Poemas, frases e mensagens de DulceGomes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de DulceGomes

QUANDO O MEDO VIER...

 
Quando o medo vier...
Altiva o olhar, num sereno face-a-face
Mantém o porte, recusando vassalagem
Que se neguem teus braços a um qualquer enlace
Deixa que se vá, cedendo-lhe a passagem...

Quando o medo vier...
Que não espere de ti suprema rendição
Nem o fortaleças dando-lhe protagonismo
Que não te absorva a sua escuridão
Nem tombes nas sombras do seu abismo.

Não chores sobre as trevas dos seus escombros
Sacode a cinza pesada dos ombros
Faz-te guerreira, empunhando a espada.

Fere-o de morte com investidas de glória
resplandecente de luz, gritarás vitória
E do medo restará, apenas nada.[color=330066
 
QUANDO O MEDO VIER...

SILÊNCIOS

 
Eu, Silêncio profundo
Mar onde mergulho sem temor.
Sustento da minha alma que lateja em remoinho
ninho onde me aninho, num misto de alegria e dor...
Afloram sentimentos que se apossam de mim
extravasando como rios de frases teimosas,
percorrendo meu leito, fervilham em frenesim
e desaguam em minhas mãos que esperam, ciosas.
Este é o meu mundo, onde o Silêncio impera!
Mas não estou só!
Este Silêncio és Tu, Jesus, é a Tua voz
metamorfoseada em gritos mudos
que escuto e ouso escrever.
Este silêncio é a Tua palavra
Que da minha boca não lavra
por não A saber enaltecer...
Este silêncio...
É a fusão entre escuta/escrita
Entre a Tua voz e a minha mão.
Este Silêncio que só acontece ,
quando a minha alma grita
o que escreves no meu coração.

Dulce Gomes
 
SILÊNCIOS

AUSÊNCIAS

 
Abraço as ausências sem protecção.
Enlaço-as.
E num desarrumo
Revolvo tudo o que guardei.
Passo a memória pelos rostos esbatidos
Se os disser esquecidos
Mentirei...
Torna-se inglória
Cada etapa que julgo vencida
Quando penso chegar a um final
Espera-me sempre
Mais um ponto de partida...
São cheiros e lugares
São frases, sorrisos, abraços
São sombras bailando num passado
Do qual não me desfaço
E que a saudade aviva.
Abre-se de novo a ferida que o tempo não sarou
Volta ao coração a presença
Que num lamento
Diz à distância o que não apagou...
São laços onde me atei e ainda ato
Deles não me desato
Porque nem sei se me quero soltar
E apesar da lágrima caída
Volto às ausências da minha vida
Porque ainda as sei amar...
 
AUSÊNCIAS

CONTROVÉRSIA

 
Sobra-me o tempo.
Falta-me o espaço.
E por mais que diga
Que faço
Algo sempre me obriga
a ceder.
Não digo o que meu coração quer
nem faço o que queria fazer…
Assim…
E apesar de dizer basta,
meu corpo sempre se arrasta
à obrigação de a ti me prender…
E desta maneira nefasta
há um grito abafado
um sentimento de derrota
que deixa meu corpo cansado
mas escondo e mal se nota…
Mas a verdade
É que morro de saudade
se não tenho o teu abraço
o tempo… esse não passa.
e a vida não tem graça
se não estás no meu espaço…
Dulce Gomes
 
CONTROVÉRSIA

NOITES...

 
Lá, onde se prendem as estrelas
Repousa o meu olhar.
Sigo o fio longínquo que me separa
Deste universo transparente
De sombras e luar...
Perco-me na imensidão.
De corpo ausente e alma alheia
Esfumaço os pensamentos
Que se alvoraçam como areia açoitada
Aos quatro ventos...
Quantos silêncios camuflados
Guarda a noite em seus segredos?
Fiel confidente
Onde mantém guardados
Os sonhos, as decepções, os medos
Que se amontoaram nos tempos?
Quantas vezes refúgio
Único albergue
Onde me desnudo da nostalgia
Tecto de luz onde me encosto
E enclausuro
E neste porto seguro
Fico até que a noite se faça dia…
 
NOITES...

RENDIÇÃO

 
O meu mundo...
é feito de páginas amarfanhadas pela rendição
Tão amachucadas como os anseios
Sonhos e desejos
Escritos pela minha mão...
São como velas em riste
Onde me aventuro a esperar
O toque do vento que insiste
Em não me querer manobrar...
Mas eu quero!
E neste tanto querer
Hasteio a bandeira da esperança
Num agitar quase dolente
E ainda que o meu barco não ande
A minha alma sente-se guiada
E empurrada, segue em frente...
 
RENDIÇÃO

QUE NÃO SE VÁ...

 
Que não se calem os silêncios que me falam
Em palavras sonantes que não digo
Onde as minhas mãos predestinadas, embalam
Traindo os segredos que trago comigo.

Que não se vá esta força luzente
Que me despe das vestes onde me escondo
E pondo a nu, o que não olho de frente
Me expõe a verdade sobre a qual, tombo.

Que não se extinga a penumbra da noite
Nem a lua, as estrelas, no céu gravadas.
Nem o deslizar das nuvens que num açoite
Enchem a minha noite de cores ensolaradas.

Que não se perca em mim por mais que doa
O saber abraçar tudo o que magoa
Ou a capacidade de verter uma lágrima contida.

Que não se perca em mim a vontade de sorrir
De olhar o sol, de amar, ou apenar ir
À luta, em todas as curvas da vida.
 
QUE NÃO SE VÁ...

EM BUSCA DE TI...

 
Em busca de ti…
Palmilhei vales e montes,
Bebi de várias fontes,
Dei-me e recebi.
Em busca de ti…
Encetei novos passos,
Atei-me em novos laços
Quantos caminhos percorri.
Em busca de ti…
Contemplei o infinito
Ensaiei um novo grito
Procurei no horizonte.
Em busca de ti…
Fui ao fundo do mar
E na esperança de te encontrar
Subi ao mais alto monte.
Em busca de ti…
O mundo calcorreei
Mas não te encontrei, tampouco te vi.
Desalentada
Resolvi silenciar…
Quem sabe se calada não te ouviria aproximar…
Que miserável ousadia, ousar que viesses a mim…Como foi que ousei, querer que me aceitasses assim…
Frágil e imperfeita
Imatura e insatisfeita
De coração indistinto…
De pensamentos inquietantes
Passos vacilantes como presa em labirinto…
Foi então que percebi o motivo da inquietação. Eras tu revolvendo as profundezas do meu coração.
Que se manteve fechado e indisponível para ti
Tu bateste e não entraste porque eu não o abri…
Meus olhos velados não te viram
Meus ouvidos tapados não te ouviram.
Estava cega, não te vi…
Mas tu, Jesus, estiveste sempre aqui!
 
EM BUSCA DE TI...

SOU RIO...

 
Sou rio que corre fluído
Abraço a margem,
Sigo viagem num só sentido…
Mas temo a enxurrada
Que me polui e me trava.
Com sedimentos poluídos
eu não progrido…
Fico parada.
Neste travão
que me leva ao limite,
à exaustão…
Sou ribeira estagnada
a definhar…
Esperando que breve
se eleve o meu caudal…
E meu leito
Embalado num vento a seu jeito
Corra livre e leve…
E que possa por fim…
Amarar…
Sentir o sabor do sal
E fundir-se com o mar…
 
SOU RIO...

RAZÕES

 
RAZÕES

Hoje não vou deixar impune

As razões que me doem

Vou enfrenta-las de alma afiada

Com as armas das minhas mãos

E deixar que a ponta dos meus dedos

Sejam lâminas contundentes

Fragmentando sem piedade

Todas as razões da minha razão...
 
RAZÕES

LUZ DE OUTONO

 
Esconde-se o sol preguiçoso
num apático sono.
É outono!
Envolvo-me nesta melancolia e
saio de mim.
Deixo-me trautear pela melodia que escuto...
Levito à mercê do que sinto
e entro neste labirinto, de silêncio absoluto.
Quem me lê ou vê que pensará?
Louca? Utópica? Que importa o que serei?
Sinto-me andorinha
buscando a luz e a vida em nova paragem...
Tal como ela sigo as coordenadas, os traços no céu
ambas partimos com destino e sem bagagem...
Eu, carrego apenas a luz que Deus me deu,
trago-a nas mãos (minhas asas).
Com elas vou tão além que
quase toco o infinito.
Não! O mundo não me retém
não permito que tal aconteça.
Se um dia calarem meu grito
que antes, eu pereça...
Continuo em debandada
e como andorinha
sou do mundo, emigrada...

Dulce Gomes
 
LUZ DE OUTONO

PELA TUA MÃO

 
Pela tua mão,
Continuo firme e confiante.
Sorvo cada instante, como um sopro de vida.
Sou alma incontida
Que te segue cegamente, serena e mansa
Plena de confiança em ti, Virgem Mãe.
E ainda que sinta dor…
Mãe eu te entrego:
Meus pés torturados pelo caminho
Meus olhos molhados de emoção.
Meu coração cravado de espinhos
Uns são meus, outros não!
Entrego-te:
O que não evito
As provações que não ultrapasso.
Entrego tudo o que omito
Para seguir ao teu compasso.
Sei que entendes cada falha.
Teu amor é acendalha
Que põe fogo no meu peito,
Por isso continuo, confio e não recuo.
Tua mão se estendeu…
E eu, disse:
“Sim aceito!”
 
PELA TUA MÃO

PALAVRAS

 
Senhor peço-Te silêncio…
Perdoa-me a contradição, pois pedi tantas vezes o dom da expressão…
Pedi uma boca sem bloqueio, nem receio, que se soubesse expressar…
Mas hoje Senhor, peço-Te o dom de saber calar…
Cala-me do fútil, do inútil, do intolerante.
Do arremesso, da falta de senso,do discurso arrogante…
Cala-me do jeito mordaz que nem sempre é capaz de ter um bom efeito…
De frases sem raciocínio que levem ao declínio do que eu sinto no peito…
Rejeito a palavra pretensiosa que de acutilante faz doer, rejeito ser voz que dói, porque me mói e sofro por ver sofrer…E me faz arrepender…
Abstenho-me da opinião como juízo de valor, quem sou eu para julgar? Sou apenas pecador...
Por isso Te peço, Senhor…
dá-me o dom de saber calar…
Que falem meus olhos num olhar terno…
Meus ouvidos escutem com submissão
Minha mão se estenda num gesto fraterno,
mas minha boca se abra com contenção…
 
PALAVRAS

IMÓVEL...

 
Imóvel, vagueio
pelas pedras repisadas do meu caminho
recorto os pensamentos
entre os dias felizes e os mais cinzentos
revejo cada espinho...
Estupidamente...
Detenho-me sempre no que me dói.
Numa atitude quase masoquista
a minha mente traí o meu querer
e numa ousadia de conquista
calca sempre onde me faz mais doer...
Cada cicatriz mal sarada que à força tento ignorar
não abre de novo por um triz
porque não me deixo avançar.
Respiro fundo
Abro os olhos para o mundo
numa tentativa de me acordar...
Já desperta,
Inalo o perfume da vida
consentindo que me pinte de mil cores
lentamente adormeço as minhas dores
E renasço em cada ferida...
Invade-me a estranha certeza
De que uma luz de rara beleza
Se esgueira,
incidindo neste breu
Fazendo de mim alguém mais forte
Vislumbro de novo o meu norte
E sei melhor quem sou eu.[/b][/color]
 
IMÓVEL...

MAR DE AMOR

 
Vestes-Te de mar azul radioso
Para poder chegar de mansinho aos meus pés
Em ondas de amor, manso e glorioso
Sopras-me bonança na mutação das marés

Curvo-me na areia e o sabor a sal
Afaga meu rosto amassado no tempo
Como onda planando numa entrega total
Corro como rio na crista do Teu vento

Sou gota minúscula e sem expressão
Sou mísera partícula pairando na vastidão
Deste mar de amor em que navego

Porém, no Teu mar sinto que sou tanto
Ainda que frágil, tudo suplanto
Tão pouco sou, mas tudo Te entrego.

Dulce Gomes
 
MAR DE AMOR

RETALHOS

 
Olhei o espelho sem fitá-lo bem.
Alguém se assomou…era ninguém.
Só me vi a mim e o reflexo do que sou.
Olhei-me de revés…depois de frente… pergunto:
Porque através dele me vejo tão diferente?
Em pose quase cruel, espelha as marcas da minha pele…
Perante meu olhar marcado quase que canta vitória
Esquece que o que reflecte são vivos pedaços da minha história…
Retalhos de vivências em que me envolvi e envolvo
as boas ficam, as outras dissolvo, mas fico mais forte para começar de novo.
Cada nova ruga ou cabelo prateado é uma lágrima que enxuga meu rosto molhado.
Então, escusas de me julgar com desdém,
meu corpo tem limites que minha alma não tem…
Acusa os sinais do tempo que não quero fintar,
não sinto desalento nem me magoa cá dentro
porque estou onde e como quero estar.
Assim o que vês não condiz, porque apesar de fatigado,meu coração renovado, é mais feliz…
Sabe melhor amar!
 
RETALHOS

DISCRETO LAMENTO

 
Passos firmes num caminhar discreto
Peito recalcado de camufladas emoções
entendem-se numa comunhão,
como que em dialecto,
tudo o que vai em cada um
dos seus corações…
Em conivente cumplicidade,
o sol já de partida.
Saem lamentos com a naturalidade,
de quem sabe que esta amizade
não tem muralha, porta nem chave
e é nessa verdade
que soltam retalhos de vida…
Fecham-se em círculo de mãos unidas
Salgando a areia entre abraços
Sabem que a primazia da maré cheia
Levará ao fundo as dores contidas
e no regresso, seus pés são plumas
que avançam em firmes passos…[color=000099][b]

Dulce Gomes
 
DISCRETO LAMENTO

Rasto

 
Procuro no meu rasto
O que a memória desbotou
E das marcas circunscritas dos meus passos
Restam pedaços que o tempo não levou.
 
Peço-lhes que me falem de mim
Sem qualquer pudor ou cuidado
Desbravando do principio ao fim
Cada pedacinho por mais fragmentado
 
E contam-me de passos, firmes e incertos
Tropeços, espinhos, travessias, desertos
Que se visto apenas à luz da razão…
 
Ter-se-iam perdido como palha ao vento
Deles, não sobraria nenhum fragmento
Para contar porque piso o Teu precioso chão
 
Rasto

DESERTO

 
Teus pés pisam terra árida
sem vida
Tua boca acusa a sede e o cansaço
Sentes teus passos em vão.
Nada se te apresenta
Na mão nada tens
Ao longe nada avistas
No chão nada vês
Mas eu peço que não desistas
Apenas te pergunto:
-Porque não crês?...
Sei que árido não é
O teu coração…
 
DESERTO

DÁDIVAS DE LUZ DIVINA

 
Palavras que chegam sem contexto
Raios de luz vindos do céu
Lufadas de um ar puro e fresco
Colhidas, como dádivas de Deus.

Calor que amorna as madrugadas
brisa suave em noites sombrias
rios de cor, tintas derramadas
que enchem de vida páginas vazias.

Chave universal abrindo prisões
serrando as grades da alma que chora
realidade/certeza, sonhos/convicções
que solta a verdade e o resto ignora.

Esperança ténue que chega num sopro
arrefece o desalento em dias de dor
corrente contrária ao mundo tão louco
guarida/ descanso aos pés do Criador.

Asas disformes que no entanto
voando sem rédeas e em desalinho
tomam forma...calando o pranto...

Retalhos de tudo o que o dia apaga.
Se não tatuado em pergaminho
Resta esperar que a noite traga...

Dulce Gomes
 
DÁDIVAS DE LUZ DIVINA