Poemas, frases e mensagens de Mosath

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Mosath

Espera Infinita

 
Pelos anos, asas mentirosas que não ganham abertura,
Abrem para enferrujar numa eternidade de tempo sem nada a fazer…
Abrem para esperar, esperar as manchas a crescer, as teias sem cura,
O lixo a empilhar, o musgo a ressaltar, o enxofre a corromper.

Aquele que espera infinitamente, espera sem esperar nada…
Uma caveira partida em velas, que uma eternidade ainda tem que esperar…
Rosas, pedras, baratas, explosões, agonia, escultura, é esperar nada…
Uma escultura é uma espera infinita e a fraqueza de aturar.

Repetições a mais, repetições de tantas esperas, o ser na infinita cavidade…
Esperar por esperar, uma eternidade a esperar, a esperar correctivos…
Esperar costuma ser por alguma coisa, mas aqui custa esperar a imortalidade…
Espera infinita a esperar nada, por nada, infinito de castigos…

A quantidade incrível de pó, na senhora, nas linhas das alças,
Espera alguém que não aparece, mas prometera vir numa manhã bonita,
E agora ela espera por quem? Ninguém. As suas esperas são pontas falsas,
Caveiras de tempo, dentro do suor, e à espera da senhora está uma espera infinita…

A senhora de branco a bailar, não tem as pestanas,
Não tem dolorosas ocupações superiores à dor de esperar, as salientes catanas,
Terminar de ver as sombras sem esperar outras sombras…

Do cinzento ao preto enfermo, em rugas deslavadas, respira em negras lombas,
A personagem viverá da mesma forma, esperando a não finalização do seu mal…
A igualdade dos momentos, a ira, na sua casota de cal.

Personagem sem idade, em felicidade de sepulcrais rochas,
Uvas e pinças de ácido; desesperar ao abrigo do relógio intemporal… letais tochas,
Humanos e estátuas são atrasos, avanços, durações de nada… cavam na anta!

Oferecem-se caules envelhecidos, atiram-se espinhos para a garganta!

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Espera Infinita

"Doce silêncio"

 
Corre-se dia e noite por enigmas gastronómicos do nosso apetitoso mundo,
Como se numa festividade nobre entrassem a todo o segundo,
Nos conventos de antigamente…
A fome e a importância do romântico belo presente,
A ironia e o burlesco de proclamar
A gula como pecado sobre um dos mais belos contos de encantar.
Clássicos curiosos deleitados pelos poderes do açúcar e da farinha,
Agradeceram aos céus a fórmula desenvolvida entre fé e prazer
Pelos dentes, pela língua, pelo sistema digestivo, à vida docinha,
Jubilando-se por um dos pecados mais doces acometer!
Gula e convento deviam ser opostos, inimigos de dogmas como sol e lua,
Os olhos, como em viagens por sonhos alindados,
Observaram e observaram, sem fim, a confecção a lhes agradar:
Bolos, doces, compotas e fins de refeição suscitados,
Actos como de teatro histórico de aprisionar a alma ao paladar!
O uno salão de jantar, patriótico e fabuloso, diante das brisas de revelação,
Ornamentado por conversas sumarentas, lorde de receitas divinas que fosse,
De toda a sua manteiga se pintava nos ovos e os ovos adoçavam o ego e o coração…
Puro gozo e puro deleite da arte que era ser amante de possuir algum doce
De formas sensuais, paladares lustrosos; canta-se alegria e devora-se um doce!

Silêncio rememora a ousadia de saborear qualquer coisa de superior,
Dir-se-ia um templo prudente, uma ala de lábios cosidos com casca de frutos
E mulheres de dedo na vertical sobre o tecido labial instando silêncio de carinhos enxutos.
Graciosas fogueiras aqueciam todos os presentes, sem esgrimir letras,
Aqueciam, brilhavam e actuavam soberbas, as fogueiras, ensinando os presentes
A contemplarem silêncio, serem silêncio, estarem quentes, no calor de silêncios quentes,
As fogueiras de uma jornada prolongada em descobertas e aperfeiçoamentos sociais.
As noites, festins de ternura e complacência, silenciosas,
Respeitantes ao carácter tranquilo do globo de silêncio em ditosas horas,
Eram visitas ideológicas por atingir melhor gosto sob ausências sonoras.

A passagem do tempo altera pouco vontades de gosto,
A massa da doçaria avivando a essência e a textura de vício, essa sorridente,
Simbolizaria todas as características do doce escolhido por ávida boca.
O doce é um apreço majestoso, criado ao nascer de um dia e adorado até ao sequente;
Por ter amantes concorrentes, se perde um pouco na memória, mas a boca,
Essa fonte inesgotável que dá e recebe prazer,
Não esquece o rosto, o beijo, o abraço, dos seus doces predilectos nem que ao alvorecer…
Vivam todos; caramelo, doce, aveludado aroma, cheiro açucarado, sumarentas gulodices!
Os doces são pecados que pecaminoso em si ferve, prazeres que folião em si excita,
São demónios e anjos sob moderação e excessiva adoração que tudo suscita…

O que é que foi ter um sonho e o que é que foi sonhar?
Tudo faz parte do sonho e faz tudo parte da realidade?
Não conseguir entender o que é diferente ao terminar,
Não conseguir entender o sabor dissemelhante da impassibilidade.
O doce sonhado é tão bom quanto o realizado,
Simplesmente pela presença da conquista, da consumação.
As barreiras da doçura na cozinha são as dos palcos de silêncio enclavinhado,
Em modelação, transparentes, frágeis, femininas, ameigadas, namoradas.
Relaxantes… acreditar piamente, que o silêncio ajuda a perceber as assaz realidades,
Tal-qualmente os doces propiciam à exaltação, desde os sentidos às verdades!

Poema que criei por convite de uma aluna para o seu livro como trabalho de final de curso sobre doçaria conventual.
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Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
"Doce silêncio"

É noite

 
É noite,
Hora longa e dos fortes,
Aqueles, que na beira da piscina,
Alindados por quentes holofotes,
Bebem da garrafa elixir vital afrodisíaco,
Riem e conspiram para sexo.

É noite,
Há silêncio após os pecados,
Mistérios eviscerados numa cama,
Numa violência de querer,
Acaricia-se corpo, coração e boca...
Alguém que beija alguém,
Alguém que toca alguém,
Alguém sem nada saber...

É noite,
A maturidade não tem palavras,
Actos ousados com mel e leite,
Acrescentam marcas na história conjunta,
Das personagens que anseiam o enlace de todo o tempo no prazer do espaço todo.

É noite,
Apagar, espreitar, deitar,
Agarrar, lamber, sonhar com o dia,
Ingerir...

É noite...
Qualquer olhar é magia e lugar.

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
É noite

(sem título)

 
Danças que se perdem no cheiro da noite.

Suores frios, talvez ardentes, excitados.

Cores vivas que pintam cenários eróticos, muito exóticos.

Ir-se aos inícios de uma vigorosa intimidade, os perfumes doces nos pescoços.

A graciosidade nas posturas e a atracção das inocentes visões das criaturas.

Talvez, nesta noite haja sangue nas bocas.

Agir de modo consciente, olhar, dizer, agarrando-se com valor às sapiências, com mistério, com uma grande voz.

E, finalmente, as mãos alcançam aquilo que quer o corpo enfeitiçado...

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
(sem título)

A alma da tempestade

 
Proclama-se a tempestade apocalíptica,
E a sua mão vive profunda na carne e no obscuro,
Nos templos mecânicos, nas ruínas, muito da insanidade gelada
Aqui e agora, tatuamos a alma da tempestade!

Os fortes ventos e fenómenos tombam toda a beleza,
As perturbações explodem debaixo das chuvas de ácido.
O frio diminui a temperatura nas mentes,
É importante quebrar a febre da luminosidade.

Os fracos e os religiosos,
No cerne da tempestade, perecem.
Os ventos e brisas abomináveis, os cataclismos para os estúpidos.
Obsoletos, caquécticos e roubados,
Esses que apenas ajudam a que a roda que tritura o mundo continue a girar...

O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,
A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,
O que vive morre por nós!
O que morre é útil para nós!
Vive a mente da nossa génese devastadora:
Noroeste, Norte, Nordeste…
E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!
Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!

O céu negro, loucamente terrível,
Larga os relâmpagos fatídicos,
E no manto negro por cima das cabeças,
Abrem-se gargantas abismais com vozes de tragédia natural!

Ao fugir de pingos vermelhos,
As nossas gotas de deuses,
Fortalecidas como as de demónios, de criaturas inventadas,
Os humanos queimam os seus cabelos pobres,
E também corrompem mais a essência da terra!
Os rebentamentos climatéricos não desistem,
Da vossa matéria precoce provar…

O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,
A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,
O que vive morre por nós!
O que morre é útil para nós!
Vive a mente da nossa génese devastadora:
Noroeste, Norte, Nordeste…
E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!
Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!

Nas valetas, as criaturas atormentam-se,
A fraca vista foge e a pele derrete aflitivamente,
Foi triste existir sem lutar por prazeres e verdades,
É incómodo acabar sem sangue e em vão.

As folhas podres no chão,
A desgraça e o pecado,
Os sons da terra medonha a ranger, os rios glaciares a transbordar,
O tormento e o assombro,
Numa página de história incalculável,
Um elixir confuso com sombras e tempo que se bebe…
Bebes, bebem… bebeu-se!
E as entranhas atrofiam,
O corpo arranha-se e os olhos das criaturas avistam o fim…
Tudo, porque a nossa alma faz o vosso ser dançar em ecos tormentosos e crus!

A nossa fala superior inquieta o ar,
E amolece a terra que virou um poço de estrume.
A fé que tentou a inteligência,
Sofreu com o terror viciado das precipitações brutais,
Provando a violência da calamidade, extingue-se para cemitérios esquecidos…

O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,
A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,
O que vive morre por nós!
O que morre é útil para nós!
Vive a mente da nossa génese devastadora:
Noroeste, Norte, Nordeste…
E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!
Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!

O bondoso é o perverso,
E a saída a entrada para a amargura.
Contemplai a imensidão da força das veias do tufão!
Contemplai o massacre que as garras dos ventos fazem!
O bondoso é o perverso
E a saída a entrada para a amargura.

O corpo tem orgasmos de dor e os olhos das criaturas avistam o fim…
Maravilhoso, pois a nossa alma faz o vosso ser dançar em ecos tormentosos e crus!
Dogmas de osso,
Osso com dogmas de maldição.
As planícies são montanhas de vergonha,
Os mares abismos de extermínio,
Todos os pontos cardeais idolatram apenas um
E todas as coordenadas antecipam-se no poder da tempestade a caminho…

O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,
A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,
O que vive morre por nós!
O que morre é útil para nós!
Vive a mente da nossa génese devastadora:
Noroeste, Norte, Nordeste…
E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!
Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!

Pinta a tua ferida com a tinta da nossa alma!
Ou sucumbe e torna-te em alimento para a alma da tempestade!

O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,
A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,
O que vive morre por nós!
O que morre é útil para nós!
Vive a mente da nossa génese devastadora:
Noroeste, Norte, Nordeste…
E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!
Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!

Letra de música criada para uma banda amadora portuguesa, intitulada de Northvein.
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Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
A alma da tempestade

Faúlhas

 
Sensações são faúlhas. Aparecem! Desaparecem!
Faúlhas mortais emergem para o absurdo privilégio do amanhecer,
mas nunca se opta para que emanem magia, beldade ou sabedoria.
Apenas saudade, melancolia, tristeza…
Prevalecem nos amenos devaneios e nos escaldantes convívios.
As sensações asseguram a força, a coragem e a auto-estima,
pois semeiam num lago de virtudes o despertar da miscelânea para
a sabedoria absoluta, o conhecimento extremo; a utopia dramática
em mares grotescos e fatídicos, nos quais elas brotam a essência de
uma penumbra à tétrica união, tenebrosa e temerosa, entre espectros
mórbidos; sacerdotes sarcásticos; cultos misteriosos de romantismo
gótico e de rituais de sangue e energia vital.
E as lápides… invocatórias, de risos e de lamúrias fúteis, abraçando
círculos de preponderâncias fugazes… as minhas faúlhas ambíguas!
Caricato e abstracto, louco até, mas as metodologias de disfarce emocional
não passam propriamente por um pragmatismo puro.
Um puro recreio de marés-cheias em colapsos naturais!

Autoria: Mosath
 
Faúlhas

Mini-ensaio sobre mamas ao léu

 
Estamos em pleno Verão, data que assinalo com um assunto o mais pertinente possível.
O calor nas rochas deixa um rasto de pensamento em crescendo e um clímax intuitivo que se arrasta. A paisagem é totalmente clara e por isso mesmo temos que perder um bloqueio moral, definitivamente, já antigo. Deitar por terra um detalhe enraizado, tradicional, da vida da espécie humana. Falo das mulheres taparem os seios na praia ou em locais de semelhante abrasamento, quando os homens não o fazem. Considero justo doravante passar-se a ver as mulheres com os seus peitos ao léu, digo, as suas mamas.

O peito humano é sinónimo de ternura, de aconchego e de salvação. Esta verdade tem séculos, através de imagens, de quadros, de testemunhos em livros, de ocorrências a poucos metros de distância, etc. Por conseguinte, se os homens se passeiam pela praia ou se lhes dá a opção de tirar a camisola por causa do calor, as mulheres também têm esse direito ou, simplesmente, essa opção. Se o vizinho vem regar as plantas do seu jardim em tronco nu e a pavonear-se todo, seria de nobre liberdade ver também a vizinha fazê-lo. E acredito que ela não se importaria de o fazer, dado o calor presente.

Não se trata aqui de uma parte genital nem tão-pouco pretendo colocar tudo no mesmo saco, mas sim a beleza e ternura de um peito humano que são questões que todos deverão entender e respeitar, não obstante, as mulheres sentir-se-iam mais frescas, com um melhor bronzeado e soltas na praia. Não é por elas próprias que, principalmente, não praticam topless, mas antes pela opinião contrária dos companheiros, pela carga de pudor social, da repressão fria, do jogo das moralidades, do incómodo dos mirones, dos parvos sem emenda e das pessoas pequenas em atitude e auto-estima.

Os homens andam pelas praias em tronco nu, logo são observados por qualquer pessoa. Haverá quem goste do que vê, de uns troncos nus, haverá quem goste de outros e haverá ainda quem não goste de nenhuns. Se as mulheres andarem pelas praias de igual forma, as reacções serão deste género, com certeza. Passar à fase das mulheres fazerem topless com liberdade, com o sentimento de um bem adquirido e respeito geral competirá, logicamente, a elas, não significando que esta explanação contribuirá para banalizar a parte do corpo em questão, mas antes para reforçar a sua beleza, a sua essência natural e integridade. Sejamos unos e honestos: um soutien ficará mal num homem, partindo a uma alternativa à questão, portanto despe-se o soutien à mulher, que ela bem gosta, e fica-se com um quadro de virtude com a Natureza.

É de tradição popular dizer-se que quem não está bem, põe-se ou muda-se. É já isto que faço, ou seja, eu simplesmente não frequento muito as praias para não visualizar abrupta e gratuitamente apenas corpos masculinos nesse detalhe de aceitação social de um tronco nu exposto. Quando os corpos femininos andarem em topless numa questão natural e aceitação social e enquanto aspecto da espécie humana de uma parte que irradia graça e carinho maternal, nesse momento passarei a frequentar mais vezes as praias, simplesmente por pressentir que estou num meio igualitário, libertino, de bem com tudo, hedonista e bonito, sejam quais forem as quantidades disto. Não quero referenciar o nudismo por completo, mas sim um equilíbrio justo do Homem que é um naturista.

Finalizando, deveras, quando um homem vai fazer depilação com cera quente, sente dor e puxões nos mamilos, os quais até podem ficar muito feridos, aquando de um mau serviço, deveras…
Assim sendo, não venham com a desculpa de que as mamocas boas de uma mulher são uma coisa diferente dos mamilos de um homem, pois a sensibilidade é equiparável, veio do mesmo armário e vai para o mesmo horizonte, que é o de poderem ser chupados.

Autoria: Mosath
Direitos reservados©
 
Mini-ensaio sobre mamas ao léu

Pietá até ao seu enlevo

 
Os olhares fáceis de quem é uma estátua a uma só voz,
As raízes por detrás, ela em relevo, com ele pelo ventre,
Numa noite amarelecida por algum axioma em, os delatores, vós,
Certos seus abraços, certos seus revirar de olhos, e sua cerimonial memória que entre…

Sua forma triangular, absorve a graça de uma dor de procriadora,
A segurar dentro das suas vestes um filho morto, recta ida,
Aplanam-se à idealista trajectória de um dia puro que se fora,
Os passos no seu coração morto, escultura varonil e sem vida…

Esculpida em mãos renascentistas, seu enlevo feminino,
Tenta chegar à sua mais espiritual face de carne, num fogo de reinado europeu,
No seu seio, sensação de formigante prazer pela espinha aberta, morre o filho divino,
Um leite rochoso, barulhos doces em que tudo apareceu…

O artístico corpóreo não é mármore, nem vidro, nem argila,
É figura a mascar o ascender da existência num soberano fado,
A lei do forte personagem esculpido, dupla ideia sob unida fila,
E um morto e um enlevado…

Pelas curvas, geometrias, astronomias e matemáticas, da face de Pietá,
Descobre-se quem é pervertidamente fundo,
A piedade que perdura, com o morto ao seu joelho, riso lhe dá,
Nunca a estátua se olhará, pensando que ali está a dor acesa no mundo…

Olha-se e descobre-se o enlevo que descarrega seu todo, na Virgem, na junção,
Das nuvens que se soltam pelo corpo da permeabilidade,
E então líquidos aprazíveis são as fendas da sua composição,
Fendas em enlevo, à composição dividida, a piedade, Senhores, piedade…

É uma fotografia tirada, no segundo em que um sino da Igreja mais alta,
No segundo da soma de ruínas marcantes,
Faz ouvir-se, inconscientemente, sob volumes pretos que lhe falta,
Pietá arreganha os dentes brancos na expectativa de ataques delirantes…

Pietá, virgem e sedutoramente pálida, com a falecida respiração a seu colo,
Aguarda uma chuva de carinho, melada e de fruta,
Para desfazer a sujidade dos poros e verificar a humidade do seu ornamentado solo,
Os seus ossos são banquetes reais, Reis são as palavras pelas quais a fotografia luta…

No meio da terra morta, da profundidade e largura para tapar o morto que a talha,
Pietá é a consorte da desgraça, sorte da estátua vetusta, dos delírios,
Se não chorámos, quando a vemos, é porque não calha,
O seu enlevo só chega na solidão, perto das larvas frias dos lírios…

Não seremos dignos de assistir ao divino espasmo, mesmo com a fotográfica voz,
Não teríamos piedade e voltaríamos pedra e mineral esculpidos para dentro de nós.
Pietá só ainda começou o seu assalto ao prazer, enlevo sem piedade, enlevo com Pietá!

Toc-toc, toc-toc… perdendo tempo em admiração que alguém nos dá,
Pum-pum, pum-pum… saltando de hora em hora em paisagem mística,
As suas saias épicas de exploração foram levantadas, aos poucos, pela margem artística…

Se há tardes fixas, em que qualquer coisa de incrível pode acontecer, então tal será já,
Pietá só ainda começou o seu assalto ao prazer, enlevo sem piedade, enlevo com Pietá!

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Pietá até ao seu enlevo

Crónicas I e II (em movimento...)

 
- Ui, que barulho!
- O quê?
- Para que é que se fazem filhos?
- Porquê?
- Dão dores de cabeça.
- Hum...
- Separaram-se e têm uma filha. Porque é que se casaram?
- Pois...
- Estupidez!
- Não faz mal. Ouves este barulho apenas por meia hora...
- Maravilha!

Um dia, tinha uma prenda a dar-lhe: um skate novo. Apesar de não saber seque equilibrar-se num, ela tinha em casa um armário repleto deles. Mais um skate não seria novidade, mas não deixaria de ser engraçado.
O modo de ver alguém a andar com um skate debaixo do braço irritava possivelmente...
Quando era ela a fazê-lo, soltava risadas: parecia mesmo um peru a ostentar um casaco de peles. Porém, antes essas figurinhas do que discutir por minutos seguidos com alguém por um lugar sujo de comboio.

Sou um bolso de trás das calças que eu vi,
Um fecho e bolso.

Descose-me da ganga fria,
Cose-me no interior de ti,
Na temperatura da tua carne
E faz de mim,
Um bolso de sangue,
Fecho e bolso.

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Crónicas I e II (em movimento...)

Mais olhares de Mr. Greeny

 
Esta tarde fitei um casal heterossexual de meia-idade. O homem, barbudo, sem casaco para o frio e com barriga de grávida, estava bastante amuado. O silêncio estampado no rosto da mulher dava a perceber quem é que mandava naquele sagrado matrimónio, o silêncio autoritário. O homem estava proibido de sair com os amigos à noite. A filha fazia anos. Achei graça ao homem por passar pela sua cabeça a ideia de que algum dia fora o líder da prole, não, a mulher é a líder natural, a quem as coisas chegam e vão.
Noutro lado do espelho daquela cena, recordei, realmente, que a Mulher sofre imenso. Cozinhar, lavar os pratos, tratar da roupa e tomar conta da criançada. E, ainda por cima, após todas estas lidas, ao deitar, ser enrabada pelo companheiro amuado. Maldita sina.
O que me vale é que as minhas próprias companheiras lidam com menos tarefas e abrem bem as bochechas dos seus traseiros.

Autoria: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Mais olhares de Mr. Greeny

"Devora-me"

 
Nós nas nossas mesas barulhentas,
Eles cortejando copos vertidos,
Vós penteando peles ferrugentas,
Tu e eu com delírios perdidos.

Todas as manias e tantas as portas,
E aquilo que mais importa é vencer,
Vamos esquecendo raízes e horas mortas,
Não nos apressa à atenção vós estares a gemer.

Tu continuas a olhar o fundo do rio,
Ele não larga o promíscuo humor,
Ela deseja destapar o mundo e com um fio
Eu interligo fluidos no buraco do amor!

Por onde sai é por onde entra,
Muitos dias nada queremos,
Muitas horas jogamos às cartas,
Por aqui, despimo-nos de roupa, por aqui, amamentamo-nos em vazios…

Vamos penetrar a língua em doces,
Doces cozinhados na febril madrugada,
Já assumimos um trono do elitismo assediado,
Na terra de porcos de focinho enfeitado.

Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
"Devora-me"

Elos ao Silêncio

 
Já não consigo abrir-me. Em mim não há fortalecimento; a vida? Os meus braços são pénis sem gestos, pois o silêncio desligou-mos e,
por eu não ter o alimento, destroça-me. É de noite uma noite que, e o silêncio; cola-me; a morte?
Divulga um volumoso disfarce de obstrução e, ali o silêncio, a tudo pode federar-se, – um abuso! -, e a tudo recordar-se-ia! Com rapidez avulta-se,
aí sopra em frente a sua absorvente nudez e pode tornar-se num azar ou num
dom – a sedução! -, que muito contraria!
A noite canta sombras de gelo e ausências bem cantadas, por serem vaginas
cavas os meus ouvidos, caso-me na depressão, com as baladas da quietude. Bestas acordadas e cáusticas aves pululam-se na imensidão próxima – feiura! -, e eu sufoco ao baloiçar com umas nuvens – beleza! -, para me chover, divorcio-me lá praticamente, em crer; as coisas mortais são como são sem terem de ser, frugal injustiça é somente a desafinação por estas noites; mas é igualmente gracioso!
Basta examinar todo o chistoso mundo, tudo!, e eu estou, sem muito estímulo, acordado e há quem esteja, com muita animação, dormindo.
As personagens para a escrita expõem-se, presentemente, menos ocupadas do que eu, mas, faustosamente, aquilo que escrevo – consigo e a escrever escrevo – no papel é para… esconder a erudição e os prazeres, pois que aqui estou, ao falar comigo próprio sem ruído, se a minha voz falhar… o meu cérebro entretém-se sozinho, em silêncio…, …

Texto que faz parte do meu livro Eviscerar Mistérios

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Autor: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Elos ao Silêncio

Crónicas III (em movimento...)

 
Estou cansado.
Vi uma mulher feia,
Fazia acompanhar-se por três crianças,
Seriam os seus filhos?

Divorciada, feia, a mulher ia ao telemóvel,
Combinava noite de sexo duro,
Tratava-se do quarto amante casado daquela semana,
Estou cansado.

Vi muita gente arranjada e apressada, de veias salientes,
Haverá alguém a olhar para mim?
O momento que podia alterar tudo talvez estivesse ao meu lado
E eu ali tão cansado...

Autoria: Mosath
Direitos reservados©
 
Crónicas III (em movimento...)

Olhares de Mr. Greeny

 
Está quase a chover.
Não! Já começou a chover.
Sentei-me numa mesa octogonal de um café. O estilo do café é daqueles italianos, mais concretamente romanos. Apesar de pequeno em área, este café alberga muitos clientes de nacionalidades e credos vários, é um local de encontros, é um café grande em diversidades, mas não tão grande a ponto de albergar italianos.
A ironia. Pouco importa. Desta forma, não ouço aquele idioma irritante e lírico, o qual é capaz de estragar até a tesão mais forte pela rapsódia dos peitos de uma bela italiana.

Autoria: Mosath
Todos os direitos reservados©
 
Olhares de Mr. Greeny