Poemas, frases e mensagens de SALETI HARTMANN

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de SALETI HARTMANN

UM POEMA CADA DIA

 
Minha Inspiração
- a qual eu chamo de “Anjo! –
Soprou docemente
nos meus ouvidos:
- Amada minha,
cadê a Musa Divina
que faria desabrochar
um novo poema
a cada novo dia?

Respondi:
- Divina Inspiração,
andei curando Almas
que não sabiam mais
sonhar.
Agora, estou a me curar
de tanto Pranto
minha alma a estraçalhar...

- Mas, te prometo, Anjo meu:
Que a Musa voltará
e cantará, novamente,
só para Ti,
Um novo Poema
a cada novo dia.

- Uma nova Flor
Para cada novo Amanhecer.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poeta
Cândido Godói-RS
 
UM POEMA CADA DIA

A QUESTÃO DA MENTE BRILHANTE (EDUCAÇÃO)

 
Cientistas fizeram uma experiência com jovens e crianças, por algum tempo. A experiência tratou-se de retirar estes jovens da sala de aula e da convivência com a família e amigos (por algum tempo), e coloca-las em contato permanente com profissionais brilhantes em algumas áreas do conhecimento, ou seja indivíduos PHD.

Para resumir, depois de algum tempo de convivência e de experimentos junto aos profissionais brilhantes, os jovens demonstraram uma aptidão mental também brilhante e bastante evoluída. Quando os jovens voltaram à sua antiga vivência, na escola e na família, em princípio, pareciam também superdotados. Porém, com o passar do tempo, foram novamente assumindo uma curiosidade limitada, como a de seus colegas, professores e familiares.

Particularmente, entendi que o experimento quis confirmar o fato de que, depende com quem convivemos, e como o fazemos, somos mais ou menos inteligentes.

Creio que, se fosse dado a todos os jovens oportunidades iguais, de convivência com brilhantes profissionais, e fazendo sempre coisas consideradas grandiosas, todos se sobressairiam como superdotados, pois teriam sempre à sua disposição tudo o que precisariam para suas experiências científicas, além de conviver com indivíduos com PHD em alguma área do conhecimento.

Sou da opinião, que essa experiência é relevante, é quase humilhante, pois, nas escolas e na família, como na sociedade, não temos uma estrutura econômica e humana pronta para receber nossos jovens, quando sua mente está em condição de curiosidade, tanto científica quanto em relação a algum conhecimento que pretendem adquirir e confirmar a sua veracidade, ou não.

Nas nossas famílias, o PHD dos pais, se relaciona com o pagamento das contas em dia, pois o salário não oferece uma vida digna, onde se pode ir além e aquém, nos estudos mais evoluídos.

Nas nossas escolas, o PHD dos professores não consegue evoluir além de querer e tentar atender a todos os alunos tanto individualmente, ou em grupos, pois falta tempo, falta material, falta estrutura para que haja um excelente atendimento às verdadeiras necessidades dos alunos. A mente brilhante dos professores, se esgota e tropeça na má vontade dos alunos, na indisciplina, na impossibilidade de oferecer-lhes o que há de última novidade em tecnologia ou mesmo em descobertas científicas, para que eles, por sua vez, produzam uma mente mais bem dotada.

Não se pode, simplesmente, jogar pais e professores em uma vala comum, dizendo que não possuem mentes brilhantes.

Nota-se que a experiência foi feita em total retiro dos alunos de suas famílias e escolas – onde estão problemas de toda ordem – e tiveram plena convivência com mentes PHD, com experiências PHD, e tiveram todo o material necessário à sua disposição para um aprendizado de alta qualidade, todo o tempo do mundo à sua disposição, para poder pensar, raciocinar junto com seus professores PHD, onde, enfim, provaram que a mente humana, na sua totalidade, é bastante dotada, quando tudo está ao seu favor.

Por isso, quando falam em mentes brilhantes, eu me arrepio, de dor e de revolta, porque, como professora, no decorrer do caminho, sinto-me empobrecer daquilo que me considerava perto do brilhantismo, inserida em um sistema que desvaloriza completamente a educação e os educadores, e, desta forma, joga a mente brilhante dos nossos jovens e crianças, no caminho da quase ignorância dos melhores valores e das melhores oportunidades de conhecimento que a vida oferece, a cada instante.

Estamos vendo, dia-a-dia, a mente brilhante dos nossos alunos ir se apequenando diante da insensatez de governos, instituições e indivíduos, que massificam-nos a todos, porque colocam a ambição, o poder e o lucro acima de qualquer ação que traga um benefício real à educação (e, quando digo educação, incluo saúde, infraestrutura, salários, honestidade, etc.)

Não façam mais tantas experiências envolvendo o que os jovens poderiam vir a ser. Deem-lhes condições reais e concretas para que eles desenvolvam a mente brilhante e superdotada que está adormecida dentro de cada um.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poeta
Cândido Godói-RS
 
A QUESTÃO DA MENTE BRILHANTE (EDUCAÇÃO)

DEUS ESTÁ AQUI

 
Desde menino, aquele jovem ouvia sua mãe dizer: - "filho, não há nada mais precioso, na vida, do que encontrar-se com Deus".
Então, ainda imaturo, saiu pelo mundo, à procura do Deus que sua mãe tanto falava.
Andou muito, conheceu pessoas, lugares e admirou-se do fascínio que sentia ante a majestade das altas montanhas, dos generosos rios, e diante da beleza que encontrava onde ia.
Conheceu, também, a tristeza e a doença nas pessoas que pareciam ter nascido para sofrer. Mas, junto delas, como anjos a velar por outros anjos, encontrava, sempre, outros seres humanos, cuidando, curando e lutando por um sorriso de alegria por dia.
Andou, ainda, no meio das grandes cidades, sentiu a beleza e a solidão dos grandes arranha-céus, a agitação e o pulsar das multidões, que vão e vêm sem aparente sentido.
E percebeu-se, a si mesmo, um homem solitário, procurando, indefinidamente, pelo Deus da sua mãe.
Ela, já não vivia mais. Ele, envelheceu.
Então, um dia, resolveu voltar para o lugar onde havia nascido, para rever velhos amigos, e, talvez, para a sua derradeira despedida da grande procura que parecia não ter fim.
Quando chegou, enfim, à antiga casa, que parecia aguardar a sua volta, com um grande ponto de interrogação, sentiu a presença invisível da mãe, sempre repetindo as mesmas palavras de ternura: "Filho, encontrar-se com Deus, é o Supremo conhecimento da Felicidade".
Um vento frio e leve soprou nas suas narinas, e ele respirou fundo, como se quisesse conversar novamente com a mãe, para dizer a ela o que ele encontrou, andando pelo mundo.
Abriu uma janela, que rangeu um rangido triste, melancólico, e sentou-se na velha cadeira onde sua mãe costumava sentar-se e contar estórias de vida... e de Deus.
Num sussurro, murmurou, para si mesmo, como se falando com a mãe:
-"Mãe querida: corri o mundo inteiro à procura de Deus, e O encontrei, aqui mesmo, habitando conosco, na Terra. Ele sempre esteve aqui... sempre estará aqui. E a Sua Presença, é realmente maravilhosa! Pois ninguém está totalmente só! Não encontrei nenhuma pessoa que estivesse sofrendo, na vida, que não tivesse alguém por ela, e isso é Deus! Só pode ser Deus!
No mundo imenso, onde o mal parece dominar, encontrei os rastros do Bem, fazendo, em silêncio, um trabalho de Gigantes. E, dentro do meu coração, encontrei um sentimento de ternura, que meus cabelos brancos enternecem, ainda mais. Encontrei Deus, mãe querida, e reencontrei você, na tua doçura de anjo, sempre a velar por mim, como a esperar esta mesma resposta, daquele teu filho outrora descrente. Hoje, sinto que estamos juntos, na mesma Luz, na mesma Paz e na mesma certeza de que somos Filhos do mesmo Amor."

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Pós-Graduanda em Psicopedagogia
Cândido Godói-RS
 
DEUS ESTÁ AQUI

LÁGRIMAS DE PALHAÇO

 
- Que gotinha é esta,
que desliza suavemente
Pelo rosto pintado
do palhaço extrovertido?

Fez rir toda a platéia,
Faz rir a si mesmo.

( E agora, chora? )

Palhaço que carrega
o mundo nas costas...
Palhaço que ri,
quando quer chorar...

Não.
Não é uma lágrima
que eu vejo
a deslizar
neste rosto invisível.
( Anônimo rosto )
Rosto pintado,
Rosto marcado.

Não é lágrima.
É apenas um pingo de suor
na ponta do nariz.

Saleti Hartmann
Poetisa e Professora
Cândido Godói-RS
 
LÁGRIMAS DE PALHAÇO

SURPRESAS DE QUEM ESCREVE...

 
SURPRESAS DE QUEM ESCREVE

Desde criança - e sempre incentivada por meus pais e irmãos - gostava de ler. Principalmente, poesias, crônicas e histórias infantis, que eram próprias da minha idade. Também lia Castro Alves, e sofria com o seu navio negreiro, pois ele soube retratar com fiel realismo a miserabilidade da escravidão.

Gostava de ler Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Cecília Meireles.... enfim, autores de várias gerações e de talentos até hoje, fascinantes.

Num certo momento, comecei a me interessar pela biografia dos autores aos quais lia e relia, com sede de palavras autênticas, que maravilhavam e, ao mesmo tempo, traziam a realidade tal como se apresentava aos seus olhos de poetas e escritores.

Descobri, então, uma particularidade que existiu em quase todos eles, após começarem a escrever: alguns tiveram visões de futuro, outros simplesmente ouviam vozes, que os levavam a escrever mais, outros morriam muito cedo e pobres, e muitos se suicidavam.

Mário Quintana tinha o personagem do homem da capa preta, que vinha, todos os dias, buscar uma poesia escrita por ele.

A partir de uma crônica que escrevi no meu primeiro livro em homenagem aos Expedicionários Brasileiros, comecei a receber comunicações de soldados que já tinham morrido - e que participaram da 2ª Guerra Mundial - relatando sua morte longe da família, a saudade que sentiram dos familiares, a vontade de voltar para casa, e, enfim, a morte em campo de batalha.

Também recebi comunicações do meu falecido pai, dizendo da sua saudade de todos nós, e contando como estava lá no outro plano de vida: uma colônia dedicada aos expedicionários brasileiros, que ele sempre visitava.

A grande novidade, porém, foi uma regressão à distância, que recebi de Entidades ligadas - de alguma forma - com o Exército Brasileiro do mundo oculto. Me ofereceram uma regressão junto ao meu pai, referente à guerra. Queriam limpar minha mente e a de meu pai de qualquer carma em relação à guerra, para que ele pudesse seguir adiante, tranquilo, e eu também.

Descobri, então, que sou a filha pragmática de meu pai, a que carregou com mais força a memória da guerra que ele viveu.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poeta
Cândido Godói-RS
 
SURPRESAS DE QUEM ESCREVE...

UMA PERGUNTA AO JOÃOZINHO...

 
Neste mês do Professor - como em qualquer outro dia, mês e ano - cabe uma reflexão sobre a avaliação de quem ensina, que é uma cobrança feita por todos os "lados", não importando o esforço em tentar transmitir algo para quem realmente não deseja estudar.

Como professor, estamos diante de Joãozinho, que simplesmente se nega a fazer provas ou trabalhos solicitados, somente por birra. Joãozinho não está doente, não tem problemas psicológicos, e gosta de passar a aula conversando e brincando com os colegas.
Depois de tentar - de todas as maneiras - conquistar o interesse do Joãozinho, enfim, olhamos bem dentro dos seus olhos, e vamos diretamente à questão:
- Joãozinho, você tirou zero, novamente na prova. O que tem a me dizer?
- Tanto faz! Eu não gosto de estudar, mesmo!!!
O professor insiste:
- Você sabe, Joãozinho, que quem nos avalia como professor, repete, sempre, que nós somos culpados se você não aprende?
Joãozinho apenas ri e se diverte.
- Diga-me, então, se você não estudou porque não o quis fazer, se está com as notas baixas, porque não gosta de estudar, você também acha que a culpa é minha?
O menino olha, ainda sorrindo, e responde, bem à vontade:
- É claro que não, professor! Mas isso não me importa, porque acho a escola uma chatice...
Impotente diante deste aluno tão sincero, nós, professores ficamos à mercê da sua disposição em estudar ou não... simplesmente por birra... Porque não somos avaliadas pelos outros 15 alunos que se dedicam e se interessam no aprendizado, mas sim somos avaliadas pelo Joãozinho, e por causa dele, nós, professores, "não sabemos cativar, não temos criatividade na metodologia, e não somos bons educadores".... é o que nos dizem aqueles que nos cobram em palestras e em seminários, como se o professor tivesse que ter uma varinha mágica para despertar neste tipo de aluno pelo menos o senso de colaboração durante o período de uma aula.
Na atualidade, o Joãozinho é a vítima e o professor é o réu.
Será que todos os anos de dedicação e preparo para exercer o magistério, não significam nada, só porque o Joãozinho não quer estudar?
Gostaríamos de continuar a ser respeitados pela bagagem adquirida ao longo do tempo, e poder cobrar um mínimo de responsabilidade deste tipo de aluno, que parece não estar consciente que a Vida, muito mais do que uma brincadeira, é uma construção onde todos - não só o professor - devemos usar sempre os nossos melhores talentos na direção de um mundo melhor... principalmente, o jovem, que, logo ali, estará assumindo as rédeas da Civilização. Porque, assumindo as suas responsabilidades, jamais vai culpar as gerações anteriores por todos os males que o atingem.
Parabéns, Professor!!!
Não percamos nossas mentes brilhantes e maduras, diante do Joãozinho vazio de sonhos...só porque quer!!!
Ainda somos uma importante alavanca, por cujas salas de aula, continuam passando também grandes advogados, médicos, engenheiros... Sonhadores!!!
Sonhadores e Forjadores de um Mundo novo, sempre fundamentado nos melhores Valores Humanos que são as colunas que sustentam a Civilização, desde o começo da participação humana na sua construção e eterna reconstrução.

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
UMA PERGUNTA AO JOÃOZINHO...

"PEQUENININHA..."

 
“PEQUENININHA...”

(À minha mãe LUZIA.... com Saudade...)

Pequenina e miudinha de corpo: assim era minha mãe.
Simples e amorosa.
Mas, quando relembro tudo o que essa mulher "pequenininha" fez ao longo da nossa vida familiar, vejo, na realidade, uma grande guerreira, uma heroína cujas proezas jamais serão repetidas.
Aqui, me adianto, dizendo que, quem teve família numerosa, sabe da veracidade destas mulheres, que foram a característica de uma época onde a família era o centro do mundo.
Pois bem, nossa "pequenininha" mãe, teve 11 filhos e 1 aborto espontâneo, e viveu até os 88 anos. Uma vida dedicada ao marido e aos filhos, completamente. Se teve sonhos pessoais, anulou-os todos. Mas, nunca reclamou, e fazia tudo com muito carinho e alegria.
Cada dia, a rotina se repetia: acordava os filhos, quando pequenos, dava banho, fazia o café e recomeçava as tarefas - fazer as camas, limpar a casa, cuidar do almoço, deixar o chimarrão pronto para o marido ( pois ambos tinham a sagrada hora do chimarrão, onde aproveitavam para conversar sobre cada filho e filha, e decidir juntos as resoluções domésticas e extrafamiliares).
Ah! Tinha ainda a hora de costurar roupas, pregar botões; costurar... lavar....recolher do varal....
Uma vez por semana, ela ocupava o forno para fazer pão.
E não eram somente um ou dois pães por dia: às vezes, chegava a fazer oito pães numa fornada, para saciar a fome da família enorme.
No meio disso tudo, tinha tempo para cantar conosco, embalar os filhos menores no colo.... ensinar a rezar....
Jamais acordávamos ou dormíamos sem uma oração, para pedir e agradecer ao Criador muitas graças para o dia e um descanso sereno, para a noite.
Preparava o feijão e arroz de cada dia, dividindo-se entre as brigas e as reclamações dos filhos "do meio", os choramingos dos menorzinhos, ao mesmo tempo que ensinava às meninas mais velhas, as lides da casa.
Então?
"Pequenininha"!!!!!!!
O seu único drama, do qual ela reclamava muito, era a dificuldade no falar o português, linguagem do nosso país. Ela veio de uma família germânica, onde o alemão era a única língua aprendida, quando menininha. Pois bem, para não dificultar ainda mais o seu dia-a-dia, nós aprendemos a entender o que ela falava em alemão, e ela nos compreendia ao falarmos regularmente o português. Ficava com vergonha quando recebia visitas "distintas", e tinha que se expressar na língua padrão brasileira.
Mas, graças a Deus, todos compreendiam a sua dificuldade, e ajudavam o máximo quando ela se perdia nas palavras desconhecidas.
Hoje, após a sua partida para a outra vida, sinto uma certa nostalgia, uma saudade imensa desta mulher "pequenininha", que encantou-me de uma forma definitiva.
Vejo modelos semelhantes a ela nas mulheres idosas que, aos poucos, vão deixando a vida, depois de se doarem infinitamente às suas famílias numerosas, aos maridos, netos e bisnetos, com uma coragem e força tiradas de algum lugar que ainda não encontramos, mas que fazia delas verdadeiras guerreiras sem outros prêmios, a não ser o sorriso dos seus filhos.
Saudade!!!!

Saleti Hartmann
Professora e Poeta
Cândido Godói-RS
 
"PEQUENININHA..."

ENSAIO SOBRE A LIBERDADE (I)

 
A pedido de uma menina da minha cidade, que gosta muito de uma apresentadora também muito querida por mim, escrevi um poema sobre ela, e publiquei em um site eletrônico.
Qual não foi meu espanto, ao receber um e-mail de uma certa Editora, (sem identificação de nome), chamando-me de retardada e idiota, dizendo que é por causa de pessoas como eu, que a referida apresentadora enriqueceu.
Pergunto:
Onde está a Liberdade de Expressão, nesta editora? Que tipo de livros ela publica?
Usei do meu livre arbítrio para escrever sobre uma personagem pública, quer queiram, quer não, muito querida, em todo o mundo, por crianças, jovens, adultos e idosos. Se ela enriqueceu, é problema dela. Enriqueceu fazendo sonhar várias gerações de crianças.
Gostaria de dizer, neste Ensaio, que minhas publicações são LIVRES, e sempre respeitei o estilo e o gosto alheios.
Enfim, neste mundo de deuses e deusas fabricados ou não pela mídia, podemos (ou não?) escolher a quem queremos enriquecer ou criticar?
Uns querem Fulano (não estou condenando), outros querem Fulana, outros ainda, preferem cantar e agradar as duplas sertanejas mais badaladas do momento. Estão enriquecendo com isso? É porque têm um dom, um talento que está sendo merecidamente valorizado. Ou porque a sua estrela foi predestinada para brilhar um pouco mais do que o comum, já desde antes do nascimento.
Gostaria de ser respeitada nas minhas manifestações de carinho e de admiração através dos meus textos literários, pois jamais pensei em levar um susto tão grande, com um desrespeito total à minha liberdade individual de expressão.
Aliás, a LIBERDADE DE EXPRESSÃO é quase uma súplica em todos os poemas que escrevo, pois sou filha de um soldado que esteve na Segunda Guerra Mundial, e desde que compreendi o valor desta palavra, procuro incluí-la nas minhas publicações, para lembrar e relembrar - sempre - que é preciso lutar todos os dias para manter a LIBERDADE já conquistada até o momento pelas almas mais sensíveis e mais livres do Planeta.

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
ENSAIO SOBRE A LIBERDADE (I)

...E Por Falar em Inclusão.

 
O Ensino Brasileiro está sendo pensado na direção de novos rumos, no sentido de melhorar a qualidade da Educação, promovendo reflexões e transformações profundas, como a INCLUSÃO que, por enquanto, anda devagar, pois existem muitas adaptações a serem feitas, tanto no setor físico e estrutural como na dimensão humana dos objetivos traçados.
Lê-se muito, pensa-se bastante e discute-se ainda mais a respeito dos melhores meios de promover a INCLUSÃO nas escolas do nosso País. Como num ato de mágica, o professor-educador tem nas suas mãos a tarefa de adaptar os métodos pedagógicos usados em sala de aula, além de fortalecer as próprias emoções, com o fim de demonstrar prontidão para estar sempre à disposição de uma variedade de necessidades manifestadas pelos alunos, o que inclui a capacitação instrumental e psicológica que abranja as várias gamas de deficiências que vão se apresentando no processo de assimilação do conhecimento (ou não)....
De turmas homogêneas (quanto à idade e à capacidade física), o professor passa a atender turmas completamente heterogêneas, onde as dificuldades físicas misturam-se às dificuldades de ordem mental, que não permitem o aluno a ser incluso ter o mesmo aproveitamento que os seus coleguinhas estão tendo, no mesmo período de tempo que eles.
De maneira nenhuma, este artigo deseja ser um libelo contra a inclusão, ao contrário, é um manifesto de aceitação e de admiração pelas intenções de trazer para a vida social “normal”, aquelas crianças que o nascimento – ou alguma doença – impede de conviver no mesmo mundo onde o sorriso, a lágrima, as emoções, são fatos universais, independentemente das deficiências ou/e dificuldades existentes a nível individual.
Quero, apenas, através deste pequeno Manifesto, lembrar que é importante trazer o próprio professor(a) para dentro do processo de Inclusão, no sentido de não jogar toda a carga de responsabilidade nas suas mãos.
A Comunidade Escolar, e o próprio governo que faz o papel de mentor da inclusão social, precisam intuir, com a maior boa vontade, que trata-se de algo extremamente novo dentro do Ensino Brasileiro, o objetivo de trazer à luz da convivência coletiva, as nossas crianças que, aqui na Terra, são como Anjos à espera de um carinho, de um garimpo mais profundo por suas mentes e suas almas, reforçando a idéia de que somos feitos – TODOS – do Amor e para o Amor.

Geralmente, toda a mudança extrema, acontece de forma muito lenta, muitas vezes ultrapassando o período de uma ou duas gerações, para depois, ser considerada bem fundamentada e no nível de aceitação excelente.
Portanto, ao observar diversos tipos de reações negativas por parte de pais e de boa parcela do governo, diante da aparente impossibilidade que o professor apresenta nos primeiros momentos do processo de INCLUSÃO, acusando-o de irresponsável, ou despreparado, tomei a liberdade de lembrar a todos, que o processo inclusivo não tem um só caminho, um só rumo: principalmente o professor-educador precisa ser incluído nos projetos de mudanças, de maneira a merecer o respeito de todos, quando, num primeiro momento, parece apresentar toda a espécie de dificuldades. É admirável a prontidão e a disposição que o professor apresenta para contribuir o máximo possível para diminuir as distâncias que o preconceito provoca em todas as dimensões da vida social.
A teoria da inclusão apenas começou a ser aplicada e compreendida, e o professor não é o responsável pelas falhas estruturais que os prédios escolares ainda apresentam, e nem pela impossibilidade de apresentar instrumentalização e tecnologia própria a cada deficiência manifestada. A teoria surgiu e foi apresentada muito antes da oferta de capacitação aos professores, por isso, suplicamos a caridade de uma compreensão sobre as dificuldades de toda ordem que estão sendo enfrentadas, a partir da decisão legal de incluir, em nossas escolas, as crianças que apresentam problemas físicos, mentais e cognitivos.
Não existe a figura de um “Super-Homem” na dimensão dos educadores, existe sim a vontade coletiva de acertar, de aprender, evoluindo junto com o momento, e existe, principalmente, a necessidade do professor ser incluído no mesmo objetivo do Amor, da diminuição das discriminações e na boa vontade de vê-lo, não como alguém perfeito, mas sim um SER HUMANO caminhando da mesma forma que o resto da Humanidade, tendo de se adaptar a cada criança, a cada dificuldade manifestada, e ainda, conquistar a aprovação sisuda de pais, dos representantes do governo e de outras classes que discriminam demais a classe do professor, sem motivo aparente.
...E, por falar em INCLUSÃO, que tal incluir o professor naquele sentimento de respeito e de admiração que tanto incentivam a sua luta diária contra a ignorância e contra a barbárie?!!!??
 
...E Por Falar em Inclusão.

VIDA INTELIGENTE

 
Gostaria de voltar a considerar a vida na terra como inteligente. O que pensamos encontrar lá fora, no espaço longínquo, se aqui destruímos tudo? Até o AMOR?

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
VIDA INTELIGENTE

CONCERTO PARA UM CORAÇÃO SEM AMOR

 
Amor que não se mede..... mentira! Amor se mede, sim.
Não pela beleza, não pelas vaidades, não pela riqueza.
Sim pela ternura de querer amar demais
Uma vida inteira, e não se desgarrar jamais.
Sim, amor se mede, pela fortaleza
de suportar alegrias, dores,
saúde e doença.
Mentira amor sem cuidados,
Mentira amor sem responsabilidades.
Amor se mede pelo encanto
e pelos desencantos todos....
Se mede pela bondade
e pelas falhas suportadas
com carinho e com paciência.
Quando encontrares um coração
sem amor,
não acredite que ele não ame.
Talvez amou demais,
e não pôde medir o seu sentimento
pela plenitude de uma vida inteira
de companheirismo
e de amizade,
mas foi medido com as medidas
da intolerância
e das vaidades.

Saleti Hartmann
Poetisa
Cândido Godói-RS
 
CONCERTO PARA UM CORAÇÃO SEM AMOR

UMA LIÇÃO DE PATRIOTISMO

 
Toda a vez que ouço pessoas jovens falando de descrença e zombando dos que ainda têm a coragem de se dizerem patriotas, eu volto o meu pensamento para quem me ensinou a ter um carinho muito grande pela minha Pátria, não importa qual o momento político ou econômico que ela esteja vivenciando.

Busco o exemplo da força e da coragem naqueles idosos que na sua juventude vieram ao Brasil - dos quatro cantos do mundo - em busca de uma nova vida, e a encontraram através do trabalho e da determinação.

A vida não está fácil hoje, mas também não foi um mar de rosas no passado, e certamente não será só maravilhas no futuro.

Gosto demais de ouvir as palavras sinceras daquelas pessoas de cabelos brancos e mãos calejadas, que construíram com suor e sacrifícios este país imenso que está aí, apesar das sucessivas crises. Eu me escoro nas palavras deles, que não são vazias, pois vêm confirmadas nos seus rostos enrugados, nas suas mãos bondosas e nas recordações de toda uma vida onde, apesar dos sofrimentos, havia lugar para uma imensa esperança.

Esta esperança parece estar faltando hoje, e no seu lugar está sendo semeada a desilusão e a apatia.

Olhar para trás, às vezes, é importante, porque podemos aprender lições valiosas com as gerações que nos precederam.

Antigamente não havia nenhuma comodidade, nada que indicasse um futuro promissor, a não ser um imenso, um grande sonho nos corações. A única saída era acreditar na vida e enfrentar o trabalho de sol a sol. Apesar disso, o futuro veio, com facilidades e tecnologias jamais imaginadas. E nós não queremos acreditar no nosso futuro e no amanhã das nossas crianças...

É de riqueza imensa o testemunho vivo dos nossos queridos idosos, por isso quero lembrá-los aqui, porque eles nos dão uma verdadeira lição de patriotismo. Se conversarmos com eles, com certeza nos dirão, com os olhos brilhando, de alegria e de saudade, que aprenderam a amar esta Pátria, mesmo encontrando dificuldades e sofrimentos. Eles nasceram em outras terras, e no entanto, trouxeram um amor e um carinho para depositar no chão de sua nova Pátria.

Talvez não encontramos nos nossos governantes o mesmo exemplo de amor à Pátria e de honestidade, que encontramos nas cãs dos nossos idosos. Mas este não pode ser um motivo suficientemente forte para ficarmos descrentes e para deixar que as novas gerações cresçam com a triste sensação de que a sua Pátria não merece o seu carinho e a sua esperança. Sabemos que as pessoas só lutam quando acreditam em algo, quando são movidos por uma esperança qualquer, mesmo que esta esperança se chame utopia.

Não vamos transmitir aos jovens e às crianças a indiferença pela sua Pátria. Porque, na verdade, a Pátria somos todos nós.
Nossa inteligência e nossos talentos orientados para o trabalho e para a solidariedade, são a resposta certa para aqueles que pregam o derrotismo e o desamor. O exemplo de vida dos nossos idosos ensina a verdadeira lição de coragem que precisa ser compreendida e seguida pelas novas gerações.

O Brasil necessita da nossa esperança e do nosso trabalho.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
UMA LIÇÃO DE PATRIOTISMO

MEU PAI

 
Para falar de meu pai,
tenho de lembrar da guerra
(pela guerra que ele viveu)
e pelas dores que
nos transmitiu.
Pois o braço que lhe faltava,
ficou no campo de batalha.

Para falar de meu pai,
Tenho de falar sobre humildade
pela humildade com que viveu.

Para lembrar de meu pai,
tenho de evocar as flores,
as estrelas e os pássaros,
Que fizeram da sua vida
uma poesia natural.

Quando lembro deste Homem
Querido,
tão perto,
e tão distante,
Tenho de agradecer a Deus
- Pai Maior –
Pela vida vivida com intensidade
Perto de quem muito amou,
muito sofreu,
e jamais nos abandonou:

Pai Fernando: Te amamos,
Para muito além das estrelas!!

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
MEU PAI

SORRISO DE CRIANÇA

 
Sorriso de criança,
É pó de pir-lim-pim-pim,
Que faz voar
De alegria
O coração de quem o recebe.

Sorriso de criança,
É sol brilhando,
É lua enluarando,
É orvalho
Orvalhando.

Sorriso de criança,
É flor que se abre
Num jardim
Esquecido,
É bálsamo que cura
Tristeza sem remédio.

Sim: Sorriso de criança,
É um brinde dos anjos,
Para lembrar o
Mundo adulto
De que
As coisas pequenas
E simples
Contém
Toda a novidade
Da Vida!

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
SORRISO DE CRIANÇA

O QUADRO CRÍTICO DA EDUCAÇÃO

 
A partir das manifestações de Pedagogos(as), especialistas em educação, em todas as janelas da mídia escrita, eletrônica e/ou informativa - através dessas leituras - tem-se a impressão de que a Educação moderna está falhando e perdeu o rumo no nosso País.
A queixa geral, é de que ninguém mais sabe ensinar, professores perderam o interesse e a escola ficou obsoleta.

Porém, sempre é bom lançar um olhar um pouco mais amplo e não só crítico na direção da Educação e dos educadores que estão em sala de aula, enfrentando heroicamente as dificuldades do ensino neste País territorialmente imenso.

O que pode estar acontecendo, talvez seja um certo cansaço diante de uma Educação praticamente abandonada, tanto na dimensão física e estrutural, como na dimensão do ensino-aprendizagem, onde nada mais se pode exigir do aluno, a não ser que ele vá passando de ano, principalmente, nas séries iniciais do ensino fundamental, cujos resultados negativos vão se refletir anos mais adiante, apresentando aos professores um caos quase que intransponível, de desnível completo entre conhecimentos mínimos, imaturidade e série que o aluno estuda.

Os professores já não podem mais "rodar" o aluno que não alcançou as mínimas condições de alfabetização, sendo que a culpa disso recai toda sobre o educador da turma, quando são diversos os fatores que contribuem para esse fracasso, como o desnivelamento econômico e cultural, turmas com alunos em excesso e, muitas vezes, uma certa crise de identidade social.

Quanto ao fator "rodar" o aluno, os próprios professores já puderam conferir que, na sua maioria, os alunos que ficam retidos por um ano, evoluem no outro ano para um nível mais estabilizado e equilibrado de acordo com as exigências mínimas de alfabetização e conhecimentos gerais.

Quanto a estas situações, os professores não encontram muito respaldo da parte dos governos, e até dos familiares, e têm de "se virar" como podem, e com os recursos de que dispõe.

Acrescentamos, ainda, o processo de inclusão, que pegou a todos de surpresa, cujo objetivo é "socializar" e incluir alunos com deficiências em sala de aula normais. O quadro negativo, são professores sem habilidades, sem preparo, escolas sem estrutura física e a grande dificuldade no atendimento do aluno especial, ao mesmo tempo que outros 20 ou 30 alunos pedem atenção do mesmo professor, que fica aturdido, e, muitas vezes, adoece, sob a gama de exigências que lhe são feitas de todos os lados.

Isso tudo, mais o advento da tecnologia nas escolas, inspira críticas negativas ao processo educativo nacional.

Novamente, encontramos os professores sem preparo para o uso do aparato tecnológico, e/ou laboratórios de informática incompletos, computadores sempre falhando, ou em número insuficiente para atender a demanda dos alunos, que são sempre em número muito maior do que o número de computadores que o laboratório oferece. Tudo isso faz parte do quadro que pinta a educação com as cores do pessimismo, como se realmente estivéssemos num beco sem saída em matéria de Educação.

Ao redor da escola, um contexto sócio-político e econômico em constante flutuação, ora pendendo para o descaso, ora surgindo uma ou outra voz apelando para o bom senso geral, para que não piore ainda mais a sensação de estar tudo desmoronando só no âmbito escolar.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga
Cândido Godói-RS
 
O QUADRO CRÍTICO DA EDUCAÇÃO

O XICAREIRO MÁGICO

 
Tia Ana tinha, na sua mesa de copa, um lindo xicareiro de tomar chá, branco com bolinhas pretas. Ela o chamava, carinhosamente, de “o meu xicareiro poá”. Cada xícara tinha o seu devido pratinho, para acompanhar os bons momentos de largas conversas em sua casa.
Quando estava sozinha, tia Ana tinha o costume de tomar seu chazinho sem escolher a xícara ou o pratinho “da hora”. Com um pensamento sempre distante, pegava a primeira xicarazinha que suas mãos alcançavam, e se deliciava com aqueles bons momentos de descanso e lazer.
Mas, o que tia Ana não percebia, é que o xicareiro, alem de muito bonito no seu poá de festas, era também mágico. E, por ser mágico, - coisa que só ele sabia -, as xícaras e os pratos trocavam entre si, pensamentos sobre ela e seus momentos de chá e/ou cafezinho.
- Ah! Isso não vale, - dizia uma xícara para outra -, a tia Ana só escolhe a fulana para beber o seu chá de todos os dias.
- É mesmo! – reclamava outra xícara (eram seis no total, e seis pratinhos), nós nunca chegamos na vez de estarmos em suas mãos bondosas...
Pois é, - dizia uma terceira xícara – também gostaria de saber como é o gostinho de carregar um chá para tia Ana beber.
- E o que dizer de nós! – diziam os pratinhos, em coro: - tia Ana só pega o fulano para fazer dupla com fulana. Gostaríamos tanto de saber como é sermos segurados pelas mãos dela....
- Eu já sei! – disse uma das xícaras mágicas. Vocês notaram o menininho que sempre vem visitar a tia Ana, com sua mãe? Ele é sobrinho dela. E se nós pudéssemos nos comunicar com ele?
- Boa idéia, querida, já que somos mágicas, podemos tentar nos comunicar com ele.
- Com certeza! disse outra, já mais calma. Dizem que as crianças também são mágicas. Quem sabe o menino vai nos entender?
Um momento de silêncio no xicareiro.
Parece que a idéia foi aprovada por todos, tanto xícaras como pratinhos. Só restava elaborar um plano para tentar o contato com o pequeno sobrinho de tia Ana. Assim, enquanto a noite caía e a casa descansava envolvida na escuridão, o xicareiro trabalhava num plano para que todas as xícaras e todos os pratinhos tivessem vez nas mãos de tia Ana.
No dia seguinte, a casa parecia ter acordado mais feliz. Os raios de sol entravam pela janela aberta, trazendo claridade e alegria, trazendo de volta a Vida, que, durante a noite, se aquietava.
As xícaras mágicas já tinham o seu plano para conversar com o gentil menino que visitava tia Ana, todos os dias da semana. Restava aguardar o momento oportuno, para o contato tão esperado!
Quando tia Ana passava pelo xicareiro, durante os afazeres do dia, as xícaras mágicas se alvoroçavam, rindo umas para as outras, esperando que o plano desse certo.
No meio da tarde – como sempre – o menino entrou na casa com sua mãe, e tia Ana foi preparar o chá da tarde, para tomar nas suas xícaras poás, que ela nem desconfiava que fossem mágicas.
O menino, enquanto as duas mulheres preparavam o tira gosto da tardinha, ficava sempre sentado vendo televisão, bem perto de onde estava o xicareiro. Emocionadas, as xícaras se prepararam para o seu plano de contato, esperando com todos os pensamentos das coisas, que a criança fosse tão mágica quanto elas eram.
O programa na TV parecia bastante interessante, pois o menino não desgrudava os olhos e os ouvidos da telinha. Mas, o som da televisão era a única coisa ouvida naquele cantinho da casa. O plano poderia dar certo.
Então, ouve-se um sussurro surdo entre as xícaras:
- Vamos lá, queridas! Todas juntas, agora!
Um leve tilintar tomou conta do xicareiro, mas o menino, aparentemente, não ouviu.
- Oh! Ele pensou que foi o vento! – disse uma delas, desconsolada.
- Ah! Eu acho que este menino não é mágico, - completou outra, mais desconsolada ainda.
- Irmãzinhas, não vamos desistir agora. Vamos tentar mais uma vez.
A um sinal, todas as xícaras e pratinhos reuniram novamente os seus pensamentos mágicos, e o xicareiro inteiro tilintou, agora de forma mais poderosa ainda. Seria impossível, o menino dizer que fora o vento a fazer barulho nelas.
- Será que ele é mágico? Sussurrou uma das xicarazinha para as outras...
Quando se deram em conta, o menino estava ao seu redor, olhando, observando o xicareiro, como a tentar imaginar de onde veio tanta força para o barulho que elas fizeram.
- Vamos, menino, seja mágico! Seja mágico!!! – suplicou uma xícara, aguardando junto com as outras, um sinal de que ele pudesse entende-las.
O menino admirou a beleza do xicareiro, segurou um pratinho entre suas mãos, a cariciou uma xícara, e ficou pensativo, como se tentando adivinhar o que estava acontecendo.
- Meninas, mais uma vez: vamos tilintar todas juntas. Agora vai ser impossível ele não notar que queremos nos comunicar.
E, novamente, um tilintar alegre e forte tomou conta do xicareiro, deixando o menino atento e curioso. Chegou mais perto, e perguntou, baixinho:
- Quem está aí?
- Oba! O menino é mágico! Oba! Oba.... oba.... – exclamaram todas juntas. A magia deu certo!!!
E, dirigindo-se ao menino, com sussurros baixinhos, todas queriam falar ao mesmo tempo. Mas, uma xícara que parecia ser mais ajuizada, perguntou~lhe de forma alegre:
- Menino mágico, como é o seu nome?
- Meu nome é Pedro. Podem me chamar de Pedrinho. Posso perguntar o que está acontecendo?
Então, o xicareiro poá de tia Ana ficou quieto, enquanto uma das xícaras contava a Pedrinho o seu drama de querer – todas elas – serem seguradas pelas mãos dela, mesmo que uma vez por semana, e falaram do seu plano para o menino poder ajuda-las de alguma forma.
Pedrinho ouviu a estória, olhou para o xicareiro com olhos curiosos, e perguntou:
- Mas, para que vocês querem que tia Ana tenha todas em suas mãos?
- Porque nós somos xícaras mágicas – assim como você – e sendo mágicas, queremos ser Bondade para os seres humanos. Todas nós queremos sentir a maravilha de sermos Bondade, para tia Ana, quando ela descansa e toma o seu chazinho de todas as tardes. Sabe, Pedrinho, as coisas mágicas não podem ficar abandonadas, nem esquecidas..... xícaras mágicas fazem as pessoas agradecerem pelos momentos de lazer, e pelo alimento que elas tomam, sem perceber o quanto é maravilhoso saber agradecer a Deus, à Vida, à Natureza, tudo o que foi feito com Amor e por Amor.
Pedrinho sorriu, comovido:
- Está bem, minhas amigas. Eu tenho um plano que parece ser bom, e vai ajuda-las a espalhar Bondade nas mãos de tia Ana. Ouçam o que vou fazer: - todas as tardes, quando eu e minha mãe chegarmos aqui, vou colocar xícara e um pratinho diferente nas mãos de tiazinha. Assim, todas vocês terão o prazer de sentir alegria para servir com Bondade o chá que ela beber em cada uma. Cada dia, será outra xícara e outro pratinho, que ela segurará, sem perceber, mas garanto que ela sentirá felicidade quando cada uma de vocês puder estar em suas mãos.
No momento em que tia Ana e sua irmã entravam na copa, para preparar a mesa para o chá da tarde, o xicareiro inteiro tilintou alegremente, e se despediu de Pedrinho, agradecido. Pedrinho sabia que nunca mais voltaria a conversar com o xicareiro, pois crianças e coisas mágicas não podem ser encontradas por qualquer pessoa, má intencionada. Correu para ajudar a mãe e a tia na arrumação da mesa, e sorriu, quando tia Ana reclamou do barulho que o vento fazia no seu xicareiro de poá, todas as vezes em que ela se preparava para o seu chá de todos os dias.

Saleti Hartmann
Poetisa e Professora
Cândido Godói-RS
20/07/2013

(Fernando / Sadi) – in memoriam
 
O XICAREIRO MÁGICO

FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO (II)

 
Filosofia, antes de tudo, é conhecimento.
Não é crítica pura... não é ideologia... não é a pregação unilateral de ideias: é o conjunto das ideias humanas partilhadas de forma indagadora, para serem aprimoradas e vividas pelos Homens de todas as épocas.
Quando inseriram, novamente, a Filosofia nos currículos escolares, uma luz acendeu-se nas mentes e nos corações de todos aqueles que amam o conhecimento.
Esperava-se uma Filosofia universal, onde ideias fossem discutidas, onde a admiração pelo saber dos antigos fosse despertar nas crianças e nos jovens, a plenitude do Pensamento, que leva a todos os lugares possíveis, menos ao caminho da ideologia e da violência através das ideias.
Na História Humana, existiram filósofos que se importaram com o tempo (o tempo do relógio, real, e o tempo do abstrato, virtual), que dissertaram sobre os prazeres dos amores e das alegrias do espírito e da inteligência, e outros, ainda, que levaram multidões a seguir ideologias carregadas de ódio, que não podem ser chamadas exatamente de "filosofia", mas de doutrinação política.
Nos livros e nos discursos escolares, desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, até a Universidade, adotou-se como "filosofia" o pensamento de Karl Marx. Sempre pensei que Karl Marx deveria ser um escritor lido com curiosidade e com admiração, mas jamais pensei que, novamente, ele voltaria aos bancos escolares para orientar o pensamento filosófico numa crítica pura a um tipo de sistema político, econômico e religioso.
Desta maneira, a palavra filosofia perde inteiramente o seu sentido de despertar o Conhecimento pelo Conhecimento, e a razão pela razão. Transforma-se, isto sim, numa visão unilateral das ideias políticas, dizendo, sutilmente às crianças e aos jovens o que eles devem odiar e o que podem amar.
A filosofia deveria transcender as ideologias, para que os filósofos pudessem ser amados e compreendidos como queriam, isto é, como geradores universais de questionamentos, não no sentido de mudar o mundo e as pessoas, mas no sentido de transformar a alma e a vida de quem usa a filosofia como Porta para a Confraternização dos povos e das ideias, sem lesioná-las, sem pervertê-las.
Karl Marx deixou um compêndio de ideias políticas, jamais uma filosofia pura e simples. Há que se aplaudir o seu pensamento que vale para todas as épocas, mas ele está sendo usado para doutrinar contra e a favor... isto não é trabalho da FILOSOFIA.
Por interesses de grupos, Marx é um ícone que move multidões, não para somar, mas também para dominar.
Existe alguma diferença entre tais grupos de interesses que pretendem chegar lá, e aqueles que estão lá?

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO (II)

PRIMAVERA

 
A primavera é o sorriso da natureza
Com suas flores e cores
seus perfumes e queixumes.
O sol parece brilhar mais,
As árvores se enfeitam de odores
Os pássaros cantam trinados de ternura.
A primavera é a doce cantoria
de um novo amor...
a renovação de amores antigos,
a esperança de outras primaveras
tão lindas, tão belas, tão cheirosas.
E você, anjo da minha vida,
vem sonhar um pouco mais
junto comigo,
o sonho mais lindo do amanhecer
dessa estação
bordada com a magia
da mãe natura
nas suas mil formas
de dizer:
-Seja feliz!

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
 
PRIMAVERA

LÁGRIMAS DE AMOR

 
Lágrimas de amor
são estrelas caídas do céu
para iluminar
a alma enamorada.

São um bálsamo de ternura
curando as feridas
que a ausdência querida
produz no coração solitário.

Lágrimas por amor
transformam a solidão
na paz tranquila
de quem sabe que é amada.

Na saudade tua
A vida me trouxe
O mais lindo amor
Que vivi.

E as lágrimas se cristalizaram
em gotas preciosas
que guardo no relicário
mais querido
dos meus sentimentos
e da minha TERNURA.

Porque te amol...

Saleti Hartmann
Poetisa e Professora / Pedagoga
Cândido Godói-RS
 
LÁGRIMAS DE AMOR

ALMA EM ORAÇÃO

 
A alma que canta em oração, faz vibrar as vozes dos anjos bons, fazendo chegar até o céu as súplicas de amor e de paz dos homens bondosos.

Saleti Hartmann
Professora e Poeta
Cândido Godói-RS
 
ALMA EM ORAÇÃO