Poemas, frases e mensagens de Batalhafam

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Batalhafam

Poemas dos livros: "Trilogia das Palavras" e "Verdades & Mantiras" - São Paulo - Brasil.

CHAMADO

 
Lí, em teus olhos,
um dilúvio a se espraiar
sobre mim e,
nas certezas que tenho.

Que venha esse turbilhão
como um rolo compressor,
com toda fúria, todo tesão
e me invada por inteiro.

Nesse mar de paixão,
em que a areia beija o sal,
não vamos morrer na praia.

Sem nos reprimir -e ao mundo,
mais vale um mergulho pro-fundo.
 
CHAMADO

OLHOS D'ÁGUA

 
Derrama teu olhar sobre mim,
que aos poucos transbordarei
e, sendo enxurrada completa,
não vou parar de jorrar
feito fonte, feito rio,
feito o que me fizeste.

Torrencialmente,
derrama, sobre mim, esse teu olhar
para que eu possa chover sobre a cidade;
lavar ruas, poste, casas, limpeza na atmosfera,
me entrega essas esferas, derrama esse teu olhar.
 
OLHOS D'ÁGUA

DESENCATO

 
Nem foi necessário fala;
vi em teus olhos
o que calas
e disse adeus
sem dizer.
 
DESENCATO

PÁSSAROS / POEMAS

 
Bom saber dos teus pássaros...
desses que, em revoada,
saem dos poetas;
que plainam, colibrís, fazendo festas,
como bem-te-vis sobre as cabeças.
É bom, vê-los, plainando pelos ares...
seus ovos de paz e de alegria...
que tingem o céu num arrebol e,
quase sem saber,
fazem nascer um novo sol...
fazem surgir um novo dia.
É bom saber dos teus poemas...
esses que anunciam a alvorada...
que traçam um novo caminhar,
uma nova estrada
e, dizem que "a vida, sempre vale a pena".
É bom saber dos teus poemas.
 
PÁSSAROS / POEMAS

TRANSCENDÊNCIA

 
Para além da linguagem
há o que sinto e o
que sequer pressinto;
há o que penso e o
que nem alcanço.

Para além da linguagem;
a vivência, o coração, a fé,
a aceitação e o silêncio... até.
 
TRANSCENDÊNCIA

NÉCTAR

 
Me encantam os detalhes,
jogos de luzes,
sombras,
contrastes;
tudo em você chamando
ao amor e à arte.
E aquilo que mais escondes
e à outro velas,
fascinado,
é o que mais percebo:
tua beleza,
teu riso,
teu gozo, que desnuda,
sussurando, me revelas.
 
NÉCTAR

SEMÍLIA & Outras biologias

 
No cósmico segredo das sementes,
mora a essência da vida,
calada, escondida,
ansiosa, sedenta,
que desde a raiz
ao fruto,
a mesma seiva
alimenta.
 
SEMÍLIA & Outras biologias

BEIJO

 
Foi de você
que recebi as três canções
falando de amor.
A primeira,
me falava da noite eterna
e da eterna lua.
A segunda,
de uma adolescente paixão antiga;
uma canção que reverbera e insiste.
A terceira,
sinceramente, mal pude ouvir;
quedou-se muda, mouca
e, delicadamente,
vazou meus lábios,
virou estrelas no céu de nossas bocas.
 
BEIJO

MAR INICIAL

 
De que moura terra distante
vem esse canto;
esse quase pranto,
que em minha alma dança?

Quê atávica saudade é essa,
que aflige meu coração
e que em minha alma canta?

De onde vem esse lamento
e, quais tormentos
não posso esquecer?

Que revolto mar se agiganta em mim
e, sem que eu saiba,
me faz ficar assim?

Diga, meu coração,
de que mares fala essa canção
que me atormenta?
 
MAR INICIAL

MALESPERANÇA

 
dói
essa luz que não se realiza
sempre pela metade
a promessa se concretiza

dói essa penumbra
essa bruma de enganação
bússola transversa
cansa essa conversa de já estarmos lá

dói esse opaco sol no horizonte
centauro parvo, semi utopia
cansa esse lusco-fusco
de nem ser noite, nem ser dia

dói essa quase luz
cansa essa espiral em cruz
essa eterna promessa de união

IN: "Poesia Convergente" - 2013
 
MALESPERANÇA

RUPTURA

 
É quando olho no olho
não nos vemos
inteiramente;
quando face a face,
também,
não se diz o que se sente;

é quando o jogo surdo se instala
e sem entender direito,
sem quê nem porquê
a gente cala.
 
RUPTURA

BOEMIA

 
Silenciosa como uma sombra
essa dor se instala em mim
e queima, e arde.
E nesse "pique",
nesse ritmo,
nessa lei,
me entrego à cidade
em que me apaixonei.

Andar compete aos pés
e à cabeça;
às vezes fere,
é uma tortura.

Nada dói tanto
como esse vai e vem
pelos bares da city
a tua procura.
 
BOEMIA

ENXURRADA DAS ALMAS

 
Ainda hoje te ouço, Carlos
e, mais que ontem, Drummond,
se os olhos aprendessem a chorar
teríamos um segundo dilúvio
e esse teu poema seria levado
pela enxurrada das almas,

e durante, e após o aguaceiro,
restariam gentes,
novas gentes,
à fazer poesia novamente.

Mas não chove;
o tempo é de secura,
não há enchentes
e as ruas são vazias,
apesar das gentes.
 
ENXURRADA DAS ALMAS

O REENCONTRO

 
Te encontrar assim, de repente,
perdida entre automóveis
e barracas de camelôs,
foi como trombar, desapercebido,
com um oásis, para o justo repouso;
um abrigo fiel de descanso.

Caótica,
a cidade se estendia para além das razões;
mas... te ver ali, parada em minha frente;
mãos estendidas para o abraço,
foi a surpresa mais doce que eu poderia ter.
Um instante mágico, surreal
e, só para mudar o contexto,
senti um desejo incontrolável de pintar
novas paisagens no concreto,
no cinza que a cidade nutre.

Te encontrar assim, tão de repente;
e rever o teu sorriso de milênios
como se nunca o vira antes,
foi reencontrar o paraíso
em meio a minha solidão,
e a dos passantes.
 
O REENCONTRO

PARTO

 
Quando o amor
é que conduz,
viver é mergulhar
na escuridão
e trazer tudo à luz.
 
PARTO

A TEU LADO

 
Às vezes,
te juro,
não entendo
nem sei bem o que acontece;
quando penso que é noite,
vejo, estupefato,
que amanhece.
 
A TEU LADO

ANDANDO NA CHUVA

 
Como a vida,
a cidade é toda feita de esquinas,
e tudo é escolha;
opções que se impõem.

Plural, seletiva, a memória passeia
atravessando ruas, toldos, fronteiras.

Pés ligeiros, entre os pingos,
cabeça nem pensa,
rente ao chão, ave, gato, serpente,
poça d'água à frente,
um salto adiante, de repente.

E flamíngeo,
o coração se estende leve
pela tarde imensa:
brota o sol por entre a chuva,
agridoce feito uva.
 
ANDANDO NA CHUVA

VOZES CONVERGENTES

 
perto é o crachá
a catraca
a máquina, a produção
no peito, alma imersa em banho
espaço em branco
súplicas de novas cores
tons, sabores...
a rudeza do operário clama poesia

gueixa dos sonhos
como quem dança um triste acorde
somente há insaciáveis fomes
intangíveis amores e cidades invisíveis
a dureza do operário quer ser poeta

longo é o apito, seria urbana
ecos de outras eras
ressonâncias que nos travam ao chão
redundam
poetas e operários sonham

IN: "Desordem" - 1992
 
VOZES CONVERGENTES

GUTURAL

 
Ah...esse grito em mim
É mais que urgência de vida
ou poesia);
é a falta que faz a tua companhia.
 
GUTURAL

VIA DEL CUORE - não é aquele motel na beira da estrada.

 
Por maior que seja o estranhamento,
minha casa é onde minha alma dança;
mítico lugar que, incerto, me aninho;
onde, mesmo intranqüilo, repouso a fé
e, pés descalços, faço e refaço
esse meu único caminho.

Minha casa
é onde os corações descansam
e, onde sem se darem conta,
quase indo sós,
nossos passos ávidos, na busca
desfazendo os nós,
insondáveis,
se alcançam com carinho.
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Minha casa é onde mais te vejo
e por maior que seja o encantamento
ou que tenha contramão,
é sempre doce a entrega
nas trilhas do coração.
 
VIA DEL CUORE - não é aquele motel na beira da estrada.

Escrever, é como fazer espelhos; deixar refletir o rosto de quem lê!