Poemas, frases e mensagens de rosa-branca

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de rosa-branca

APAGO OS MEUS TRAÇOS

 
APAGO OS MEUS TRAÇOS
 
Apago meus traços, perdidos num adeus
Percorro os meus sonhos, cansada, perdida
Desfaço o silêncio, destes olhos meus
E rasgo as mágoas e agruras da vida

Preencho a ausência e bebo um poema
Feito do meu corpo, vazio, sedento
Carrego a saudade como um dilema
Deixo meus desejos nas asas do vento

Assino a viagem que vou percorrer
Na folha da vida, que me está a fugir
Enterro a angustia, p'ra ninguém saber
Que um dia com ela eu irei partir

Desfaço meus laços e digo-te adeus
Nesta encruzilhada de mágoa e de dor
És a minha luz e a dos olhos meus
Doçura, carinho, ternura e amor

Apago os meus traços, na tela com beijos
Percorro o teu corpo, p'ra sentir o sabor
Das nossas loucuras, dos nosssos desejos
Da minha ansiedade, de ti meu amor.
 
APAGO OS MEUS TRAÇOS

ADORMECI

 
ADORMECI
 
Adormeci ao relento
Cansada de esperar
Que navegasses no vento
Para me vires visitar

Sonhei então que a lua
Que também enamorada
Desceu ás pedras da rua
P'ra eu ficar acordada

E vi o teu lindo olhar
A bailar nos olhos meus
Para me virem contar
Quais os desejos dos teus

E nesta espera que dura
Não quero ainda acordar
P'ra não sentir a amargura
Que é eu ter que esperar

Adormeci no convés
Do barco da ilusão
E desbravei as marés
Que tinha no coração.
 
ADORMECI

RASGO AS PALAVRAS

 
RASGO AS PALAVRAS
 
PARA TI MEU IRMÃO COM MUITO AMOR.

Porque hoje a saudade bateu mais forte
Porque hoje era um dia p'ra recordar
Porque hoje nem mesmo a tua morte
Vai fazer o meu coração tudo calar.

RASGO AS PALAVRAS

Rasgo as palavras, para não as dizer
Percorro o meu ser, tal cume em riste
Enterro meus sonhos,para os não viver
Navego nas ondas, do que não existe

Na minha procura, eu sei que em vão
De te não ver, eu sofro calada
Espalho a amargura, do meu coração
Nos ventos agrestes e no pó da estrada

E neste vazio, que em mim existe
Nesta tristeza, que eu tento calar
Só sei da certeza, que tu partiste
Lindos teus olhos, não vão mais voltar

Olho-me ao espelho, não me conheço
Não sei se aqui estou, ou se já parti
Só na minha angústia, eu me reconheço
Nas mágoas e saudades que eu tenho de ti

Eu sei que um dia, eu te vou encontrar
Com ferros, amarras te vou prender
O que não dissemos, nós vamos falar
E não mais irmão eu te vou perder.
 
RASGO AS PALAVRAS

DESPERTEM

 
DESPERTEM
 
Despertem horas sombrias
Não fiquem pasmadas agora
E dêm amor, alegrias
Á juventude de outrora

Despertem, porque as maldades
Não podem ficar mais caladas
Têm que viver as verdades
E serem desmascaradas

Despertem palavras vãs
Não bradem com ironia
Pois em todas as manhãs
A morte passa, sombria

Que todos entes queridos
Não vivem eternamente
Ou vão partir esquecidos
Que afinal até são gente

Despertem pois toda a gente
Que a saudade está a matar
A alma de quem não sente
E se negou a amar

Despertem que estou agora
Olhando o anoitecer
P'ra ver o nascer d'aurora
Quero vê-la envelhecer

Despertem dessa amargura
Que o dia está a nascer
E vejam quanta a ternura
No dar e no receber.
 
DESPERTEM

NUNCA TE DIREI

 
NUNCA TE DIREI
 
Nunca te direi que um dia
De manhã ao acordar
Eu tive a ousadia
De contigo eu sonhar

Nunca te direi que em poemas
Na tua alma me enfio
Que o teu sentir é o rio
Onde lavo as minhas penas

Dos meus sonhos e loucuras
Eu nunca te irei dizer
E das minhas diabruras
Tu nunca irás saber

Do choro que me fez secar
Eu nunca te direi também
Que levei anos a sonhar
Que também tinha uma mãe

Nunca te direi, sabe a aurora
Das mágoas que tenho no peito
E que a tua alma é agora
A cama onde me deito

Nunca te direi dos desejos
Que tenho para te oferecer
Só quando limares meus ensejos
E sentires os meus beijos
Loucos, na tua pele a bater
 
NUNCA TE DIREI

VESTIDA DE PRIMAVERA

 
VESTIDA DE PRIMAVERA
 
No coração de um poeta
Eu escrevi meu sentir
E a minha alma pateta
Tratou de o colorir

Deu a cor dos prados belos
Com ternura enfeitados
Pincelou com amarelos
Lírios de sonhos bordados

Da rosa despiu a cor
E d'outra roubou o carmim
Vestiu de doçura e amor
O triste que havia em mim

Até coloriu os meus beijos
Com ansiedade e loucura
Pintou meus loucos desejos
Com risos de diabrura

Brilhante e com tanta cor
Nada vesti que loucura
Estou vestida de amor
Para ti minha doçura

E agora quando à noitinha
Eu estou à tua espera
Eu te espero vida minha
Vestida de Primavera.
 
VESTIDA DE PRIMAVERA

MEU CORAÇÃO

 
MEU CORAÇÃO
 
Revestido de rebeldia
Assim está meu coração
Não ouve só me arrelia
Não escuta a minha razão

Vira as costas vai embora
E só faz o que ele quer
Me desdenha a toda a hora
Só porque eu sou mulher

Não quer mais obedecer
Me diz que agora é o rei
Que já tem o seu querer
E o seu querer não tem lei

E quando fica zangado
De eu dizer, tem que ser
Chega até a ser malcriado
E diz que nem me quer ver

Sempre viveu na prisão
Nunca lhe dei liberdade
Me acusa e com razão
Só lhe dei mágoa e saudade

A alguém eu o vou dar...
Descobri que não é meu
Se eu o pudesse ofertar
Talvez o fossem tratar
Melhor dele do que eu.
 
MEU CORAÇÃO

LÁ LONGE

 
LÁ LONGE
 
Lá longe, onde o sol tem mais luz
a minha alma vagueia, perdida da minha cruz.

Lá longe, onde a brisa beija o mar
voa a minha ternura prontinha p'ra te abraçar.

Lá longe, no horizonte a florir
estendi o meu olhar e beijei o teu sentir.

Lá longe, onde começa o fim
Vou deixar este meu eu, para não voltar p'ra mim.

Lá longe, onde o céu está a arder
Vou semear este amor para tu poderes colher.

Lá longe, onde a distância termina
Tão perto o teu amor, tão longe a minha sina.
 
LÁ LONGE

FOI-SE O SOL

 
FOI-SE O SOL
 
Foi-se o sol deitar mais cedo
Para eu poder brilhar
E amar-te em segredo
Nesta noite de luar

Foi-se toda a amargura
P\'ra longe o vento a levou
Para soltar a ternura
Que fechada a vida passou

Foi levada a nostalgia
P\'las estrelas a brilhar
Deixaram-me a ousadia
Com laço para te ofertar

Ao de leve veio a brisa
Pés de lã devagarinho
P\'ra me deixar sem camisa
Deslizar no meu corpinho

Rebelde então veio o mar
Para o meu corpo cobrir
D\'espuma do seu ondular
E salgar o meu sentir

Foi-se o sol e foi a lua
Já nos podemos amar
Tu és meu e eu sou tua
Como a noite é do luar.
 
FOI-SE O SOL

Quero Dançar

 
Quero Dançar
 
Eu quero dançar assim
Nas tuas asas ó vento
Para não rirem de mim
E não fazerem lamento

Quero dançar ao luar
No dia á luz do Sol
No cimo da água do mar
Ou na luz de um farol

Quero pisar a ondinha
Que o meu pé vem beijar
Voar até á estrelinha
Que me vem iluminar

Passar assim o serão
A dançar com muito ardor
Dançar com o meu coração
Embalada na ilusão
Nos teus braços meu amor.
 
Quero Dançar

GOSTO

 
GOSTO
 
Gosto,
De uma noite de luar
Dos sonhos a palpitar
Na barcaça da ilusão
Do cheiro da terra molhada
De uma manhã orvalhada
E de um dia de verão

Gosto,
Do mar ao pôr do sol
Da luz ténue de um farol
Do ar ameno à tardinha
E da água da velha fonte
Do riscar no horizonte
Pelo voo de uma andorinha

Gosto,
Das estrelas do firmamento
De ficar parada no tempo
Despida de dor e saudade
E de ver que o meu coração
Com tanta revolta então
Não se vestiu de maldade

Gosto,
Das carícias dos desejos
Do doce desses teus beijos
Que fazem minh'alma abrir
E da tua ternura ousada
Que se senta endiabrada
Na soleira do sentir

Gosto,
Do cheiro que tem a rosa
Da tua voz melodiosa
E gosto do teu ardor
Mas, quando semeias desejos
No meu corpo com teus beijos
Eu adoro meu amor.
 
GOSTO

MORRI

 
MORRI
 
Morri ao sabor do vento
Que me batia no rosto
Andei no cais do lamento
Na vereda do desgosto

Morri na escuridão
Que se fez no meu sentir
Pedaços de um coração
Que há muito deixou de rir

Morri p'ra mim tanto tempo
Que de mim fiquei esquecida
E nem arranjei um momento
P'ra me colocar na vida

E no meu olhar vazio
A morte também fechou
A água deste meu rio
Que de tristeza secou

E até na estrada deserta
Na aridez fui morrer
Mas na alma de um poeta
Eu renasci, quis viver

Viver, sem tédio, sem dor
Sem angústia, só saudade
E digo-te com fervor
Se não fosse o teu amor
Eu morria de verdade.
 
MORRI

DEI-TE O MEU LIVRO VELHINHO

 
DEI-TE O MEU LIVRO VELHINHO
 
Dei-te meu livro velhinho
Para tu o desfolhares
Trata-o pois com carinho
Mas abre-o devagarinho
Para não o estragares

Está velho e descorado
Pois perdeu a sua cor
Quem leu, não teve cuidado
Pois deixou-o amargurado
Não o tratou com amor

Lê nas pétalas da ilusão
As mágoas do meu sentir
E junto ao meu coração
Em montes de confusão
Os meus sonhos por abrir

Na parte escura e fria
Está guardada a solidão
Mistura as letras, varia
Forma a palavra alegria
E dá-lhe o calor de verão

E num canto amarrotado
Qual papel sem valor
Está meu amor, apagado
Sem calor amargurado
Á espera de ti amor.
 
DEI-TE O MEU LIVRO VELHINHO

HOJE

 
HOJE
 
 
Eu hoje,
Eu queria voar contigo
Fazer-te meu porto d'abrigo
Serenar esta paixão

Eu hoje,
Queria percorrer teu sentir
Vêr os meus sonhos a abrir
P'ra acalmar meu coração

Eu hoje,
Queria matar-te com beijos
Saciar nossos desejos
Queria-te só p'ra mim

Porque amanhã meu amor
Eu não sei se cá estarei
Nem sequer se aguentarei
Esta saudade esta dor
Esta sina sem ter fim.
 
HOJE

BEBI

 
BEBI
 
Bebi o chá d\'amargura
Da dor da desilusão
E sofri de indigestão
Com o da falsa ternura

Bebi da água do mar
Com rosas do meu jardim
Num agridoce sem par
Com espinhos sem ter fim

Bebi castelos dourados
Estrelas do firmamento
E adormeci ao relento
Em sonhos desgovernados

Bebi sonhos, ilusões
Para conseguir sonhar
Mas andei aos trambolhões
E neles não pude entrar

Bebi o sal dos meus olhos
Por tanto eu te querer
E a agonia aos molhos
Por a ti mãe não te ver

Bebi a tua doçura
Mas agora já não sei
Se acaso me envenenei
De amor e de ternura.

Rosa-Branca
 
BEBI

INDOMÁVEL

 
INDOMÁVEL
 
Indomável é o sonho
Em noite de céu estrelado
E o pesadelo medonho
Na lembrança do passado

É a luz que faz questão
De continuar a brilhar
Que ilumina a solidão
Mesmo que esteja a chorar

Indomável é a morte
Que ao carregar tanto frio
Deixa escrito em sorte
Um abraço num vazio

E até a velha hera
Sempre ao sol e ao vento
Teima em dar um rebento
P'ra enfeitar a Primavera

Indomáveis somos nós
Pois seja noite ou dia
Não queremos estar sós
E ás vezes nem companhia

Indomável o meu ser
Quando sente o teu ardor
Deixa meu sentir a arder
Em labaredas de amor.
 
INDOMÁVEL

ABRAÇA-ME

 
ABRAÇA-ME
 
Abraça-me nostalgia
Ao de leve por favor
Que não quero a agonia
De mais sentir teu sabor

Abraça-me luz do Sol
Que quero quente ficar
Mas se fores tu farol
Também me podes abraçar

Abraça-me ó luar
Ó estrelas do firmamento
Convosco quero voar
Na brisa e até no vento

Abraça-me vida minha
Que me estás a fugir
Não olhes p'ra trás, caminha
Que maltratas meu sentir

Não lembres mais minha dor
Não pises mais o meu chão
Nem me tires o calor
Que abraça meu coração

Abraça-me que eu sou mar
Perdida nas tuas marés
Afoita no teu ondular
E casta rendida a teus pés.
 
ABRAÇA-ME

ZANGUEI-ME

 
ZANGUEI-ME
 
Zanguei-me com a luz do dia
Com as estrelas o luar
Se eu estou tão sombria
Porque têm que brilhar

Zanguei-me com a saudade
Porque marcou meus caminhos
Não com rosas mas espinhos
Me roubou a mocidade

Zanguei-me com um Jesus
Por tanto lhe perguntar
Porque me deu esta cruz
E um coração para amar

Zanguei-me até com o mar
Pois me sinto tão perdida
Neste mar da minha vida
Não me consigo encontrar

Zanguei-me com a caneta
E, só vou voltar a escrever
Quando tu fores um cometa
No meu universo a arder.

Rosa-Branca
 
ZANGUEI-ME

EMBRIAGUES

 
EMBRIAGUES
 
Meu sentir embriaguei
De dor e de amargura
Mas sóbria depois fiquei
Ao beber a tua ternura

Embriaguei a verdade
Com o teu olhar ardente
E assim fiquei de repente
Esquecida da minha saudade

Bebi teus beijos, fiquei
A caír com a ternura
Minha alma embriaguei
De sonhos feitos loucura

Me embriaguei ao sorver
O vinho do teu ardor
Não mais parei de beber

E nesta minha embriaguez
Me embriago de ti amor
Mais uma e outra vez.
 
EMBRIAGUES

CANSEI

 
CANSEI
 
Cansei, porque a ternura
Que sempre esteve escondida
Deu a volta à fechadura
E descobriu a saída

Cansei, porque a amargura
Que sempre me atormentou
Foi-se embora noite escura
Porque de mim se cansou

Cansei, porque a saudade
Me fez chorar, nunca rir
Deu lágrimas à caridade
E secou o meu sentir

Cansei, porque o amor
Sempre gelado, vazio
Hoje sopra o seu calor
A arder em desvario

Cansei! Que hei-de fazer
Eu vou ter que decidir
Se dou asas ao dever
Ao coração, ao sentir

Vou dar asas ao sentir
Ao dever a condição
De a mim nunca traír
E de jamais ir saír
Sem ordem do coração.
 
CANSEI