Poemas, frases e mensagens de karlamelo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de karlamelo

Brasileira, casada, expondo o meu trabalho e apreciando muito os trabalhos dos caros poetas.
Abraço fraterno a todos.

À MARGEM

 
Lisboa... Cá estou.
O céu que me cobre mantém-se incessantemente cinza...
Contrapondo a luz ardente que envolve minh’alma.
Em mim... Um amor que me conduz à plenitude... Quase inocente.
Em mim... Uma eterna saudade daquela onde nascí.
A minha recife... De arquitetura tão semelhante...
Mas de amores no ventre tão singular.
Minha recife de chão ardente e de gente com riso fácil...

Sim... Cá estou.
Lembro-me constantemente dos que me são ternos.
Por todas as janelas que contemplo a minha volta...
Vejo colinas frias... Campos verdes... Crianças brincando.
Sons de crianças brincando.
Isso me remete à minha infância... À infância dos meus filhos.
E sinto um gosto terno de saudade em minha boca.

Cá estou...
Ausenta-se em mim qualquer arrependimento.
Mas vale a dor da saudade que sinto...
Do que a dor de não ter sido intensa em minhas escolhas.
Não nascí para viver à margem de coisa alguma.
Sou uma quase louca... Na margem estreita dos que me olham de longe.
Ou serão loucos aqueles que se contentam com as margens...
E se preocupam em demasia com a ausência de margem dos loucos.
Não sei... Amo minha loucura.
Não saberia ser sã... Monótona... Hipócrita.

Cá estou...
Inquieta em meus pensamentos... Questiono sempre.
Mesmo a deus de quando em vez... Se me vem a solidão e me aperta o peito.
Por vezes quero gritar... De inquietações e felicidades.
Como posso sempre estar em dualidade permanente?
Existe uma paz que emana do mais íntimo do meu olhar...
É transparente... Calmo... Luz.
Existe um amor que me traduz cotidianamente... Silenciosamente.
Ando meio surpresa com este novo encontro comigo mesma...

Sim... Cá estou.
Existe uma saudade...
De um lugar... De um cheiro... De um gosto.
De uma bandeira que seduz meus pensamentos...
Os desvirtuam das banalidades que meus olhos contemplam
Se comparadas a ti... Minha casa.
Há o amor... Meus filhos... Tua filha... Minha pátria.

Karla Melo
Março 2010
 
À MARGEM

Quietude...

 
Amo tua quietude….
Quietude transbordante alma inocente e boa.
Quase como de criança… que contempla um brinquedo que jamais o terá.
Quietude taciturna… que informa-me, incansavelmente, a que vieste.

Vieste desarrumar-me.
Sim… tua quietude desarruma-me.
Traz-me uma terna sensação de outrora…
Desarruma minh’alma volúpia e inquieta.
Traz-me compassos. E eu que não gosto de ritmos. Nenhum.

Amo tua quietude.
Provoca em mim um desarrumar de crescimento.
Acalma-me e deixa-me ares de contemplação.
E Contemplo… bom uso do tempo.
Templo – Paredes frias e desejadas.
Eu comeria tua quietude.

Karla Mello
Novembro/2010
 
Quietude...

DOMINGO AZUL...

 
“Tá lá um corpo estendido no chão.”
Tá lá uma vida inteira na contra-mão.
Algumas vezes, não.
Apenas mão. Afago.
Dele em alguém.
Outras vezes, negação.
Do afago. De alguém.
Solidão. Contra a mão.

Tá lá um sonho roto no chão.
Sem rota. Quebrando o cais. Da solidão.
Fartou-se. Da vida.
Ora sem vida. Hoje sem vida.
Hoje com VIDA. Em algures.
De chegada. Sem partida.
Não mais. Não mais partida.
Hoje, apenas interromida.

Tá lá uma mala retida sem mão.
Várias mãos. Abrem. Tocam. Fecham.
Só uma mala. Havia nela uma vida.
Vida e mala. Vazias. Agora.
Janelas. Muitas. De vidro.
Olhos espreitam. Mundos. Mudos.

Tá lá uma árvore presa ao chão.
Pálida. Sem verde. Sem norte.
Estática. Morte.
O vento não passa por ela.
Contorna. Entorna choro.
Um colar azul. Corda. Laço.
Domingo Azul. Escurece. Marinho.
Desenlace. Da Vida. Do nada.
Ao tudo. Em paz.

Karla Mello
 
DOMINGO AZUL...

CORAÇÃO DE PASSARINHO... NINHO

 
Filhos...
Sopram feridas. Minhas.
Bocas de anjinhos. Sopram amores.
Cores em mim. Muitas cores!
Saram dores. Nascem flores.
Em mim.

Filhos...
Passarinhos. Voam alto. Longe.
Saem do ninho. Meu.
Eu. Caio do ninho.
Ninho da saudade. Espera.
Meus passarinhos.

Karla Mello
 
CORAÇÃO DE PASSARINHO... NINHO

BUSCA

 
Se, por ventura, algum dia, não me encontrar mais em ti...
Nos teus gestos mais gentis...
Nas tuas decisões mais precisas...
Nas tuas lágrimas mais contidas...
Nas tuas orações mais aflitas...
Que não busquem a mim, então...
Em nenhum outro lugar.
Não quererei estar, nem existir, nem mover-me...
Em nada... nem nalgum outro lugar... que não seja em ti.
Meu amado... meu repouso... meu norte... minha luz.

Karla Mello
novembro 2009
 
BUSCA

PARA DENTRO DE MIM...

 
Não sei se pode-se medir a dimensão do amor...
Ando num tempo com ausência de tempo.
Não... Não paro nunca.
Mantenho a força do meu pensamento em tudo... Em todos.
Sinto-me só... Mas em tempo de crescimento.
E crescer machuca... Dói.
Mas é fundamental para a melhora da existência – minha.

De certa forma, acostumei-me...
Acostumei-me à vida... Que está sempre a exigir muito de mim...
Sei lá por quê.
Ou talvez seja eu quem eleva minhas expectativas sobre ela...
E estou sempre a querer mais?
Mais... Não gosto de nada pouco... Não gosto de nada pequeno.
Sou intensa... Sou inteira.
Até nos meus abismos... Prefiro mergulhar a ficar à margem.
Sinto muitas dores...
Dores minhas... Dores do mundo.
Engraçado como podemos minimizar as dores do mundo...
Mas não conseguimos minimizar as nossas.

Estou só.
Mas não sigo sozinha.
Meu coração é povoado de amor...
Por deus... Por muitas pessoas...
Pessoas como você.

Karla Mello
Setembro/2009
 
PARA DENTRO DE MIM...

PLENA

 
Uma sinfonia…
No mais absoluto silêncio do meu ser.
Ouçam… Silêncio!...
Alguém escuta?... Percebe ou sente isto?
Ritmo calmo… com-pas-sa-do…
Abaixa este volume… por favor.
Leve… Leva-me.
Descompasso… ao avesso… inquietude e desejo – disritmia.
O quanto cabemos?
Cabemos?
E bem baixinho…Arde em frescor de plenitude…
E espalha-se pelo ar… Preencheria toda uma cidade.
Preencheria um mundo…
Preenche o meu… devasta o meu.
Encho minhas mãos em teus cabelos da prata…
Prata… luz que miro nos olhos teus… meus.
Luz… quero luz!
És luz… minha luz.
E depois?
Silêncio e paz…
Plena eu… E pluma… ternura.

Karla Mello
novembro/2010
 
PLENA

ESCUTA-ME, ESTRELINHA...

 
Olho as estrelinhas de Natal que cintilam na janela do meu quarto.
Então, ponho-me a vagar em meus delírios.
Imagino em meus sonhos quase infantis...
Que uma delas poderia, rapidamente...
Transformar-se em uma estrela cadente.
E eu seguraria forte em sua calda...
Como se fosse a crina do cavalo alado mais belo e mais veloz...
Branco... Como a luz do amor que sinto por ti.

Daí então, qual criança sonhadora...
Faria apenas um pedido...
Que, subitamente... me levasse até você.
E que retornasse a cintilar, na janela do meu quarto (agora sem mim).
Mas anunciando aos passantes... ao mundo inteiro...
A sua ação generosa deste Natal.
E que todos que a vissem pudessem compreender...
A dimensão de minha paz...
De minha felicidade...
Da plenitude deste encontro...
Do meu amor.
Lá, doravante, longe de tudo...
Mas tão perto daquele com quem eu sempre desejei estar.
Escuta-me...
Leva-me... Estrelinha.

Karla Mello
 
ESCUTA-ME, ESTRELINHA...

O TOM DO AMOR...

 
(Aos Poetas Janet Zimmermann, Alessandra Horta, Paula Quinaud, Dôra Borges, Gilson Fubá e Paulo Carvalho)
A todos os poetas… Repleto de todo o bem.

Poemagitar... Verbo. Movimento.
Ação que tem cor… som… dor.
Amor vem e dá o tom. Sempre. Presente.
Presente generoso… doação. E canção - Escutas?
Tem letra… tem som – silêncio.
Zzzzzimmermann… Barulhinho das asas do pensamento.
Levita… leve pouso de borboleta na flor.
Ale… gria. Rima. De dor. De gritar. De ecoar na reflexão.
Na minha… identificação. Introjetar... incomodar e permutar.
De lugar. Os pensamentos. Desalinha… e acomoda o novo… outro pensar.
Revolução, ebulição… do ínfimo em nós. Do grande em nós. Humanos apenas.
Quinaud… Quando… i… alinha. Letras formam vasto pensamento.
E devasta. Campos e medos. Arrancam danos e plantam flores.
Lindos jardins… Melhores, enfim. No SER. No tentar EXISTIR.
Fala. Não cala o Poeta. Chora e canta o Poeta. Louco. Rouco… cansa. Descansa nas palavras.
Investe. Classifica tua dor. Teu amor. Tua cor.
Cor de fábulas… de sonhos… de lápis. Todas as cores!
Todas as formas, sexo, tamanho. Tudo misturado…
Suas maiores dores. Segredos. Desfaz em letras… Imaginação. Canção.
Fértil… Ventre sempre fértil quando há alma feminina…
Ou sêmen que espalha-se e fecunda mentes… reflexivas.
Apenas as que permitem-se refletir. Acaso não… que pena. Mas vale a “pena”.
Que flutua no universo de cada um que a sorve… ou apenas contempla.
Sem preferência. Preferindo todas as preferências.
E ser mutante. E desdizer o ontem. Contraponto. Inquietação presente. Sempre.
Se perder… mas não negar-se. Não negar. Ser gentil…
É um gentil o Poeta. Um sonhador. Que sabe orar… e acredita. Em quase tudo.
Até naquilo que lhe rouba a alma. Então chora. E faz poesia. Sua alma liberta!
Transforma em beleza de “filhos”… a dor. E doa os seus filhos da dor… do Amor.
Doa sonhos. Lágrimas. Doa seus melhores momentos. Nem sempre são os melhores.
Desilude e promete: “Dora… avante…!!” - Todos os dias - Não mais se dar.
Mas já desfaz. Na ação. No coração. Clas si ca men te…
A mente sempre. Emoção em ebulição. Constantemente. Mas nunca mente.
Apenas sente. Apenas Poeta. Tem classe diante da vida… que nem sempre tem classe.
Poemagitar… Mexer… Misturar a cor. O som. A dor.
Fazer angu. Misturar água/lágrima e Fubá. E Amor. E verbo.
De milho, de saudades, lembranças, (des)sabores.
Fazer amigos. Trabalhados… nos corações. Madeira de Lei… de Carvalho.
Linda madeira. Lindo poeta. Poetas… todos.
Loucos? … Um pouco. Sãos. São. Todos. Poetas apenas.
Parafrasear… De perto?... Ninguém é normal.
O que é SER normal?... Relatividade.
Do tempo. Da verdade e mentira. Do certo e errado.
Da Felicidade em seus parâmetros.
A própria VIDA é relativa.
O Poeta, não. Só quando escreve. Sempre. Mesmo quando apenas observa.
O poeta é inteiro. E quanto mais quebra-se por dentro… Mais ergue-se… Inteiro.
Fracionadamente inteiro. E tem cores. E ausência de cores também.
Mas apenas de cores. Mas pode ser de tudo… quando está vazio.
No limbo. Mas nunca vazio por inteiro.
Posso misturar… e colorir… e dar um tom… de AMOR?
Permitam-me brincar… de ser Poeta.

Karla Mello
Maio 2011
 
O TOM DO AMOR...

ETERNAMENTE... SÓ HÁ LIBERDADE!

 
SER livre.
Este é o meu maior pecado.
Se me queres ter sempre… deixa-me livre.
Olha lá fora… pela janela…
Vês? … Sou como os passarinhos.
Folhas ao vento… borboletas…
Pousam aqui… ali…sem destino nem norte.
Não me apertas… não me sufocas.
Não queiras saber tanto de mim. Nem eu mesma sei.
Morro assim… até prefiro a morte.
Não tenho partido, marcas preferidas, lugares onde queira ficar sempre.
Não quero nenhuma relação de pertencimento… com nada. Com ninguém.
Eternamente?... Só o meu viver em libertdade.
Esta marca… é a única eterna que trago comigo. Minha.
O restante… transitório.
Nem gosto das mesmas coisas que gostava ontem.
Sou mesmo assim. Mas sou leal. Comigo e com os outros.
Não gosto de mentiras… nem meias verdades.
Sou livre! … E gosto de tragar o vento que embala os meus cabelos.
Embalam e mudam de lugar as minha idéias… cons tan te men te.
Devo estar fadada a solidão… Mas sabem?
Gosto da solidão… gosto de jogar-me em meus proprios abismos.
Sou alquimista dos meus próprios venenos.
E como adoro tomá-los… tornam-me ainda mais livres.
Quanto mais me apertas…me perdes.
Se me soltas ao mundo… me tens… para sempre.
Para sempre é um exagero… deixa-me livre apenas.
Deixa-me!

Karla Mello
 
ETERNAMENTE... SÓ HÁ LIBERDADE!

PREFÁCIO

 
Ai de mim, pobre viajante dos teus sonhos...
Que de sonhar-te tanto te pertenço tanto
E me confundes tu... Donde termino eu...
E donde começa, em mim, tua existência.
Que não conduzo mais, sequer, meu pranto
Que brota dos meus olhos inquietação...
Num misto de amor, medo e desejo.
Que me atormentas e que exalas de mim...
Que contorces em mim...
E desdizes minhas verdades mais antigas.

Ai de mim, que por querer-te sempre e tanto
Não mais conduzo minhas mãos, minha boca...
meus recantos mais íntimos.
Todos clamam ardentemente por ti.
Por tuas palavras que me desconsertam...
Por tuas palavras sempre tão certas de mim.
Pois que és capaz de falar do que sinto... Entre a carne e a alma.
Como um leitor que abre um livro só seu...
Coisa tua que sou...
Lido, manuseado... Centenas de vezes apenas por ti.
Pois que tu o abres...
E encontras exatamente a parte que desejavas encontrar.
Onde o acaso perde o nome.
O acaso santifica seu próprio nome..
Onde, por vezes, pagãos... Chama que faz gemer.
Onde, por vezes, solidão... Chama que faz chorar.
E espalhados numa tela fria... Nós.
Sem teto... Sem carinho... Sem cobertas... Sem razão.

Ai de mim, que entrego-me a ti qual instrumento...
Guardado em vestes de veludo vermelho...
Esperando-te sempre... Igual noiva ansiosa...
Para emitir a mais linda melodia.
O mundo pararia para ouví-la... Estou certa.
E o nosso amor inundaria o mundo.
E eu teria vida... Em consonância com o tocar das tuas mãos.
Com o sopro que vem de tua boca...
E que pousa em meus ouvidos com ares de tortura... E devagar..
Pois que só há vida em mim em teu pertencimento.
Então... Ouso pedir-te ardentemente... Docemente...
Conduz-me... Tocas-me... Por um instante de eternidade.

Karla Mello
27/out/2009
 
PREFÁCIO

MEMÓRIAS... CEM SONS!

 
Risadinhas de criança – corredor da vida.
Fralda molhada ou ainda enxutinha?
Lágrimas na face ou ainda sonhos e ternura?
Cabelinhos… ca che a di nhos.
Em cada sílaba… restinhos de uns CEM bombons.
Pregadinhos… em mim. Não sai.
“Hoje tem espetáculo?
Tem sim, senhor!!”
Ela dança… canta… sonha – acorda.
A corda… desfaz o laço.
Laço de fita… nos negros cachinhos. Lindos.
Lidos… por mim. Cada um.
Se foram.

Sinto mãozinhas coladas em mim. Preciso.
Amor preciso. E basta.
Ainda ouço os teus pequeninos paços
Espaços preenchidos de Amores em mim – Guardados.

Longos cabelos de fada – Lisos.
Sem cachinhos… SEM bombons.
Laço… refaço. Eterno.

Karla Mello
Maio/2011
 
MEMÓRIAS... CEM SONS!

DESEJO DE DE(S)ONHAR

 
Feliz?
Não conheces ainda este estado.
Não sei nem se ele existe.
Dizem que é uma porta…
E que abre-se de dentro para fora.
Pode ser. Mas a tua… fechada ainda.
Teus olhos… conheço-os.
Falam-me desta porta. Fechada.
Não posso abrir – Não a tenho tua em mim.
Passou. Não é como o brinquedo que sonhavas.
Não mais.
Sonhas… Tenho medo.
Tomara demores acordar… ou nunca acordes.
Pronto… vivas a sonhar. Sofro menos. Menos?
É. Deixa a lucidez para mim… vos suplico.
Tenho medo.
Vais querer abrir esta porta algures.
Onde?
Não será no que hoje vives.
E então? O que vou eu vos dizer?
Que eu bem te disse?
Não… seria demais para mim.
Que lamento?
Pode ser… Não. Melhor nada dizer.
Melhor chorar… consigo.
Sentir… muito mais que tu.
E desejar que nunca tiveste dormido para este sonho.
De frente com o real – tão banal.
Pouco para si.
Muito, muito para mim.
Pensei, um dia, ver minhas dores distantes. Findas.
Mas renovam-se. A cada vez que contemplo o Teu - Meu olhar.
Perco-me nele. Enlouqueço-me nele.
Enlouqueço. Sonhar ou acordar?
Ou sou eu mesma uma pobre e mísera sonhadora de si?
Enlouqueço. E quero parar.
Eu apenas queria… Parar.

Karla Mello
Maio/2011
 
DESEJO DE DE(S)ONHAR

RECIFE MINHA SENHORA... Carta de Filha

 
Recife... arrecifes originaram teu nome... Forte e filha das pedras.
Te debruças no Oceano Atlântico e voltas o teu olhar de agradecimento e ternura ao vosso povo alegre e hospitaleiro.
Metrópole nacional reconhecida em teu encantos...
De dia... és mulher aflita e cheia de afazeres.
De noite... és fina dama. E encantas a todos que miram o céu reluzente de tua boca.
Em tuas veias correm rios... te cercam... te abraçam.
Te aquecem os teus mangues... e nos aquecem.
Tuas pontes são caminhos que levam-nos a conhecer-te os encantos.
Minha dama cobiçada... tantos estrageiros adentraram em teus cantos.
Portugueses, holandeses, africanos, índios... tantos amantes.
Deram-te filhos fiéis ao vosso amor...
Pois nascer de ti, minha dama... inunda meus olhos de saudades.
E invade minh'alma de desespero a vossa ausência.
Andar por tuas ruas é abraço materno em momento de aflição.
Tua luz é morna e acolhedora dos teus filhos... que despertam e não mais vivem sem ti.
Minha mãe generosa... minha Recife...
Escrevo-te de longe apenas para saudar-te.
E dizer-te que estou cá a viver... mas impregnada de ti... Do cheiro salgado dos teus cabelos.
Para dizer-te que estou bem, minha Senhora...
E que voltarei a aquecer-me em tua morna luz - teu abraço.
Não... não vais novamente fazer-me perguntas de mãe aflita... não sei quando.
Mas nenhuma outra encanta-me com tu.
Nenhuma outra conhece-me e recebe-me como tu.
Não te esqueças... estás em mim. Para sempre.

Tua filha grata a tudo o que traz consigo... na tradução de todos os gostos e gestos.
Na existência de tudo o que aprendi consigo e meus irmãos.
Minha amada... Espera-me... Amo-te.

Karla Mello
Outubro/2010
 
RECIFE MINHA SENHORA... Carta de Filha

EU TE AMO...

 
Amor de minha vida... Único.
O que não pertence a apenas este mundo.
O que é eterno... Do antes ao depois.

Sim... Eu sabia que tu virias um dia...
Buscar-me para sempre.

E foi uma longa…triste e, ao mesmo tempo...
Fundamental espera.
Amadurecemos um para o outro.

Alimentávamos nossas almas com poemas...
Versos, músicas...
E o meu maior desejo era de que me tocaste...
Como a um instrumento teu.

E vieste...
Meu coração encheu-se da primavera de amores...
Só para receber-te, minha vida...
Por que demoraste tanto?

Não haverá nada nunca que se possa comparar...
À linha tênue que traça o nosso amor.
Uma linha entre o sublime e o passional...
Do amor leve... Ao fogo que arde quando juntos estamos.

Sou tua...
És meu... Cá estamos.
Nosso amor transborda as janelas da nossa alma...
Através da luz que emana do nosso olhar.
E nos amamos tanto e sempre....

Teu... O beijo mais terno.
Tuas...as palavras que me acalmam e norteiam.
Teu... O toque das mãos que me permite ser flor.
Tu... O meu melhor amigo... A melhor companhia.
Tua... É o que quero ser por toda a vida e pós vida.
Teus... Os braços que me acolhem e deixam-me segura sempre.
Teu... O doce da boca como o favo do mel.
Teu... O arrepio que percorre a minha pele.

Antes de ti...
Depois de ti... Cor e luz!!
Vida!!

E estarás em todos os meus bons sonhos...
Em todas as minhas preces...
E todos os bons pensamentos sempre estarão voltados a ti...
Meu amor, meu marido, meu amante, meu amigo...
Meu grande amor.

Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
Para enquanto houver sempre.

Karla Mello
julho/2010
 
EU TE AMO...

É QUINTA-FEIRA....

 
Quinta-feira...
Aula de Esportes... Futebol na quadra.
Jovens maravilhosos, canalizando diversos sentimentos naquela atividade.
Cada um, trazendo sua dor... sua alegria...
Esse turbilhão de emoções que existe no coração dos jovens.
Um futebol maravilhoso!
Eram crianças grandes, correndo atrás da bola!!
E havia uma admirável criança... PEDRO.
Criança?
Sim... Um generoso coração de criança.
Nossa! Que coração!
Gosto muito de observá-los quando atuam...
Seus comportamentos, socialização, o “viver” em grupo.
Mas, devo confessar que adorava vê-lo jogar.
Havia sempre um carinho para mim, guardado em sua “manga”.
Não posso traduzir a generosidade desse garoto...
Não consigo traduzir o meu afeto por este garoto.
Mas posso traduzir a imensa gratidão a Deus...
Por ele ter passado em minha vida profissional...
E ter-me ensinado, tantas vezes, a ser uma pessoa melhor.
Exercitando minha paciência...
Ensinando-me que o carinho transpõe qualquer sentimento ruim.
Aliás... Nunca consegui ficar “brava” verdadeiramente com ele.
Nenhum de nós...
Porque ele sempre fazia uma excelente reflexão sobre seus atos.
E sempre os reconstruía... com muita humildade, decência, reconhecimento... Isto o traduz.
Muitas vezes, mais educador do que eu.
Sempre defendendo, intercedendo por seus amigos...
Eu costumava dizer pra ele que poderia ser um excelente advogado!!
E ele dizia: “Quem sabe, ‘né’, professora?!!”
Quinta-feira... Quadra... Futebol...
Ele fez um gol para mim...
E gritou meu nome, bem alto!!
Braços abertos... e presenteou-me.
Seu grito... ficará ecoando em meu coração.
Nas árvores, em volta daquele campo.
Nas gavetas de minha memória.
Tenho, hoje, mais um degrau abaixo de minha trajetória profissional.
Mais um aprendizado... e uma enorme perda.
Porque, PEDRO, você me foi um grande desafio...
Ensinou-me muito.
E, fundamentalmente, mostrou-me que vale a pena SIM...
Continuar acreditando no ser humano como protagonista de suas ações.
Porque você evoluiu muito enquanto ser humano, PEDRO.
Evoluiu, espalhou amor... e partiu.
Até um dia, filho.
Deus esteja contigo.
(HOMENAGEM PÓSTUMA A UM EDUCANDO QUE PERDÍ PARA A SOCIEDADE)

Karla Mello
Junho/2009
 
É QUINTA-FEIRA....

TRADUZINDO SAUDADE...

 
Saudade…
Permanência do que foi… com a certeza do que nunca ...deixou de SER.
Posso tarduzí-la… se te esforçares em entendê-la.
...E sentí-la… junto a mim. Escutas cá em meu peito!
O cheiro da lancheira arrumadinha… e lápis de cor no alvo papel.
Da chuva com terra… no quintal de minha infância.
Da fruta cortadinha no prato… e da tua aflita espera do meu degustar.
Do remedinho de horário, comprado com sacrifício…Tuas sobrancelhas preocupadas a mirar-me.
A tua vigília ao pé da minha caminha. E tuas canções de acalmar… de sonhar sonhos bons.
Nenhum passarinho de Deus canta tão belo quanto tu… aos meus ouvidinhos.
Carmim… a tua cor preferida em tua boca pequena.
Dentes certos… muito alvos… sendo um lindo colar de pérolas.
Sorriso lindo e fácil…mesmo com nada tão fácil.
Contida. Suave como colibri que pousa levemente nas flores.
Cabelos negros como a noite… com o brilho do mais lindo luar.
Tua pele… macia de aconchego para o meu beijo… terno.
Tuas palavras ausentes de julgamentos. Tua descordância sem abandono de mim.
O som do teu sorriso movia-me do lugar. Por vezes, escuro de mim mesma… para dentro de ti.
As roupinhas novas das bonequinhas velhas… cozidas a mão.
Pacientemente por ti… nas tuas diversas noites sem sono e só.
E pela manhã… as poucas bonequinhas sentadinhas no sofá… à espera do meu despertar.
Uma felicidade imensurável em meu sorriso de menina. Em teu sorriso eternamente materno.
Sonhos que sonhaste para mim… todos de quimera…
Os mais lindos sonhos… Todos com finais felizes… fadas e princesas. Apenas para mim.
O teu colo… o mais quente. Paz à minha alma aflita do istante.
O teu silêncio… o mais sábio nos meus momentos escuros.
O teu silêncio era acompanhado de luz… e não cabia mais nenhum escuro.
As tuas mãos… feitas para afagar o meu rosto e cuidar das tuas flores.
Sim… não havia função para elas que eu mais amasse.
O teu olhar dentro do meu olhar. Nua… minha vida era tua.
Meus olhos posso fechar… e senti-la em mim.
O teu cheiro atravessa a minha memória e inunda o ar. É um cheiro teu. Único.
És o único bem… feito em mim. Estás em mim. Não há outro jeito.
És saudade… vestida num lindo vestido azul esperança… certeza… Leve… esvoaçante.
Prefiro trocar… Saudade por certeza.
Mas… recuso-me a esquecer-te. Seria esquecer-me.
Tens todas as chaves de mim… todos os caminhos de mim.
Guarda-os consigo junto a todos os sonhos bons sonhados para mim…
E espera-me… Certeza.

Karla Mello
 
TRADUZINDO SAUDADE...

A ROSA SEM UM SANTO... EXUPERY

 
Havia uma Rosa… despretenciosa que nunca a quis ser.
Uma terna anti-Rosa que o destinho, ou sei lá quem, a tornava a ser.
Rosa rubra brincalhona… alma pluma de criança – quem dera sempre a pudesse SER.

Ainda botãozinho em seu primeiro ninho… difícil crescer – Não!
Sempre havia uma mão tentando-a embrutecer… murchar… recolher.
Mão que nunca a cuidou sendo botão… nem Rosa… nem nada.
Despretensão da Rosa que gosta de sonhar…
Desproteção da mão que nasceu para a cuidar – Não!
Cresceu… sem a proteção da mão.
Havia apenas uma outra Rosa… já mais antiga que ela… pertinho da dor - Duas.
Tão frágil quanto a outra… todavia caule perto… consolador – Dor.
E a mão.
Que a Rosa alma pluma sonhou… e transformou-a em proteção – Mentira.
Que pretensão!
Des-pro-te-ção.
Sabem… aquela redoma de vidro... Ela também serve para proteger…
Quando assume o seu ato responsável de proteger. Sem sufocar - Amar.

Tempo… Sol… Chuva.
Água que lava a alma e brisa quente que aquece… igual colo de mãe.
Cresceu. Largou-se botão… Rosa Rubra ela era. Bonita.
Bonita… apenas um irrelevante detalhe para ela – Rosa – Chora.
Ainda a brincar de ser pluma… leve… despretenciosamente distraída.
- Ou seria distraída para sentir-se protegida? – Há alguém aí?
Deste anseio não posso comentar…Um segredo que guarda a Rosa.
Tornou-se intensa… e alguns a diziam até inconsequente… Imagina!
- Alguém conhece uma Rosa inconsequente?
Rosa é feita para doar-se… como presente ou sempre.
Intensa. Deste anseio posso eu falar. Posso e poderei… Sempre.

Rosa precipitação – Fuga da desproteção.
Rosa amor inteira – Em amor verdade… dois botões.
Rosa… tempo… Rosa…
Rosa a passar outonos – Sem paz.
Rosa provocando invernos no mundo – Apenas no seu – Quem importa-se?

Primavera.
Rosa encheu-se de vida!
Ergueu-se caule forte… e viu a luz – Sol!
Sol que brilha lindamente… muito. Sem tantos cuidados – Muito.
Rosa queima-se… perde-se… perde.
Rosa que não entende… Rosa que apenas sonha.
Rosa que quer redoma. Esta… que nunca vem.
Redoma que apenas brinca de ser… e apenas pousa.
E quando apercebe-se – a Rosa – Não é redoma. É borboleta.
Linda… encantadora… leve – Nunca fica - Finca.
Rosa que olha a pseudo redoma… sempre borboleta.
Que voa… a colorir os mundos – todos… com tons e cores de “Adeus-Rosa”.
Rosa a clamar que ela fique – Proteção – pseudo redoma – Borboleta.
Rosa crescida… doída… corrompida.
Rosa que sonha… E apenas… E ainda.
Sem redoma… sem pseudo redoma… sem borboleta.
Rosa… apenas uma mulher.

Karla Mello
Março/2001
 
A ROSA SEM UM SANTO... EXUPERY

DO CHÃO...♥♫♪•♥¸¸.•*¨*•♫♪♥

 
Hoje, só hoje.
Estou no Chão. De Giz.
Não o da escolinha… sonhos-cores do imaginário.
Não o do "Ramalho"... em musical estrutura - literário.
Hoje. Eu estou no meu chão.
De Giz.
Liquidação.
Mas, atenção:
É só HOJE!
Não. Não me dê a mão.
Dá-me só um tempo. Respiração.
Logo me levanto. Passa. Passo.
Para o outro lado.
Do Chão.
E encontro-me no meu Céu.
Com minha pena. Meu papel.

Karla Mello
 
DO CHÃO...♥♫♪•♥¸¸.•*¨*•♫♪♥

FOLHA SECA...

 
Alguém já percebeu o quanto frágil e liberta é a folha seca ao vento?
Livre… solitária… sem rumo certo.
Nada pré-definido por alguém… nem por coisa alguma.
Já foi tudo o que a natureza ditou-a ser.

Frágil.
Se a prendemos nas mãos… é pó. É nada.
Se a deixamos liberta… sem norte.
Ou será que seu norte não é esta ausência de norte?
Só… largada por um galho qualquer…
Que talvez não a tenha segurado como deveria.
Ou ainda… a forma como este galho a segurava…
Não era lá uma boa forma.
Só… porque decidiu amadurecer e largar-se deste galho.
Só.
Opção… sempre uma opção.
Dela – folha… ou de alguém – galho.

Liberta.
Não quer qualquer relação de pertencimento… não necessita.
Não pertence a nenhum lugar… nem a ninguém.
Apenas o vento a faz companhia de quando em vez – o Amor… o Ódio.
Nem sempre…
As vezes… o espaço vazio e escuro.
Ausência.

Alguém já percebeu?

Karla Mello
Outubro/2010
 
FOLHA SECA...

karla.melo66@hotmail.com"Nao tenho ambições nem desejos. Ser poeta nao e uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho." (Fernando Pessoa)