Poemas, frases e mensagens sobre vazio

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre vazio

sem título

 
Rasgo o ímpeto deste pulsar no peito
nestas palavras nuas que te escrevo,
sob a lâmina cortante da saudade...

...vertem perfurantes cristais dos olhos...


Desnudo o latejar deste sentimento
no imprimir destas insanas letras,
sob a pungente dor deste vazio...


...a tinta esborratada escorre vagarosa...

Lê-me... não neste confuso borrão...
...mas na porta aberta do meu coração...
 
sem título

"Estados"

 
Tenho os bolsos cheios de palavras.
O olhar,
sempre em busca prometeica da precisão
mas..
sinto um enorme vazio no coração
 
"Estados"

despreocupada mente

 
conjecturar sobre a vida
pra anuviar poemas, não gosto.
definitivamente
não sou afeita à
dores sem destinos.
pensar a vida é chicotear
as próprias costas sem conseguir tatear
os desenhos das cicatrizes.
é morder a própria alma
bebendo o sangue da consciência
pra no ato findo conhecer somente
o sabor do vazio.

prefiro abrir estradas pra enfileirar
despreocupadas palavras;
alamedas zunindo balanços
deitando sombras
sem pretensão de mais nada.
 
despreocupada mente

Coberta de negro

 
Cobre-se de negro a face pálida…
Perdem-se as palavras
No vazio do silêncio,
E escondem-se as mãos
Em bolsos sem fundo,
Algemadas pela dor da saudade.

Acorrentam-se sentimentos
A sombras tenebrosas,
Omitem-se palavras e gestos
E esvazia-se a alma em chamas
Num vácuo obscuro
Onde nem a luz penetra.

Vem a morte deitar-se na cama
Tomando o ensejo da cobiça.

Deixo-me estar, invadida e resoluta,
Até que me sorva integralmente,
Sem contestar,
Embriagada pela condolência
E navego no instante da futilidade
Intoxicada pelo teu veneno.

Sou perversidade sem palavras
Exigindo a morte silenciosamente.
 
Coberta de negro

NO VAZIO DE MIM

 
NO VAZIO DE MIM
 
NO VAZIO DE MIM

Hoje o sonho me foge
Já não lhe apanho o passo
No vazio de mim
Me faço e desfaço.
O sonho me foge hoje
E eu me volto a rasgar!
Perco da vida a cor
Sem esperança pra queimar.
Meu coração sem calor.

Não há cheio, nem vazio
Só uma saudade presente
Que corre em mim como um rio
Numa incontida torrente.

Não há nada nem ninguém
Este sonho passa voando
Tempo meu ficou aquém!?
Já nem dele estou lembrando.
Nesta estação já sem folhas
Sou àrvore de algum dia
Tão quase nada... poeira
Sou um livro que desfolhas
Minha vida e companheira.

Pássaro saido do ninho
Seduzido p'lo chilreio
Deixo-me à beira do caminho
Meu sonho a mais de meio.
Já há muito estou de pé
Já o tempo me faz medo
Mas não gastei minha fé
Coração a Deus concedo.

rosafogo
 
NO VAZIO DE MIM

ASSUMO

 
ASSUMO
 
Assumo que quando sem norte peregrinava
E nos tantos descaminhos era mero viajante
A porta originária da ilusão me abraçava
Foi no teu olhar, que aportei contingente...

Assumo que meus pés feridos nos percalços
Desta terra alheia, quando ainda peregrina
Tuas mãos firmes e afáveis aliviaram o cansaço
E teu colo o berço que me fez outra vez menina...

Assumo, ofereceu-me no teu peito a paz almejada
Foi na cumplicidade do olhar que achei meu cais
E não sei calcular o calibre da emoção saboreada
Quando mãos atrevidas foram balsamo aos meus ais

Assumo ainda, que no aconchego do teu abraço
Abandonei meus medos, segura, no teu compasso

Glória Salles

No meu cantinho...
 
ASSUMO

Desespero existencial

 
Desespero existencial
 
Hoje, sento-me à beira do abismo
Olho a rocha escarpada
Perpendicular ao mar
Esse mar revolto que me atrai
Hipnotizada sinto o anjo negro
Num abraço de morte
O negrume penetra minhas entranhas
Meus olhos raiados de breu não te vêem
Raízes seculares sugam a água da encosta
Meus pés desnudos estáticos
Pisam os espinhos das rosas mortas
No céu as nuvens pardacentas
Cobrem-me de saudade
Na minha mente imagens pintadas de sonhos
Rasgam-me a alma como garras felinas
O meu corpo alado ergue-se
Pronto a arrojar-se
No escarpado negro da morte
Minha mente hesita
Meu corpo estremece de desejo
É tão fácil voar até ao mar
Permanecer voando no infinito
Não sofrer, não pensar
Apenas voar, sem passado
Sem presente, sem futuro
Sentindo a alma navegar
Ao sabor da brisa divina
Ah! como é tão fácil
Morrer e não pensar.
Atiro-me feliz
Nos braços negros do vácuo
Sucumbo mais e mais
Sem gritos, sem dor
Seduzida pela pulcritude do limbo

No limite do teu desespero existencial, é isso que sentes, tu que queres morrer? Interrogo-me perplexa, sem respostas e tu amigo que lês este poema sabes responder?
Porque desiste de viver aqueles que se suicidem?
Que desespero tão profundo os levam a querer morrer, será mais fácil desistir ou lutar pela vida? Reflecte, analisa e conclui ….
 
Desespero existencial

O DESVALOR DO NADA

 
O DESVALOR DO NADA

Não há sequer meia palavra
A descrever do desvalor do nada
Como não há de qualquer lavra
O nada que nele próprio há...

Esta estrofe é versaria esvaziada
Tão vazio meu coração está
No meio-termo dessa erma estrada
Fendida frente ao nada que em mim não há
 
O DESVALOR DO NADA

No descompasso

 
                 No descompasso
 
Um vazio imenso
Que machuca, cutuca
Meu coração batuca
Em descompasso intenso

Vazio que instiga,alucina
Cantarei ao vento
E contarei que tento
Busco a luz que me ilumina

Na musicalidade
A melodia é um acalanto
Por isso eu canto...canto
A minha realidade.

Nereida
 
                 No descompasso

A Fórmula do Mundo

 
 
Com luvas na mão se escreve a fórmula do mundo.
Bata branca, assepsia, num laboratório de números e frascos,
Números vazios e frascos; números vazios e frascos vazios.

Com luvas na mão se escreve que a vida cabe numa equação.
Fazer reagir o A com o B, meter muito A para que se não limite o B,
Para que surja muito C nos frascos, frascos vazios,
Frascos vazios numerados; frascos vazios e números vazios.

Com luvas na mão se condensa a química do Universo numa linha.
Hidrogénio, hélio, reagente, inerte, quente, frio, humano, esquisito.
Óculos de protecção contra a radiação dos frascos,
Frascos vazios com números; números vazios em frascos vazios.

Nós somos o vazio nos frascos, o vazio em frascos vazios
E o vazio é sempre igual.

Nós somos o vazio.
Somos o vazio.
O vazio.
Vazio.
.

Sem dúvida, este texto ganha toda a sua vida (para mim), no vídeo dedicado a ele, aí no topo.
http://www.youtube.com/watch?v=OwhJSp3AaH0
 
A Fórmula do Mundo

era preciso este vazio

 
era preciso este vazio
 
era preciso este vazio
eu tive que morrer
para voltar a viver
voltei por outra porta
ainda não me reconheço
ainda não sei quem sou
apenas sei que aqui estou
mesmo que não exista
já na outra vida
e aqui estou
à espera de morrer de novo…
vá, chamem por mim….
- mas com cuidado para vir devagar
eu não sei se vim pelo mal
 
era preciso este vazio

POEMA EM HOMENAGEM A NINGUÉM

 
POEMA EM HOMENAGEM A NINGUÉM

Pois que ninguém me agradeça
Ninguém mesmo se alimente
Dessa estacada melancolia
Das minhas palavras baldias

Sinceras, elas não brotam mais
Deste vazio erradio e transbordante
Que nada errante o mar de nada
Que, em correntes de mágoas,

Deságua, inclemente, em mim
 
POEMA EM HOMENAGEM A NINGUÉM

Quase a rondar o vazio...

 
Quase a rondar o vazio…
São só migalhas de um tempo,
Um momento,
Que tanto acaricio,
Do todo
Onde me é negado
O conhecimento.

Sentir. Só sentir…
No ar as promessas do sol
Na transparência das águas
Cristalinas
Que correm a sorrir
Nas palavras
Onde carícias
São apresentadas
Como larvas
Que se transformarão
Em borboletas coloridas.

Confiar cegamente
Que o instante
Se transforma no futuro
Muito desejado
Sempre adiado
Esperando o tal
O ideal
O segundo
Em que se sentem
As águas cristalinas
Que vão correndo
E as borboletas
Já nascidas
Voando.

Esperas…
Longas e duras
Como castigo
Dado a uma criança
Sem explicação
Das diabruras
E que se revolta
Na grande questão:
O porquê?

Acumulam-se os quase nada
Que rondam vazios
No insuportável
Até quando
Do até já
De mil beijos
De mil abraços
Dados no ar
Que preenche
Esses vazios
De quase nada…

Nadas…
Nado…
No vazio da ignorância
Desse
Muito querer
Caindo no abismo
Do tanto sentir
Que de assim viver
Até pode morrer,
Afogado,
Nesse abraço
Apertado
Que será
Dado
No instante
Desejado.
 
Quase a rondar o vazio...

Um Sonho

 
Um Sonho
 
UM SONHO

Foge a Vida, que maldade!
Passam as horas fugidías
Embarquei na tempestade
Agora são parcos meus dias.
Bebo o silêncio do luar
O pensamento é meu algoz
No rosto a lágrima a rolar
Enquanto o tempo corre veloz.

Trago comigo aziaga estrela
Que insiste em armar-me o laço
Fingindo que por mim vela
Finge-se amiga segue-me o passo.
Fecho os olhos e sinto o vazio
E a saudade se acomoda no peito
Nas veias sempre o mesmo calafrio
Fica a Vida deste jeito.

O que vai p'ra além deste dia?
Já nada, que a mim importe!?
Tão sómente a Morte fria!
Mas eu? Mais que ela serei forte!

Minha saudade se veste de veludo
Recordar é um doer risonho
Na Vida faltou-me um pouco de tudo
Pouco mais que nada. Um Sonho.

rosafogo
 
Um Sonho

FALTANDO ALGO

 
FALTANDO ALGO
 
Faltando algo

Para onde foram as pérolas?
Conchas ocas apenas vi.

Não restaram também estrelas
Apenas céu.

Na corredeira do rio
Vi o rastro da areia seca

Como um temporal dentro de mim
a dor tamanha deixou-me vazia...

Os pedaços que quis encontrar
se perderam em estradas que não sei

Ficou assim apenas o som do silêncio...
 
FALTANDO ALGO

Esperança que se afoga em lágrimas!

 
Esperança que se afoga em lágrimas!
 
Ontem queria gritar para o Mundo,

Que é teu meu coração

Hoje sinto um vazio tão profundo

Que tento ocultar essa emoção

Quero calar o que sinto

Arrancar esse amor do meu peito

Tenho que seguir em frente

Esquecer este amor de qualquer jeito

Uma história, um anjo,

Mulher amada, nos teus braços, tão feliz

Nos teus beijos eu sonhei

Ter-te para sempre e só para mim

A minha alma só a ti, eu dei

Amanhã, futuro incerto

Uma esperança que se afoga em lágrimas

Talvez noutra altura…

desse certo!
 
Esperança que se afoga em lágrimas!

Filósofa não sou!

 
O nada é o vazio
em que me embrenho
é o destino, o limbo
desta alma condenada

Tão pouco sei se existo
Já não choro à gargalhada
Se já fui triste...
O meu consolo é rir de cor

Nesta prólixa ausência
do meu delírio interior
De mãos dadas com o cansaço
Já me entreguei ao seu feitiço

Se eu questionasse
o que existe além do mar
talvez o sono me embalasse
e o navio onde naufrago
em terra firme ancorasse

Filósofa, não sou!
mas tenho fé
que um dia...
ainda lá hei-de chegar!

Maria Fernanda Reis Esteves
49 anos
Natural: Setúbal
 
Filósofa não sou!

Sobre o Nada

 
Sobre o Nada
by Betha Mendonça

O nada é tudo o que enche um vazio abissal. É a pausa na frase para tentar argumentar o que não tem argumento. O silencio engolido pela vontade de gritar. Um pensamento que se perde antes de ser entendido. O fechar de olhos que boia no escuro para se esconder da luz.

O nada é mão aberta que não acalenta, acaricia nem faz cafuné. Um coração parado. Um beijo frio – não trocado – dado como obrigação e não por desejo. É o arrepio que brota do medo e não do amor.

A semente que não germina. A chuva presa nas nuvens. O lado escuro da lua que tem vergonha do sol. É a falta de ar em movimento que não faz o vento.

O nada é um balão sem ar ou gás, seco e inútil. O bater de asas por fuga e não pelo prazer de voar. É o oco dentro da mente e da gente, que dizem ser alma, quando não está lá...
 
Sobre o Nada

O QUE FALTA

 
O QUE FALTA
 
De cavalgar feliz, meu coração tem pressa
Seguir o rastro da lua, versos derramando
De um terno olhar, que extravasa promessa
Ser a tua musa, quando estiver versando

Quer a posse reinante de um sentir escancarado
Altivo, amante, voejar solto nas asas do vento
Mas esta lacuna lhe trava, e um sonho atado
Impõe-lhe esta solidão, profana e sem alento

Um vazio tirano faz ninho, no íntimo morando
Se refugiando no sombrio sótão, camufla seus ais
Lucidez desfalcada, seus desertos povoando
Convive com o pranto, e fantasias banais

Rabiscos confusos na branca folha da vida
Letras desconexas, borrão, aquarela escorrida

Glória Salles

No meu cantinho...
 
O QUE FALTA

Num impasse...

 
Num impasse...
 
Há no tempo uma lacuna impenetrável
Um caos onde se esconde a inutilidade
Breves momentos que não servem para nada
Buracos negros sem futuro e sem história
Onde o cosmos conspira contra a humanidade

Não se define aquilo que não é palpável
É nesse nada que passeia ao lusco-fusco
Esse fantasma que vagueia sem ter rastro
Que os sonhos morrem no vazio do esquecimento
E o ser humano deixa de ser sociável

No esconderijo onde se guardam sentimentos
Cela ou guarita encerrada a sete chaves
Há toda uma noite que respira desamor
Não há minutos, nem segundos, só entraves
Cratera onde a vida faz morada num impasse…



Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
 
Num impasse...