Poemas, frases e mensagens de anakosby

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de anakosby

Eu? Eu sou uma alma poética, daquelas que enxergam universos em grãos de areia, que acreditam que as sereias são as primas da baleias, das que vêem que estamos ligados em uma humana teia e que tem letras amarradas nas hemácias, correndo em cada veia.

Criticar? Por quê?

 
As vezes pergunto-me:
"O que faz as pessoas perderem tempo escrevendo o que é ou não boa ou má escrita?"
Creio que a presunção ou talvez a falta de tema. Creio que preocupar-se com a boa ou ruim escrita, deitar letras e letras, tempo, precioso tempo para definir o que é uma boa escrita e criticar algo ruim parece-me uma grande perda de tempo, pois afinal temos já o grande julgador dos escribas incautos: O tempo. Este sim irá julgar, com a grande borracha dos anos o que é bom ou ruim.
Crer-se mais poderoso que o tempo e a sociedade. Gritar textos execrando e moldando o que é bom ou ruim, parece-me algo tipo um grito desesperado do ego: "Olhem para mim!". Aí lemos as palavras. Confusas, agressivas, pretenciosas e obtusas. Penso: "Pobre alma, melhor seria buscar dentro de si o amor e deixar os outros escreverem como queiram, o crivo da vida se encarrega de separar o joio do trigo. Falta-lhe amor, sobra-lhe dor e seu verbo embebe-se de rancor..."

Não sei se existe bom ou mau escritor, existe os que não respeitam a língua portuguesa, as vezes por não conhece-la (isso é imperdoável) e os que simplesmente sentem-se geniais ao ponto de inovarem. A estes o futuro atestará ou não sua genialidade, quanto aos outros tem dois caminhos: Conhecer a língua ou morrer à mingua. Mas mesmo assim o direito de escrever lhes é inalienável.
A mim há os que gosto de ler e os que não gosto de e ler.
Se o resto do mundo está de acordo?
Não sei... Não são eles que compram meus livros nem que gastam meus olhos brincando de dar as mãos as letras ao ver uma paisagem bonita ou uma frase que faz pensar.

Portanto não mais perco meu tempo, lendo azias ou coisas vazias, apenas concentro-me em mais uma forma diferente de ver, sentir, pensar... Quiçá amar...
 
Criticar? Por quê?

Chuva

 
Chuva
 
Gotas de letras
miram meu corpo
nesta chuva
que abala a vida.
Escondo-me
no guarda-chuva
de alguma
letra perdida.
 
Chuva

Amor, simples amor

 
Amor, simples amor
 
Belos são teus olhos ao amanhecer
que regam meu corpo a florescer
luz do sol que entra pela janela
tu em meu corpo eu tua capela.

Onde rezas-me com teu rosário
Onde sou mar e tu corsário.
Singrando meu oceano de sensações
surfando minhas ondas de emoções

audaz e valente!
feliz e contente!

Quero-te inteiro
não meio
ao meu seio
sem receio,
minha epiderme teu manto.

Bordado de amor quase santo.

Sou tua, tu és meu!

(Somos um do outro...
ninguém prometeu!)

Não olhemos ao passado meu Orfheu
Ao Hades me perderás, amor meu...
Não te voltes pois o tempo já tomba
do presente ele é apenas sombra.

Abraça-me à luz deste novo dia
devora-me, sou Esfinge em parafilia
Não precisa decifrar, apenas amar
Não precisa realizar, só sonhar.

Toma-me, bebe-me!

Faze o que tens que fazer
sou tua, serei tua,
até quando o sol nascer
enquanto as estrelas brilharem
os anjos livres voarem
e as flores insistirem em morrer.

Faze-me tua
privada propriedade
Faze-me lua
cheia de amor, luz e vontade.

Ou então,

Fazes-me apenas tua mulher
nua, plena de tua saciedade
embebida em tua realidade.

Faze-me enfim felicidade.
 
Amor, simples amor

Flor fóssil

 
Flor fóssil
 
Cortam-se os tendões
a mão não mais acena
rompem-se vulcões
que petrificam a Açucena!

E a bela flor
fóssil resistente
terna, grácil
de cor transparente
que sorri fácil ao amor,
carente,
este agitado menino lático
ácido em seu humor,
irônico, irreverente.

E um dia em um canto qualquer
entre um bem-me-quer
e um mal-me-quer
talvez, açucena florzinha,
petrificada mulher,
alguém resolva
aceitar-te, inteirinha
sem alguma mudança qualquer
mesmo sendo tu diferente
do que toda a gente quer:
uma flor petrificada
por uma lava idealizada
uma impossível flor-mulher!
 
Flor fóssil

Quase amor

 
Putrefa o corpo em langor vadio
corpo vazio
Alegoria que a alma carrega incauta
monótona pauta.

Corre o mundo em insalubre velocidade
espreme-se dele o úbre,
mas não há leite,
nem saciedade.

Escorre a vida,
insípida, sem cor
percorre-me insossa
nem mais alegria, nem dor.

Resta apenas uma fugaz presença
um quase amor
Resta apenas uma saudade imensa
uma quase dor.

Um quase beijo que minha alma,
plena, beijou
Um rio de seixos
que o fogo da mágoa,
a água, evaporou.

Resta apenas o caminho
de pedras e desejo humano
minha pele, um seco pergaminho
ansioso e insano
(que o tempo, por segurança, queimou).
 
Quase amor

conceitos

 
Me cansam as retas
As curvas
E as curvaturas
Da verdade
de cada visão.
Mentiras?
Delicadas roupas
Feitas de crepom
Na chuva da realidade
Despindo a alma
Do que é bom.
 
conceitos

Alma ao vento

 
Nos alimentamos de tão pouco
as vezes um verso rouco
é o bastante para saciar.

Pensamos tanto, um pensar louco
que as vezes um ouvido mouco
é muito bom para acalmar

A alma, esta velha senil
que de tão vivida e gasta
já não lembra dos portos que já partiu.

Muito menos dos destroços
de uma vida que há muito ruiu.

Velha alma modorrenta
senil e atenta
em busca de algo que ainda não viu.

Quem sabe uma pandorga de cor
com cauda de versos de amor
de um amor vivo que ainda não sumiu...

Agarra-se a velha alma
na esperança de voar junto
mesmo que apenas presa por um fio.
 
Alma ao vento

Cansaço

 
Apenas me desfaço
pedaço por pedaço
em pequena dissolução.

Apenas despedaço
pelos parcos traços
feitos pelos dedos
de minha mão.

Apenas estilhaços
jogados ao espaço
em versos loucos
sem razão.

Apenas cansaço
neste mundo em que me gasto
sobrevivendo
sem paixão.

Apenas me refaço
em cada verso
em que confesso
minha pequena
revolução.

Apenas o cansaço
de seguir passo a passo
esta estrada
na contra-mão.

Essa ética sem estética
essa conduta mimética
embalada no compasso da desilusão.

Apenas esfregaços
de células mortas
pela ausência
de solução.

Levando-me sempre ao cansaço
repetido tecido que esgaço
no tempo sem evolução.
 
Cansaço

Minhas amigas.

 
Minhas amigas.
 
E sol anuncia-se
em um amanhecer tardio
vai-se o inverno
esquece-me o inferno
e o mundo vazio.

Alvorada há tanto
sempre sozinha
o sol nasce
solidão vizinha
vem tomar café.

Conversamos à cozinha
bebemos em pé.

Precisamos
trabalhar,
e respirar
e sobreviver
e trabalhar
e novamente
acordar
para depois
beber café com a vizinha
esta é minha vida,
vidinha!

(às vezes, aos fins de semana
visita-me a ilusão, tomamos vinho,
imagino um destino, um ninho,
espalhamos lembranças ao chão
e assim me seguro
tenho o futuro,
inteirinho, em minha mão!
Apenas quando relaxo
tomo vinho e me escracho
com a amiga ilusão!)
 
Minhas amigas.

Amores

 
Amores existem e insistem em peitos abertos
amores distantes, diletantes, diletos
amores brutos, rotos, brotos de amores
incertos.

Amores, proto-dores, neste meu intelecto
quiçá sabores, cores,
olhares indiscretos

Muros de jardins particulares
onde me deito, me deleito
fracionando-me em olhares
brincando com o que é certo
e não certo...

Amores, dores, palores
comunhão de valores
passos causticantes
neste grande deserto
onde somos irrelevantes
hastes de ferro, poesia
presas a este universo concreto.

Este poema surgiu após o comentário de uma poetisa que admiro muito, Daniele Dellavecchia.

Grande abraço musa, grata pela inspiração!!!
 
Amores

O velho sábio e as crianças burras

 
Tem certas coisas que acho engraçadas na vida. Fico imaginando um físico, sim, um físico aero espacial da NASA, em um parque de aeromedolismo.

Isso que vêm-me à cabeça.

A cena:

Ele em cima de um caixão,desses engradados velhos de cerveja. Muito bravo e furioso com as crianças que deixam os aeromodelos cair por não saberem das correntes ascendentes térmicas, ou muito menos entenderem que os ângulos de inclinação que influenciam na velocidade das pequenas naves.

Imagina ele, vociferando, em cima do caixão de madeira velho, gritando aos altos brados que é um dos projetistas mais famosos da NASA, a agência aeroespacial americana, que projetou a Apollo XI aos 20 anos de idade, que um gênio como ele "não pode com" gente que não sabe as leis da aerodinâmica. Enlouquecido, de olhos injetados, escabelado, continua a ofender as crianças, que invariavelmente deixam os foguetes explodirem antes de atingir seu ápice de altura. Irrita-se profundamente. Grita, verbigera, pula, esganiça, ofende...

Até que um menina de cinco anos de idade, chega para ele e diz:

- Tio, o senhor "tá" atrapalhando nosso brinquedo. porque o senhor não pula a cerca e tenta entrar lá no campo da NASA? Lá talvez alguém entenda o que o senhor está gritando. Ah...já sei, o senhor não tem crachá! Sim, eu vi!-lembrou-se a menina- O senhor foi aquele que atiraram na bunda quando tentou pular a cerca para o outro lado, e depois saiu na ambulância do hospício. Porque o senhor não volta para lá? Lá talvez alguém também entenda o que o senhor diz.
Aqui apenas há crianças brincado de voar e ser feliz, não é lugar para um físico como o senhor.
Pena que não deixam o senhor entrar na NASA...Mas quem sabe no hospício ou no asilo o senhor tenha público. Nem gritando alto os seus palavrões lhe dão mais atenção por lá? Pois aqui, se não fosse pela sua feiura e pelos gritos em cima deste caixão de bebida, ninguém mais daria...

O pobre velho olhou com ódio a pequena criança, frágil e vociferou.

- O miúda! Olha bem como falas comigo, eu sou um grande projetista...

A menina interrompeu:

- Desculpa vovô, o senhor pensa que é um grande projetista, porém na medida que sobes neste caixote de madeira para gritar com as crianças, não passas de um velho frustrado e bobo, que não consegue pular para dentro do mundo dos foguetes de verdade e fica aqui importunando as crianças que querem brincar de voar.

Resmungou o velho:

- Não posso com a verdade!
 
O velho sábio e as crianças burras

Pianista de mim.

 
Quando a alma povoa-se na ilusão, em vão meu coração vagueia, sonho-me sereia com o dom de enfeitiçar, sonho-me gaivota com o poder de galgar o mar. Mas sou gente, perene, carente, com todos os defeitos de uma terra poluída. Sou gente, sou vida. Sou guarda em guarita de guerra, que berra, insano berra, e ninguém escuta. E morre no pavor mesmo sem luta, apenas vislumbrando moinhos de ventos, cavaleiros que povoam os pensamentos, apenas os pensamentos... E morro tísica aos "relentos" da vida, estertorando o sangue, esquecida, em hemoptóico fim, sem um músico, um pianista para tocar um requiém de mim.
E vivo assim, tal borboleta louca, com asas carmim, voando neste pasto de gente, sem início e sem fim...
 
Pianista de mim.

Ciúme

 
Ciúme, gume que corta e fere
negrume e força à loucura confere
na escuridão do coração sem altivez
na certeza da traição, não há talvez

E se destrói o ser sem perceber
a maior dor que se pode conceber
Auto-flagelo com elo de crueldade
dor fundamentada em irrealidade.

Violenta força, ferida sem cura
Verte sangue do peito sem razão
hemorrágica mente em loucura

Amor transmutado em dor, dissolução
berçário carcerário, nasce agrura
petrifica a mente em dor, ódio, ebulição.

Poema concebido como comentário ao poeta mestre em sonetos Aquazulis

"Tentação do diabo" Vale a pena ler.

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=156903
 
Ciúme

Quero ser feliz do meu jeito

 
Quero ser feliz
não sentir mais cicatriz
entender a falta de ar
ter o peito a palpitar
quero entender o envelhecer
não me desesperar ao entardecer
ficar à rua
amar à lua
dançar nua
ao sol nascer
deixar o vento lamber meu corpo
perceber que o mundo é vivo
e que não sou morto.

Quero ser feliz
encenar esta peça
chamada vida
e bem depressa!

(O tempo não para
ser feliz é coisa rara)

Quero viver a felicidade
perder-me em qualquer cidade
beber até cair
subir no palco
falar alto,rir
quero ser feliz
mesmo que para isso
precise ser atriz
sorrir ao invés de chorar
soltar todo o ar
jogar-me no mundo e voar.

Não acredito no último eclipse
vivo hoje o apocalipse
cavalgo neste negro cavaleiro
planto uma flor no coração do guerreiro
e sou luz!

Esta é minha felicidade
num mundo só meu
que feliz me produz!

Este texto foi inpirado no poema FELIZ DE QUALQUER JEITO, de Gê Muniz.

A isto que refiro-me quando falo de interação literária. De escrita criativa. Para mim este é o principal sentido do site, inspirar-me e poder inspirar.

Se por acaso houverem erros, caros amigos, por favor corrijam. Sou médica, não escritora.
 
Quero ser feliz do meu jeito

Lágrima e causas

 
Uma gota salgada,
neste ocenao de mágoa.
Uma trégua, uma régua (passada)
uma folha amassada,

Lágrima,
um maço no fim, escasso,
um soluço sem espaço,
um laço,
um apagar de um traço,
uma negra linha em esfumaço.
um soco no meio do baço,
um distanciar (sem abraço)
um límpido líquido
em que me desfaço,
(e me refaço).

Uma vida,
(triste e amputada)
amargurada.

Uma família distante,
distanciada,
pela diástase assexuada.

Lágrima,
uma página,
(virada)
arrancada,
triste apagada
amassada,
em forma de água
na minha face rasgada
de mágoa,
vermelha, pletórica,
edemaciada.

Melhor água lavada
do meu coração
uma gota no oceano
da desilusão.

Lágrima,
uma álgebra
quebrada,
soma errada,
eu, tu e minha alma calada.

Mas com lágrimas, minhas mágoas, são lavadas com essas águas tristes e salgadas, que serão desaguadas bem no fundo, do oceano do mundo.

Postagem original: http://www.worldartfriends.com/module ... article.php?storyid=11034
 
Lágrima e causas

Cansaço

 
Apenas me desfaço
pedaço por pedaço
em pequena dissolução.

Apenas despedaço
pelos parcos traços
feitos pelos dedos
de minha mão.

Apenas estilhaços
jogados ao espaço
em versos loucos
sem razão.

Apenas cansaço
neste mundo em que me gasto
sobrevivendo
sem paixão.

Apenas me refaço
em cada verso
em que confesso
minha pequena
revolução.

Apenas o cansaço
de seguir passo a passo
esta estrada
na contra-mão.

Essa ética sem estética
essa conduta mimética
embalada no compasso da desilusão.

Apenas esfregaços
de células mortas
pela ausência
de solução.

Levando-me sempre ao cansaço
repetido tecido que esgaço
no tempo sem evolução.
 
Cansaço

Máscaras da arte.

 
Comédia, drama, lirismo...

Todos patamares de um mesmo abismo
onde as máscaras escondem a verdade
onde as tragédias espelham a realidade
em belo jogo humano de cenas.

Onde flutuam as insanas penas
em monólogos sem fim
onde o coro canta
com voz de serafim
as verdades, as saudades
as insanidades sangrentas, carmim.

Tragédia, iluminada pelo sol
comédia encenada em prol
da beleza,
da sutileza
da frieza.

Falácias travestidas de falésias
donde jogam-se as faces de aço,
inocentes, sorridentes e amnésicas
rígidas em seu sorriso escasso.

Abençoadas pelas mãos das musas
que multiplicam-se profusas no jardim
perdidas na puresa alva de algum jasmim.

Nuas enfeitiçando os homens às luas
mostrando-se e negando-se a serem suas.

Tudo vale a pena, apenas pela arte...

Que importa que por fim isto me mate?

Viver é tão vão...

Que pare agora este meu coração!
Para caber em um último verso
minha última emoção.

Publicação original:

http://www.worldartfriends.com/module ... article.php?storyid=26982
 
Máscaras da arte.

espera

 
Minha vida é esperar
(e o mundo sem razão)
minha vida é contar
quantas tábuas tem o chão.

E sol nasce
e sol se pôe
enquanto gente nasce
o amor depõe,

Redime

Todas as culpas
e desculpas
sem regime,
sem culpado.

[perdoa]

do pecado
de não ser-te ao teu lado.

por, apenas por:

A razão não ser pouca
embora a vontade, louca.
 
espera

A quem importa?

 
Insistem, as réguas, em retificar o caminho,
mas as curvas que boleiam a compasso o orgânico
rebelam-se dentro de mim. A ponta seca "re-sente-se" da vil métrica destas paralelas numéricas, réguas ,que insistem em retificar e quantificar o que organicamente se constitui curvo e imponderável.
Que eu digo disto tudo?
Ao de pensamento quadrado, régua e esquadro.
Aos outros, a orgânica liberdade poética, de mesmo, se quiser, ser merda, disforme, porém original. E que meçam a metro a qualidade das letras, e depois me digam: A quem importa?

Talvez pudessem pesar, se merda for.
 
A quem importa?

O pássaro e a rosa

 
Velo teu despertar
em manhã flogosa
tal túrgida rosa
vívida viçosa
lançada ao ar.

Mas aguardo-te
silenciosa
bela e cheirosa
vestida de prosa
para te agradar.

Anseio manhã
airosa
terna e preciosa
sem resfolegar.

Apenas olhar teus olhos
profundo mar de abrolhos
um mundo inteiro a desvendar

Submerso em teu verso
oculto em teu olhar
neste controverso
universo
onde loucos
beligeramos a amar.

Mas hoje quero
ser flor rosa
mansa e sedosa
sem espinhos,
sonhando ninhos
para se entregar.

Inteira nua
todinha tua
boca, pernas,
ancas ao ar!

E tu meu amor?

Um pássaro selvagem
Condor
bicho selvagem
caçador!

Devorando minha rosa
por ti sequiosa
de enfim ser-te tua
desabrochada flor.

tatuar-te eternamente
com sua cor!

Povoar-te docemente
invadir-te com seu odor.

Enfim, poder chamar-te

AMOR!
 
O pássaro e a rosa

Ana Lyra