Poemas, frases e mensagens sobre sonetos

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre sonetos

Por Trinta Dinheiros

 
Por Trinta Dinheiros
 
Por Trinta Dinheiros
by Betha M. Costa

Vendi a minha vaga no paraíso,
Aluguei morada duplex no inferno,
Maculei a ferro e fogo meu sorriso,
E de lágrimas congelei no inverno.

Lancei no vento tudo que preciso,
O ser eterno, eu risquei do caderno,
No dourado espelho vi-me Narciso,
Vivi tudo do mais belo ao moderno...

Acima da montanha consagrada,
Tropecei num anjo feio, furta-cor,
E escorreguei sem fé pela estrada...

Três vezes neguei-me acompanhada,
Até entregar meu amado Senhor,
Por reles trinta dinheiros... Mais nada!

Imagem Google
 
Por Trinta Dinheiros

Celebre a Vida!

 
Celebre a Vida!
 
Deixe fluir todo o mau sentimento,
Segredado nas fendas do coração -
Libere às energias, toda emoção
Que traz o negativo pensamento.

Alivie as angústias do teu sofrimento,
Às tristezas, liberte-se da solidão,
Faça uma prece a Deus, uma oração,
Ele lhe dará o que precisas; o alento.

E no alento, o puro bálsamo do amor.
Portanto, alegre-se, celebre a vida,
Dê aleluia aos céus, és um vencedor.

Mantenha as chamas da fé aquecidas
Que fluirá de ti um cântico de louvor
E nele as boas vibrações vertidas.

Elias Akhenaton
“Eterno aprendiz, um peregrino da Vida”
 
Celebre a Vida!

Mata-borrão do Amor

 
Mata-borrão do Amor
by Betha Mendonça

Vem calado, achega-te e me beija!
Apazigua a chama que me incendeia,
Para que com olhos de amor te veja,
E caia como tola presa em tua teia...

Carente e licenciosa prisioneira,
Além do limite dos teus abraços,
Seja eu maga ou malvada feiticeira,
Para deixar no teu corpo os meus traços.

Livre da teia, mágicos poemas em penhor,
Que eu escrevi na tua mui amada presença,
Queimaram-se e perderam o valor...

Estrelas decadentes e sem cor,
Caíram ao solo da tua indiferença,
Como mata-borrão do nosso amor.
 
Mata-borrão do Amor

Soneto de Natal

 
Soneto de Natal
 
Que neste natal a melodia do amor
seja cantada nos quatros cantos
do mundo, com notas de louvor,
entoadas com ternura e encanto.

Que o eco desta sublime canção
fique no ar na luz de Jesus menino,
Irradiada do seu berço divino,
trazendo momentos de reflexão.

Reflexão de um acontecimento
angelical que marcou com magia
a chegada do seu nascimento.

Levando a humanidade a acreditar
no amor, na paz, esperança e alegria,
contagiando-nos com o ato de amar.

Elias Akhenaton
 
Soneto de Natal

COMO UMA LÁGRIMA

 
Como uma lágrima, nosso amor nasceu,
Trémulo, nos olhos, brilho e emoção,
Tímido, liberto, nosso amor desceu,
Orvalhou de fresco o rubor da paixão.

Como uma lágrima, caindo, fluída,
Nosso amor tocou os lábios em desejo,
Molhou-os da sede no olhar nascida,
Fez-se toque breve, de veludo e beijo.

Como uma lágrima, nosso amor molhou
Nossos corpos nus, searas de sol
E ondulou vagas, suor e sentidos.

Como uma lágrima, nosso amor secou,
Restaram vestígios de sal no lençol,
Na alma, a saudade de rios perdidos...
 
COMO UMA LÁGRIMA

'Love's Theme' (Sonetos,Poemas e Outros... Série Produzida no Minho - PT)

 
Portucalidade e Brasilidade...

Agradecendo sempre... Posto que a gratidão é a memória do coração.

Portucalidade e Brasilidade são os laços que não se pode esquecer... A cultura entrelaçada que nos corre as veias.

A miscigenação e a grandiosidade dos desbravadores,
Conquistadores, Navegadores... A riqueza da lingua Portuguesa... A luta de portugueses e brasileiros pela liberdade...
O respeito a esta liberdade...

A fraternidade entre os povos lusos, as suas diferenças, as suas riquezas, seus patrimônios e suas partilhas...

O perigo da ameaça global requer mais que nunca que estes povos se redescubram mutuamente, porque são fortes, teem origens enraizadas em regiões que podem ser uma esperança de solução para os problemas do meio ambiente...

Esta é e será sempre uma riqueza desses povos determinados povos irmãos de pátrias e frátrias, assim como um dia começou... Assim como deve sempre continuar...
Bastar pensar, ver com a razão e o coração e acreditar.

As dificuldades atuais, cercam o planeta e nos fazem reféns... Agora, mais que nunca há necessidade de nos unirmos cada vez mais...

Não se abandonam as raízes. Cuidamos delas para que haja estrutura e sentimento fortes a mover e abraçar com ternura a lusofonia mãe, nação espalhada e reunida num voo de consciência.

Portucalidade o que é?

Brasilidade o que e?

Sitios comuns entre um oceano... Oralidade comum, monumentos... Pessoas semelhantes e tão diferentes, num berço original...

Patrimonio cultural da humanidade no Brasil e em Portugal, que me dizes quando nos olhas?
Que nos falas de tua história rica e airosa?
Dos teus mares que se turvaram com o sangue de teus heróis.

É preciso valorizar este passado de sofrimento,derrotas e vitórias... De erros e acertos, pois destes ingredientes se faz a história, pois nos revela todo o conteúdo de paixão que move os grandes feitos da humanidade.

Falas muito e de tudo... Arte que toma conta, invade o peito nas heranças majestosas nas técnicas de manufaturas de artefatos de valor, poesia, pintura, música e a dança, o esporte, tecelagens,cerâmicas, bordados, o teatro em todas as suas manifestações chegando até as modernas tecnologias,as culturas agrícolas e tantos elos maiores e diversificados, impossiveis de quantificar de detalhar...

Tudo num doce e majestoso entrelace em forma do sentimento mútuo, sentimento de reciprocidade entre estas nações.

Povos sofridos, que não perdem a imponência porque vivem no presente este passado de glória e sabe que berço é tudo, portucalidade é berço português, brasilidade o sentir deste berço de forma única e derivada, sentindo o abraço do aconchego, da disposição de continuar a fazer história... Não desistir de lutar...

Portugal amigo, portugal querido. Te abraço e te envolvo com o manto que nos destes mesmo antes, e até, na declaração da independência. Independência amparada durante os seus primeiros passos...

Assim te envolvo com um dos mantos de tua glória, o nosso símbolo maior de brasilidade, a nossa bandeira nacional brasileira, colorida como é o Brasil, colorida como são as nossas relações e nesse abraço, que é história, está contido as cores de tua bandeira, signo maior de tua grandeza...

Esta beleza que é fruto de sentimento de inconformismo diante das adversidades, que nos cercam. Mas que nos fazem mais fortes e assim sendo se torna, quiçá mais concreto, exaltando mais beleza no teu panorama doméstico paisagem que fala aos brasileiros e ao mundo, a toda hora, da capacidade de transformação e da força das raízes culturais de um povo-nação.

Portugal e Brasil, aquele abraço...

Feliz Natal a todos indistintamente.Votos de um Ano Novo de Paz, renovação espiritual e prosperidade.

Ibernise.
Indiara(Goiás/Brasil) 19.12.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

'Love's Theme' (Série Temática Inédita)

1.
PENSAMENTOS

sssssssssssssssssssssssssssssss

Sendo puro o amor… Ao ser tornado conceito vazio, mesmo sem verso, nem poesia até o vice… Versa.

sssssssssssssssssssssssssssssss

…Espera mais prazer aquele que ousou...

2.POEMAS

I
AMOR EM TANTOS VOTOS

Meu amor …

Somos duas almas que têm
Fome e sede, assim são todas as almas…
Mas não são todas, que se alimentam
Não são todas, que se contentam…

Neste contentamento
A minha, completa a tua,
E a tua, insaciavelmente,
Contenta a minha.

Meu amor...

Nossas almas nos contam histórias
Do que falta, do que sobra...
Histórias de raspas e restos
De dor e felicidade,
Compondo a singela receita dos afetos.

Meu amor…

É só isso…
Porque é o que nos faz nós,
De nós mesmos,
Emoção que contem o mundo todo
Mas cabe apenas em nós dois…

Amor meu,
És…

Quando
No intervalo de cada revisita,
De cada reconquista,
Adentras aquele espaço onde
Te faço meu
E tu me fazes tua,
Onde somos pontos
Sem possibilidade de encontro
Em paralelas ruas...

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 28.11.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.
…………………………
II

DESEJO E ESPERA

Corpo me falas de coisas que quero apreender
Ouvir, praticar… Contigo…
Corpo
Me falas das coisas que estavas a me pedir
Quando insistias em não me deixar dormir…

Fala-me corpo…
Fala-me, segue-me, extravasa-te
Dentro de mim…
Corpo…

Fala-me
Fala-me através de coisas que lhe estão a ser atendidas…
Fala-me do teu prazer… Diz-me corpo.

Corpo…
Lembra-te que és corpo
Dócil, receptivo, manhoso… Curioso.
Não te quero arisco, corpo...

Corpo amistoso
Receptivo, sensível ao toque,
Lembra-te…
Corpo… Pele tem memória
Apele a inocência e ao vício
A cada ato de satisfação…

Lembra-te, não esquecer as vezes é tão providencial
Tão importante sensual, sentimental…
Em cada nicho que és tocado,
Burilado, estimulado,
Deves dar mais prazer aquele que ousou,
Pois aquele que ousou
É mesmo isso que espera…

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 15.12.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

.......................
III

FALO… LEMBRA DE MIM?

Aqueça as minhas mãos…
Se acaso não possa
Aqueça minhas falanges…

Mas se ainda assim não puder,
Pela premência de algum valor,
Corte as minhas unhas…

Viverei a natureza intervalar desta espera
Na certeza que me tocará de novo…
E sempre…

Unhas sempre crescem…
E cada vez que crescerem,
Meu coração estará aquecido.

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 13.11.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

.......................................

SÉRIE SONETOS

I

SENTIR POESIA

Não te sentindo a palavra,
Resta o pensamento convertido…
Em meio ao labor correspondido
Entre teus canteiros e lavras…

Lavrador de idiomas, deflagras,
Um cultivar de terras compartido
Conflito e prazer em que decido
Aceitar o que a mim consagras.

E te escuto a declamar poemas
Nas prosas dizes teus versos
Nesta saga que te faz oral poeta

E tua mudez me fala de temas,
De coisas tuas, pele re_versa
Carinho e zelo na medida certa...

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 21.11.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

……………………..
II

RISO TOLO

No meu olhar um talvez
A  cada passo o ingresso...
Adentras a forma reversa.
É sempre a primeira vez...

E te aprovo em tua altivez
Te admiro sem recesso
Como parte do processo
No momento à flor da tez...

Vaga de saudade que vence
As luas de agonia e graceja
Riso tolo que cansa e senta,

Atinge o alvo que a ti pertence
Em um corpo que a ti deseja,
Numa alma que nos acrescenta...

Ibernise.
Porto (Portugal), 06.12.2009
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

……………………….

III

ESTRANHA FIDELIDADE

Faço sexo com alguém imaginando
Que faço amor contigo. Hiato de união...
E quanto mais me ligo nesta ilusão,
Na recompensa da paixão sigo amando...

Em cada toque e cada beijo, o quando...
Minuto eterno que me toma em turbilhão
Que me emudece, ao querer, na eleição
Gritar teu nome sem noção de comando…

Quero fazer de tudo e me entrego tua
E nada me sobra, mais de tudo espero
Porque vejo este sonho como doutrina

Em que cada gesto nosso é oferta nua
Entregue ao teu toque que tanto quero,
Cio concreto que nos invade e vaticina…

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 24.11.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

………………………

IV

UMA DAMINHA...

Uma dama é ponta de lança,
Preconceito que fere o peito,
Âmago de delicado conceito,
Que sempre adia a confiança...

Ela é, se estiver só, uma trança
De tantos nós com brilho e defeitos,
De todos que se dizem direitos...
Fraternidade que não paga fiança…

Tantos tortos, e uma dona só,
Que é menos, se estiver sozinha,
Sem social valor, sem dignidade…

Na base da solidão ela é o nó,
Nada vale uma simples daminha,
Mas arrefece toda a sociedade.

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 18.11.2009.
Núcleo Temático Filosófico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

……………………….
V

SOCIAL BUMERANGUE

Subterrâneos da sociedade escondem, consolam
Nos subníveis, tantos desencontros acontecem
Tantos encontros amanhecem, não anoitecem
Dias e noites de encantos que escapam, rolam…

Em tantas teias emoções animam, assolam
Em fatos melancolia e coragem se aquecem 
Por tantas cenas de rir e chorar se esquecem
Nem sabem porque já não riem ou se isolam…

Orienta-se pela intuição, pelo ambiente, clima...
Numa energia que acrescenta e mais arrasa,
Em um saber de mentira que não se enquadra...

Aparentes posições, que não se vêem de cima,
Icebergs de alva carapaça, fluidez  que não vaza.
Sociais sombras que assombram nas quadras…

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 24.11.2009.
Núcleo Temático Filosófico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

...................

VI

A NAMORADA

Viva vida, és minha, namorada…
Estado pleno de tantos sonhos
No acalanto em que me ponho
Desejo maior que me faz morada.

Menina travessa em faces coradas
Olhos em brilho, ares de calma
Abraço e promessa de minh'alma
Quase sempre me falas calada…

Dizes: _És colo de meus devaneios.
Digo-te: _És musa que me arrebata
No calor do toque do fogo que ateias...

Momento que escapa e me acatas,
Quando em cada evento te anseio,
Doo o amor que aceitas e descartas…

Ibernise
Barcelos/Minho/Portugal, 06.12.2009
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

...........................
VII

DOCE  MANANCIAL

Adentro aos subníveis das águas
Entremeados cristais de primaveras...
Em tantas maravilhas e quimeras,
Corredeira que em oceanos desagua.

Caminhos não navegáveis, esperas...
Panorâmicas travessias, divertidas...
Desenhos vivos  em telas compartidas,
Bolhas que sobem e descem, esferas

Que se desprendem e respiram...
Pueris movimentos de subir e descer
Nesse espetáculo, coisas destilam...

Cenário que nos compraz agradecer,
A verdade dos que em nós acreditam,
Tal réplica de ventres a nos converter…

Ibernise.
Barcelos/Minho/Portugal, 06.12.2009
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

.........................................
VIII

IGUAL A PRIMEIRA VEZ...
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=106176

IX
DESEJO DE HUMILHAÇÃO
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=106237

X

SUPREMO SEGREDO
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=106506

XI

ÉS MINHA...
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=106663

XII

OLHAR PARA MIM...
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=106810

XIII

ZELO MAIOR
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=107129

XIV

SUSPIROS DE AMOR
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=107219

XV

OÁSIS DO DESEJO...
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=107339

XVI

PRA NÃO ESQUECER
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109476

XVII

OLHAR EM RECREIO
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109477

XVIII

SENTIR É COMPARTIR
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109478

Ibernise.
Indiara(Goiás/Brasil) 19.21.2009.
Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.
 
'Love's Theme' (Sonetos,Poemas e Outros... Série Produzida no Minho - PT)

Soneto Eletrofobia

 
Soneto Eletrofobia
 
Turbinas são feitas de desejos engarrafados
Grandes hélices cruzando sonhos deformados
Carne cortada ao meio liberta a Alma
Redemoinho da palavra fluída.

Na Fabriqueta da contra-máquina tem duas Placas:
“Proibido jogar chaves de grifos (e Afins) na Engrenagem!”
“Proibido Gerar Lixo no Recinto!”
Não se para o tempo, Maquina burra.

Flua nessa pangeia ilusória
Reflua como cosmo que se extingue
Para alguns é a cadeira elétrica que julga.

Indefeso, Julgaram-te forte e sábio
Criança replicante dentro do relógio injusto
O futuro lhe brilha nos olhos com raiva

Do livro sonetos Reunidos
 
Soneto Eletrofobia

Espera, Chegada e Partida

 
Espera, Chegada e Partida
by Betha Mendonça

Era pura emoção a tua chegada,
E cada instante da espera por ela,
Como uma chuva de flores a janela,
Despertava-me ansiedade inusitada.

Delicada música me enlevava,
Quando mais próximo o momento,
Do desejado encontro chegava,
Menor o vazio e maior encantamento...

Aos sorrisos adentravas a sala,
O sol do verão apossava-se da casa,
A iluminar e aquecê-la ala por ala.

Até que a felicidade bateu asas,
Vozes perderem da garganta a fala,
E dos corações apagaram-se as brasas...
 
Espera, Chegada e Partida

LUARES DOS AMORES - Poesia nº 01 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"

 
LUARES DOS AMORES - Poesia nº 01 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"
 
Na lua minguante, tu carente, afago,
E busco-te na auréola da lua nova;
Da crescente, a tiara, eu lhe trago,
Na lua cheia o amor nosso se renova!

Você é todo o tempo a minha luz!
Guia-me o teu perfume noite e dia;
Nas luas da paixão que me conduz,
Faz-te em linda rainha de magia!

Ao suave som das harpas dançamos;
Bocas em mil suspiros tão presentes,
O chão, nós dois já não mais alcançamos!

Por suas pratas cores reluzentes,
Outra vez, nos luares nós entramos
Sorrindo, por desejos tão ardentes!

Eduardo Eugênio Batista

@direitos autorais registrados
e protegidos por lei

Publicado no site: O Melhor da Web em 06/04/2015
Código do Texto: 125733
 
LUARES DOS AMORES - Poesia nº 01 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"

QUEDA E QUERER

 
QUEDA E QUERER

Neste limbo amorfo, serena apatia
Estremece aos ventos tangendo revolta,
E esta lucidez que me fere, maligna,
Arresta-me os uivos da demência solta.

Fechem-me em masmorras, prefiro o degredo!
Tão só retalhar os limbos desta dor!
Parti-la em pedaços, servi-la em veneno,
Que sorvo em tisana, fel depurador!

Não quero ser haste nem vergar-me ao vento,
Quero antes quebrar e fazer minhas chuvas
Lâminas de espadas que eu possa tomar,

E louca empunhá-las num salto mordaz
Vencendo com ferros, sem viseira ou luvas,
A vã sanidade, que é o meu tormento!
 
QUEDA E QUERER

Rogativa

 
Rogativa
 
ROGATIVA

Oh! Pai, criador do criminoso e do justo...
Fazei dessa terra, esfera incandescente
Sob os influxos do amor, eternamente
Morada da paz, aconchegante arbusto;

Teu é o ilimitado poder, eterno, augusto
Esmeraldina estrela de luz clemente,
Dissipando os negrumes, inda pungente,
Dos corações que buscam o mal vetusto!

Porquanto, confiante, aqui me vejo abrindo
Meu coração, das agruras emergindo,
Em meio à prece fervorosa e compassiva

Pelo lar terreno, pelos bilhões de irmãos...
Entregarei, humildemente, em vossas mãos
As espinhosas flores dessa rogativa.

Álvaro Silva
 
Rogativa

POR TI, SOU DOENTE - Poesia nº 03 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"

 
POR TI, SOU DOENTE - Poesia nº 03 do meu primeiro livro  "Em todos os sentidos"
 
De ti, cada esperança a cada esquina
Dos sonhos, nas quais eu lhe conquistara
Desde a amizade que lhe cativara,
Sempre lembro-me e assim choro, ó menina!

Choro por medo de perder-te, choro!
Por favor, ó menina linda, venha!
És meu fogo, também a brasa e lenha;
Sejas só minha, por favor, te imploro!

Este amor tu não mates de repente,
Porque a ti, a minha vida aqui lhe entrego.
Se fugires por ser inconsequente...,

...De ciúmes que tanto sinto e rego,
Por tua flor tão cheirosa e atraente;
Eu morrerei doente, não mais nego!

Eduardo Eugênio Batista

@direitos autorais registrados e protegidos por lei

Publicado no site: O Melhor da Web em 06/04/2015
Código do Texto: 125735
 
POR TI, SOU DOENTE - Poesia nº 03 do meu primeiro livro  "Em todos os sentidos"

Lua Branca

 
Lua Branca
by Betha M. Costa

Eis que navega no céu a lua nova!
Sua beleza até as nuvens cativa,
Altiva a face que do amor é prova,
Trova, poesia divina e introspectiva.

Tão bela, amiga, antiga e ativa,
Dona do cavaleiro e sua espada,
Que enlaçado ao coração da sua diva,
Zela a eterna e etérea namorada.

A cada noite clara enluarada,
Em que beija o céu com sua visita,
A Terra banha com luz orvalhada.

Ah, lua branca tão encantada,
Tua presença cria a expectativa,
Da gente nessa vida ser amada!...
 
Lua Branca

Por fado tenho... (este canto a que chamamos fado)

 
Por fado, tenho a memória ondulante
Do canto prolongando a dor pacífica
Que um rio sofre em doce e final súplica,
Quando o mar se faz abismo e vazante.

Eu por fado, entendo o berço e o lamento
Musical, extensão da mão materna
Que o embala, ajuntando à voz tão terna
Uma canção que nina o próprio tempo.

Por fado, tenho esta palavra nossa,
Que é mais que o "sentir falta" ou recordar,
Que é muito mais que o alheio sentir possa...

O Fado não é mais que a tradução
Dos acordes que tangem, a sangrar,
A SAUDADE que vai no coração...
 
Por fado tenho... (este canto a que chamamos fado)

CINZA

 
CINZA
 
Tão pouca é a esperança que me sobra,
a cinzas me reduzo, culpa minha,
nem a mágoa do sino que me dobra
me serve a pouca força que me anima.

Jejuo há tanto tempo de vontade
de ser vela enfunada ao vento acesa,
que morre a chama débil que me arde
e só me sobram cinzas sobre a mesa...

Espalhem-mas aos mares e às mãos cheias,
aos ventos que se deitam sobre lírios
tingidos pelo sangue destas veias!

Espalhem-mas nos rios que cantei!
Não me façam libelo de concílios
-sou tão pouco, só cinza que restei...

.
 
CINZA

TRANSBORDANDO SAUDADES - Poesia nº 02 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"

 
TRANSBORDANDO SAUDADES - Poesia nº 02 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"
 
Sorrindo no brandir desta ternura,
Vou assim alimentando o que preciso;
Lembrando de ilusões por tal ventura,
Qual de fora pra dentro idealizo,

...Desta paixão que no meu peito vive,
Inda que bata apenas por saudade!
Eu sei que na alegria também tive,
Mesmo por desengano essa verdade,

...Num passado doído, mas tão belo,
Que neste meu soneto te recordo.
É uma prova existente que houve esse elo,

...E pelo amor querido não discordo,
Desta busca do meu querer singelo,
Num sofrimento que de mim transbordo!

Eduardo Eugênio Batista

@direitos autorais registrados e protegidos por lei

Publicado no site: O Melhor da Web em 06/04/2015
Código do Texto: 125734
 
TRANSBORDANDO SAUDADES - Poesia nº 02 do meu primeiro livro "Em todos os sentidos"

Tempestade

 
O tempo me castiga em seu deserto paradoxal
Me fazendo olhar teus olhos tristonhos
Refletidos nos relâmpagos de uma tempestade infernal
De longe vejo a chuva levar os teus sonhos

Procuro ficar em silêncio, parecer normal
É difícil aceitar a derrota desde castigo sem igual
Mas o grito que habita meu peito liberta meus temores
Me faz ouvir teus apelos e sentir tuas dores

Que te domina por inteira cruelmente
Como uma faca, uma lança, um punhal estridente
Que te atravessa a alma dolorosamente

Preciso livrar-me dessas amarras urgentemente
Para puder salvá-la de toda essa angustia, de todo esse mal
E saber que foram minhas mãos que lançaram este punhal.

Sandro Kretus
 
Tempestade

ESPERANÇA

 
Reavendo esperança após o nada
Jazendo noutro canto desta casa
O quanto do vazio não embasa
A história noutra lenda revelada,

Ainda que se veja desenhada
A lenda mais audaz, intensa brasa
O passo sem sentido algum se atrasa
E não se deixa ver a velha estrada

Há tanto consumida pelo fogo
Perdida mesmo quando em firme rogo
O tempo não perdera alguma luz,

Porém de tanto crer no que não vinha,
A senda mais feliz jamais foi minha
E apenas ao vazio me conduz.

Cansado de lutar contra o que venha
E ter no meu olhar esta impressão
Do tolo caminhar em direção
Ao quanto com certeza não convenha,

Ainda que se saiba a velha lenha,
Os dias com firmeza me trarão
Apenas a saudade de um verão
E nele cada passo nunca tenha

Somente outra certeza senão esta
Do medo que deveras nos atesta
A sórdida presença da lembrança

Rondando o quanto teime no futuro
E do não ser apenas me asseguro
Enquanto sem sentido a voz se lança.

3

Já não me caberia acreditar
Nas curvas do caminho ou mesmo até
Por onde a vida trace em leda fé
As tramas mais audazes de um luar,

Não tendo nem sequer onde parar,
A sorte se desdenha e sei quem é
Que tanto poderia e mesmo a pé
Não deixa do infinito procurar,

Um sonho que se faz realidade?
Apenas um lampejo em claridade
Ou mero ocaso em vida discrepante,

O tanto que me reste, finalmente
Somente toma parte do que mente,
E molda o quanto ausência me garante.

4

São versos que se fazem sem temer
A sorte desairosa do jamais
Poder ter no futuro atemporais
Momentos mais repletos de prazer,

Não tento acreditar e mesmo ver
Após os velhos erros, vendavais
Os dias que se mostrem desiguais
Negando qualquer calmo amanhecer,

Resulto deste infausto e sigo assim
Procuro algum lugar dentro de mim
Aonde eu não perdesse a dimensão,

Dos erros costumeiros e talvez
Ainda quanto mais já se desfez
Enfrente novos tempos que virão.

5

Acredita decerto piamente
Nos dias mais felizes? Mero fardo
Aonde cada passo eu já retardo
E tento acreditar no que se mente,

E mato sem saber uma semente
E gero invés do sonho um novo cardo,
Cada palavra dita, algum petardo
E nele o mundo perde o quanto sente.

Restando muito pouco ou quase nada
Daquilo que se fez em nova estada
Apresentando apenas incerteza

Do passo sem firmeza em plena queda,
E o prazo aonde o fim já se envereda
Não deixa que se vença a correnteza.

6

Um universo novo em meio ao caos?
Apenas ledo sonho de algum santo
Ou mesmo a cena feita em desencanto
A sorte não se eleva em tais degraus,

Os dias mais audazes, mesmo maus
E o que me resta apenas traz no canto
Dos velhos infestados pelo manto
Puído ou se perdendo em podres naus,

Apresentar no olhar uma esperança
E crer ser mais possível a mudança
É como alimentar a imensa fera,

E sei que na verdade desde agora
Somente o que inda reste nos devora
E deixa o quanto quis em tosca espera.

Não tento acreditar no que não veio
E sei jamais viria para mim,
A florescência morta no jardim
Expressa o meu caminho em devaneio,

Não pude acreditar e se receio
A história se desenha sempre assim,
Iniciando em vão no mesmo fim,
O tempo se presume sempre alheio,

Arcando com meu mundo sem sentido
Apenas me entranhando aonde olvido
O passo num vazio interminável

Depois de cada engodo, novo engano
E o mundo onde decerto ora me dano,
Jamais seria enfim mais habitável.

Negar uma vontade e crer, cismar
Vencendo o quanto possa ressurgir
E ter no olhar além do vão porvir
A imensidão espúria deste mar,

Já não pudera mesmo me entregar
E vendo o quanto possa redimir
O engano de quem tanto ao presumir
Não teve outro caminho a se mostrar.

Apenas o que vejo dita o rumo
E deste navegar onde me esfumo
Enfrentaria a sorte desumana,

E tendo tão somente a negação
Ausenta deste passo outra versão
Enquanto a própria história hoje me engana.

Jogado sobre as pedras deste cais
Meu barco não traria nova senda
E quando imaginasse em tal contenda
O tempo noutros dias desiguais,

Reúno os meus anseios temporais
E vejo o quanto o sonho não desvenda,
E sei desta emoção em leda lenda
E nela outros anseios onde trais,

Vestígios de uma sorte morta e crua
Olhando para além eu busco a lua
E bruscamente a mente nada vendo

Envolta no silêncio desta sorte,
Apenas sem ter nada que conforte,
O mundo se anuncia amargo e horrendo.

10

Desnuda-se ilusão e o passo traça
A fútil sensação de novo encanto
E quando procurasse em todo canto
Uma emoção expressa tal fumaça

E o prazo determina o quanto embaça
E nisto o que se visse em luta e pranto
Apenas desenhando o desencanto
Marcando com terror a rua e a praça,

Não pude e não tivera qualquer ponto
Aonde sem saber onde me apronto
Eu vivo esta incerteza do vazio

E nele se anuncia o que não veio
Olhando para além vivo o receio
De quem adentra o sonho mais sombrio.

11

Durante tantas noites solitárias
Imerso nas lembranças de outros dias
Enquanto na verdade não virias
As horas são audazes e corsárias

E invadem sendas loucas, temerárias
E tentam transformar em melodias
As ânsias mais atrozes e trarias
Somente as mesmas vagas luminárias,

Encontro nos anseios de quem ama
Apenas a verdade me mera chama
E dela me aproximo embora saiba

Que toda fantasia tendo um fim
Jamais eu poderia crer em mim
Aonde esta emoção já não mais caiba.

Negar outro momento e crer no verso
Ansiosamente exposto nas janelas
E quando este vazio me revelas
Talvez como se fosse este universo

Audaciosamente enquanto imerso
Nos ermos onde tanto em dor atrelas
Seguindo este cenário rompo celas
E tento acreditar onde o disperso,

Repare cada luz e saiba bem
Do quanto da esperança nisto tem
Embora inutilmente, este é o fato,

E sigo sem proveito e sem razão
Vivendo os dias tolos que virão
E neles solidão; sempre constato.

13

As mãos da vida tecem no vazio
A imensa sensação da queda e sigo
O tempo sem saber de algum abrigo
Enquanto cada passo eu desafio,

Vestindo esta ilusão e sei do frio
E nada mais que possa inda persigo
Sabendo inconsequente do perigo
E nele outro momento ora desfio,

E bebo o sortilégio de assim ser
Tentando adivinhar mero prazer
Aonde no final nada haveria,

Somente esta esperança tola e rude
E quando o dia a dia desilude
Restando dentro da alma esta agonia.

As flores de uma vida sem futuro
Despetaladas ânsias de outro sonho
E sei do quanto possa e decomponho
Ousando neste passo em ledo escuro,

E quando alguma luz cedo procuro
Ainda sendo o passo mais bisonho,
Apenas o vazio onde componho
Meu verso se traduz em solo duro,

Não pude e não teria qualquer chance
De crer no passo aonde o tanto alcance
Marcando com acordos mais sutis

Os nobres desenhares, vida amarga
E o tanto quanto tenho a voz embarga
E nega na verdade o que mais quis.

15

Consolo-me em saber do fato quando
A vida se pressente noutro rumo,
Mas sei do quanto possa e já resumo
O tempo noutro vago desabando,

O marco mais atroz se desenhando
E nele cada passo traz no sumo
O tanto quanto pude e se me esfumo
O mundo se perdera em contrabando,

No caos sem ter apenas um alento,
O todo desenhando o quanto tento
Vestindo esta esperança em luz e sorte,

Apenas do meu mundo sem proveito
O quanto se quisesse e não aceito
Transforma qualquer sonho que conforte.

Nos seios sempre fartos do querer
Por vezes me entranhando e me perdendo
No canto aonde o tanto fora adendo
A vida se desenha em desprazer,

O quanto pude mesmo conceber
E sei do todo ou quando sou remendo
Vivesse tão diverso do que estendo
A luta sem sentido a se prever,

Não tento acreditar em luz nem mesmo
Enquanto solitário eu ensimesmo
E vago por estrelas que não vêm,

Depois de certo tempo sem apoio,
A vida se perdendo do comboio
Outra esperança chega e perde o trem.

17

No corpo de quem tanto fora mais
Do que se imaginara no passado,
O verso sem sentido enquanto brado
Expressa o que se faz em temporais,

Não tendo na verdade novo cais
O barco sem saber do desolado
Anseio deste tempo desfraldado
Imerso sob fúrias, vendavais,

Não quero que se faça o que não tente
Sequer o meu caminho imprevidente
Ou mesmo sem saber do quanto resta

Minha alma se anuncia sem proveito
E bebo do que possa e não aceito
Sequer a noite amarga e mais funesta.

18

Respiro o quanto reste da esperança
E nada mais pudera ter nas mãos
Tentando acreditar em podres grãos
Que o tempo em solo espúrio agora lança

Jogado contra o medo da mudança
Os dias adentrando velhos vãos,
Os passos se repetem entre os nãos
E deixam para trás a confiança

Marcar em discordância o que não veio
E ter no olhar apenas tal receio
Pousando no infinito enquanto sinto,

Meu mundo sem temor e sem discórdia
A vida se moldando em tal mixórdia
Amor quando existira foi extinto.

Jamais irei contigo, companheira
O passo em mais diversa direção,
Expressa os dias tolos que verão
A sorte que julgara costumeira,

Não tendo na verdade quem me queira
A luta se desenha em solo vão
E o bando se perdendo em dimensão
Diversa da que possa e não se inteira,

A marca da pantera, o beijo bom,
Teus lábios e a delícia de um batom
Pousando sobre os meus em noite cálida

E quando se imagina a sorte pálida
Ressurge do passado em força tal
Tramando outro momento sem igual.

20

Nos ermos mais distantes e sombrios
Dos sonhos entre incautos passos vejo
O tanto quanto possa e se desejo
A vida se expressando em mansos rios,

Deixando no passado os desafios
E neles outro engodo malfazejo,
O rumo que deveras eu prevejo
Acende da esperança tais pavios,

Encontrarei a sorte que desenho
E nela quanto mais em ledo empenho
Ainda em aproximo do jamais,

E bebo em tua boca o que queria
E nisto imensa luz em fantasia
Encontra mansamente o calmo cais.

Não quero a dor aguda que ora trace
O tempo aonde o mundo não traria
Sequer a menor sombra da alegria
E nem sequer o quanto diz repasse

Das dores do passado e se mostrasse
Apenas o que resta em ironia
Ou mesmo na verdade moldaria
A luta aonde o tempo destroçasse

O verso sem sentido e sem proveito
Do quanto com certeza me deleito
Em erros costumeiros da emoção,

Uma esperança ronda esta janela
E sei desta nudez que se revela
Em sórdida e diversa dimensão.

22

Respiro alguma sorte e nada vindo
Somente o que se fez em tom feroz,
A vida se perdendo em nova foz
O manto se descobre agora findo,

E o verso noutro verso se abstraindo
Enquanto nada vejo além e após
Aposto no que tento e sendo atroz
O marco de um passado se sentindo,

Depois do que viria em tom suave
A luta na verdade mais agrave
Engodos entre caos e nada além

Da marca mais audaz, felicidade
Que quanto mais inútil ora se brade
Expressa o que deveras nunca vem.

23

Os sonhos que pudessem persistir
Envoltos nesta luz e nada além
Do tempo aonde o tanto não mais vem
Perdendo qualquer rumo de um porvir,

E sei do quanto possa redimir
E vicejando a vida sem ninguém
E nela o que se mostre sei tão bem
Do verso que tentasse presumir,

Ocasionando a queda de quem tenta
Vencer em mansidão qualquer tormenta
E nada mais se vendo senão isto,

O pantanal dos sonhos envolvendo
O corte mais audaz atroz e horrendo
Enquanto simplesmente ora desisto.

Cantos enamorados da ilusão
Aonde uma esperança habitaria
Vencendo o quanto resta em utopia
Matando pouco a pouco outra emoção,

Jorrando como fosse uma explosão
E nada mais do tanto em fantasia
Explode aonde o cais se moldaria
Nos erros de um espúrio coração,

Alego o que não veio e nem se faz
Apenas o que tanto sei mordaz
E atrás desta incerteza o rumo seda

Marcantes dias mortos do passado
E o verso noutro tempo desolado,
Pagando com terror, mesma moeda.

25

Ainda se buscara algum conforto
E confrontando a vida com o sonho
Apenas o que possa e não componho
Traduz o quanto sigo semimorto,

E sei desta expressão em fino aborto
Marcando com terror dia medonho,
E nada mais teria onde proponho
Somente após tempesta um manso porto,

Negar o meu caminho e crer no quanto
A vida se mostrara e quando canto
Tentasse num momento alguma sorte

Diversa da que toca e me desnuda
E nisto o quanto vejo em dor aguda
Apenas com certeza desconforte.

Nas armas esquecidas no porão
As tramas de quem tanto quis o brilho
Do rumo sem sentido aonde trilho
E vejo a mais dorida dimensão,

Dos erros costumeiros desde então,
Ensaio um passo além ledo andarilho
E bebo o caminho em empecilho
Diverso dos anseios que se vão,

Cevando neste solo mesmo ingrato
O tanto do vazio que resgato
Impede qualquer passo em firme luz,

Ao verso sem sentido e sem descanso
Enquanto na verdade nada alcanço
Meu mundo noutro engodo se produz.

27

Jorrasse em meu olhar outro futuro
Diverso do que tanto me legaste
A vida se desenha sem desgaste
E apenas outro cais quero e procuro,

O solo da esperança sendo duro
O vértice renega então esta haste
E o peso da verdade que negaste
Não deixa qualquer passo mais seguro,

Esbarro nos meus erros, e sei quando
Meu mundo noutro tanto desabando
Marcando com terror o dia a dia,

Não tendo qualquer chance, eu já me perco
E bebo do vazio e sei do cerco
Aonde o meu caminho eu perderia.

Não pude e nem tentara acreditar
Nas tramas mais audazes da paixão
E sei dos dias tolos que virão
E nada do que possa caminhar,

Jogado pelos cantos bar em bar,
Os ermos da esperança mostrarão
Apenas o que rege a solidão,
E dela nada possa aproveitar,

Somente o descaminho a se traçar
Negando novos dias e emoção
Diversa da que possa desde então
Apenas outro passo destroçar,

Jazendo sobre as pedras, nada tenho
E sei do quanto possa em ledo empenho
E venho com meus olhos plenos de água

Tentar acreditar noutro momento
E sei que na verdade ainda tento
Vencer o quanto tenho em medo e mágoa.

29

Nas tramas mais sutis onde se vendo
O temporal dos sonhos sem sentido
O mundo em manto velho e já puído
O canto se anuncia e me perdendo,

Aonde se quisera em estupendo
Caminho o tanto quanto dilapido
Do marco da esperança e desprovido
Do encanto vejo o todo qual remendo,

Apresentar encanto agora exposto
A vida na verdade a contragosto
Agostos enfileira em puro inverno

Nos antros de minha alma em horda e súcia
A sorte da mulher, doce pelúcia
Encontro como fosse o meu inferno.

30

Resumos entre espaços mais dispersos
Errático momento em tom atroz,
E nada poderia em minha voz
Sequer o quanto cresse em mansos versos,

No vento se perdendo em mais dispersos
Cenários sem saber por onde nós
Possamos desvendar momento após
A vida sem singrar tais universos.

Apresentando o fim e nele o fato
Aonde sem temor tento e resgato
Os erros costumeiros, sonho e queda,

Ainda quando muito me aproximo
Enfrento a tempestade em lodo e limo
E o passo no vazio se envereda.

31

A paz que se tentasse em tal intimidade
Viver sem mais temor e nisto acreditar
Na fonte que perdera a luz forte e solar
Vivendo o quanto quero em plena liberdade,

Mas quando se aproxima a fria realidade
O tanto que se quis já não podendo alçar
A vida se desenha e sei que sem lugar
Apenas o não ser agora toma e invade,

Vestígios de outra espera e nela em ondas tantas
Enquanto na verdade o quanto desencantas
Expressa muito mais que mera fantasia

E gera outra esperança embora mais sutil,
O quanto se quisera o tempo dividiu
E nada mais decerto aqui já restaria...

Não pude e nem talvez inda tentasse além
Da sorte desejada e há tanto adormecida
A senda mais audaz refuga enquanto a vida
No fundo sem juízo ao nada sempre vem,

E bebo do caminho enquanto em teu desdém
A luta se anuncia há muito consumida
Nas tramas do vazio e sei da empedernida
Vontade de lutar enquanto o nada tem,

Apresentar um passo e acreditar no fundo
Aonde com certeza eu busco e me aprofundo
Inundações diversas de sonhos do passado,

Um mar que se perdera em ondas sem sentido,
Do quanto ainda tenho o todo dilapido
E trago outro cenário apenas esboçado.

Reparo cada engano e vejo o que se visse
Depois do meu caminho em sórdida aventura
O tanto quanto resta a morte configura
E a vida não passasse enfim de uma tolice,

O marco mais audaz e nada mais se ouvisse
Senão a voz cansada e nela se assegura
A luta sem proveito em noite sempre escura
E sigo sem saber restando tal crendice,

O verso sem proveito a vida sem razão
Os tempos mais sutis e neles se verão
Apenas o que rege um passo sem saber

Do quanto poderia a sorte me mostrar
E quando se anuncia o tempo a desnudar
O tanto que se quis jamais gere prazer.

34

Beber do quanto possa em sonho tal
Depois do que se visse noutro engano
O mundo quando invade ledo plano
Expressa este momento desigual,

Encontro cada sonho em vão sinal
E sei do meu caminho e já me dano,
Ainda sem saber o quanto explano
O medo se transforma em ritual,

Não tento acreditar no quanto venha
E sei deste cenário em turva senha
Legado de outra sorte em descaminho,

Depois de tanto tempo solitário
Enfrento o mesmo rude itinerário
E sei que no final irei sozinho,

Resplandecesse o sol onde não há
Sequer a menor sorte ou esperança
E nada do que tento agora avança
Marcando com terror o que virá,

Negando o quanto reste aqui ou lá
Depois da solidão vivo a mudança
Sabendo do meu mundo em temperança
E a morte com certeza o rondará,

Nefastas noites dizem do vazio
E quando noutro passo desafio
O mundo sem segredo e sem apoio,

Ainda quando vejo o dia a dia,
A luta se transforma em agonia
Secando em vaga origem meu arroio.

36

Nas tramas mais audazes o que espero
Traduz além do nada que conheço
Sabendo já de cor seu endereço
O velho sentimento que insincero

Invade quando muito o que mais quero
E sei desta ilusão em adereço
E o meu caminho agora reconheço
Tropeço após tropeço em mundo fero,

Apresentar o caos e nada ter
Somente o que pudera recolher
Das mortes já deixadas no caminho,

E sei do meu anseio sem remédio,
A vida se anuncia em pleno tédio
E sigo o meu momento ora sozinho.

Não tive e não teria qualquer chance
De crer nalguma luz após a treva
E na alma o que se quer e não se ceva
Ainda no vazio ora me lance,

O verso sem saber por onde avance
A solidão espreita e sei que neva
Aonde esta emoção jamais longeva
Amortalhando o tanto num relance;

Depois deste nuance em esperança
A vida se perdendo sem pujança
A sórdida presença do real,

Expressa no caminho esta desdita
E quando novo sonho necessita
Eu bebo este oceano em mágoa e sal.

38

Não mais me caberia acreditar
Nas tramas de uma vida aonde o nada
Encontra com certeza a velha estrada
E perde o rumo logo ao mergulhar

E vejo quanto possa no luar
Beber a sorte tanto imaginada,
Depois do que se visse desenhada
A morte não se faz por esperar,

Apoio onde não resta nem o sonho,
E quando o meu anseio decomponho
Medonhamente eu vejo o fim de tudo,

Não tento caminhar contra este vento
E sei que mesmo quando a sorte eu tento,
No fim sem mais defesa ora me iludo.

Restauro com meu verso o meu caminho?
Não pude discernir qualquer sinal
E sigo sem saber do velho astral
Aonde com certeza irei sozinho,

Ainda que se perca em tanto espinho
Ousando acreditar no roseiral,
O manto se transforma e bem ou mal,
Apenas só não quero ser mesquinho.

Mas sei que do quanto espero inutilmente
E mesmo quando o sonho tanto eu tente
Invalidez transcende o canto em paz,

E nada do que se fez expressaria
A sorte mais audaz e noutro dia
O tempo sem sentido algum se faz.

40

Quisesse apresentar qualquer momento
Aonde o que se vê possa fazer
A vida mais diversa e no prazer
O tanto quanto quero e até fomento,

A solidão não traz este elemento
Que busco e sei no farto amanhecer
Ousando nas estâncias do querer,
Ainda sem temer o forte vento,

Um tempo após o tempo mais cruel
E abrindo em azulejo o imenso céu,
A vida poderia nos traçar

Um dia mais suave e em plenitude
O quanto do passado ora transmude
Expressa o mais divino caminhar...

41

Já não me caberia melhor sorte
Não fosse a minha vida mesmo assim,
Iniciando a queda chego ao fim
E nisto nada trago que suporte

Alento? Na verdade não conforte
Meu canto sem saber do que há em mim,
Apenas discordando de onde vim
Tentando no vazio o velho norte,

Ainda sem saber o que viria
Apresentando o caos em fantasia
A luta se desenha e sei do fato

Aonde com promessas não se faz
O mundo a cada ausência perde a paz
E apenas esperança vã constato.

Resgato cada passo e sigo em luta
Diversa com o tanto que me dera,
Deixando para trás a primavera
Ao menos a esperança é mais astuta,

Mas sei do quanto possa e já reluta
Marcando o que deveras destempera
E gera no vazio esta quimera
E nela a força traça sempre bruta,

Espero alguma luz e nada veio
Somente o mesmo prazo e sem anseio
O meio de seguir perdendo o lastro,

Ainda que se queira acreditar
Num rumo mais diverso e me moldar
Ao menos no não ser ora me alastro.

Encontraria apenas a verdade
Depois de tanta luta sem proveito
E quando nos espinhos onde deito
Enfrento o quanto tento e desagrade,

A rústica expressão que agora invade,
O manto se desfaz e nega o leito
Ao sonhador sem nexo e sem direito
De ter noutro caminho a liberdade,

Ausento dos meus passos e prossigo
Sem ter sequer a sombra de um abrigo
Ou mesmo acolhedora fantasia,

Negar qualquer espera noutro tom,
O dia se desenha e sei sem dom
O canto que decerto esperaria.

Não tento acreditar no que não veio
E sei que não viria de tal sorte
Que tanto quanto o passo me conforte
Apenas desenhando este receio,

Enfrento com temor o quanto anseio
E bebo sem sentido algum o corte
E nada do que deixe como aporte
Suporta o meu caminho em devaneio,

Esbarro nos enganos de quem sonha
E sei da solidão dura e medonha,
Mas tento acreditar noutro cenário,

Embora todo amor já não desnuda
A face mais atroz e sei aguda
Do passo onde se fez desnecessário.

45

Restauro com meu verso o que presumo
Talvez inda me salve do fastio
E bebo com ternura o desafio
E sei da solidão mero resumo,

Vivendo com temor onde me esfumo,
E vago sem saber do velho rio
Morrendo pouco a pouco ora desfio
O tempo sem saber onde o consumo,

Apenas o momento dita o não
E vejo noutro fardo a sensação
Do vago desvendar em passo rude,

Não tendo outra saída vou ao fim
Bebendo o quanto resta vivo em mim,
E deixo para trás a juventude.

Não quero e não pudesse ainda ver
O mundo mais diverso do que tento
E quando do passado num momento
A luta se desenha em desprazer

Não vejo o quanto quis amanhecer
Depois do meu caminho e desatento
Marcando com terror e sofrimento
O nada aonde o pouco pude ter,

Apenas o final se desenhando
Aponta o meu anseio desde quando
A luta se presume noutro passo,

E sei do quanto é rude o meu caminho
E marco com meu tempo mais daninho
O quanto na verdade me desfaço.

Não trago o coração liberto ou vejo
Após a tempestade esta bonança
E quando a solidão invade e avança
Eu bebo deste sonho benfazejo,

O manto mais audaz quando o prevejo
No fim de todo encanto teima e alcança
Deixando sem sentido a confiança
E nisto outro momento em paz desejo.

Restauro com meu sonho o que não tendo
Apenas semeasse o mesmo adendo
E vivo sem proveito o quanto teime,

Ainda quando a vida audaz nos queime
E mostre sem sentido a imprevisão,
As horas mais felizes se verão?

48

Nascera do vazio em tom audaz
E mesmo quando o rumo em reticência
Pudesse desenhar em consciência
O mundo aonde o pouco tenta ou faz,

Resulto do que um dia quis em paz
E vejo sem saber da impertinência
Do tanto quanto possa em vã ciência
E nisto outro momento sou capaz,

E bebo o que não tinha e nem tivera
Somente desenhando a longa espera
De quem noutro cenário se perdeu,

O verso que pudera ter em luz
Agora no vazio não conduz
E o mundo se imergindo em treva e breu.

No pranto sem saber de algum alento,
A voz de quem se fez em tons sutis
Demonstra o quanto fora este aprendiz
Bebendo com terror o velho vento,

E quando no final eu me alimento
E sei do todo na alma sem teu bis
E vejo o que deveras tanto quis
E nisto outro caminho agora invento,

Reparo com meu passo o que não tive
E sei da solidão em que convive
O verso com o sonho e nada mais,

Despisto com meu canto o que se cria
Ausento desde quando em poesia
A luta enfrenta dias mais banais.

50

Medonhas faces dizem do passado,
Mas quero acreditar neste futuro
E sei do quanto possa e me asseguro
Do tempo noutro tempo desenhado,

Pousando mansamente não me evado
E bebo a sensação e já procuro
Vencer o que pudera e não torturo
Meu canto noutro engodo decifrado,

Restauro com o sonho o dia a dia
E vendo o quanto resta em alegria
O mundo não pudera ser assim,

Encontro o que inda tenho em esperança
E o passo sem sentido quando avança
Espera reviver cada jardim...
 
ESPERANÇA

LEMBRA-TE, HOMEM, QUE ÉS PÓ...

 
arde-me nos olhos o fumo esvaído
dum cigarro em riste que gasto, ausente
de mim mesmo triste, gesto displicente
ao queimar da vida, e dela distraído

sigo o desfalecer do nada que sou,
entrego-me às cinzas, queimando comigo
as páginas lisas onde meu castigo
se escreveu de cor no papel que vou

dar de testemunho a quem me seguir
as pisadas breves em busca do nada,
escondendo as sebes que me flagelaram,

pois que da empresa, nem por atingir,
o melhor é o sonho que em si a guarda...
na terra deponho vestes que me alaram!

escrito em comentário-sob-inspiração de Júlio Saraiva, em "Auto Retrato" - http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=98574
 
LEMBRA-TE, HOMEM, QUE ÉS PÓ...

CATORZE PASSADO

 
O olhar dos horizontes sobre nós,
Vivência incandescente sem humano
Nesta procura dos podres... foi o ano!

A sombra do catorze foi atroz,
Fluíram tais tristezas, tanto engano,
A bonança perdeu a sua foz
Mas nem sempre foi tudo tão insano!

De nada vale ser sem se viver.
Portanto, antes de se ser, há que ter
A ânsia do lustro e do mundo pra nós!

A gente sofre sem saber das gentes
Que realmente sofrem, indecentes...
A paz de Portugal extinta e atroz!

Dornelas - segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
António Botelho
 
CATORZE PASSADO