Crónicas

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria crónicas

metafóricamente vos digo: fodei-vos!

 
se eu fosse um objecto seria com certeza, e sem margens para a dúvida, uma escova de dentes. não que eu sonhe com escovas de dentes ou que tenha prazer em olhá-las no seu mais fundo sentido de vida. as escovas de dentes, e se esticar o pensamento para vias-lácteas, pode ser de facto um objecto de prazer.
mas não é isso que me faria mascarar num destes dias de escova dos dentes.

mas se me perguntarem por quê, a minha resposta é como perguntar a um doente de alzheimer onde mora. quem? como? eu disse isso?
no fundo, e desculpe-me este aparato introdutório, a escova de dentes é uma metáfora. ou seja, todos de nós queriamos ser outra coisa, nem que fosse por um dia, uma hora, um minuto.

tenho um amigo que gostaria de ser defunto por duas horas, mas um defunto vivo.
seria como ensaiar a sua morte, saber quem vai chorar quem vai fazer de conta que, se os seus amigos da claque do boavista vieram ou é só bluff quando dizem que quando ele morrer prometem ir todos axadrezados de preto e branco.
acrescenta: quando estamos no caixão o silêncio é genuino, ainda que seja corrompido por alguém que chora no acto de nos beijar a face esticada.

também porque nunca vestiu fato completo e só nessa circunstância deixará que um costureiro lhe tire as medidas entre-pernas. o meu amigo é um inventor, e eu, por falta de tempo, reconstruo a realidade.

e se pudesse eu esta noite ser um elefante iluminado? ou um curandeiro em estado possuido? ou...esqueça! você deve pensar que eu quero brincar aos carnavais! todas as máscaras são possíveis ou impossíveis de se ver o fundo?

estudei freud ao sol da praia e quase que juro que todo o cenário em minha volta: banhistas, mar, areia, vento, crianças admirando os praticantes de pára-pente no ar, tudo isto, uma fotografia. como que um tempo parado, sem recursos de david cooperfield, apenas o livro das interpretações dos sonhos passava as suas páginas sem necessário o uso dos meus dedos, que por sinal esfriavam a cada capítulo novo.

quem não sonha vai temer um dia, alguém me disse assim que fechei os olhos para sossegar um pouco.

sonhar pode ser até um pequena-grande brincadeira dos deuses,
que por nos acharem palermas,
oferecem-nos,
sem que ninguém se aperceba,
pequenas gotas de sonho para juntarmos ao café da manhã.

e perguntais vós, acrósticos deste mundo, e eu que não tomo nem gosto de café? repito: metáfora! já ouviu dizer? claro que sim, não o considero assim tão alheio, você está aqui nesta página, não por obrigação mas por conselho de algum amigo seu.

o meu destino está reservado, não vá ele falhar de repente o seu stock.
por isso adio a minha sorte e o meu azar por melhores dias. para já, neutro.

construo imagens sobre imagens tal pintor que não tem dinheiro para comprar telas,
e que depois da obra feita,
e de se masturbar perante ela,
sobre ela,
volta ao branco inicial.

a criação dos homens partiu de uma ideia, uma ideia base que foi evoluindo e melhorada através dos tempos. os actuais retocam a geração anterior e assim sucessivamente. eu era um cavalo livre pelo campo. disto tenho a certeza.

uma dúvida: a certeza pode ser quase? eu cavalo, virgem de nunca ser montado, a galope pelas ilhas do fogo, crina escangalhada, patas com cascos. ou patas com rodas? ainda que sim, eu seria cavalo, pois parte do meu corpo e pensamento era uma carne insondável.

ao meteram-me num curral fizeram-me odiar as coisas, malogrado, a ter prazer do escuro. o cavalo que era o homem que sou. fosse eu em noites de nenhum prazer um pescador de deus.

ter terra e mar para descobrir-me-te. pago à fiança com promessas supra-imaginárias.
ter um harém de flores e plantas paras as minhas ofertas de marroquinarias.

ó realidade única, úrica e imprecisa, aparece à cena, mas não tragas as pistolas carregadas, só o pensamento. vou partir e não sei quando chego. mas, antes disso, posso ser eu mesmo neste momento? posso? então, metafóricamente vos digo: fodei-vos!
 
metafóricamente vos digo: fodei-vos!

Lançamento da minha editora

 
Dando corpo a um sonho tido numa noite que adormeci bêbado pendurado pelo pescoço no bordo de uma sanita nojenta numa casa de passe lá para os lados do intendente, decidimos eu e uns sócios de bebedeiras e carrispanas várias, formar uma editora que desse voz ao singelo orgulho que assola o peito dos poetas. Decidimos dar-lhe o nome de “toque rectal, edições e outras merdas”. E “toque rectal” porquê? Perguntareis vós. Simples… O toque rectal é uma coisa incómoda (quem já o fez sabes disso) mas ser enrabado é muito mais (penso eu, outros falarão disso com mais propriedade). E como a ideia é fazê-lo aos poucos e devagarinho embora às vezes e em alguns casos sem vaselina, como pretendemos pôr-vos a pagar as edições e não nos preocuparmos em divulgar nem em distribui-las decidimos pôr esse feliz nome que me lembrei nesse fatídico dia. Sim, porque se vocês já pagaram o livro porque carga de água nos vamos preocupar com coisas chatas como divulgação, publicitação, distribuição e coisas afins? Porque carga de água havemos de nos preocupar em vos fazer apresentações condignas onde não estejamos preocupados em vender livrecos de outros autores mas sim os vossos? Sim, porque é com vocês que queremos ganhar dinheiro, não com os leitores. Os leitores é um problema vosso, andem vocês atrás deles, isso é tão enfadonho, eu fico no tal bar do intendente a beber copos e filar as coxas das gajas que pululam por lá. É que a ideia realmente fantástica é essa, tenho para mim que até devia figurar no quadro de jovens empreendedores. As editoras honestas ganham dinheiro com os leitores, fazendo divulgação, distribuição publicidade, dando relevo ao escritor, nós não, nós sabemos que vocês gostam de escrever e como tal têm o sonho de editar. Então nós a troco de uns míseros tostões mas que chegam para pagar a edição com algum lucro, cumprimos esse vosso sonho embora, pronto seja necessário o tal “toque rectal” que sabemos vos dói mas a vida tem desses sacrifícios.
Por isso já sabem, mandem-me os vossos poemas e escritos…é honesto, escreve só por passatempo e acha que não tem qualidade para ser editado? Deixe lá isso, nós editamos não se preocupe com isso, desde que pague claro. Precisa de uns livros para tentar vender aos amigos? Mas é claro, deixa ficar o respectivo cheque e leva os que quiser. Pois é, que nós não corremos riscos, essa é a sua parte do negócio. Agora diga lá, somos ou não somos uns espertalhões? E além de espertalhões ainda dizemos e escrevemos para quem quiser ouvir e ler que somos intelectuais, pois não seremos? Com ideias destas…!
Por isso já sabe, “toque rectal” é o que precisa…já plantou uma árvore? Já fez um filho? Então agora só lhe falta o “toque rectal”…
 
Lançamento da minha editora

Malditos Pedófilos

 
Não te armes em avestruz, que vive amarfanhando a cabeça na areia, numa fuga desenfreada.
Não te escondas nessa cobardia nojenta, que entope os teus poros de abutre, como se os lavasses num poço de dejectos. Assume de vez a bestialidade dos teus actos. Consegues, meu grande cabrão?
Olha-me nos olhos, canalha!
Salga-te nas minhas lágrimas, sua besta!!
Humaniza-te, estupor…!
Tu és o mais decadente horror, desta contemporânea realidade, que diariamente nos traumatiza.
Inferniza-te no inferno de onde emerges, até que te reduzas a cinzas a flutuar numa chaminé perdida.

Deixa-te ficar nos recantos malditos, aqueles que conheces bem, quando no silêncio promiscuo da noite, assaltas as tuas vítimas
Morre lá enregelado, até que os vermes te cuspam, num protesto silencioso.
Abomina a tua própria decadência, até que um anjo te raspe com uma lâmina, a consciência adulterada.
Meu reles, aproveita… renasce dessas cinzas flutuantes, penitenciando-te desses horrores.
Olha-me nos olhos, canalha!
Engole as sublevações das tuas vítimas! Engasga-te no teu próprio fel.
Não segredes em surdina os teus pecados ao vento, não assobies para o lado, porque nenhuma guilhotina te pode perdoar.
Vês algum papagaio de papel romper os céus? As mãos que o seguravam estão agora trémulas de medo, meu estupor!
As lágrimas das tuas vítimas já nem sequer correm, como o rio que atravessa o meu pensamento, que se esvaiu em estrume.
Sabes ler, idiota?
Sabes deambular nos caminhos do céu, e ver a beleza das flores silvestres, que rompem da terra com a naturalidade da vida?
Não sabes… canalha?
Porque empurras para o inferno, a inocência das crianças que espancas e violas?
Diz-me… filho da p...!
Vóny Ferreira
 
Malditos Pedófilos

(Professores) homenagem

 
(Professores) homenagem
 
Professor/a querem roubar-te o ensino ou será que as flechas que te infringem são uma espécie de instrumentos rudimentares a dizimar a veracidade da história?
Nem o intrépido Pedro Álvares Cabral vos salva? Ele que renasce nos manuais de história com o sorriso dos Deuses invisíveis como se de repente fosse histórico o abraço que em tempos remotos deu a um povo desprotegido, com arrogâncias déspotas ?
Como cognome é coisa que sempre embirrei, chamo-lhe livremente o audaz, já que reza a história, sem que os terços tenham sido antecipadamente benzidos, que D. Pedro se encantou com a ingenuidade daquele povo bom. Que descobriu o que já existia, abrindo as comportas para a deportação de escravos oprimidos.
Desde quando isso é um feito de que nos devamos orgulhar?
Ensinai, professores, ensinai, com os vossos olhos brilhantes. Com o vosso amor à profissão que um dia abraçaram. Ensinai esse afecto feroz à história, sim… até que eu e outros meninos cresçamos e tenhamos os neurónios activos.
Para que escrevamos história de trás para a frente, sem rasuras inúteis, ou choremos a nossa história, na poesia dolente que nos sai da alma, com a afabilidade que nos caracteriza. Como se a penitência secular fosse esta malvada sina de subserviência camuflada de humildade. Ou ainda… este fado Amaliano a sair-nos das entranhas.
Não desistas da luta, professor/a. Eu admiro-te. Ensinaste-me a ver a luz que expirava nas minhas sombras. Não vergues perante o teu cansaço, Mesmo que uma Ministra de voz cacarejante vos impinja regras novas pondo em causa muito do que vos foi concedido.
Não desistas do RESPEITO QUE TE DEVEM…

(VÓNY FERREIRA)
 
(Professores) homenagem

Admiro...

 
Admiro aqueles que entenderam que a vida é efêmera, e que a eternidade fixou residência em um tempo bem curtinho, e por isso, faz um pacto com a magia do momento; fogem de todos os “pós-humanos”; reconstroem a consciente loucura pelo já; recompensam o instante com a mágica da vida;
e desenham uma alma leve recheada de significados.

Admiro aqueles que viajam de mala e cuia pra dentro da vida, e transformam a vida em um renascer constante, não permitindo que lhe digam “verdades” prontas, negando, desta forma, a condição de aletófílo, pois estão convencidos que doses miúdas de conversas “tolas” rejuvenesce, além disso, sabem que um copo de palavras é o suficiente para embriagar a verdade e torná-la mentira.

Admiro aqueles que escapam das procrastinações, estas situações roubam o presente arremessando as pessoas pra longe da vida, tirando-lhes o direito de serem os heróis do agora, tornando-os, escravos da previsão futura, furtando assim, os significados do existir em vida, transferindo o viver para uma existência imaginária.

Admiro aqueles que descobriram que uma forma boa de promover tempos fecundos é se valer de pontes que ligam bem estar com magia; e que as alegrias constroem liberdades que “pilotam” o vôo da vida com a velocidade da respiração; edifica a alma e suaviza as rugas, libertando-nos da condição de refém do destino.

Admiro aqueles que minimizam as suas angústias com os acasos, aniquilando os medos e tornando os sofrimentos menores, tanto com as dores passadas, como com as expectativas futuras, descobrindo que o poder da humildade é vital, conserva a simplicidade como companheira de todas as atitudes, tornando os seres humanos resilientes e ressignificados.

Admiro aqueles que mantém a dignidade, e sem exceder na vaidade se tornam insubstituíveis. São pessoas que sabem usar sandálias de salto alto como se fossem franciscanas; que cantam desafinadas, sem preocupação, elas entenderam que o que conta é o canto e não afinação; que riem de si mesmas quando falham, a falha é humana, e somente como humanos percebe-se o aprendizado que os erros proporcionam.

Admiro aqueles que administram o espetáculo da vida sem serem asfixiados por promessas fictícias, eles descobriram a diferença entre viver e procrastinar, e entenderam que a feitura da vida não pode ser "alimentada" por postergações, e que é na necessidade da renúncia onde nos completamos, o que evidencia que a maior riqueza que se pode acumular são as “insanidades” regadas por instantes de alegrias.

Admiro aqueles que aprenderam com John Lennon que: “A vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos”; e com a aranha compreenderam que o brilho de suas teias são esculpidas com o sereno da noite que não resiste ao sol da manhã; com a semente da mostarda descobriram que a fé pode ser mensurada; com Babel desvendaram o charme dos múltiplos, o sagrado do multirracial, e a beleza dos burburinhos...
 
Admiro...

Smartphone

 
Smartphone
 
Smartphone
by Betha M. Costa

Cheguei na loja. O funcionário atrás do balcão estava ao smartphone. Olhos hipnotizados e dedos tão rápidos no teclado quanto um virtuose de piano. Cumprimentei:
- Boa tarde!
- Boa tarde! O que a senhora deseja?
- Ah! Eu aguardo o senhor desocupar aí do celular!
- Não! Pode falar! Não tem problema!
- Então... Eu quero ver modelos de copos para personalizar e distribuir de brinde na colação do meu filho...
- Estão todos ali naquelas prateleiras a direita! Apontou o homem com o queixo, sem tirar olhos e dedos do smarth. Não crendo no que acontecia, eu prossegui para saber até onde ia aquele personagem inacreditável:
- Ei! Os copos são muito legais! Têm cores e formatos diversos...
- Ééééé... Respondeu a falar para dentro de si mesmo o sujeito, sem mexer um músculo.
- Olha! Até cheiros diferentes!
- Ééééé...
Eu fiquei zangada com o despreparo do camarada que demonstrava nem ouvir o que eu dizia, e, não dar a menor bola para minha demanda. Resolvi apelar para testar:
- Tem uns com cheiro de xixi de neném, outros cor de diarreia, outros até lembram o perfume de cravos de defuntos e mofo, né?
- Ééééé... Assentiu o patetão. Boquiaberta eu me segurei e prossegui:
- Quero cem litros dessas rosas vermelhas do tipo conto de fadas! Mas, com cheiro de dentes podres... Pode ser?
- Anhan! Pode! Pode! Anote tudo nesse bloco aqui no balcão!
- Ih! Esqueci de trazer o logo. Posso mandar por telepatia para o senhor?
- Poooode! E desgrudando uma dos mãos do celu, a outra e os olhos ainda lá; ele me passou um cartãozinho com os dados da empresa.
 
Smartphone

crónica de uma queda

 
Afigura-se um dia pesado, sem jeito para rimas. Compassado pelo passar das horas, o peso da negritude ameaça o andar cadente para a noite qual morte anunciada aos primeiros raios de sol, como tambores a rufar… Dá tempo que se reze aos santinhos de improviso! Sem jeito para improvisar, essa tem hora marcada.
Não há hora como a da morte. Um abraço sólido, sem tempo para arrependimentos, só esse interregno de visão passado. Um tempo que se desmorona, outro sem descoberta, ali aberto aos nossos olhos mas sem vislumbre.
Pode existir doçura nesse abraço, como um penhasco sem fim…
Ou aqueles sonhos em que despencamos de uma altura sem ver o fim da descida, só o terror de cair… E cair… E cair…
 
crónica de uma queda

MINHA VIDA PROFISSIONAL NO BRASIL (Capitulo 1)

 
(Na verdade eu estava escrevendo este texto para mim mesma, sendo que agora em Dezembro vou aposentar... Um apanhado de tudo... entao resolvi publicar aqui)

Comecei com 18 anos em S.Jose dos Campos, no CTA (Centro Tecnico de Aeronautica) como Datilografa.
Lembram-se daquele cursinho de como aprender a datilografar, dado pela Remington? Passei bonito.
Quando tinha 18 anos, meu avo que morava com a gente naquele tempo
pediu para uma amiga dele Bibliotecaria, se ela tinha um emprego para mim.
E fui entrevistada e entrei para trabalhar no PMR (Pesquisa de
Materiais Raros), naquela epoca Morava em Sao Jose dos Campos.
Pegava o onibus de manha, aqueles vestidos curtinhos (como eh bom ser
jovem!) e la ia eu para minha aventura!
Trabalhar com militar nao eh facil! Tantas regras, e a gente nessa idade
detesta regras, ne? Mas sobrevivi e muito aprendi!
Fui entao trabalhar na NEIVA (Empresa Aeronautica). Um bom pulo de
Datilografa para Secretaria do Gerente de Recursos Humanos.
Depois de 1 ano, comecei a ser tambem Secretaria de Relacoes
Publicas. Foi um bom tempo, respondendo cartas de criancas que se apaixonavam pelos avioes da Neiva, que mais tarde se uniu a Embraer.
Resolvi entao comecar um curso de Secretariado, e Ingles. Achava que a minha carreira estava definida.
Gostava de ser Secretaria!
Depois do Curso de Secretariado, comecei a Faculdade Letras, e me formei professora de Portugues/Ingles.
Minha carreira ficou excitante quando entrei como Secretaria Bilingue na
Ericsson para trabalhar com 3 suecos. Foi um tempo maravilhoso na minha vida!
Como foi bom conhecer esse povo tao maravilhoso, conviver com a cultura
deles. Tao doces eram aqueles suecos! La ia eu com o Gerente da Construcao da nova Fabrica da Ericsson para uma
reuniao, e ficava o tempo todo traduzindo o que um falava o que o outro respondia. Adorava isso!
Depois, como os suecos eram responsaveis pela Construcao da nova Fabrica, eu ia trabalhar de jeans, botas, me enfiando no meio da construcao, enquanto fazia inspecao com os chefes me ditando os problemas.E como me sentia poderosa, quando chegava na minha sala e podia escrever um relatorio em duas linguas!
Quando eles voltaram para a Suecia, fui trabalhar no Escritorio principal da Ericsson, Secretaria de outro sueco que era Gerente da Producao.
Bons tempos tambem, quando me envolvi muito com o pessoal da Fabrica, e era tao gostosa aquela convivencia.
Ate que sabendo que esse Diretor futuramente iria para a Suecia, resolvi tentar em outro lugar, e acabei entrando no mundo da Johnson & Johnson como Secretaria do Gerente
de Planejamento e Producao. Na Johnson fiz uma trajetoria bonita de 10 anos, terminando como Secretaria da Diretora de Pesquisas.
Durante esses dez anos, cinco deles dei aulas de Ingles a noite para o Curso de Secretariado. Era uma correria, mas gostava demais de dar aulas, de conviver com alunos, de corrigir provas, e tambem de aprender!
Entao, parti para Sampa! Meu marido arrumou um emprego la, e comecei a tentar entrar em alguma empresa em Sao Paulo.
Tantas entrevistas que nao deram certo! Ate que me candidatei a Secretaria do Diretor de Materiais
da Brystol Myers Squibb.
A entrevista seria no apartamento do tal Diretor, no Jardim Europa. Quando entrei, a empregada veio me receber de avental branquinho, um apartamento que parecia de artista de cinema. Um monte de salas com tapetes persas, objetos de arte. E eu me senti tao coloninha com meu terninho...
Entao la veio o tal Diretor, muito bem vestido, altivo, a entrevista durou mais de duas horas, em Ingles e Portugues. Tropecei no Ingles, e muito! Mas no fim ele disse assim: "Voce nao esta preparada para esse cargo, mas vou apostar em voce! Voce precisa um certo "verniz"... (hahaha - meu marido brinca com isso ate hoje), vou torna-la uma Profissional de verdade!
E com esse homem eu aprendi muito. Ele era energico, mas trabalhou em mim e me fez uma digna Secretaria de Diretoria!
Depois quando estava prontinha, ele teve um derrame. Entao fui a amiga, secretaria, meio enfermeira e psicologa.
Ele ficou trabalhando em casa uns tempos, e eu ia la com toda correspondencia. Acabei ficando amiga intima da familia, mulher, filhos, e empregada, ia tomar cafezinho na cozinha, e era sua confidente.
Acostumei com os tapetes persas, e a "finesse"...
La fiquei 5 anos...
Ate que um dia, meu marido me ligou e disse: "Fui transferido para os EUA! Vamos morar em Detroit, Michigan, por 3 anos!"
Voces imaginam o choque? Fiquei paralisada no telefone. "O que? quando?" E ele: "Em um mes!".
Embora fosse algo bom, foi assim um banho de agua fria. Bom num ponto, mas nao em outros. Eu nao queria
sair do Brasil. Mesmo com todos os problemas que sabemos tao bem!
Sair do Pais da gente nao eh facil! Nao eh mesmo! Eh muito bonito, mas voce entra num mundo estavel, previsivel, mas cheio de solidao!
Minha ultima lembranca foi a gente na calcada do meu apartamento em SPaulo, esperando taxi, com montes de mala, minha filha pequenininha
no meu colo,e indo para o Aeroporto. Eu so chorava no taxi... O motorista ate que tentou me animar. Dizia:
"Moca, olha como essa rua eh arvorizada"...(rs).
Mas naquele momento, se passava na minha cabeca uma vida...diversos rostos: meus pais, familia, amigos. Momentos. Minha cultura,
tudo!
E eu nao tinha nem ideia por tudo que iria passar!

(Proximo capitulo eu conto minha chegada nos EUA)

*Mary Fioratti*
 
MINHA VIDA PROFISSIONAL NO BRASIL (Capitulo 1)

Sobre portas abertas e outros quetais...

 
Ah! As fantasias... Sempre fizeram parte das vidas de cada um de nós. Certo que apenas algumas adquirem o status de realizadas, enquanto que a maioria continua habitando o imaginário. Acalentando momentos conspícuos ou não, mas sempre causando frisson a cada vez que nos reportamos a elas.
E por falar em fantasias, às “ entre quatro paredes" são “ hors concours”. Apimentando relações ou satisfazendo desejos de solitários apaixonados pela própria mão, nelas vale tudo: as palavras picantes, obscenas, os gestos mais ousados num momento previamente calculado, liberação da libido em publico, transas em lugares inusitados, uso de aparelhos e por ai afora vai neste mundo cada vez mais liberal.
À procura de algo que fosse novo nesse quesito “fantasias alheias", não pensei que poderia existir algo novo, que temperasse mesmo. Algo que até então não houvesse sido fantasiado ou experimentado. Mas, achei algures, exercitada por alhures uma inusitada. Sim. Ela: a porta, ou as portas.

“ Portas, portões e portais...
portas abertas e outros quetais.
Incitando a imaginação dos poetas
até agora não dados à essas tretas...

Já pensaram na conotação quando alguém diz que vai deixar as portas abertas? Pois eu pensei. Pode ser uma porta que nunca foi aberta, ainda com o plástico da loja. Dessas portas pelas quais nunca ainda ninguém passou. Ou uma porta acostumada a deixar entrar qualquer um, já meio arregaçada e com as dobradiças tão frouxas que nem fecham mais.

“ Portas abertas são um velado convite,
a quem quiser servir-se do acepipe,
uma porta escancarada é muito chique,
dizem que por isso o Titatic foi à pique.

Mas, uma porta é uma porta e nada mais. E o dono da casa é quem decide quem entra. Não tenho nada a ver com isso.
 
Sobre portas abertas e outros quetais...

HOMENS, PRETEXTOS VAZIOS...

 
HOMENS, PRETEXTOS VAZIOS...
 
De todas as manias que eu tenho, tenho uma mania que eu não sei de quem herdei, que é de frequentar bares de quinta categoria; e como gosto. ‘Pé sujo’ é assim que chamamos carinhosamente esses redutos Cariocas cheios de energias verdadeiras, de gentes verdadeiramente despretensiosas de orgulhos, nunca metidos a bestas. Aliás; gentes finas no sentido refinado da palavra são insuportáveis, chegam na ‘roda’ se autopromovendo demais, com uma retórica ‘chata’ e repetitiva demais e quando discursam, enlameiam qualquer conversa livre boa; aí haja ouvidos. Revertem, desmancham, vilipendiam as coisas simples, as gentes simples e as palavras simples donde nascem às grandes ideias, as quais se costumam abraçar para o passo a frente no cotidiano; o próprio ou do próximo, sem mania de altruísmo. E não há como se conter a presença nefasta desses indivíduos, seja em qualquer lugar; num site, por exemplo, e o que ajuda bastante, é quando o recinto é restrito, sem platéia, sem refletores e purpurinas, menos ainda num bar pé sujo, onde que; as cabeças pensantes dos frequentadores habituais são muito abertas e não entram no jogo sujo das palavras, nem das ideias retrógradas, são gentes grandes desprovidas de altivez barata, e que rebuscados; bastam os ladrilhos do chão e os azulejos importados a mais cem anos, o rococó da base do balcão com tampo de mármore trincado, as sancas de gesso e estuque do teto e o ventilador de parede com um terço da velocidade, desgastado pelo uso intermitente ao longo dos anos, e que já não espantam nem mais as moscas. Coisas das antigas e necessárias, aceitas, mas as únicas que inspiram confiança, por isso suportável. Assim como; recompensa e me alegra sobremaneira a presença de algumas modernidades, o que é inevitável. E contrastando com tudo isso, e que me faz desviar desses detalhes costumeiros, é a presença estática porém festiva para os meus olhos do freezer vertical marcando no termômetro 0º suprido de ampolas nevadas, e, uma asseada e iluminada vitrine elétrica, suada e abarrotadas de tira-gostos de aparência honesta e identidade duvidosa, mas que a galera saboreia lambendo os beiços, e eu também, claro, depois de uns goles de cachaça, da pura, e das cervejas geladas servidas no copo americano. Pureza é imprescindível para o bom nome de um lugar, mas só ela mesmo, a cachaça, confere a ele esse status. E como em todo lugar honesto e puro, há a presença de coadjuvantes e que se fazem notar; como o gato angorá a rosrosnar debaixo da mesa, e a procedência do portuga, visto a bandeira lusa pregada na parede, do proprietário do estabelecimento, que apesar de poucas falas e não aceitar brincadeiras nem gozações é amabilíssimo, uma raridade, por isso cativa-me ter uma frequência assídua, eu e os meus amigos, gentes enormes, enormes corações, porque que são tão somente aqueles homens mais ou menos inteligentes, mais ou menos intelectuais, mais ou menos de esquerda, mais ou menos anarquista, mais ou menos poetas. O menor sou eu, mais ou menos autodidata, mas todos autênticos Cariocas queiram ou não. Está enraizado em cada um; isenção de superioridade é o que lapida dia após dia essa coisa que anda se perdendo por aí, o sentido, a qualidade da amizade. Compreensivo em termos, no âmago das pessoas, no individualismo, na competitividade desvairada, movido por causa das fragilidades comportamentais dos novos tempos. Felizmente entre nós grandes amigos ninguém é mais que o outro, não se precisa ser, a hipocrisia é zero, o maldizer é zero, isso incomoda. Não a nós, que entre uns goles e outros acompanhados de salsichão assado na brasa, acebolado, fatiado, com farofa e pimenta, e com muita conversa boa, é que a gente se entende. E assim, no meio desse bom astral põem-se as palavras de pé, enquanto possível. E pra inveja daqueles, fadados aquela vidinha solitária, por própria culpa, sedentária e repetitiva por situação, vai se levando aqui uma ‘insuportável’ boa vida carioca, ora falando de literatura, ora regurgitando um poema, batucando na mesa de lata ou na caixinha com fósforo, fazendo a vida virar samba. Tudo isso sem precisar espezinhar ninguém. Perfeitamente possível, pois tudo está provado e aprovado aqui, debaixo desse céu azul, que é perda de tempo, perder tempo explicando o prazer que dá o sol, o mar e as gentes daqui. Muitos que se acham entendidos, mas não fazem deles capazes de beber dessas simplicidades, tentam infiltrarem-se, mas amarguram-se, pois sabem que são a pior espécie de gente pra frequentar esses locais, não cabem nessa filosofia, se acham inteiros demais, completos demais, laureados demais, celebridades demais, autointitulando-se os donos da ‘cocada preta’; todos ‘quebram a cara’, são doces que dão travo na boca, no olhar e no sentir. É a empáfia que os identificam longe, mesmo na obscuridade; e como é repugnante vê-los atuar nos entendimentos interpessoais mais simples, valendo-se das metáforas para agredir e as entrelinhas como armadilhas para satisfazerem assim o ego de ar superior e magnânimo. Pior de tudo, é que atraem os pseudos cults, fãs clube, e os baba saco para aplaudi-los, e mais, juntos; vem àqueles considerados mais ou menos amigos deles, considerados amigos dos mais ou menos inteiros, que são piores que os mais ou menos inimigos, ou falsos amigos. Pois os inimigos a gente aplaude, se conhece pessoalmente. Já os inimigos distantes, até há alguns que arriscam por a capa de amigo, mas esses são sem importância ao convívio, não dou crédito. Só depois de eu encarar, de olhar olho no olho. Fora isto; não dá nem pra tentar saber virtualmente. É descartável. Desprezado.
 
HOMENS, PRETEXTOS VAZIOS...

HELEN DE ROSE - O Meu Luso do Mês de... Março

 
Helen De Rose é uma personagem ímpar no contexto do Luso-Poemas, talvez por isso a tenha escolhido para dar início a estas crónicas subitamente desaparecidas da primeira página deste cantinho da escrita, pedindo desde já desculpa por me «apoderar» da ideia made in Luso-Poemas, mas considerem isto uma homenagem aos que trabalham para o dia a dia desta casa.
Dá-me enorme gozo duelar com a Helen quando se trata de fazer um dueto poético, é sempre um desafio, uma experiência nova que vou tendo o prazer de partilhar com todos. Assim, resolvi-me a fazer-lhe meia dúzia de perguntas e a deixar-lhe o desafio de procurar o Luso de Abril, alguém que será entrevistado por ela e que, por sua vez, escolherá outro e assim sucessivamente. Veremos se corre como é esperado.

- Helen, fala-me um pouco de ti e de quem te conquista.

Por incrível que pareça, sinto-me tímida ao falar de mim. Muitas vezes, resumo-me nesta frase que gosto muito: “Eu sou o que eu sou, nada mais.”
Eu nasci antes do tempo, segundo minha mãe, quando ela chegou ao médico pra fazer o meu pré-natal, eu já estava nascendo na maca, em Piracicaba-SP.
Quando menina, eu não gostava de brincar de boneca, era uma menina moleca, queria subir na minha jabuticabeira, descer as ladeiras com carrinho de rolemãs, empinar as pipas que eu mesma fazia, andar à cavalo, praticar esportes, dançar e ler meus livros de contos de fadas. Comecei a ler aos 7 anos e não parei mais. O meu primeiro livro, que guardo até hoje, chama-se “A lagostinha encantada”. Sempre gostei de fazer redações e, de tudo o que se referia à Língua Portuguesa. Durante todos os meus estudos imaginava ser, um dia, uma escritora. Adorava pesquisar e estudar, por isso, ganhei o apelido de “Caxias” na escola. Depois, formei-me em Educação Física em 1986 e desde então sempre trabalhei para a saúde do corpo, da mente e do espírito, são 23 anos fazendo exatamente o que gosto, dar aula em Academia. Depois de formada, casei-me com Luis Vitório e tive dois filhos: Marina e Luis Jr. A maternidade me ensinou muito mais do que eu poderia imaginar. Eu sou completamente apaixonada pelos meus filhos e por eles dou a minha vida....(emoção)...Marina e Jr me conquistam a cada segundo da minha existência. Agradeço ao Criador do Universo por esta confiança e oportunidade de ser mãe dos meus filhos.
Todos estes anos, depois da maternidade, pesquisei muito e li muito. Senti uma sede de buscar novos conhecimentos, abrir novos horizontes de esperança pra minha fé, para o meu entendimento evolutivo. Tudo isto, ajudou-me e ajuda a enfrentar os desafios e provações da missão que me foi confiada.
A vida em si, é um aprendizado simples, mas complexo. Estar inserido na vida, é estar consciente de tudo e de todos. Estar vivo, é estar manifesto de corpo e alma diante da Criação, desejando sempre que todos consigam viver mais um dia, só por hoje.

- És o estreito caminho entre os Lusos e os consagrados monstros da língua Portuguesa. Porquê essa vertente de pesquisa e, naturalmente, de alfabetização cultural de quem te lê?

Quando entrei no site Luso Poemas, fiquei encantada com tantas possibilidades de informações criadas pelo Trabis. Logo encontrei no fórum, os tópicos dos Consagrados e senti uma enorme necessidade de doar a todos os Lusos, tudo aquilo que aprendi desde menina. Depois de algum tempo, vendo meu interesse pelos Consagrados, recebi, com alegria, o convite do Trabis para moderar os Consagrados. Na verdade, esta vertente de pesquisa é bastante salutar, quando há interesse de todos os Lusos em ter conhecimento da vida e da obra de cada autor Consagrado. Todos os autores tiveram que ir tirando as pedras do caminho, até serem reconhecidos por suas obras literárias. Este conhecimento do legado, da rica herança literária que todos os Consagrados nos deixaram, contribui efetivamente para quem deseja, com vontade firme, entrar para este mundo fantástico da escrita, da manifestação individual através das palavras.
Ainda existem muitos autores que pretendo incluir nos Consagrados. Os Lusos também podem solicitar as pesquisas de autores que não existirem na lista. Sempre será bem vinda a participação de todos os Lusos, colaborando com o enriquecimento do site Luso Poemas.
Sempre serei agradecida ao Trabis, por ter me dado esta oportunidade de compartilhar os Consagrados com todos os Lusos e visitantes do site.

-De todos os autores consagrados que já aqui nos trouxeste (Drummond de Andrade, Eça, Florbela, entre outros) existe algum com quem te identifiques?

São tantos que já me identifiquei... Cada autor tem seu estilo singular. Poderia citar alguns dos meus favoritos: Machado de Assis, Manuel Bandeira, Dante Milano, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Augusto dos Anjos, Mário Quintana, Florbela, Raquel de Queiroz, Clarice Lispector, William Shakespeare são autores que já me emocionaram. Mas, um dia, fiquei extremamente emocionada com Olavo Bilac, ouvindo seus poemas serem declamados. Naquele momento, vi o quanto a literatura é uma arte não só no papel, mas na voz, o quanto os poemas ganham vida quando são declamados.
Eu me identifico com a literatura em si e com todos os autores, Consagrados ou não, que possuem o dom de fazer das palavras, uma obra de arte. Isto é Divino! Sensibilizo-me profundamente.

- Não há Lusos bons ou Lusos maus, há Lusos que se presenteiam com a escrita. Na tua opinião achas que merece a pena catalogar quem aqui escreve ou deve existir uma consciencialização das pessoas em relação ao nível da sua escrita?

A escrita é a manifestação dos nossos pensamentos, das nossas fantasias, dos nossos conhecimentos, dos nossos entendimentos, da nossa cultura, das nossas crenças, dos nossos sentimentos etc... Cada ser humano tem sua história de vida e sua maneira de ver as coisas como elas realmente são ou não são.
Eu acredito que cada Luso sabe quem de fato nos presenteia com sua escrita. De acordo com seu entendimento e sua preferência. Basta observar quem é lido. Entretanto, há quem seja, além de tudo, mais carismático e possui um dom especial de se socializar com os demais. Por isso, a integração dos participantes do site é importante, não podemos negar que estamos participando de um site de relacionamento de escritores. Somos nós que fazemos o site acontecer!
Portanto, a consciencialização em relação ao nível da escrita, deve ser estudada por todos nós, e nisto, eu me incluo. Não acredito que o aprendizado tenha um fim ou que alguém se eleve tanto, que não tenha que aprender mais nada sobre a escrita. Basta abrir qualquer dicionário e ver quantas palavras e significados existem ali. Se, alguém me disser que sabe o dicionário da Língua Portuguesa decor e salteado, então irei me curvar diante do seu nível de escrita. Se, alguém me disser que, a partir do momento que se tornou poeta ou escritor, não cometeu erros gramaticais ou ortográficos, então irei me curvar diante do seu nível de escrita. Logo agora, com esta reforma da Língua Portuguesa, ficou ainda mais difícil chegar num nível de escrita elevado.
Acredito sim, que cada escritor precisa sempre fazer a correção dos seus textos, mesmo depois que publicou no site, em livro ou em qualquer forma de comunicação vinculada com a escrita; que cada escritor precisa ter um dicionário da Língua Portuguesa e sempre buscar rever seus conhecimentos. Não tenho vergonha de dizer que faço isto sempre que preciso, sempre que recebo uma crítica ou observação dos amigos. Não nasci sabendo e morrerei aprendendo, disto eu tenho certeza.
Desejo que cada Luso olhe pra sua escrivaninha e observe bastante cada palavra dos seus textos, veja o que pode ser melhorado. Mas, quando encontrar erro na escrivaninha de outros autores, não “aponte com o dedo” o erro diante de todos. Mande uma PM, mande um email, seja educado com o escritor. Isto sim é um aprendizado salutar. Quem sabe, outro dia, este mesmo escritor não irá lhe ajudar a ver o seu erro, mesmo que seja por digitação. Isto é uma troca civilizada entre pessoas que estão aqui para aprender.

- O que é e para que serve, a numerologia?

Dentre todos os estudos que fiz, a numerologia me fascina.
Numerologia é a ciência que estuda os números e tudo que envolve sua simbologia, tais como, letras e alfabetos de várias línguas, com seu valor metafísico e significativo, formando uma vibração que atua desde o nascimento de cada pessoa, nos ciclos de vida e até o fim da sua cabala numerológica. Esse estudo está baseado nos símbolos encontrados em tempos primitivos da civilização egípcia, que até hoje auxiliam para desvendar os segredos da manifestação do Homem pela escrita.
Este estudo auxilia no autoconhecimento de cada indivíduo, beneficiando decisões da vida diária e futura.
Mas, cuidado! Existem muitas numerologias por aí, que eu não recomendo.

- Quais são os teus projectos literários?

Não gosto de falar muito de projetos, sou meio supersticiosa neste ponto. Mas, estou com dois livros em andamento, com temas diferentes. Sem previsão para serem publicados.
Por outro lado, sinto-me grávida do meu primeiro livro “Um coração no oceano”, que está sendo editado pela CBJE, com lançamento previsto para março/2009. Este livro é uma coletânea de poemas, prosas, mensagens e pensamentos que escrevi recentemente. Com a participação da minha amiga/irmã Ledalge, autora do livro “Ledalgiana”, fazendo a minha Apresentação e do escritor Ronaldo Honorio, autor do livro “Onde guardarei estes oceanos?”, prefaciando a obra. São dois autores que tenho grande estima e consideração. Para os dois, deixo aqui minha eterna gratidão, por terem aceito meu convite.

- O teu Brasil e o teu Portugal.

O meu Brasil mistura-se com meu Portugal, numa simbiose trazida por laços hereditários dos meus antepassados. São nações que se encontram no meu sangue, fazendo pulsar meu coração diante deste oceano Atlântico.
O meu Brasil sonha em conhecer o meu Portugal, e sentir a sensação de estar do outro lado desse mesmo oceano Atlântico, encontrando todos os amigos do Luso Poemas. O sotaque português faz meus olhos brasileiros brilharem e meus lábios portugueses sorrirem...

- O teu mais que tudo.

Sentir que estou aqui, agora, viva! Dizendo tudo isto pra todos vocês!

- Quem é o teu Luso do mês?

Meu querido José Silveira

Obrigada Helen
 
HELEN DE ROSE - O Meu Luso do Mês de... Março

dedicado aos poetas rascas

 
Por vezes digo que escrevo como um mecanismo excretor, e se tal for verdade as linhas que vos dedico são o exemplo último de tal. Andei cerca de um mês e meio afastado do luso por motivos profissionais e na volta dei-me conta de coisas que imbuído (quase) diariamente neste faz e lê não me tinha ainda apercebido verdadeiramente embora já desconfiando. Sempre fui contra o epíteto de “poeta” quando assim se referiam a mim porque não me considero e não o digo por falsa modéstia, não me considero mesmo. Muitas vezes neste site me pus a favor e contra correntes de opinião, com a mesma frontalidade e liberdade de pensar, sentir e me afirmar, mas chego a um ponto que me começa a ser difícil suportar. (eu tinha avisado que era excretor, se leu até agora, por favor acabe…) a mediocridade e a vilania, e o estupor com que assisto até a um comedimento para com essas pessoas que até já começam a querer cercear a livre expressão de que este site sempre foi apanágio, a começar pela regulação de comentários e outras coisas que tais. Querem poder escolher tal como num simples blog as opiniões que hão-de publicar ou não, querem atirar-nos com ramos de rosas plásticas às fuças sempre que lhes aprouver, querem escrever uma coisa que chamam eles(as) poesia onde confundem o porno erótico com escrita. Algumas chegam ao ponto de confundir plágios sem lhes saber o sentido. (Confusos? Eu explico). Por exemplo uma pessoa que começa um poema com o titulo de um livro de um escritor mundialmente conhecido como Milan Kundera, cuja obra deu um filme famosíssimo com o titulo “insustentável leveza do ser”, passa durante o poema por uma imagem descabelada de “espuma” nos olhos ou nas mãos (já não me lembro bem!) e lá pelo meio com uma letra duma canção de Roberto Carlos (ou outro qualquer), “conduz meu corpo na cama e diz que me ama” finalizando a pedir ao objecto dos seus desejos para ser "penetrada à beira mar", será que eu posso olhar para essa pessoa como alguém que está aqui de forma coerente? E que dizer de uma data de pseudo-poetas que tem títulos de seus poemas como: “as palavras que nunca te direi”, “o poema que nunca te farei” e réu-béu-béu pardais ao ninho? Depois vêm-me falar de regulação de uma administração? Mas será que ainda não perceberam que essa imagem da espuma está estafada? Que existem livros e filmes com essas coisas? Se calhar sim… ou não… porque são tão burros, lêem tão pouco que nem se apercebem da mutilação literária que estão a fazer. O pior é que não são um, nem dois, nem três a fazê-lo, são uma data deles a poluir o site com escrita de quinta categoria, e de tal forma que a partir de agora me arvoro no direito de desmascarar e classificar como tal esse tipo de escrita que tenho andado a ver por aqui. Quero ter essa liberdade, a mesma com que essas pessoas me ferem ao escrever coisas que não lhes pertencem, simplesmente porque não conseguem fazer mais, ou porque andam numa crise de inspiração e acham-se no direito de por exemplo postar letras de musicas (conhecidas!) e ainda por cima andar a fazer disso dedicatórias a tudo que é cão e gato. Poetas rascas é o que são. E é injusto o adjectivo de poetas antes de rascas, porque são rascas mesmo, só.
 
dedicado aos poetas rascas

Ensaio sobre a condição feminina

 
O Sr. José era velho, tão velho que na aldeia ninguém se lembrava dele novo, como seria o seu falar ainda de rapaz ou a voz grossa de homem feito. Na tasca da aldeia onde os homens rompiam as falanges nos balcões de mármore no tamborilar impaciente da chegada de mais uma pinga dizia-se que ele devia ter mais de cem anos mas ninguém lhe dava mais de 50 e picos, 60 e coisa, 70 e tal. Uma indefinição que a jorna da terra lhe sulcava no corpo alquebrado, nos pés de galinha profundos em volta dos olhos, os rasgos no canto da boca que lhe afilavam os lábios já de si finos, e uma testa que parecia percorrida por um arado.
O Sr. José ia casar finalmente com a Zulmira, mulher recatada e trabalhadeira, filha mais nova de um grupo de 15 irmãos e que tinha ficado na casa materna até que o Senhor chamara a mãe para a última morada cumprindo assim a tradição de cuidar dos velhos pais até ao último suspiro. A Zulmira fizera também ela essa dobra na idade em que já não se consegue definir os anos que lhe passaram nas vértebras doidas da espinha dobrada no manejo da enxada. Com a morte da mãe a sua única fortuna era a vaca galega cuja afeição a tinha impedido de a mandar para o matadouro quando os úberes secaram e as forças lhe faltaram para aguentar com o cabresto e puxar o arado e ficou assim a modos que o animal de estimação da Zulmira.
O casamento foi motivo de galhofa e enriqueceu o anedotário da taberna, com piadas que punham em dúvida a virilidade do Sr. José e a capacidade que teria em meter dentro os tampos tão antigos da Zulmira, que todos juravam ceguinhos ela ainda teria por via da sua feiura que afugentara sempre os mais corajosos e afoitos. Por sua vez o Sr. José gozava da fama de mulherengo apesar da idade e contava-se à boca pequena as suas viagens à cidade grande onde gastaria o pequeno pecúlio arrecadado nos negócios fortuitos da venda de gado.
O Sr. José era homem à antiga, que se fazia respeitar e a Zulmira mesmo casada com ele continuava a tratá-lo por Sr. José e dedicava-lhe o mesmo esmero e atenção que dedicou á mãe até à hora da morte. O Sr. José no fim do almoço ia para baixo da vinha no fundo do quintal gozando a sombra prazenteira com uma vasilha de tremoços e azeitonas, um pedaço de broa e uma enfusa de vinho, a qual quando acabava o fazia dar altos berros à Zulmira
- Ó mulher enche-me a enfusa…- e lá vinha a Zulmira quintal abaixo buscar a enfusa vazia, subia o quintal, ia à adega enchia a enfusa, descia novamente o quintal deixava a enfusa ao Sr. José e subia de novo o quintal para continuar os afazeres. O Sr. José era cioso do aprumo do quintal:
- Ó mulher, é preciso podar a pereira.
- Ó mulher, é preciso capar os tomates
- Ó mulher, a alface precisa de ser colhida para ir para a feira.
E a Zulmira lá ia no seu vagar sem nunca reclamar acedendo às ordens do Sr. José.
Um dia na volta de uma das suas misteriosas viagens o Sr. José trazia no alvo colarinho uma mancha suspeita. A Zulmira indagou-o da proveniência de tão indigna nódoa.
- É sabão da barba…- respondeu o Sr. José.
- Não pode ser Sr. José, isso parece aqueles “pozes” que as mulheres finas usam – respondeu a Zulmira numa voz segura e firme que surpreendeu até ao Sr. josé.
- É sabão da barba, é sabão da barba e não se fala mais nisso. – Vociferou o Sr. José num tom de voz que não permitia réplicas. A Zulmira calou-se numa fúria que nunca tinha sentido, a vaca galega afinou a longa orelha percebendo os humores da dona. O Sr José tirou o laço, pegou na enfusa e dirigiu-se para o fundo da vinha seguido pela vaca galega. A Zulmira tinha feito á força de enxada um rego para conduzir as águas da fossa para o batatal enquanto o Sr. José estava fora, este não contando com o fundo rego caiu de frente no rego afundando o corpo em meio metro de águas pútridas e fedidas ricas em húmus para s terras, a vaca Zulmira inadvertidamente colocou-lhe a pata por cima da cabeça parando o andar lento e o olhar no fundo do quintal, abanando a cauda sobre o lombo para enxotar a mosca. A Zulmira estranhando a duração da enfusa que já devia ter esgotado foi quintal abaixo e encontrou o Sr. José afundado na merda e no mijo, já sem respirar, molhado e inerte, a vaca galega mugiu a finados…
Os anos passaram-se e a Zulmira ficou dona das extensas terras do sr. José, as estradas já estavam alcatroadas, o lar de idosos da aldeia já tinha sido fundado.
Ia pela estrada até ao cemitério decorar a campa dos seus pais e do seu Sr. José, à vinda perguntavam-lhe:
- Ó Zulmira, porque não vais para o lar, ao menos lá tinhas companhia, alguém cuidava de ti…
- Eu cá “num” preciso disso, tenho a minha galega que já me faz companhia que chegue – e continuava o seu passo quebradiço apoiado já por um cajado na berma da estrada com a galega a ladeá-la protegendo-a dos incautos motoqueiros e motoristas que aproveitavam o asfalto da estrada para se finarem nas bermas. A galega era a rocha em que contra tudo se desfazia.
 
Ensaio sobre a condição feminina

por este rio (me) de falsos poetas

 
Algumas pessoas vivem em redoma, escrevem, tentam passar o que sentem mas de forma estereotipada. Sempre que algo lhes escapa dos versos em “grito de silêncio” lançados, de um “peito dorido” que ganha vida na morte do amado, (porque mais não sabe…) ou vice-versa inflamam-se na perca de argumentos válidos para contrapor as opiniões de que não concordam. A discordância não é um defeito, é uma virtude, é no sonho do escriba, daquele que discorda, que o mundo pula e avança, é do sonho, é da metáfora, da hipérbole, do parafrasear perdido nas aliterações e anáforas das palavras que volteiam em metas perdidas, para enfim chegar ao ponto de partida. Na redoma em que vivem na adoração do pouco que sabem e mais não querem saber esses falsos escribas reduzem o livre pensar a um egocentrismo não percebendo no deambular parco do caminho que percorrem o troço de escolhos e esburacado que pisam. São pobres na essência, pobres no sentir, fossem eles contorcionistas e até no sexo se bastavam. Mas não…
Não se bastam, porque nessa sanha que nem eles percebem o porquê, esconjuram quem deles discorda e amam aqueles que os bajulam, e bajulam os que os bajulam (isto é uma aliteração e uma anáfora mas não é uma hipérbole), exaltam a ímpia concordância, até ao dia em que um que os bajula se atreve a discordar do plágio de si próprios que vão estruturando um atrás do outro… Nem se dão conta é minha convicção e deles também… pena tenho de quem assim sente, e se exalta na discordância não tentando encontrar na plenitude do ir e do vir pontos de intersecção, pela simples conclusão que não há rectas infinitas, algures no ocaso esse traço terá que curvar ora perante a imponência e ditadura da montanha firme e hirta, ora perante a inconveniência do regato que desagua no ribeiro que desagua no rio que desagua no mar, porque quer queiram quer não, os rios desaguam no mar… é isso que eu sou, começo regato nascente, na esperança de me tornar rio… mar… oceano… quem sabe até… planeta... e mesmo assim sei que terei de voltear em torno do sol.
 
por este rio (me) de falsos poetas

tempo crocante

 
tempo crocante
 
Estranhamente, de um momento para o outro, senti a forte vontade de preencher as células de uma planilha de preto, para deixar os dados se perderem na escuridão. Se não o fossem de importância relevante, deletaria tudo para abastecer a lixeira vazia do computador. Abandonaria a cadeira e tomaria o rumo de um dia de louco com um pequeno sintoma de Alzheimer para esquecer apenas os fatores causadores de estresses, que envelhecem não somente a carne, mas também o espírito. Confesso que tenho andado preguiçosa e pensando constantemente na aproximação daquela linha que divide o século no meio, sendo que não está tão longe, três passos e já me alcançará. Percebo que é por isso que o organismo entrou em desassossego para seriedades, querendo que o corpo se aloje num banco de praça qualquer, num fim de tarde qualquer, para simplesmente ver o corriqueiro que deixei de dar atenção; aquelas andorinhas que pousam na fiação elétrica, dando à frieza dos postes movimentos de asas que se aquietam, após, pontilhando os fios como que compondo pauta musical ou apreciar aquela turma adolescente que saiu da escola deixando o ar sobrecarregado de algazarras e a calçada da praça se regozijando com os passos livres e alegres da juventude. Lembro-me agora que não poderei abandonar os óculos junto com a sobriedade dos compromissos. O grau de miopia aumentou e já ocorreram quatro trocas de lentes. A partir da década anterior, comecei a voltar a andar com a cabeça nas nuvens e não me atentei para a cegueira que se tornou cada dia mais abrangente. Nessas linhas que estou abrindo, vou percebendo que a distração por dentro dos pensamentos se fez muito presente nos últimos anos e sorrateiro chegou o esquecimento de que o tempo sempre acelera os passos mas não impediu-me de ficar parada na menina que faz pedidos às estrelas ou espera um príncipe encantado cujo cavalo perdeu a ferradura no meio do caminho e por isso está demorando pra chegar. Confesso também que escrevo alguns versos na mente e quando pego a caneta para fazer o resisto eles já se apagaram com cores, palavras e pontos. Isso sempre sacode um alerta para o avanço da idade e a vaidade estremece e se desespera. De fato, aquela linha que divide o campo se aproxima e talvez seja isso que esteja revirando os sentidos e não sei como lidar com eles, assim desorganizados. Lembro-me, mais um pouco, do que alguém certo dia me disse; que sou tão virginiana e por isso metódica-perfeccionista até na forma de respirar... E cai agora mais um pensamento; a inquietação por querer abandonar a estrutura sólida para vagabundear a ermo é porque não consigo encontrar bandeirinhas coloridas para enfeitar a tal linha... Melhor não pensar nela e voltar para os cronogramas, projetos e planilhas fazendo de conta que não ouço os passos crocantes do tempo pedindo-me para dar um tempo de apego a mim mesma...
 
tempo crocante

COMO AS MULHERES ROTULAM OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

 
COMO AS MULHERES CLASSIFICAM
OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

Nas minhas tantas andanças por aí com as irmãs, primas, conhecidas, amigas, namoradas e esposas, pude ao longo do tempo realizar uma pesquisa acurada e deveras interessante a respeito das diversas denominações que elas nos atribuem (nós, brasileiros, do sexo masculino). Vejam só:

VIADO(assim, com "i" mesmo): como uma mulher denomina o homem quando este diz, assim, na seca, que simplesmente não quer nada com ela.

BROCHA: como uma mulher denomina o homem quando este, deliberadamente ou não, ignora as investidas e insinuações dela para cima dele.

GALINHA: como uma mulher denomina o homem quando este diz que quer algo só com as outras.

TARADO: como uma mulher denomina o homem quando este diz querer fazer tudo e mais alguma coisa com ela.

CAFAJESTE: como a mulher denomina o homem quando este diz que quer fazer tudo com ela, mas com as outras também.

CANALHA: como uma mulher denomina o homem quando este lhe dá muito prazer, mas também dá o mesmo prazer para outras.

FILHO DA PUTA: como uma mulher denomina o homem que teve com ela um teretetê isolado e nunca mais ligou de volta nem para mandar um "foi bom".

BUNDÃO: como uma mulher denomina o homem quando este não sabe direito se quer mesmo ter alguma coisa com ela ou não.

SEM-NOÇÃO: como uma mulher denomina um homem quando este a pede em namoro.

LESADO: como uma mulher denomina um homem quando este a pede em noivado.

RETARDADO: como uma mulher denomina o homem quando este a pede em casamento.

CORNO: como uma mulher denomina o homem quando este já está casado com ela.

CORNO-IMPRESTÁVEL: como uma mulher denomina um homem quando este pede a separação.

TROUXA: como uma mulher denomina o homem quando este paga as contas dela (aqui portanto o homem pode muito bem ser um trouxa sem-noção, um trouxa retardado, um corno trouxa ou um corno trouxa imprestável. Raramente essa atribuição aparece solitária).

TESÃO (as mais modernosas dizem UM-TUDO:) como uma mulher denomina o homem que ela imagina que jamais ficará com ela (aqui tem um adendo: se, por um acaso do destino, algum dia desses ela vier a conhecer este um-tudo de homem, sua denominação será necessariamente alterada para uma ou mais das denominações relacionadas acima).

Sabem o que é pior? Já mostrei este texto para ao menos uma dúzia de mulheres e todas me confirmaram a correta definição dos termos. Infelizmente, ainda me deram os cumprimentos pelo bom trabalho realizado. Inclusive, uma das leitoras o fez dessa forma: - É isso mesmo, cara. Parabéns, seu viado sem-noção... -Infelizmente, essa última denominação eu ainda não conhecia. Vou pesquisar. Algo me diz que não vou gostar.

Gê Muniz
 
COMO AS MULHERES ROTULAM OS TIPOS MASCULINOS BRASILEIROS...

Um olhar sobre a escrita, os escritores e os leitores

 
Nem sei muito bem como me meti nisto das escritas. Penso que foi a minha curiosidade que me trouxe até este mundo e depois fui ficando mais pela teimosia. Mas curiosamente também acho que este mundo não é de quem quer. É de quem sente inspiração embora essa nem sempre esteja presente quando mais se deseja. Mas é também e essencialmente, de quem tem gosto pelas palavras e se esforça por tentar fazer passar a sua mensagem, as suas ideias, as suas estórias; o que quer contar ou dizer aos outros, aos que o lêem. E já agora, sem fazer má figura. Especialmente se já teve algum sucesso no passado e quer preservar essas memórias sem se desiludir a si próprio nem aos outros, ainda que esse mesmo sucesso não tenha passado de algumas manifestações de apreço por parte dos amigos, que, na ânsia de agradarem (e isso ocorre com bastante frequência na internet e no mundo virtual que lhe está associado), o tenham feito de uma forma por vezes exagerada até, levando-me a pensar, no meu caso, que sim senhora, até tinha jeito para escrever umas coisitas... Só que, tudo é relativo.
Se não vejamos: quem se movimenta por estes meandros apercebe-se mais cedo ou mais tarde, que para ser lido e comentado tem de pagar na mesma moeda, caso o não faça o mais certo será ninguém dar pela sua passagem nem que escreva as coisas mais belas que se possam imaginar. Ou ainda, se já o fez garantindo dessa forma o seu popularismo ou o que lhe queiram chamar e entretanto se deixou dessas coisas (a maior parte acontece naturalmente pelo cansaço e já aconteceu a tantos aqui), em breve notará que os seus leitores se foram afastando para outras paragens onde a leitura lhes seja mais proveitosa...
É que quem lê, geralmente em sites que se dedicam a dar oportunidades de divulgação de escritas de pequenos escritores desconhecidos, também escreve e publica nesses mesmos sites e, como é natural, espera igualmente que o leiam e se não for alguém já conhecido na sua praça, terá de conquistar a pulso cada um dos seus leitores.
Quem for minimamente atento, em pouco tempo se aperceberá das regras que fazem o bom escritor, sê-lo. E reparem que não falo dos grandes, falo dos amadores que são a quase totalidade das pessoas que por aqui se passeiam neste e noutros sites idênticos. Portanto, sem leitores não há escritores dignos desse reconhecimento. Mas isto sou eu que o digo e o que eu digo não se escreve... portanto, escrevam! Quanto mais não seja, pelo prazer que vos der, como me continua a dar a mim, fazê-lo.
 
Um olhar sobre a escrita, os escritores e os leitores

Manipulação de leituras

 
Um dos fenómenos que se podem observar na maioria dos sites de literatura e, muitas vezes, nos próprios blogues é a manipulação, pelos autores, do número de leituras obtidas pelos seus trabalhos.
São postas ao dispor dos bloguistas, algumas ferramentas que permitem controlar quer as visitas diárias quer o número total de visitas nos seus blogues. E existem sites que premeiam os blogues que lá estejam registados e que obtenham o maior número de leituras em determinado dia. Lembro-me, por exemplo, da Blogstar que atribui, mensalmente, uma estrela dourada ao blogue que seja indicado mais vezes para a merecer.
Qualquer uma das ferramentas está preparada para considerar cada visita feita por determinado IP como sendo apenas uma visita, por determinado período (normalmente um dia). Ou seja, se determinada pessoa visitar um blogue, do mesmo computador, dez vezes no mesmo dia, conta apenas como uma visita (ou, no caso da blogstar, como apenas uma indicação). Os mecanismos de controlo funcionam, é um facto. Mas também é verdade que, para um conhecedor, estes mecanismos são bastante fáceis de contornar. E nem precisa de ser um profissional.
De acordo com a Wikipédia, IP é um acrónimo para a expressão inglesa “internet Protocol” (protocolo de internet) que é um protocolo usado entre duas ou mais máquinas, em rede, para encaminhamento dos dados. De uma forma clara, o nosso IP é o que identifica a nossa ligação à internet. Mantendo-se a ligação, mantêm-se o IP. Reside aqui um dos truques mais usados para manipular as estatísticas dos blogues (ou qualquer sistema que controle os IP’s, como sejam as votações on-line, etc).
Se desligarmos a ligação à internet, quando a voltamos a ligar, o sistema vai obter novo IP. Logo, se voltarmos a aceder ao site, é contabilizada nova leitura porque o IP ainda não está registado. Consegue-se assim, com muita facilidade, contornar as estatísticas, criando falsas visitas. Há ainda quem recorra a pequenos programas informáticos que permitem mascarar o IP, com o mesmo intuito, assim como sites de internet que funcionam como mascaras.
Nos blogues, este incremento de leituras (ou, em outra análise, esta falsificação de estatísticas) pode ter, como único intuito, enganar os visitantes, fazendo-os acreditar que o blogue em causa é muito visitado e que merece, por isso, ser acompanhado. Para além do incremento (falso) de leituras, pode-se também pretender receber prémios virtuais (como seja a estrela dourada da Blogstar).
Em sites de literatura, como é o caso do luso-poemas.net, o incremento das leituras ganha uma dimensão diferente. Como é um site frequentado por bastantes utilizadores, o número de leituras de cada texto será, á partida, sinónimo de qualidade. Naturalmente haverá tendência a se ler primeiro os textos mais visitados.
Também no luso-poemas, a falsificação das estatísticas está relacionada com o IP. IP’s diferentes, leituras diferentes… ou não. Porque, do acima exposto, já concluímos que se pode falsificar/mascarar o IP.
No entanto não é a única estratégia usada por alguns autores neste site.
Na página de abertura deste site constam as últimas entradas, por ordem cronológica, uma por cada autor. Colocado o texto com determinado titulo, espera-se que tenha leituras e/ou comentários. Se, passado um bom bocado, ainda estiver abaixo do nível esperado, podem-se tomar várias atitudes para manipular. Por exemplo, mudar o título. Quem sabe, um título mais apelativo chame a atenção. Ou, se o problema for falta de comentários e, se por acaso, se deixou alguma nota mais agressiva ou menos própria, pode ser que, retirando, então seja comentado.
Se ainda assim não resultar, passa-se o texto a rascunho, grava-se e, passado um bocado, voltamos a editá-lo e publicá-lo. Ao fazê-lo, o texto é (re)publicado com a hora em que o estamos a fazer (e não com a hora em que foi publicado a primeira vez). Como as leituras obtidas antes de o passar a rascunho estão contabilizadas (e o sistema não as coloca a zero), vamos ter um texto com algumas leituras (porque já as teve antes) no meio de textos acabados de publicar (e portanto com bastante menos leituras).
Suponhamos que, mesmo assim não resulta. Que se continua com pouquíssimas leituras. Então que tal enviar o link do texto a alguns amigos, seja pelo Messenger ou por mail, pedindo-lhes opinião. Ou mandar mensagens privadas a outros utilizadores a pedir-lhes que visitem o texto em causa e que dêem a sua opinião (aproveita-se e pede-se comentários, nada mais simples).
Há ainda quem recorra a outro expediente. A criação de outro utilizador, de modo a auto-comentar-se, aumentando o número de comentários recebidos.
A mente humana está cheia de expedientes. Por cada mecanismo de controlo utilizado, são descobertas formas de os contornar. A necessidade de se auto promover e de ser acarinhado pelos outros aguça o engenho, e leva a que se tomem atitudes que, quando detectadas pelos restantes utilizadores, fique denegrida a imagem inicial que se tinha de quem usou expedientes.
São, por isso, atitudes que se devem evitar. Quer porque não favorecem quem as usa, quer porque os resultados são falsos e porque não obtemos um feedback real do nosso valor.
E para terminar, resta apenas referir, para que não restem dúvidas, o que quase todos que andam nestas “andanças” esquecem – que, mais tarde ou mais cedo, tudo se sabe.
 
Manipulação de leituras

ESSES VELHOS (E NOVOS) TEMPOS

 
ESSES VELHOS (E NOVOS) TEMPOS
 
Sinto saudades de muitas coisas de minha adolescência. Muitas vezes fico a lembrar de momentos tão vivos em minha lembrança, de risos, de sonhos...
Como a vida passa depressa! Essa frase eu ouvia sempre as pessoas mais velhas dizerem, e naquela época eu pensava: "Não! a vida passa muito devagar!"

Eu queria crescer, queria poder engolir o mundo. Não queria ser adolescente, queria crescer...pensava em casar, em ter filhos. Em ter minha casa (como brincar de casinha). Pensava em tantas coisas...e a vida ia correndo, e eu pensando, e eu desejando sempre mais e mais...
Lembro-me das brincadeiras dançantes Da luz negra, do dançar apertadinho. Das carícias nas costas. Naquele cheiro de colonia com cuba-libre. Daquele mistério que era abraçar uma pessoa desconhecida, e dançar, de ouvir a voz no ouvido. De repente se afastar, mesmo dançando, e olhar no rosto. E sorrir.

Como era gostoso aquele entrosamento tão natural e tão simplista de duas pessoas que nunca se viram! E as musicas nos transportavam a lugares inimagináveis.. aquele tempo não precisávamos recorrer a "telas", tínhamos imaginação de sobra. Como era bom imaginar e ver ao vivo e a cores!
Mudar de menina sensual, para moleca, subindo nos telhados, correndo pelas ruas, procurando emoção Saindo na chuva, descalça, correndo, os cabelos ensopados, o vestido grudado na pele, abrindo a boca para comer o gelinho que caia...
Pegar a bicicleta e voar pelas avenidas, subir e descer, largando a mão do guidão..

Depois voltar para casa, e virar mulher...esperando um telefonema. Como era delicioso o escutar do telefone tocar, (o de casa, não o celular) e de ouvir aquela voz do outro lado. Conversar. Marcar encontro. E ficar a imaginar, o que vestir?
Tem uma cena do filme "Falling em Love" (o meu preferido) que a Meryl Streep vai se encontrar com o Robert De Niro, e experimenta umas 10 roupas diferentes. Se olha no espelho. Tira, põe outra. Olha-se no espelho. Sorri. Mexe no cabelo. Que linda essa sedução! Seduzir-se a si mesma, para seduzir o outro.

Quero de volta aquela magia. Ficar o dia todo na piscina, vestir meu vestido branco, curtinho, soltar meus cabelos, colocar colonia "COUTORE" (rs).
De viajar de onibus somente para ir a praia. Tirar a roupa e deitar na areia quente, passar bronzeador, entrar na agua, furar as ondas, rir muito, e depois a tarde voltar, ónibus cheio, pinicando de areia...mas tão feliz!
Lembro do jogo da verdade. Era feito entre os meninos e meninas da escola.

Juntávamo-nos no recreio a noite. Era tão excitante aquele jogo! Perguntas diretas, e principalmente daquelas pessoas que nos interessávamos Algumas diretas demais:
"Você já pensou em me beijar?" E eu, com a maior cara de pau:"Sim muitas vezes"... (risos).
E um dia, no recreio, ele me puxou pelo braço, e foi me levando para perto de uma escada. E me abraçou e me beijou. Era bem melhor do que o imaginado. Fiquei noites a sonhar com aquele momento, e o modo que foi conduzido. Chamava-se Gilberto. O "Gil". Tão popular entre as meninas. Fazia musicas, cantava em conjunto. Fez ate uma musica para mim!
Passou...mas me lembro vivamente desse momento. Ele no Festival da Escola cantando e eu na plateia pensando que iria morrer de paixao!

O flertar. Como o flertar era uma moda sensual e significativa. Os olhares se encontravam a distancia com tamanha intensidade, que parecia ate um toque de pele. A gente viajava naqueles olhos, entrava no túnel deles...ficávamos presos como se estivéssemos com um laço amarrado.
Como era gostoso, no inicio do namoro, o toque das mãos...entrelaçadas, olhando nos olhos com tamanho desejo, e apertando as mãos até esbranquiçarem os nós dos dedos. Parecia um beijo dado. Mas muito mais que um beijo naquele momento. O corpo tremia. A respiração se entrecortava.

Depois o beijo vinha, o romantismo da boca roçando a face, beijando os olhos, e descendo terna e cheia de desejo para a outra boca entreaberta.
E nos bailes aquele beijo sabor cuba-libre. Os corpos grudados, misturando-se com as colonias que cheiravamos na nuca. Tudo isso complementado com aqueles olhares intensos.
Onde esta agora esse beijo? De olhos fechados? A tontura, o formigar do corpo?

Quero de volta esse tempo do sentir. Quero aproveitar cada minuto dele, ao pressentir que o hoje seria assim tão maquinalmente frio. Queria aproveitar cada segundo, beber com o olhos, tocar com as mãos. Ouvir o coração.
Não queria ser jovem hoje e ficar passando torpedinhos, falando em MSN, trocando emails. Mandando fotos pelo celular.

Queria aquela juventude onde os torpedos eram os corações que ribombavam tão alto, quando estávamos dançando abracadinhos, que o MSN eram palavras ditas cara a cara...(olhos nos olhos) e que os emails eram as mãos unidas, os abraços apertados, e os beijos molhados. Bem molhados, sabor cuba-libre.
Quando deixavamos a mão entrar pelos vãos de nossa roupa, sentindo aquela emocao do proibido.
Não queria ser jovem hoje.
Mas queria ser jovem outra vez, no meu tempo.

Queria rir despreocupadamente sem pensar no aquecimento global. Na destruição do mundo. Na falta da agua. Na falta de respeito com o ser humano. A corrupção, a ganância, a violência, problemas de dinheiro, da fome. Desigualdade social. Aids. Câncer.
Muitas vezes reflito nesse poder da comunicação do computador. Da veracidade das palavras, das mensagens. Da responsabilidade de se dizer coisas num Blog. Do influenciar as pessoas.

Movendo o controle remoto >>>>>>> forward, não consigo enxergar como o mundo será daqui a alguns anos. Como os jovens chamarão o AMOR. Como as crianças olharão o MUNDO. Como o sexo será encarado.

Onde estarão os valores, aqueles que tanto lutamos para ensinar aos nossos filhos?

*Mary Fioratti*

(Aqui uma foto antiga, quando eu e minha turminha tiramos uma foto no meio da rua...)
 
ESSES VELHOS (E NOVOS) TEMPOS

Essa velha Angústia de Viver....

 
Essa velha Angústia de Viver....
 
Essa velha Angústia de Viver....

Um dia desses andei pensando como mudamos ao passar dos anos.
Antes, os problemas pareciam simples, ou seriamos nos os simples? Mas tudo não parecia ter o peso que tem hoje.
Lembro-me bem daqueles tempos em que despreocupadamente eu olhava para um problema, e achava-o pequeno, por maior que fosse.
Ou quando eu deitava a noite e dormia um sono “inteiro” até de manha.

Hoje me vejo acordando de madrugada e pensando... começa a vir tudo na minha cabeça, como um filme que não consigo parar.
Então, como uma cigana, começo a “ler”meu futuro, a me preocupar com minha filha, com meu marido, nas pequenas coisas, nos problemas que na verdade não tem solução.

E adianta isso? Claro que não.

Tento aplicar diversas regras de mentalização. Minha irmã me disse para eu tentar pensar num filme que gostei, e ficar relembrando as cenas. Esta técnica adiantou um pouco.
Mas depois das cenas do filme, aparecem novamente os fantasmas.

Tentei Ioga. Achei que eu poderia me equilibrar mais. Que nada! Descobri que não gosto de meditar! No meio da primeira aula que fui (e que era grátis) vi todo mundo sentado naquela posição de ioga, a classe na penumbra, todos de olhos fechados, fazendo um sonzinho assim: “ziimmmmm”.... Tudo que eu fazia era olhar para o relógio e porta para sair. Que angústia!
Gosto de relaxar dançando, música alta, nas minhas aulas de zumba.

Bom, voltando a angústia...
Tento viver o dia a dia, com muita intensidade (e vivo!). Mas o fantasminha do futuro esta sempre me perseguindo. As vezes, pego minha bola de cristal fajuta e leio meu futuro.

Uma vez ouvi dizer que pensar no futuro é pensar no “vazio” e o “vazio”causa depressão.

Já tive depressão. Você já teve? Eh horrível. Tive há muitos anos atras, e não há nada que descreva essa sensação. A gente esta num grupo, e se sente diferente de todo mundo. A comida, parece que estamos comendo palha. Uma sede nao sei do que.
Mas passou, felizmente. Alias, durou muito pouco. Quem me conhece, jamais acredita que tive depressao.
Entao ouvimos dizer que depressao “eh o mal da humanidade”...

Mas nao pensem que sou pessimista. De jeito nenhum. Estou sempre feliz, a cantarolar, a brincar, como uma adolescente. Procuro ser feliz. Mas não fiz vestibular para santa. De vez em quando me bate uma insegurança de viver.

Principalmente quando você vê que alguém bem do seu lado, fica doente. Outro morre. Alguém morre num acidente de carro. Uma mãe perde um filho. Ah! tantas coisas, tantas coisas!
E estas coisas tem acontecido bem do meu lado.
Então aquele dia eu dou um super valor para tudo, para os pequenos momentos. Para as pequenas (e grandes) alegrias.

Quero ser forte! Mesmo acordando a noite, e me degladiando com aqueles mesmos fantasmas, quero ser forte. Ter uma fé maior do que a montanha, e lutar contra esses momentos .

Hoje li uma coisa que gostei e impactou-me! “Se der medo, finge que tem coragem, e vai com medo mesmo!”

Não é assim que as vezes temos que fazer?

*Mary Fioratti*


Brindemos à Vida!
 
Essa velha Angústia de Viver....