Poemas, frases e mensagens de ArysGaiovani

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ArysGaiovani

Valas comuns do esquecimento

 
Maldita forja dos grilhões que acautelam as almas,
mantida pelas chamas do ar vertido dos precipícios,
trapos de derradeiras nuvens pendentes qual talmas
do orbe esmaecido este já enfraquecido pelos vícios.

Apenas persiste a névoa cerrada entre as resedás
sobre as sepulturas cinzentas de pedra por arrimo;
ali vagas pesadas do mármore fundido por Satanás
derretem rochas antes cobertas pelo verde limo.

Não haverá sequer as estrelas que no céu os marcos,
desta jornada sinistra pelo triste caminho funesto,
abertas as bordas grisadas dos mausoléus arcaicos.

Depois de cerrado o féretro sob a laje ao relento,
sem almejar haver qual a um Lázaro o mesmo gesto,
serão as sepulturas valas comuns do esquecimento.

No funesto ensejo gostaria de deixar o link para o meu primeiro livro de poemas sombrios e para o fanzine "Soturnos" do qual sou colaborador.

http://www.bookess.com/read/25084-50-poemas-em-tons-cinza/

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Sombrias saudações a todos
 
Valas comuns do esquecimento

Astros cadentes

 
É o estertor das pobres almas torturadas,
a visão das míseras criaturas atormentadas,
frágeis sombras mortais que despojadas,
só gemem, só choram mesmo abrigadas,
sob um pálio grandioso, dossel prodigioso,
de estrelas fulgentes num céu misterioso.

Mas estão longe desse brilho chamejante,
que vislumbram com o olhar suplicante,
estão além do cobiçado esplendor eterno,
mas perto de todos umbrais do inferno,
para onde caminham como almas sem siso
condenadas que foram após o lícito juízo.

E o sangue das suas proles escorre,
a rubra seiva preciosa, que corre,
brotando célere, até ao reverso,
jorrando de berço vil e perverso,
fulgurante na luz das candeias,
deixando as cânulas ceifadas, as veias,
abertas por lâminas nefandas e cruéis,
manejadas por funestos e carnífices algozes,
que riem ao som de malditos menestréis,
e dançam em ritos, despindo podres albornozes.

São ceifadores de almas, entes que crescem,
sempre trazendo com eles tormentos atrozes,
são bestas satânicas ignóbeis e ferozes,
reduzem os corpos a carcaças que só padecem,
a monturo das pobres carnes humanas perecíveis,
mas que toleram tantas torturas mais que possíveis.

A alma pecadora geme, geme e chora,
alheia a tudo mais que ocorre lá fora,
num arrepiante sofrer, pavor horrível,
num intenso tormento, sádico e visível,
padece mesmo sob esse imenso dossel,
teto de estrelas fúlgidas, solene pálio,
essas luzes tão chamejantes no céu,
mas que agora apenas olham de soslaio.

Nessa dor, nesse transe agoniado,
pesar que se abate no ser desgraçado,
pavor consternado nas almas dos crentes,
que suportam a aflição dos martírios ingentes,
todas as estrelas agora são elas inocentes,
são espectadoras do pavoroso tormento,
são apenas meros astros cadentes,
agora sem luz própria, sem um lamento,
que brilham acalentando dolentes,
todo ferozes sofrimentos prementes.

by ArysG@ioV@ni
 
Astros cadentes

Um desejo de voltar ao paraiso

 
Após soarem as badaladas da meia-noite,
solitário, ferido, e amedrontado,
sorriu para as trevas que via pela janela,
e a noite pareceu tão estranha.
Amaldiçoou o vento que uivava nos pinheiros,
as agulhas agitando-se em profusão,
um som assustador na escuridão,
ameaçando romper o vidro que o protegia.
Procurou em vão ver o facho de estrelas
mas elas não brilhavam na escuridão.
Entre as trevas um chamado soou,
ele desejou ir com seus iguais.

E com eles voou
passeando por mundos visionários,
mesmo sonolento
no espaço físico simbólico.
Suas forças
começaram a desaparecer
com o aproximar da aurora,
nadando na esperança
de encontrar um caminho no escuro
e retornar para seu abrigo seguro.

Mas eles estavam em volta,
nas trevas abrigados
envoltos nas fumaça
do enxofre nauseante,
não havia como orientar a sua direção.
Mas, ainda podia ouvir seu coração
a bater em ritmo fugaz.

Não havia música,
não havia luz,
o cérebro não percebia
a realidade em cores,
preso á sua própria vontade,
perdido por suas palavras
viu no amanhã
tudo que não vira ontem
- ontem seu espírito havia acordado
e com ele voado.

Agora, queria acordar, ver a luz,
não queria vaguear nas trevas,
uma vez e outra mais,
fazendo par aos seus iguais.
Tinha um só desejo conciso
Dizer adeus à eternidade,
a tudo que não era ontem,
queria voltar para o paraíso.

by Arys G@iovani
 
Um desejo de voltar ao paraiso

Doce olor da seiva subitânea

 
Não podem imaginar, nunca se lhes estará na retina,
qual pavor instalado após os crepúsculos nos mortais;
temendo transporem as vielas que o luar mal ilumina
numa ânsia de apressar o retorno junto aos castiçais.

O olor do sangue aguça as narinas, doce e subitâneo,
imediato a outros da grei, iniciamos a peregrinação,
cediço esse existir incomum num lapso momentâneo,
criatura de sombras, em sombras variegados estão.

Na sofreguidão pela seiva que manterá a linhagem,
súbito dos olhos partem qual invisíveis mensagens,
flashes letíficos a paralisarem qualquer movimento.

O alento havido nos becos e vielas após o arrebol,
manterá um dia a vida após a morte de todo o rol,
até que nas brumas vindouras busquem o sustento.
 
Doce olor da seiva subitânea

E o mundo estará aos teus pés

 
Deixes que te guies a negra estrela nômade de Satã
quando a tempestade de ódio se abater feroz,
como se a espada de Lúcifer varresse o pó.

Ao por do sol vejas as velas vermelhas do desespero,
trêmulas confundirem-se com a linha do horizonte:
a Paz jamais vira do leste com a madrugada.

As coortes satânicas vigiam com olhos exacerbados,
não deixarão o aljôfar nas pétalas das rosas,
nem frisos ondulados das ondas na areia.

Mas se tua alma é negra, traz o ardor dos armígeros,
sejas o abutre voraz que assoma acima das nuvens,
com olhos brilhantes atentos mirando a presa.

Deixe que dos olhos protestados voem setas aguçadas,
Lúcifer e as coortes te esperam na borda da terra,
oferece tua alma e o mundo estará aos teus pés.
 
E o mundo estará aos teus pés

Suspiram os perenais antes de saírem das sepulturas

 
Quando claudicando por charnecas e pântanos excurso
trago nítidas na retina imagens apostas às da água viva,
em rio límpido cujas torrentes d’agua não vejo o curso;
no pântano em mim, vejo a atonia d’água contemplativa.

Expostas emoções estagnadas, as investidas lamacentas
são símbolos da retenção neurótica do todo impulso vital;
sinto dos espectros estremeções, turbações fraudulentas,
habitam elas porões de minha alma acoimada desse mal.

Súbitos conteúdos tão recalcados, são noções maltrapilhas,
recordações erodentes trazem remorsos, graves armadilhas,
que a consciência refuta desejando desvincular das agruras.

Porque na verdade não consigo raciocinar como os perenais,
condicionados a ver raios de estrelas pairando sobre mortais,
final suspiro nos escombros antes de saírem das sepulturas.
 
Suspiram os perenais antes de saírem das sepulturas

Grilhões da negra opressão

 
Afoito, eu prendo seu anjo da guarda,
que se quede ele no portão do inferno,
essa maldita cancela interna do cão coxo
o demônio perverso que a tudo observa.

De bom grado é que amarro a sua alma
com a mesma corrente amaldiçoada,
que amarra as almas do purgatório,
cadentes no limbo a espera de remissão,
ignóbeis grilhões da negra opressão,
vis correntes de servidão espiritual,
os anéis de sofrimento encadeados,
feitos na corrente dos treze elos,
onde cada elo funesto e excomungado
forma um sinistro laço de servidão,
grossas correntes que aprisionam,
a ferir a pele, dilacerar nervos e carne.

Nego a minha presença, nego minha visão,
e longe de mim há de chorar na solidão,
e gemer nos dias e nas noite intermináveis,
lamentar, lastimar-se tão profusamente
em rios de lágrimas fartas e copiosas,
vertidas elas ao longo das horas passadas
quedando-se em atrozes lamentos doloridos,
mais cruciantes que são no soar da meia noite.

Nego minha afeição, todo meu bem querer,
para que somente ouça lúgubres gemidos,
todas dolente lamentações tão pranteadas
bem mais do fundo do seu ouvido esquerdo.
Ecoando elas de sete em sete horas,
retumbando por sete minutos inteiros
e tanto tormentosos outros momentos,
e terá saudades de mim doendo no peito .

Seja feita essa vontade pedida das trevas,
feita e refeita e anunciada pelos videntes,
espectros sem nome de oráculos sonantes,
da avantesma do homem de olhos penetrantes,
não terá paz na vida enquanto se afastar .
 
Grilhões da negra opressão

Ladrões de ossos malditos

 
Eles vieram a mim como ladrões, como hienas,
na escuridão tranquila das lápides serenas,
como abutres, malditas e sombrias figuras ,
profanadores vis, violadores de sepulturas.

meus olhos se abriram com entusiasmo cruel,
de não permitir sem reagir mais aquele labéu
tenho os olhos calmos, estas mãos, estes dedos
a ser atormentado defende íntimos segredos.

ladrões de ossos dos jazigos, foi-se a esperança
aqui cessarão todas palavras, atos e pensamentos.
para todos ímpios covardes agora é hora de vingança.
nem em sonhos hão de fugir dos vindouros tormentos.

ouçam essa música, andarilhos, melodia funesta a soar
no ouvidos dizendo que o pecado não é desconhecido,
num cego e suave meneio da mão da morte envolvido,
como mendigos na escuridão a todos vou estrangular.
 
Ladrões de ossos malditos

Acendre mortal, a alma antes da morte fatal

 
Malditos os que vivem na luz, sob o sol sem pernoite,
não se refugiando nas entranhas dos rochedos frios
mas quando caem instaladas as sombras de uma noite
em pânico tremem a vista dos seres de olhos vazios

Ingênuos tecem fantasias sobre o poder de estacas
já preparadas para quando d‘uma eclipse total do sol,
manterem pescoços seguros sob as golas das casacas,
fora do alcance dos caninos brancos após o arrebol.

Pois tremam os mortais ante os viventes das brumas,
os que andam na noite parecem flutuar como plumas,
não poderão ouvir os passos nas tábuas do alpendre.

A qualquer mortal que possa ter esperanças algumas
perca-as deixando que se esvaiam como as espumas;
não pode salvar o corpo, ledo então a alma acendre.
 
Acendre mortal, a alma antes da morte fatal

Balada da consolação na boca do inferno

 
Bem aventurados os que a existência têm destinado,
ao largo das nímias seitas eivadas do enodado senhor,
malditas da subsistência do poder paralelo infectado,
nos discursos presentes na boca, de Lúcifer o penhor.
Corações repugnantes dos pobres vergados à magia,
vencidas as forças alvas de um Bem tão encalistrado,
o raio criativo das chamas celestes de sorte se inibia,
no adro de pedra ao sangue dos sacrifícios banhado.

E legarão a herança maldita ao herdeiro obediente,
nas bocas centelhas de se oporem jamais medrarão;
pois muitos boçais almejam receber tal vil presente,
à alma incorporando da leniência o estigma pagão.
Creia piamente que será inútil tecer tal arrazoado,
deserto das centelhas de uma paixão mais nobre,
cumprirão acordes ao final o destino amaldiçoado
de habitar as lapas, pendor que a terra não cobre,

Ah! os tolos chorarão no arrependimento tardio,
vendo-se incapazes de se arredarem das cercanias,
caindo para os recessos em chamas em desvario,
dar-se-ão então conta da veracidade das profecias,
lamentando-se terem cedido a profanos impulsos
mesmo que lhes adornem a boca do óbolo usual,
sem entranhas terão os coração sacados avulsos,
depois de advinda ao fim mais cinza a morte fatal.

Serão as vitimas do regalo de Satã, o rei homiziado,
apagando da mente qualquer ventura do passado;
caso uma faísca em alguém a lembrança desperte,
será no fogo da boca do inferno despertar solerte

Lançado meu livro sombrio pela Bookness. Disponível no link
http://www.bookess.com/read/25084-50-poemas-em-tons-cinza/
 
Balada da consolação na boca do inferno

Outro anjo de olhos enfumaçados

 
Quando outro dos anjos de olhos enfumaçados
morbidamente vier ali entre demais entes alados
- não escondem as negras plúmulas e tetrizes,
brande a espada flamejando as ganas motrizes,
apenas deixe leda cabeça apoiada na espádua,
reconheça-se extenuada dessa lida tão árdua.
Silenciosamente deixe que se mitigue a chama,
que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

Se dos lampadários de ouro arde o óleo maldito,
largue as lidas terrenas sorrindo ao ora inaudito;
a alma perpetrada no carregar sórdidos grilhões
não se valerá ela solta à custa de místicas poções;
carrega signos excomungados das ganas funestas
arrastará padecentes as cadeias de fogo infestas.
Não se permita a memória que do Bem reclama,
que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

Dispa-se ora a condenada espectro dos prazeres,
jamais experimentará em contos outros afazeres,
vez outra não cultivará ardores do amor exigente
nem dos olhos das agruras se livrará impudente;
todo ouro das poesias se apagará como as flores,
espezinhadas nos lúgubres canteiros de horrores.
Esqueça resquícios de beleza que célere proclama
e que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

Desvaneça de vez reminiscências de sonho alegre,
imersa no tédio não haverá o que a Alma celebre.
E silenciosamente deixe que obscureça a chama,
que não transcenda a Morte aquela que ora clama

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No funesto ensejo gostaria de deixar o link para o meu primeiro livro de poemas sombrios e para o fanzine "Soturnos" do qual sou colaborador.

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Sombrias saudações a todos
 
Outro anjo de olhos enfumaçados

A Donzela da Lua

 
Lúcifer e seus seis negros cavalos poderosos eu vi,
usava no dedo anular um anel de ouro com um rubi,
voava num abismo sem fundo de cavernas secretas,
ali onde seiscentos mil demônios soam trombetas.

Ele vestia um manto de rubis engastados em ouro,
os seis ginetes negros ajaezados em prata e couro,
senti as pisadas poderosas da satânica parelha,
a nenhuma outra coisa neste mundo se assemelha.

Vi uma donzela, como um sonho, na luz toda acolhida,
voz era suave, veste deslumbrante de ouro cosida.
Minha admiração causou-lhe como reação um chiste.
rosto belo, mesmo sarcástica, o semblante era triste.

Lúcifer deu-me seu anel no portão da escuridão sombria,
minha excitação latente queimou um céu azul prodigioso,
estava nas alturas da consciência direcionado que ia,
eu mostrei o anel à Donzela da Lua, quiçá esperançoso.

Abanou a cabeça num tom incorreto de trança esparsa,
e a rir de mim, desprezando-me, agitada e tão conjunta,
uma voz calma podia ser ouvida, soava porém como farsa,
um olhar estranho se fundiu sem resposta a minha pergunta.

Ao trotar dos cavalos, batidas de cascos, ali tão sedutora,
traço sobre uma terra vasta área, risco bandas num mapa,
acredito que um astro iluminou para mim, forma duradoura,
radiante, rubi no anel de ouro nem viu, acaçapou-se na capa.

Muitas noites estelares, montes de dias ardentes passavam,
perambulei, vagando sem saber o final, porem tão resoluto,
rindo das rajadas medrosas de cavalos outros, ocas soavam,
enviei para as alturas a consciência, fundo no vício absoluto.
 
A Donzela da Lua

Terror dos povos que habitam as bordas da terra

 
Ah! Embrenho-me nas sombras,
quedo-me ali quase invisível no espaço frio,
distantes dos mortais olhares curiosos
que se perdem na superfície do vazio.
Habito o fluxo de sombras desenhadas,
espasmos de luz, um plano reverso,
na imensidão, fundo de todos os abismos,
as aras de todos os altares do universo.

Trago a mente imersa numa nova visão
arrancada das profundezas da memória ,
vagando nas noites em busca feroz
de quem se atreveu a gritar meu nome,
fazendo congelar nos lábios grito silencioso,
cicios de raiva e desespero prementes,
desaparecendo em fuga da luz,
ao se anunciar o sol nas encruzilhadas.

Quedo-me em algum lugar na solidão,
entregando-me ao passatempo favorito,
na mente permanece num fosso escuro,
a matança, o horror por mim perpetrado,
causado pela ameaça do chamado fatal,
vista mortal, o cheiro do sangue humano.

Na memória flutuam imagens vagas
de quem ouviu sussurrar o hino da morte,
viu nas urbes vazias as sombras dos mortos,
em vez de viventes que respondem ao chamado
grassando voraz o espírito do medo extremo,
o terror dos povos que habitam as bordas da terra.
 
Terror dos povos que habitam as bordas da terra

Pobres humanos perdidos nos crepúsculos

 
Qual mortal que temeroso já não se viu estremunhado,
contemplando o céu da meia noite desde os agrestes;
onde vento vence a teimosia das folhas dos ciprestes,
no torvo apagarem-se estrelas ao sopro do ente alado?

Viram incréus as chamas funestas derretendo o luar,
os mistérios da noite desenterrando sombras do mal.
Tremeram ante o Maligno eterno com o poder a vagar,
acoitando-se em refúgios ante aquela ameaça bestial.

Sequer ficção insana antes soara em tom inconteste,
viu tal tapete tão negro nas encostas dos pináculos,
subjugados pela escuridão da noite que a tudo veste.

Assoma a maldição em progressivas ondas prementes,
enquanto inda trêmulos acastelam-se nos tabernáculos,
pobres humanos perdidos nos crepúsculos procedentes.

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Pobres humanos perdidos nos crepúsculos

Sombras não choram

 
Sete dias se passam num átimo, numa agonia
e sete noites não dormidas na vida vazia
não comovem as sombras deste vil purgatório
onde expio dias consternados de sonho ilusório.

Elas não choram pela minha insônia, meus espinhos,
nem se compadecem da minha sede de carinhos,
não se comovem quando combalido pela aflição,
errante em estrada imaginária, ando em expiação.

Visito medonhos e lúgubres grotões, sem clemência
padecendo na amargura e na angústia dessa ausência.
Meus gritos que soam soturnos, como suplício, tortura,
são agora apenas balidos débeis - são a mágoa mais pura.

Apenas plangentes e sentimentais, lamentos prementes,
soam gritos enfraquecidos, brados de pena, impotentes,
tão fracos rugidos, ais que aos poucos se calam no luto,
lastimando a percepção deste isolamento agora absoluto.

[bArysG@iovani
 
Sombras não choram

O páreo inclemente dos cingéis amaldiçoados

 
Sob o clarão da lua banhando as solitárias estradas,
estremece o chão sob o bater das patas tão afiadas,
desde longe o estrépito das assombrosas carreatas,
adejam as crinas sedosas em dardejantes cascatas.
Tão desabalado páreo não conhece sequer obstáculo,
são elas as parelhas satânicas dantesco espetáculo.

O ponteiro é um alazão vistoso ajaezado com primor,
no peito não há coração apesar da galhardia exterior.
Diante da inflamada tropilha maldita assume o galope,
sustenta ele a estrela de Lúcifer que carrega no tope;
tomadas aos alvos dentes as rédeas então são ociosas,
toda a fúria repercute ao longo das bocas espumosas.

Ao lado corre uma égua baia, das ventas o fogo brota,
com a dignidade de mil imperadores no porte trota,
uma legião de desalentados carrega por onde passar,
a falta da coragem semeia, leva ao desanimo sem par;
torpe veneno do maligno injeta nas almas aziaga poção,
tal porte esplêndido engoda, o nome dela é Decepção.

Força insana, vontade obstinada na aferrada corrida,
lendário tropel desconhece fronteira no vento à brida;
não há mais sonhos a não ser cair no abismo sem fundo,
espalhando os desígnios de Satã por todo este mundo,
prosseguem os diabólicos cingéis no fatídico trabalho,
onde pisam não cresce a relva, nem por ali há orvalho.

O segundo cavalo é o tordilho favorito de Satã, o Rei,
sutil leva os dominados pelos desatinos diante da grei,
néscios que deixam que invada o pensamento negativo,
crendo tolos que de nada valerão luta e esforço reativo;
devora os que têm na vida contradição e malquerença,
retesos músculos nervosos e o nome dele é Descrença.

Cortando velozes o espaço escuro pela estrada de chão,
ouve-se o tropel das parelhas de Lúcifer na imensidão;
vêm num galope vertiginoso, crinas derrubadas ao vento,
ensurdecedor o bater de cascos no chão rouba o alento.
A égua zaina de focinho úmido, a cauda como cometa,
assola os que não entendem desígnios da trupe seleta.

Galopa tanta maldade que homem algum pode domar,
marca firme deixando no caminho qualquer que tomar;
ela traz o legado vil das maldições nas horas incertas,
agressiva cabeça e patas mantendo as trilhas abertas,
furtando eternamente das almas o almejado galardão,
mais resplandecente que ouro, o nome dela é Rebelião.

Rompendo tais empecilhos que possam impedir o avanço,
cem mil chicotes de luzes negras acompanham o balanço,
tudo se cala e se afasta diante desse fragoroso galopar.
O cortejo leva as almas perdidas que não podem voltar,
vendo, pensarão que estão em fuga, mas ledo é o engano,
a nenhum da parelha pode dominar o frágil ser humano.

Ruidoso, rompendo o espaço avança firme o ponteiro,
assolando todas as presas fáceis do ardil traiçoeiro;
perfila todos os que andam desorientado por aflições,
deixando de lado totalmente esperanças de remissões.
Leva a confiança que algo será resolvido com esmero,
é talismã pravo de Lúcifer e o nome dele é Desespero.

Todas as noites as parelhas combatem as hostes da luz,
reflexos da lustrosa pelagem contra o horizonte reluz.
os cavalos malditos, crias que Satã com carinho conduz.
 
O páreo inclemente dos cingéis amaldiçoados

Uma receita fácil de sobremesa de geleia de framboesas

 
Geleia de framboesa
Uma gostosa sobremesa
e os ingredientes são
2 colheres de suco de limão
750 g de açúcar refinado
750 g de framboesas, tudo bem lavado,
os cabinhos você separa.
Vou mostrar como se prepara:

Comece esta sobremesa,
colocando as framboesas
em panela antiaderente.
Amasse-as levemente
adicione ai então
açúcar e suco de limão,
misture e leve ao fogo brando,
mexendo de vez em quando,
pra ficarem bem macias,
e quase desmanchando.

Deixe o fogo bem baixinho
se secar vá colocando
de água mais um tantinho.
Não deixe a polpa ferver
e cozinhe até obter
a textura desejada
porque ao esfriar
a geleia irá ficar dura.
Passe tudo numa peneira
coloque essa mistura
em vidros bem lavados
previamente esterilizados
e guarde na geladeira.

Depois que esfria
ela fica mais durinha
bem gostosa, vermelhinha.
 
Uma receita fácil de sobremesa de geleia de framboesas

Para trazer um amor distante

 
Sem sossego ficará, quando acordar,
sair para o estudo, para passear,
seu corpo há de tremer quando ficar de pé,
quando andar, mesmo quando ficar sentada, parada.
Seu corpo há de tremer
em arrepios quanto andar, quando parar,
mesmo quando falar e calar.
Vai se sentir triste e em desespero ...
Essa maldição vai durar
enquanto não voltar
e comigo ficar.
Me elegendo como único
a desfrutar do seu corpo
a dominar sua vida.
 
Para trazer um amor distante

O anel de rubis que Satã ofertou

 
Rogo que tenham apenas palavras amenas,
quaisquer orações seriam demais infrutíferas;
ora que se confirmou ante a tumba o voto
do satânico pacto outrora firmado.
Das palavras do juramento de sangue,
diabólico acordo resistente aos séculos
nem mesmo minhas cinzas se furtarão.

E pode ser que venha mais de uma vez,
ao redor da campa com tímidas palavras.
Poderá sussurrar aos ventos as juras,
emanações nulas de emoções dolorosas,
ora que pressinto estabelecida e arraigada
desde as aldravas da tumba empoeirada,
sepultada a luz que livre anunciada
através dos séculos tão livre grassava.
Novamente volve à poeira do túmulo,
maldito legado daquele anel de rubis,
extinguindo de vez a chama eternal.

Que se anunciasse um amor secular
acima das angustias, de um voto sagrado,
tão amarga seria a hora da despedida,
quando soluçante deixaria de vez a vida,
sem nenhuma compaixão que prometida,
mantivesse as luzes à salvo das trevas.

Oh! Minha alma torturada, presa fiel,
da sede torta sofre à míngua de razão,
qual glórias falsas em sonhos sedutor,
mergulhando no vazio do espírito
fechando-se em paredes de duvidas e frio.

Não haverá esperança de reviver no coração,
desprezadas as dores de vil cativeiro,
mantendo-se incólume ao largo,
aguardando benfazejas asas do anjo do amor
extasiada na maravilha de poder dominar.

Paixões sem esperanças restam no peito rebelde,
conduzindo à loucura em curta distancia,
pois se chagada a hora da morte sei que irei,
com as faces lívidas e mãos frias estarei.

Ignoro se poderei dizer ao menos adeus
ora prostrado inerme em negro caixão
questionando amargo ter sido inócuo o senão
do anel de rubis maldito que Satã ofertou.
 
O anel de rubis que Satã ofertou

Fujo de ti

 
fujo de ti
és flor, mas venenosa.
beleza deletéria
desejo tortuoso
alma feia
malévola
fazes mal
machucas minha alma
outras não tão belas
no exterior
tinham
auras belas
luminosas
és venéfica,
cruzas meu caminho
e povoa de espinhos
exalas veneno
viperina serpente
transpiras vilania e maldade
fujo de ti
de tua insalubre companhia
fiques só
 
Fujo de ti