Textos de amor

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria textos de amor

VALSINHA

 
Dotado de certa astúcia que eu te percebi, mas fingi ignorar, finalmente conseguiste que fossemos jantar fora. Não fomos sós, mas só estávamos um com o outro. O resto que importava? Senti-te entusiasmado porém tenso, como se aquela fosse a tua grande oportunidade de auto-promoção, de te dares a conhecer, tentavas falar naturalmente, mas consciente do peso que casa frase teria em mim. Em nós.
Pediste ao dono do restaurante que pusesse o “teu” cd e entusiasmado apresentaste-me o Martinho, o da vila, claro. No início apenas apreciei o ritmo samba. Sorrias dizendo que o melhor ainda estava para vir. E veio. Fiquei maravilhada com a “Valsinha”! E os nossos olhares dançaram, afagados um no outro. Acho que se fosse hoje, dir-te-ia talvez que era lamechas, mas naquele momento… era tudo o que sentíamos: “o mundo compreendeu/ e o dia amanheceu/ em paz…”
Terminado o jantar caminhámos à beira do rio profundamente inebriados com o aroma da maré vaza, ou seria como o hálito um do outro? Faz diferença? Recordo com exactidão que naquele espaço de tempo entre o restaurante e os carros (nota: odiei e odeio aquele restaurante mas para estar contigo, qualquer sítio serve se tu lá estiveres)fumaste precisamente três cigarros. Recordo que caminhávamos lado a lado colados um no outro como se os nossos casacos estivessem cosidos e bem rematados. Recordo de pensar que já não queria ir a mais sítio nenhum sem ti.
Enquanto nos ríamos de umas anedotas de ocasião, observei o teu perfil: percorri o teu nariz largo e ligeiramente arrebitado, os teus lábios carnudos com promessas de sabor a aventura, apreciei a tua silhueta elegante e o teu porte de homem que sabe o que quer.
Subitamente uma vaga electrizante percorreu o meu corpo de uma estremidade à outra, deixando-me um rubor no rosto e o coração que tentava fugir pela ponta dos dedos...
E foi assim que soube que ias ser tu. Porque tu eras ainda antes de te saber, a razão da minha espera. Essa vaga, realizei depois, chamava-se desejo.
Semeamos sonhos naquela noite, amor, que mais tarde colheste em botão pela vez primeira e em cada vez como primeira.

http://www.youtube.com/watch?v=Bg5nSELduD4
 
VALSINHA

NO SILÊNCIO A POESIA GERMINA

 
NO SILÊNCIO A POESIA GERMINA
 
Esta manhã andei folheando os livros da vida
Suas folhas tinham-se tornado em matizes coloridas
Com palavras que escolhi, cartas do verão passado.

Olhei os poemas com letras desbotadas
Removi pecados passados em um texto amarelecido
Encontrei uma página em branco

Plantei os bulbos das palavras que me veio em mente
Plantei algumas consoantes
Caprichei um pouco mais em um quadro de vogais

Estou rodeada de fileiras de canteiros
Os acentos com um ar aromatizado
Semeado para fazer um pequeno recanto de lendas

Mais tarde preparou a praça de pontuação
Uma fila de vírgulas, um pouco de exclamações.
Uma saraivada de vários pontos e perguntas

Eu coloquei o efeito estufa na feira das Maiúsculas
Cobri parênteses com minúsculas
E cercado por caracteres, um tule especial.

Enxuguei a papelada com estilo
Armazenado em um frasco de vidro frágil inspiração
Fechou o livro na página e tornou-se febril

No jardim das palavras, a disposição chegou
Eu comecei plantando guardas not books
No silêncio, os poemas podem germinar.

Rosangela Colares
 
NO SILÊNCIO A POESIA GERMINA

Braga, a Cidade mais clássica do mundo!

 
Braga, a Cidade mais clássica do mundo!
 
Sou Braga cidade a portuguesa mais clássica cristã do mundo, e vós?
Vós ó romanos do reinado de Augusto que me ergueste Bracara, hoje com mais de 2.000 anos de História sou cidade do norte português, o centro da região minhota de cultura e tradições, sou história com religião numa indústria tecnológica, sou Braga! Braga na gíria a cidade dos Arcebispos.

Durante séculos fui casa do Arcebispo mais importante da Península Ibérica, o portador do título Primaz das Espanhas D. Diogo de Sousa, influenciado pela cidade de Roma veio desenhar-me nova Braga de praças e igrejas abundantes tal e qual Roma.

Sou Braga! Maior centro de estudos religiosos de Portugal, e tu?
Tu ó arquitecto André Soares que tornaste-me cidade no Ex-líbris, Barroca sou cidade a mais importante no território e venho dos tempos Romanos, sou Roma de Portugal!

Sou cidade Romana, acolhi grandes ilustres.
O Ausónio letrado de Bordéus o prefeito da Aquitânia, responsável por incluir Bracara Augusta entre as grandes Cidades do Império Romano! por isso sou Bracara Romana!
A Bracara Augusta!
A Capital!
O coração do Minho!

E grita o Povo!
Viva César!
Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus!
O único soberano de Roma!

Centro da província sou cidade dos Três Sacro-Montes. Os santuários numa cadeia montanhosa:
o Bom Jesus depois o Sameiro e a Sta. Maria Madalena depois a Sta. Marta das Cortiças!

Sou Norte!
Sou Norte num Gerês lindo de azevinhos e medronheiros, a terra das mimosas, das lagoas refrescantes e da natureza...
... sou Sul das terras senhoriais de Basto!
Sou industrial Ave e Oeste litoral marítimo do Minho.

Sou Braga construída num povoado indígena!
Como estatuto municipal tive o período de Flávios e elevei-me à sede de Conventus.
Depois,
como reforma o Diocleciano a passar-me a capital da recente província da Galécia.

Vieram os invasores!
Ó invasores suevos, que vieste escolher-me capital de Vosso reino! Na verdade vos digo que ainda tenho restos de inúmeros edifícios, escavações do claustro de Santiago, uma sala de grandes colunas e no centro uma piscina decorada com os mosaicos!
Ninguém me há-de tirar!

Tenho termas descobertas na Fonte do Ídolo!

Linda Fonte do Ídolo!
Onde terá existido um edifício religioso consagrado ao divino Tengoenabiagus, o único monumento Nacional romano intacto, a fonte de culto de deuses indígenas, época romana.

Homenagem à cidade onde nasci
 
Braga, a Cidade mais clássica do mundo!

Gratidão (leiam todos) :-)

 
 
Um homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída.
Quando uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine.
Os olhos da cor do céu, brilhavam de ver o determinado objecto.
Entrou na loja e pediu para ver o colar azul turquesa.
- É para a minha irmã. Pode fazer um embrulho bem bonito? diz ela.
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e perguntou-lhe:
- Quanto dinheiro trazes ai?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou o que tinha em cima do balcão e feliz, e disse:
- Isto dá?
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
- Sabe, quero dar este presente a minha irmã mais velha. Desde que a nossa mãe morreu ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É o aniversario dela hoje e tenho a certeza que irá ficar muito feliz com o colar da cor dos seus olhos.
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar num estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço a condizer com o embrulho.
- Toma!, disse para a garota. Leva com cuidado.
Ela saiu feliz saltitando pela rua abaixo. Ainda não acabará o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e de uns olhos azuis maravilhosos entrou pela loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e perguntou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim senhora.
- E quanto custou?
- Ah!, falou o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.
A jovem continuou:
- Mas a minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é veradedeiro, não é?
Ela não teria dinheiro para o pagar!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu a jovem.
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. ELA DEU TUDO O QUE TINHA.
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas cairam pela face emocionada a jovem pegou no embrulho e saiu agradeçendo.

A gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece!!!

Autor deste texto:
Padre Marcelo Rossi , proferido por ele em 28/12/2009 .
 
Gratidão (leiam todos) :-)

Revolução Celular Interna

 
Convidei-te para te sentares à minha mesa, saboreares do meu banquete e beberes do mesmo cálice que me traz a vida, que me tem vida em todos os licores doces que bebo quando sentes a sua suavidade, o seu cheiro proveniente das uvas maduras, esmagadas pelas minhas próprias mãos. Tenho-te em todos os momentos que meu corpo me pede em jeito de oração, para que as noites sejam só um mero episódio no tempo, e que esse mesmo tempo, seja a dádiva presente, o amor que reside em mim desde que o mundo é mundo. Amo, não quem a vida te transformou desde que aqui chegaste, mas tudo o que te deu origem – a própria vida que brota agora das tuas mãos, e que também te fez Homem a caminhar sobre a terra, onde eu também estou.

Tens a força das terras altas, onde as pedras são detentoras de uma magistral forma elevada de ser. Por isso, te sinto assim, uma força a rasgar todas as frias emoções que me extravasam a mente, colidindo com o meu corpo e aconchegando a minha alma aos teus dedos ainda virgens, aos traços coniventes com o meu olhar onde te encontro, sempre que faço da minha entidade viva, a força que me há-de levar inteira a um reino ainda a existir. É um lugar onde as palavras se encolhem sempre que as esquento, para caberem nas minhas mãos. Sentir-te nas minhas palavras, conhecendo-lhes a verdadeira sensação que provocam em todas as células do meu corpo, formando uma pequena revolução celular interna, talvez… Sou genuinamente uma leve ornamentação colhida de primaveras de outros tempos, de outras madrugadas ainda em renovação, para que o dia seja aquele traço infinito a decalcar-me a longitude dos meus braços, a transformar em ramos as minhas mãos e em folhas os meus dedos. Serei sempre uma duradoura imitação barata de uma figura tua, prestando-se a seguir viagem por todos os lugares onde já estive. Deixaram-me seduzir pelas gloriosas lutas de outros homens, que já caíram e que e a terra absorveu como raízes doutros tempos, em que a força era uma forma de atingir os céus. Agora nada me fará acatar outras formas de vida que caibam nas tuas mãos. Sou só uma lenda nos teus olhos de lince a barafustar a terra em busca de um novo solo, e grão a grão, semearás novas sementes, e novos caminhos se abrirão.

Caminho só, e tão-só como nasci hei-de morrer e renascer em cada momento que me fez mulher enquanto força sobre a terra: mãe tornado, mãe vento, mãe serra, mãe rio (do meu rio), mãe lava de um mesmo vulcão a seduzir todas as águas dos oceanos, mãe terra a esburacar a mundo e a levar novas missivas, detentoras de coragem a quem quiser todas as formas de vida moldadas nas suas mãos.
 
Revolução Celular Interna

CARTA

 
Revirando minhas coisas,encontrei uma carta sua,
Carta que quando ainda não tinhamos Internet.Carta que trocavamos e nessas cartas descreviamos nosso amor,nossa paixão nossa saudade,a falta do carinho presente.
Lendo essa carta voltei ao tempo,como era gostoso esperar pelo carteiro,todos os dias,na esperança da sua carta chegar.
E quando o carteiro batia ia eu correndo porque sabia que tinha carta sua para mim.
Abria o envelope correndo,as vezes você mandava uma rosa seca junto, a carta perfumada com seu perfume,no qual eu fazia o mesmo nas minhas cartas para você.
Eu começava a ler meu peito batia forte,era como se você estivesse chegando.
Eu lendo a carta chorava com suas palavras de amor lindas como sempre.
Eu sorria com suas piadas que você dizia fazer para não me deixar tão triste.
Me trazia você de volta ao meu pensamento,nela você dizia:
"Minha amada que saudade,queria estar ai agora te beijando,te amando como te quero mas a distância não deixa,sinto meu coração bater mais forte enxugo minhas lágrias para não molhar a folha,isso para que você não perceba que estou escrevendo e chorando de saudade,sinto muito sua falta,sua presença aqui me faria o homem mais feliz,essa cidade é triste sem você aqui comigo".
Que saudade daqueles tempo, hoje com a internet não temos mais esse romantismo,não sentimos tanta saudades porque podemos nos ver pela Web Cam,isso é uma forma de matar saudade,mas saudade mesmo era nesse tempo de cartas vindas pelos correios.
Belos tempos.
 
CARTA

Te chamo...

 
Te chamo...
 
 
Te chamo...

Sempre pelo seu nome para que
você saiba o quanto é importante
para mim.

Te chamo...

Toda hora, todo dia,
Não importa se é noite ou dia,
Se esta sol ou chovendo.

Te chamo

Para comigo dançar, para ouvir meu cantar
para comigo ver o brilho das estrelas.
Venha sentir o calor do meu corpo junto ao seu.

Te chamo

Para enxugar minhas lágrimas que no meu rosto escorre,
Para tirar o peso dos meus ombros, quando eu os sentirem pesados
Vem, olhe para mim e veja o meu sorriso ,
E seu sorriso toma conta de m'alma,
venha me de um beijo...

Te chamo...

Junte suas mãos sempre as minhas,
te chamarei sempre sussurrando no seu ouvido...
Amor...meu amor.

Ai você vem com seu sorriso lindo que muito admiro.
Quero você sempre do meu lado, para poder dizer:
Amor! me chame quando precisar, porque eu te
chamarei sempre.
Pois você é meu grande amor...

acalenta
 
Te chamo...

O amor existe

 
O amor existe
 
 
 
Nos meus dias imperfeitos o tempo nunca chega para abraçar o mundo.
Pela mão do destino ou vontade de Deus sou privilegiada por poder conciliar trabalho e a minha entrega a uma causa que amo e na qual acredito.
Não será exagero, nem pretensão minha dizer que a APPACDM é uma parte importante da minha vida e um veículo de enriquecimento interior.
A cada dia somos surpreendidos com a pureza e a autenticidade desses seres diferentes e maravilhosos.
Com cada um deles se estabelece uma relação diferente, plena de luz e cumplicidade.
Mas, hoje, eu trago o peito embargado pela comoção e os olhos não conseguiram conter uma lágrima de esperança.
Eu estava a almoçar no refeitório da Associação com as minhas colegas administrativas e em
frente à nossa mesa estava um professor de uma escola do 1º ciclo a almoçar com crianças deficientes profundas e uma delas estava ao seu colo e ele ia distribuindo colheres de comida ao mesmo tempo que ternura e carinho.
Este professor almoça voluntariamente na Instituição com as crianças a quem vem dar apoio sensorial e motor na Sala de Snoezelen da APPACDM e não deixa por mãos alheias o gesto carinhoso de dar a refeição aos seus alunos que, por serem diferentes, precisam muito mais dos seus cuidados para além do espaço físico da sala de aula a que estas crianças estão agora confinadas, durante o horário escolar, porque é este o entendimento do Ministério da Educação.
Afinal, o meu dia foi perfeito, eu vi o AMOR acontecer!

A minha homenagem aos professores que têm entre os seus alunos crianças especiais como estas.


Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
natural: Setúbal
 
O amor existe

Saudade

 
Ele partira, até então ela não se tinha apercebido o quanto apreciava, os telefonemas diários as trocas de informação o calor e carinho, as investidas dele eram ousadas coisa que a deixava bastante animada.

Diria que com um calor nas maçãs do rosto, algo que só ele lhe tinha provocado mexia com ela. Mesmo sem se aperceber ria sozinha quando se lembrava das confidências e segredos que partilhavam… um misto de quente com delícia, provocava-lhe um frenesim corporal.

Ana Cristina Duarte

Capítulo encerrado, livro fechado.
 
Saudade

O silêncio nos bastará

 
Na varanda o mar espreita…
Sempre te quis mar, mas de tão grande não te encontrei o ser; ainda te procuro no marulhar, levando a minha foz ao teu ventre onde me perco em ânsia de te prender. Tocas-me a pele da alma em banho de ternura e espalhas-te nos meus cabelos e no sal dos meus olhos vidrados em ti. E quanto mais me ausento, mais te ouço os passos nas ondas trementes do teu corpo rendido ao que adivinhas nos seixos deixados pelo destino marcado. E eu subo a montanha, para que te lembres da esperança e saibas que a terra é força onde podes descansar os teus braços e sentar-te no seu colo. E deixo atrás de mim as pistas, para que as persigas, as desvendes, em cada pedra, em cada trilho do meu rio ascendente, e, lá em cima o nosso olhar se encontre na certeza de ver o tempo passar por nós, sem nos vencer. O silêncio nos bastará…
 
O silêncio nos bastará

As palavras que sempre te direi...

 
Livres no pensamento são todos os que puderem assimilar a verdade da única sílaba tónica que sem poder acentuar palavras, se desprende de um voo lento para cair nas correntes fortes de um rio. Na verdade, serão únicas, as várias tonificações das palavras que se encolhem e se preparam para novos voos mais profundos. Lá, estaremos nós para as acolher nas suas verdades, nos seus propósitos de serem fontes inesgotáveis, enquanto mantivermos esta força única de um ponto. Viver além da dor, é sentir no corpo esta força viva, pronta para desflorar num pensamento pontificado. Será ele que nos leva para um local desprotegido, se não mantivermos a ligação à chama que sempre se mantém acesa, para dela recebermos todos os ingredientes que necessitamos e deixarmos a vida passar, sem dela fazermos grande aparato. Ter presente na nossa mente, que há nós que se desatam e outros que se assemelham a formas continuadas e enroladas à nossa cintura, é sabermos igualar os gestos de um corpo.

Quero muito ser livre, quero muito encontrar-te nessa tua realidade, quero que tudo o que venha desse ponto minúsculo, se mantenha como rastilho na minha mente. Preciso dessa leveza solta nas minhas ideias, para que te possa sentir a viajar por todas as artérias que transportam as correntes sanguíneas do meu corpo. Sem isso nada poderei dizer-te porque não te sinto certeza na minha verdade, nem verdade na minha realidade. Vejo-te eu, sem saber de mim, sinto-me tu sem saber de ti, e não aguento esta dor perfilada no meu pensamento quando te penso solto(a) por aí. Gostava de poder deixar-te ir, mas não estou ainda preparada para essa verdade que já existe desde que nasci. Este medo, esta loucura presente, esta lucidez inconsequente, que me transforma anulando-me por completo, são o cárcere onde habito, se não souber encontrar o ponto fulcral onde tive início. Preciso saber-me na cor deste espaço fechado, encontrar-me com esta solidão e questioná-la sobre as nossas mais exactas verdades, num momento expandido nos nossos corpos, compostos por fragrâncias, fiéis depositárias de novos conhecimentos da vida, por detrás de vidas. Sei que há um deles que só eu poderei conhecer, se dele me aproximar no preciso momento em que souber deixá-lo ir.

Serei sempre aquela que te disse um dia de um amor presente, de uma dor constante, de uma vida que sem ser vida num instante, é aquela que escolhi para te dizer de mim. Viverás nesse encolher de ombros, ou nessa expansão dos gestos, sempre que quiseres lançar para a atmosfera, um sentimento que nada te diz, e eu feliz por assim ser, voo junto e fico sentada à tua espera, porque sei que um dia chegarás lá, nesse ponto minúsculo, mas gigante na leveza de um olhar feliz. Esse não terá cor, nem te trará o sol, nem a lua nem tão pouco as estrelas, mas tão só, a vida que escolhi para mim, quando te disser:

AMOR – a única palavra que me faz viver em liberdade, em busca da harmonia de um corpo que se abrirá sempre, e fará de todas as estações, a Primavera dos Tempos. A única palavra que transformará as minhas ideias, num sentimento capaz de te dizer que te AMO, quando conseguir fazer-te a saudação de dentro da minha solidão e te disser que a chama que me alimenta, vem de ti, porque nela fiz nascer esta paixão que sempre me acompanha, tonificando todos os pontos que já começam a formar novos traços, na composição aquosa do meu corpo.

MEDO – a única palavra que me faz querer, sem saber o quê, por não poder ter o que não me pertence. Sentir que este sentimento que me alimenta, é composto por partículas desagregadas de um todo que nos uniu, mas que, também elas, por se terem perdido, criam este efeito paralisador, alternado com o pensamento. Não te quero(a) perdido(a) por aí, porque para me sentir bem, terei que saber de ti. Fica então neste patamar onde guardo todos os meus segredos, mas não sejas segredo para mim, porque não quero perder-me quando pensar em te procurar.
 
As palavras que sempre te direi...

Ela caminhava tacteando no silêncio da noite

 
Ela caminhava tacteando no silêncio da noite
 
Foi numa tarde de sábado que te vi partir, o céu chorava bastante, os pássaros não tinham sossego, aventava muito, as árvores dançavam tango com o vento, as aves não tinham onde pousar, ondulavam nas nuvens carregadas de lágrimas, que embaciavam olhos da lua. E tu decidida a partir, encobriste com a escuridão da noite que parecia provir das copas frondosas das árvores. Caminhavas tacteando no silêncio que metia medo aos deuses das trevas.
Ao longe, o uivar dum coiote quebrou a monotonia do tempo, ecoando entre gargantas das montanhas que pareciam arranha-céus duma cidade adormecida. Apesar desta panorâmica assustadora, tu não assustaste, tinhas sempre o olhar em frente e era para frente que te conduziam teus pés de menina determinada à desafiar o impossível, de longe te seguia, apreciando tua ousadia, que a nenhuma alma vivente recomendaria.
O dia se anunciava no horizonte colorido, quando te vi agachar e apanhar uma rosa arrancada pelo vento da noite anterior, soltei um assobio, ergueste a cabeça e me chamuscaste com teu lindo olhar, o céu sucumbiu, meu coração parou, te dirigi um olá tímido, e tu retribuíste com o mais belo sorriso do mundo das beldades. Quis correr e aninhar-me nos teus braços, mas meus pés não obedeciam, pareciam plantados ao chão molhado e escorregadio, e tu, bamboleando tuas perfeitas ancas, vieste depositar beijo nos meus lábios trémulos, fechei os olhos e quando os abri, desfaleci nos teus braços, e tu, minha doutora, minha curadora do amor, olhaste para o céu, humedeceste lábios e me beijaste a alma, do mundo dos mortos por amor ressuscitei e abraçados, regressamos ao nosso kimbo, às nossas machambas e aos jardins do nosso namoro.

Adelino Gomes-nhaca
 
Ela caminhava tacteando no silêncio da noite

A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS MÃES

 
A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS MÃES
 
O homem, todos sabem, foi feito de barro.
Depois, Deus criou a mulher, dum pedacinho que sobrou e mais um pedacinho que faltou e teve que ser tirado ao homem... dizem que foi de uma costela, mas não, foi matéria mais nobre... foi um pouco mais acima, do coração.
Depois, Deus amassou muito bem, esmerou no feitio, e lá saíu, prontinha, a Mulher.

As Mães, essas, foram um caso à parte. Foi difícil...
Deus queria um ser especial!
Pensou, pensou, fechou nos olhos a recordação do ventre donde haveria de nascer ainda, e, finalmente, abriu-Os e deitou mãos à obra. Queria que ela fosse tudo o que Ele precisasse, quando não Lhe apetecesse ser Deus, e quisesse ser apenas menino...

Então tomou uma nuvem do amanhecer, daquelas mais fofas e rosadas, e moldou-a em abraço de embalar...

Pegou-lhe com jeitinho e escondeu-lhe um ninho dentro, feito só de esperanças...

Deu-lhe o poder de ser seiva, no seio, e a seda das pétalas, nas mãos...

Tocou-a com um raio de sol e deu-lhe a graça de ser agasalho...

Juntou-lhe um toque de brisa e deu-lhe a flexibilidade da compreensão...

Temperou-lhe o porte de flor e acrescentou-lhe resistência...

Colheu um pedacinho de algodão doce, e acrescentou-lho, para a doçura... (nesse tempo o algodão doce crescia nos campos, só para Deus, claro...)

Passou-lhe a mão sobre a cabeça e legou-lhe sabedoria e instinto...

Depois, tirou um bocadinho da carne do Seu próprio coração, e enxertou-a no coração dela: assim tinha a certeza que ninguém mais, além d'Ele, seria capaz de ter tanto Amor no peito...

E assim, num domingo de Maio, há muito, muito tempo, Deus criou a Mãe...
 
A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS MÃES

Aconteceu

 
Aconteceu

Como sempre dirigi-me para a minha salinha, entrei. Acendi o candeeiro. A luz espalhou-se. O livro de poesia que tirara à pouco da prateleira da estante para agora vir ler sem pressas, repousar um pouco de um dia activo e extenuante.
Vejo com certo espanto que não estava como o tinha deixado em cima da mesa e fechado. Estava agora aberto em cima do sofá. Acerquei-me um pouco confusa e admirada. Na página estava em vez de um poema como era de esperar, uma linda violeta, já seca mas ainda colorida e de aroma suavizado pelo tempo.
Só uma pequena palavra, grande de sensibilidade e ternura, Amor!
Atordoada e emocionada olhava estupefacta para tudo isto que me estava acontecendo. A cabeça redopiava procurando uma resposta plausível para me acalmar e poder compreender o significado desta revelação inesperada. Peguei nele, as mãos tremiam, o coração batia com força.
Havia algo que me dava a sensação de ele chamar por mim implorando vem leva-me e aperta-me no teu peito, sou só doçura, carinho, suave aroma de poesia. Então levei-o embalado nos braços como Morfeu me levou a mim para a cama para dormir um sonho de amor.
É manhã. Oiço a música suave que me acorda todos os dias e me põe bem disposta para um dia renovado. Ergui-me, vejo o livro caído no chão. Sorri. Afinal o sono tinha-me vencido e lembro-me de ter sonhado...

Helena
 
Aconteceu

Na tua partida...

 
Na hora de tua partida eu queria ter seguido com você. A tua mão na minha, até o final da linha que nos separaria... Mas tu sabes que eu te pediria para não ir e que não largaria tua mão! E que faria um alvoroço daqueles! Se preciso fosse. Para você ficar mais um pouco, eu inventaria histórias, atravessaria paredes, quebraria o relógio, extinguiria o calendário, apagaria o sol, embriagaria a lua para ela não levantar... Pararia o tempo!
Mas o “compromisso” era inadiável e te levou abruptamente. Doeu... Doeu muito! Não é fácil suportar uma dor.
Mas eu sei que não te perdi, apenas a vida me deu e te tirou de mim quando concluístes a tua missão aqui na terra. Porque é assim a vida... Eu sei... Pai.

***
 
Na tua partida...

Coisas e loisas

 
Coisas e loisas

E engraçado retroceder no tempo e ver os vídeos e cassetes de há vários anos.
Pelo que tenho na ideia, desde que o meu terceiro filho tinha nove meses.
Daí em diante quase todos os pequenos e diferentes momentos mais ou
menos marcantes estão visíveis. Como foi divertido reunirmo-nos e seguir a
evolução de todos nós , pais e filhos durante muitos anos. Presentemente sou
eu que os tenho, cada um tem os seus afazeres e já não é possível com tanta
frequência reunirmo-nos, mas de vez em quando isso acontecia. As filmagem
de todos os acontecimentos, começaram desde logo. Cinéfilos veem-se os
três rebentos de então e após uns tempos o quarto e depois o quinto.
Vou começar pelos pais. Muito jovens e engraçadinhos. O Pai magríssimo de
belo cabelo preto e ondulado, toleirão da sua boa figura e sempre perfumado,
pena é que os filmes sejam inodoros. Vê-se em variadíssimas ocasiões, seja
nos passeios que dava com os garotos, na praia, pelos lindos jardins que temos
pela cidade quer no bonito jardim do zoo vendo toda aquela bicharada ou no
nosso próprio jardim , conforme se proporcionava. Julgo que também não era
para desperdiçar a Mãe, bem feitinha, belo cabelo, marota, sorridente e orgulhosa
da família como é de calcular! Fico a pensar, como se pode mudar tanto?
Pudera, são passados já sessenta e tal anos… Avós, tios, primos, amigos,
também figuram nos baptizados, visitas e não só. A criançada, então e a sua
espectacular evolução! Ver e apreciar bem as caras rechonchudas, as graças
próprias das várias idades, gestos, vestidinhos, os fatinhos, as vozinhas
tão mimalhas e tudo o que faziam espontaneamente e com graciosidade. Mas
como crescem de repente! A seguir todos estão a passar as fases naturais do
crescimento. Os amigos, vizinhos, a escola, a comunhão, as festas, o Natal,
os aniversários de todos de tudo aparece um pouco. Mais tarde, depois de
fazerem os seus cursos, acenando, a quererem voar, rumando a novas vidas
conscientes de outras realidades a que tinham sido poupados. Eis os
casamentos. Veem mais filhos e filhas que são recebidos com muita alegria.
Todos amigos, encantadores e bem integrados na família. De pronto os netos
aparecem. Crianças lindas, queridas e enternecedoras que nos enchem a alma
e os corações. São o enlevo de todos e começa tudo de novo. Há fraldas e
roupinha, biberão e bonecos espalhados pela salinha e filmados os novos
hospedes temporários, mais uma realidade. O avô já está um pouco barrigudo
e a branquejar, a avó idem, idem, aspas, aspas, mas sem barriga… divertidos,
brincalhões e como o tempo passa! Ainda temos umas imagens da primeira
bisneta que é um amor, mas o avô da arte das filmagens já partiu…está longe
infelizmente… para poder continuar, nem sequer conhecer os bisnetos que
nasceram depois e que serão mais tarde se Deus quiser os herdeiros ditosos
e continuadores do seu nome e nobreza. Deixo aqui estes pequenos relatos.
Instantâneos de uma vida que foi ferida e amargurada por vezes, mas também
muito cheia de coisas alegres, belas e divertidas. Coisas e loisas da avó Helena!
(2/2012)
 
Coisas e loisas

Quero-te...

 
Estejas onde estiveres, nesse mundo fantasia, quero-te nas profundezas do amor e nas intimidades do acto consumado, para que saibas que a paixão é um mero caminho para a consolidação dos corpos extasiados pela magna noção da épica condição do Ser.
Quero-te… despida de preconceitos na magia do luar que abrilhanta a nossa condição de dois amantes da vertente lunática do mundo que gira em movimentos iguais, e nós, em gestos ritmados fugimos a esse mundo em viagens lunares como dois… elementos da terra prometida. Procuramos, em segredo, construir o nosso próprio…paraíso.
Quero-te… sedenta de palavras, as que embalo para oferecer-te como uma flor ou como um castelo para que possas viver nesse mundo principesco das maratonas da fantasia.
Ainda que o tempo, esse marasmo que se apodera das nossas horas perdidas nos afaste dos nossos desejos, nos invada com barreiras reais que a vida nos faz nascer, ainda que os atropelos possam protelar a nossa conquista feita de persistência, ainda assim, quero-te… enquanto souber que poderás existir escondida num corpo qualquer, enquanto sentir que também me queres, Musa vestida de amor, despida pela carícia cor do sol, serás o meu luar das minhas noites de solidão, enquanto o nosso caminho não se cruzar na utopia do segredo em sequencias mágicas que adornam o nosso querer.
Quero-te … Musa vestida de poetisa nesse corpo de mulher!
 
Quero-te...

Pelas veredas da vida

 
Pelas veredas da vida

Olha-se no espelho. Não se reconhece. Ali está uma mulher bela, cativante, de semblante atraente, cabelos extensos, brilhantes com reflexos a vermelhados emoldurando o rosto, caindo num dos ombros displicente. Afaga-os. Lentamente a mão percorre o seio e desce até à cintura. Num gesto firme e elegante faz um requebro num pequeno volteio a perna desnuda-se e a silhueta é deveras encantadora. O requinte do vestido é de estilista. Pequenas pérolas e vidrilhos desenham um bonito conjunto de flores cintilantes que dão encanto e sedução. As sandálias lindíssimas nuns pés delicados. A face é fresca, tem uma ténue pintura, um pouco de sombra nos olhos fascinantes, escuros e de pestanas longas. A boca é naturalmente vermelha, os lábios um tanto carnudos e as maçãs do rosto rosadas têm a dividi-las um narizito atrevido. Um pequeno sinal na testa dá-lhe graça e é prazeroso. Tudo parecia normal. Quem esperaria que lágrimas começassem a aparecer nesse rosto encantador e porque chora? Ser-nos ia difícil de compreender perante aquele quadro belo que constrói a nossa imaginação e a beleza desta postura aparentemente tão serena. Pois nem tudo que luz é ouro, lá diz o velho ditado. Está recordando a sua vida passada e reproduzida naquele espelho secular. O coração aperta-se…a vida da aldeia, dura, de grande sacrifício. No inverno então era insuportável. A casa pobre e desconfortável. Só os animais que quase paredes meias os aqueciam. Quando o tempo enregelava os corpos eles davam um certo calor mas o bafo era desagradável principalmente quando chovia e a lã das ovelhas ficava molhada. A lareira era acesa para cozinhar e ali ficávamos sentados nos bancos embrulhados e encostados uns aos outros para jantarmos pelas seis horas da tarde alumiados por velas ou um candeeiro quando havia dinheiro para comprar o petróleo. Mas a minha terra é linda! Na primavera gostava de levar os animais a pastar ou beber a água no bebedouro da fonte. Andar por aqueles campos fora correndo e saltando com os meus irmãos cantando canções que a nossa
mãe ensinava. As lágrimas teimavam a aparecer. De súbito uma mão estendeu um lenço para as enxugar, um lenço perfumado de aroma costumeiro. Eduardo sorria docemente apertou- me contra o seu peito. Então estas recordações foram-se apagando, voltei á realidade. Passado um momento recompus-me dei-lhe o braço encostei a cabeça no seu ombro num gesto grato e carinhoso. Retomei a serenidade e assim apoiada entro no salão. O ambiente um pouco requintado é acolhedor, as luzes numa bela tonalidade. Julgo que todos se conhecem. Trocam-se cumprimentos, abraços e beijos afeiçoados. Dia festivo. Dois empregados da casa simpáticos e impecáveis servem os convidados. A música muito bem escolhida , melódica e quase em surdina serve de fundo a conversas interessantes e intelectualizadas. Há também risos e palavras menos prosaicas na gente mais nova de costumes mais aligeirados e livres, juventude! As horas passam em encantador convívio. Começam as despedidas com alguma confusão, desejos de um próximo serão, saem e fica um silêncio sentido. Damos as boas-noites habituais e subimos para os quartos. Sento-me no sofá, nuns minutos rezo e agradeço toda esta felicidade. Agora um bom banho relaxante, visto uma mini camisa e ao espelho olho a minha simplicidade. Embora pareça impossível foi a infelicidade de ter perdido os meus pais, que recordo sempre com a maior saudade e carinho. Mas foi assim. Esta família nobre, rica e boa desta terra acolheu-nos como filhos e eu a menina que eles não tiveram. Fui muito mimada, tive o privilegio de me instruir, educar e hoje ser uma arquitecta reconhecida que muito tem ajudado a resolver os problemas desta bela terra e recompensa-los com muitas alegrias. Adoro-os! Os meus irmãos hoje tomam conta destas terras e propriedades como se fossem suas, administrando-as e elas prosperam dia a dia. As lágrimas veem novamente, sim, mas de alegria. Prodígio sobrenatural? Novamente tenho dois braços fortes, amigos feiticeiros que me abraçam. Numa reviravolta não há mais miragens mas um homem viril e apaixonado que me levanta nos seus braços me beija e leva em êxtase para uma noite de amor e felicidade. O filho que eles realmente tiveram.
Helena
 
Pelas veredas da vida

Sou Escravo de Um Amor (inédito)

 
Sou escravo de um amor
Que se entranhou na minha pele
Conquistou-me com o seu calor
Ser-lhe-ei sempre fiél

A sua raça e paixão
Arrebatou a minha lealdade
E como o amor por um irmão
Perpectua-se pela eternidade

Sport Lisboa e Benfica
A sua real designação
A àguia personifica
O espirito de uma inteira NNação

(poema registado na "Maison des Auteurs" bruxelas.
 
Sou Escravo de Um Amor (inédito)

Monólogo Ilógico

 
Monólogo Ilógico

_Adultos são pura hipocrisia. Não têm um pensamento sincero da ponta do cabelo a unha do pé…
_Por que tu achas que os anos vão passando e as pessoas vão ficando frias? Incapazes de um sentimento honesto, sincero.
_Não sei, não.
_Não é uma condição genérica. Há casos e casos. Assim também, como nem todo infante é inocente, puro. Há casos e casos. Aprendes-te a lidar com tuas verdades? És capaz de as enfrentar todo tempo e toda hora? Sobrevives pela tua verdade ou pela mentira de cada segundo que vives? Falas somente verdade, falas! Te dou dois minutos…
E tu sabes o que queres? O que te falta? O que desejas realmente. Podes contar aqui e agora? Anunciarias ao mundo? Não? E a hipocrisia? É a tua e a do outro. O infantes menos formados em aprendizagem e os adultos de qualquer idade, bem formados, ou não são mais convenientes. Conveniência é sempre sinônimo de hipocrisia. Quanto mais conveniente o ser humano, mais virtuoso, e mais hipócrita. Só os loucos são puros, porque conseguiram subverter suas próprias verdades. E se privaram dos seus sonhos, por não mais acreditarem. Por descobrirem, afinal, que quase todos eram impossíveis, e sem asas para voar, dispencaram do alto de suas convenientes mentiras. Não podendo mais sair do chão, perderam a noção, da impureza mais pura, a essência humana.
_É…
_Não sentir mais a fruta, nem a desejar, nem saber que o apetite faz buscá-la e quiçá, encontrá-la. Pois apetece-nos comê-la, não interessa se há virtude ou pecado. Apetece-nos amar nossas paixões…
_Egoístas...
_Pronto somos todos egoístas. E sendo egoístas somos fraternos, porque na hipocrisia protegemos a nós e ao outro, o acolhemos em nosso colo, dizemos-lhe o que quer ouvir e damos-lhe o que acredita que temos, sem o termos, ainda assim tendo dado...
_Será que foi isso que Ele nos ensinou quando disse 'amai ao próximo como a ti mesmo'?
_Ah! Já não sei mais nada…

Ibernise.
Barcelos (Portugal), 12.10.2010
Núcleo Temático Filosófico.
 
Monólogo Ilógico