Poemas, frases e mensagens de joaosurreal

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de joaosurreal

A Melga, o Xavier Zone Publicações, o Trabis de Mentol e o José das Torres Bravas

 
Estava eu entretido a falar ao telefone com uma elevadíssima poeta do Luso Fofoqueiro, minha colega, quando dou conta de uma valente melga, pousada em cima de um poema (no meu computador) de altíssima gramagem do “nosso” já famoso Xavier da Zone das Publicações. Dizem que a alcunha vem de um tio que trabalha na Zone TV Cabo. Deu-se-me um arrepio pela espinha, o animal, feroz, amolava o ferrão para atacar a alma do poeta.

Entrei em pânico! Como era possível haver uma melga tão estúpida? logo havia de escolher este trabalho do nosso ilustríssimo poeta, vencedor de uma quantidade de campeonatos nacionais, taças de Portugal, taça dos campeões, e até uma taça inter-associações de poesia, varias vezes considerado o melhor poeteiro do campeonato entre outros feitos. Estava sem saber o que fazer, tinha logo que acontecer no meu computador. Puxei pela cabeça para tentar resolver a situação a bem, (ainda tenho esperança, de um dia entrar numa daquelas listas de boas intenções e indicações que o famoso Xavier Zone das Publicações, faz de vez em quando).

Desesperado, liguei para Trabis de Mentol, descendente do famoso Dr. Bayard, o dos rebuçados peitorais. Depois de lhe explicar o sucedido exigi-lhe uma solução, afinal ele é o dono desta merda toda. Reconheço, que também ele, ficou surpreendido e com medo, de que, por causa de uma melga qualquer, pudéssemos perder o grande poeta XZP. Pediu-me um minuto para pensar.

Chefe é assim! Necessita sempre de tempo para pensar.
Percebi que estava a ligar para os novos administradores, ouvia a voz da Alexandra Assina de Cruz, mais conhecida por alexis e também o Cão Poeta, o Rogério de fradelos. O barulho era ensurdecedor, a discussão estava ao rubro e a palavra circulava de um lado para outro. Alguém sugeriu usar Raid mata melgas, mas logo a ideia foi abandonada, poderia matar toda a poesia, principalmente os haikais, pequenos e frágeis poderiam não resistir aos químicos, para não falar já dos poemas do Trigo, sempre tão sensíveis.

Num ápice, senti que havia uma solução, a voz mudou de tom e a alegria invadiu o meu telemóvel.
Disse-me para mudar com muito cuidado de texto. Sem que a melga desse conta, indicou-me um texto do José das Torres Bravas, consta que é descendente de uma família da costa brava, um tal que fala de poetas de merda, e a explicação é simples: como esse texto fala de merda e as melgas dão-se bem com este tipo de textos, nada melhor do que entregar à melga um texto com merda suficiente para ficar saciada. Até porque, se não houvesse merda suficiente para alimentar a melga, pedia-se ao José das Torres Bravas para acrescentar mais uns parágrafos polémicos, que logo haveriam de aparecer uns comentários de trampa para continuar a saciar a dita cuja.

Assim fiz, e queiram vocês saber que a melga continua por aqui. Arranjei uma maneira de poder dormir de janela aberta e luz acesa, sempre que aparece uma melga, abro o Luso Fofoqueiro e ali ficam elas entretidas.
 
A Melga, o Xavier Zone Publicações, o Trabis de Mentol e o José das Torres Bravas

Hoje matei um polícia

 
Hoje matei um polícia. Parei o carro e num rompante disse-lhe que não tinha triângulo. Disse-me que não era importante! Insisti, e acrescentei que também não tinha macaco. Respondeu-me com um ar meio amaricado que era a minha sorte, são animais protegidos, e teria que me prender. Desesperado, disse-lhe também que o carro era roubado. E não é que o merdas do bófia, irritado, queria obrigar-me a sair dali rapidamente, dizia que não queria problemas. Passei-me dos carretos, saquei da pistola de água do meu filho, automática de canos sobrepostos e numa assentada dei-lhe duas esguichadelas de azedume. Chamados os sapadores, encontraram o corpo a boiar numa poça de água. Segundo fontes próximas da vítima, diz-se que morreu de uma congestão. Tinha almoçado feijão-frade com umas pataniscas de bacalhau mal demolhado.
 
Hoje matei um polícia

O preservativo arrogante e a puta heroína

 
O terror mais uma vez espalhou-se pela cidade pacata do interior.
Um preservativo, hirto, armado até aos dentes entrou numa casa de alterne e depois de derrubar três cervejas a copo, dois Red Bull’s e dois pratinhos de tremoços com três azeitonas pretas disse em voz grossa:
- então aonde param essas putas brasileiras
As pobres alternadeiras, que apenas estão neste trabalho para alternar com os tempos mortos dos tugas, atiraram-se para o chão, implorando perdão por não terem os dentes fodidos. Uma num pranto dizia até que tinha dois dentes cariados e que o do siso, estava preso por uma linha, enquanto outra, apenas justiçava os dentes bonitos com um batom de dar brilho instantâneo, mas que pela noite ficavam negros como carvão.
Enquanto o preservativo apontava a sua ira para as pobres trabalhadoras dos tempos livres, saiu do meio da confusão uma puta portuguesa, de seu nome Laurinha dos Bicos, com uma placa dos dentes novinha em folha e de peito feito, gastava de copa uns 42, e sem medo enfrentou o preservativo arrogante
- ouve lá meu caralho de meia leca, ficas tu a saber que puta é puta em qualquer parte do mundo, e quando te metes com alguma das minhas manas brasileiras, estás também a meter-te comigo.
O pobre preservativo que ao princípio estava todo arrogante começou a ficar flácido e corado, foi quando a mulher da boa vida portuguesa, percebeu que o pobre homem sofria de ejaculação precoce e de uma assentada deu um paço em frente deitou-lhe a mão às bolinhas e…
O desgraçado esvaiu-se da arrogância que o fazia parecer o super man. Envergonhado e cabisbaixo, dirigiu-se para a porta de saída.
As amigas da puta portuguesa não se cansavam de agradecer à Laurinha dos Bicos aquele acto de coragem, e naquele momento nasceu o movimento luso-brasileiro para as mulheres da boa vida.

(Muito gosto de histórias aonde tudo acaba em bem. Hoje chorei)
 
O preservativo arrogante e a puta heroína

FUMAR FODE AS MOSCAS

 
Sábado, com cheiro a liberdade, envolvido em aromas de uma pastelaria, daquelas de fazer engordar só com o olhar, sorvia delicadamente uma bica com toda a tranquilidade, quando dou de olhos com uma mosca: verde, ranhosa, barulhenta e com olhos enormes, voava em círculos fechados sobre um pastel de Belém. Ao meu lado, um turista sul-americano, penso que cubano, fumava um havano Cohiba enrolado à mão. O fumo era muito, e percebi que a mosca, sendo kamikaze, estava em dificuldades para atacar com acerto a pastelaria exposta. Rapidamente, compreendi que a melga voadora se ia foder. Descontrolou-se, ziguezagueou, perdeu altitude e atitude, e, num ápice em espiral desgovernada, tomou a direcção do chão. Ouvi um barulho estranho, percebi que a turbina explodiu, vejo saltar uma asa, uns microns de segundos à frente perde a outra e última asa, acabando por se estatelar dentro de uma chávena de café pingado de uma velhinha, que, por usar adoçante, tudo apontava para que sofresse de diabetes. Salvou-se a baguette francesa torrada com manteiga sem sal mesmo ao seu lado. Fiquei estarrecido, peguei no telefone e liguei para a TAP (Transportes Aéreos Portugueses), pedi para falar com Fernando Pinto: Disse-lhe para por os aviões a milhas do vulcão, escusavam de gastar mais dinheiro em testes, os aviões iam todos para o caralho com o fumo. Agradeceu-me, senti-me satisfeito, fiquei com a sensação de um verdadeiro herói! Devo ter evitado umas quantas mortes. Num flash, bastante iluminado, liguei para a Tabaqueira Portuguesa e disse-lhes: têm que por nos maços de tabaco mais um alerta - “FUMAR FODE AS MOSCAS”.
 
FUMAR FODE AS MOSCAS

Sr. Serra, sala dois

 
Não há machado que corte a raiz ao pensamento
(diz a placa à entrada da casa saúde mental)
Na sala de espera, um sonhador ansioso
Distribui sorrisos por quem vai passando
Segura nas mãos trémulas uma motosserra
No sistema sonoro ouve-se: Sr. Serra, sala dois
(diz-me um paciente de martelo na mão - tentou suicidar-se com uma farpa de um carvalho)
 
Sr. Serra, sala dois

O porco, o Zé dos Presuntos e o Papa

 
Estava a passar em frente ao talho do Zé dos Presuntos quando ouço um ronco ameaçador. Dei um salto para a berma do passeio, assustado, procuro de onde veio todo aquele rosnido. Olho para trás, nada, olho para a frente, nada, olho para a direita nada, olho para a esquerda nada, comecei a pensar que a minha imaginação estava em mau estado, quando dou com um magote de gente a olhar para cima de um prédio com ares de quem acabavam de ver a Nossa Senhora. Era um porco na beira do telhado do prédio a dizer que se suicidava, e atrás, de bata branca, o Zé dos Presuntos com um facalhão do tamanho de uma marmota a dizer que não escapava, morto ou vivo, ia para o talho.
Cá em baixo a dona Gertrudes, gritava ao Zé com ar aflita, dizendo que já não queria os pernis, e que deixasse o pobre porco em paz. A multidão dividia-se, uns estavam ao lado do porco, e insultavam o Zé dos presuntos por falta de caridade, do outro lado os esfomeados que de faca e garfo na mão aferroavam o Zé para lhe espetar a faca. A sorte, é que no momento em que as facções estavam a azedar, passava o Papa móvel com o Papa, que mandou parar o carro, e depois de se inteirar da situação, deu a bênção, e mandou todo o mundo para casa rezar dez Ave Marias. O representante de Deus na terra, ainda foi capaz de dizer que a carne de porco faz mal ao colesterol, e que atiça os instintos sexuais, dando exemplo de uma freira noviça que depois de comer uma “assande” de presunto atacou dois seminaristas virgens na beira de um confessionário. Por sua vez, a associação dos porqueiros, organização centenária na defesa dos interesses dos porcos, já disse que este dia ficará para a história dos presuntos e pernis, adiantando desde já, que vai por a circular um abaixo-assinado contra a matança indiscriminada de leitões na Bairrada. Reafirmou o seu presidente, Lopes da Silva, que já tem vários apoios, entre eles, a dos frangos assados e a picanha na brasa.
 
O porco, o Zé dos Presuntos e o Papa

Temos que expulsar o Camões para bem do ensino em Portugal

 
Ando desiludido com os estudos. Agora, isto está a ficar complicado para os alunos que gostam de estar nas escolas com o intuito de aprender. Estava no bar da minha escola, que por sinal está muitíssimo bem apetrechada: bons sofás, matrecos de última geração, mesa de ping-pong, um plasma Sony, já é o terceiro este ano, os outros foram fanados pela calada da noite.

Consta-se que foi retaliação de um aluno, mais conhecido pelo faneca das mãos leves. Este aluno chumbou num teste por não saber fazer subtracções, não foi de modas, para provar que a professora estava errada, subtraiu os plasmas. A nota foi rectificada, penso eu que chegou á fala com a docente que acabou por ficar doente. Meteu-se-lhe na cabeça que já não tinha preparação suficiente para dar aulas a esta nova geração, mais prática, ao contrário do antigamente que era tudo mais teórico.

Mas isto está mesmo complicado, tenho um colega que este ano faz dezoito anos, farta-se de estudar e ainda não conseguiu passar do nono ano. Está triste, queixa-se que as matérias são puxadas, e já teve três esgotamentos, só numa semana. Andava tão deprimido que naquela semana obrigou um miúdo, assim para o fortezinho, a encher trinta flexões, quatro voltas à pista de atletismo, e de seguida obrigou-o a comer trinta bolas de berlim. O desgraçado do rapaz, apanhou uma disenteria que acabou por borrar as calças.

Ficou oito dias em casa a curar a caganeira e mais oito dias a vergonha. Agora, anda com medo da escola. O pobre coitado recuperou, mas agora anda tão enjoado que nem consegue assistir às aulas de português. A professora ia começar a leccionar esta semana, uma matéria de um gajo que só tinha um olho, ao princípio até pensei que fosse alguma coisa relacionada com o Zé mirolho, mas depois lembrei-me que está preso, vai para lá de dois anos. Vi logo que não podia ser ele, e sendo assim, só podia ser o Camões.

Não há maneira deste cabrão sair das escolas. Há gajos que nunca terminam os estudos, quando eu entrei para esta escola, já o chavalo se fartava de andar por lá. Ouvia todos os dias: o Camões é fodido! o Camões é difícil! com o Camões vamos todos para o caralho!!! com o Camões vai tudo com chumbo para casa! Fiquei a modos que, nem me cabia um feijão no rabo, pistolas nas escolas é que não. Quando a professora disse que na próxima semana ia trazer o Camões, mandei foder a escola.

Já disse à minha mãe que não volto enquanto o Camões não for expulso. Estou lá para aprender! agora estas merdas de andar aos tiros não é para mim. Actualmente estou em casa de licença sabática e a minha mãe também não quer o Camões por lá. Até já disse que ia fazer uma queixa ao ministro, e que só volto quando o Camões for expulso. O meu amigo gordinho, também não foi mais á escola, disseram-lhe que o Camões, no ano passado tinha obrigado um puto a comer vinte bolas de Berlim, vinte e quatro pasteis de belém, seis croissants recheados, doze bolinhos de bacalhau e uma saca de gomas às cores.
 
Temos que expulsar o Camões para bem do ensino em Portugal

Mãos no ar,isto é um assalto!

 
Mãos no ar,isto é um assalto! Ouço cair uma quantidade de moedas pelo chão. Aos gritos, uma benfeitora alternadeira, desesperada, aos gritos rebolava pelo chão pedindo para não disparar. Procurei pelo assaltante e nada, olhei para todo o lado e nada. O caixa do banco, homem dos seus quarenta e muitos anos, guloso, divertia-se com toda aquele espavento. Chegou-se a mim e ao ouvido confidenciou-me: - Ó João! Todas as semanas é isto, sofre de choque pós traumático, vive na cova da moura, sempre que digo que é um assalto atira-se para o chão. Anda sempre sem cuecas, hoje tiveste azar, trouxe mini-saia.
 
Mãos no ar,isto é um assalto!

drunfos na cabeça

 
Um maluco

Deixou crescer um malmequer na cabeça

Uns tempos depois

Cresceram-lhe espinhos

No tino

Ele disse: São as merdas dos drunfos

Nunca mais volto a colher flores

Sem tomar o pequeno-almoço
 
drunfos na cabeça

vitex agnus-castus / durex anus-castos

 
Hoje fui ao meu médico pedir baixa, estou com visões e vejo coisas que à vista desarmada não é crível. Já não é a primeira vez que tenho que sacar de matracas para poder enxergar em três dimensões. Ainda hoje, na sala de espera, passou por mim uma enfermeira de saltos altos que me deixou a beira de um ataque de nervos, revolveram-se-me os olhos e caí redondo aos seus pés. A minha sorte é que a pobre mocinha, expedita, com muitas horas de injecções, deitou-me de barriga para cima e num ápice fez-me uma auscultação interna geral. Quando estava a voltar ao normal, até já lhe pedia o número de telefone, entrei em pânico quando a vi revirar os olhos e em agonia começou a falar línguas que eu desconhecia. Percebi depois que a pobre coitada estava possuída pelo diabo e num salto meti-me dentro do consultório do médico.
O meu médico perguntou-me o que estou a tomar, e disse-me que posso ser preso. Nem pensar, vivo do rendimento mínimo. Expliquei-lhe que apenas coloquei um vaso enorme ao lado do computador com uma vitex agnus-castus, mais conhecida por liambeira, a durex anus-castos dá preservativos e é conhecida por preserventeira dá-se bem em terrenos húmidos ao contrário da liambeira que reage melhor quando plantada à beira de um computa, percebi que ele ficou mais tranquilo. Sempre que quero escrever dou uma fungada e nem queiram saber como fico com os olhos em bico. E ainda dizem que isto é bom para os suores frios dos pés e o cheiro ao chulé agora é quase igual ao patchouli. Foda-se, tenho um escritório que é o máximo.
 
vitex agnus-castus / durex anus-castos

a revolta das vacas

 
dez vacas entraram num supermercado

(perto de si)

ameaçaram o leiteiro

destruíram as bolas de queijo

fugiram num carro roubado

(testemunhas afirmam ter visto um pacote de leite ao volante do veículo)
 
a revolta das vacas

A padeira dos beijinhos no curação

 
Entrei na padaria que por sinal está muito bem servida de aparências. Tem lá um bijou de bata branca, que até fico com a língua enrolada ao céu-da-boca. Mas adiante, que isto são rosários de outras contas, costumo pedir sempre um papo-seco de meio sal, mas como hoje faço contas de estar até tarde na cusquice no Luso, pedi um pão especial que eles lá têm para locais deprimentes.

Dirigi-me então áquele bálsamo para os olhos, e pedi-lhe uma rosca de Bulling. Estou com esperança de mandar três ou quatro poetas para o estaleiro, andam por lá umas poetas sempre a falar em roscas, roscas para a frente, roscas para trás, e, depois de tanta rosquice deixam ficar beijinhos no curação.
A pobre coitada, ainda com farinha no sobrolho esquerdo, que por sinal ficava-lhe muito bem, disse-me:

- Ó pá, que grande caralho! esse pão ainda está no forno, vai demorar ainda um pouco a ficar no ponto. Ainda há dois minutos tinha mais de uma dúzia de cacetes aqui na cesta, mas uma comandita organizada e com estatuto de elevado grau intelectual, acabou por levar as roscas todas.
Mas a loiraça de bata branca, nivelada quatro dedos acima do joelho, continuava a galar-me com um olhar que até me fazia subir o desempenho para lá do umbigo, e sem papas na língua continuava a palrar como se de um anjo se tratasse, não fosse a farinha bem me tinha levado na pandeireta.

- Ultimamente tem havido muita procura deste pão, dizem que é por causa de uns poetas que andam armados em maus, e lembraram-se de fazer bolinhas de pão para mandar uns aos outros, aquilo parece-me mais um ninho de víboras, isto é o que se ouve aqui! Eu nem gosto de ouvir as conversas dos outros mas, deitei o ouvido para dentro da matilha e só ouvia falar em cobras e lagartos.

Sou padeira e não percebo nada dessa merda de fazer poemas com bolinhas de miolo de pão, até já disse ao poeta que veio buscar os últimos cacetes, que se fosse eu, levava era broa de centeio, tem uma côdea dura para caralho, sempre dava para aleijar mais um pouco. Agora valha-me Deus! Atirar bolinhas de miolo de pão! fosse comigo freguês, fodia-os a todos, até lhes atirava com hortaliça, pepinos, grelos e outros instrumentos de prazer, que assim nunca mais se metiam comigo.

Agora, aquilo não são zangas, é passatempo de gente com unhas de gel, gente que manda beijinho para cá, beijinho amarelo, beijinho cor-de-rosa, e depois ainda se despedem com etiqueta de gente que tem a mania que tem estudos. Mulher que é mulher, amarrava nos cabelos da pindérica e arrancava-os um a um, tal como os homens, muito blá, blá e mais nada, o pontapé no cu fica na gaveta das regras da cultura. É por isso que gosto de ser padeira, e principalmente de Aljubarrota, com a pá ia tudo pró caralho e mais nada.

(entretanto entra um poeta daqueles inofensivos, pergunta: há pão sem sal?)

Responde a padeira cada vez mais bonita, uma padeira zangada é outra coisa. Isto sim é mulher com pelo na benta, até os peitorais saíram por cima com os nervos.
- Só tenho aquele, a próxima fornada é para este poeta ilustre
- Serve, esse levo comigo, é o meu favorito
 
A padeira dos beijinhos no curação

Cosmética para Poetas

 
Ligaram para o meu telemóvel, do outro lado uma voz perguntou-me:

- Alô, desse lado fala o João, João Surreal?

- Exactamente, deste lado falo eu, e desse lado?

- Deste lado fala Marta Lobo, da Special Power of Writing, somos uma empresa de cosmética para poetas com a cara estragada, provocada pela má escrita nos sites.

- Mais uma menina a tentar vender a banha da cobra, valha-me Deus, já não há paciência.

- Mas desculpe, Sr. Surreal, Sr. João Surreal, se me der um minuto verá que mudará a sua opinião sobre a nossa empresa, somos uma empresa altamente qualificada.

- Mas Exma. Senhora, nem imagina como eu tenho a minha cara, é um desastre completo, já ninguém acredita que um dia possa escrever o que quer que seja. Já fiz várias tentativas para recuperar a imagem, consultei vários especialistas e todos me disseram que o melhor era esquecer, aconselharam-me a escrever uns poemas de amor, ou então usar uma máscara de ferro.

- Desculpe Sr. João Surreal, desculpe insistir! Acredite que nós somos uma empresa credenciada, com vários trabalhos realizados por todo o mundo.

-Temos uma equipa de profissionais sempre a estudar todas as novas nuances de escrita, para poder servir os nossos clientes com rapidez e qualidade. Hoje, neste mundo global, o ontem já não é solução. Não é por acaso que somos o número um no mundo da escrita, o nosso curriculum fala por nós. Caro Poeta, entre muitos clientes, somos nós os principais fornecedores de todo o tipo de soluções para os Poetas do Luso Poemas. Neste momento, fizemos um contrato de exclusividade assinado na semana passado pelo nosso director executivo para Portugal, o Dr. Minasearmadilhas e o Director do Luso Poemas Trabis de Mentol, e posso lhe dizer que já temos uma centena de contratos em carteira.

- Mas minha senhora, o meu caso é diferente, não tenho estudos e sou maneta, tenho um olho de vidro e uma perna de pau, até sou conhecido pelo Pirata dos Plágios.

- Sr. João Surreal, deixe-me dizer uma coisa, mas promete que fica entre nós, pode prometer?

- Claro que sim, prometo.

- Temos feito já várias intervenções em poetas do Luso, entre muitos cremes para tirar imperfeições de vocabulário, posso-lhe dizer em primeira mão que temos algumas correcções cirúrgicas e até mudanças de sexo. Garanto-lhe que até agora, ainda não tivemos reclamações de nenhum poeta, todos estão satisfeitíssimos e alguns que eram considerados poetas de merda, são hoje reconhecidos como sérios candidatos a prémios literários. Até mesmo os avatares são trabalho nosso. Se reparar, alguns poetas apresentam fotos trabalhadas pelo nosso Photoshop, ou então aconselhamos a colocar fotos com menos uns vinte anos para poderem ter mais sucesso entre o mulherio. Uma foto bonita é sempre bem mais capaz de escrever. Sei de um poeta que desde que trocou de foto até sonetos escreve. As recaídas que vão acontecendo são por culpa dos próprios poetas que não aguentam a vaidade de se tornarem jovens e atraentes, e deixam-se cair nas tentações da carne.

- Ok menina Marta, mesmo assim o meu caso é muito grave, todos dizem que não tem solução. Só um milagre será capaz de me fazer escrever poemas. Eu já não acredito em milagres no Luso, o pessoal aqui nada faz para haver milagres, anda sempre tudo à pancada.

- Mas qual é mesmo o seu problema?

- Quer dizer os meus problemas!

- São assim tantos?

- Bem, em boa verdade ainda se podem contar.

- Então, não querendo roubar o seu tempo diga-me qual é mesmo o problema que mais o preocupa.

- Bem, tenho olho de camaleão, enquanto um olha para uma gaja bonita que passa com ar de quem pode dar uma trepa a todo momento, outro olho olha para uma bicicleta que lhe falta um reflector na parte de trás da pedaleira. A boca, esta, é uma desgraça, cai para o lado direito, o lado do coração, mas dentro do dente do siso esquerdo, há uma merda de um poema que contrabalança com a gengiva calejada de palavras mal escritas. A língua, fina na ponta, acaba por ter dias que só diz coisas grossas, e de asneira em asneira vai acabar por me destruir todos os sonhos. Ainda hoje pela manhã, uma garina boa como o milho, casada, merecedora de respeito por qualquer língua com tino, não se conteve e disparou:

"Ó linda, sobe-me à palmeira e lambe-me os cocos!" E ainda não satisfeita, voltou a dizer:

" Ó filha, tens uns lábios que faziam feliz qualquer chupa-chupa!" Fodi-me, olhou para mim, apontou um dedo para o céu e deitou um ar de quem diz, “Vai-te foder!”
Bem menina Marta, ainda tenho o problema do nariz, se por um lado tem um olfacto de cão perdigueiro, descubro um poeta no meio de um montão de palavras, por outro lado, sofro de sinusite e muitas vezes confundo poetas com gajos que andam por aqui ao engate e pior ainda, sonetos com prosas. Ainda hoje, confundi um sorriso amarelo com um abraço verdadeiro.

- Realmente o senhor está mesmo fodido, quer um conselho de amiga?

- Sim menina, diga.

- Dedique-se à pesca, e mande foder os poemas!
 
Cosmética para Poetas

A (puta da) filo-sofia

 
ERA UMA VEZ, um grego fodido cheio de rancor, tinha duas filhas feias pra caralho, umas máquinas de fazer medo. Uma chamava-se Filo, e a outra Sofia. Um dia, apareceu por Atenas um belo romano, e mal as pobres donzelas avistaram o varão, elegantíssimo, ficaram logo com a líbido na ponta dos dedos. Os beiços das raparigas ficaram logo dependurados pelo gladiador romano.

Este homem de negócios, tinha ido a Atenas comprar rações de comida para as feras, tinha uma criação de leões, mesmo junto á casa de férias de Nero. Bem, o homem até que era de poucas palavras, mas as ninfas, sentiam-se em idade casadoira e logo se meteram pelos olhos dentro. Treta traz, treta leva, e as pérolas atenienses logo aproveitam para se meterem pela arma dentro do romano, por sinal uma espada que lhe dava pelo joelho. Quem queria ver o galã de sorriso de orelha a orelha era passar pela baixa de Atenas e lá andava ele de Filo de um lado e Sofia do outro.

Uma pouca vergonha, o músculos, alcunha logo dada pelo povinho que não era burro, não se cansava de dar Kisses badalhocos, linguado da última geração. Não se falava de outra coisa nos cafés da capital. O pai das feiosas, que não era de modas, mandou chamar o romano a meio da noite, as filhas, ambas reclamavam a espada do domador de leões, e não havia ninguém que as conseguisse separar, continuavam amarradas hà horas pelo cabelos.

O pobre homem, estremunhado, e com pressa, veio de saia e sandálias, nem teve tempo para vestir a calça de ganga, pelo alarido do mensageiro pensou que alguma delas estivesse com alguns calores húmidos e viscosos. Era verão, e era normal algumas moças sentirem algum aumento da temperatura dentro de si, coisa que o romano não soubesse tratar, afinal, era domador de leões. Ao chegar, o pai das raparigas disse-lhe que não queria vergonhas no bairro, e tinha que se decidir qual das duas queria levar para junto dos leões.

O romano, que era um bocado fanhoso, e nervoso, disse-lhe: nãoooooo querrrriiaaa nem ffioloooosofia, já tinhaaaa muita bichaaaaarada para dar de commmmer. O pai, fodido, respondeu-lhe: não queres filo-sofias estás fodido. Tinha um escravo preto com uma lança maior que a espada dele, e que de castigo o escravo iria fazer-lhe o mesmo que ele tinha feito às suas filhas.

O romano que já era gago, e depois de ver a lança do Black, ainda mais gago ficou, consta até que nunca mais falou, desatou a correr desalmadamente e só parou na cidade mais próxima, ficava aproximadamente a quarenta e dois km. Esta povoação dava pelo nome de Maratona, e foi assim que nasceu a corrida da maratona. Ainda hoje, muitos gajos para poderem correr nesta prova tem que arranjar umas garinas com pais fodidos, é assim que treinam. O nosso Carlos Lopes ganhou assim a maratona nos jogos olímpicos. Meteu-se com a criada de um general que comandava um pelotão de fuzileiros.

Nem imaginam o que o pobre coitado correu! Moral da história: nunca mais ninguém quis saber da filo-sofia, e com razão, se o romano não quis, íamos querer nós! O nosso ministério da educação tem cada ideia, anda a vender gato por lebre, depois diz que é importante um gajo saber coisas da filo-sofia. Eu não quero é saber coisa nenhuma dessas gajas. Deviam ser frescas!!
 
A (puta da) filo-sofia

Auto da Barca da Bola

 
Ontem, o Domingo prometia, o sol brilhava e o vento desfraldava as fraldas da camisa de fim-de-semana. Havia uns zumbidos de fundo, rumores, de que o pessoal da bola poderiam matar-se uns aos outros. Fiquei contente, quanto mais depressa esta gente deixar de existir melhor. O país passará então a ter o merecido tempo para olhar outras merdas mais interessantes. Mas com medo de ser confundido com as beldades ligadas a este mundo da bogalhinha redonda, e com conhecimento defeituoso deste modo de vida para uns quantos mafiosos, senti-me em fora de jogo e parti até a orla marítima. O sol prometia, aquecia o frio do último mês, caminhei pelo areal e encostei-me a uma rocha pacífica, virada para a imensidão e sem mexilhão. Deixei-me embalar pelo movimento das marés, fiquei a pensar o que poderia escrever num dia tão bonito. No meio deste encantamento, surgem uns gritos fininhos que mais pareciam uma cana rachada. Não é que me sai um caranguejo com a bandeira do Poooorto a cantar os filhos do dragão. Fiquei fodido! Eu que até nem gosto de futebol. Pensava eu que fosse uma situação passageira, e logo de seguida aparece uma lapa, baptizada assim por viver na zona da lapa, com um cachecol do Benfica. Palavra troca palavra, a coisa azeda, e partem para o contacto físico. O caranguejo avança de pinças no ar, quer dizer recua, a lapa por sua vez amarra numa santola em punho e partem para cima do caranguejo. Gera-se uma confusão, o barulho atrai mais artistas da bola, como qualquer bom português sempre presente nestas alturas zaragata. Aparece um polvo com ar de rufião, e mãos no ar a distribuir estalos por todo o lado, vim mais tarde a saber que era do Sporting, trazia um leão-marinho amarrado a uma trela e acirrava-o contra os opositores. A aglomeração era cada vez maior, vi então passar um carapau com o cachecol do Braga, trazia um canudo de aço na mão ameaçando o lampião que alumiava o caminho para os barcos regressarem são e salvos, coitado, estava bastante baralhado. Em grande correria surge uma faneca de espada na mão, percebi que era do Guimarães, tinha um elmo igual ao D. Afonso Henriques, e sem que nada fizesse esperar aparece um robalo de capa com a cruz de Cristo a atirar pastéis de Belém. Foda-se! Até Os Belenenses, que já desceram de divisão andavam a dar cacete. Senti-me ameaçado, e pensei dar aos joelhos dali para fora. Já estava a enrolar a toalha que tinha vindo de oferta na revista Máxima com uma brochura do Cristiano Ronaldo em topless, quando finalmente chega a polícia. Começa a disparar para o ar, aponta-me a pistola, tento dizer que nada tinha a ver com aquele mundo, mas a bófia não me ouviu e dispara. É neste instante que acordo, não com a bala que felizmente passou de raspão, mas com a água a entrar-me nas partes baixas. Estraguei o meu Domingo, molhei o abono de família, e ainda apanhei uma multa do cabo do mar. Estava bandeira vermelha e não podia tomar banho. Estes cabrões da bola só me arranjam problemas, nem na praia se pode estar sossegado.
 
Auto da Barca da Bola

O melro fodilhão

 
Num pomar junto ao rio, uma pêra cansada de ser bicada por um melro de bico amarelo, resolve pulverizar-se de um pó específico capaz de criar um desarranjo intestinal grave. O melro, conhecidíssimo no círculo dos pomares, pelo artista que gosta de mandar uma bicadas e de seguida pôr-se ao fresco. É um melro bem tratado, faz ginásio, tem cuidado com alimentação e trata a pele como um verdadeiro galã de cinema. Creme de limpeza ao deitar e mais um creme especial contra os raios ultra-violetas para o dia, entre outras muitas coisas. Este melro, vivia da vaidade, armado em fodilhão, não havia pêra que escapasse. Mais uma vez, como quem não quer a coisa, a assobiar, pousou suas patas na pêra ainda a desabrochar para a vida, e sem apelo nem agravo, mandou-lhe com o bico às entranhas. A pêra nem se mexeu, acreditava que o tratante desta vez iria apanhar um valente susto, daqueles de verter os intestinos. No pomar, as peras sabedoras do que a sua colega passava com o melro de bico amarelo mantiveram-se em silêncio. Satisfez-se, e em cada bicada uma laracha, a vida era afinal de contas feita para melros como ele: bonito, de bico amarelo, não de bico preto ou castanho, amarelo vivo. Levantou voo, desenhando movimentos acrobáticos, pelo ar. Coisa de fazer inveja aos Ases de Portugal, e em cada pirueta um sorriso novo. Começa a subir a pique em direcção ao céu, mais do que nunca sentia que tinha todas as peras com os olhos postos nele. Começou a sentir um problema nas entranhas, o pozinho anti-fodilhão estava a fazer o seu trabalho, começou a fazer uns ruídos estranhos, e a largar uns resíduos pouco espessos pela parte traseira. Em grande velocidade e em dificuldades desceu até ao sopé de uma cerejeira que havia num canto do pomar. Encostou-se a um ramo, aninhou-se, contorceu-se, e de tantos puxões intestinais acabou por ficar com o bico vermelho. O caso era grave, o desespero ouvia-se a quilómetros, largava uns valentes e poderoso gases-ventosos de mau cheiro. O pobre coitado borrava-se pelas pernas abaixo sem parar, e os gemidos de dor misturavam-se com as gargalhadas das peras. Estas, pela primeira vez, sentiam-se verdadeiramente felizes, por fazerem parte de um pomar de peras livres de melros fodilhões. O problema é que se cagou tanto, que criou uma nuvem radioactiva de maus cheiros, contaminou o terreno, obrigando o governo a decretar zona de calamidade ambiental. As peras acabaram por ficar infectadas e impróprias para consumo, apodreceram nas árvores e acabaram por cair de podres. Moral da história, muitas vezes basta um melro fodilhão para dar cabo de um pomar.
 
O melro fodilhão

Raiz quadrada de caganço

 
O Prof de Mat. pediu aos alunos para calcularem a raiz quadrada de 666
Carlão, na carteira da frente, arregalou os olhos, passou a ponta do lápis pelo “cuspe”, e enfiou-o na orelha, sacou de uma 6.35 e colocou-a em cima do livro de matemática.
O Prof, entusiasmado pela rapidez da operação, logo elogiou o desempenho do menino Carlão e disse aos colegas que deveriam seguir o seu exemplo.
Num gesto único, toda a turma colocou em cima do livro de matemática pistolas, facas, catanas, matracas e surpreendentemente os dois melhores alunos tinham uma granada e uma bazuca

Trrrriiiiimmmmmmmmmm………

(toque de intervalo)
 
Raiz quadrada de caganço

Adeus Fidel, hasta la victoria, siempre!

 
Abri a caixa dos charutos e qual foi o meu espanto quando saco o último charuto enroladinho, fiquei preocupado, como vai ser agora?Amarro no telefone e ligo de imediato ao meu amigo Fidel. Marco o número, espero um pouco, por aquelas bandas tudo é mais lento até que uma voz rouca molhou-me o ouvido.

- Quién está hablando? (quem fala).

- Amigo, habla Surreal, João Surreal

- Oder, ¿cómo te va en tu vida, cabron (oder, como vais Surreal, amigo).

- Vai bem comunista de merda. E a tua saúde como está? Por aqui diz-se que estás já com os pés na cova, mas pela voz parece-me que já recuperaste. Eu tenho razão, Deus não quer comunistas a seu lado.

- oder Surreal, los picos de loros es que yo no trote (os bicos de papagaio é que não me largam).

Soy una enfermera que me trata todos los días, siempre están a mi alrededor y me da tregua ni reposo. eres una puta, pero es bueno para follar., (tenho uma enfermeira que me trata todos os dias, anda sempre á minha volta e não me dá descanso. é uma pu.., mas é boa para cara….) estoy jodido, la herramienta ya no es lo que era, es como el comunismo, cada vez con menos fuerza (a ferramenta já não é o que era, está como o comunismo, cada vez com menos força)

- Tenho pena não estares mais perto, dava-te uma ajuda com a enfermeira, sempre tive fetiches com enfermeiras. Sempre que penso nessas mulheres de cruz vermelha na testa, fico logo a altas temperaturas.
- oder João, no pensar en otra cosa, el sexo y siempre el sexo, nunca pienso en hacer el amor? (não pensas em mais nada, sexo, sexo e sempre sexo, nunca pensas em fazer amor?)

- Foda-se Fidel, andaste a foder o povo durante toda a tua vida e agora que estás na cama dizes-me apenas para fazer amor, “oder” Fidel. Mas descansa que eu tenho a solução, e já que tu estás de costas voltadas para os americanos, proponho-te um negócio.

- Mi cabrón, portugués siempre acaba tirando a su amigos, eres un cabrón de mierda. Pero no pierda más tiempo, dime cómo te va chingar (meu cabron, portugues acaba sempre por fod… sempre seus amigos, és um cabron de merda. Mas não percas mais tempo, diz como é que me vais fod…)

- escuta com atenção amigo, eu mando viagra e tu mandas-me uns charutos enrolados à mão, mas não quero daqueles tortos, tem que ser puros, dos bons, dos que fumas.

- Oder Surreal, eres un bastardo (foder Surreal, és mesmo um filho da puta) ok João, solo tienes que enviarme la cola, con la mierda del embargo, el puro é pegado con saliva (ok Surreal, só tens que me mandar cola, com a merda do embargo, os puros são colados com saliva)

- Não te preocupes amigo, envio-te duas caixas da boa, daquela que até cola cientistas ao tecto.

- valle amigo, estoy esperando (fico à espera). Ahora me tengo que ir, la enfermera me está poniendo loco de deseo (agora tenho que desligar, a enfermeira está a pôr-me maluco de desejo)

- adeus Fidel, hasta la victoria, siempre!
- Amigo, Surreal até à lá muerte

Foda-se, bem se diz que quem tem amigos não morre na cadeia.
 
Adeus Fidel, hasta la victoria, siempre!

As gajas mascaradas, o Lopes da Silva e o Ministro

 
Um carro de alta cilindragem passou por mim a 40 km/h por hora, um pouco mais, lá dentro, três mulheres com máscara e óculos escuros, passeavam calmamente pelo circuito de gente rica.

Um carro da polícia a alta velocidade atravessa-se em frente ao Mercedes, uma bomba de cerca de duzentos mil euros. De arma em punho, um polícia de bigode firme grita em voz de quem sabe o que está a fazer - mãos no ar! Mãos à vista ou disparamos. As pistolas não eram normais, tinham um comprimento que não deixava dúvidas aos meliantes, o estrago de uma bala daquele cano esmaltado era fatal.

Duas das senhoras morreram automaticamente, só com o susto de encostarem aqueles pistolões às suas cabeças, a terceira borrou-se toda. O cheiro tornou-se insuportável, e só depois da chegada dos bombeiros com uma agulheta de alta pressão, e feita a respectiva limpeza dos dejectos foi possível interrogar a única sobrevivente.

Depois da farsa do interrogatório a galhofa instalou-se entre os polícias. Não tinham dado conta da tragédia, ainda acreditavam que o desfalecimento seria apenas uma questão de minutos. Recompostas do susto tudo voltaria ao normal.

As loiraças de meia-idade tinham apenas ido a um SPA fazer uma piling facial, e colocar um pouco de botox nos lábios. As criaturas, cansadas de estarem fechadas na clínica de estética, e sabendo que a máscara facial, teria uma duração de pelo menos seis horas, resolveram então dar uma volta junto ao mar para passar o tempo e desfrutar da alta máquina.

Os polícias não paravam de rir, e o seu chefe, Intendente Lopes da Silva ligou para o Ministro da Administração Interna a dar conta do desenrolar da intervenção policial. Do outro lado, do telefone, o Ministro não se cansava de elogiar o bom desempenho levado a cabo pelas forças policiais comandadas pelo Lopes da Silva e em tom de confidência dizia:
- Espero agora que a minha mulher nunca mais leve as amigas no carro do ministério a passear.

- Obrigado Lopes da Silva! Acredite que não me irei esquecer de mais este bravo serviço em prol da nação. Nas próximas nomeações irei estar atento e não me esquecerei do meu amigo. O Sr. merece um lugar com mais responsabilidade, essa esquadra é demasiado pequena para as suas qualidades, o país necessita de gente como o Sr. em lugares onde possam ser cada vez mais úteis à Nação.

- Obrigado Sr. Ministro, foi um prazer poder trabalhar com o Sr. Ministro, espero ter contribuído para o enriquecimento da Nação e sei que o Sr. Ministro a partir de agora, contará ainda mais com as nossas forças policias para o que a Nação necessitar.

- Graças a Deus deve ter tudo terminado, e espero nunca mais ter problemas com a comunicação social, por causa da minha mulher.
Um guarda com ar abafadiço chega ao ouvido do Agente Lopes da Silva e segreda-lhe algo que pela cara de horror não parece ser uma boa notícia.
- Oh senhor ministro, há aqui um problema grave, acabo de ser informado que a sua esposa e sogra faleceram com o susto, apenas sobreviveu aquela sua secretária que trabalhou no caixa do Pingo Doce, e o mais grave é que a televisão já está aqui, e a transmitir em directo.

O que faço agora Sr. Ministro? Como o senhor sabe a nossa força policial não sabia de nada, recebemos apenas uma notificação de que um carro do Ministério da Administração Interna, tinha sido roubado por três mulheres mascaradas.
 
As gajas mascaradas, o Lopes da Silva e o Ministro

A milésima parte da hora está com o cio

 
Corria o quadragésimo oitavo minuto depois das quatro, quando o ponteiro dos segundos começou a correr desalmadamente. O minuto ainda tentou deitar-lhe a mão, não conseguiu, e deu a correr atrás do pequenitates com ar de poucos amigos.

Sabia que nada era sem aquela merda dos segundos. A hora, impávida, começou a sentir-se preocupada, as coisas estavam a correr depressa demais, e os seus compromissos eram demasiadamente importantes para aquela brincadeira dos segundos. Ainda tentou pôr ordem na bagunça, mas estava demasiado cansada e preguiçosa para continuar, o seu tempo era outro, ela sabia que mais tarde ou mais cedo tudo se resume apenas a si.

Suou um apito, um cavalheiro de boné com umas fitas douradas levantou uma bandeirola vermelha, a máquina começou a deitar fumo, e o barulho das rodas fez-se ao caminho.
Corri desenfreadamente, olhei para o relógio e não compreendi o motivo do comboio estar a partir antes da hora. Bem tentei mas quando por lá cheguei já a máquina infernal desaparecia atrás da primeira curva.

Perguntei ao chefe da estação se não havia engano nos horários. Com ar de gozo disse-me: - Ó meu amigo, você nem sabe o pagode que foi aqui: o segundo ouviu dizer que uma milésima parte da hora estava com o cio, e procura companhia. Dizem que está sem norte, e o ponteiro não pára de girar, não há mostrador que não seja tentado. Já há muito tempo não se via uma milésima tão atrevida.

Desatou numa correria doida por aí fora obrigando o minuto a correr em seu encalço, por achar que ainda é muito pequena para acasalar. A hora, velhota, como sabe que não os pode acompanhar partiu mais cedo, para tentar pôr ordem dentro da relojoaria. Foi o fim do mundo aqui, e quem se amolou foram os passageiros, como sempre, e lá diz o velho ditado: “quem se lixa é o mexilhão”.

- Sabe o amigo, o planeta está completamente tresloucado, agora com estas máquinas de ferro, nada a fazer! Quem manda nesta merda toda é Greenwich. Olhe o que lhe digo, ainda um dia vamos ter muitos problemas com este homem. Consta por aí que já anda a fazer medições da terra, um dia acordamos e temos uma hora diferente da qual nos deitamos. Eu já sou velho, mas tenho pena das novas gerações, acabarão por ir para a cama com o sol na eira.

Dou-lhe um conselho, não se enerve muito com estas coisas modernas, mas se insistir preencha o livro de reclamações, fica no Big Ban em Londres, mas com a nuvem do Vulcão dos Capelinhos nos Açores, os cavalos estão proibidos de zarpar, as serras e as planícies estão fechadas e também tem outro problema, é que as estradas em França estão encerradas, há uma greve dos camionistas.
 
A milésima parte da hora está com o cio