Poemas, frases e mensagens de ~~~~`+´~~~~

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ~~~~`+´~~~~

Apenas transcrevi o que escreveste em meu peito …

 
Apenas transcrevi o que escreveste em meu peito …
 
Teu anjo,
Já não veste uniforme
Já não quer voar
Te abriga
Quando a chuva cai
Te embala
Quando olhos
Se movem para lá do céu...

Teu anjo
Já não adormece
Já não acende a estrela de Órion
Prefere vigiar-te quando dormes
Acordar-te quando sofres,
Nos sonhos antagónicos …

Teu anjo já não personifica a carne
Porque é espírito precioso em teu corpo,
Soprando a alma em coragem …

Teu anjo
Já não é cidade
Prefere ser abrigo no olhar
Esse brilho nutrindo o coração,
quando desistes de lutar …


P.S.

Quando partistes não percebi
Tentei desistir e não percebi,
Porque não morria …
Porque me impediam na última saída …
Mas houve um momento
Em que tu, meu anjo,
Me ajudaste,
a erguer a força de dentro

Ensinaste me a saborear a beleza das coisas simples
E nunca desistir de amar na solidão da natureza …

Por todo o nosso amor te prometo, que tomarei o teu lugar no dia em que morrer e tu renasceres. Porque ambos sabemos que as almas gémeas, nascerão de todas as formas para se encontrarem …
 
Apenas transcrevi o que escreveste em meu peito …

História do vento e de uma menina …

 
Uma menina na praia chorava, não era um choro qualquer … seu choro imitava o ritmo das ondas.

O vento lá longe, observava a musicalidade da sua tristeza, resolveu então se aproximar dos seus cabelos, tentou saber porque chorava, observando seu rosto, suas lágrimas e lhe perguntou:

- Por que choras menina?

Ela respondeu com amargura e cansada:

- O que queres tu de mim, não vez que eu mereço estar só, eu e o meu pranto…

O vento insistiu em conhecer o motivo do seu desencanto, rodopiou em seu redor até que lhe levantou um pouco da saia …

A menina irritada lhe respondeu :

- Deixa-me, vai te embora, todos procuram o mesmo, quanto mais frágil estamos mais nos querem enganar …só quero paz … não me venhas com falinhas mansas … vai-te embora …!

O vento entristecido se afastou …

No entanto não deixou de continuar a observar a menina que chorava sua alma …

Foi então que a menina resolveu entrar no mar revolto, o vento com medo, desceu sobre o areal e lhe soprou uma rajada para se afastar do azul mau, lhe dizendo ao ouvido:

- Não penses que não conheço tua tristeza …

Em seguida levantou a areia e subiu, trazendo a chuva no seu braço para regar a face da menina e com a voz molhada lhe disse:

- Vês como conheço o choro do céu, o teu, não é muito diferente. Por favor deixa me ser teu amigo, não prometo tornar doce tuas lágrimas, mas unicamente te peço, quando tiveres triste, procura esta praia e de certeza terás o reconforto do meu abraço …
 
História do vento e de uma menina …

Saudades lançadas ao mar numa garrafa de Baileys …

 
Saudades lançadas ao mar numa garrafa de Baileys …
 
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Saudades
Troviscam como passos
Assustados
Na calçada de um jardim.


Saudades das tuas sardas, dos cabelos entornados de cenoura…

Saudades dos teus beijos, alagados
Dos abraços em estaca, durando horas,
Até que o olhar fechado,
Ganhasse os corais da praia …

Saudades em forma de farpas
Suicidando os vazios descobertos ….

Promessas ruindo como muralhas
Nestas cartas guardadas como tesouros
No mais íntimo dos segredos …

P.S:
Cada vinco de papel traz uma marca tua, que reveste de atlântico as reticências do coração…
Mesmo assim construi uma fortaleza de granito para suster a distância, acabei apaziguando a alma, mas não a recordação oceânica dos teus olhos …

Musica – Enya - Dances with wolves.
 
Saudades lançadas ao mar numa garrafa de Baileys …

Homenagem ao poeta do mar “Transversal” juntamente com a sua aprendiz …

 
Homenagem ao  poeta do mar  “Transversal” juntamente com a sua aprendiz …
 
… um mar … um poema … 2 olhares … 4 asas …

Que baú esconde o seu peito...!?
Pois dele sai gotículas de espelho…
tanta a saudade das memórias,
tanta a lembrança do mar...do meu (a)mar...

Reflexos inigualáveis de mar
Raros eufemismos que ajudam,
os pobres de espírito a sonhar…
sonhos, sem tempestades, ou furacões,
almas, algumas as alegrias vividas...

Já mais seus passos se afundarão na areia molhada…
Pois seus dedos são asas de papel cartão
Lutando para salvar o sal das lágrimas
que caem, sem parar por vezes,
desnovelando alegrias guardadas
cantadas nos mares sem fim, horizonte,

Na tentativa de imitar o céu
Reinventando o novo arquipélago do coração…
como toda a hortênsia que acorda com um sol,
como a andorinha que adormece embalada
pela lua....

jamais os passos se afundarão nas areias
banhadas por tantas marés...

Transversal em conjunto com ~~~~`+´~~~~
 
Homenagem ao  poeta do mar  “Transversal” juntamente com a sua aprendiz …

Não apagarei o rasto do meus passos ...

 
Não apagarei o rasto do meus passos ...
 
...deixarei como recados , desejando que o mar os guarde …

Chegou a hora de despedir o rosto
Depois das lágrimas secadas
Depois dos vestígio de dor
Semeados na praia…

Quis dar voz á dor deste olhar
Mais alcance ao seu grito
Uma tentativa desajeitada
De doar espaço a sua alma
Dilacerada

Misturei o egoísmo e a solidariedade
A ilusão e o anonimato …
A mágoa emprestada de ser fado
Acabei por assustar o azul da praia negra
Através de um ego ácido

Me desculpem
Um abraço a todos

Voltarei, mas agora sem os sapatos altos
Só com os pés de areia, para não deixar rasto …
 
Não apagarei o rasto do meus passos ...

A herança da dor...

 
Rotulaste a saudade na pedra mármore …
Deixaste a matéria
No dormitório dos sonhos rasgados …

Pintaste o asfalto de lágrimas caras ….
Impossíveis de apagar


Deixaste o vazio zangado na espera
Gotejando o silencio na efémera luz…

Deixaste a cadeira vazia o coração cheio,
Prisioneiro do céu
Vivendo o inferno de luto …

Me alcança quando o vento fugir de lá para cá…
Me ama quando olhos fecharem e o corpo secar …
Afinal somos uma só alma
E no final uma só palavra:

Amor
 
A herança da dor...

O Sonho inocente de ser grande …

 
O menino Aucindio queria ser rei, mas não tinha dinheiro,
para adquirir o fato que estava na montra do supermercado …

Resolveu aproveitar pedaços de palmeiras, caídas na travessa da rua direita ….
Junto-as ao corpo, com ajuda de arame ferrugento….
Aproveitou um cesto velho que estava abandonado no lixo,
Cortou-lhe o fundo e fez uma espécie de coroa de espinhos …

Nesse dia ficou conhecido como o Menino que vestiu uma palmeira
Para se mascarar no carnaval da aldeia

Mas para ele, o mais importante, foi ver que muita gente partilhava do seu sorriso …

Esse menino era meu mano, o ser humano mais bonito que já existiu…
 
O Sonho inocente de ser grande …

A inveja de não saber ser poeta …

 
A inveja de não saber ser poeta …
 
Para que serve a poesia, se não escrevemos o que sentimos …
Se o vinculo da alma se deforma noutro sentido…
Se o veiculo da palavra não traz a essência do íntimo

Para que serve forrar o coração de pomares verdejantes
Se não passa de uma estufa de amores ausentes …

Oh Poeta tolo… !

A ilusão encantada de ser errante …
De proclamar a esperança nas cartas de tinta branca …
De ser louco e profetizar a razão que inflama antes da náusea …

Ainda bem que não sou poeta,
Não me aconchego junto da salamandra dos ecos …
E não perfumo o silêncio na demanda oceânica dos gestos …


Ainda bem que não sou poeta ,
Penso a preto e branco
E sei bem o que é o cinzento dos olhos …
 
A inveja de não saber ser poeta …

Prefiro o amor que chega mais tarde do que as paixões apressadas…

 
Prefiro o amor que chega mais tarde do que as paixões apressadas…
 
 
As paixões representam inesgotável loucura de dois amantes, que por vezes, apressadamente, decidem subir ao cume de uma montanha numa paisagem de sonho …

Já mesmo no começo, a montanha se torna lava, como a sede dos corpos, numa erupção estonteante …

Um vulcão de dentro e de fora…numa respiração cada vez mais sufocante …

Mas o problema chega depois da chegada ao cume, um dos amantes, acaba por esfriar como lava, tornando-se rochedo e nosso coração acaba por ficar como a paisagem negra e sem vida …

Esse amante rochedo, vai nos dizendo … “tudo foi um erro “… “foi bom quando durou “… “era apenas sexo ” …” não era isto que eu esperava “…

Por isso prefiro o amor, que demora, por vezes começa à beira-mar com dois seres descalços a serem banhados…

Dois seres que vão encontrando um no outro vestígios de sempre...rindo...chorando , apreendendo a dizer um ao outro, o mais profundo … através da linguagem do olhar …

E todos os dias será saudável seu encontro…

E sem nos apercebemos vamos sedimentando uma bonita história de amor, até que um dia frente ao mar, escondemos a pressa de tudo e permanecemos num beijo, enraizando a alma num abraço…

Percebemos então que já não somos dois, somos um pedacinho de mar que o destino juntou…

Não temos pressa de nos entregar por completo, preferimos antes amadurecer nos momentos raros de ternura, no tear sedoso das mãos …confundir o por do sol com o aperto da alma, quando um de nós adormece primeiro …

Até que um dia, decidimos acender uma fogueira, no silêncio das estrelas e nos deixamos baptizar pela voz do mar, na noite que será a primeira numa entrega total …

E a partir dai o sonho se torna uma mera consequência, genuinamente nossa …um tatuar de alma no céu, imortalizada nos corpos…e para sempre recordada na saudade…

Até pode ser que um dia esses dois seres se separem, mas vão se lembrar um do outro com um olhar triste e lágrimas felizes …

Musica -Danny Wright - Together Forever
 
Prefiro o amor que chega mais tarde do que as paixões apressadas…

Tua voz se faz eco no vazio dos olhos meus...

 
 
Nos meus olhos moram os teus

Duas janelas de persianas abertas na esperança de partilharem a mesma luz

Olhos de salpicos fumados de azul
Sobrevivendo na as aguas do coração magoado

Olhos…!

Reflectem ainda o choro dos teus lábios sem serem ensinados
A dizer o nome … “Mãe”
 
Tua voz se faz eco no vazio dos olhos meus...

Tento te ver por entre vestígios de luz e salpicos de mar ...

 
Tento te ver por entre vestígios de luz e salpicos de mar ...
 
 
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Vejo o beijo mareando na pele azul de dois céus,
Comunicando através das lágrimas secas e molhadas

Vejo feixes de luz alcatroando a estrada de ouro e de prata

Vejo o pestanejar suave do mar na noite apresada

Vejo a vela raiada do sol, substituindo o negro das borbulhas douradas

Vejo o círculo … fechado … aberto … na horizontal … na vertical … de tudo o que é céu…

Vejo na alquimia das marés, a poesia de baloiço que traz e leva horizontes …

Horizontes que aqui defino, que aqui semeio:

Horizonte Tranquilo

Nessa lonjura que as promessas comprometem
Se extingue a solidão num reconfortar de mar

Horizonte (in) Tranquilo

Numa brisa crescente que amarrota o estômago num acenar
Os olhos ganham velas imaginárias, esbofeteadas pelo ondular

Horizonte Nocturno

O frio escurece as luzes das embarcações nos sons húmidos das ondas
Enquanto a lua inveja o farol que rodopia perante as estrelas mudas

Horizonte Saudoso

O espelho mais fiel ao reflexo da alma, buscando a parte que falta
Para lá da memória dos afectos, para lá do azul sem fim

Horizonte Longínquo

O céu tremido e distante embarga as saliências da morte,
No azul orvalhado que não obedece ao incómodo dos olhos

Horizonte (morto) Novo

O espírito fecha os estores e se desprende na brancura dos azuis
Gotejando gotículas solares, irrigadas de sal humano

Horizonte Teu

Aquele que não vejo mas sinto, quando refino o silêncio no peito erguido e te procuro …
E tu me respondes na voz do vento, no arrepio profundo das lágrimas, no sofrimento das estrelas …

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Musica
Come Home to Me -Tim Janis Ensemble

Foto pessoal-Praia dos Salgados
 
Tento te ver por entre vestígios de luz e salpicos de mar ...

Al-azurd Suavium

 
Al-azurd Suavium
 
Não escrevo no céu por estar longe
Mas escrevo no peito
Estes versos de afecto
Para criar um poema
Resguardado no tempo

Começo pelo teu beijo;
O azul docemente irrequieto
Efervescendo a saudade
Que percorre a pele …

Dos lábios florescem as palavras
Como abraços apertados
Desbotando nas pausas
A coragem de desenhar
No corpo
O Tejo



Tudo o resto são lágrimas …
Ou simplesmente,
A brisa abreviada no teu nome …

Um poema inspirado numa poetisa muito especial aqui no luso…
 
Al-azurd Suavium

Poesia inacabada, lançada ao mar ….

 
Poesia inacabada, lançada ao mar ….
 
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Meu anjo doce
Acolhe cada sílaba dos meus olhos
Lê cada lágrima dos meus versos
Acode-me quando o sal coalhar as pálpebras escurecidas
Mas não me abandones neste triste parágrafo da vida

Não deixes a correspondência do coração vazia
Grita como as arvores para soletrares a saudade
Arremessa o vento para me beijares
Ilumina o silêncio para me escutares
Ensina me que o mar é o lugar dos anjos…
Já que aprendemos juntos que o amor de Deus é a nascente do Rio poente e a foz do rio profano…

PS:
Vou te amar pela eternidade, mesmo que se apague a ultima estrela do céu ….
 
Poesia inacabada, lançada ao mar ….

O muro perfeito do “Luso” ….

 
O muro perfeito do “Luso” ….
 
Aqui a alma estragada se zanga…
Na esperança de chorar água e não sangue

Aqui a mascara sorridente se queima

Aqui o grito se agasalha na dor velhinha
de uma criança

Nesta fonte, reflectindo centenas de rostos
me escondo
Para não violarem a única coisa que falta,
minha alma zangada

Aqui digo que perdi um filho da forma mais horrenda
E me roubaram um outro da forma mais desumana …
Num ninho com grades de feno
E abutres lá dentro …

Para vocês o que escrevo é arte,
Para Deus são lágrimas que ardem de um inferno que não era meu …
 
O muro perfeito do “Luso” ….

Beijo azul

 
O verdejar de uma vontade
Que não cabe numa promessa …

Um eco de dentro que amordaça a pressa
Desse vazio
Desse olhar sentado na espera …

Dessa melodia escondida num abraço…
Desse inexplicável sufrágio do incerto

Me procura, nessa praia escondida
Onde as gaivotas protegem as lágrimas
E os passos se arreliam na espuma …

Me procura, se acreditas
No amor como prefácio de Deus
Na autenticidade dos sonhos …

Me procura
Se ainda desesperas
Na espera … de um novo verso …
 
Beijo azul

…alguns minutos depois , no percurso de Limerick a Dublin 27/ 9/1999

 
…alguns minutos depois  , no percurso de  Limerick a Dublin  27/ 9/1999
 
A raiva rudimentou a alma
Deixando que a seiva azeda
Ladra-se como arraias

Era o peito enchido
A respiração inchada
O grito fundo
A alma calada

Era a tua imagem
Apagada
Num desejo sem razão

Tudo isto afinal, não passou de um pasmo
De um coração agoniado
A ultima tentativa de suster as lágrimas ….
Depois de o cordão umbilical cortado …

Entretanto, o abanão se deu e o dilúvio se abateu
Na face esgotada
Empedrada de granizo escorregadio ….

...e nunca mais soube chorar lágrimas magras ...
 
…alguns minutos depois  , no percurso de  Limerick a Dublin  27/ 9/1999

O molde perfeito do meu amor é o teu coração …

 
Quiseste ser feliz sem o meu amor
Coleccionaste os tais momentos especiais
Retardaste o tempo nas horas de felicidade
Mas percebeste tarde,
que envelhecias de saudade
nas horas banais.

Encheste de coragem e me procuraste, sabendo da miséria dos meus olhos ….

Mas não imaginaste que no meu coração só tinha a tua imagem …

Tu adormecendo nos meus braços
Tu correndo na praia
Tu vigiando as aves raras que se despediam do mar …
 
O molde perfeito do meu amor é o teu coração …

Sempre desconheci a magreza das lágrimas…

 
Sempre desconheci a magreza das lágrimas…
 
Nasci a morrer dilacerada …
Ganhei rugas de infância …
Foi costurada
Enjaulada num berço de ilusão …
Trespassaram me a pele muito antes de conhecer
As carícias das mãos …

Silenciaram meus gritos
Na forma mais cruel…

…muito antes de ser criança,
Deram me a liberdade de ser escrava.

…muito antes de conhecer o reflexo ,
Conheci o medo de ser gente…

Muito antes de brincar, brincaram comigo…

Sem saber falar, solucei…

Sem fôlego solucei…

Até adormecer…sem poder gritar
 
Sempre desconheci a magreza das lágrimas…

Quero rasgar a pele e ser como tu…

 
Quero rasgar a pele e ser como tu…
 
Maldita alma, que herdas te a sombra das lágrimas e escondeste a nascente
bem perto do rosto …
Maldito o sonho, que não têm poiso e nem rumo…

Maldito o gosto que não têm sentido o sono do destino …

Alma funda
Ruína dos cravos
Coruja dos afectos

Pálida a sombra das lágrimas
E dos seu sais,

Cais,

Silêncio cego
Desordenado
Com o presente
Zangado com o passado…

No meio de tangeras e limões …
 
Quero rasgar a pele e ser como tu…

Máscara de um vencedor vencido

 
Máscara de um vencedor vencido
 
Oh Mar rabugento!
Te devolvo este pedaços teus
A marear meu rosto

Entrego também versos incompletos
Queixumes de dor
Vozes entoadas nas ranhuras do ventre…
O tiritar dos dentes de um gemido invertido

Uma Pobre criatura, que morta se culpa …
Na distancia maior que o azul do teu ser…
 
Máscara de um vencedor vencido