Poemas, frases e mensagens de uersus

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de uersus

não calado e não consente ou hesitações sim de um amor silencioso

 
como um passo
que fica por dar

um pensamento
calado
jazente
sem sentidos

ainda
sem encontrar

as palavras
(que afinal)
o vão apresentar

eu
mero mortal
(por um acaso)
vivente

declaro (silente)
sim
(e é o caso)
que te amei

(mas assim…
sim…

não
não me calei!)
 
não calado e não consente ou hesitações sim de um amor silencioso

a dimensão do significado doar

 
e se me vês
é o finito
que tu lês

e é só
(pouco)

no som
por que me fico

mas é no branco
entre as letras
dum simples dom

e no olhar azul
que é o teu

que se vê o céu

e eu
o infinito
 
a dimensão do significado doar

(sinto frio de fevereiro)

 
e quando
o sol espreita
numa nesga
deste inverno

e enche
de claridade
o meu peito
feito

(sinto frio de fevereiro)

não é
a primavera
é prenúncio
que virá

como tu
como quem
brilhando
não está cá
 
(sinto frio de fevereiro)

brisas de um sonho distante ou deambulações de um amante

 
e então
uma pétala cadente

ondulante

embalada nos braços
de uma brisa atrevida

inebriante

pousou sonhadora
no teu chão sagrado

e consumou
tão doce beijo

o fruto
de todo o meu desejo
 
brisas de um sonho distante ou deambulações de um amante

ao sorriso de uma flor

 
hoje vi um sorriso
e vi o calor da luz
que me tocava
mesmo à superfície da pele
e brilhava

tateava me

uma breve brisa bafejava me
vibrante
numa suavidade interior
e embalava me
numa pequenina mas colorida
flor

sorri me
e questionei me

será isto amor
 
ao sorriso de uma flor

sofrer me ias bucólicas

 
até pintaria as sombras
as ervas
montanhas agrestes
sobre um fundo azulado
matizado

até traçaria os contornos
de um rio fresco
as margens debuxadas
por arvoredos
verdejadas

até te lembraria
dolente
ao som de chilreios
eivados de paixões ardentes
e por certo ausente

e os filhos da mãe natureza
serviriam até
de confidentes
e até a minha dor
se mitigaria

sim até isso encontrarias
no meu poema bucólico
de nostalgias
e o meu eu se caracterizaria
no amor plenamente

e tu
também sofrerias?
 
sofrer me ias bucólicas

seres me senti

 
és me

num travo que não provei
no toque que não senti

na pele que não acariciei
no beijo que nunca te dei

na luz que eu vi em ti

no sonho que não acordei
na palavra que não falei

és me

eu sei
mesmo assim sem ti
 
seres me senti

romance à flor da tua pele

 
e onde o sorriso desvanece
e uma página se rasga
é nas mãos que te seguram
livro da minha vida
que chego ao fim do capítulo
e capitulo nessas frases
nas que me recortas o sentido
que tenho escondido na alma
e me traz àvido
não do final
mas da sequência inicial
 
romance à flor da tua pele

figuração do eu ou tropo com inestética

 
configurei me
numa palavra de que me esqueci
o código
desdigo
o cosmético que lhe retoca
o rosto do dizer
da poesia rosa
com uns pós de arroz
nas bases
do esteticismo
com que me olhas e lês
as linhas cavadas do meu ser

como gostaria de (a)parecer(!)
 
figuração do eu ou tropo com inestética

dizer te da dor amor

 
está bem
vou fazer te um poema

mas repara
o meu lema
não é cantar

amor

é dizer
qualquer coisa
que rime com dor
 
dizer te da dor amor

se amar é dizer e ser

 
se não te amasse
não seria feliz
como (te) sou
não seria uma ave
em voo livre
e o vento
não me embalava
este ledo sentimento

se não te amasse
não seria

nem to diria
 
se amar é dizer e ser

converto me

 
às vezes
converso
comigo

mesmo

e digo
de mim
para mim

mais
ou menos

assim

com verso
sim
 
converto me

amar sentido

 
saboreei te a sal
num beijo teu

e fui ao fundo do mar

soube me a oceano
azul num mundo

e ao paladar
um saber profundo

a mar
 
amar sentido

escola equestre

 
os cavalos selvagens
que a minha alma monta

são tempestades soltas
que comem distâncias

de fogo incandescente
turbilhado

por descargas faiscantes
de energias revoltas

são explosões
de incontidas pulsões

geradoras de incontáveis volições

os cavalos selvagens
que a minha alma monta

são (só) lições
 
escola equestre

treze foi o dia que me viu nascer ou aquele em que vénus se protegeu de apolo com uma sombrinha

 
quando se conjugam as estrelas
neste quadrante em que nasci
e no número que não escolhi
digo te quão difícil é fugir dos deuses
que nos marcaram a ferro e fogo
uma vida que nunca se encontra com a outra

que culpa tenho eu desta hybris
de um parental que trago no sangue

e que tragédia me afasta de ti
e me deixa o sentimento exangue
 
treze foi o dia que me viu nascer ou aquele em que vénus se protegeu de apolo com uma sombrinha

enganosa poética

 
hoje até queria
fazer um poema

mas neste dilema
fiquei sem rima

e o sol já se pôs
e dei umas voltas

sem mote
andei a trote

nas rimas soltas

de quem não sabe
qual é o verso

do verso

se o outro lado
ou o reverso

mas não sou versado

nem na poesia
me sinto realizado

ou estarei enganado
 
enganosa poética

namorar sem jeito

 
nem sei se te digo
que perdi o jeito
e se não consigo
fica sem efeito

se te encontrar
ao meu parapeito
sob o teu olhar
fico assim sem jeito

do fundo do peito
quero te amar
mas não tenho jeito
não sei namorar

não sei namorar
mas não tenho jeito
quero te amar
do fundo do peito

fico assim sem jeito
se te encontrar
no meu parapeito
sob o teu olhar

e se não consigo
fico sem efeito
nem sei se te digo
que perdi o jeito
 
namorar sem jeito

poet(a)ando

 
ser poeta
é a maneira

de viver a vida
em solidão

e no pensamento
ter a poesia

por companheira
do coração
 
poet(a)ando

cego procura dor

 
que procuro
no fim de mim
no bico da agulha
na ponta da linha
na incandescência
de uma faúlha

que procuro
na luminescência
de um breve clarão
de um raio caído
de um estender de mão
de um olhar ferido

que procuro
na vida na morte
no prazer na sorte
no norte no sul
no alto no fundo
no céu ou no mundo

que procuro
se só sei de ti

(e que nunca eu vi)
 
cego procura dor

era o estio e senti te outono tardio

 
cheguei tarde
o sentimento tinha ido ver o tempo
lá fora
como estava entre as sombras da vontade
e tu estavas ausente

foi assim que me sentei no parapeito
de sonhos e bebi
para matar a afogueada sede
de te ver de madrugada
ao raiar da manhã pela névoa
encoberta
 
era o estio e senti te outono tardio