Poemas surrealistas

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria poemas surrealistas

Bloody Mary

 
Bloody Mary
 
sou o embaço que teus olhos rondam
e que tu’alma apalpa perdida das mãos.

sou infinitos pontos escurecidos
viajando dentro de outros pontos
voadores coloridos

como um átomo perdido
do universo molecular
estou à deriva num dramático
vermelho ‘bloody mary’,
sou

mascarado pra confundir
reinados
um coquetel
ardente e salgado

apimento
desagrado
seduzo

poucos...
são os apreciadores
desse gosto

ainda assim... bebes-me
ardendo o ranho
de tua garganta
só pra sentir meu paladar
e tentar me compreender
mas,
embriaga-te antes

sem que possas me saber
 
Bloody Mary

Poema escrito em cinco minutos

 
* * *

Tu que me lês
Com algum desdém,
Só porque o poeta
Me criou que nem seta,
Não faças juízos de valor!...

O meu autor
Estaria pouco inspirado
Ou talvez apressado
Para ir dar uma...
… Viagem!

A ti, se és lesma
E lês, mas
Com esse desdém
Esta mensagem,
Digo desses parcos atributos:

Não terás sido tu também
Feito em cinco minutos?!...

PS:
Não faças disso um drama...
Eis os teus 5 minutos de fama!


in "Poemas Curto(-o)s"

29.06.2010, AdolFo Dias
 
Poema escrito em cinco minutos

Anti-Poema de Amor

 
O
= O meu
== O meu céu
=== O meu céu está
==== O meu céu está sem
===== O meu céu está sem o
====== O meu céu está sem o teu
======= O meu céu está sem o teu Céu
======== O meu céu está sem o teu Céu e
======= O meu céu está sem o teu Céu e sinto
====== O meu céu está sem o teu Céu e sinto-me
===== O meu céu está sem o teu Céu e sinto-me cem
==== O meu céu está sem o teu Céu e sinto-me cem por
=== O meu céu está sem o teu Céu e sinto-me cem por cento
== O meu céu está sem o teu Céu e sinto-me cem por cento ZER0
= Para o teu Céu ser o meu Paraíso tenho de trabalhar para isso
== Para o teu sonho ser o meu Sonho tenho de sonhar forte
=== Para a tua canção ser a minha Canção tenho de ousar
==== Para a tua luz ser a minha Luz vou ter que brilhar
===== Para a tua paz ser a minha Paz há que voar
====== Para o teu amor ser o meu Amor lutarei
= No cérebro uma palavra
== Lutarei! Lutarei! Lutarei!
=== Mas eu não gosto de lutas
==== Lutas lembram-me a Guerra
===== Tenho tanto medo da Guerra
====== Não quero Amor à custa da Paz
======= Escolho determinadamente a PAZ
======== NÃO QUERO QUE TRABALHEM AS PÁS !!!
===========================================
============================================

== 23.11.2007 == H3nr!cAbíl!o
 
Anti-Poema de Amor

rosa púrpura com espinhos dourados

 
não há paz que me pinte de outros tons,
para adelgaçar a guerra que me prostra.
o branco também é algoz
no chão que me devora.
a paz, apelo falido em muitas mãos,
se explode nessas horas.
por isso pinto-me quadro em cores
de alguns encantos felizes
e das mutilações que a vida me doou.
quadro que nunca será resgatado em leilões
em recepções de contos de fadas -
será suplantado pelos cantos das sereias
- ficará menoscabado em minhas paredes.

pinto-me, mesmo assim!

mesmo que me quebrem
pra preencher um canto de chão.

pois cores...
nunca morrem.
cores,
sempre estarão por aí,
nas paletas do céu
num derrame de nuanças
para o todo.
até mesmo às (minhas) guerras,
às (minhas) paixões
que tingem minhas parcelas de amor e dor
e outras partes que seguem os descaminhos
 
rosa púrpura com espinhos dourados

Sugestões sem realismo

 
Sugiro que cortem todas as flores
se arranquem as folhas verdes das árvores,
se fechem todos os frascos
que produção odores perfumados.

Sugiro que se pinte de cinza
todos os edifícios da rua,
no alcatrão negro
se apaguem os riscos brancos.

Sugiro que os transeuntes
se vistam de luto com mangas compridas
no peito se coloquem cadeados seguros,
se silencie os motores de todos os veículos
calem-se todos os ruídos dos rádios.

Ah!...Ainda,
não se toquem os olhares
nem se observem gestos alguns.

Cubra-se o céu por mantos negros
para que
o sol não possa perfurar,
assim, não exista espécie alguma de cor.

Quando a noite chegar…
Aí, sim!...
As estrelas podem brilhar
somente elas!...
Mais nenhum cometa se intrometa…
Sobrevivam assim sólidos e sóbrios…

Ah, é verdade…
Esta é a rua que nunca hei-de passar!

Beloved" title="http://www.ijigg.com/songs/V2A0BAF4PB0'>Beloved" rel="nofollow">http://www.ijigg.com/songs/V2A0BAF4PB0'>Beloved Katy's music - by Yiruma
 
Sugestões sem realismo

Sou-te pela encruzilhada

 
Sou-te pela encruzilhada que se apodera de nossos poros,
Gotas de suor numa escada infinita que sobe.

Pé ante pé, me descalço,
Desmancho meus fios de cabelo
E me desperdiço de ti
A cada verso, que vá perdê-lo!
De que serve viver-te por aqui,
Se a cada respirar meu, passo em falso,
És tudo o que já foste,
e o voltarás a sê-lo.

Horizonte de loucuras imaginárias,
Calçada subida, tortura temida.
Por dentre respirações entre-cortadas,
Ouve-te dentre as cantadas
Que velhas carcaças ousam cantar...

Por onde andas, fim de linha?
Quase que diria que ouvi o meu nome,
Naquela tua voz doce, distante.

Quanto horizonte, quanto renome
Tu te vestes, Ó Destino.

Seja insano, sem lógica.
Que tudo se transforme numa poça,
Dentre esses passos que sobem a escada.

Por onde caminharás tu,
Diante desta encruzilhada?
 
Sou-te pela encruzilhada

Versos de Amor 2

 
[Por Amor às palavras]

Hoje escrevi palavras que não eram minhas
E que foram colhidas na brisa que passava
- Como quem segue em caminhada dominical.

Eram palavras belas - como sempre são as palavras,
Apesar das inúmeras gargantas que as maltratam -
E elas foram a Luz que trouxe a paz ao instante.

Hoje as palavras transcenderam-se em mim,
Pois continham no seu âmago as emoções
Que devem (re)vestir o íntimo das pessoas.

Tentei agradecer à brisa que passava
Este relance do nosso Paraíso perdido,
Mas já a brisa seguira para outra missão...

Para registar a minha glória,
Ficaram estes versos - um acto de Amor! –
Nascido de palavras que não eram de ninguém!

03.03.2010, Edu Loko

In "Diário de um poeta louco"

------ UM FELIZ DIA DA MULHER ------
******* Abílio Henriques *******
 
Versos de Amor 2

mística

 
mística
 
espalha-se em cama inquieta
cabeleira da lua
profanando ondas
assombrando praias
com uivos d'águas

vai alardeando o céu
caldeira platinada
mandigando sedução
pelas curvas da madrugada

netuno, nereidas e ninfeias
dançam na fúria espiralada de névoas
cavalgadas por seres marinhos
em dorsos perolados de nuvens

pós mágicos se derramam
ás sereias e ninfeias
num marejar de orgias
com deus-mar
pre-a-mar
e.feito da hipnótica
magia
da lua cheia
de magnetismo feiticeiro

mística poesia
 
mística

Contrapartida

 
Contrapartida
 
Desconcerto
É o que governa a minha vida
Descrença
O que sustenta a minha angústia
Degredo
O que proclama a minha morte
Dilúvio
O mar que acolhe as minhas súplicas
Desamor
O nó que trago na garganta
Por ti dei tudo
Desprezo
O que não pedi e recebo em troca

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
 
Contrapartida

Escalada

 
Escalada
 
estremeço...

porque a madrugada é
fria quando subo montanhas
em busca de alento
pra não padecer
junto à esperança
agonizando no tempo.

empurro
os olhos para o pico
lá estão sentimentos
capazes d'ainda fazer sonharem
iris já embaçadas

miro constelações
nesses caminhos rotos
(des) paginando
um céu inteiro
de quimeras em rabiscos
molhados de janeiros -
tolas paixões de chuva
apagando vestígios
de emoção...
escalo ápices
com um mapa falido
nas mãos

... sim_________
escalo a mente,
c' alma pendurada
na gélida insônia
querendo
alcançar um cume...
mas as montanhas que agarro
são todas feitas de nuvens
 
Escalada

Versos de Amor 1

 
"Amor versus poesia"


*****************
Os versos de Amor falam sempre de Amor?...
Ou será que podem falar seja o que for?!...

Fará sentido escrever sobre esse Amor,
Com o peito distante de tal sentimento?!...

Quando sinto raiva, desprezo ou algo pior,
Não faz sentido servir palavras para alimento!...

E se a mim próprio eu conseguir enganar,
Terei se suster estas consequências.

Mas... Como gerir palavras atiradas ao ar,
Só por que caem bem nas consciências???

Questões que mesmo a um louco
Soam a muito, sendo tão pouco!...

02.03.2010,
in "Diário de um poeta louco"

por Edu Loko
 
Versos de Amor 1

não canso de acalmar o ventre das palavras

 
 não canso de acalmar o ventre das palavras
 
lançam chamas ]
as palavras
mesmo quando lançados ventos bravios
das trevas que beiram margens

noturnas vozes
dilaceram o tempo
que se posta
para sossegar a tempestade
que deixastes nas nervuras dos lençóis
onde areal lunar se amontoou de um rompante quando a deusa
cheia de prata e ilusão
caminhou afrodisíaca.

em negrito
gritos escorraçam dos
cantos das lembranças
marcas sobreviventes do vendaval

[mas... ]

o mar em branco vibra
a dor da carência
e seus alimentos tremem
querendo satisfazer
e não canso de acalmar o ventre das palavras,
sossegando-as pra não seguirem em direção
ao pulsar frenético das lonas madrugais
delineando teu olhar profundo
distante

mas os passos ébrios
dos versos não retenho
porque
nada se empareda
para escorar um arranhão
que não seja
somente saudade.
 
 não canso de acalmar o ventre das palavras

Vida complicada - até para morrer!

 
Uma Corda, resolve o problema;
Mas... e o meu nobre pescoço?!

Uma Arma, em mão que não trema;
Mas... e o sangue nas paredes?!

Um gole de Veneno, como no cinema;
Mas... e o meu frágil estômago?!

Um Precipício, como solução extrema;
Mas... e a minha acrofobia*?!

Vida complicada (podem crer!)
... Até para morrer!...

NOTA: *acrofobia: Medo dos lugares muito altos; Fobia às alturas.

14/01/2008, NelSom Brio
in Poemas Curto(-o)s
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1246343
 
Vida complicada - até para morrer!

Poema escrito enquanto dormia

 
Daqui a pouco – quando despertar –
E ler aquilo que agora escrevo,
Talvez surpreenda a minha mente…

Sim, eis verdade que a mim devo:
Crio enquanto durmo e elevo
As flores do meu subconsciente!

Como é estimulante mergulhar
Nas águas deste oceano pungente
E guiar a sua essência à superfície!

Daqui a pouco – ao acordar –
Vou ler o que escrevi sem receio
E que o íntimo me disse e...

… Será que estive mesmo ali?...
… Será que estou mesmo aqui?...

Acordar…
… Não será dar vida ao devaneio???

05.06.2010, NelSom Brio
 
Poema escrito enquanto dormia

P!NTUR4 SURR3ALIS7A

 
* * *

Uma parede roSa-pranto
pendurada num quadro castanho.

… E o pasto amaRelo-sujo
devora um cavalo azul.

… E o mar cinZento-névoa
bebe um sol esverdeado.

… E a eterna noite braNca
cai sobre o céu escarlate.

Para além do quaDro,
olhos mortos contemplam…

Em que mundo desencanTado
nasceu tão inútil Pintor???

E você - Crítico d'Arte -
Surre
~~~~A
~~~~Lis7a!

19.07.2009, NelSom Brio
 
P!NTUR4 SURR3ALIS7A

divanoite

 
divanoite
 
qual pescadora, ergue-se embarcada
na vacância do sol
lança rede de espaçoso e enegrecido aramado
d’onde luzes anãs transpassam
como peixes miúdos pra prenderem-se
em aquários olhares

sóbria e determinada
vai navegando sobre prados
arejando e calando em sonos
os desamparos do dia

mas, se da compota lunar
calda leitosa se derramar
perde a ufania

num arrebatamento langoroso
desfaz-se da negrura
largando se
esparramada e nua
 
divanoite

Prisioneiro da Vida

 
Aprisionaram-me!
Não sei quando, nem porquê,
Mas aqui me encontro, perdido.

Deram-me um corpo;
E pernas para me mover;
E mãos para me servir...

Deram-me olhos para ver;
E boca para comer;
E língua para falar...

Deram-me emoções para sentir...
E eis-me aqui tão exposto
Às dores e às alegrias do mundo.

É por isso que eu sofro e corro!...
É por isso que eu grito e canto!...
É por isso que eu choro e rio!

Quem me aprisionou neste corpo?
Quem me deu estes sentimentos?
Quem me castigou tão severamente?

Carcereiro, meu cruel carcereiro!...
Tem pena de mim e devolve-me ao meu Reino...
Não suporto viver emoções tão contraditórias!

30.04.2009, NelSom Brio

http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1594204
 
Prisioneiro da Vida

Versos de Amor 4

 
[Ironias do destino]

Escrevo um poema, ou dois ou três
(Até o estro cansar-se de criar);
Depois dou-me por satisfeito
(Ou talvez não)
E adormeço sobre os meus fantasmas.

Hei-de sonhar
(Sim, por que eu sonho sempre!)
Coisas que nem nos mais arrebatados devaneios
E – ao beber nessas inesgotáveis nascentes –
Hei-de acordar com uma brutal erecção poética.

Hei-de correr a agarrar-me à caneta e ao papel
(Como se fossem a última tábua de salvação)
E – num supremo acto de Amor! –
Lançarei mais alguns filhos ao mundo.

Meus pobres filhos!... Sem honra, nem glória,
Hão-de mendigar pelas portas dos novos-ricos
(Que engordam em jardins de indignidades),
Para acabarem agonizantes nalguma lixeira.

Se os meus filhos-poema forem incinerados,
Talvez se transformem em cimento
E ainda hão-de conhecer a singular glória
De se eternizarem nas paredes do palacete
De algum novo-rico (que nada percebe de ironias do destino).

17.02.2010
In Diário de um poeta louco
de Edu Loko
 
Versos de Amor 4

Nascente... Do Monte verde(Rorâima)...

 
Nascente... Do Monte verde(Rorâima)...
 
De um todo o sol igual como nasce em todo lugar, inclusive
A meia-noite
Que clareia dantes de virmos
A acordar ou dormir
Com seu manto dourado de luz intensa
Perdura a esperança de um amanhecer ou anoitecer feliz
... poetizando...
Com a força dos ventos magnitude
...e amor.

...

No horizonte há um olhar
Coberto de oceano
Visto de um Monte cristalizado no universo
D'onde as pedras preciosas dormem
Poetizando seu habitat grafitado.

...

Apoemando o sol em seu esplendor
Magnificado de amor d'meia noite
Formatando o lençol freático
Das nascentes do peito
O coração bate profundamente vivo
No Roriama distante...
Seguindo avante...
...

Nascituro é o desejo de querer e ter
Sonhos molhados de sonhar
Acariciando a face da eternidade
Motivado pelo desejo das frações em segundo
Adentrar o portal sublimado e sentir
O amor adentrar a porta superior.

...

E emoldurar no tempo e no espaço
O sentimento a flor da pele
Dignificando a força que trespassa.
A vida além da vida, em segredo
...Sem medo...
De amar o eterno
...num abraço perdido...
...sem laço...
De um vasto sonhar dourado
D'um diamante azul encontrado
...cá dentro...
Do vale dos cristais
Das lágrimas caídas do céu.

Ray Nascimento
 
Nascente... Do Monte verde(Rorâima)...

Poema em espiral

 
Poema em espiral
 
Retorno ao centro da espiral
à morada empírica da essência
Há em mim um Know how salomónico
não me assolam dúvidas, só conhecimento

Enceto a viagem ao templo sagrado
que reside no ponto fulcral do meu eu
Ensaio a descida à coluna da alma
sinto-me um ser andarilho dos tempos
e rendo-me à fascinação peregrina da mente

Maria Fernanda Reis ESteves
50 anos
natural: Setúbal
 
Poema em espiral