Poemas, frases e mensagens de Estela

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Estela

GONDOLEIRO, O MUDO E FIEL

 
E NO MOMENTO DO GRITO, FALHA A VOZ.
DENTRO DA PRESENÇA DO SILENCIO
SAIU UM SOM ESMAGADO...DOLORIDO
UM GRUINHIDO...MINHA FALTA DE PAZ!
NÃO PODEMOS DAR O QUE NÃO TEMOS.
POSSUIR O SILENCIO,
SER POSSUIDA POR ELE.
GRITAR COM AS MÃOS?
SOLUÇÕES...
UM SOPRO NO OUVIDO.
UM CALO NA LINGUA QUE NUNCA É USADA...
A QUEIXA DE UMA PALAVRA INSANA.
NA ALMA O CHORO PERDIDO.
TRANSGREÇÕES...
NO CORPO A IMPOSSIBILIDADE DO CIO,
GEMIDOS;
GRITOS;
NINGUÉM NOS OUVE POR DENTRO!
ABERRAÇÕES,
CASTIGOS;
A NOSSA PRÓPRIA SENTENÇA...
SOLIDÃO.

13-03-2014
 
GONDOLEIRO, O MUDO E FIEL

O Senhor das Horas

 
Queria ir ao ultimo lugar do mundo,
Estar sentada sob um ipê amarelo e velho,
Tão velho quanto o tempo,
Senhor das horas.
Horas que não passam,
Horas que não conseguem divagar
Sobre os grãos de areia.
Queria estar no absoluto infinito
E nunca mais voltar
Não queria nada.
Nunca mais.
 
O Senhor das Horas

Sobrenatural

 
Parece-me antever o depois da morte, o sobrenatural.
Lá poderei andar e ver pássaros andando com pés,
Sorrindo, cantando com vós humana...

Sentar em um rio calmo e não molhar nem os pés.
Abraçar um imenso baobá,
Gargalhar com as minhocas.

Estragar um dia inteiro,
Fazendo tudo o que se quer.
Dar um refrigério a um peixe,
Tirando-o do mar.

Caminhar com meu chapéu,
O qual nem tive tempo de estrear.
Jogar todas as flores no rio,
Só para regá-las.

Afagar um homem, sentado a meus pés
Dócil e amigo, sem nenhuma má intenção.
Enfim, alguns instantes do inexistente
Só para recriar a realidade.

24.02.13
 
Sobrenatural

Do fundo do abismo

 
Tuas palavras machucam
por isso queria ferir semelhante
Mas o instinto de ferir já não me alcança
tudo é tão demente...
delirios durante a dor, tormenta do meu ser
um grito sufocado na garganta
uma vontade imensa de morrer
as flores são pétalas mortas
caídas ao chão, pisadas
o canto dos pássaros, uma sinfonia disforme
até o riso das crianças me assusta
tudo é tão medonho!

Fui esquecida aqui...
Até quando, até quando...

O precipício é tão perto
estou dentro dele
alimento-me daqueles que aqui
debruçam-se mas não tem coragem
choro, soluço!
meu pranto já é um rio...
Ninguém há que me liberte
do mal do bem
espumas brancas, areia
sal, fumaça, céu...
Sou uma rosa sem espinhos
nunca antes cultivada

Fui esquecida aqui...
 
Do fundo do abismo

Brisa leve, tão suave...

 
Oh arrebata-me dessa espera
Deixa minha história pertencer
ao teu passado, resgata-me o
tal pranto derramado

Em algum lugar deve haver
razão e aconchego...
Leve-me para lá!
Aqui sem ti, só o vazio há

Ninguém cura alguém
Não há amor que se cure
Não há dor que perdure
mais que a morte

Nos sais, meus ais
doem mais...
Chumbo e vinagre às costas
A dor nos cafezais

Na ribanceira uma historia acabada
No campo, as flores silvestres
No desgosto, um pranto só
O de sempre, a ressaca do mar

A voz que morre na garganta
Lampiões de gás
Para noites escuras
sem luas e canções

Para você que nunca esteve lá
O sol, as manhãs de ventos alegres
irão comentar a saudade irracional
que tem de tudo o que sonharam

Nós hoje somos apenas um aroma
Brisa leve tão suave que me acompanha
Faz-me viva e capaz de recomeçar
Faz a todos melhores, embora o pesar
 
Brisa leve, tão suave...

PAPEL DE BALA

 
QUANDO ANDEI NO DESERTO
VI AVES E PEIXES
PEGUEI PIPAS PERDIDAS
JUNTEI ÁGUA EM CONCHA COM AS MÃOS
IMAGINEI BEIJAR TEUS LÁBIOS
BEBI DE TUA SALIVA

QUANDO DORMI ENTRE ABORIGENES
ME AQUECI EM TORNO DA FOGUEIRA
TRASNGREDI ALGUMAS LEIS
ABRACEI CANGURUS
DEI UM BEIJO NA LUA
VESTI MEU PIJAMA

ME AQUECI NA CHUVA
NUM DIA DE NOITE
JULGUEI TEUS NOMES
TIREI APENAS UM BRINCO
ANDEI NUA EM BRASAS FRIAS
ESQUECI DE TE ESQUECER

AO DECLARAR MINHA PAZ
FUGI DE TI...
ENCONTREI A MIM MESMA
ARREPENDI!
INAUGUREI UM NOVO MOMENTO
SEPAREI O JOIO DO TRIGO

BEBI, FUMEI, ME ESTRAGUEI
É O TEMPO...
RECORDAR DOS AMORES, É PRA AGORA
FUI, VOLTEI
FIQUEI COM ALGUÉM
SEI QUE ELE NÃO ME ESQUECEU
 
PAPEL DE BALA

Meu mundo, meu Jasmim

 
Flores silvestres
Rosas de verão
Flores sem espinhos
De manjericão
Aromas de jardim,
Há um jasmim florido
Há um ser tão sozinho
Como as gotas do orvalho da manhã
Pássaros, abelhas, todos vêem
Você se vai
Eu choro e você nem percebe
As flores despetalam
As folhas amarelas formam um tapete servil
Piso sobre elas e não há mais perfumes
A primavera acabou
O outono passou
E eu continuo aqui todos os dias
A esperar por você, por seu regresso
Mesmo sabendo que nunca virá
Meu mundo, meu jardim
Florido ou não
Meu mundo, meu jasmim
Deixando aos olhos do mundo
Tudo o que há dentro de mim.
 
Meu mundo, meu Jasmim

Nua

 
Brilha estrela nua
Como o céu, o véu
Em plena madrugada
Mostrando o pranto
Rio prateado e fugaz
Por sobre amantes
Brilha estrela nua
Como o céu, o fel
Em plena madruga
Com seus açoites
A ferir na carne
O prazer selvagem
Brilha estrela nua
Minha, tua...
Ecoando do destino
Intenso raio humano
A beijar da fonte
O líquido luar
Brilha estrela minha
Errante amante
Doce deusa
Tão distante
Que faz o ébrio
Calar, sonhar
Brilha Estrela minha. Nua!
 
Nua

Diante de Tua Majestade

 
Diante de Tua Majestade Meu coração se encanta
Nas Vossas mãos, entrego-me!És o Senhor da minha vida
E como És meus Senhor, sou tua serva, sempre cativa

De Tua misericórdia, nunca fui esquecida, sou pedra polida
Já fui perdida e Teu amor encontrou-me, iluminou-me
Hoje livre, contemplo Tua face com todo o meu carinho

Em tudo vejo Tua criação e por tudo sou-LHE grata

E sei, sempre estás em meu coração e nunca me falta!
 
Diante de Tua Majestade

Pequenos Detalhes

 
Mentiras e verdades!

Qual delas você prefere?

As suas verdades levianas?

Ou suas mentiras justificadas?

Qual delas te faz mais feliz?

As mentiras que eu finjo acreditar?

Ou as verdades que você deixa passar?

Então acredite, não sou tudo o que você pensa

Posso mesmo nem ser o que você percebe...

Meus caminhos são tão MEUS!

Meus caminhos nem cruzam com os seus.

Meus caminhos... Quem decide, sou EU.

Nas rimas de seda, dos laços frágeis

Não consigo prender meus afetos aos teus.

Na poeira que respiro, devolvo aromas sagrados.

Imagino que o caminho percorre céus e mares

Muito distantes da minha realidade.

Mas aqui confesso sinceramente

Que em meu caminho não houve verdade

Nem houve mentiras, tudo o mais

Foi apenas circunstância...

Geradas de dores ou de amores.

Assim, peço-te uma coisa:

Aquieta-me a alma, estaca meus passos

Faz-me justiça e mata-me de paixão!
 
Pequenos Detalhes

Constante

 
Acordei chorando,
Acordei com dor
Quando acordei, chorava
Ao acordar doía tanto...
O choro e a dor despertaram-me
Houve choro e dor,
Nem sei se dormi,
Mas acordei.
Ainda dói.
24.02.13
 
Constante

No Palácio onde moro...

 
Lá, aqui dentro, ali mesmo, naquele cantinho...
Consegue ver, visualizar, enxergar, pressentir ou imaginar?
Pode ser que sim, ou pode ser que não. Na verdade não importa quase nada, apenas que anseie algo maior que você mesmo. Que sorria por dentro e troque o nome de algumas coisas, rosas, idéias, pensamentos, extratos de filosofia e tal...
Mas ainda assim, não importa nada, não importa muito, o muito é muito pouco ainda.
Mas afinal, e então... O que tem isso e aquilo?
Feijoada no Copa, chopp na Lapa, festa no Bola Preta...
E o que tem isso?Nada de mais se for sem sentido.
Mas seja o que for sentido, eternize de dentro pra fora. Pode ser por uma metáfora, pode ser na paz e na guerra. Não importa tanto, apenas seja, haja, sinta,viva!
 
No Palácio onde moro...

quando o Amor acontece!

 
Mãos macias, gentis
mãos de mãe
mãos de amigos
mãos de quem ama

olhos serenos
cansados ou deileitados
olhares que afagam
um olhar que vê...

Aquele sorriso que é tudo
Que te faz retribuir
mesmo que não esteja
com vontade de sorrir

isso acontece quando
temos alguém realmente
especial e para quem
somos realmente especial

É quando o Amor acontece!
 
quando o Amor acontece!

Meus ais

 
Bem aqui dentro, há duas de mim.
E mais algumas ou outras espalhadas
Em dias de férias ou de chuva.
Mas estas, aqui dentro,
Fazem o que sou o que quero ser
E o que raramente ouso revelar.
Em algumas horas tudo pode findar
E eu já não entenderei as leis que fiz.
Os sentimentos que habitam
Nesse momento podem libertar-se de mim
E reinventarem a liberdade que
Busquei toda uma vida, ou em todas
As minhas espalhadas por aí
Nesse mesmo tempo.
Preciso descobrir-me
Enquanto ainda penso,
Enquanto ainda lembro...
Quero reinventar-me
Ser outra eu, ser outra nós.
Esse dom em mim já foi
Bem mais natural...
Agora tenho que ir muito longe
Para alcançar essa reinvenção.
Quem sabe profanar-me!
Resgatar-me, ou seja, o que for.
Mas tudo com muita dor e dificuldade.
Valerá a pena ainda?
E se eu realmente conseguir
e acabar me encontrando?
Aí então não me reinventarei nunca mais.
Talvez seja bom, ando tão cansada!
Então me pergunto:
Qual o sentido disso tudo?
Esta resposta não me vem aos lábios,
Mas a sinto dentro de mim.
É uma necessidade latente.
E cada um tem a sua própria resposta,
De acordo com suas ações e pensamentos.
Eu sou apenas o que sou.
Descubra-me, por favor.
 
Meus ais

No compasso do coração

 
No viver, o amar
No sorrir, o acordar
No caminhar, a certeza
O fruto?
Mesmo que seja:
O pecado, a queda
Haverá noutro dia
A Esperança!
Tudo ainda pode
Realizar-se.
Ao aprendiz,
O aprender!
 
No compasso do coração

Inquietudes d'alma, minhas lamentações!

 
Somos todos incoerentes em algumas oportunidades?Ou são coisas de raro acontecer?Salta-me aos olhos os infortúnios dos outros e quase sempre a mim, escapam os meus. Esqueço de justificar meus xingamentos, ou não os levo por conta de pecadilhos. Não sei ao certo. Mas sei que nem tudo é eterno e nem sempre vem a tempestade. Que a quietude vem como brisa, mas que o vento chega à surdina. Que o estrago no coração pode vir de quase nada, mas que esse mesmo coração pode suportar quase tudo. Inconstâncias ou incoerências?O que mais eu sei, além de que nunca é o suficiente?Sobram-me boas razões. O vendo sudoeste vem vindo... Sinto-lhe o cheiro. Daqui, vejo ao longe um barco à deriva. Seu ocupante não lhe sentiu ainda a brisa de aviso, aviso de mudanças... Esse vento poderoso irrompe quase sempre ao anuncio de ventos, tempestades, mas quando o sudoeste se infiltra nalgum coração desavisado, ai! Aí me acode os cuidados com a alma... Ele faz um estrago imenso, mas também promove boas mudanças, necessárias mudanças. Da ultima vez que me veio um sudoeste para afligir-me a alma, senti-o como alerta... Tudo me foi tirado. Não tive tempo de nada. Vi tudo indo como numa enxurrada... Lavou-me o corpo, sumiram todas as marcas. Tudo virou ex-amor. Fui renovada. Hoje a tarde senti o tal calafrio... Pensei em acender uma vela, pedir, implorar, mas por fim, lembrei da primeira vez... O sudoeste veio na hora certa... Quem sabe esta é a mesma hora?Eu não queria, nem estava mais pensando nisso como há tempos atrás, mas as mudanças acontecem quando são precisas, e os ventos impetuosos não pedem licença ou autorização. Já me vejo só, de pé no portão... Olhando pela janela, sentada numa praia, lendo um livro bom e gasto por suas repetidas leituras... No calor, no frio, tanto faz... Sentindo a brisa de qualquer outro vento. Não há como evitar.
 
Inquietudes d'alma, minhas lamentações!

Algaravia Silenciosa

 
Nos sons que penetram minh'alma
Pouco deixo a descoberto
Muitos pretendem dizer de mim
Colhem os sons e deixam silêncios mórbidos
As cartas de amor soluçam
Os poemas deturpam
E não sei mais dizer amor
Onde foram? Calaram-se os improvisos
Fecharam-se as entradas
Estão selados e camuflados
Aqueles que um dia sabiam responder a altura
Dos muitos cantares, nos muros mais altos
Nada há o que restaurar, foram submersos
Parei entre caminhos
Não posso escolher areia ou mar
Debruço-me e não consigo equilíbrio
Tenho medo de cair
Desejo cair
Mas sempre me trazem à tona
Aqueles mesmos antigos versos
Que já socorreram tantos amantes/amores
Olham para mim...
Não sei o que vêem em mim
Mas salvam-me assim mesmo
Só me resta Pasárgada....
Aqui... Sou amiga de quem?
 
Algaravia Silenciosa

Aridez

 
Áureos tempos de antigas paixões
dantes, desamantes, por falta de compaixão
agora, obra da vida, dissabores...
Consolo de tantas aflições
deixados a beira da longa estrada
Caminhadas no Saara,
miragens e alucinações
Pássaros perturbados,
bandos desavisados
se entregando as paixões!
Ainda não sabem, mas não há saída!
Aspergem sobre si mesmos o golpe
profundo daqueles que findam sós em seus corações
mas vivem seus dias buscando...
O amor /desamor
mesmo que os faça ferir,chorar
acorrentados ao sentimento que lhes...
Mate a alma ao chegar.
 
Aridez

Estrela da Manhã

 
Brindo a você que está em paz, feliz. É um raro dom o de perceber o que se tem ou o que se é, e acima de tudo, conseguir ser feliz com o que se tem e com a verdade que carrega de si mesmo.

Brindo a você que na loucura de fazer o que acredita, enfrenta a voz que te clama pecador!
E brindo a você que diante dessa inveja insana, muda tudo dentro de você e parte para tentar a mesma felicidade que abalou seus alicerces.

Brindo a você que não tem coragem, mas participa da felicidade de outros que a tiveram.
Brindo a você que carrega em meio as cinzas da esperança o dom de ser feliz.
Brindo a você que chora e ri de si mesmo e da nulidade de carregar seu fardo tão só.

Brindo a você que apesar de TUDO, ainda quer viver, sonhar , errar e aprender.
Brindo a você quando me olho no espelho e percebo que poderia ter mil vidas diferentes da que tenho.

Mas principalmente brindo a você que consegue perceber o extremo esforço que faço para renovar-me a cada dia, voltando a minha essência.

E brindo a mim, a quem a estrela da manhã vem serenar com o seu terno adormecer, nas brumas de tantas fantasias vividas e desejadas na vida que eu gostaria de ter, e nunca terei.
 
Estrela da Manhã

Viva...

 
Já podes voltar a tua forma original
Cuida de tudo aquilo que adquiristes
Renuncie ao que foi conseguido com sangue
Mesmo que tenha sido de teu sangue
Escondas o rosto, alivies a culpa,
agora já nada podes fazer
A noite caiu!
Mas amanhã o dia vai raiar
Sua alma voltará a aquecer
E você voltará a sorrir
Por um pouco mais de ferrugem
A alma obscurece o brilho dos olhos,
Não deixe isso acontecer
Vá a países cinzentos,
Resgate os velhos sonhos
Viva e deixe viver.
 
Viva...

Escutar o silêncio é tão bom...(Estela)