Poemas, frases e mensagens de Vilians3

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Vilians3

São só palavras

 
Fôssemos nós seres alados

e levar-te-ia ao sol para fazermos

na sua cauda,

a nossa casa...

Da varanda,

verias o mundo e isso,

sei que irias gostar!

Mas não te vou iludir

Não o farei...Não posso.

O amor não transforma alguém naquilo que não é.

Vou deixar-te só palavras.

Sinceras.

É matéria enganadora,

dirás,

ou talvez as guardes como coisa secreta

na bolsa dos assuntos do coração.

Não faz mal.

Quando formos pó de estrelas

quem as ler saberá

que no nosso tempo

vivemos um grande amor.
 
São só palavras

Na noite

 
Chegada a noite acalmam-se,
aos poucos
os bulícios humanos.

Em pano de fundo cresce
um outro som
em surdina...
Não faz mal,
é outro mundo que mexe
no ciclo da vida contínua.

Vem a calma repentina
e aquietados todos
dormem na terra tranquila!

De um silêncio profundo
nasce um súbito grito
é o poema que chora
por não ter sido,
ainda,
escrito.
 
Na noite

ACORDAR

 
Encontro sempre ao acordar
um suave odor refrescante no ar!
Respiro apenas uma vez
e em cada dia presto homenagem
primeiro
Aos mortos, por lhes devermos tudo
quem somos, onde estamos
e os caminhos que escolhermos percorrer.
 
ACORDAR

O MEDO

 
Não fujas
Não tenhas medo
não te afastes mais de mim
porque o que dou
dou em segredo
e não há razão para temer
quem ama
e nada quer para si.
Muito vejo do teu sofrer
mas não fujas nem me receies
se me aproximar de ti
que o amor dentro de mim
não merece uma coisa assim...
 
O MEDO

A VITÓRIA

 
A meu preceito condeno
Toda e qualquer sujeição
A alguma espécie de ideia
Que não provenha
Originalmente
De mim.

Após longa ponderação
Cálculo e maturação
Atingi a conclusão
Simplesmente
Assim.

Desde logo proclamo
Que agora começa e acaba
Toda a memória alcançada
Exclusivamente
Por mim.

Decido em consciência
sem conselho nem paciência
Não havendo voto nem veto
maioritariamente
ganhei.
 
A VITÓRIA

Sexta-feira à tarde

 
Chega o final do dia

uma doce melancolia

apodera-se dos corpos

cansados pela semana de trabalho.

Ardem de desejos os namorados

e antecipam a noite de prazer.
O reencontro.

Chega-se a casa
quem tem casa.
Os outros,
deixam-se estar.
 
Sexta-feira à tarde

O CHAMAMENTO

 
Aproxima-te, estranho
não és tu feito da mesma matéria que eu?
Não és tu a mesma coisa que eu?
Não verás tu o mesmo que eu não vejo?
Aproxima-te e sente-me
Enquanto eu for quem sou
tu nunca serás estranho para mim.
 
 O CHAMAMENTO

Dependurado de um fio

 
Nada de genialidades
ou preciosismos chochos
quando é imperativa a sobrevivência.

Por muito que nada aconteça
lá chega o dia em que,
esgotada a paciência,
tudo cai no lugar comum.

Na teia da falência,
espera, pacientemente,
a aranha que nos há-de engolir.
 
Dependurado de um fio

LAMENTO

 
Lamento

Aquele estado semi-hipnótico em que um dia
Me vi de fora do meu corpo e vi,
Tal e qual como era, mal vestida e despenteada,
Desnorteada pela falta de não ter acordado mais cedo,
Logo naquele dia entre outros
Em que a vida só, aparentemente,
teria recomeçado, se parasse...
Talvez me tivesse vestido melhor,
Apropriadamente, para a ocasião,
num dia apenas, após um outro
Enfileirado entre tantos,
É que lamento ter sido espectadora,
e ter ficado, parada, a ver a vida passar
entre bipes e a gota certeira da garrafa de soro
mecânicamente, a pingar.
E eu a ouvir do meu lugar.
Fútil ficção do terror
Em que a realidade visível,
Ultrapassa, cruamente,
aquilo que pretende representar.
Ao canto chegam ecos de lamentos,
Palavras soltas em múrmúrios
Roucos por baterem em muros
Ressoam de novo, cada vez mais!
Fortes ganas de tapar, calar, atar,
Aquele tambor aflitivo que, impiedosamente,
destrói-me a vida, a escrita e o juízo,
e aqui fico, sempre à espera de acordar.
 
LAMENTO

Já agora

 
Há palavras para o passado,
o presente e o futuro
Manias de outros tempos
Ao começar o mundo.

Basta.
Há regras actualizadas.
Coisas novas são inventados ao minuto
e já vêem com as palavras impostas
pelas necessidades do produto.

Há golfadas de novidades
em cada segundo que passa
numa gestação muito rápida
indolor e assexuada.

Usar e deitar fora
aceitar o inadiável.
abreviar o inevitável
reciclar o descartável.

Abaixo os conservantes
E os delírios diletantes.
Não esperar que amadureça
nem que a comida arrefeça.

Chega de divagar.
Não é preciso pensar
Há muita coisa a fazer
e não há tempo a perder.
 
Já agora

Coisas

 
Há palavras certas para cada coisa
que pode ser certa ou incerta
mas para poder ser qualquer coisa
tem que sê-lo com palavras.

Há palavras sem coisas
mas não há coisas sem palavras.
Há palavras que não são coisas
e há coisas que não são palavras.

Há coisas que são só palavras
e sem elas deixam de existir.

Há coisas que não são coisas
e não há palavras para as definir.
 
Coisas

O ESPELHO

 
Preciso muito de relembrar
Não esquecer
e manter presente
um passado próximo,
muito vivo ainda no meu coração.
Move-me a vontade de aprender,
perseguir tudo aquilo que
teimosamente,
insiste em me fugir,escapar
nas águas turvas da memória.
Não vou cair
desta ponte estreita nesse rio tortuoso!
Vou sim esperar
que nas águas calmas,
a minha imagem surga nítida
como num espelho antigo
emoldurado e pendurado
na saleta do piano,
onde tu tocavas à noite
para eu não chorar.
 
O ESPELHO

A LINHA

 
Olho o horizonte,
vejo
uma linha descontínua
no decalque da paisagem
sempre à hora vespertina.

Breve virá a noite
SOSSEGAR
os agitados ânimos!

Eu,
ainda observo e vejo
essa linha tão só minha...
 
A LINHA

Eu quero

 
Correr por caminhos sem os conhecer
Ver no céu as nuvens a brincar
Saltar nas poças depois de chover
Fazer castelos de areia à beira-mar
e ser feliz sem o saber!
 
Eu quero

O terror

 
Era agradável que estas palavras se ordenassem de forma interessante e assertiva, sem, necessariamente, mostrarem um pendor de qualquer tipo. Apenas palavras livres, soltas pela alma ou por qualquer outra força interior. Sem a minha contribuição consciente ou produtiva. Porque, hoje, não estou bem.

Mergulhei na tristeza de pertencer a esta raça. Raça que mata o seu irmão, assim, como é conhecido e divulgado.

Nojo. Vergonha. Dor. Ferem-me as lágrimas das mães, dos pais, dos irmãos, dos avós que talvez não resistam ao golpe. A morte geradora de mais morte.

A imprevisibilidade da vida não pode ser moeda de troca.

Escolher o terror para dominar o mundo, é apenas cobardia.

E crime.
 
O terror

A DOR

 
Por cada dia que passa
desde que morreste,
mãe
que espero o alívio desta dor.
Mas o alívio não vem.
Não é na carne,
por algum golpe de faca,
não é ferida purulenta
nem doença perigosa...
Não se vê
só se sente.
É pior do que a de um filho a nascer
porque desta dor
nada cresce
só morre.
Morro eu um pouco mais
em cada dia que passa,
por não estar contigo,
mãe.
E isso dói-me.
 
A DOR

O FUTURO

 
Assolado por ondas de memórias
recolho à concha rude e ao colete
ressaca de um passado rico em histórias
na tristeza de um presente de demente.

Fujo para o deserto,
lugar seguro em que a sede acabará por me matar.
Esperar ao sol
parece-me bom futuro
já que é incerta a hora de acabar.
 
O FUTURO

Na feira

 
Numa tarde solarenga e calorenta, desloquei-me, pessoalmente, à Feira do livro.
Enfileirei-me por lá, atrás de gente de toda a espécie, heterosexuais pais e avós atarefados com carrinhos de bebés chorões, casais de homosexuais masculinos e femininos, orgulhosos das liberdades recém-adquiridas, pares de namorados ocupados em namorar, grupos de pessoas idosas contentes por terem companhia durante algumas horas e alguns, poucos, jovens carregados com mochilas semi-vazias, agarrados a telemóveis com mil e uma funcionalidades, soltando gargalhadas sonoras e despropositadas.
Circulava-se em todos os sentidos numa procissão caótica e contemplavam-se os pavilhões repletos de livros com desinteresse e com a sobranceria de quem foi ali para lanchar.
Sem cartões de crédito e sem dinheiro nos bolsos, o meu olhar vagueava, displicente, pelas capas de alguns volumes mais ou menos interessantes, adiando, uma vez mais, a altura favorável para os comprar.
Eis senão quando o meu olhar já estonteado pela confusão deparou com o "Escritor", a figura viva mais conceituada desta nossa praça literária. Sentado a uma mesa, caneta na mão e chapéu de sol escancarado, ali estava, tão perto, mesmo ao alcance da minha voz, se eu quisesse, bastar-me-ia chamá-lo... Procurei uma sombra favorável e dediquei-me à comtemplação.
Perto dele, alinhavam-se dezenas de pessoas díspares que cumpriam aquele ritual mágico de pedir um autógrafo no livro recém adquirido, para si ou para algum familiar, símbolo máximo de estoicismo e paradigma do fazer bem, de ser um leitor competente que até sabe quem é o escritor e lá vai lendo a já extensa obra.
Uma melancolia súbita envolveu-me da cabeça aos pés. Um arrepio de repugnância solidificou-se em mim. Não sei se foi a atitude gananciosa dos fãs ali especados como numa linha de montagem, ou se foi o olhar triste e sofrido do "Escritor", bobo contratado pela indústria livreira, assoberbado em cumprir o seu papel de "Lenda viva da Literatura Portuguesa".
Entristeceram-me as rugas de cansaço em volta dos seus olhos azuis. Senti a solidão. Compreendi a necessidade de fugir, de acabar com aquele penoso sorriso de circunstância a todos os presentes desconhecidos e extensível até aos ausentes também. Vi, distintamente, as barras da gaiola dourada em que a sua própria escrita o enclausurou. Lamentei-o profundamente e afastei-me por não o poder salvar.
 
Na feira

OITO

 
Oito vezes fui ao cais
esperar-te,
ansiando o teu regresso.

Oito vezes, até mais
pois só à décima me devolveram o teu corpo.



Vinhas de gesso vestido

os lábios, de carmesim pintados

os cabelos negros enrolados

e as mãos roxas sobre o peito,

em cruzeta.



Oito vezes quis morrer,

talvez mais, não o sei.

À décima, me quedei

e as oito lágrimas que deitei

guardei-as numa gaveta.


Ao cais, não mais voltei.
 
OITO

É ler

 
Ler palavras escritas
estranha forma de ser.
É querer medir o mar
só com uma colher.

Missão árdua,espinhosa
não há outra pior
que amar a poesia
mais que a própria dor.
 
É ler

Incipit...