Poemas de fantasia

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria poemas de fantasia

A aurora

 
A aurora

A aurora vem clareando está agora despertando
de uma noite serena, o céu ainda como o cresol
começa a colorir, nuvens deslizam rosadas, ténues
na transparência frágil dos primeiros raios de sol.

O bosque ainda escurecido começa a criar vida,
o cheiro da terra húmida, as pequenas aromeiras
onde as gotas de orvalho são pérolas translúcidas
que caem e se espreguiçam nas sumas rasteiras.

As rãs cedo começam a coaxar nos pequenos charcos,
ouve-se o espanejar dos pássaros ao sair dos ninhos
das tocas rastejam os répteis espreitando nos buracos.

O sol abre raiando tudo, é vida no bosque, em louvor
à natureza que se vai abrir à azáfama de um novo dia.
A aurora dá a vez ao dia e promete vir no próximo alvor.
 
A aurora

Casas comigo?

 
Casas comigo? #1

Fecho os olhos o silencio acomoda-se
deslizando suavemente como uma lava
pesando nas pálpebras flácidas, esqueço
o domínio e vontade que o tempo traça.

Vejo o mar quieto verde e belo, espumoso
uma moça sereia dele emerge, assustadora
o corpo brilhante, olhar penetrante, agreste
os olhos vítreos sem pestanas e provocadora.

Agarra-me, fico inerte, sem força, paralisado.
Seus cabelos longos são limos, dentes de peixe
corpo escamoso, que arrepia, frio e molhado.

Sabia que estava a correr um enorme perigo
queria sumir-me e só ouvia aquele louco pedido…
acordo e com horror oiço ainda, casas comigoooo?

Vólena
 
Casas comigo?

QUIMERAS

 
QUIMERAS
 
QUIMERAS

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
Juntei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos que se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam
Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

rosafogo

Esta poesia escrita há muito tempo, tinha o nome de Caixa de Pandora, mas já nem recordo a razão,
hoje mudei-lhe o título, e é mais uma poesia simples que sai do arquivo.
 
QUIMERAS

Cansei

 
Cansei
 
 
Cansei de lutas, de ideais
Do meu ar certinho, responsável
De tudo o que esperam de mim
Quero ser o que não sou
E pensar um pouco em mim

Quero rir sem ser por nada
Soltar uma gargalhada
Sem me sentir observada

Talvez vista algo diferente
Mais ousado ou sensual
Quem sabe sair à rua
E gozar o Carnaval

Cansei de tanta tarefa!
Não aguento mais pressões!
Este ano vai ser diferente,
Vou viver sem restrições!

Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
Natural: Setúbal
 
Cansei

DISPO-ME DE MIM

 
Acariciado pelo sol
Deixo a pele no estendal do vento
Para que as mãos aragem
A bafejem de sentimento…

Solto o coração às vagas
Deixo-o ser canoa de vela içada
Para que os lábios sódio
O insuflem de esperança…

Esparjo a carne no alecrim
Deixo-a marinar de odores
Para que a língua arbusto
A sacuda de amores…

Trago nas mãos a praia deserta
Onde me dispo de mim
Lanço-me na espuma que mareia
Junto à pueril areia
Do meu mar sem fim!

No cimo de um grão de argila
Iço o estandarte
De um beijo molhado
De espuma cálida.
Que poeta seria
Se despisse a fantasia
Como dispo o corpo
Desprovido de alma…!

António Casado
3 Fevereiro 2010
 
DISPO-ME DE MIM

Um dia chuvoso

 
Um dia chuvoso

A música é doce e bela ao piano tocada
por mãos de magistral e virtuoso pianista,
oiço-a sentindo uma harmonia interior. Paz.
Uma lágrima desliza, e não estava prevista!

Levei a mão à face quase instantaneamente
mas não consegui detê-la, ela se precipitara
e no solo a pequenina gota, estranhamente
parecia uma pérola que no céu se iluminara.

E desfez-se em água pura aquele pingo dúctil.
Dirigi-me a uma janela o dia estava chuvoso
choraria também o céu desta maneira subtil…

A sonata continua a sua linda e suave melodia
imaginei então, que havia um certo paralelismo…
chuva, gotas, lágrimas, musica doce e fantasia!
 
Um dia chuvoso

Beijos de cristal

 
Teus beijos...
ângulos rectos
em pleno fulgor,
sabor a alma,
preseverança e
afecto.

Teus beijos...
diversos aspectos,
rejúbilo de amor,
sensação calma,
bonança singela
após vendaval.

Teus beijos...
circunspectos,
dócil louvor
que leva a palma,
herança de ouro
de novo projecto.

Teus beijos...
supremos, directos,
de grande valor...
safira, salma,
topázio e granada
colossal.

Teus beijos
correctos,
frenéticos, suaves,
alvor, soneto,
romances arquitectos,
portas sem chaves,
talismã, amuleto,
epogeu em altos tectos.

Teus beijos
guardados,
mesmo dissimulados,
de paixão eventual,
sempre resguardados,
são peças de cristal!
 
Beijos de cristal

Uma rosa

 
Uma rosa
 
UMA ROSA

É uma rosa despida
Uma rosa só ilusão
É uma rosa caída
No mundo da solidão.
É uma rosa desfolhada
Pétalas a cobrir o chão
Tráz a fronte inclinada
No olhar lágrimas de emoção.

É uma rosa caprichosa
Saudade de quando era botão
Que fez a Vida à rosa?!
Que a deixou sem sedução!?
Rala no peito a saudade
De quando era botão.

Mas flor é sempre lembrada,
Mesmo murcha é flor!
Ainda que desbotada
O cravo lhe tem amor.
Tudo o tempo lhe foi levando
À rosa de fogo feita!
E a Vida a vai embriagando
Às vezes a deixa desfeita.

A deixa triste chorosa
Mas ela canta e implora
Já é da vida saudosa
A vida que a rosa adora.

Assim fala de amores
Quase, quase, quase a medo!
A rosa que é das flores
Que tráz em si o segredo,
Do seu perfume é vaidosa
Ao ver-se ao espelho se espanta
Fica muda e melindrada
Perdeu a beleza tanta
Deixou-a a Vida sem nada.

Partirá triste e chorosa
A flor que um dia foi rosa.

rosafogo
 
Uma rosa

Ler é viver um sonho!

 
Ler é viver um sonho!
 
Imagem Google

E que tal,
Voarmos num livro inesquecível?
Ir para distante daqui;
Coleccionar palavras mesmo aqui;
Deixar a alma implacável;
Sonhar de olhos dilatados;
Imaginado o que a imaginação quiser;
Olhado, o que o olhar desejar, ver.
.
Quero continuar a ler;
Mas estou com receio que acabe
a história de comover,
É melhor ler lentamente, só quem sabe;
Degustando cada saber.
.
Ler é viver um sonho;
E eu preciso tanto de viver
este que estou a ler;
Talvez um dia possa ler um especial
que deixe de ser um simples sonho(…)
.
Ana Carina Osório Relvas/A.C.O.R
 
Ler é viver um sonho!

Coisas...

 
Coisas…

Gosto de dançar
fui ao bailarico
entrei sorridente
fui comprar
um manjerico.
Foi carote
o maganão
tinha um cravo
vermelhinho
a cor do coração.
A quadra, gira
picante, mariola…
corei e fiquei
da cor da camisola.
A alcachofra pedi
com os olhos a sorrir
para queimar
à meia-noite
de manhã vê-la florir.
Saltei á fogueira
pulei de mão dada
a um atrevidáo
e tive que lhe dar
uma bela estalada!
Acabou fui para casa.
Vai um duche rapidinho
e comi uma buchinha,
Ah…que soninho!
Estava estoirada…
mas desatei a rir, a rir...
da minha mão exaltada
e da bochecha...
que devia estar a zenir!
 
Coisas...

COLCHA DIFERENTE!

 
COLCHA DIFERENTE!
 
Colcha Diferente!

Costurei uma colcha diferente
Com retalhos coloridos de ilusão
Em cada pedacinho existente
Pespontei com fiozinhos de emoção.

Um babado largo de carinho
Com bordados dourados de alegria
Das histórias colhidas no caminho
Cheias de esperança e fantasia.

Peguei uma nuvem bem fofinha
E joguei minha colcha e vou deitar
Pedi a uma cintilante estrelinha
Vir os meus sonhos embalar.

Antes do rei sol me despertar
Com sua luz quente e brilhante
Sei que o sereno irá me ofertar
Uma rosa perfumada e exuberante!

♫Carol Carolina
 
COLCHA DIFERENTE!

Coração de algodão doce

 
Coração de algodão doce
 
imagem google

Fiz uma infinidade de algodão doce
E atirei-o para o céu para ficares doce,
Voei até lá e fiz um coração gigante,
Nem entendeste que fui eu,
mas ficaste radiante.
.
Este poema quero rimar a olhar para ti,
Sem tirar os olhos de ti;
Apreciado, o teu incómodo pestanejar
E dizer-te tanto com um olhar.
.
Vamos ter uma linda conversa,
jogar um jogo para ver quem diz menos
até a alma ficar imersa.
.
Quero ficar assim cega de amores,
Para nunca curar todas as minhas dores.
Secreta olhando-te, eternamente
Moldando o coração com a mente.
.
O coração que moldei era uma imensidão,
Que as mariposas ficaram alienadas de emoção;
Ficou próximo do exemplar,
o que revelei por momentos,
Mas voltaram os pesadelos obscurecidos,
Para despedaça–lo num só acordar.
.
Ana Carina Osório Relvas/A.C.O.R
 
Coração de algodão doce

NO COLO DA LUA

 
NO COLO DA LUA
 
 
No colo da lua

Aconchegada no colo da lua
Ouvindo cantigas de ninar
Parecia que eu era filha sua
Comigo ficava a embalar

As estrelas fiquei admirando
Refletiam mil cores ao luar
Emolduravam a noite enfeitando
Um belo quadro com seu cintilar

La na rua um poeta versejava
Para encantar a sua namorada
Na janela a mocinha suspirava
Feliz o escutava apaixonada

O sereno escorregou pelo meu rosto
Na madrugada querendo me beijar
Para mim tinha o mesmo gosto
Do beijo com o qual vivo a sonhar.

Carol Carolina
 
NO COLO DA LUA

Portal da imortalidade

 
Portal da imortalidade
 
Há uma imunidade nos sonhos
Uma liberdade amorfa e casta
Uma esperança no inatingível
Toda uma veleidade intrínseca
Um indelével mundo surrealista
Na trôpega profusão das imagens

O mar pode ser um rio
O rio pode ser um lago
O lago o sal duma lágrima
E eu navego ao luar na fantasia
Na barca que me embala e alumia
Na vaga âncora da minha alma

Ao longe o céu serve de manta
À paz que engasgo na garganta
À emoção que me acomete
Sempre que o sono me remete
Para o portal da imortalidade

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos natural: Setúbal
 
Portal da imortalidade

Muso

 
noção não tenho
do tempo que te pensei

se ainda de tranças
laçarotes
rodopiando danças

sei lá se ainda menina
escalando mulher
já em colinas

agora num tempo
alçado
puído
cansado
apresso que saias
do sonho profundo
onde te deixei

desejo que arrebente,
o ventre das ideias
e fantasias
que engravidei para inchar
em dores de poesia

desejo que logo venhas me abraçar
pra sentir-te imenso
terno e quente
com braços, pernas e boca
pra me chamar
de louca
por te inventar

desejo que logo venhas
me libertar
da gigantesca espera
que se contrai
a me quebrar

desejo que venhas,
sim,
muito te quero
presente...
mas contenha meu intento
revogando essa minha vontade...

tua vinda
pro real seria
fatal...

mataria
palavras que te prendem
pra que eu possa sempre te
(pro) criar
 
Muso

estampa e tecido

 
és o céu?

dar-te-ei o sol na ponta de um beijo

e se sorris nascerão estrelas
e afastarei nuvens
pra deitar-me lua

prata líquida de unção
derramar-me-ei
em tua pele nua

plena de luz
em ti
resvalarei seios
raios que
meneio
feito serpentinas
ou água cristalina
descendo de ribanceiras,
feita cortina
em teu peito
o véu do meu olhar
se romperá em mar
para enxaguar teus cabelos
encaracolados novelos...

és o sol?

deitar-me-ei céu
pra sentir teu roçagar
no corpo inteiro
 
estampa e tecido

Poema estrelado

 
Poema estrelado
 
Fiz de um poema um colar de estrelas
Passeis-lhe uma linha, agrupei-as
Dei-lhes a forma de constelação

Tirei-as do céu, pu-las ao pescoço
Iludi-me, pensei que eram jóias
Roubei-lhes o brilho, cobri-me de ouro

A noite sombria vestiu-se de luto
Sem luz, lá no alto... um escuro de breu
Sorte que o poema era um sonho meu

Maria Fernanda Reis Esteves
54 anos
natural; Setúbal
 
Poema estrelado

Olhando o ceu

 
           Olhando  o  ceu
 
Olhando o céu mais uma vez
Buscando não sei o que
Entre nuvens brancas,talvez
Encontre a resposta no buquê

Buquê de bolinhas brancas
Que acaricio com o olhar
Azul que te quero achar
Me desnuda com sua carranca

Eu te admiro em sua amplitude
Tu me examinas do alto
Tão belo me mostra a juventude
Eu um grãozinho no asfalto

Estico o braço,aponto o dedo
Como queria te alcançar
Amanhã talvez,bem cedo
Terei asas e poderei voar

Nereida
***************

Tão efêmero se foi com o vento
Sonhos flutuantes,apenas
Por alguns instantes.

Nereida
 
           Olhando  o  ceu

Mar chão

 
Mar chão
 
Sobre este mar que me serve de chão
Nasceu um poema de encantamento
Leito por onde corre a inspiração
Navio que almeja chegar a bom porto
Não há como controlar este sentimento

Nesta viagem de meias verdades
Troquei a razão pela fantasia
Casei o juízo com a insanidade
Sem forças, deixei-me levar
E o resultado foi pura magia

Fernanda Esteves
 
Mar chão

A bruxa

 
A bruxa #1

Toda a gente a conhece
desde pequenininho
aquela velha desdentada
e com um feitiozinho!!
Talvez por ter sido bela,
ó tempo que já lá vai…
quem pode agora com ela?
Até a filha Branquinha
fugiu com sete bonecos
metidos numa malinha.
Foram no bosque morar
e logo toda decidida
pôs os sete a trabalhar.
A bruxa que fora rainha
tinha inveja, vejam lá
da sua filha a Branquinha.
De tudo isto o mais trágico…
A rainha tinha consigo
um espelho e era mágico.
E um dia perguntou:
quem é mais linda que eu?
A Branquinha, ele respostou.
Foi o fim da macacada
disfarçou-se e vendeu à filha
uma romã envenenada.
Caiu por terra a coitada
e sem dó nem piedade
ria a bruxa à gargalhada.
Os bonecos pobezinhos…
sem saber o que fazer
davam flores e beijinhos.
Nisto, numa grande galopada
um príncipe traz a beijoca
e a princesa… acordada!
A raiva matou a bruxa
ainda bem que assim foi
que isto foi uma estucha!
Pronto, a história está finda.
agora digam-me lá
se não fui eu, a mais linda!

Vólena
 
A bruxa