Poemas, frases e mensagens de Liliana Jardim

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Liliana Jardim

Parabens Haeremai

 
Parabéns minha amiga, que este teu dia seja repleto de muita ternura, amigos e bués de poesia. Que a vida te dê um pouquinho daquilo que mais desejares, em azul.

Chegaste à Lusos em Setembro
trazias ainda o aroma da primavera
nas palavras a maresia do mar
nesse teu jeito único de dar
cativaste, poetas e poetisas
deste imenso mar literário
deste-nos algo único
o teu BEIJO AZUL
e a tua alma,
embebida
na ternura
dos teus versos
apesar dos temporais
das nuvens pardacentas
carentes de sol

Com a força da vontade
bradaste à vida,
num grito guerreiro
e venceste
a guerra da sobrevivência
com orgulho e humildade
permaneces neste mar revolto
envolta no respeito
e na ternura
de nós por ti

Tudo de bom para ti amiga… sempre
Obrigado por permaneceres
 
Parabens Haeremai

O amor encontrou-me algures

 
O amor encontrou-me algures
 
O amor encontrou-me algures
e chamou-me logo de meu amor
murmurando obstinado
que era p`ra toda a eternidade

Como se eu fosse mar
ele me beija na mansidão do sol
Como se eu fosse a lua
ele me incendeia como um cometa
Como se fosse o horizonte
ele me oferece o mar no meu olhar
Como se eu fosse pássaro
ele me acaricia na brisa esvoaçante
Como se eu fosse flor
ele me rega com a ternura de sentir
Quando eu grito
no silencio da saudade
ele me acalma e me embriaga
na doce loucura de ser
Como sou paixão
ele me alimenta de sonhos, de quereres
e nas noites frias, ele me dá
o fogo dos sonhos alados
rasgando o céu no infinito desejado

Escrito a 28/01/10
 
O amor encontrou-me algures

Como uma rosa Azul

 
 
Queria ser como a rosa azul
Viver meramente um dia
Ser a tua primavera, o teu Verão
O teu Outono, o teu Inverno
Sentir a fragrância da tua pele,
Tuas mãos docemente no meu rosto
Com a macieza das pétalas azuis.
Sentir o prazer de ser especial
Somente um dia, que importa
Como a rosa azul

Afogar a saudade no sabor do teu odor
Saciar o sonho perdido num olhar ardente
Mergulhar na limpidez orvalhada
Que afaga as tuas pétalas imortais
Diluir–me na imensurabilidade de ti
Um dia, uma vida, uma eternidade.
Morrer e renascer como a rosa azul

Escrito a 2/11/08
 
Como uma rosa Azul

Sou ninguém

 
Sentes a suavidade da brisa
roçando o teu semblante,
nas madrugadas pardacentas
deste Outono que chega?

Sou eu que te afago

Sentes os ruídos imperceptíveis,
daqueles que se cruzam contigo
na alameda da vida?

Sou eu que falo de mim,
para que te compreendas a ti

Sentes o gotejar da chuva
escorrendo no teu corpo cansado?

Sou eu que acaricio os poros da tua alma

Sentes a vida que por ti passa?
saúda-a com um sorriso,
mesmo que ténue,
contempla-a e em pequenos goles
sorve-a, bebendo na fonte translúcida
e voa para a plenitude de ti

Porque foi comigo que te cruzaste
na distancia de mim, num tempo qualquer

Sentes? sou ninguém
mas estou aqui, sempre aí
aconteça o que acontecer.
 
Sou ninguém

Alma poetica

 
Palavras esculpidas
em papel inerte
pedaços da alma poética
de quem padece no corpo
a dor transcendente dos mortais
absurdos, bárbaros e insanos
alguém em que
as palavras são
desabafos impetuosos
que brotam do inconsciente
calcinado pelas emoções da vida
de uma alma engrandecida
dos sentires consciente do seu ser
que não cala a revolta,
a injustiça, a displicência
dos seres ditos racionais
pedaços de alma
prensados em palavras
transmitindo
gritos silenciosos
da grandeza de uma alma poética
penetrando na profundidade
da imundice humana

(a doce mulher, a insana poeta…)

Escrito a 19/01/08
 
Alma poetica

Náufrago, deste (a)mar

 
No rio obscuro da vida
existe um barco á deriva
nas aguas paradas no tempo
deste tempo que se perde
na sombra das tuas brumas

O barco desliza inquieto, ávido
espera a luz do amanhecer,
onde o sol seque a humidade
que goteja perene de querer.

São tantas as gotas gotejadas
e tantas as fragrâncias exaladas
que em arrojado ondular desliza,
nas pacatas águas da vida
o barco náufrago, deste (a)mar

(E lá… )

Onde se funde o rio e o mar
na meiguice de um raio de luar
tu barco, deixarás de te perder,
descobrirás os teus velhos remos
e nos braços de um renovado ser
permanecerás firme, pungente,
neste rio que o destino
não quer ainda destruir

Escrito a 23/11/09
 
Náufrago, deste (a)mar

Volúpia

 
O clarão ilumina-se na calada da noite
num retumbar de explosivas sensações
rasgando as vestes que cobrem
o meu corpo flamejante de ti

A chuva docemente inunde-me
em carícias perfumadas de timidez
numa volúpia incontida de querer

A chama intensa extravasa
o meu olhar lânguido de desejo
O vento irrompe no pensamento
em temporais de idealização
A neblina afaga-me vagarosamente
em danças de desnudo prazer
A terra humedecida estremece
num prolongamento sísmico de mim

E o sol, ah o sol
aquece-se sofregamente
da ternura e êxtase exaladas
embebendo a terra de imenso prazer
numa exultação incontida de ser…..

Escrito a 27/02/09
 
Volúpia

O deslizar brusco do silêncio

 
No segredar das palavras incompletas
desliza bruscamente o silêncio...abrupto
brota-se um esgar carente…descontente
na pura revolta da mente...cálida
e das mãos, pousa-se lentamente
a luz perdida por aí…ainda quente

No descortinar dos códigos alados
no momentâneo momento circunscrito
agita-se o corpo privado de ti

E no entrelaçado do tempo
repouso a sede no meu corpo arfo
aguardo impaciente os versos suspensos
num novo poema...declamado
trajado de meiga cor...a tua

Entranhando-me no labirinto da razão
permaneço no tempo fugidio de mim

Escrito a 27/11/10
 
O deslizar brusco do silêncio

E as mãos amparam o pensamento

 
As horas deslizam rapidamente
como se me sulcassem a pele
pelos montes e vales da minha existência
são fissuras consumidas
de um vento soalheiro de memorias
liquefeitas em aromas degustadas no ar
são imagens pinceladas
d´uma pintura inacabada e aguada
de gostos amargos-doce
onde pernoita o meu corpo sedento

E as mãos amparam o pensamento
de pérolas salgadas de (a)mar

Escrito a 21/06/15
 
 E as mãos amparam o pensamento

Aos confins do universo

 
Aos confins do universo
 
Deslizo o olhar sequioso
Pelas águas salpicantes
Das vagas silenciosas e irrequietas
Desnudadas pela carícia do sol
Desta ilha enfeitiçada por ti
As escarpadas encostas brilham
Ante os meus olhos marejados
Pelo salgado cristalino do mar
E fustigados pela brisa arisca de mim

Meu corpo sulca as ondas
Guardiãs de vastos segredos
Imobiliza-se, insensível …estático
Abandonado por mim naquele barco
Perco-me em pensamentos delirantes
Translado-me para outra dimensão
De liberta comunhão existencial
Perco-me mais e mais, sem pudor
Nessa voluptuosa viagem
Aos confins do universo
Onde nada é proibido
Nada é recalcado
Tudo emerge na realidade
Da consciência consciente
Dos corpos e das almas.

Escrito a 13/11/08
 
Aos confins do universo

Na palma da minha mão

 
Na palma da minha mão
 
Na palma da minha mão
há o reflexo lapidado de um olhar,
desse olhar que se perde
no interstício da alma minha,
há um tudo e um nada, como a vida que desliza
na ponta da asa de uma gaivota cega

Na palma da minha mão
há um sonho, uma estrela dançante
num olhar gotejante
de corpúsculos cristalinos de sal,
torrente fluindo num pedaço de mar
do teu mar, pertinho de ti

Na palma da minha mão
tatuado a lume e lágrimas,
há um diamante, enobrecido pelo tempo
um tempo vão… forçado… o teu

Na palma de uma mão
na lonjura das vagas marinhas, sem nexo…
há um olhar vazio….. falho de algo...
de mim

Escrito a 31/05/10
 
Na palma da minha mão

Lavo as insónias

 
Lavo as insónias
 
Abrigo o meu pranto
no marejar mudo das rochas,
onde florescem as giestas
num preludio primaveril

Lavo as insónias
no relento das madrugadas
que chegam arrogantes
ao relevo do meu corpo febril

Descalça, trajo-me de sal,
e o reflexo do meu olhar
perde-se
no enrodilhar tumultuoso
das sensações
vazias de aridez

Deixo-me sucumbir
ao silencioso cantar frenético
dos pássaros,
aos afoitos raios solares
e perco-me nas encostas de ti.

Escrito a 15/05/10
 
Lavo as insónias

A minha ilha enlutada

 
O pranto ressoa na ilha enlutada
no enlameado das aguas em furor
jaz sem honra a beleza amortalhada
d´um exíguo paraíso outrora em flor

Suspende-se a vida em estupefacção
de um povo bravio, soterrado na dor
perdem-se vidas na estúpida tragédia
e ao olhar incrédulo … surpreendido
junta-se a agonia do futuro sem cor

Em momentos de autentico desalento,
alimentando-se da sua própria dor
cerram forte os punhos…. crentes
trajando a ilha de renovada cor

Num pranto incontido …sufocante
chora-se os corpos na morte perdidos
e murmura-se uma prece resignada
de um povo, unido na reconstrução.

Escrito a 22/02/10
 
A minha ilha enlutada

Tempo vagabundo

 
Tempo vagabundo
 
Com a impotência algemada à alma
e as mãos calejadas de acariciar
o vazio do eco arquejante
lavro na pedra barrenta
do destino
um outro olhar,
um outro caminhar

Com a firmeza de um sem abrigo
semeio na alma as flores do desejo
desse desejo que me faz crente
e na berma da estrada
visto-me
dos minutos e das horas do tempo,
desse tempo
sem tempo p`ra mim

A impotência permanece
na ardência da alma nua
e num impulso de puro
atrevimento
exijo ao vagabundo do tempo
um milésimo de tempo
por fim

Escrito a 30/12/09
 
Tempo vagabundo

...libertando as marcas da pele

 
Sangue ardente vertendo-se em cima do papel
os dedos tensos libertando as marcas da pele
e os lábios morrendo nas palavras ainda doces
fluindo por entre as rimas perdidas do verso

AH meu amor, tão mate é agora a cor do poema
nuas são as mãos que sustêm os resquícios
da tinta com que tinjo o peito e afogo o olhar
na longinquidade do mar onde me sepulto nua

E na boca do vento ainda gemem os sussurros
que a brisa suavemente lá deixou, delirante
em lábios feitos de instantes, adormeço no tempo
no tempo que teima a me abraçar, suculento

Escrito a 24/05/15
 
...libertando as marcas da pele

… visto-me do avesso

 
Toco no reverso da alma,
visto-me do avesso e rio-me do tempo,
em gargalhadas cínicas, desafio-o
poderosa força avassalando a mente
numa brisa translucida que me cobre
ao de leve
e transporta-me
num adejar de asas febris
ao teu encontro despida

Escrito a 1/06/15
 
… visto-me do avesso

As pétalas do teu corpo

 
As pétalas do teu corpo
 
Desnudo as pétalas do teu corpo
em dedos febris me consumo
do teu olhar teço pássaros de fogo
do teu cabelo bordo cascatas fome

No meu rosto cintila Andrômeda
no meu peito latejos de mariposa
na minha boca a suculenta romã
nas minhas mãos o fulgor da manhã

No torvelinho da tua alma me perco
nas vítreas gotas dos teus poros, gotejo
na aura do meu estonteamento, levito
no insano momento de languidez, feneço

E no silêncio das minhas mãos febris
poeto versos no teu corpo consoante
na embriaguês das eternas vogais,
sussurro o sibilado vocábulo, amo-te

Escrito a 25/09/10
 
As pétalas do teu corpo

Faço de ti “poesia”

 
Faço de ti “poesia”
o meu sustento
a minha crença do dia a dia
a minha arma, o meu lamento
o meu gemido, a minha fantasia

Faço de ti, o leito do meu sossego
o vento da minha tempestade
a seiva do meu carinho
no teu corpo versado

Faço de ti a taça de bom vinho
bebido no acto da embriaguez,
nas curvas do meu caminho,
no meu eterno destino

E lá, onde arde a desdita
faço de ti a minha guitarra,
a canção do meu bailado
o traje da minha memória
o meu destemido fado

Faço de ti “poesia”a minha saudade
a minha querença, a minha infinidade

Escrito a 2/08/10
 
Faço de ti “poesia”

Até quando?

 
Até quando?
 
Quero sentir a areia espumosa
nos meus pés jungidos a ti,
a chuva entranhar-se
nos nossos poros ressequidos,
escorrendo de mansinho em mim,
do outro lado de ti,
sentir a vertigem estonteante da noite
depois do inerte entardecer,
diluir-me nas chispas flamejantes do teu olhar
que me privas de o ver

Quero sentir o abraço espinhoso do roseiral em flor
num delírio invernal
e o beijo petalado da flor por desabrochar
em toques aveludados de prazer

Quero… quero… e só tenho, tudo de nada
que prevalece na poeira de nós,
vagueando sem bússola,
mais além
num tempo de ninguém

Até quando?

Escrito a 11/11/09
 
Até quando?

Época de reflexão

 
Época de reflexão
 
Imagem retirada da Google-Madeira no Natal

Da Janela olho
Luzes a brilhar
Em cada casa
Em cada lar
Em cada um
Uma história para contar
De amor, paixão
Desejo e emoção
Tudo começa e acaba
Tudo é ilusão
Mas algo permanece.
A morte, a alma
A perfeição
Nada fica imutável
Tudo nasce
Tudo morre
Tudo se aperfeiçoa
Que segredo é esse?
O que não sabemos?
O que se esconde
Em cada vida?
Em cada um de nós?
Mas isso que interessa?
É a vida, o amor
A paixão e a perfeição
É natal,
Época de reflexão
De junção e união
Num mundo nosso
Teu e meu
 
Época de reflexão