Poemas, frases e mensagens de wolfbell

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de wolfbell

TIC TAC

 
TIC TAC
 
TIC TAC

Ergueu-se para a sombra refletida no espelho,
Viu da escuridão escorrendo seu sumo vermelho,
Cortou uma maçã em pedaços fartos,
Rezou para a santa padroeira dos partos.

Olhou no berço o jovem leão coberto de pó,
Chorando por companhia, deixado num canto, só,
Beijou o menino como se fosse um rubi da romã,
Dando paz ao atormentado, como se fosse sua irmã.

Ergueu-se para olhar o Sol que em sua rua desviou,
Enamorou-se pelo dourado que em sua vida se infiltrou,
Na união saudável entre o doce e o salgado,
As maravilhas do mundo deste sabor degustado.

Olhou-se pela fresta da porta que se fechou,
Sentindo medo de tudo aquilo que lhe restou,
Criaturas noturnas que lhe assombram a noite,
Utilizando suas palavras e atos de acordo com o açoite.

Se entregando de corpo e alma ao nascer,
Que no iluminar da vida busca o amanhecer,
Deixando a penumbra do passado sem paisagem,
Para criar nos números do cronômetro uma nova imagem.

Elder Prior...
 
TIC TAC

CHUVA TRISTE

 
CHUVA TRISTE

A chuva cai lá fora,
Lágrimas do céu, nuvens em pranto,
Na solidão, pela janela, sozinho em meu canto,
Canto de saudade de tua voz nos ouvidos,
Seus sussurros, suas risadas, seus gemidos.

A garoa não quer parar,
Gotas úmidas que a alma refrigeram,
E o frio umedece os pensamentos que esperam,
Se apressam em buscar sua bela imagem,
Daquela fotografia de sua última postagem.

As folhas colheram seu pranto,
O pranto de quem longe ainda recorda,
E no coração triste, de amor transborda,
Sente a dor presa em seus sentimentos,
Riscando na alma, palavras e juramentos.

Caíste molhando o chão,
Não me levante da lama, não faça caridade,
Apenas deixe fluir com suavidade,
O lamaçal um dia estará verdejante,
Repleto de flores e pessoas de andar elegante,
Estarei na sombra de um velho Ipê,
Esperando outra chuva, esperando você.

Elder Prior.
 
CHUVA TRISTE

O GRANDE LEVIATÃ - FUTEBOL

 
O GRANDE LEVIATÃ - FUTEBOL
 
GUERRA DE TORCIDAS
( O pensamento de alguns torcedores)
Meu time é religião! Meu time é minha vida!
Cada um é meu irmão! Cada dia uma briga!

Não levo desadoro pra casa! brigar também é esporte!
É melhor ser espancado e sangrar até a morte!

Mas os times são isentos nesta encrenca,
Somente tem culpa quando na tabela despenca,
Então a torcida tem que dar uma ajuda,
Pedir pra tirar o técnico, Deus lhe acuda!

Brigas de torcidas é o bicho, é o barato!
Mesmo que o jogo seja um lixo, um eu mato!

A MÍDIA

A mídia diz que o palco está armado,
E que aquele craque foi ressuscitado,
Mesmo que não jogue nada, mesmo que no campo está "morto",
Mesmo que chegou de madrugada, faltou no treino porque estava meio "torto".

Leviatã diz que ele tem que estar na seleção,
Mesmo que ele nem jogue, já ganhou o seu milhão,
A mídia tem que ganhar por isso não importa,
Quem será o próximo craque que passará pela porta?

BRASIL

Porque que temos que torcer por jogadores que estão lá fora?
Existem vários no Brasil e surgem toda hora,
Será que existe algo por trás de tudo?
Algo que a mídia não mostra, é melhor ficar mudo?

Quem não gostaria de ver jogando aqueles que se conhece?
Mas dizem que a memória é curta e logo o povo esquece,
A necessidade é de se fazer dinheiro,
Dane-se o espetáculo, "pão e circo" vêm primeiro.

CRAQUE

A industria diz que o cara é bom de bola,
Mesmo que na maioria das jogadas, só enrola,
E o cara é ruim, mas é amigo de alguém,
Ele faz propagandas de amor e paz, e o povo é refém,

Quantos não surgem falando bonito,
Arrumam as meias, param para ouvir o apito,
Mas o gol é do adversário, que lavou a vitória,
Mas não importa, porque o povo vive da boa memória.

PATROCÍNIO

O patrocínio exige alguém no time,
Exige que seu dinheiro tenha uma aplicação sublime,
Não necessita a vitória, apenas mostrar a nova grife,
E vão mais uma vez, colocando mais um patife.

Quem manda no futebol? Quem engancha o anzol?
Será que não existe mais a arte?
Ou cada um que faça sua parte?
Será a verdade o que nos mostram?
Ou são idéias do Leviatã o que postam?
 
O GRANDE LEVIATÃ - FUTEBOL

DIONISIUS

 
DIONISIUS
 
DIONISIUS

Estavas tão linda naquela festa iluminada,
Com seu vestido verde, sua pele acetinada,
Uma tatuagem de borboleta nas costas,
Asas abertas, pernas, uma beleza à mostra.

E um jovem Bardo correndo os olhos pelo salão,
Estavas tão linda com uma taça de vinho na mão,
E Dionisius sussurrou ao meu ouvido:
_ Amigo Bardo! Dos licores, o amor é o meu preferido!

Com seu poder de inebriar as jovens donzelas,
A mim embriagou com o licor de uva tão bela,
E o êxtase da vida caminhou entra as curvas,
Longe estávamos numa campina escura e turva.

E como um jovem que nunca provou tal licor,
Enamorou-se pelo desejo deste seu amor,
E cúmplices de Dionisius continuamos querendo,
Afinal, as coisas se atraem, ao ouvir o atrito gemendo.

A festa chegou ao seu final,
Voltou para o vestido, guardou o cálice divinal,
A borboleta voou entre as pernas do céu,
_ Obrigado Dionisius! Por me ter aberto este véu!
 
DIONISIUS

SEDUÇÃO

 
SEDUÇÃO

O nosso amor assim se construiu,
Não é como o amor de Platão ou Romeu,
A Julieta dos novos tempos és tu,
Tão bela e sedutora nos lençóis despida
Sem o teu semblante,
Entre os travesseiros a se esconder,
Os lábios carnudos sorrindo,
Pedindo o meu amor.

A sedução continua entre as trancas da porta,
As paredes se fecham e não existe mais mundo,
São só segundos e o eterno se torna um flash,
A vida cheira como se fosse jasmim,
A sedução é só sua e eu me chamo alecrim,
Você me passa a conversa,
Me arrepia e me transforma em cravo,
E os cravos ao fundo tocam uma canção medieval,
Os bandolins e os violinos se transformam em rosas.

Chegou a hora de voltar para o chão,
Pisar em terra firme,
Sentir o perfume do orgasmo,
A margarida de pétalas quebradas,
Begônias maceradas,
Violetas em botões,
Transformando o mundo em seduções.

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SEDUÇÃO

AVALON

 
AVALON
 
AVALON

O Sol brilha entre as brumas,
Na floresta distante clareia o céu,
Gotas de orvalho brilham nas folhas,
E as primeiras fadas surgem no ar.


No meio das brumas eis que vem Gaia,
Deslizando as mãos na relva fresca,
Transformando o verde em flores,
Transformando o mundo em amor.


Avalon, no meio das brumas,
Perdido no tempo,
Avalon, escondido daqueles que não devem ver.


Foi em Avalon que te conheci,
Entre suas brumas te amei,
Foram momentos que jamais esqueci,
E as flores coroaram nosso amor.


Avalon, o Sol te esconde entre as brumas,
Seus lugares suaves em véu,
As estrelas apontam o caminho,
Da morada de Tyr lá no céu.
 
AVALON

SOMBRA

 
SOMBRA
 
SOMBRA

Não me vês, mas aqui estou,
Atrás do espelho, o que de mim restou,
Um olhar triste não refletido,
Pelas sombras da noite pervertido.

Em teu quarto te sondo, com espírito devasso,
Uma vida escondida num tempo escasso,
O que pulsa é muito mais que um coração,
Não procure auxílio em prece ou oração.

Possuo como se fosse uma serpente,
Procurando um corpo alvo para cravar apenas um dente,
O sangue puro de princesa escondida,
E na madrugada beijar-lhe a ferida.

Sonha comigo infiel companheira,
Que largou seu palácio pra tornar-se rameira,
Mas jamais morrerá a morte dos mortais,
E se embriagará de vinho entre castiçais.

E quando a luz chegar, verás a escuridão,
No seu lugar estarás, na solidão,
Mas saberás que à noite tudo vive,
E serás uma lembrança que nunca tive.
 
SOMBRA

A POÉTICA MUTAÇÃO - APROXIMAÇÃO (A LANTERNA DO CEGO)

 
A POÉTICA MUTAÇÃO - APROXIMAÇÃO (A LANTERNA DO CEGO)
 
A LANTERNA DO CEGO

Parábolas que explicam para não se entender,
Palavras compradas que não são pra vender,
O orador impõe sua métrica falsa,
Com sua poesia, sua voz realça.

Aproximam-se dele os iludidos,
Pela mágica das palavras, confundidos,
Já não pensam, preferem a manipulação,
Ser apenas um grão no meio da multidão.

Aproximam-se dele os convictos,
Os que já deram antecipados vereditos,
Tudo é verdade, foi o que testemunharam,
Toda mentira dispersa, presos os que caluniaram.

Mas o gosto da cicuta amarga na mente,
Cada qual, com sua certeza, sabe o que sente,
A voz da consciência vem e te condena:
_Deixa a hipocrisia! Vem cumprir sua pena!

E eu, com minha pena na mão,
Uma alma penada no meio da ilusão,
Meu sangue, como tinta, uso para escrever a vida,
Se aproximando do fogo para cauterizar a ferida.

Parábolas engasgam em minha garganta,
Palavras que aprendi, você não se levanta,
Jaz como uma lampada que perdeu a energia,
Acreditou na lábia da falsa magia.
 
A POÉTICA MUTAÇÃO - APROXIMAÇÃO (A LANTERNA DO CEGO)

BELA FADA

 
BELA FADA
 
BELA FADA

Quando eu te conheci, dançando entre as flores do jardim,
Ao som da flauta de bambu, um sopro soando sem fim,
O balé das fadas sincronizando os raios solares,
As musas dançam valsa mágica com seus pares.

E você estava tão linda em seu traje de jasmim,
Saltitando entre meus olhos, pulsando dentro de mim,
Nos passos de outra dança, em que você apareceu,
Nos meus lábios pousou e num beijo se escondeu.

E o tempo passa onde há a eternidade,
A juventude já foi um dia minha idade,
Sinto saudade do seu bailado entre as flores,
Espalhado, sorrindo e dividindo as cores.

Mas a eternidade sempre sorri para a felicidade,
Quando o amor se confunde com a fidelidade,
Passar os momentos que ninguém jamais passou,
Relembrar histórias que o destino nos contou.

E assim foi um dia, na eternidade de sua companhia,
Que levo em meu peito no caminhar do dia,
O início desta história linda,
Esperando sempre, que seja minha bela fada ainda.

Elder Prior.
 
BELA FADA

O POMBO NÃO VOLTOU

 
O POMBO NÃO VOLTOU
 
O Pombo Não Voltou

O pombo já não volta mais, na imensidão do oceano,
É conseqüência de um dia de paz, no bico apenas um ramo,
E tudo se perde para renascer, e o que renasce é pior,
Que faz tudo perecer, o seu estrago é bem maior.

Talvez saiba o pombo que tudo ia ser igual,
Que todos preferiam continuar no mal,
E tudo inicia como um erro sem nexo,
Um homem, um incesto, novamente sexo.

O pombo não voltou, num lugar de paz pousou,
Longe daquele que se viciou em destruir,
Pensando fielmente que podia construir,
Mas o tempo passou, e a carruagem, abóbora se transformou.

Tudo marchou para um mundo artificial,
Deixando de lado o equilíbrio do real,
E os sonhos se converteram em pesadelos,
Das idéias que tentaram precedê-los.

O pombo não volta mais, perderam as idéias reais,
As coisas que eram para trazer paz,
Bélicas máquinas que a vida desfaz,
Sofre o homem e o pombo não volta,
Há algo errado com a nova retorta.

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O POMBO NÃO VOLTOU

OS CORVOS

 
OS CORVOS
 
OS CORVOS



Espreitando lugares longínquos, onde a mente não vai,

Estão os corvos de Odin, procurando a alma que cai,

Os passados que se revelam num futuro sem volta,

Um presente que gera uma realidade morta.



As almas se escondem em recantos de deleites,

Jamais saem dali os pobres loucos e seus enfeites,

Um mundo escondido onde só os corvos podem andar,

Onde se chora e se perde, não adianta se lamentar.



E os corvos voam em seu caminho silencioso,

Para ver a podridão humana em rumo tortuoso,

Têm pena daqueles que se escondem em sua embriagues,

Esperando a chance de um profundo gozo, mais uma vez.



As almas se olham e se acham tão belas,

Naquele mundo mágico se transformam em feras,

Pobre daquele que olha no espelho e vê Narciso,

Não sabe que a imagem, ser apagada é preciso.



Odin em seu trono percebe que tudo passa,

Coisas imagináveis em sua abundância escassa,

E o tempo pede passagem para poder partir,

Os corvos se preparam para a hora de surgir.



E surgem altaneiros mostrando o futuro,

Tirando da lama, do desespero atrás do muro,

Choram as Górgonas, choram as que ficam perdidas,

Porque apenas os corvos têm a visão da saída.

Choram os corvos.
 
OS CORVOS

SEMENTES

 
SEMENTES
 
SEMENTES



Espalhando sementes em campos arados,

Nos vícios dos mundos, seres desanimados,

Onde tudo parece estar de cabeça para baixo,

Figura gravada na carta do Enforcado.



Mas surge no horizonte a Esperança,

Brindando com taças de sutis lembranças,

Tirando do rio da vida o amor nela contida,

Que busca em seu leito curar a ferida,



Coagula-se o sangue daqueles que sofreram,

Dissolve-se o mal para os que correram,

E tudo está naquilo que desejamos,

Nos pensamentos que damos formas, quando acordamos,



É tempo de agir por sua vontade,

Que não tem caminho, nem tem idade,

Todos podem lutar por um ideal,

Mesmo que nem todos pensem igual.



Sempre haverá uma semente pra plantar,

Sempre haverá aquele que irá gostar,

Colher o fruto daquilo que você plantou,

E com tanto carinho cultivou e regou,

Para o que era apenas um sonho escondido,

Tornar-se vida, um algo vivo, vivido.
 
SEMENTES

OCCULTA PHILOSOPHIA

 
OCCULTA PHILOSOPHIA
 
OCCULTA PHILOSOPHIA

O velho mago esqueceu do azeite da lanterna,
Comprou fumo de corda, fósforos e pão,
Deu de presente um vinho ao bardo louco,
Pela paciência de esperar, na agitação, a calma.

Na loucura, o bardo roubou os pensamentos mágicos,
Espalhou pelo mundo, criando monstros sagrados,
Unicórnios saltitantes, Elefantes falantes, Demônios aterrorizantes,
Recolheu de todos uma semente pra criar o Alcahest.

E nas noites, enquanto as bruxas realizam seus sabás,
E outros se inspiram, nos suspiros das virgens,
Lá está o velho mago, acendendo a lanterna imortal,
Lá está o bardo louco, fazendo uma ode às musas.

Se alimentam do vinho criado na retorta,
Olham para o futuro em sua Pedra Filosofal,
Usam o Santo Graal para recolher o rócio do céu,
Orações e grimórios, chamando, clamando, outro lugar.

Algo passa piscando, brilhando na noite,
Seria um astro, um anjo, uma bruxa, um disco voador?
Acredita o astrólogo, o religioso, o mago, o ufólogo,
Nas teorias, que de tantas teses, antíteses, sínteses,
Tornaram-se reais.
 
OCCULTA PHILOSOPHIA

SETH

 
SETH
 
SETH

Eles são Sete, Sete eles são,
Sete demônios, sete irmãos,
Sétimo filho do sétimo filho,
Sétimo dia da criação.

Sete notas, sete sons, sete músicas,
Sete cores, sete tons, sete quadros.

Sete sentidos, sete contrários,
Sete igrejas, sete castiçais,
O filho Seth foi o que sobrou,
E o primogênito ele marcou,
Com sete marcas no corpo ficou,
Sete corpos crucificou.

Sete leis, sete mundos, sete vidas,
Sete planetas, sete trombetas, sete feridas.


Sete tempos o mundo girou,
Sete dias, o que sobrou,
Sete línguas que falam de paz,
Sete grandes religiões.

Sete vícios, sete desejos, sete virtudes,
Sete palavras de redenção,
Sete infernos de inspiração,
Sete momentos de Jesus na cruz.


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SETH

O SINO DOS LOBOS

 
O SINO DOS LOBOS
 
O SINO DOS LOBOS

Na noite de Lua, tão cheia, nostalgia,
Olhos sangrentos, no limbo, alma vazia,
Olhando ao fundo o movimento ávido de desejo,
Pensamentos profundos abertamente revejo.

Entro em quartos, em vidas, em pensamentos,
Buscando a pureza, um sussurro nos juramentos,
Mas a senhora do meu coração não encontro,
O Tempo passa e tudo pode quebrar o encanto.

Os sinos estrondam dentro da minha mente,
E na canícula minha loucura aparente,
Vem à tona e me perco em caminhos sem volta,
Daqueles que a agonia se transforma em revolta.

O dia já está raiando e os sinos choram,
E continuo em busca dela, onde meus desejos moram,
A que consegue com seu canto suave de sereia,
Acalmar os sinos fazendo a quietude na aldeia.

Já é dia e os sinos pararam,
Meus desejos pra minha pobre vida retornaram,
A rotina ensurdece o lobo que já não percebe,
Uivando para o Sol, olhando sua sombra de lebre.

A natureza interior muitas vezes é a verddadeira natureza...
 
O SINO DOS LOBOS

FORTUNA

 
FORTUNA
 
FORTUNA

Fazia muito tempo que eu não ia à Bienal em São Paulo. Naquela tarde decidi ir pela minha terceira vez, ver como estava o mercado literário nacional, que ainda é pouco acessível devido aos preços altos da obra final.
O tempo ruim não deveria atrapalhar minha jornada. Decidi que poderia cair o céu que eu jamais voltaria. Continuei pela estrada do “diabo velho”, conhecida como Anhanguera. Parecia que o velho diabo realmente estava por ali. A chuva que caia era descomunal. Raios cruzavam o céu e a água se transformava em pequenas pedras junto com um vento que balançava o carro na pista. Não se via um palmo na frente da estrada com tamanha tempestade.
Alguma coisa estava estranha. Parecia que a entrada da cidade estava diferente. Havia um ar negro encima de toda entrada da grande cidade. Olhei para o velho Tietê, que continuava como sempre. Um rio negro e morto pela podridão humana.
Continuei seguindo pela marginal, foi quando vi uma placa escrita: Estige.
Estige?!?! – pensei. Não me recordo de conhecer tal lugar. Mas para onde eu olhava a mesma placa estava lá. Entrei por uma rua e avistei duas torres avermelhadas pela poluição, pensei eu. Era um grande templo que parecia esconder algo atrás de suas portas enormes. Detive-me por algum tempo em sua frente. Porém, decidi continuar meu caminho pela rua.
Mais à frente encontrei um local adornado por uma luz amarelada, talvez, pelo tempo. Mas, achai que era um local onde podia parar. Olhei ao redor e já não conhecia nada ali. Onde estaria a Bienal? Aliás, onde eu estaria?
Em frente havia um barzinho e algumas pessoas sentadas conversando. Decidi ir até lá.
_ Poderiam dizer-me onde é a Bienal do Livro. Acho que me perdi com a chuva - indaguei as pessoas, mas não me deram atenção. Parecia que não me conseguiam me ver. Pensei em sair quando fui abordado por uma bela mulher.
_ Muitas vezes, as coisas não são o que parecem ser.
_ Como? O que disse?
_ Você não está onde pensa estar.
_ Onde estou?
_ Aqui vivem aqueles que não respeitam as regras e as leis do seu tempo, e assim, atrapalham as mudanças que este cautelosamente impõe ao mundo.
_ Como assim? O que estou fazendo aqui?
_ Tudo tem seu tempo e seu equilíbrio. Aquilo que achava que era rio, era a essência e a vida que alimenta esta grande cidade. É o acúmulo dos vícios humanos que formam este leito negro, que evapora e se transforma em grandes nuvens poluídas e em suas chuvas ácidas, espalhando o seu grande mal pelo pântano do Estige, onde está enfiada no meio do lodo toda esta humanidade injuriosa.
Você está aqui porque gosta disto também e porque deveria me encontrar. Eu sou a Fortuna, a Senhora do Destino. Diante de mim ninguém tem qualquer identidade. São apenas ingredientes do grande lodo negro. Insaciáveis em seus desejos devastadores e em sua ganância em devorar a riqueza. Mas não percebem os tais, que esta riqueza não perdura. Ela não é estagnada. Movimenta-se de um lado para o outro, de nação para nação, de raça para raça, de mão em mão. Uma mudança que ocorre mesmo contra a vontade e o esforço da humanidade. Vivo desde os remotos tempos. Muito antes de o homem nascer.
_ Mas porque eu deveria te encontrar?
_ Pra saber que este lodo pode ser vencido quando se percebe que a vida é uma constante busca daquilo que faz a humanidade feliz. Mas a felicidade pode ser enganadora se o lodo encobrir a verdade. As riquezas são consumidas pela felicidade e quando acaba gera o sofrimento. Já dizia um sábio antigo: O sofrimento existe e sua causa é esta busca pela felicidade. Mas a ilusão da Fortuna não dá a felicidade verdadeira. Para cessar o sofrimento é necessário vencer a fortuna, vencer o próprio destino através da visão do mundo ilusório e artificial que a humanidade criou.
A realidade é o que você está vendo. O lodo a encobre e cria fantasias que a humanidade acha ser real. Talvez, no futuro descobrirão o intuito da vida e desta busca pela felicidade, e então, descobrirão que a felicidade está na forma como se vê a verdade nas coisas. Então eu, Fortuna, poderei encher a humanidade de riqueza e felicidade – terminou a bela senhora dizendo.
Acordei naquele dia já de madrugada. Olhei no relógio já era um outro dia. Das minhas mãos havia escorregado o livro que eu lia. Marcado no Canto VII do Inferno, da Divina Comédia de Dante Alighieri.
 
FORTUNA

BALA PERDIDA

 
BALA PERDIDA
 
Como chamam de bala perdida,
Se sempre acerta em alguém?
Como querem acabar com o crime,
Se os ladrões estão no poder?

Viver apenas de esperanças,
Outros vivem de lembranças,
Quem é que sabe do seu futuro?
Quem sabe não é um buraco escuro?

Mas tudo isto faz parte do viver,
É com espinhos que se deve aprender,
As portas se abrem para a imensidão,
Para aqueles que abrem o coração.

Escravos só servem se não buscam a liberdade,
Existe só para aqueles que vivem de saudade,
As coisas passam e tudo se transforma,
A vida se acaba e à casa torna.

Como chamam de religião,
Aquilo que pregam para causar desunião?
Como chama de verdade,
Aquilo que está fora da realidade?
 
BALA PERDIDA

NA PORTA DO TEMPLO

 
NA PORTA DO TEMPLO
 
NA PORTA DO TEMPLO

Em aventuras pelas paixões e pelos amores que se cruzam,
Vi o meu caminho mostrar um ermo tranquilo,
E na noite onde os apaixonados aos seus deleites se usam,
Cruzei a ponte para ver além, sem saber discerni-lo.

Eis que havia, entre o ermo sagrado, as portas de suntuoso recinto,
Dois pilares majestosos abriam as imagens para dentro de uma porta,
Vi anjo vestido de luz, olhos de fogo, andar sucinto,
Carregava uma espada flamejante que, ao tocar-se em máculas,
se entorta.

Eu: _Oh! Anjo de luz, que ao meu encontro veio,
Que sejas compassivo com a minha ansiedade,
Deixe que eu entre pelas portas do templo, sem freio,
E que sacie daquilo que busco por necessidade.

Anjo: _Oh! Mortal, que falhas no seu buscar tortuoso,
Que olhe em ti mesmo o motivo do teu regresso,
Não se passa pelo portão do templo o ativo orgulhoso,
Nem podes voltar daqui, suplicante também te peço.

Busque em si mesmo as chaves do templo fechado,
Use-as de acordo com o que tem que se usar,
São quatro elementos, aos quais, você está ligado,
Deve saber usa-los para seu espírito purificar.

Eu: _Oh! Anjo cruel, não me deixe aflito,
Pois se aqui estou é porque quero ir além,
Com olhares de perda do amor é que eu te fito,
Porque deste mundo obscuro já não vivo sem.

Então o anjo compadecido do meu sofrimento,
Olhou-me nos olhos e disse para minh’alma,
Falando bem dentro de mim, no mais profundo sentimento,
Porém, sem perder sua formosura e sua calma.

Anjo: _Oh! Tu que prostras perante o portal, para e pensa,
Não te sejas enganosa a facilidade de entrar,
Para atravessar incólume pelos pilares, é necessário que vença,
Vento, água, terra e fogo sem jamais vacilar.

Não ouça jamais os uivos do vento, tal como um lobo em lua cheia,
Pois o vento sopra onde quer e como quer, sem dizer o lugar,
Busque no vento apenas a luz da tempestade que incendeia,
Os corações que buscam a verdade sem se cansar.

Não acredite que tem sede, antes de realmente da água precisar,
Nem que a cicuta é água pelo simples fato de molhar,
A água viva que sai da fonte, sacia melhor o que tem sede,
E coloca em evidência aqueles que ainda se esperneiam na rede.

A terra úmida e fértil pelo orvalho do amanhecer,
É a mesma terra que gela nas noites do deserto,
Escolha entre as luzes que surgem ao alvorecer,
Às trevas geladas daquele que se acha esperto.

O fogo rasga o seu horizonte no meio do infinito,
Enquanto as trevas se apoderam do seu ser,
E no meio de um lustre, estandarte bonito,
Uma luz brilha e todos podem ver.

Assim, amigo que buscas aquilo que a si mesmo esconde,
Caminhe tranquilo pela vida que lhe mostra forças tamanhas,
Esqueça os caminhos que você caminha sem saber onde,
Abra-se ao novo mundo que fará surgir em suas entranhas.

Compreendi então o que o anjo dizia,
E naquela noite tranquila, calma e fria,
Descobri os mais nobres segredos da alquimia,
Livrando minh’alma e minha mente de uma vida vazia.

As coisas continuam acontecendo e no infinito surgindo,
Enquanto a maioria das pessoas estão dormindo,
Poucos buscam o caminho que deveriam estar seguindo,
Esperam sem saber porque, o clímax de mais um dia findo.

Elder Prior.
 
NA PORTA DO TEMPLO

DISTÂNCIA

 
DISTÂNCIA
 
Porque estás tão distante de mim,
Não gosto de te ver tão triste assim,
Nestes momentos que passam tão distantes,
Sou um andarinlho que um dia foi amante.

E tu sabias que sempre estou neste caminho,
Tentando disfarçar na caricatura de um adivinho,
Que te encanta com palavras verdadeiras,
Que sai desta mente sem eira, nem beira.

Talvez o tempo nos fez deste jeito,
Escondendo as cicatrizes marcadas no peito,
Coisas que o mundo já se esqueceu,
Coisas de um mundo que era meu e teu.

Ninguem entende o que existe no amor,
Que de felicidade se transforma em dor,
A dor que caleja e maltrata,
Que das amarras dos erros desata.

Me espera mais uma vez de braços abertos,
Pois mesmo distante estarei muito perto,
E na distância tão ofegante do coração,
Sou o rócio que sai da noite, para enfeitar sua floração.
 
DISTÂNCIA

A INSISTÊNCIA MUNDANA

 
A INSISTÊNCIA MUNDANA
 
A INSISTÊNCIA MUNDANA

Por mais insistente que a vida seja,
Busque no alto de seus pensamentos a beleza,
Não se prenda em coisas que passaram,
Porque elas nunca se realizaram.

Por mais insistente que o tempo seja,
Busque no presente a verdade e a certeza,
O presente é um presente divino,
Que nunca está longe, está sempre te seguindo.

O que mora lá atrás da montanha,
Deixa pro amanhã, é uma terra estranha,
Deixemos o futuro andar sem muletas,
Para que não se perca, no meio de tantas silhuetas.

Por mais insistente que a morte pareça,
Jamais deixe que sua mente se aborreça,
Porque, apesar das dificuldades, o mundo é lindo,
É uma porta de espíritos, indo e vindo.

Elder Prior
31-08-2013 00:15 hs
 
A INSISTÊNCIA MUNDANA