Poemas, frases e mensagens de Caio

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Caio

o resto são passarinhos

 
por vezes imagino o quão inútil é o meu conhecimento e meu desejo de conhecimento, e o conhecimento dos outros e o desejo de conhecimento dos outros. e imagino que não há nada entre a vida e a morte além disso mesmo, vida e morte, morte e vida, todos os dias e em todas as eras o mundo se resume nessas três palavras, vida e morte, e que me tornam quem sou até que eu parta e reste de mim apenas o que se souber de mim. não o que penso, mas o que pensam que penso, não o que sou, mas o que pensam que sou. e o que sou, de fato, além do que pensam que sou?

mas depois de idos os pensamentos sobre mim, não restará nada além de um corpo se putrefazendo, um bando de ossos baldios num saco de lona junto com outros ossos baldios, que muito provavelmente pertenceram a ditos parentes meus que serão esquecidos antes de mim, ou assim espero.

e pensar que tudo o que eu quis dizer ao começar a escrever era que você estava linda naquela tarde em que passeamos de mãos dadas rumo ao nada mais que passear de mãos dadas. e pensar que eu tinha tanto medo que o tempo chegasse, e agora só peço que passe, mesmo que eu morra antes de ver o sol nascer em seus olhos, e ver morrer a última flor da noite todas as noites quando você dorme e põe em mim todos os meus medos de anos atrás.

e pensar que poderia resumir tudo isto num poema insípido e completamente equivocado daqui a uma semana, mas que sempre traria nas vírgulas uma marca em cera abrasoando o quanto te amo, e a saudade que tenho do dia em que passeamos de mãos dadas e você acaba de dormir com a cabeça em meu colo, sabendo que mais tarde te levarei nos braços com todo o cuidado para que você não acorde num presente em que outro te segura nos braços e que o meu maior medo é que este não saiba te manter segura. mas isso já passou. o resto são passarinhos.
 
o resto são passarinhos

paraíso

 
e era como se eu fosse nuvem em suas mãos de vento.
me manipulava os quereres melhor que seus próprios,
me fazendo acreditar que o amor é isso mesmo,
isso de querer ser a coisa amada. amar é uma falta
de personalidade!

lembro mais claramente os dias nublados, pois nesses
eu tinha meus olhos de volta enquanto você deitava
e dormia um sono glacial durante eras. nesses dias,
podendo ver, tinha ciúme dos seus sonhos, já que
certamente eu não me encontrava neles.

já nos meus, mais breves e fugidios, havia crimes de sangue
e cenas policiais. eu sempre era o culpado, mas a culpa
é toda sua! garrafas de vinho, xícaras de café e maços
de cigarro eram tatuagens em sua rotina, só visíveis
quando você estava nua.

mas era feliz, mais feliz, desperto. o seu corpo balançava,
espantando todo o gelo dos sonhos, que caíam sobre mim
e nevavam meus desejos. queria ser artesão de você,
patrão de você, ladrão de você. mas, no fim das contas,
havia giz ao meu redor.
 
paraíso

primavera

 
em dois anos de inverno
não fazia flores
nas folhas do caderno

de repente, como não
se espera,
novamente em minhas mãos
explodiu a primavera
 
primavera

rascunho entre os dedos

 
tenho tanto em minhas mãos
que não sei onde começo
tenho notas, tenho preços
a esperança da nação
tanta coisa em minhas mãos
tenho datas, telefones
informações e teu nome
estradas para as estrelas
com atalhos detalhados
a vida de outros homens
mãos de meus antepassados
trago riscadas na palma
as travas da minha alma
os dias em que a espera
tinha tons de primavera
as noites em que a procura
chegava a bater na cintura
com as águas dos teus olhos
trago tanta coisa nas mãos
que por vezes me escorrega
brilho intenso, facas cegas
sangue e suor de orações
firmemente pendurados
trago ódios bem pensados
e amarrados em trovões
tenho tanto em minhas mãos
as datas dos meus degredos
o teu nome entre os medos
que não saem com sabão
tenho tanto em minhas mãos
tanto tudo quanto nada
levo olhos de segredos
mas ainda hoje cedo
tive por entre os dedos
teu sorriso de enseada
 
rascunho entre os dedos

brevê

 
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vento que me seja ave
que o tempo seja
como se deve

brisa que me seja nave
e por favor
me desfaça
e leve
 
brevê

mínimo

 
teus lábios são o vento
e outros termos
da aerodinâmica
 
mínimo

rascunho entre os dedos

 
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para teresa

tenho tanto em minhas mãos
que não sei onde começo
tenho notas, tenho preços
a esperança da nação
tanta coisa em minhas mãos
tenho datas, telefones
informações e teu nome
estradas para as estrelas
com atalhos detalhados
a vida de outros homens
mãos de meus antepassados
trago riscadas na palma
as travas da minha alma
os dias em que a espera
tinha tons de primavera
as noites em que a procura
chegava a bater na cintura
com as águas dos teus olhos
trago tanta coisa nas mãos
que por vezes me escorrega
brilho intenso, facas cegas
sangue e suor de orações
firmemente pendurados
trago ódios bem pensados
e amarrados em trovões
tenho tanto em minhas mãos
as datas dos meus degredos
o teu nome entre os medos
que não saem com sabão
tenho tanto em minhas mãos
tanto tudo quanto nada
levo olhos de segredos
mas ainda hoje cedo
tive por entre os dedos
teu sorriso de enseada

beijo beijo, easter!
 
rascunho entre os dedos

como as flores

 
o poema deixou-se cair entre garrafas

vazias e memórias de cabelos loiros

os olhos vagos traziam palavras,

versos, rimas perfeitas

o poema deixou o choro misturar-se

a uma última dose de uísque

o poema trazia entre os dedos

um cigarro e folhas amassadas

o poema, como as flores,

adormeceu no estrume

e sonhou com aplausos

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inspirado em poema da difamação do poema
 
como as flores

marcha do egresso

 
"...o menino sentado à beira da praia das terras pernambucanas olha para o seu mar uma última vez. ouve o barulho, agarra a areia como quisesse carregá-la em sua própria pele. vê, ao longe, a paisagem que sonha a voz das pedras, como se falassem..."

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filho dos arrecifes de coral,
parido por entre meus edifícios,
voas daqui, mas deixas vestígios
do amor por tua terra natal.

ama a ti mesmo, meu menino,
que guardo nos dedos teu pai,
e trago pelo ventre tua mãe,
para que voes com destino.

minhas terras do mangue te mostrarão
a eterna presença de meu sangue em ti
não me proves agora do sal da aflição
provarás mais tarde que vieste daqui

sei que esperas que não se zangue
tua terra, que deixas para trás
com teus pés calados de mangue
e tuas mãos marcadas demais

mas sei quem sou por seres quem és
e se vier a vontade pra te buscar,
te dando mais asas por novas marés,
serei outras águas, mas o mesmo mar.

debanda tua sorte por águas novas!
te mostro em brisa que agora provas:
desde o renascimento até a tua morte
serás sempre, menino, um leão do norte.

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título inspirado nas marchas-regresso dos carnavais pernambucanos.

a marcha-regresso é um frevo-canção cantado na volta dos bailes de carnaval, pela madrugada.

O frevo é um ritmo musical e uma dança brasileiros com origens no estado de Pernambuco, misturando marcha, maxixe e elementos da capoeira.

texto escrito em 2012.
 
marcha do egresso

devoção

 
você está em todos os cantos;
nos rodapés, nas soleiras das portas,
nas teias de aranha, nas faxinas.
você está em todos os cantos;
no café, na salada, no suco, no café.
nas estantes, empilhada, nas palavras, frases,
e nas coisas que trago e que você reclamava.
você está em todos os cantos;
no começo, procurei sua ausência,
mas não a encontrei nas gavetas, no chão
ou mesmo na porta da velha geladeira.
encontrei apenas nas manhãs de domingo
e nas noites de quarta-feira,
ao meu lado, na cama.

- desculpe-me não dizê-la,
mas esta foi escrita numa conta
e é preciso apagá-la...
e pagá-la.

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dias de fúria, noites de férias
 
devoção

vermelho-sangue, verde-oliva, azul celestial

 
"...vermelho-sangue, verde-oliva, azul celestial..."

verso de zeca baleiro, na música boi de haxixe

sonhos alheios incomodam-me o fracasso
por isso saio a recolher insônias
caminho entre bêbados e mendigos
longas conversas com vigias noturnos

demoro-me nos bares de beira de estrada
paraísos líquidos em copos de plástico

assisto o desespero das mães de família atrás de seus filhos
perdidos pra sempre no país das maravilhas
as que gritam os nomes de seus ciganos com três meses de validade

as que caem de cansaço
as que voltam para casa
mães de deus

decoro os diálogos
e os recito, aplaudindo de pé

ganho a noite em jogos e intrigas
daqueles que encontram a morte sem zoada
num zás de faca que fura a camisa do time
vermelho-sangue, verde-oliva, azul celestial

dentro em mim, a única certeza é a insônia.
 
vermelho-sangue, verde-oliva, azul celestial

às vezes quando

 
às vezes quando
nossos pensamentos estão todos errados
e o café
o cigarro
são nossa única tranquilidade

quando tudo se perde
o amor
o sonho
o sono
mesmo nossa verdade

quando a gente pega
tudo quanto a gente acredita
e põe numa betoneira

pra cimentar as amarguras
não sei

quando tudo nos destrói
e o herói não chega

a gente não tem nada
eu não tenho

nem sono
nem sonho
nem amor

nem mesmo betoneira
nem verdade

só resta mesmo a amargura
 
às vezes quando

ó, pedaço de mim

 
ó, pedaço de mim
o sol não veio com o dia
disse que viria

assim como veio um pedaço
de vida pelo correio
que eu nunca paguei em dia

deixei o plano da existência
tá vendo, pedaço de mim,
que sonhos não têm carência

bem, o que se quis
se fosse à vista
eu inda era feliz

a gente se vê por aí
no nosso caso
é seguro dizer
terra a prazo

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dias de fúria, noites de férias
 
ó, pedaço de mim

"Eu Tenho um Sonho"

 
Eu Tenho um Sonho

Estou contente em unir-me a vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade em nosso Luso-Poemas.

Há sete anos, um grande homem, cuja simbólica sombra nos cobre, trouxe o Luso-Poemas à tona. Esse importante ato veio como um grande farol de esperança para milhares de poetas lusófonos que tinham murchado suas poesias nas gavetas do esquecimento ou nos diários da adolescência. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus poéticos cativeiros.

Mas sete anos depois, o luso-poeta ainda não é livre.

Sete anos depois, a vida do luso-poeta ainda é tristemente invalidada pelas algemas das críticas invejosas e a segregação de suas poesias e as cadeias de discriminação para com os beijos e abraços.

Sete anos depois, o luso-poeta vive em uma ilha feita de beleza no meio de um vasto oceano de vaidade imoral. Sete anos depois, o luso-poeta ainda esconde nos cantos do Luso-Poemas os seus beijos no coração e suas poesias com borboletas, e se encontra exilado em sua própria página. Assim, nós viemos aqui hoje para dar mais relevo à sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos ao nosso site para trocar um comentário. Quando os arquitetos de nossa casa escreveram as magníficas palavras dos Termos e Condições de Uso do Luso-Poemas, eles estavam assinando uma nota promissória da qual todo luso-poeta seria herdeiro. Esta nota era uma promessa de que todos os homens e mulheres, sim, os homens poetas, como também as mulheres poetisas, teriam garantidos os direitos inalienáveis de respeito às suas poesias, liberdade de expressão para os beijos e a busca por leituras e comentários.

Hoje, é óbvio que o Luso-Poemas não honra esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, o Luso-Poemas deu para o povo poético um cheque falso, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há trocas insuficientes de comentários neste espaço. Assim, nós viemos postar mais este texto, um texto que nos dará o direito de reclamar as riquezas das leituras e dos comentários com beijos no coração, prova indubitável da liberdade de expressarmos o quanto gostamos, com a segurança de nunca sermos criticados.

Nós também viemos para recordar ao Luso-Poemas essa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrigerante das cem leituras ou tomar o remédio tranquilizante do nosso coleguismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de sermos favoritados.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo brilho das poesias.

Agora é o tempo para erguer nossos poetas e poetisas das areias movediças da injustiça e das críticas invejosas e ofensivas para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os nossos textos.

Seria fatal para o Luso-Poemas negligenciar a urgência desse momento. Sentimos o calor do verão, de tão claro que está para este site o legítimo descontentamento dos luso-poetas, que não passará até termos de volta a idéia que nos foi dada sobre este espaço: todas as nossas poesias são lindas. Este ano de 2013 não é um fim, mas um começo. Esses que acreditam que o luso-poeta agora está contente, terão um violento despertar se nós pararmos de comentar e de publicar as poesias bonitas que sempre fizemos.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz à página principal. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós devemos ver em cada crítica uma ofensa mortal. Nós devemos defender com unhas e dentes, ainda que com a mais vil palavra, as poesias de nossos irmãos. Nós não seremos culpados. Nós, que somos vítimas, nós, que somos inimputáveis, triunfaremos. Não vamos deixar insatisfeita nossa sede de vingança. Nós iremos agredir, mentir, distorcer se preciso for. Nos satisfaremos bebendo da caneca da gritaria e do ódio.

Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina.

Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em poesias feias. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião de nossos comentários com flores e borboletas, dos beijos e abraços. Não esqueçamos de dizer o quanto adoramos ler as poesias de nossos irmãos. Não esqueçamos de deixar nosso abraço.

Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade luso-poética que devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas que nos agridem, para com muitos de nossos inimigos invejosos, como comprovamos pela presença deles na própria administração. Mas eles entenderão que o destino deles é uma corda amarrada no pescoço, presa na árvore do nosso destino. Eles verão com quantos corações se faz um elogio.

Perceberão que a nossa ordem é o futuro da literatura, o futuro do Luso-Poemas.

Nós não podemos ficar parados.

E como nós caminhamos, temos que fazer a promessa de que sempre marcharemos em frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos luso-poéticos civis, "mas qual é o problema em receber críticas?". Alguns nós já esfolamos e acusamos de fakes. Precisamos impedir que esse pensamento se alastre. Precisamos mostrar que esses segregadores querem o Luso-Poemas só para eles.

Precisamos mostrar que, por mais que nos unamos e mostremos nosso valor, por mais comentários que façamos e por mais amigos poetas e poetisas que convidemos para o Luso-Poemas, eles nos querem expulsar do Luso-Poemas.

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto as poesias forem vítimas dos horrores indizíveis da brutalidade das críticas. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos textos, cansados pelo peso das rimas com ar, não puderem ter hospedagem na página principal, nas entranhas do Luso-Poemas e na lista de melhores poesias. Nós não estaremos satisfeitos enquanto uma poesia nossa não puder ter seus comentários apagados por nós mesmos. Não estaremos satisfeitos enquanto houver quem acredite que não temos motivos para reclamar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem na primeira página como águas de uma poderosa descarga.

Eu não esqueci que alguns de vocês vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram com seus certificados, livros publicados, traduções para outras línguas. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pelo reconhecimento lhes deixou menções honrosas, que balançaram perigosamente nas tempestades das perseguições e das ofensas da brutalidade dos que nunca publicaram um livro. Vocês são os veteranos do sofrimento. São colaboradores fiéis de nossa causa. Continuem trabalhando com a fé de que sofrimento imerecido é redentor.

Voltem para o Recanto das Letras, voltem para o World Art Friends, voltem para o escritArtes, voltem para o Poemas de Amor, voltem para onde quer que haja comentários maldosos, voltem para os sites sujos e blogues de literatura e digam: eu triunfarei.

Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho maravilhosamente enraizado no sonho dos luso-poetas.

Eu tenho um sonho que um dia este site se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua essência - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos: todos os homens poetas e as mulheres poetisas fazem poesias lindas. Todos, exceto aqueles que nos criticam. Esses não farão sucesso nem receberão certificados. Muito menos participarão de nossas antologias. Nunca terão comentários.

Eu tenho um sonho que um dia nas paredes azuis do Luso-Poemas os filhos dos descendentes de escritores renomados e os filhos dos descendentes dos que os elogiavam poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. E abraçarem-se e comentarem-se sem que alguém destoe no coro de elogios.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo o fórum, um lugar que transpira com a injustiça desses falsos críticos, da canalha que se diz defensora da liberdade, que transpira com o calor de opressão às nossas poesias, será transformado em um oásis de beijinhos e abracinhos aos nossos queridos amigos poetas e poetisas, sem se esquecerem dos elogios às poesias que fizermos.

Eu tenho um sonho em que minhas centenas de poesias onde digo que o amor é uma emoção de pura paixão vão um dia viver cheios de comentários em um espaço onde elas não serão julgadas pelas rimas ou pela métrica, nem pelo conteúdo, mas por quantas vezes menciono a dor da saudade que sinto do meu amor. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Luso-Poemas, com seus elitistas malignos, com seu administrador que tem os lábios gotejando palavras de censura e distorção e negação; nesse justo dia no Luso-Poemas, os poetas e poetisas poderão unir as mãos como amigos e amigas do coração. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todas as poesias serão exaltadas (exceto as dos críticos, que não fazem poesias que prestem), e todas as críticas virão abaixo, as palavras ásperas serão aplainadas e os erros gramaticais e ortográficos serão ignorados e a glória dos poetas e poetisas será revelada e todo comentário terá elogios perfeitos, além dos beijos no coração.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o webmaster com essa declaração, e provarei que o administrador não passa de uma criança tirana e problemática, uma criança causadora de aflição e debandada dos nossos queridos amigos, bons poetas e poetisas. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes do nosso Luso-Poemas em uma bela sinfonia de fraternidade.

Com esta fé nós poderemos escrever juntos, comentar juntos, favoritar juntos, elogiar juntos, defender nossa liberdade juntos, e quem sabe um dia publicar um livro juntos.

Este será o dia, este será o dia quando todas as nossas poesias poderão cantar com um novo significado:

"Minha poesia, que fala de amizade, eu te canto.

Minha poesia que fala dos lindos passarinhos, do azul do céu e da minha tristeza pela pobreza que não tem beleza,

de qualquer lado que entenda nossa língua, receba apenas elogios nos comentários de amizade!"

E se o Luso-Poemas é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim sentirei o aperto dos abraços e o calor dos beijinhos em meu coração.

Sentirei o quanto sou amado e como sou um maravilhoso poeta muito além de uma mensagem privada.

Receberei por e-mail as menções honrosas e os certificados de presença nos eventos poéticos.

Serei imortalizado nas academias de literatura que há em cada cidade de meu país, e que cobram uma mensalidade justa pela vida eterna.

Minhas poesias serão lidas nos saraus e serão sempre encontradas no Pensador.info.

Mas não é só isso. Um dia ouvirei nas rádios minhas poesias musicadas por um querido amigo poeta.

Ouvirei o meu amigo dizer meu nome depois de cantar a minha poesia.

Ouvirei as notícias culturais informando que meu livro foi escolhido para simbolizar a nova escola literária que eu fundarei junto com meus amigos poetas e minhas amigas poetisas.

Em todos os concursos, receberei menções honrosas.

E quando isto acontecer, quando o webmaster nos livrar de vez dessa maldosa crítica, quando ele expulsar esses invejosos, que nunca serão capazes de escrever um livro ou de serem condecorados como poetas e poetisas, o sino da liberdade soará. Quando nós o deixarmos soar em toda poesia e todo comentário, em todas as páginas e em todas as leituras, nós poderemos alcançar aquele dia: quando todas as poesias boas, de poetas homens e poetisas mulheres, e os autores de contos eróticos, de poesias que rimem amor com dor e coração com emoção, poderão unir as suas palavras em um dueto, em interações poéticas, em recadinhos floridos, o nosso refrão:

"Livre afinal, livre afinal, dessa turma que só nos fez mal.

Graças ao webmaster todo-poderoso, estamos livres afinal."

origem: Eu Tenho um Sonho

"O autor é um luso-poeta ativista e colaborador fiel desde o início. Sempre disposto a expor as injustiças do grande espaço que é o Luso-Poemas."
 
"Eu Tenho um Sonho"

medo

 
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aquela coisa velha
que me olha de esguelha
e sempre parece séria
com a pulga atrás da orelha
que chora miséria
e pra dizer que ri
só levanta a sobrancelha
 
medo

MANIFESTO ANTI-ANTAS E POR EXTENSO

 
por Caio de Matos Vital

POETA DE MORPHEU EXPERIMENTALISTA e TUDO

BASTA, CACETE, BASTA!

UM AUTOR QUE CONSENTE DEIXAR-SE COMENTAR POR UMA ANTA É UM AUTOR QUE NUNCA O FOI! É MAIS UM ABESTALHADO, UM INDIGNO E UM CEGO! É UM PEDAÇO DE CHARLATÃO E DE VENDIDO, E SÓ PODE ESCREVER AO PÔR-DO-SOL E COM JEITINHOS DE VÉUS!

ABAIXO ESSE AUTOR!

MORRA A ANTA, MORRA!E PRIU!

UM AUTOR COM COMENTÁRIOS DE UMA ANTA É UM JUMENTO IMPOTENTE!

UM POETA COM UMA ANTA COMO AMIGA É UMA PIA ENTUPIDA!

A ANTA É UMA BESTA!

A ANTA É MEIO BESTA!

A ANTA SABERÁ GRAMÁTICA, SABERÁ SINTAXE, SABERÁ MEDICINA POPULAR, SABERÁ ESOTERISMO, SABERÁ IOGA, SABERÁ TUDO, MENOS ESCREVER, QUE É A ÚNICA COISA QUE ELA FAZ!

A ANTA PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM CUECAS DE MARMANJOS!

A ANTA É UMA HABILIDOSA!

A ANTA VESTE-SE COM ROUPAS DE MARCA!

A ANTA USA MEIAS ANTI-CELULITE!

A ANTA ESPECULA E INOCULA EM MENSAGENS PARTICULARES!

A ANTA FAZ LIGAÇÕES DE AMEAÇA!

A ANTA É ANTA!

A ANTA É COBRA!

MORRA A ANTA, MORRA! E PRIU!

A ANTA FEZ UM POEMA DE AMOR QUE TANTO O PODIA SER COMO UM POEMA DE SAUDADE OU UM POEMA DE TRISTEZA, OU UM SONETO ESTRÁBICO SOBRE A SOLEIRA DA PORTA OU UMA ODE A ELA MESMA, OU A GAIVOTA, OU O OLHO DO PEIXE OU O PEIXE INTEIRO!

E A ANTA TEVE CLAQUES! E A ANTA TEVE PALMAS! E A ANTA AGRADECEU!

A ANTA É UMA GRAÇA!

NÃO É PRECISO IR PARA O BREJO PARA SE SER UMA VACA, BASTA SER-SE UMA VACA!

NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE PARA SE SER HIPÓCRITA, BASTA ESCREVER COMO A ANTA! BASTA FINGIR TER ESCRÚPULOS MORAIS, ARTÍSTICOS, E HUMANOS! BASTA ANDAR COM AS MODAS, COM AS POLÍTICAS E COM AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO TÍPICO DE UMA ANTA, BASTA SER MUITO DELICADO E MANDAR BEIJOS E ABRAÇOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER ANTA!

MORRA A ANTA, MORRA! E PRIU!

A ANTA NASCEU PARA PROVAR QUE NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!

A ANTA É UM AUTÔMATO QUE PÕE PARA FORA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAI SAIR... MAS É PRECISO FAZER COMENTÁRIOS!

A ANTA É UM POEMA DE AMOR PRÓPRIO!

A ANTA EM GÊNIO NUNCA CHEGA ALÉM DE RIMAS EM AR E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!

A PELAGEM DA ANTA É HORROROSA!

A ANTA CHEIRA A PEIXE ATÉ NA BOCA!

MORRA A ANTA, MORRA! E PRIU!

A ANTA É O ESCÁRNIO DA CONSCIÊNCIA!

SE A ANTA É POETA, EU QUERO FAZER CARTÕES DE NATAL!

A ANTA É A VERGONHA DA INTELECTUALIDADE POÉTICA! A ANTA É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!

E AINDA HÁ QUEM NÃO CORE QUANDO DIZ ADMIRAR O QUE A ANTA ESCREVE!

E AINDA HÁ QUEM LHE ALISE O PELO!

E QUEM LHE FAVORITE OS TEXTOS!

E AINDA HÁ QUEM LHE DÊ CERTIFICADOS LITERÁRIOS!

E QUEM TENHA DÓ QUANDO A ANTA CHORAMINGA SUAS DORES!

E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE A ANTA PESE TREZENTOS QUILOS, E QUE SÓ ESCREVA RELEITURAS DE SI PRÓPRIA E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!

A ANTA É DAQUELAS VELHAS QUE AINDA NÃO DESCOBRIRAM A RAZÃO DA HUMANIDADE ESTAR DIVIDIDA EM HOMENS E MULHERES.

MAS COMO IA DIZENDO, A ANTA ESCREVEU UM POEMA DE AMOR QUE SÓ NÃO GEROU GARGALHADA GERAL OU AGUACEIRO DE OLHOS PORQUE HAVIA POR LÁ AQUELAS IMAGENS DE ANJINHOS QUE SE MOVEM E ELA RESPONDEU TODOS OS COMENTÁRIOS COM CERTOS BONEQUINHOS AMARELOS. FALAVA EM TUDO: SAUDADE DO AMOR PARTIDO, O AMOR QUE GRUDA NA PELE (QUE MAIS PARECE QUALQUER MUCO INDESEJADO QUANDO A ANTA TOCA NO ASSUNTO) ALÉM DE INCLUIR CERTAS AVES E MUITAS FLORES E CORES E ODORES E QUE DIZIA DE AMOR COMO AQUELES URSOS DE PELÚCIA QUANDO LHES PUXAMOS AS CORDINHAS.

CONTINUE A SENHORA ANTA A ESCREVER ASSIM QUE HÁ DE GANHAR MUITO COM AS RIMAS DE CORAÇÃO COM EMOÇÃO E HÁ DE VER, QUE AINDA GANHA UMAS ANIMAÇÕES NO YOUTUBE E UM LUGAR DE DESTAQUE NOS SITES DE POESIA, E UM VÍDEO COM O PASSO-A-PASSO DA CRIAÇÃO DAS ANIMAÇÕES, E AS BONECAS DE SEUS LIVROS SERÃO TOMADAS COMO EXEMPLO A FUTUROS JOVENS ESCRITORES E HAVERÁ UM ESPAÇO RESERVADO EM TODAS AS ACADEMIAS DE LETRAS PARA O BUSTO DA ANTA EM MÁRMORE DE CARRARA, E OS SEUS POEMAS SERÃO CITADOS NAS AULAS DE LITERATURA PÓS-MODERNA E A ESTÁTUA DO CRISTO GANHARÁ FEIÇÕES TAPIRÍSTICAS E O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TERÁ SEU NOME MUDADO PARA TRÓPICO DA ANTA, COM FESTAS PELAS CIDADES PELO ANIVERSÁRIO COM FERIADOS PARA A ANTA, E SABONETES PARA CÃES COM O NOME “DONA ANTA” E PASTAS DA ANTA PARA OS DENTES, E FARINHAS DE TRIGO DA ANTA COM RECEITAS DA FAMÍLIA TAPIRIDAE ANTES GUARDADAS A SETE CHAVES, E ASPIRINA ANTA, E REMÉDIOS DA ANTA PARA A EREÇÃO

ANTA E ANTA, ANTA, ANTA, ANTA... E RAÇÃO PARA GATOS ANTA - E ANTA'S GUARANÁ.

A ANTA FEZ UMA PROPAGANDA DA KOLYNOS COM TANTO REALISMO QUE QUANDO FAZIA “AH!”, O AROMA DE EUCALIPTO ENCHIA A SALA!

E FIQUE SABENDO A ANTA QUE SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA NESTE LUGAR TODO O MUNDO SABERÁ QUE O AUTOR DO “POEMA SUJO” É A ANTA, QUE NUM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA SÓ CONSENTIU A GLÓRIA DO SEU PSEUDÔNIMO GULLAR.

E FIQUE SABENDO A ANTA QUE SE TODOS FOSSEM COMO EU, HAVERIA TAIS MUNIÇÕES DE MAMONAS (POIS TOMATES ESTÃO CAROS) QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS PARA GASTAR.

MAS JULGAIS QUE NISTO SE RESUME A LITERATURA ATUAL? NÃO! MIL VEZES NÃO!

TEMOS, ALÉM DISTO AQUELES POEMINHAS EM DUETO QUE MAIS PARECEM UMA FORNICAÇÃO TÃO MALFEITA QUE DEIXOU SEUS PARTICIPANTES COM DESEJOS DE CELIBATO.

AINDA MAIS TEMOS AQUELES QUE ENCHEM SEUS POEMAS DE ADJETIVOS COMO QUEM TENTA CONVENCER O CLIENTE DAS MARAVILHAS DE SEU PRODUTO! E AS INFELICIDADES DOS POEMAS TRISTES! E O TALENTO INSÓLITO PARA DIZER MUITO E NÃO DIZER NADA! E AS GAITADAS INSTANTÂNEAS DOS POEMAS DE HUMOR! E OS CONTOS ERÓTICOS SÓ PARA HOMENS QUE NOS DÃO MOSTRAS DE QUE SEU AUTOR NUNCA, JAMAIS, TEVE CONTATO ÍNTIMO COM OUTRO SER HUMANO! E O ILUSTRÍSSIMO EXCELENTÍSSIMO POEMA DE REFLEXÃO, CUJO AUTOR HAVERIA DE FAZER ANTES O QUE RECOMENDA COM O PRÓPRIO POEMA! E OS CANDIDATOS AO NOBEL DA PAZ QUE GUARDAM UM REVÓLVER NA ESCRIVANINHA! E OS TEXTOS A DIZER AS VERDADES DO MUNDO QUE FORAM FEITOS NO TEMPO DISPONÍVEL ENTRE A NOVELA E OS COMERCIAIS! E AS IMBECILIDADES QUE REPETEM ENTRE SI COMO FILOSOFIA DE VIDA! E MAIS PEDANTICES DA ANTA! E AQUELES VELHOS QUE PENSAM QUE TUDO AO REDOR É INÚTIL EXCETO SEUS PRÓPRIOS PÊNIS, QUE EM VERDADE SÃO MAIS INÚTEIS QUE SUAS OPINIÕES! E TODOS OS ARCAÍSTAS QUE EU NÃO GOSTO! E OS QUE MANDAM ABRAÇOS, AS MARAVILHAS, OS IDIOTAS, OS ARRANJISTAS, OS IMPOTENTES, OS CELERADOS, OS VENDIDOS, OS IMBECIS, OS PÁRIAS, OS CABOTINOS, O DIABO QUE OS LEVE, OS QUE FALAM COM VOZ GRAVE, OS QUE FALAM COM VOZ AGUDA, OS QUE SE CALAM, OS BACANAS, OS BABACAS, OS ELOGIOS EM FORMA DE GENTE, OS PAPAGAIOS, AS GAIVOTAS, AS BORBOLETAS, OS FLORISTAS DE PLANTÃO E TODAS AS ANTAS QUE HOUVER POR AÍ!!!!!!

MORRA A ANTA, MORRA! E PRIU!

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paródia do "manifesto anti-dantas e por extenso", de almada negreiros.

assinado à época:

por José de Almada-Negreiros

POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO

texto original:

manifesto anti-dantas e por extenso
 
MANIFESTO ANTI-ANTAS E POR EXTENSO

hárte

 
todo o princípio se entrelaça
nos vinte nós de nossas mãos;
vêm dez pincéis da cor do faça,
pintando sim por sobre os nãos.

então lábios pousam pela pele,
deixando um beijo em revoada:
são dedos que falam as coisas
das bocas que não dizem nada.

as minhas mãos, não vendo nada,
apontam a estrada entreaberta;
os dedos são língua molhada
em cada toque mais alerta.

o corpo em rima se reparte,
boca e pele em verso torto;
mas acontece de haver arte
em cada parte desse corpo.
 
hárte

morrer antes

 
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.......................
.......................
.......................
.......................

os bons morrem antes
antes de quê, me pergunto
antes de mim, antes de nós
antes do mundo deixar
a gente ficar junto
só pra puxar assunto
alguma coisa me diz
há uma parede de vidro
que me impede tocar
os bons que morrem
antes de pensar em tocá-los

meus heróis não existem
meus deuses de papel
são crianças de colo

em que precipício me atiro
que encruzilhada jogar-me
o meu sangue tem seu charme
e em meu peito há sempre
um último suspiro

ontem eu tive certeza
de que não sou lá essas coisas
porque finalmente estava sóbrio
ao meu redor vinte cigarros mortos

escrevo pra deus
ou qualquer face que ele tenha

peço que me ensine a ser bom
pra que, como eles
eu possa morrer antes

até hoje
nunca fui bom o bastante
pra poder morrer antes

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dias de fúria, noites de férias
 
morrer antes

oceana

 
um poema tem tantos
nomes tantos poemas
e tantos nomes não
rimam, nomes primos
que se importunam
somente por si mesmos
como o nome sem nome
sem verso, sem poema
que oceana, mar.

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dias de fúria, noites de férias
 
oceana

se minha mala se abrisse

 
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se minha mala se abrisse
em meio a uma ventania
e tudo o que é importante
naquele vão de poliéster
ganhasse novo sentido
ou voasse na contramão
fosse ao pé do teu ouvido
te lembrar de comprar pão

se dentro daquela mala
tivesse tanto dinheiro
tivesse um plano infalível
uma passagem pro cairo
um par de calças de inverno
para usarmos com esqui
um bilhete premiado
um cheque gordo sem fundo
todos os males do mundo

se todas as falcatruas
e as bondades que já fiz
flutuassem pelas ruas
na ponta do seu nariz
onde tem um pincenê
que em você fica tão lindo

e se todos os meus dados
aos olhos do mundo todo
caíssem pra cima em seis
eu podia jogar de novo
podia nascer outra vez

e se a vida fosse o elástico
que prendesse os meus papéis
se eu fosse feito de plástico
e se eu me dobrasse em dez
se pedra fosse confete
e se eu fosse o carnaval

mas já se abriu o sinal
e tudo agora está verde
vou ver se está tudo aqui
se todos aqueles males
flutuaram pelas ruas

e se os planos infalíveis
pra que fôssemos pro cairo
fazer passeios de esqui
precisam de um pincenê
nos olhos do mundo todo
se você lembrou do pão
em meio a uma ventania
se meus dados deram seis
foi da mala que eu abri
 
se minha mala se abrisse

alguns anos de solidão - blogue

"ah, meu deus do céu, vá ser sério assim no inferno!"
- Tom Zé