Poemas, frases e mensagens de Yan_Booss

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Yan_Booss

Ciúmes

 
qual teu sorriso...
inflorescência
na ponta duma haste,
perfumada flor.
como se o amor,
a vida, a morte...
'naturalidades'
penso numa haste;
nela o regozijo
de te ter em mim,
em flor, mas isento
de qualquer dor,
até de amor...
 
Ciúmes

Pendentif

 
fora a minha vida,
fora o meu tempo,
fora minhas palavras,
fora o meu amor;
não tenho riquezas.
como único tesouro
basta-me uma jóia,
tu; com teus braços
entrelaçados justos,
qual um cordão
em volta do pescoço.
‘sendo o camafeu vivo
pendente no meu peito’
 
Pendentif

Bocas

 
do beijo;
quero apenas
a tua boca.
boca louca,
e tão boa
de se beijar.

tu me pedes
um beijo,
como se
meu desejo
precisasse,
esperar;
vir no tempo,
a vontade
que tenho
de te beijar...
 
Bocas

Existência

 
a mulher
não só
me pariu.
por isso
hoje vos
falo de mar,
e da mulher
que me amou
tanto, tanto;
até eu aprender
o que é amar...
 
Existência

Canção hibernal

 
aquela insistente canção do vento
sibilando nas frestas das venezianas
‘da janela do meu quarto’
é a única e indivisível comprovação
que; por ti ainda não morri de amor...
 
Canção hibernal

Dispnéia

 
se te amo
nas ausências
desse amar.
aproximo,
desaproximo,
me deixo levar
no teu mar
'à deriva'
qual um náufrago;
atraído
as profundezas
do teu amar.
e qual um peixe;
'submirjo'
na ânsia
de te encontrar...
te amar
é preciso
no meu precisar;
como se pra
respirar
precisasse
de ti
como ar.
 
Dispnéia

Variabilidade

 
cortejados e ou
invejados, serão
alguns poetas
nas suas cotidianas
escrivaninhas;
‘habitat natural’
perseguidos então,
de qualquer forma,
se constatada a evolução
da sua evidente arte;
‘abraçada com serenidade’
lívidos e persistentes
celebrarão cada palavra,
igualmente assim, se;
cirandas de versos,
sonetos diversos,
poemas concisos,
‘poesia expressa’
num sobrevoar.
liberados de risos
e livre poetar;
simples assim...
‘sem aquele gosto amargo’
dos que tentam gessar.
 
Variabilidade

Marinhada

 
.

amar é dançante; se par constante
assemelho-o aquele mover na areia
da espuma nas marolas ondulantes
da onda; indo e vindo, incessante.
 
Marinhada

Bebendo-te

 
há nos teus olhos
o perfume e o sal.
nas tuas lágrimas
de amor; buquê,
qual vinho denso,
presente, marcante
ao descer suave
em tonal suferino
na taça de cristal.
na borda; o olor.
na boca: o gosto,
da canção de amor.
 
Bebendo-te

Apaguem a luz ao sair

 
aplaudiram-no nos bastidores,
induziram-no, encenação em palco;
textos, partituras próprias, ilusões.
solilóquios, suas únicas referências.
‘sob a una luz do refletor; a cena’
e o palhaço se fez ator e público;
aplaudiu-se,
chorou, agradeceu e sorriu, só,
sem o rumor da platéia que sumiu,
não resistiu desde o primeiro ato,
ou nunca existiu. dispensável...
‘se fez teatro; não saberemos!’
fecharam a cortina grená.
 
Apaguem a luz ao sair

Primaveril

 
“flores em profusão,
sentimentos soltos,
borboletas, evolução.”
místicos momentos
confortáveis me são...
‘coração; um oceano’
fórmulas alquímicas;
pele impregnada dos
finos perfumes, todos,
aspergidos da alma
sob sóis primaveris....
o poeta é sentimental;
não economiza versos
quando extrai da poesia,
a melhor fragrância.
guardada em frascos
de belas lembranças;
entre extratos e dons.
 
Primaveril

Desnudo

 
tomo sua poesia em goles curtos
saboreio-a palavra por palavra.
exaurido que estou; alimenta-me,
reconforta-me saber-te amar-me
ah relembrar das tantas desilusões
percorrida de castiçais, corredores...
por que não vos encontrei antes
que fosse luz em imagens murais
repintada nos meus raros sonhos.
infindos são meus pensares em ti
obsta o desejo, no tempo que urge
nesses encontros e desencontros
movimento quais astros diuturnos,
desumanamente impondo, sidéreo.
enquanto isso, meus versos revoam,
e meu coração ainda que túrgido,
lamenta não te ter aqui em mim
em verdade, num estar corpóreo
e não diluída em perfume poesia.
nesse sentir que nada espera.
...e tão somente meu sentir...
o meu amor. desnudo.
 
Desnudo

Desvendando-te

 
Sabes tu, do meu desejo antigo
de arrancar-lhe esta máscara
de baile para te provar que sei
há muito, quão belos são,
e tão incandescentes são,
estes teus olhos de mel.
Excitante pô-los incógnitos
ao meu olhar o teu semblante.
Magia detrás desta pálida
e bela máscara Veneziana,
uma boca recortada e fria,
Quiçá outra ardente e sensual,
lábios carnudos e em batom.
Imagino a tez do teu rosto,
suponho-o em toque de veludo.
Possibilidades iguais, teu corpo,
que no poema, desnudo-o...
 
Desvendando-te

Acariciando

 
só teu verso fotografa de um jeito
as imagens que eu sinto no meu peito
igual água de um regato no seu leito
refletindo mil estrelas; raro efeito...
alvas margens de areia madrepérola
lá estás, enamorada, a minha espera,
no duo olhar emoldurando a quimera
num cenário onde a poesia é sincera.
 
Acariciando

Cerzindo

 
ao som de trompetes,
dois corações correm
libertos pelos prados
da fértil imaginação.
entre os verdes vales;
‘sonoridade mágica’
ecoam serenamente
através das correntes
dos frios ventos do sul.

as canções promessas
aquecendo as entranhas
e os quereres mútuos.
musicas e letras voam
cravejadas de estrelas,
‘brilho de pedra preciosa’
pureza tal qual sua poesia.
paixão, carinho e canção...

ora embargando a voz,
ora anunciando altiva
num sorriso breve e fresco
o enredo inacabado
nas páginas dum amor
escrito em partituras...
sons e encantamentos
rebuscados e breves.
brisas frescas sopradas,
perfumadas de jasmins.
nas despedidas; beijos;
muitos beijos enfim...
 
Cerzindo

Intermezzo

 
sempre depois do amor
vem aquela fome e sede...
atravessa-se o corredor,
logo à frente a geladeira,
e na primeira prateleira;
sucos, geléia e manteiga.
morangos de compoteira.
- latinhas de cerveja –
ah que delícia é amar...
paté de foie gras com crostinis,
biscoitos ou grissinis, hum!
suficientes para reposição, mas,
atrás de mim estava ela;
veio sorrateira do quarto
envolta no lençol e sorria...
- havia maçã na fruteira –
optei por dispensar a fruta...
ela se pôs em cima da mesa
toda nua sobre o lençol,
musa; misto de fruta e flor.
sede e fome persistiam;
então comemo-nos;
lambuzados de iguarias.
ali mesmo fizemos amor...
 
Intermezzo

Azulejos

 
é deleite, mas;
versos azulados
causam ciúmes.
di-los-ei ocultos
sob os lençóis;
aos sussurros,
em relevos.
azulejos de nós
 
Azulejos

Emoções, ainda...

 
tu passas por aqui apressada
em todas as minhas manhãs;
faço-me silhueta em disfarces.
e o teu meigo rosto enrubesce,
como na minha mão trêmula, idem,
o ramalhete de flores silvestre.
 
Emoções, ainda...

Brilhos

 
sorvi os beijos.
anunciados
nos lábios teus.
vi os olhares
flertados,
revistos em brilhos
de desejos.
meu corpo ria
embriagado,
enquanto,
dois dedos
rodavam os gelos
dentro do copo,
assistindo
o momento uno
qual se despia
tão lânguida.
teci-lhe palavras
multicoloridas,
versei sobre os
túmidos seios.
nascia o poema.
deitada entre almofadas,
abri-lhe as coxas;
e penetrei-a;
entre frêmitos, gritos
e ‘multigozos’ em duo.
desprendemo-nos do chão...
deliramos,
e de mãos entrelaçadas,
misturamos os sonhos...
voamos amando-nos.
será isso poesia?...
 
Brilhos

Fermento

 
ah que de ti,
apego tenho;
trilho de luz
no meu caminhar.
já me perdi
nas lembranças...
da dança
insinuante
do trigal,
‘brilho de ouro’
visto do quintal.
ah estes meus olhos
já tão mórbidos
vendo os teus
azulado celeste
detrás das lentes enfarinhadas...
ainda que turvas;
penso que igual,
que ainda me vê
como te vejo
com as mãos
amassando a massa.
fermento e palavras...
palavras,
amor e pão
alimentando-nos...
 
Fermento