Poemas, frases e mensagens de lloyd_christmas

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de lloyd_christmas

'Mutatis, Mutandis'

 
A quem conseguir captar a essência do que é ser feliz, e vendê-la como patente registada,.....alvíssaras. Diz quem o tentou, que a dificuldade está sempre no processo de selecção de odores. A brevidade de uma experiência, de um momento, de um cenário idílico, torna quase impossível reunir tudo num único composto.
Admite-se, quase 10 mil anos depois de o ser humano se ter levantado para começar a caminhar, que já houve quem chegasse perto. Mas a fugaz capacidade de compromisso do homem, torna esse desígnio quase impossível. Quem vive muitos anos com a felicidade de chegar à recta final da existência, com a ilusão de que está apto a compreender o motivo pelo qual não se matou logo depois de nascer, pode sem problemas assumir-se como um ser humano realizado. Assentar arraiais num planeta fétido, e poder viver consciente de que nada se deve a ninguém, é bom. Deve aliás ser o prazer supremo da existência humana.
No mapa genético do homem que, neste momento, está a ser baleado numa favela do Rio de Janeiro, por simplesmente estar no sítio errado, no momento impróprio, deveríamos todos encontrar um espelho. O reflexo das virtudes dos que almejam o sucesso ao virar da esquina, e dos defeitos da irredutível aldeia de gauleses que morreu à espera do colapso do universo.
É confuso, quase até sinistro, raciocinar sobre algo que, provavelmente, é o mais insondável dos mistérios da criação. A falta de pureza da condição do Homo ‘Sapiens’, torna o conceito de felicidade mutável, mutante e, no limite, perigoso até de abordar. Queima sentir o bem-estar interior, o ‘Nirvana’ dos momentos de perfeição. Mas também deve doer a quem luta por os conseguir captar e, em permanência, falha esse desígnio.
A bíblia diz que, no princípio, era o verbo. Eu cá sinto que antes do verbo, já provavelmente andavam no ar uns espermatozóides que, ao encontrarem o óvulo do conhecimento, se juntaram para produzir a mais tortuosa das criações. A mente humana.
 
'Mutatis, Mutandis'

Monóxido de carbono

 
Odeio a poesia como forma,...
A envolver o curto sentir de,...
..., quem se apouca face ao medo.
Que se combata o fluir de ideias,
Abrace-se a negatividade do silêncio,
Detesto a pequenez de um verso,
No domínio do astral, que seja um grão,
Falando de felicidade, é nada,
Abomino rimas. Mortas por asfixia,...
..., sentencio do alto da passividade.
Odeio a poesia como abstracto,
Clara só mesmo a ignorância,
Dura, sempre a pequenez de sentimentos,
Abri os olhos para a vida, e descobri,...
Que adoro a poesia como oxigénio,...
Morte ao monóxido de carbono do concreto....
 
Monóxido de carbono

(...), de certeza que me tornarei um vegetal

 
A rouquidão dos anjos é o vento,...
...que sopra à beira da minha janela,
Os lamentos de um Deus ‘canino’,...
..., ouço-os na trovoada que rege a minha escrita,
Passos sublimes do lado negro,...
..., sinto-os no uivar de lobos invisíveis,
Se quiseres suster o mundo num limbo,...
..., faz-me ficar surdo, vaza-me os olhos,.
..., corta-me a veia criativa,
Aliado ao medo do novo,...
..., de certeza que me tornarei um vegetal.
E tu vais rir...
 
(...), de certeza que me tornarei um vegetal

Gole de tinto suave

 
Se te despes, cobre-te já,
Se te cobres, porquê o pudor?,
Quero o etilismo do teu ser,
Servido num cálice de deboche,
Porque tu és cicuta doce,
E consegues ser champanhe amargo,
Só eu anseio por classe suficiente,
Para sair de um redondel de vício,
Na ponta da tua língua está,
poderá estar, imagino que esteja,...
Quem és tu na realidade?
Ah, um gole de tinto suave...
 
Gole de tinto suave

'Tás fodid...!!!!

 
Afie os bigodes, senhor arisco,
A menina da esquina quer cócegas,
E vossa excelência é dado ao petisco,
Nem que seja na chuva às bátegas....

Arisca individualidade, sofás de cabedal,
Ela é da barraca, mas caga luxo,
Por entre fama internacional,
Não há memória de jactos em repuxo...

Bate a solução, sua excelência,
O telemóvel tem de ser pré-pago,
Olhe que se a esposa pede a referência,
Vira-se para si, e diz: ‘Até te cag...’

Viagem é o mais longe da porta,
Leve a menina a comer típico,
Além de ela não gostar de torta,
A patroa é de fácil fanico,...

Gorduras não, saladinhas sim,
Já basta o tesão de andar escondido,
Fuja a correr de todo o xinfrim,
Senão o espelho dirá: ‘Tás fodid...!!!’
 
'Tás fodid...!!!!

Aristóteles de Sousa Escrivão

 
Num futuro assustadoramente próximo, a fúria de um homem servirá para abrir todos os telejornais do mundo. Cansado de assumir os despistes da condição humana, Aristóteles (chamemos-lhe assim) vai pegar em armas e virar-se contra o poder dos mitos. Sem precisar de andar muito irá, um dia, sair de casa e encarar, olhos nos olhos, a diva da ópera. Luísa Todi, imortalizada num busto de virginal mámore branco no centro de Setúbal, será sequestrada. Tudo se vai passar tão rápido, que quando as pessoas se aperceberem já será tarde de mais. Num dia de Verão, mais um a prenunciar a careca de ozono de que o planeta já padece, Aristóteles colocará em prática anos a fio de saber livresco. À hora a que estas linhas estão a ser produzidas, o criminoso do futuro estuda afincadamente a metodologia dos protagonistas dos mais famosos quinze minutos de fama do mundo. Manuel Subtil, Al Pacino em 'A dog´s day', Vladimir, o ucraniano que sequestrou o dono da pastelaria 'Sequeira' na Avenida da República, em Lisboa. Será rápido na abordagem, terá de conseguir prever todos os possíveis erros e, acima de tudo, ter óptimos pulmões para que todo o mundo o consiga ouvir. Num futuro assustadoramente próximo, Aristóteles vai rodear o busto de Luísa Todi com suficiente C4 para rebentar com a Casa Branca. Com o detonador numa mão, e uma AK 47 na outra, vai esperar que todas as unidades especiais da Polícia cheguem. Depois, logo a seguir, virão dezenas e dezenas de jornalistas. Para finalizar o cortejo da decrépita condição humana, marcarão presença milhares de aves necrófagas. Altos, baixos, velhos, novos, brancos, pretos, amarelos. A capa é humana, mas o interior será com certeza animalesco. Aí, e só aí, quando estiverem reunidas todas as condições necessárias para que o mundo saiba quem é Aristóteles, é que quem estiver a ler este texto perceberá, por esta altura, que esteve a ser enganado. Eu, o autor, identifico-me como Aristóteles Sousa Escrivão, bêbado profissional neste mundo há 53 anos. Acabei de apedrejar o busto de Luísa Todi e, neste momento, estou preso num calabouço policial a tentar imaginar que sou uma pessoa importante. Ai de quem se atreva a quebrar uma ilusão que, além de não pagar impostos, prova a teoria evolucionista de Charles Darwin. Deus nunca teve nada a ver com os macacos fodilhões. A má sorte de mais tristonho dos Austrolopitecus, é que está na origem da minha estadia nesta cela.
 
Aristóteles de Sousa Escrivão

(...)altar do teu ser

 
A pureza do meu sangue és tu,
E eu, o que sou para ti?
Acordo a pensar que já morri,
E faço do teu cabelo o meu altar,
Do teu cheiro, o meu incenso,
Ajoelho-me no altar do teu ser,
Mas não rezo, apenas anseio,
Espero que a vida se volte...
...a lembrar de mim,
E tão renascido, tão...
...assoberbado de ti,
Tão aprimorado por...
...um amor diferente,
Grito todas as formas de domínio,
Invoco a única necessidade que tenho,
...,de amar nunca me deixes...
 
(...)altar do teu ser

Teoria dos 'enta'

 
Esfaquear a alma de quem afugenta,
É inútil para quem lamenta,.
E criminoso para quem sustenta,
Que o amor até nos calenta,
Em noites de terrível tormenta,
A inércia está sempre atenta,
Á voragem da vida ternurenta,
Atira-nos para uma aura lamacenta,
Enquanto a ânsia de superar acalenta,
Que tu, virginal, te mantenhas desatenta!!!
 
Teoria dos 'enta'

Egoísmo de um asceta

 
Alma, sendo o teu sorriso, é a alvorada,
O Sol, se hoje não nascer, caio em desgraça,
A parte de mim que queres dissolveu-se,
Olha para a minha pessoa como o que eu não sou,
Se quiseres conhecer o que eu já fui,
O egoísmo de um asceta, impressiona-te?
Também a mim, mas evito arrependimentos,
Caminho em direcção à morte,
Sem procurar evitá-la. Surpreendida?
Aceito-o. Deixei de querer ser um número,
Com o maior sorriso do Universo,...
Brilhando como o quadrúpede que se ergueu,
Choro as lágrimas de uma vida falhada...
 
Egoísmo de um asceta

Pois que não era mal visto,....

 
Isso é que não era mal visto,
Podias desenhar a plenitude,...
..., e apagá-la a murros de fúria!!!
Confio no desabrochar do rumor em ti,
Pintado em tons de verdade,
Faz pouco de ti mesma,
Pelo simples motivo de que és muito,
Pois que não era mal visto,
Ir aninhar-me no teu regaço,
E sentir que tu me desprezas,
Em medida oposta ao ódio que te devoto...
 
Pois que não era mal visto,....

Poemas vingativos nunca venderei

 
Vendo poemas que não indiciem atrocidades comuns.
Negoceio com base no acompanhamento espiritual de um xamã, doutorado em mistérios ininterruptos.
Dos seres inquisitórios, que comem aparições de santas redentoras ao pequeno almoço, e acompanham com uma meia de leite.
Servindo uma causa, um equilíbrio precário, vendo poemas que não prestam. Sonhos remelosos, em que crianças anafadas, soberbas redomas de culpabilização de casais de meia idade, morrem. Sentadas em secretárias acinzentadas de uma escola de interior, revezam-se com o colega do lado na procura por um amanhã de sonhos cumpridos. E, de repente, tombam. O colesterol poderá escorrer pelos pavilhões auriculares, dependendo do jantar do dia anterior.
Pegar em livros de cheques, e eu vendo um poema. Prometo acompanhamento em versos de chumbo. Metáforas oleosas, seborreicas mesmo. Cliente,....deixe a folha ao sol, e no ângulo certo, sentirá a melanina pronta a invadi-lo em ondas de prazer inefável.
Talvez, um dia, venda poemas de esperança. Aforismos preparam-me para composições evolutivas. No primor de um amor que não desilude, e que termina num miradouro, a contemplar um pôr do sol vermelho, que comeu feijoada de ozono ao almoço.
Agora nunca. Jamais. Em tempo algum me verão a vender poemas que o homem pode considerar vingativos. Recorrer a neurónios que dormem mais de 23 horas por dia para, num carrossel de minutos, dar mostras de personalidade doentia. Recorrer a imposições de um bom gosto duvidoso, para espezinhar conceitos. Pessoas mal formadas. Situações que o tempo se enganou a produzir.
Considerarei, Deus assim mo permita, vender poemas de lua rabujenta. Injuriar daquelas senhoras que fazem amor com o treinador de golfe, e depois masculinizam maridos que chupam havanos como se ornamentos fálicos fossem,...isso sim.
Mas poemas vingativos. Nunca venderei.
 
Poemas vingativos nunca venderei

Pintar o abandono

 
Pintar os teus medos é difícil,
Quadro de abstracção declarado,
Durmo na dilaceração da paleta,
E acordo a nadar em cores de morte,
Se quiseres mato o teu espanto,
E transformo-o em solo na minha tela,
Em troca, peço-te encarecidamente,...
....,única e exclusivamente,....
Não me abandones, por favor!!!
 
Pintar o abandono

A ti....

 
A nossa imagem gravita.
Por entre as paredes de um quarto concêntrico,
Genial,
Amadurecendo,
com a graciosidade de um amor afiançado....

Suor de confiança,
Tapar membros,
Jovens para sempre,
E a certeza de quedar quietos,...

O teu sorriso
Como o conheci distante,
Um olhar presente,
em passado,

Imaginei um pôr-do-sol,
Abraçado ao que tinha,....
O futuro foi o ler,
A missa da tua brisa,

E o mundo a girar,
À procura de redenção,...

Já somos o que quisémos,
Para ser o que queremos ser,
Falta inventar a rotina,
De um movimento de estações,...

O segundo
que me deste,
Fi-lo século infindável,
De uma vida milenar,...

Fala,
Sente,
Arredonda-me em ti,
Já me tens....
 
A ti....

Se eu continuar a matar,....

 
Se eu continuar a matar,
Peço respeito e compaixão,
Habito num mundo de mal entendidos,
Sem rédeas, com açoites, sem travões,
Se eu continuar a matar,
Quero-te a bater palmas, a atirar pétalas,
Recolhe cinismos, elimina compaixões,
E simplesmente olha-me embevecida,
Se eu continuar a matar,
Uma esquina vai matar-me,
o vento vai levar-me,
e o tempo vai enterrar-me,
Se eu continuar a matar,
Foge,....
Não sei se também não te arrasto...
 
Se eu continuar a matar,....

Presente de pedras

 
Uma pedra tem faces,
O coração morre à sombra da lama,
E o homem caminha na novena do infame....
Sou o reflexo de uma peça de ouro pardo,
Lapidado pelo velho da inveja,
Na infâmia de fazer mal...
Parti a espinha à coragem,
Bastou enrolar o que quis dizer,
Em papel diáfano de mentira...
Vi o futuro em chamas de arrojo,
Coei o sumo de um passado podre,
Tudo por um presente de pedras...
 
Presente de pedras

Mais e menos

 
Eu estava OK. Pelo menos senti que a minha ânsia de viver estava intacta. Não consegui o menos que pretendia para o meu mais. Nem sequer alcancei o outro mais, para fintar o mais ou menos em que estavam os planos de excelência gizados para a vida mediana que almejei.
Restou-me a tabela de ‘ses’ que norteia a existência de todos os que se ficam pelo menos. O mais é uma miragem para uma comunidade que se alimenta de mais ou menos, para amenizar a triste realidade do menos adquirido. Pintar um mais no meio de tantos menos, só a custo poderá dar algo positivo.
Todos aqueles menos juntos, anulam a força de um tímido mais. Eventualmente, a medo, o mais pisará o menos para, quase de imediato, rebaixar-se à mediocridade. No final, a neutralidade vai imperar.
 
Mais e menos

Anjo Soturno

 
O teu toque é carícia de anjo soturno,
Queres rir, mas a morte impede-te,
Só eu sei ver a seda no azul dos teus olhos,
O incenso que fortalece a tua aura,...

Cuidado, não te evapores!

A existência nunca criou ser tão instável,
Prometo manter-te na linha etérea,
No tão pouco real que te alimenta,
Porque só assim,...
Poder-te-ei guardar no íntimo do meu ser...

Recuso-me a perder fatia tão perfeita de paraíso.
 
Anjo Soturno

Cinismo...

 
O pedaço de ti que eu quero,
está preso na plenitude do cinismo,
Não creio em figuras de estilo,
Simplesmente vejo-te como o simples do complexo,
A manta de retalhos envolve-te,
e caminhas como se não houvesse amanhã,
Pára, escuta, e disseca o óbvio,
e depois abre-te à transformação.
A brisa da percepção aconchegar-te-á...
 
Cinismo...

Vivam os pombinhos!!!

 
Vivam os pombinhos!
Diz a velha para o ar,...
Saiu um vento, e as rosas assentaram,
Os pombinhos que se danem,
Numa orgia de repulsa,
É o arroto que nos vale,
Será o peido com molho a prevalecer,
E o deboche, servido com morango?
Vivam os pombinhos!
Ai que linda vai a noiva....
 
Vivam os pombinhos!!!

Errei a aprender....

 
Foi a aprender que errei,
Mas erro sem nunca aprender,
Tu andas como se fosses o meu erro,
E choras para que eu aprenda,
Olho, e vejo-me incapaz de errar,
Na aprendizagem que é entender-te,
Para dormir com um erro como tu,
Aprendi a ser o que não sou,
E no suspiro do fim,...
...., banhei-me no odor a erro,
Que emana de um mundo em aprendizagem...
 
Errei a aprender....