Poemas, frases e mensagens de ManoelDeAlmeida

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ManoelDeAlmeida

O COMEDOR DE PEDRAS

 
O COMEDOR DE PEDRAS
 
O tempo marca-se pelo passar das coisas,
Pelo nosso próprio passar!
Há o que passa e o que permanece.
O mundo não passa: permanece.
A vida não passa: permanece.
O mundo e a vida escampam ao marcador do tempo.
Nós, as coisas e tudo mais sofreram a ação corrosiva do tempo,
Somos alimento do tempo que come suas próprias filhas: as pedras!
O tempo só marca o transitório.
O relógio marca as horas no meu pulso,
A cada segundo um impulso!
Para quem espera: infinito;
Para quem goza: um grito!
O tempo, porém, nem lento nem veloz:
Permanece apenas, quem passa somos nós.
 
O COMEDOR DE PEDRAS

UM DIA OTIMISTA

 
UM DIA OTIMISTA

O dia hoje amanheceu disposto:
Com um pesado fardo na costa,
Um belo sorriso no rosto,
Como quem, na sorte, aposta
Que será feliz e não sofrerá desgosto.
 
UM DIA OTIMISTA

UM DIA MOLHADO

 
UM DIA MOLHADO
 
O dia hoje amanheceu tomando banho de chuva;
O aguaceiro era tanto que até minh’alma encharcou-se
Toda dessa umidade pluvial!
Aqui da varanda, observando meu jardim multicolor,
Vejo a festa da Natureza toda molhada e feliz:
Os pássaros põem no bico suas melhores canções;
Gotas de prata escorrem das folhas verdes;
As flores, com a ausência do sol,
Vestem cores mais densas, com menos brilho,
Porém mais intensidade!
Meus olhos molhados de tanto ver chuva
Ou, talvez, porque me lembrei dos banhos de chuva
Da minha infância e um sentimento doce, porém um tanto doído,
Não sei saudade ou nostalgia, acordou no meu coração!
Então, fui embora para aquele passado distante,
E brinquei na chuva e dancei e sorri...
Todavia, a realidade com o poder
Que lhe confere a vida,
Mandou-me voltar urgente
Para viver a parte que ainda me resta viver.
 
UM DIA MOLHADO

A GRATIDÃO

 
Que dizer da gratidão?
Quem pode se dizer grato o bastante...?
Agradecido pela vida,... pelo instante?
Amizade sem gratidão
É de uma só mão: a que doa, que sempre perdoa,...
Família onde não há gratidão entre seus membros,
É “um corpo” sem um ou mais de seus membros!
Amor sem gratidão? É melodia que destoa!
Se uma mão doa:
Duas se juntam e uma oração ecoa!
Ah! O ingrato! Aquele que cuspiu
No prato que lhe serviu!
Deus, certamente, viu!
Gratidão é fino perfume
Numa alma que pratica caridade;
Gratidão é luz na vida, é lume!
Oh, Deus! Grato por... pela imortalidade!
 
A GRATIDÃO

Café com chuva

 
 
Dia chuvoso hoje!
Eu tomo café cedinho enquanto a chuva brinca de piano no telhado
E faz barro lá fora, rolando no chão vermelho!
O cheiro vermelho daquela terra boa invade minhas narinas!
Quando abro a porta para ir ver o jardim,
Uma golfada de ar molhado pula sobre mim,
Causando-me um enorme bem estar!
No jardim, o vento conduz as plantas
Numa dança bem compassada: ora pra lá, ora pra cá!
Minha alma solitária se alegra na companhia
Desses elementos da Natureza!
Barumm! Thor cruza o céu com seu carro de trovões,
Rasgando o ar com o martelo de fogo
E derrubando sobre a Terra flechas incendiárias!
Meu coração, com as ondas dos raios, balança acelerado;
Uns galhos de hibiscos coloridos dançam suavemente na minha retina
Trazendo-me de volta a paz que já se ia fugindo assustada!
Lá no céu, um arco-íris debruça sob ‘a nascente de algum córrego
Para deixar lá um pote de tesouro e beber límpidas águas!
Dirijo-me, então, ao meu notebook
E faço chover palavras em sua branca tela virtual!
Logo uns versinhos molhados surgem...
Ganhei o dia: fiz uma poesia!
 
Café com chuva

FORA DE ÓRBITA

 
FORA DE ÓRBITA
 
Tempo quente, calor infernal!
O suor banha meu corpo – trinta graus?
Eu trancando eu meu quarto – a música:
Scorpions; o som invade todos os corpos!
A temperatura aumenta – vai para uns quarenta?
Just in the Wind, Love of my life, you and I,…

Quero alçar voo, seguir minha órbita,...
Preciso abrir canal de comunicação com o Universo!
Sinto ainda meus pés chumbados ao chão,...
Quero revirar esta minha veste ao avesso:
Deixar este corpo, este peso de carne e de osso...

Eu sou meus pensamentos! Espírito, sou livre, mais que o vento:
Escravo da meteorologia! Eu, faça chuva ou sol, se cá estou agora,
Pelo pensamento, lá: onde eu desejar estar, estarei a qualquer hora!
Ambulante de lugares distantes! Viajo lado a lado com raios de luz!

Ultimamente, ando meio fora de órbita – confuso!
Se me atenho ao corpo, sou só enfado – ser sem uso!
Se alço voo no pensamento, sou só Espírito – ser profuso!
Gosto da liberdade, mas deixar o corpo – me recuso!
 
FORA DE ÓRBITA

Eu, a madrugada e as estrelas

 
Eu, a madrugada e as estrelas
 
Quando, nas madrugadas,
O sono, com mãos pesadas,
Grudam em minhas pálpebras
Tentando de toda forma
Manter os olhos de cílios selados;
Quando o frio, enfim, alcança meus ossos,
Após, a noite toda, acariciar minha pele;
Quando a noite feliz e exausta
Por mais um turno bem sucedido em suas funções,
Começa ceder espaço para o dia que chega;...
Meu Espírito teima em permanecer alerta
Observando, uma por uma, as estrelas sumirem na Imensidão azul!
A cada estrelinha que se apaga, um pensamento:
Sob esse mar de estrelas que, incrivelmente,
Não se derrama sobre nossas cabeças,
A Humanidade vem grafando sua História...
Quantas histórias de luta, de busca, de descobertas,...
Uma emoção a cada estrelinha que se apaga:
Sob esse palco de luzes, a Humanidade vive sua inacreditável saga,
Quantas belas histórias de amor, quantas paixões, quantas traições,...!
A História pesa sobre meu Espírito
E o sono aproveita para me lembrar da cama...
Nem todo café que tomei à noite me mantém acordado...
Tento lembrar da minha própria história,... dos amores:
Importa o agora... agora há um travesseiro vazio ao meu lado...
Durmo! As estrelinhas se apagam... a Estrela Maior invade a Terra...
 
Eu, a madrugada e as estrelas

SER SUBLIME

 
SER SUBLIME
 
!

Por detrás dos olhos baços,
Daquele andar de passo em passo,
Naquele corpo já bastante lasso –

Uma Alma de distinta nobreza,
Carrega o fardo, a cruz de aspereza,
Que Deus lhe concedeu, com certeza,
Como última missão desta natureza!

Pelas formas honrosa e majestosa
Com que, dia a dia, cumpre zelosa,
Sua parte, gênios de todo tipo de arte,
Especialistas dos mais variados ofícios,

Sob o comando de Jesus – sem sacrifício,
Ergue, à Alma distinta – um Ninho de Luz.
Quem será esse Ser angelical? Não deduz?

Minha mãe! Honra-te de conhecê-la, aqui,
Porque, lá, junto a Jesus, banhada em luz,
Só alma de sua estirpe dirá: eu a conheci
 
SER SUBLIME

POETA: ARTESÃO DE IDEIAS

 
POETA: ARTESÃO DE IDEIAS
 
POETA: ARTESÃO DE IDEIAS

Hoje, está um lindo dia:
O sol, com suas flechas de fogo,
Ilumina a Terra!

O vento cálido acaricia tudo,
Com seu suave sopro!

No céu, nuvens, umas rechonchudas
Prometem lavar a terra com aguaceiros,
Outras tantas brincam de formar, no céu,
Coisas da terra!

As plantas festejam, com suas melhores roupagens,
O bom tempo;
Os animais continuam sua rotineira disciplina
De caçar e fugir;
Os pássaros colocam no bico suas mais lindas canções!

Os humanos enfrentam problemas reais e imaginários,
Perseguem metas reais e fictícias,
Satisfazem necessidades físicas e afetivas,...

E eu, poeta, com essa necessidade premente
De esculpir em versos ideias arrancadas do fundo da mente,
Ou aquilo que meu coração sente!
Enquanto a vida não pede passagem:
Passa apenas... ou não passa?
 
POETA: ARTESÃO DE IDEIAS

HOMEM FEITO

 
HOMEM FEITO
 
Oh, bela Primavera florida,
És esplendidamente linda
Com tuas cores bem definidas!

És uma lição para minha vida
Que, como se fosse criança ainda,
A cada dia vê-se mais indefinida.

Se estás toda vestida de verde
É que estás trajando, da estação, a moda;
De alegre ou de triste, se me visto à tarde:
Sou mesmo assim ou fui feito à poda?

Revelas ao mundo – Majestade,
Tuas cores com vaidade
Enquanto, eu, em busca da verdade,
Vou me dobrando ao peso da idade.
 
HOMEM FEITO

UM POEMA FEITO DE QUERER

 
UM POEMA FEITO DE QUERER
 
Quero esculpir uns versos no papel,
Tão perfeitos, na forma:
Quais filigranas de ouro!

Quero que cada palavra seja uma jazida
De ideias brilhantes:
Quais diamantes!

Quero que, de cada verso, verta poesia,
Em tamanha profusão:
Qual na Primavera verte flores!

Quero que cada estrofe seja um filão de sentimento puro,
O maior tesouro:
Qual inesgotável mina de ouro!

Quero, enfim, que meu poema
Seja a medida certa de mim mesmo,
Qual este que acabo de escrever:

Versos livres, rimas irregulares,...
Pretensioso, cheio de querer,...
Com um desejo enorme de significar algo para alguém!
 
UM POEMA FEITO DE QUERER

O INCONFORMADO

 
O INCONFORMADO
 
Quem me criou, para viver me habilitou? Momentos há que chego a acreditar que só estou neste mundo de meu Deus por um misterioso acaso! Chego a pensar que fui feito e jogado na vida sem nenhuma defesa, sem mecanismo de proteção! Calma os indignados! Será possível que um poeta está fadado a só escrever sobre o amor, a lua, as flores, as mulheres e sobre eles mesmos? São temas valiosos, tanto que os tenho versejado em poemas em versos primorosos, mas que mal há em um poeta filosofar? Se sou amigo do saber, do conhecimento, que mal há, poeta filósofo eu vir a ser? E mais, indagações fervilham em minha mente – naturalmente! Só estou tentando expressá-las numa linguagem: quase poética!
Retomando a primeira estrofe, não me refiro à proteção que a todo ser vivo foi garantida: instinto de sobrevivência; instinto de permanência da espécie; forma físico-orgânica compatível com o Habitat; seu modo de vida suave ou tirânica,... não é a isso que me refiro, falo de mecanismos de sobrevivência do Ser espiritual, moral, psíquico,... do Ser abstrato! Aqui, dispenso a crítica dos materialistas radicais, nada entenderiam nem querem entender isso – sejam felizes com suas teorias do só material! Calem-se também os religiosos radicais, donos da verdade – sapiência! De duas uma: ou fui feito com defeito ou fui feito imperfeito – perfectível? Perfeição adquirida com muita lentidão! Certo, de infinito, eterno e imortal tenho vaga noção! Mas, meu pobre Ser Imortal tem sofrido duramente,... Eu Espirito, sou sensível, emotivo, afetivo,... disso tudo dependo! Não estou dizendo que me faltam tais alimentos, não, não, seria ingratidão! Fui localizado junto a pessoas que me amam realmente – família: minha proteção! No caminho encontrei outras que me amaram de paixão, de amor sem restrição,... Meu corpo carnal bem alimentado, saciado! Já, Eu Espirito, sempre inconformado! É que, parte de mim, o Eu Espiritual, anseia por algo que desconhece, que nunca viu ou se viu não foi aqui! Quem garante que em outra dimensão eu já não vivi e morri?
Essa minha parte abstrata, vive uma abstração, quase ausência do mundo material, enquanto o corpo se alimenta, ama,... a alma se ausenta ou reclama – tudo vai mal! Há uma frase que diz: o conformado é o equivocado neste mundo, vive sem pensar: vai sendo levado “como Deus quiser”! Graças a nós, os inconformados, o Mundo tem melhorado! Espírito igual ao meu nunca fica de braços cruzados – transformador e aprendiz,... Com Espírito igual ao meu o progresso está garantido! Destemido, se há erro – diz!

Postei esta crônica com um erro no título desta forma O INCONCORMADO, é assim ficou por vários dias, ainda que o poeta JogonSantos houvesse me alertado através de uma msg, que não li; fui lê-la justamente, hoje,estou escrevendo esta nota para exaltar a dignidade do colega que me avisou e a grandeza de todos que evitaram críticas, talvez porque já me conhecesse e daí concluírem ser apenas um erro de digitação; mas, ainda assim, pode-se perceber o alto grau de companheirismo honradez de todos dessa casa, o Luso Poemas.
 
O INCONFORMADO

EXPERIENTE

 
EXPERIENTE
 
Do fim ao começo,
Do verso ao reverso,
Do lado de fora ou virado do avesso:
O cheiro e o sabor são os mesmos, eu sei – eu conheço!

Quem chupou cana até o bagaço
Conhece o sabor do melaço
E quem chupou uma fruta até o caroço
Sabe se o caldo de outra fruta é fino ou grosso!

Quanto mais nesta minha vida padeço,
Mais profundamente esta vida eu conheço!
Hoje sei: a genialidade e a mediocridade,
A maldade e a bondade vivem juntas trocando passo!

Nesta vida, com que eu mais me aborreço
É ver o justo fazer papel de palhaço
E o medíocre fazer o maior sucesso!

Na beleza exterior já não me satisfaço,
Como eu disse, virando do avesso – é tudo o mesmo regaço!
 
EXPERIENTE

SONHO DE TEMPLÁRIO

 
SONHO DE TEMPLÁRIO
 
Minha adolescência foi repleta de sonhos de Lancelot e de Percival.
Eu seria um cavaleiro a toda prova na luta contra o mal.
Quase louco, da Távola Redonda, procurei algum vestígio!
Na esperança de um dia cruzar com o rei Arthur,
Cultivei os nobres sentimentos de cavaleiro
E nomeei minha espada “excalibur”,
Assim, conseguiria do rei algum prestígio!
Mas, sonha-se, sonha-se,... um dia a realidade mostra sua carantonha!
Descobri logo: eu não morava em Avalon.
E no mundo da minha vida real, não basta ser bom e lutar contra o mal,
Nem ser tão autêntico convém:
Basta ser astuto e representar o papel de “homem de bem”!
A nobreza e a bravura de cavaleiro ficam em plano terceiro.
Ao invés da busca pelo Santo Graal:
A luta pela sobrevivência de um simples comensal.
As damas e as donzelas que personificavam a virtude e a candura,
Dispensaram minha proteção de cavaleiro
Para viverem suas aventuras,
E ocuparem seus lugares na sociedade!
Se o herói a cada obstáculo robustece a sua vontade,
Foi então que descobri: eu não era herói de verdade.
Quando a vida me exigiu prova mais rude,
Não aguentei... não pude...
Enfraqueceram-me as virtudes,
Humanizaram-me as atitudes!
 
SONHO DE TEMPLÁRIO

O JARDINEIRO E A FLOR

 
O JARDINEIRO E A FLOR
 
Você é a flor
Que, com o tempo,
Perdeu a força,
Cujo vento
Derrubou as pétalas!
Eu sou o jardineiro
Que chorou
Ao vê-la
Sumir no tempo,
Sem colhê-la, tocá-la
E nunca mais vê-la!
 
O JARDINEIRO E A FLOR

SAUDADE NA MADRUGA

 
SAUDADE NA MADRUGA
 
Minh ’alma é madrugada,
Tem um sereno frio caindo!
Minh ‘alma é rua vazia,
Ouça um cachorro latindo!
Minh ‘alma: na calçada caminha,
Dó: sozinha, sozinha!
Minh ‘alma vê a lua,
Ai que saudade sua!
Minh ‘alma na esquina,
Cai chuva fina!
Minh ‘alma sentada no meio fio,
Ai que frio!
Minh ‘alma é céu estrelado,
Sinto na boca algo salgado:
É lágrima, Minh ‘alma chora,
Ai, por que você foi embora?
 
SAUDADE NA MADRUGA

SONETO DE MOTIVAÇÃO

 
SONETO DE MOTIVAÇÃO
 
Se a vida quer lhe passar uma rasteira,
Lute com ela, aprenda capoeira;
Role na lama, areia, na poeira!
Mostre que você não é a toupeira!

Querem lhe humilhar por coisa a toa?
Mostre seu real valor pra tal pessoa!
Importa a intenção se má ou boa!
Assuma seu barco ande na proa!

Quem lhe disse para ficar por baixo?
Não há tal regra, certeza, não acho!
A chama é sua segure o facho!

Se o forte sempre aguenta muita dor,
O fraco também e sai como perdedor!
Vá, mostre pra vida seu real valor!
 
SONETO DE MOTIVAÇÃO

MEUS CAVALOS: MINHA LUTA

 
MEUS CAVALOS: MINHA LUTA
 
Fui dono de cavalos valentes!
Para cada batalha um diferente:

Quando lutei com terríveis imaginários gigantes,
Montei meu fiel “Rocinante”!

Quando parti para conquistar meu lugar no mundo:
Todos os lugares do mundo;
Montei o valente “Bucéfalo”!

Montando “Babieca”,
Fui guerreiro cristão; fui guerreiro muçulmano, fui mercenário,...
Lutei as batalhas que a vida me proporcionou!

Fui quase divino Imperador,
Montando meu cavalo de nome “Genitor”,
Com ele venci mil batalhas e fui bom conciliador!

Cometi erros e exageros com extrema violência,
Montado no meu cavalo “Incitatus”;
Por isso, nem a História teve-me clemência!

Muitas outras batalhas lutei:
Umas venci, outras perdi;
Montado cavalos, os quais nunca esqueci!

Hoje, montado em “Pégaso”: meu cavalo voador;
Não luto mais batalhas que espalham terror;
Apenas, escrevo poesia que fala de amor!
 
MEUS CAVALOS: MINHA LUTA

LINDA

 
LINDA
 
Uma flor deve sempre e mais ainda
Ser chamada: linda!
E, antes que o dia finda,
Uma vez mais, chamá-la: linda!
 
LINDA

OUVINDO ROSAS

 
OUVINDO ROSAS
 
Não é com opressão
Que se sabe da rosa como que do chão
Retira-se tanta suavidade e mansidão!

Também não se espreme a delicadeza da rosa
Para saber o segredo de viver em perfeita comunhão
Entre terríveis espinhos sem levar um arranhão!

Para se conseguir algo da rosa
Há de se chegar de mansinho e propor um dedo de prosa!
E na prosa, não ferir a delicadeza da rosa!

Não me vem dizer que não se fala com rosa,
Se um Parnasiano¹ ouvia estrelas em longas noites de prosa,
Por que, estando tão próximo da rosa,
Com ela não se pode ter um dedo de prosa?

1.Uma referência a Olavo Bilac e seu poema Via Láctea
 
OUVINDO ROSAS

Manoel De almeida