Poemas, frases e mensagens de ednarandrade

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ednarandrade

O trilho e o trem

 
O trilho e o trem
 
Ás vezes fico
Entre o trilho e o trem,
Entre o sério
E o desdém;
Entre o que quero
E o que duvido.
Às vezes,
E são tantas as vezes,
O desabrigo aquece,
O que a dor esquece
De lembrar.
E outras tantas vezes
Não vejo o que há
Entre partir e ficar;
Querer e desistir.
Às vezes o vagão
É tão escuro,
Tão negro
Que qualquer luz neon
Pintaria de escuridão
O espaço.
Submergir, fluir, sofrer,
Sorrir, gozar, nada faz
Tanto sentido.
É como jogar-se
Da embarcação em alto-mar
E apenas, como uma pedra,
Submergir e lá ficar.

(Ednar Andrade).
 
O trilho e o trem

Sabor de Sal...

 
Sabor de Sal...
 
Um cheiro de verão,
Mornas tardes, sentimentos na mão.
São dias lindos... Inesquecíveis tardes em familia.
Onde o Sol se despede com preguiça... E faz manhã...
Tardes, frescas tardes...
Onde a felicidade tem um sabor de sal,
Um marinho sabor...
Um gosto temperado,
Comum... Nas tardes de sal...
Que já anunciam o verão.
Minha verde mata tinge-se de azul,
O meu entardecer fica dourado como o Sol que aqui mora....
Caminho sem pressa nas minhas memórias,
Tudo é sentimento...
E me banho nos sonhos da minha lagoa de águas claras... Tão azuis...
Belo poema tingido, me banho...
Medito; pergunto; insisto... Permaneço e suspiro...
Adentro a mata, os rumos dos meus secretos sonhos, não há como fugir,
Não sei mentir. Lá fora há um mundo que desconheço,
Minha paz mora neste regaço de poesia,
Sou feliz, desfruto da mais pura paz...
A Lua faz poesia, meu coração cita os versos...
Rezo, rezo por ti, por mim...
E o amor me toma nos braços da saudade...
E ternamente choro... E adormeço...
E sonho...
Com o verão que logo vem...

(Ednar Andrade).
 
Sabor de Sal...

Infinito no verso (reverso).

 
Infinito no verso (reverso).
 
... Tentando criar um verso para o infinito ou configurando uma dor.

Minha alma está doente... E a cura só vem quando declamo, quando rasgo a dor com poesia... Ontem, de tão triste, o meu peito abriu, e num descuido meu coração partiu, despencou da prateleira do amor, fiquei gemendo... Deitei-me no chão da minha saudade... Com tanta dor... Que o mar, o vento, as estrelas, todos os astros, vieram ao meu socorro... Quando tudo que eu precisava era ver e sentir o calor do Sol... Deixar meu corpo se banhar da sua luz... Iluminar os meus desejos com seus raios em fogo. Beijar a boca da carne nua e por, dentro de mim, a sedução daquele olhar que não vejo. Ai... Ontem uivei como uma loba perdida dentro da escura noite. Engoli meu pranto para não acordar o meu segredo e chorei baixinho; abracei o meu lençol... Havia nos meus olhos uma ferida aberta; uma fenda que deixava escapar um rio transparente de agonia. Como desejei que fosse dia... Dia de correr no campo como um bichinho brincalhão, uma borboleta livre, pássaro cantante dentro da mata, ver passar o dia como que mirando as águas de um rio que conheço e deságua em minha emoção, levando na correnteza as mágoas e o frio da espera infinita de ti. Dia de ser o teu barco náufrago e, nestas águas mornas, ficar em tuas mãos como um pequenino barquinho. Dia de ser viçosa como a flor bela da manhã, ser como a aurora que se mistura ao dia. Ser singela como a flor do campo, que alguém descobre sem saber o nome e ser apenas silenciosa... Nos ruídos do amor e no seu contentamento, ser profundamente amada na relva dos teus desejos. Como sonhei com o carinho mudo que de tua boca viria me fazer chover de emoção, de felicidade e de paixão, mas a violência da saudade mata a realidade sem perdão, sem escrúpulos e sem permissão. Cruel castiga o peito, fustiga, faz escorrer um fel dos olhos que desce e atravessa a garganta e vai até o lugar mais fundo da alma, o lugar mais escondido do amar... Invade-me como uma espada dentro da noite a rasgar-me as feridas feitas das lembranças... Sento-me no pó deste inferno, para tecer a trança infinita deste sentimento algoz e íntimo, num duelo de constatação.

...É desta dor que me habita, que me alimento e respiro, bebo, nesta fonte “indesejada que desejo” (e quero tanto...). E morro e vivo, para renascer plena de todos os suspiros e sussurros que me faz este sentido, que ora beija, ora bate na face de forma escancarada e contida; diálogo mudo que travo com o mundo; frases escritas com saudade e medo num desespero que me arrasta calmo, que empurra ao tudo, e ao mesmo tempo ao nada que podemos... Assim, com o coração em fragmentos, sigo, segues, como que juntando os destroços em total tristeza; a carne em lamentos, querendo tanto este querer permanente em mim e em ti. Não sei se há nele bênção ou maldição, mas sei o quanto nos queremos sem pensarmos na razão. Somos conduzidos pela mão suave e perigosa com infinita paixão algumas vezes lascivo, cheio de luxúria carnal, ardentes e céticos de outros sentidos, não há neste sofrer lamento mais gemido do que a dor deste querer... Um querer errante, pagão, maciço, barulhento como é, fez-se trovão, e acordou em nós, partindo o coração, maré, enchente desperta na noite, sai pelas narinas em forma de ar... Perfumando as rosas, fechando ou abrindo abismos, nos faz, deste olor, amantes... Sublimemente perdidos. Não há como medir, só sentir, e mergulhar cada vez mais... E de tanto querer, almas sem juízo, sem juiz que o julgue, viver com verdade este delito, sem culpas, ilhados na cumplicidade tocar a carne quente dos que descem ao inferno, para chegar ao céu do amor sonhado.

(Ednar Andrade).
 
Infinito no verso (reverso).

Dias nublados

 
Dias nublados
 
Os dias nublados
Têm cara de romance…
As tardes ficam lindas…
As manhãs cinzas…
E nos convidam
A um passeio nos sonhos.
Eles são pintados
Com pinceladas fortes
De melancolia…
(Ou de paixão).
Desperta nos amantes;
Ternura;
Em todos; emoção.
A garoa cai fininha…
Como uma cortina…
Cortina de sentimentos,
Trazendo inspiração.
Perfume nos ventos…
E nas flores, canção.
O silêncio nos bosques;
Na folhagem mansa;
Que não se balança;
No piar das aves;
Que parecem não ter frio;
No mugir do gado;
No meu pensamento;
Tudo fica belo…
Com cara de romance,
Um convite ao vinho;
Acender lareira,
Fazer uma fogueira
E cantarolar,
Na felicidade
Deste quase ninho
Que as frias tardes,
Por serem nubladas,
Nos levam a sonhar.
 
Dias nublados

A noite existe

 
A noite existe
 
A noite existe, para que o poeta sonhe
Para que o poeta cante ou até encante
Com o seu o seu sorrir ou chorar
A noite existe, para que a Lua chegue

Para que ilumine a noite e a madrugada
E faça sonhar
A noite existe para que meu canto triste
Torne-se poesia; Torne-se verdade.

Existe para que eu não sofra,
Para que eu não durma,
Para que eu te espere,
Para que nasçam versos

Que nos dê alento,
Dê contentamento,
Para que tudo possa,
Onde a dor se apossa

No Silêncio vago dos corações tristes,
Onde existe tudo:
A saudade, o canto,
A dor, o espanto.

Para tudo isso
É que a noite existe.

(Ednar Andrade).*****
 
A noite existe

Tristeza doce

 
Tristeza doce
 
Me bateu uma tristeza,
Em volta olhei a mesa:
Bananas, canela e açúcar...
Eis aqui um poema doce.

Receita para não sofrer... Rs...
Corte as bananas,
Açúcar-"misturinelas"
Não esqueça: por canela.

Depois, leve ao fogo brando...
Vá fazendo da dor um verso,
Que a vida fica docinha...
...E O REVERSO UM VERSO...

(Ednar Andrade).
 
Tristeza doce

Uma história

 
Uma história
 
Desliza no ar um véu cinzento,
Em algum lugar toca um sino...
“Toca um sino”!
Um homem faz a mochila,
Uma mulher passa o café,
Uma criança pede a mamadeira,
Muitos sobem uma ladeira,
Outros descem na volta
As máquinas vão silenciando,
Despede-se o operário,
O mestre reserva as ordens...
O gato cochila e dorme...
Ou mia comemorando a noite que já vem vindo.
O gado muge enfadado...
Os animais se aconchegam.
Agora o véu é mais denso,
E a moça então se perfuma, sente-se mais bonita.
O rapaz assobiando caminha pensando na namorada,
As escolinhas vazias ficam sem a criançada...
É que está vindo num açoite, silenciosa, a noite...
E eu fico mais inspirada

(Ednar Andrade)
 
Uma história

Quimera

 
Quimera
 
Sisuda mágoa .
Espelho do meu pálido sorriso,
Nem devaneio, nem dispersão...
Nem prazer és... És quimera ...?
És-me cálice de longe e tardio olhar desigual
Que lanço sem saber o desatinado tremor...
Espada aguda e cega.
És-me chama,
Fogueira de bruta e rubra violeta cor.
És-me guerra...
Enfadonho trilho ...
Mescla de carne em conflituoso escárnio.
Sombra.... Ave de rapina
Soberbamente carregado de engano
PORQUE (?) Porque?
Em calmas nuvens, não traz-mes brisas?
Podias ser anjo, podias ser inerente paz...
Mas fugitiva força, me atrais...
Oceânico sonho...
Distante cometa sem brilho ,
Sem vida própria.
Imperfeita e amputada luz...
És como a primavera sem flores,
És o chão estéril,
O abismo e o sofrimento dos esquecidos,
A carência do pão que foi"cuspido..."
O aborto, o peito que arde e queima pelo latejante leite contido.
O filho pródigo,
O rio irreverente que segue, sem se importar com o que arrasta...
Torrente...
Devastando tudo sem rastro deixar´
És... O começo e o fim do nada ...
És, sobremaneira, estúpido, mortal sentido
Venerado e soberano sem de nada seres Rei...
Crucificado e escarlate sacrifício...
...Também calvário ...
És cruz.

(Ednar Andrade).

(21*01*20011*).
 
Quimera

Nó...

 
Nó...
 
Nó, sem começo, sem fim...
Neste sem fim, e afinal...
Nem festa, nem temporal: caminho...
Não sei parar...
E... Neste olhar sem rumo, rumina o meu calar.
... Eu sigo... E seguimos nós...
Vou, vamos neste vago tempo...
Me encontro pedra do jogo,
Na labareda deste fogo, queimo, queimas...
No desigual mundo, sou teu igual...
Novelinho sem ponta, sem começo, sem lugar algum...
Desassossego.
Farto-me de abismo, sou o perigo,
Meu infinito e meu desabrigo,
Porto inseguro – navio sem mar,
Neste desamar... Escorrego
De encontro ao fundo deste “oceanar”.
Barco sem vela... Para que lado foi a vida?
Caminhos sem despedida,
Guerra de esperar,
Heróis, sem resistência,
Um farol sem direção,
Faca de ponta afiada, luzente, quente,
És como o fogo,
Entorpecente, quente, és como o ópio.
Terço, rosário, ou prece... Teço, teces.
Tormento.
Canção, lamento.
(São dez, oito, horas... Amém).
O céu se veste de noite,
Cai a tarde, chega a escuridão...
... E o peito se aperta e se enrosca
No nó de nós...
Tento um canto...
Mas o desencanto
Me faz desafinar...

(Ednar Andrade).
 
Nó...

Vestida de Sorriso

 
Vestida de Sorriso
 
Vesti-me de sorriso,
Desfilei na passarela,
Vesti-me de colombina
De todas as fantasias ...

Pintei de cores vivas, a minha tristeza
Pus na boca a alegria do meu vermelho batom
Dancei todas as músicas que ouvi
Sem perder o tom entre as serpentinas coloridas

CINZA ESTAVA MEU CORAÇÃO.
Passou o carnaval,
A alegria passou,
Os risos as cores ... Passou tudo enfim,
Passou.

(10*03*2011)
 
Vestida de Sorriso

Invasão

 
Invasão
 
Às vezes o amor
Me chega como uma tempestade;
Queima, arde, invade...
Faz alarde ou mudo;

Como um vulcão que desperta em chamas... Chega.
...E INDIFERENTE DEVASTA O "DENTRO"...
Do meu ser
Toma meus sentidos, desperta-me a euforia..

Depois de queimar tudo,
Ainda pisa nas cinzas,
Deste meu desabrigado coração...
Fico como uma ré detida,

Dispersa, deitada sobre a dor... Desta tortura
Como um ditador, ele vai e vem...
Em outas me chega sussurrando...
QUASE GEMENDO DE TANTO SENTIMENTO E SAUDADES...

Pede para entrar,
E faz morada,
Fica e demora... Como se para sempre fosse
Cedo, noite, já bem tarde...

(Ednar Andrade).
 
Invasão

A sós

 
A sós
 
Ávida
... A vida,
Café quentinho,
Batata-doce,
Manhã...
O piar
Dos pássaros,
Uma vontade mansa...
De ficar... Nos lençóis.
Manhãs;
Frescas manhãs...
Sem sóis,
A sós,
.
.
.
“Comigo”.
(Ednar Andrade)
 
A sós

Retalhos

 
Retalhos
 
Hoje… Só a boca fala,
Só o acaso resume
Sobras de alguma alegria.
“Pedaços de partes perdidas”.

Hoje, talvez, as feridas,
Feito um cão, dando lambidas,
Procurando, talvez, sará-las,
“Diminuí-las”… Curá-las.

Retraços deixaram traços,
“Fizeram-se marcas vividas”
Em páginas de minha vida
Tenho um olhar bem marcado,

Manchas que a água não lava
Que nada consegue por luz.
“São sobras de tanta ausência”,
São noites pra sempre perdidas,

Lágrimas gravadas no pano,
Pedaços de tantos sonhos,
Olhar perdido no verde,
Retalhos da minha vida.

(Ednar Andrade).
 
Retalhos

Jaz

 
Jaz
 
Os dias passam lentamente...
Na minha lente embaçada.

Neste muro de cal
Vejo a bandeira da interrogação
E a procissão dos mortos.

De vagar, caminham sombras
Tão lentamente que o que se move
Não tem vida.

Neste muro de cal, areia e sal.
De noite é dia, de manhã; ontem
E a tarde jaz.

(Ednar Andrade).
 
Jaz

Palavra-muda

 
Palavra-muda
 
Saltando de galho em galho no cajueiro,
Leve como um pensamento...
Anum é seu nome.
"Estranha ave"...
Distraída canta...
Pela folhagem,
Bailando... Bailando... Vai...
Tudo me invade,
Silêncio, música (sem saudade).
Nesta paisagem de verde tarde,
Descortinando o tempo.
No olhar tenho um riso;
Na boca "palavra - muda”.
Me desnuda, me interroga,
Me abriga,
Me abraça,
Me enlaça... Respiro a vida.
Estranha ave... Que, como eu,
Canta seu canto...
...Eu? Planto flores,
Eu verso...
E dela me encanto...
Me encanto...

(Ednar Andrade).
 
Palavra-muda

Todas as poesias

 
Todas as poesias
 
Que o sol te alcance/
Que da luz do dia nasçam todas as poesias/
Que o canto dos teus encantos/
Sejam de euforia/
E nada além dos teus encantos seja poesia/
Somente a felicidade possa te encontrar/
Sem o medo ou a duvida saibas amar/
O amor te busque/
Só o amor encontres/
Só o sorriso seja teu fiel amigo/
Que a saudade não esqueça de te visitar/
pois da saudade/
Depende o poeta para sonhar/
Das melodias que o amor cantar/
Guarda no teu coração os versos/
Feitos com a ternura dos que sabem amar*/

(Ednar Andrade).
 
Todas as poesias

Entre linhas

 
Entre linhas
 
Entrelinhas…(?)(…, : .)
Escorrem:
Amores,
Vidas,
Abraços,
Sentimentos
E… Entre os dedos
Sonhares e sonhos…
Versos, sem rimas, tristonhos…
Entrelinhas…
Estrela e estrelinhas,
Estrelar-Universo, risos e flores…
Ávida a vida segue e seguirá…
Sem que o relógio, “a pare”, ampare…
Disparo, certeiro, incerto tiro, disperso, rio…
LARVA DE INVENTOS…
Contra tudo, contra o vento …
Entre traços & trapos
Entrelinhas(…)
Navega o barco…
Bússola em total des-arrumos…
Descendo ou subindo,vai…
Vou,vamos .
Irei, ou quem sabe, iremos…
TODOS NÁUFRAGOS…
Felizes & Tolos.
ENTRE-ABERTOS
Dispostos contra o destino
Nestes des-alinhos… Dias…
MUNDOS… Imundos,
Entre os sins e os nãos
Ser feliz a ter razão… Estendidas mãos…
Naus… Perdidas
Buscam…
Olhares que interrogam,
“Ouvidos” que falem…
Verdades que mintam…
MENTIROSAS VERDADES.
Brinquedos de gente:
Esperança, fé , jogo de faz de conta.
MA-LA-BA-RIS-MO….
Cismo…
O QUE É?
Para que? Porque será???
Os relógios caminham sem pressa.
Dançando, vamos, aqui nesta festa…
Enquanto a canção durar…
Eu, tu, nós.
Até que tudo
Estanque.

(Ednar Andrade).
 
Entre linhas

Eu

 
Eu
 
Estou morta:
Em mim...
Não escrevo,
Mas penso...

Penso tanto...
Não canto,
Nem me encanto,
Também não bebo pranto

Destilo alma,
E desencanto...
O que vem de mim é uma sombra
É um "sem riso".

Estou mar, estou profundo...
Sinto-me fora do mundo
Mundo- IMUNDO,
Pano sem fundo, abismo sem fim,

Nem começo,
Mundo...
Apenas como uma pena, flutuo...
Não estou triste,

Estou – só - "comigo".
Pisando areia...
Com pés descalços,
Sem pressa,

Eu.
Pele molhada,
Água & Sal..
Cabelos ao vento,

Sossego solto...
Liberdade,
liberdade...
A dor morreu.

(Ednar Andrade).
 
Eu

Poesia

 
Poesia
 
Até parece sonho,
A verdade que componho...
Alma transparente,
“Pele nua”, traduz meus sentimentos
Sem nenhum pudor.
Como verso, pura quimera... Diriam...
... E a vontade de viver.
A rima é o contra-verso... E o re-verso.
Se é para falar, silencio...
Se é para rir, choro...
Se tiver saudades, canto...
Se vier o medo, sigo...
Sem olhar para os lados.
Meu pássaro alado,
Meu mais velho invento...
Assim sigo, segues
Como irmãos e filhos,
Mãe e pai do tempo,
Aprendizes, somos.
Vagos de incertezas;
Plenos desta prosa;
Pobres de ilusão.
Coragem,
Loucura,
(Coração de poeta),
“Corpo de mulher”,
Sentimento em universo.
(Solto dentro da prisão
Abstrata do amar...)
Parece sonhar o poeta,
Quando diz
A mais pura flor da verdade
Em seu sonho.
Esbarro, num caudaloso rio de mim
E, não me banho...
Meu leito vira rio
Para o deleite do espanto (...)
A minha melhor prece é a poesia,
Onde planto versos
E colho rimas.

(Ednar Andrade).
 
Poesia

Tudo em mim

 
Tudo em mim
 
Havia um silêncio em mim, que eu chamava de paz.

Havia uma mansidão em mim, falsa sintonia entre o desespero e a dor.

Havia um que, não sei de que, que, de tanto haver, tomava conta do meu não-ser.

Havia uma interrogação que eu exclamava dia-após-dia no meu ser, tão sem ser.

Mas, eu, comia, engolia, aspergia, respirava, sentia, essa coisa que não sei dizer.

Havia uma sensação de falsa paz e luz e sossego, de ser o que não sou, de querer o que não quero ter.

Havia tudo em mim, menos o que eu queria ter.

Havia uma coisa que não sei o nome e chamei, sem saber como chamar essa coisa sem nome, e no fundo da minha alma aflita, conturbada, confusa, chamei de amor.

Hahaha... Amor, palavra indigesta, profunda, confusa, até abstrata, assim como uma medusa, tantas faces, o que será, o que seria, o que é o amor? Amor eu já tentei decifrar, sentir, não sei se sei dizer: o amor é como... Um mal que busca o bem no querer; é ter o que não se pode ter; é buscar no infinito o nada que é querer... E querer o que seria? Seria a posse do outro? Querer seria estar aqui, além no infinito, a posse do outro ser? Não sei, talvez um dia alguém, possa, enfim, compreender... O que é amar, querer, sentir, ter... Hummmm... Não sei, não sei assim simplesmente dizer.

Mas, sei que havia em mim um querer que não pude "ter", talvez "por não saber" querer e... Com medo, fugi, corri, deixei que escapasse de mim e do meu ser o que queria ter. Chamaria a isso de amar? Se de amor ninguém sabe entender? Como poderia eu, assim, cega, surda, contida, abrir-me, dar-me a este tão grande movimento que chamam de amar o amor.

Mas, havia em mim uma sede infinita, toda em mim, completamente infinda de querer.

A isso chamei de sentimento, a isso chamei de viver.

E disso, fiz tantos sonhos, tantos planos, tantos sorrisos, para, depois, então, descobrir que o amor não é, nem está além de mim.

(Ednar Andrade).
 
Tudo em mim

"O Poeta precisamente só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo".

(António Maria Lisboa)


http://www.ednardocemisteriodavida.blogspot.com