Poemas, frases e mensagens de Paulo Gondim

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Paulo Gondim

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VIDA INTERIOR

 
VIDA INTERIOR
Paulo Gondim
26/06/2010

Faço de minha solidão terapia
Antídoto contra tanta hipocrisia
Eis que assim que sinto e vejo
Mesmo que contarie o desejo
Ande na contra mão dos fatos
Vislumbre de longe um ex-amor
Desafie o cansaço
Limite meu espaço
Busco força e vida interior

O solo de um piano pode ser vulgar
Para almas que apenas penam
No caminhar diário, de simples penar
Mas a vida pode ser bonita e serena
E até a solidão pode ser pequena
E o frio do inverno ter menos rigor
Se há, em cada um, vida interior
 
VIDA INTERIOR

UMA CANÇÃO DE AMOR

 
UMA CANÇÃO DE AMOR
Paulo Gondim
17/08/2010

Dizer que te amo é pouco,
Diante da saudade que me enche a alma
Da lembrança boa e amiga
Dos momentos em que vivemos um grande amor

Tua alma de poetisa sempre soube me encantar
Nos versos leves de uma linda canção
O toque suave de tuas mãos a me acariciar
Ainda fazem palpitar meu pobre coração

Dizer que te quero é o mínimo que posse almejar
Diante da desesperança e de meu rude modo de ser
Aos poucos me sinto abandonado, a esperar
Que um dia, de verdade, você venha me querer

Ah, minha doce poetisa, que povoa meus sonhos
Que orbita em meus devaneios em noites insones
Por onde andas? Por que foges tanto?
Por que não vês a tristeza no meu pranto?

Olha para mim, minha doce menina
Recita teus lindos versos para minha alma triste
Canta para mim a canção de teu amor maior
E recebe de mim o amor que só para ti existe
 
UMA CANÇÃO DE AMOR

CORDEL ABSURDO

 
CORDEL ABSURDO
Paulo Gondim
13/0/08/2011

Naveguei os sete mares
Com remos de girassol
Corri quase duas léguas
Num jogo de futebol
Vi você naquela rua
Se desviando da lua
Que quase encobria o sol

Tomei um chá de cebola
Me banhei na camarinha
Um sujeito me acordou
E perguntou o que eu tinha
Disse a ele: tava sujo
Fedendo mais que sabujo
De ciúmes da vizinha

Deixei o barco na praia
Os remos botei num vaso
Olhei a lua no céu
Cai num buraco raso
Nem era dia nascido
Sai dali escondido
Escapei por mero acaso

Foram três dias de luta
Acabei num cemitério
Na festa de aniversário
Do coveiro Eleotério
Mais de três almas penadas
Andavam pelas calçadas
Desfazendo seus mistérios

A vizinha quando soube
Que dela tinha ciúme
Foi falar com o coveiro
Que lhe vendeu um perfume
E perguntou pela lua
Descoberta, quase nua
Quebrando qualquer costume

Aquele chá de cebola
Me fez doer a barriga
Vi a nudez da vizinha
Que vive a fazer intriga
Comprou três cachorros pretos
Pendurou em dois espetos
E o milho já deu espiga

Eu parei de navegar
A vizinha foi embora
Os cachorros se afogaram
Um morreu de catapora
O coveiro ficou surdo
Com esse verso absurdo
Que chegou fora de hora.
 
CORDEL ABSURDO

SEM LIMITES

 
SEM LIMITES
Paulo Gondim
23/07/2009

Ilusório, misterioso, possível
Um ponto solto na imensidão
Caminhos diversos, abertos
No pulsar de um coração

O além se abre à frente
Como fuga de inesperada busca
Perdida na eterna espreita
Do desconhecido que a alma ofusca

Nessa imagem não há limites
Como o sonho que não tem barreiras
No voo alegre do pensamento
Que se solta, além fronteiras

E na beleza do possível
O que se vê ativa a ilusão
Numa imagem pura, intrigante
Abre-se o mundo, nesta sensação
 
SEM LIMITES

MARCAS

 
MARCAS
Paulo Gondim
25/01/2015

Eu vejo os dias na divisão do tempo
Entre anos, meses e semanas
E em cada data, um pouco de nós ficou lá
Como marco a nos mostrar a realidade
A dizer que aquele dia passou.

E volvemos o olhar desconfiado
Procurando um vestígio de felicidade
Um alento que mude essa realidade
Mas o tempo não deixa oportunidade
Ela segue com ele.

Nele, ficam os marcos e, em nós, as marcas
Como tatuagens em carne viva
Que nos acompanham como algoz ou amiga
Flores, caveiras e dragões
Ou cruzes que nos servem de expiação

E o tempo segue seu rito canibal
Indiferente do bem e do mal
Ele não muda, apenas segue
Embora o tenhamos dividido
Ele só nos diz que deveríamos ter vivido
 
MARCAS

Perda

 
Perda
Paulo Gondim
23/01/2015

Assim são as sobras de um grande amor
Apenas cinzas do que antes fora chama
Mergulhados na mágoa do abandono
Cada um de nós esquecido em nossa cama

Somos apenas simulacro de uma vida
Fantasmas apenas em noites sombrias
Perambulamos por nossas lembranças
Esquecidos de nossas fantasias

Perdemos o alento em nossas almas
O que ficou de nós não tem sentido
Andamos agora por vias paralelas
Pois tudo o que sonhamos foi perdido
 
Perda

SE VOCÊ FICAR

 
SE VOCÊ FICAR
Paulo Gondim
15/01/2008

Eu vejo nos seus olhos
Que você chora há muito tempo
E as estrelas do céu choram com você
E que suas lágrimas enchem mais o mar
E regam de orvalho o amanhecer

Mas se você ficar aqui, comigo, eu prometo
Enxugarei suas lágrimas , uma a uma
No aconchego de meu coração
E aí, não haverá mais choro
Sairá para sempre dessa desilusão

Eu vejo nos seus olhos vermelhos
A revolta da perda, a decepção
O medo da vida, o recolhimento
Como animal ferido
Na forma mais cruel do sofrimento

Mas se você ficar comigo, eu prometo
As estrelas do céu não chorarão mais
Vão brilhar nos teus olhos limpos
As lágrimas serão diamantes
E seremos dois amantes
Prontos para a vida
Abertos ao mundo
Numa paixão incontida
 
SE VOCÊ FICAR

POETAS E POETISAS

 
POETAS E POETISAS
Paulo Gondim
09/06/2009

O amor sempre se fará presente
A cada raio de sol, a cada gota de orvalho
A cada amanhecer preguiçoso
A cada olhar esperançoso
A cada palpitar do coração
Quando olhares se cruzam
Num momento de emoção.

E o amor se fará mais bonito
Quando cada um desses momentos
Sai dos sonhos e invade os pensamentos
E se materializam em forma de poesias
Quando a vida se mostra em fantasias
Pelas mãos especiais do poeta
Que tecem de forma inquieta
Versos e rimas, sonhos e utopias

Bem-aventuradas as mãos que escrevem
E descrevem a vida em sua magia
Poetas e poetisas, menestréis da noite
Que cantam o amor e suas desventuras
Disfarçam a dor, essas pobres criaturas
Sonham, fogem, se transformam
Em desencantos, só e maltratados
Mas sempre haverá um poeta
Enquanto houver alguém enamorado
 
POETAS E POETISAS

SOBRA

 
SOBRA
Paulo Gondim
29/002/2016

Ainda hoje me cobram e muito
Por uma obrigação que já pago
Anos a fio só me doando,
Só ida, nada de volta
Numa via única, torta
Numa vida sem vida, morta

E continuam cobrando.
O débito não tem fim.
Tudo o que fiz foi pouco
Querem apenas tudo de mim

E continuarei doando
A água do poço não se esgota
Alimentá-la-ei, assim querem
Com a ganância de sempre posta

Descobri que todo o esforço foi em vão
E já no adiantado dos anos, o desgosto
O dissabor da vontade esquecida, ameaças
Rancor, caras feias, bocas arregaladas
Dentes afiados, palavras ferinas
Foi o que ficou do conjunto da obra
Restou-me apenas alguma sobra.
 
SOBRA

MAGIA

 
MAGIA
Paulo Gondim
06/11/2009

O infinito é meu desejo
Num voar alegre, sem medo
Um toque delicado, um gesto simples
No que sinto e no que vejo

Assim te vejo e te sinto no meu sonho
ComO lembrança que não se perde
No cantar suave da brisa
No sopro generoso do vento

E minh’álma sossega em calmaria
Num êxtase de pura magia
Num mergulho em doce devaneio
Que é pensar em ti

E o impossível se realiza
O infinito nem é tão vasto
Fica ali, bem pertinho,
E todas as distâncias se encurtam
Num leve pensar em teu carinho

Assim, meu coração voa
Desliza leve pelos campos
Como criança inocente
Que só vê beleza em sua frente
E me convida a sentir a paz desse momento
Na certeza de teu amor, para meu contentamento
 
MAGIA

O HOMEM E A SECA

 
O HOMEM E A SECA
Paulo Gondim
28/03/2010

Lavra-se a terra, mas nada se tira
Escava-se o chão, desperta-se a ira
Abre-se a cova, sob um sol em pira
Semente não nasce e o homem suspira

O filho chora com fome
O sol queima o resto da fé
A escassez tudo consome

A chuva se esconde, foge a esperança
Nenhuma espiga, nenhuma batata,
Só a terra seca se apresenta farta
A barriga ronca, as tripas afinam
O céu azulado, assim, não tem jeito
A chuva não vem, não se lavra o eito

Despensa vazia, fogão apagado
Um filho pequeno, num canto calado
De olhos tão fundos, corpo “esqueletado”
O ventre crescido, joelhos dobrados
E a fome maldita tem todos tomados

E o homem, antes, forte, já desesperado
Olha para terra, seu berço sagrado
Que não quer deixar, mas se vê forçado
Pergunta-se a si , não muda, é castigo
E pensa consigo, está tudo acabado...

É a praga da seca, prenúncio do mal
A ninguém perdoa, idoso ou criança
Não faz distinção de classe social
E sem ter saída, o homem em andança
Deixa sua terra, se põe a fugir
Não há mais espera, não sabe aonde ir,
Morreu a esperança, nada mais resta ali

A seca, sem dó, volta tudo ao pó
E no caminhar, vêm muitos atrás
Tudo ali ficou, os sonhos, os risos
Tudo esturricou, só se vê prejuízos
Até o chorar é um choro seco
No rastro da fome, muitos já se vão
Em cima da morte, em busca da sorte
Num resto de vida, à procura do pão

E só vão os homens, as mulheres ficam
Viúvas da seca, de maridos vivos
Só elas com os filhos, cada um mais franzino
É assim sua sina, é assim seu destino

E quem parte da terra, em busca de achar
Ao menos comida para a fome matar
Se atira no mundo, sem nada no bolso
Sem nada no bucho, sem nada na mão
A seca terrível, que assola o sertão
Expulsa o roceiro sem nada levar
Somente a esperança de um dia voltar.
 
O HOMEM E A SECA

VAZIO

 
VAZIO
Paulo Gondim
08/12/2014

Acho que me acostumei com você
A gente sempre se encontrava na mesma hora
Isso, quando você resolvia aparecer
Mas aparecia, mas logo também ia embora.

Um dia, dizia que me amava, e até jurava
Outro, me enchia de dúvidas e até me acusava
Como sempre, de nada que tivesse feito
Sempre foi assim esse seu jeito

Mas como tudo que se acostuma esfria
Você foi se tornando distante, fugidia
E, quando percebi, nem mais aparecia
Se escondia na noite, nem vinha com o dia

E foi aí que também me acostumei com sua fuga
Como a idade nos faz acostumar com cada ruga
Somos agora, do que fomos, meros fantasmas
No vazio frio que atormenta nossas almas.
 
VAZIO

PARALELAS

 
PARALELAS
Paulo Gondim
23/01/2009

Nossos rastros se dão em paralelas
Que se perdem na poeira dos caminhos
Desaparecem sem qualquer marca
Enquanto nós ficamos mais sozinhos

Nossos pés já se mostram calejados
De tantas paralelas percorridas
Que se estreitam e não têm fim
Se transformam em curvas perdidas

Na verdade, andamos em círculos
Nossos destinos não se encontram
Passam longe, um do outro
Fantasmas que entre si se espantam

E de círculo em círculo, nos perdemos
Em paralelas que não vão findar
Por mais que nós dois fujamos
Voltamos sempre ao mesmo lugar
 
PARALELAS

Bela Fantasia

 
Bela Fantasia
Paulo Gondim
23/01/2015

Fizeste de meu corpo tua morada
Adentrando aos confins de minha mente
Dilaceraste minhas entranhas
Chegou e se fez dona imediatamente.

E me deixei envolver por tuas caricias
Como pobre vassalo de teus desejos
Fui vitima mortal de tua lascívia
Envenenado pelo sabor de teus beijos

E assim nosso sonho se fez real
Ignorando dogmas e virtude
Mas durou pouco. Esvaiu-se
Pela tua falta de atitude

Restou só a mágoa. Ficou a perda
E esta realidade dura e fria
Um adeus desastrado e insosso
Foi o fim de nossa tão bela fantasia.
 
Bela Fantasia

INESQUECÍVEL

 
INESQUECÍVEL
Paulo Gondim
19/09/2009

Vislumbro, na lua clara, seu olhar
Como flecha certeira de um cupido
Na brisa fresca dos campos, teu perfume
Como néctar que embriaga meu sentido

E sinto tua presença amiga em cada canto
Que me faz lembrar tua doce imagem
Num raro momento de puro enlevo
Que só minh’alma entende essa linguagem

Tu te mostras em forma de um lindo sonho
E desperta em mim a metade invisível
Na melodia que para ti componho

Numa sinfonia única, pura, indivisível
Apurada em toda a técnica que disponho
E, como sonho, sabes que és inesquecível.
 
INESQUECÍVEL

Desumano

 
Desumano
Paulo Gondim
21/09/2015

Fiz de meus gritos lâminas frias
Que cortam o triste desalento
Dos injustiçados, dos esquecidos
E em cada grito, um pouco de terror
Para assustar o opressor

Em cada lágrima derramada
Um gesto de bravura
Em cada olhar, nova criatura
Em cada pulsar do coração
Um grito de revolução

Mas percebo a indolência fria
A contumácia dos erros
A vontade afastada, vazia
Falta coragem, sobra covardia

E meus gritos acabam no vazio
Se perdem no campo infértil
Da realidade dura e estéril
Nada muda, tudo se repete
Passam dias, meses, passa ano
E o homem cada vez mais desumano
 
Desumano

MIGRANTE (Cordel)

 
MIGRANTE
Paulo Gondim
17/02/2008

Lá onde eu nasci, não se sabe da sorte
Mas muito da morte, se sabe mais cedo
Mas logo se aprende, que a vida é uma só
Se o homem é de pó, não se pode ter medo

Assim, aprendi e com muita clareza
Só tive a certeza, que a vida era dura
Não tive saída, nem outra opção
Viver é ação, é tudo aventura

Andei por veredas, por muitos caminhos
Em meus desalinhos, meus sonhos perdi
Ganhei muitos calos nos pés e nas mãos
Segui a lição, no mundo eu vivi

E como exilado, no próprio país
Distante me fiz de tudo escondido
Fechado, isolado, fiquei tão sozinho
E nesse caminho, me vi mais perdido

Mas em todo canto por onde eu andei
Eu sempre lembrei de meu bom lugar
E sei que a saudade um dia me alcança
Não perco a esperança de um dia voltar
 
MIGRANTE (Cordel)

Esquecimento

 
Esquecimento
Paulo Gondim
25/07/2014

Quem me viu não verá jamais
Escondi-me na minha solidão
Pouco ficou do que eu fui
Um vulto apenas na escuridão

A brisa mansa, prenúncio do dia
Nem soprou, perdeu-se na madrugada
Fugiu com o sono, que também não veio
Abandonou-me na noite passada

Certamente, abandonar-me-á na próxima
E assim serão meus próximos dias
Longos, lentos, enfadonhos
Como as noites, também, longas e frias

O desprezo agora é verdadeiro
Não é mais só um pressentimento
O abandono que tua falta me impôs
Relegou-me a mero esquecimento
 
Esquecimento

NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

 
NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA
Paulo Gondim
18/11/2007

No velho mundo, surgiu
Toda cheia de beleza
Cruzou mares, se expandiu

Trouxe toda realeza
O novo mundo encantou
Nossa língua portuguesa

Chegou, por aqui, ficou
Um orgulho da nação
A todos unificou

Do litoral ao sertão
De sul ao norte e sudeste
É a língua da nação

Na caatinga e no agreste
Do Oiapoque ao Chuí
Fala-se a língua de mestre

Ela deixou por aqui
A palavra coração
E outras que já ouvi

Uma cheia de emoção
Que chamamos de saudade
Que nos trás desilusão

E nos quebra a vaidade
Se sofremos de paixão
Pedimos por caridade

Pedimos por compaixão
Só um pouquinho de afeto
Só um pouco de atenção

Essa língua é mesmo um teto
Que acolhe a todos nós
E todos nos faz mais perto

Língua de nossos avós
Da terra mãe lusitana
Do Além-Tejo até a foz

Que duas pátrias irmana
Num só falar tão singelo
Que a todos nós engalana

Em homenagem ao poeta português, Manuel Neves (mfn), que se refere ao Brasil como terra irmã.
 
NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

POUCO QUE SE FEZ

 
POUCO QUE SE FEZ
Paulo Gondim
11/11/2009

Eu já deveria ter aprendido
Mas, infelizmente, continuo burro
As investidas são sempre as mesmas
Talvez mais burras do que eu...
São repetitivas, previsíveis, iguais
Ainda caio nelas, nem sei por que...

É assim a alma humana.
Incapaz de ver o mal
Afoga-se em mágoa rasa
Perde-se na primeira trilha
Esconde-se na própria casa

Mas o sofrer não é eterno
Um dia há de se dá conta
E por mais que se estenda
Tudo tem um fim

E de tudo o que se vive, resta a esperança
Como prêmio ou castigo do que não se fez
Quando tudo foge, quando tudo é dúvida, talvez
A lição fica mais longe. Pouco se aprendeu
Quando tudo é nada, tudo se perdeu.
 
POUCO QUE SE FEZ

Paulo Gondim