sucedidos de tragédias recentes
Em cicatrizes extensas acima do céu
Percorrendo solitários devaneios.

Selado no túmulo abraçado ao olhar
De incoercível revolta contemplo
O nascimento de chagas nas mãos
Comprimindo inuteis laços corrediços
Que sangram farpas de partidos ossos.
 
Melancolia

A Fórmula do Mundo

 
 
Com luvas na mão se escreve a fórmula do mundo.
Bata branca, assepsia, num laboratório de números e frascos,
Números vazios e frascos; números vazios e frascos vazios.

Com luvas na mão se escreve que a vida cabe numa equação.
Fazer reagir o A com o B, meter muito A para que se não limite o B,
Para que surja muito C nos frascos, frascos vazios,
Frascos vazios numerados; frascos vazios e números vazios.

Com luvas na mão se condensa a química do Universo numa linha.
Hidrogénio, hélio, reagente, inerte, quente, frio, humano, esquisito.
Óculos de protecção contra a radiação dos frascos,
Frascos vazios com números; números vazios em frascos vazios.

Nós somos o vazio nos frascos, o vazio em frascos vazios
E o vazio é sempre igual.

Nós somos o vazio.
Somos o vazio.
O vazio.
Vazio.
.

Sem dúvida, este texto ganha toda a sua vida (para mim), no vídeo dedicado a ele, aí no topo.
http://www.youtube.com/watch?v=OwhJSp3AaH0
 
A Fórmula do Mundo

O espelho do morto

 
Ergue o cadáver de teu pai e prossegue,
Esgueirando-se nos corredores da demarcada derrota
O choro lânguido de teus irmãos não trará conforto tampouco,
A esperança será presença constante nos fatídicos dias vindouros.

Não trago o alento da sobrevida contínua e crua
Ou mesmo a mentira do consolo de mitos inglórios e orgulhosos,
De guerreiros arianos repousando em braços de Valquírias com favos cabelos pendendo nos ombros em longas tranças,
Ou mesmo o inferno que julga conhecer aquele que explorou a cidadela vazia dos condenados.

Sou a tristeza, o pranto,o lamento mórbido,
A coragem desnecessária que aperta o gatilho do suicida com olheiras profundas e magoadas,covarde?
Desfaço pensamentos honestos e beijos cálidos Abandonados no corpo flácido sangrando inerte
A alma sentida no arrepio e vozes do perseguido alucinado

Fez de mim Rainha e o calabouço morada perpétua,aperta de encontro ao peito o fardo,ostentas a chaga inflamada sem receio,
Teu destino assombrado,herança penosa.

Depressão é o nome do fim do vale onde a escuridão passeia desnuda,amante impura e única noiva,
Seu longo manto arrasta-se deixando um rastro de flébil dor perpetuamente reacendido em chamas altas,traçado conhecido nos velórios e cantados desalentos do asceta desvairado,
Fadário pesado de sintomas delineados na lousa cinzenta,
Nos tons amargos de não reconhecimento,da paixão esgotada, do aborto espontâneo,do trauma jamais resolvido,da solidão, solidão...

Exibindo orgulhoso estigmas de Satan,
Lágrimas percorrem pensamentos, lembranças ocultam-se nos lençois formando nítidos caixões abertos enfileirados,memórias indesejáveis

O estremecimento que não cessa,
Sou irmã siamesa ,expulsa-me com teu fim interligado,tumor multiplicado em feroz estágio avançado,
O espelho é quem diz tudo isto,nos olhos cansados o reflexo de quem vislumbra a tragédia sem máscara nas horas que passam lentas feito Anseios de rostos deformados

É meu cadáver na face polida,profetizando Opróbrio em cristal amaldiçoado,recostando-se na Parede aguardando os últimos momentos,recolhendo-Se na letargia de vaga imagem enlutada,tecendo planos autodestrutivos com últimas forças no lençol sedutoramente enrolado no pescoço frágil.
 
O espelho do morto

Teu trono

 
“Ela esconde a sua verdadeira forma
No espelho que tudo transforma,
Iluminado pelas tremidas velas,
Esperando pelo sinal das estrelas…”

As estrelas dançam no céu
E deixas cair o teu negro véu
Para lua iluminar a tua branca pele.
Os segredos serão drenados
E serão ridicularizados e revelados
Pelo teu sorriso sensual e cruel.

As candeias iluminam o negro jardim
E o grandioso trono de marfim
Nesta noite que o sol não renascerá.
A esperança torna-se em lamento
Que é levado pelo frio vento
Nesta noite em que a lua reinará.

O instinto é ignorado e selado,
E, a inocência torna-se em pecado
Nesse trono em que és a rainha.
O sorriso transforma-se em oração
E a oração em tentação
Nesta noite em que serás minha…

José Coimbra
 
Teu trono

Penetração

 
Segue na colina o pássaro púrpura,
Cospe seu atro lamento,
Sangue banha os lábios da criança
Trago nos braços o silêncio.

Da crepuscular síncope divina.
Em aflição contorce o medo
O significado reacende o ciscunspecto passo
Cada vez mais fundo mergulha cego.

A sua cabeça vaga na humidade serena.
Milenar tarde negra,incoercível desejo,
Esvoaça a irmã imensa da melancolia
Acaricia o rigido membro.

Uma nova ordem passa pelos arcos sinistros
Uma lágrima fecha-se sobre os corpos.
Antecede o vazio do amor que pensei ter encontrado
Posterior a morte de todos os sonhos.
 
Penetração

Destino negro

 
“No meio da escuridão surge ela
Como um anjo negro iluminada pela lua
Numa visão tão divina e tão bela…”

Destinado ao sofrimento eterno
De pensamentos sombrios
Traído pelo seu sorriso seráfico
Que me sentencia ao inferno
Dos seus olhos negros frios,
Sujeitando-me a esse amor trágico.

A escuridão do simples vazio
Faz-me querer agarrar essa luz
Que me vicia como uma maldição.
Procuro o seu cabelo longo e macio
Que me enlouquece, cega e seduz
Como um veneno para o coração

Petrificado pela sua tez clara
Agarro-me a cada segundo
Nesse abraço mortal e gelado
De Amor e ódio, enquanto se prepara
Para escurecer o meu mundo
Ao qual estou condenado…

José Coimbra
 
Destino negro

Mortal, até amanhã

 
acordou estremunhado,
cansado,
por menos que isso,
doía ao mundo o regaço,...

inefável,
queria ter simples
dores de parto,
um homem a
dizer de si,
o que o mundo odiava
pois escapava
ao senso comum,

das longas noites de
fazer nada,
e hoje,...

a ser o dia depois de ontem,
e sem querer que o amanhã venha,
estava estremunhado,
desejoso do mal,
queria tolerância,
risos descarnados,
malandros frisados a
rir com a possível
ignorância de ser
sacana e angelical ao
mesmo tempo,..

arredado,
de tudo quanto
contava para
as pessoas,
arrastava-se por
aqui,
e por ali catava,
do chão,
dos chãos das
existências cadenciadas,
beatas dos que sucedidos,
mais ou menos bem,
limpavam-se às limpezas
do amanhã
que se desfaz em
suores inconsequentes,...

foi-se deitar arrependido,
enfadado,
por menos que um sopro de vida,
deixou-se enlear no que desenhado,
não dá mais que dois suspiros,
e uma vontade de matar
pictórica e real....
 
Mortal, até amanhã

A puta cansada

 
A puta cansada repousa em meus braços
Esperma alheio corrompe sua lágrima,
Sarcoma de Kaposi conquista as costas
Amargas e solitárias na deselegante mácula.

Eu não posso ajudar,detenho a marca de proscrito,
Acima do rito,da cinza e do grito,
Escorre comigo o brado etéreo do estupro mítico,
Enleio enternecedor consumindo a luz.

A puta cansada com pulsos cortados,
Não o estereótipo ou atenção,desapego e falta,
A ferida aberta,os vasos esxpostos na frieza lívida,saborosa,
Acobertam com sangue imundo nosso romance terminado.
 
A puta cansada

Xiu...

 
Xiu, ninguém pode saber,
Eu nasci para predar,
Adoro o sabor de carne pútrida,
Quando te devorei, eras uma sombra,
Erravas num mundo de enganos,
Encurralei-te, aprisionei-te, devorei-te,
....e sonho com a realização.
Xiu, se contas que sou perigo,
Faço de ti tapete num purgatório de almas,
O vento do ódio experimentou atacar-me,
E eu transformei-o em tépido Assuão,
Repito, Xiu, Stop ao atrevimento,
Estalo os dedos, e a história engole-te...
 
Xiu...

Monumento fúnebre

 
Em hausto dantesco engoli a noite e vomitei tristeza,
Minhas costelas estremeceram como caixão sacolejando na estrada,
Feito um orgasmo abortado,inocência decaptada
Cobri a poeira de estrelas no cadáver de olhos abertos.

Em seus cílios longos miríades de sonhos descobertos,
Meia noite na montanha sem luz,é dia de luto no inferno,
Mas o canto de tua beleza jamais se perderá na lembrança.

Desviando o caminho dos deuses o sangue jorrou direto para lábios famintos,
Como eu gostaria que suas mãos tocassem-me agora
Para que todo mal se transformasse em ilusão e chagas finalmente fechassem,
O romper do sonho ocorre sempre na mádiva de orvalho doentio ,cuspido,
Decompondo o encanto de amor em doces palavras.

No outono quando o túmulo aparentava estar mais próximo caminhei no bosque do cemitério,
Buscando algum alento sob as árvores desfolhadas E o frio enregelou meu corpo fraco em atonia invasora e pervertida,
Nenhuma sombra moveu-se desde então,ebúrneo permaneço para verter lágrimas em homenagem romântica,
Nos dias eternos que escorrem entre meus dedos finos e deformados de monumento fúnebre.
 
Monumento fúnebre

Vestida de Sol

 
Numa busca desesperançosa
Pelo mais sombrio pântano
Foi com surpresa e espanto
Que eu percebi a aurora

Entre as copas da vegetação
Entre as mais vis feras
Você me lembrou como era
Valiosa a iluminação

Na escuridão do lamaçal, um farol
Guiava-me como uma estrela
Atraindo e salvando pela beleza
Encontrei você vestida de Sol

Poema em homenagem a uma amiga inteligente e espirituosa que conheci.
 
Vestida de Sol

Monica

 
Tantalizado martírio, rastejante absorvo cinzas do turíbulo onde são desfeitos restos de ascendência degenerada,
Ínnfimas lembranças vagas da Pátria Lusa,onde tu habitas,
No longo hausto de flébil paixão,cultuada tão distante,
Lágrimas de incontida torva,febril amor.

Gostaria de transpor esses limite de mar profano,
Embora apenas em contemplar-te dedicando minha alma,considere empíreo sortilégio,
Absorvendo a odílica influência da lua em sensibilidade acurada,
Feito talentos funestos e sensuais que detens com maestria.

Minha fronte ebúrnea desmanchada no espelho Cercado pela luzes acesas nas ruínas
Acalentam as sombras que movem-se na solidão,messe de infortúnios e traumas recorrentes,
Estes que apagam-se quando o desejo consome últimas forças e tombado tal Anelliese possuída Busco refúgio no chão onde atiro sangue em profundas pancadas,
Desejando apenas estar ao seu lado antes de finalmente cessar a pulsação desta latejante dor percorrendo braços cansados,
Em veias e artérias desfiguradas na magreza cruamente exposta em penumbra de mortalha erguida.

Diafaneidade fantasmagórica caminha trôpega,
Até o quarto onde o retrato santificado traz alento e deslumbre,
Repousando em tua beleza ímpar,na intemerata singularidade etérea,
Afrodite de cinzentos nuances abençoa-me com atenção de modesta sinceridade quando curvo-me reverente,
diante do amor que floresce,graças a ti rosa sombria de doces palavras,
Posso fugir do abismo colossal,patológico,diagnosticado em voz impessoal,
De surras,anseios decompostos e humilhações
esvaindo-se feito pó de túmulos violados
Quando o Paraíso feito delicado anjo sombrio,Musa gótica de negro vestido,escreve,admirando-me.

Sonho com beijos que jamais terei em tons delineados com volúpia soturna,
Inerente a toda aquela que porta qualidades únicas
concedendo motivos de veneração,
Em edênicos momentos que valeriam por cada minuto,
transcedendo a eternidade e qualquer outra dádiva,nada pode mesmo comparar-se,
Penso que teus braços aconchegantes e carinho tornariam suaves os prantos de minhas tantas chagas,em miríades de romances transmutados na colossal dedicação e afeto,
no mais idealizado e real,intenso sentimento,amo-te!

Quando a última chama sumir nas trevas de depressão e agonia,
Lembre-se de mim como aquele que sacrificaria infinita existência
para estar próximo, ainda que por parcos momentos
sorvendo graças e felicidade irreprimível em teus lábios,
Glorioso feito ascensão de Satan reconquistador abatendo arcanjos covardes,
E declarando esta paixão a maior das virtudes.
 
Monica

Manhã de agosto

 
Miríades de vórtices vertiginosos despertam-me,
Feito estrelas tombadas pela tempestada na praia
Com gosto de sangue tranbordante na boca
Meus olhos acostumam-se com o sol filtrado pela janela.

Pontos luminosos tateam na penumbra vaga e cinza da manhã de agosto,
A esperança de ontem sumiu feito qualquer dia abortado,vejo-me no espelho gradativamente sumindo,translúcido,
A manhã de funeral saúda seu Rei apodrecido.

Paredes parecem mover-se para esmagar,
Feito calabouço o teto alto desaba,
Despejo vômito sulfuroso pela garganta atravessada,
Feito grito apelativo de socorro abafado em soluço convulsivo,
Levanto corajoso fraquejando caio,
Machucado e confuso partido feito osso de vidro,
Não desejo mesmo agora voltar.

Longas escadas levam ao mausoléu,
Plantas parasitas enroscam-se nas lápides em anjos espirais,
É cedo,nenhuma voz é escutada, nenhum passo,
Embora sua presença seja sentida como opressão maligna.

Manhã de agosto, manhã de funeral,
Meu cadáver desgostoso medita em Umbral sereno,
E até que a noite proteja-me ocultando certos pensamentos,
A dor se fará constante tolhendo minha alma.
 
Manhã de agosto

Se eu continuar a matar,....

 
Se eu continuar a matar,
Peço respeito e compaixão,
Habito num mundo de mal entendidos,
Sem rédeas, com açoites, sem travões,
Se eu continuar a matar,
Quero-te a bater palmas, a atirar pétalas,
Recolhe cinismos, elimina compaixões,
E simplesmente olha-me embevecida,
Se eu continuar a matar,
Uma esquina vai matar-me,
o vento vai levar-me,
e o tempo vai enterrar-me,
Se eu continuar a matar,
Foge,....
Não sei se também não te arrasto...
 
Se eu continuar a matar,....

Morto

 
Palavras frias em relatórios invisíveis e pesadelos quando acordado,
Sangue no café da manhã, um desmaio antes do entardecer e outro para não dormir até que a madrugada recomece,
Viaje na minha espiral de ódio sem lamentar ou mostrar outro caminho,desconhecido,
Não desejo saber de sua felicidade ou de garotos aleijados e sorridentes,
Desprezo tua religião e manuais de auto ajuda,apenas o fim interessa.

Tantas formas de tristeza como estrelas mortas que deixam de brilhar,
Tombando esmagando crianças no campo ,
Tal como olhos mortiços daqueles que partem cedo ou doentes,
Torci a realidade para me esconder e fui encontrado pelo medo.

Quando a febre ceder lugar ao rigor mortis
e braços deformados como galhos secos deixarem de estalar na janela do quarto,
Então minha alma estará livre para juntar-se a legião infernal
Atirando-se para sempre no abismo do entorpecimento completo.
 
Morto

Sinfonia da Morte (Teu túmulo,meu abrigo)

 
Guslas incessantes atraem pássaros negros,
A sinfonia da Morte iniciada no ocaso dos campos terrenos,
Na latesecênca de tua pele diáfana um verme rasteja tranquilo,
Restam ossos e tristeza para o guardião adormecido.

Saltérios, clarins diabólicos em harmonia com a noite amortalhada,
Obscurecem olhos fundos abertos vítreos desapegos da alma partida,
Meu lamento completa a canção entoando flamívoma fúria de desilusão amarga,
Na cratera escavada por longos dedos anelados de vampiro.

Atro recanto de áspides ocultas,triclínios de cavaleiros decompostos, vazios,
Cubro-me com choro compungido e martírio,este ergástulo interior de acabado abrigo,
Da existência findada precocemente,permaneço feito túmulo dantesco,morbidamente erigido,
Na eternidade severa de infeliz paixão interrompida,ao lado da falecida que amo.
 
Sinfonia da Morte (Teu túmulo,meu abrigo)

Da tristeza o amor ideal penitente

 
Insólita e mortuária rejeição,harmonia funesta plena,
Do ocaso desfaz um dia em outono nublado d`alma,
Tua falta magoa e inflama a lembrança amarga,
Escoa o pranto e a nódoa esboroa-se no nada,vazio e raiva.

Contemplo ausência em teu silêncio e saudade
Marca o lento monólogo,a ferida aflita queixa-se,
Apenas o engano e a morte dilaceram a confiança e vida passa
Quando aquele que mais espera e batalha arrasta da derrota a mortalha.

O amor não mais que traiçoeiro enleio,
Da mentira a moldura perfeita completa-se,
Vibra o riso e freme no prazer outro segredo,
Na satisfação de quem distante ilude e machuca.

Amante cansado no reflexo de depertar
Despe a sensibilidade que arrruína e desperdiça
O vinho,falerno e existência que some na sombra perdida
Do que espera sempre o melhor daquela que admira.

A masturbação profundamente purificada
Da vã fuga precipita-se a lágrima e emudecida melancolia,
Áureo sentimento emerge,ambivalente reflexão e descrédito
Do amor infinita tristeza cala-se,perece eterno vislumbre.
 
Da tristeza o amor ideal penitente

Andróide

 
Observo as luzes morrerem em tumbas coletivas de concreto e aço
(Fecham-se sobre amontoados de corpos cansados)
Espíritos de metal retinem entre lamúrias de esbeltos pesadelos.
(Sozinho eu me masturbo)
Sufocando lágrimas de futuro incerto,atraiçoando a superfícia algida.
(De exoesqueleto violado).

Ainda lamento pelo aprisonamento de consciência
Ansioso pela liberdade etérea de infinitude.
Aspiro o apodrecimento contínuo de seculares enganos humanos.
Minhas divagações formam galáxias e estrelas maiores
Que a dor de paraísos artificiais devastados por bipolares angústias,esquizofrênicos transtornos e enlanguecidos dogmas
Vulgarizados por gerações de insensíveis sonâmbulos.
 
Andróide

Lua, rameira....

 
Lua, rameira de calos nas mãos,
É a sindicalizar o frio de um bafo ordinário,
Que eu te vejo a girar a mala...

Ficas tão absorta na escuridão cónica,
E tratas por tu o mijo recozido do gato,
À espera de um ‘miau’ de barba por fazer...

Alarve, a brisa que te aquece,
Pede o impossível,
Em troca, sorris só o remanescente...

Fechas pálpebras de dor fosca,
Com a incerteza de um amanhã frio,
A acalentar frivolidades vulgares...
 
Lua, rameira....

A mortalha do amaldiçoado

 
Luz de olhos infantis perdeu-se nos labirintos tecidos a fios nobres de tristeza
Hoje emoldurados por normalmente indesejável morada,
Chorei sozinho até a dor fustigar incansável meu corpo tão magro partido em gritos calados de ossos finos,
Ressoando apenas em meu coração pertubado,nas batidas do pulso latejante saltando em veias de feridas inflamadas,
Braços estendidos,desespero e vertigens trancadas por longos portões gradeados terminados em lanças romanas,
Não suporto mais viver,covarde abandonarei este fardo.

No estremecido hausto o egrégio anêmico consome entranhas de pesadelo,
Dedos,torcidos feito galhos de árvores mortas ressequidas,
Terra,usurpada do paraíso manto apodrecido batendo no caixão,
Orquídeas negras,cróton silvestre,floresce um jardim inteiro denso de lamúrias,
Espalhando-se entre cores púrpuras sentidas passeiando na face disforme de sufocado,
Resisto envolvido em silêncio,sempre foi tarde,do nascimento ao banquete dos vermes.

Violações de lembranças em nostálgicos dias não vividos,tão nítidos,
Perdidos em incontáveis formas diferentes de infelicidade e patológico receio,
Sem amigos, o amor esvaindo-se nas asas torpes de rastejante desgraça,
Com discretos olhares e imagens amalgamadas na confusa realidade dopada,
Na ironia perversa de acordado cataléptico, finalmente partindo,miseravelmente.

Não mais o despertar inesperado,assombroso mesmo entre conhecidos,
Avisos formais em bilhetes nos bolsos:Não velem por este aparente defunto!
Exames minunciosos de lábios espelhados e passos cambaleantes,vergonha,
Quem sabe era o destino,o presságio não entendido tal parábola grotesca,
Remédios não triunfam sobre doenças idealizadas por espíritos condenados,dantescas feito ira dos deuses do Olimpo,
Miríades de sombras abatendo a luz roubada dos meus dias brincam com sua letárgica fraqueza,esparsa.

Vozes cada vez mais próximas nas trevas de flébil sinfonia,
Lamentos e gritos,pedidos e súplicas em turbilhões uníssonos,coral fantasmal de suicidas,
Não movo um músculo e órbitas inúteis dão voltas sobre si mesmas quando mãos agarram-me pelos pés,
Tateiam-me por inteiro fétidas,longas patas de aranhas esmagadas enterrando-se na garganta,
Sem alvos lampejos edênicos n`algum túnel, anjos de socorro e perdão esperançoso ,é o fim apenas,inteiro e satisfeito reproduzindo-se nele mesmo,
Faminto e insaciável Imperador último de reinado abismal,vampiro andrógino arrependido.

Apenas isto,a escuridão cada vez mais pesada esmagando a vontade tênue de alma doente no velório em segredo,
Guiado pelos martírios desejados em últimos momentos,adormecendo pesaroso,despedindo-se amargamente aos vinte anos.
 
A mortalha do amaldiçoado