Poemas, frases e mensagens de Eventos Luso-Poemas

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Eventos Luso-Poemas

Evento I - 2013

 
Aos participantes:

Já foram enviadas as listagens para votação, mas, por lapso, o nome de cada participante endereçado por mensagem privada, consta dessa lista, e o ideal seria que não constasse, já que, como é lógico, ninguém deve votar em si próprio...
Mas, para evitar todo o trabalho de reenvio, pede-se encarecidamente a cada um dos concorrentes, que não considerem o seu nome/trabalho para efeitos de atribuição de valores.

Obrigado e felicito-os a todos, pela participação neste evento!

E L-P

Tenho um poema por escrever, que diz assim:
Haja o que houver
O que eu disser
Que seja escrito
E o que eu pensar,
Que seja dito.
(Mas ainda não o escrevi, nem sei o título…)

Lusuários:

Voltamos, com um desafio que esperamos mereça o vosso interesse, criatividade e espírito de saudável e profícua competição.

O desafio que colocamos a quem quiser participar, é o de escrever, sob qualquer forma – em prosa ou poesia, conto ou cantiga, crónica ou elegia, minim ou não, clássica ou experimental – um trabalho desenvolvendo o “poemeto” acima.

Deverão deixar o trabalho nesta página, em comentário, já que a forma de apuramento do vencedor será, ainda desta vez, por votação de todos os participantes, mediada pelo administrador deste perfil.

No critério de seleção, a seu tempo, pede-se que seja considerada, isentamente, a qualidade da escrita, a originalidade/ criatividade, o título e a melhor abordagem ao “mote” (que não se exige seja glosado de forma tradicional, como já se disse, mas com a liberdade que cada um quiser).

A participação está aberta até 4 de Fevereiro de 2013. Será depois enviada a todos os concorrentes, via pm, uma lista dos trabalhos (excetuando o próprio), a que cada um dará a nota que achar justa.

Há prémios (simbólicos) para os melhor pontuados!

Quem ama pratica. Mãos à obra, amadores!

EL-P
 
Evento  I - 2013

HISTÓRIAS DE AMOR... quem as não tem!?

 
1. AMOR Á PRIMEIRA VISTA

Que linda!... Eu disse ao vê-la passar com sua cachorrinha.
Ela me olhou e sorriu, achando que eu falava do animal, e percebeu que era dela própria.
Ruborizou, olhou-me fundo, e eu a amei, naquela hora.
A recíproca foi verdadeira.
Alguns minutos bastaram para selar aquele amor..
Um amor tão grande, que quase nos esquecemos da pobre cachorrinha.

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2. UM PRESENTE DE ANIVERSÁRIO INESQUECÍVEL

Minha amada era tudo para mim
O meu dia de sol, a minha alegria, a minha vida
Estávamos sempre juntos e decidimos ter um filho
Durante a gravidez, amava cuidar dela e ela de meus mimos
No dia do parto, sorridente ela disse que a menina era meu presente
Minha filha nasceu no dia do meu aniversário
Neste mesmo dia, minha amada partiu segurando a minha mão

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3. TIC-TAC!!

Os ponteiros do meu relógio evaporaram,
cederam perante a força do meu olhar,
que acompanha, incansável, cada segundo,
cada instante até ao nosso reencontro.

Nessa espera, contento-me em recordar
os beijos apaixonados, os passeios de mão dada,
e as nossas noites de amor, mal dormidas.

Aproveito-te em todos os momentos,
mesmo que apenas em pensamento.
Anseio ver-te, sentir-te, envolver-te no meu abraço,
e suspiro por ti… Ah, quando te reencontrar!

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4. AMOR

Tinha dezoito anos, estava na Faculdade, tão feliz! Conheci o amor, um colega ternurento e bom. Perdi-o num desastre de moto, foi duro. Não quis mais namorar. Um dia entrei amargurada numa capela. Sentei-me olhando simplesmente. No altar, Santo António sorria, com um olhar maroto...Eu fascinada, feliz, saí precipitada. Não sei porquê, tropecei. Uma mão amparou-me, para sempre. Meu marido. Era dia treze de Junho...

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5. NOITE DE SOL

Jamais esquecerei aquela noite!
Ela estava radiante, como se o sol do meio-dia tivesse emprestado a ela seu brilho e gravidade, pois tudo ali girava ao seu redor e ela passava arrastando os olhos de todos. Os meus, arregalados, não piscavam, não queriam perder nem mesmo um segundo daquela luz que vinha em minha direção, passo a passo. E me estendeu a mão...
Mal podia esperar para beijar a noiva!

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6. FLOR DE NÃO CORTAR

Era Junho e pedi-te uma flor: colheste para mim a mais bonita, do jardim onde passeávamos de mão dada. Trouxe-a junto ao peito, para casa, e coloquei-a em água fresca, sobre a mesa de cabeceira. Já agonizante (talvez do calor do meu peito, talvez dos beijos que lhe dei...) , não resistiu, e morreu em pouco tempo...

Para a próxima, amor, quero terra, sementes, água, adubo e muito carinho, sim?

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JOSÉSILVEIRADOBRASIL - 4º lugar

7. SONGEUSE

...suas pequenas e trêmulas mãos permaneciam em vigília entre as da amada; serenas e lúridas sob a brancura das rosas que as ornavam e perfumavam-nas. Do menino apenas um olhar quedo, retrospectivo; ‘no primeiro dia que seus olhares cruzaram na escola’. Creu no amor daquela menina meiga e frágil, inspiradora, qual saída duma tela de Renoir. Olhar azul de tantos sonhos adolescente. Agora ali, inerte regada por suas lágrimas...

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NELIAXP - 1º Lugar - Luso de ouro!

8 - TUA IMAGEM


Chegaste num dia sem data
Marcado pela urgência de me encontrares
Tua persistência, tua voz meiga e olhar poético
Tomaram conta de mim...

Emergimos em promessas num silêncio profundo
Soltando beijos em carícias de cetim
Onde os corpos bailando se entregavam...

No teu sorriso embrulhei o meu sonho
Sorvi o néctar inebriante de cada amanhecer
E colei a tua imagem serena e calma
Nos contornos da minha sombra...

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9. TEMPO

Um dia, mais um entre tantos.
O príncipe, aquele que salva a princesa,
passava, eu não via.
Quando eu queria, sumia.
Seria sonho , acreditei o amor não existia.

Uma noite, mais uma entre tantas.
Alguém, um olhar encantado,
aquele que salva a princesa, surgia.
Acreditei o amor existia.

E o tempo,
o príncipe salvou a princesa.
E hoje vivo este amor,
dia a dia, um após outro dia.

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10. DÉJÀ VU

Ele, gerente do bordel. Ela, educada em colégio de freiras. Pela manhã, para o dia de aulas, passava defronte a casa. Encerrando mais uma noite, ele saía. Olharam-se. Trocaram sorrisos. Apaixonaram-se. Tomada de coragem, deixou um bilhetinho. Letra de professora: “Gostaria de conhecer ai dentro”. Um dia, convidou-a a entrar. No salão principal do rendez vous, ela leu numa placa de neon azul: “dèja vú”. Nunca mais saiu de lá.

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11. VIRTUAL SENTIMENTO

Dentro de um dia de março, sorrateiro chegaste.
E intrépidos afagamos todo o envolvimento
na imensidade de nossas emoções.
Perdidos nas horas desse encantamento.

Chegaste tão perfeito, absoluto,
a preencher vácuos, urgências, carências
me fantasiando de felicidade, tão astuto.
A fustigar-me em faíscas as sensações.

Meu universo paralelo, amor verdadeiro
intenso, eterno enquanto idealizável inteiro.

[...]

Descaminhos roubaram-nos os passos, a cumplicidade
que nos levariam muito além dessa particular subjetividade.

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LILIANA JARDIM - 2º Lugar - Luso de Ouro!

12 . NUM ABRAÇO INFINDO

Olhei-te do outro lado da rua, os nossos olhos entrelaçaram-se num esvoaçar interrogativo. Sem saber de mim, caminhei ao teu encontro e muitas interrogações desenharam-se no meu corpo palpitante e os nossos corpos diluíram-se num abraço impaciente. Quanta palavra por dizer… mas o silêncio acariciou-nos com gestos enlouquecidos, que se entranharam nos peitos apaixonados, provocando-nos um arrepio singular nos nossos corpos quentes. E ficamos assim, sem saber de nós…

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ISSOR_HONEY - 3º LUGAR

13. ESTILHAS -

Meu amor caminha descalço
-arrasta asas estilhaçadas-
tem a sombra ao encalço
e a palidez da madrugada...

é um amor sem tempo ou espaço
no parapeito d’uma janela pro infinito,
essas minhas asas, meras penas,
a atormentar o espírito...

já não me alça essas asas
-sigo a rastros-
esse meu amor de solidão
ao som dos próprios passos...

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Eis os trabalhos concorrentes ao VIII desafio E L-P, para avaliação pelos votantes, e para apreciação de todos. Os participantes receberão, por mensagem privada, a lista dos mesmos, que deverá ser reenviada pela mesma via, em resposta, já com as classificações atribuídas à frente de cada um dos títulos. Caso queiram enviar os votos antes de terem rececionado a lista, podem fazê-lo, desde que identifiquem com clareza, por número de ordem ou título, os trabalhos.

Lembramos que todos os participantes estão obrigados, segundo as regras, a votar, sob pena de ver o seu trabalho eliminado.

Para eventual conferência das regras, revisitar:

REGRAS EVENTO VIII

Parabéns a todos os participantes, pela aderência e pela qualidade dos trabalhos!

E L-P
 
HISTÓRIAS DE AMOR... quem as não tem!?

EVENTO IX - 2013 - A Poesia é um descobrimento...

 
I . A poesia é... um pouco mãe.

Aquece corações indiferentes,
num misto entre o agasalho e a mãe.
Se não der ouvidos a ela...
vai passar frio!

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4º Lugar--ALEMTAGUS

II . A Primeira de Outras Valsas

Olho para ti e deslizo-te os contornos do corpo pelo aparo da caneta desenhando letras aleatórias numa folha virgem de papiro, solto-a ao vento, onde voas também, livre por esse mundo de loucuras e de coisas novas, mas com rugas de velho marinheiro que galga os sete mares ao som dos gritos estridentes das harpias que roubei aos gastos alfarrábios de mitologia. Cada teu olhar é um verso que me rima o pensamento por vezes sóbrio e que se partilha em terras distantes com os teus desejos.
Agora ladram os cães. Já não há horizontes ou fronteiras, as roseiras perdem o cheiro e as vontade humana deixa de ser apenas carnal, nasce o sentimento e a vontade de viver o mundo como em tempos fora sonhado, somos gente! A palavra não se gasta, é dita e respeitada quando se ouve o barulho das ondas a chegar à costa, tudo tem significado, até mesmo a poesia.
As nuvens desenham-se no fundo azul de um desconhecido infinito, a lua apadrinha as estrelas que insistem no seu brilho e a chuva, quando cai, liberta aromas que incentivam ao sexo feito amor.
Tu fazes de mim tua metade, fazes de nós tanto verso. És a descoberta de um novo pedaço de terra que se extingue neste mar que nos abraça, dança que se passeia pelo meu corpo cada vez que me segredas uma nova palavra, um velho desejo, o eterno querer ou teu simples poema.
Eu serei o teu escritor, onde farei de ti minha princesa a cada pedaço de outro amanhã, prometida valsa que nos faz um só.

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III . Deserto

Calor, muito calor
É o que sinto, em este imenso deserto
Cansaço, e o corpo cheio de suor
Em direcção a um destino incerto.

É uma ingrata viagem
Pelo orgulho ou pela salvação?
Na loucura ou alucinação
Ao longe vejo tua imagem
Uma formosa miragem
Que manda-me ir para norte
E deseja-me boa sorte.

Ao fim de tanto caminhar
Encontro-te de braços abertos.
Não és uma miragem, és real
E caio no teu corpo celestial.

“ … Enquanto guardo a caneta e o caderno,
Olho a volta e vejo um mar de areia dourada.
Junto as forças que restam para o resto da jornada.
E procuro por ti, em este mortal inferno…”

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IV . Torneira de Vida

Deteriorar-te em frente a tua agonia, me faz querer vomitar orgulho desnaturado e tardio
Muitos são os que rezam a vingança de alma lavada, e que em súbito se autoflagelam
Dentre esses e outros, sois eu quem empunha outrora a adaga que arde em seu peito
Mostra que o pobre e velho já não se encontra tão rico e novo como seu antepassado
Fortifica suas estruturas com papel e cuspe, apoiou os pilares da construção em areia
Imensurável foi a sua compaixão para com aquele que lhe trouxe pudor
Melhorar de forma cognitiva naquilo que antes parecia irrisório
Martirizar seus pecados em sua mesmice descarada e deslavada de ódio
Averigua tua compostura, alma que se prende a tortura
Lava tuas mãos no rio, lava teus pés no ribeirão, mas lava tua face na pia
Há de haver mais simplicidade contraditória do que a água que escorre da torneira da vida.

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V . digo-me dínamo

tudo em mim é dividido
dádivas, dívidas, dúvidas
e tantas divagações
me divido no que penso
me divirto no que sinto
indivíduo labirinto
que eu, sujeito, tomo assento
ando em débito automático
e portanto, tenho pressa
cada passo é uma promessa
de um cálculo matemático

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1º Lugar---LUSO DE OURO!--PEDROBITO

VI . POESIA NO CORAÇÃO

Poesia é a angústia constante de um sonhador,
a insana vontade de perpetuar os seus sonhos,
mastigá-los à mesa da imaginação, fazê-los História,
e amanhecer com eles na realidade.

Poesia é uma expressão de sentimentos em turbilhão,
é uma viagem inebriante às entranhas do pensamento,
é o inquieto desfolhar das páginas da memória,
o restaurar das ruínas do passado, para um futuro melhor.

Poesia é um esboço da vida de alguém, traçado a sangue,
é uma lágrima derramada por quem sofre,
é um nó na garganta, um silêncio ensurdecedor,
é um grito tatuado no íntimo de cada um.

Poesia é uma simples mas intensa melodia,
vincada pelo ritmo galopante da paixão.
É a magia de um agradável envelhecer a dois,
é a cegueira que se avista nos olhos de quem ama.

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3º Lugar-- LILIANA JARDIM

VIII . Descubro-me na descoberta de ti

Descubro-me nesses versos em que me desnudo
num serpentear de palavras, rimas audazes
que me provocam e me desfloram, velozes
desse piedoso invólucro de cor, astuto amor

Descubro-te nesse vaivém de vogais, planando o verbo
desse meu (a)mar profundo, vagando o mundo
de ser ardor, melodia rascunhada no peito, calor
fina flor, libertando-se…. poesia d`amor

Descubro-me na descoberta de ti poesia.

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IX . Poesia/Vida

Na verdade nunca me conheci
E sempre que me desliguei da poesia
Sinto que algo perdi.

O tempo foi passando
Ás vezes vinha a inspiração,
Depois eu esquecia
E perdia-me na desmotivação.

Entretanto sem qualquer promessa
Tentava encontrar-me novamente,
Inspiração não é algo que se peça
É algo que se sente.

A poesia é um descobrimento
Nunca sabemos o fim do que vamos começar,
No fundo é como a vida...
Quem sabe a última palavra que irá narrar?

Tanto a vida como a poesia,
Como sabemos o que nos pode prometer?
A cada linha vivida
Uma nova forma de escrever.

Assim é esta promessa
Chamada poesia,
Promessa imprometida
Descoberta de mais um dia.

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X . Qualquer coisa assim

olhar ao redor prensando a
mente a procura d’algo espetacular
ingredientes raros
destituídos de prévias
degustações
pra temperar alimentos
carregados de emoções
em frêmitos de significados
só pra conceituar a poesia
quando nela não cabem sentimentos
detalhados por imagens,
mas alienação d’uma realidade
que seja reconstruída
na estrutura insana das palavras.

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XI . Um bom resultado.

Ao escrever, não sei onde vou chegar.
As palavras dizem onde querem ir.
O resultado pode assustar, ou encantar,
Porém não o mudo, mantenho seu existir

Outro dia, escrevi uns poucos versos
à minha amada, que eu tanto desejava
Porém, o resultado foi reverso...
A mãe dela leu, e ficou apaixonada.

Arrependido por não ter o seu nome escrito
Nos meus poemas, fossem eles verso ou prosa
Trocar a amada, linda pomba, não admito,
Por sua mãe, uma cobra venenosa.

Fui contratar um sujeito pobrezinho
Que assumisse meu poema, e o resultado...
Acertei-me com minha pomba, fiz o ninho,
E hoje tenho como sogro um coitado.

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XII . Poesia é descobrimento

Rio corre para o horizonte,
então, o meu destino é voar?
Não tente compreender,
nunca poderá ver com mesmos olhos...
Nem faça muitas perguntas,
não existem todas as respostas...
Tente acalmar essa curiosidade singular,
o excesso de zelo, querer padronizar o extravagante,
a pequena maldade, bizarrace, desconfiar do insuspeito...
Mas não desista de ter sempre o prazer
de ler versos. Atreva-se, atire-se e não esqueça:
jamais deve tentar compreender.

Rezo sempre para que tais pecados
não permanecem vivos na memória...
Querer compreender o incompreensível,
explicar o inexplicável, desanuviar o intrigante,
singularizar os plurais, simplificar o excêntrico,
acomodar o incomodado, aplacar o curioso,,,
A poesia é mistério constante,
é súbita, repentina e imponderável.
Finalizar um poema, o verso certo, aquela rima,
é arte anunciada, gloria proclamada,
um descobrimento sob aura de harmonia,
é atingir uma coisa imprevista.

Espelho de água brilha como lâmina de adaga,
as baionetas não enferrujam na chuva...
Mantenha as ideias no caminho apregoado,
deixe surgirem revelações, descobertas e perdas.
Um verso pode não ser o esperado,
pode resultar um poema espalhado,
não propalado, inoticiado, até mesmo inopinado.
Ainda mais difícil é prenunciar um verso,
nem a alma dos mais antigos poetas pode.
Um segmento de linha curta, um presságio,
uma poesia diferente, indestinada e inesperada:
- ninguém sabe como será lida e acolhida

Veloz o vento voa,
varrendo velas no vasto azul...
Não tente entender,
a poesia é um descobrimento.
você não pode prever
um atingir a uma coisa imprometida.

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XIII . O despertar do corpo poético

Tudo se descobre perto do sonho, onde se fecunda o ser, corpo e a vida, os olhos fecham-se, a continuidade é uma fronteira sem limites atravessada num fenómeno poética entre as palmeiras da alma e o raiar da noite solenemente inequívoca.

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XIV . Onirismo

Caminhava pela tranquilidade de uma umbrosa mata. Descortinava o trilho a passo.Ao contornar uma rocha atapetada de virente musgo divisei,numa clareira, um espelho de água.Tufos espessos de variadas flores multicores circundavam-no, sob a quieta proteção aprumada de esguios sinceiros. Cenário silente de floral cromática sugestiva. Nenhum som perturbava ou animava o silêncio.
Por alguma razão Prometeu oferecera a luz aos mortais, e os poetas tornaram-se no canto dos pássaros, em revivescência musical.
Ganhou voz a tela , tornando audível o poema.
Eu saíra do meu labirinto fugindo ao estouvamento alado de Ícaro.Libertei-me do peso das amarras para vogar embalado no remanso do ninho de Alcíone, à deriva de tanto mar,onde se espelha o infinito.
A vida só se completa na melodia dos poetas.

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XV . DINÂMICA DE NÓS

De repente, descobri:
no silêncio dos meus lábios
nasce a palavra dos teus
na reação dos teus olhos
energizo a luz dos meus
e o teu gemer nos meus braços
é o que me faz feliz
e o movimento do teu corpo
é a minha força motriz.
-
e o que nos liga
é corrência,
é sinergia,
é frequência,
é sincronia
é influência,
é mutual dependência.

E poesia.

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2º Lugar---LUSO DE OURO!--NELIAXP

XVI . POEMA IMPERFEITO

Hoje escrevi palavras
Nascidas da emoção
E desse entusiasmo
Fui rabiscando no papel
Toda a minha inspiração...
O tempo passou
E foi tal o cansaço
Que sobre o meu silêncio adormeci,
Deixando-me embrulhar
Pelos sonhos de Orfeu
Onde a principal personagem
Era eu!
Galguei montes e rios
Aceitei vários desafios
Pude a natureza contemplar
Estive em todo o lugar
Nesse sonho onde tudo acontece
E quase nada se esquece...
Mas, que decepção quando ao acordar
Quis o verso continuar!
Vi que afinal,
Para desespero meu
Um pássaro tinha debicado todas as palavras
E ninguém podia entender...
E as sílabas que ficaram não se podiam ler!
Tentei reconstruir todo o texto,
Mas em vão,
Já fugira a inspiração
Já nada estava do meu jeito
Ficando o poema imperfeito...
O vento norte entrou pela janela
E num relance, quase sem dar por ela
Voaram as palavras que restavam...
Ao olhar vi o pássaro ali,
Imponente como um pavão
Quase ao alcance da minha mão!
Rasgou-me o livro,
Debicou-me as palavras
E deliciado pela faustosa refeição,
Veio no meu colo poisar
Deixando em seu lugar
Uma pena como recordação!...

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XVII . Descobrir o inusitado

Debrucei-me no improviso, estudei a sua origem.
Telemetria mede a miragem de nuvem feita diva
desenhada em transparências e cheia.
Água pura.
Derramando-a na bravura e revolta da maré viva.

Serena e segura, desgarra num fado dedilhado
canções embaladas num esverdeado marulho.
Agora calmosa quase aprazadora vai invadindo
e afagando o gigante que já sossegou o engulho.

Ao longe hà uns rabiscos prateados...
Lua cheia.
Atravessando a neblina frescal, ténue
e aluada.
Seduz a selenita, mergulha e vem beijar a areia.

Observante em pervigília, exorbito
emocionado
neste descobrimento de forças exotéricas vivas
espacejando o pasmo até este poema inusitado.

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2º lugar---LUSO DE OURO!--AUGUSTOCOLA

XVIII . Brilhante de Vidro

O poema perdido eu choro
Em outro achado eu procuro
Além da casa em que moro
Sou medo por cima do muro

Ao ser poesia eu minto
E por toda a mentira eu lhe juro
Na miragem que vejo e não sinto
Sou brilhante do vidro mais puro

Ávida nem sei escutar
A voz que agora eu procuro
Sou canto querendo calar
Sou medo do claro e do escuro

O sorriso perdido eu choro
Em outro achado eu procuro
Além da casa em que moro
Sou medo por cima do muro

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XIX . Uma partida de futebol

A partida de futebol está eletrizante, " pau a pau", gol de um lado, gol do outro.
Finzinho do segundo tempo, já nos acréscimos, o juiz marca penalidade máxima.
O melhor cobrador se prepara, as torcidas silenciadas pela expectativa, o jogador corre para a bola e "apagão", a luz apaga e tudo fica no "breu ".
A luz não volta e todos vão para casa no escuro, sem conhecerem o resultado final.
O apagão atingiu toda a cidade.

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XX . NÁUFRAGO

nau a deriva,
mar crispado,
cais e estiva,
minha calmaria;
‘incontrolável’
luar eclipsado
sombra efetiva
céu estrelado
terra inserida
causas perdidas
ganhas num verso
o reverso findado
morro em poesia...

Aqui se publicam os trabalhos a concurso para o presente evento, findo que é o prazo de envio dos mesmos.

De lembrar que a vossa apreciação é bem vinda, sendo os comentários possíveis e desejáveis, da parte de todos, participantes e não participantes - muito importante, no entanto, é respeitar os últimos parágrafos do regulamento, nomeadamente:

§ findo o prazo de receção dos trabalhos, todas as obras serão publicadas, na página de Textos do perfil "Eventos Luso-Poemas", anonimamente, claro, para leitura, apreciação e comentários do público em geral.

§ nesses comentários, não deverão os participantes identificar-se, seja de que maneira for, como autores de qualquer dos trabalhos.

§ solicita-se ainda que, antes de serem apurados os resultados, NINGUÉM, participante ou não, manifeste, em VALORES, a sua apreciação – isto porque essa mesma apreciação poderá ter influência nas votações de cada um, mesmo que inconscientemente.

Todos os participantes irão receber uma mp com a lista de títulos (bem como cinco jurados alheios ao concurso), lista essa que deverão copiar e colar em mensagem de resposta, com a devida pontuação (de 1 a 5) à frente de cada título.

Atenção aos prazos de votação, não esquecendo que o não envio das pontuações implica a eliminação do concorrente!

Boa sorte a todos, e, principalmente, bons momentos de leitura!

E L-P
 
EVENTO IX - 2013 - A Poesia é um descobrimento...

RESULTADOS DO IV EVENTO 2013

 
Olá a todos!

Vamos a mais uma cerimónia de entrega de prémios, como esperado para hoje

...e o quadro das pontuações dos primeiros cinco classificados, é o seguinte:

----------------------------------Pontos-----Lugar
ISSOR-HONEY - Poema nº VI---------292--------1º
JPANUNCIAÇÃO - Poema nº XXI------263--------2º
FELIPEMENDONÇA - Poema nº XVIII-261--------3º
OUTONAL_IDADE(S) - Poema nº XII-----260--------4º
LOFTSPELL - Poema nº XVII-------------255--------5º

Como costume, será entregue um "Luso de ouro" aos três primeiros lugares, pelo qual, desde já, parabenizamos cada um dos seus titulares.

Estamos todos de parabéns, aliás, participantes em geral e vencedores, o evento reuniu notáveis poemas, e podemos dizer que o saldo é largamente positivo.

Continuaremos a dinamizar o convívio literário, a partilha, o desafio saudável e desprendido, a criação (e a recreação), já no próximo dia 25, quando se lançará um novo concurso.

Estejam atentos!

Aos participantes:

Por favor, dêem um saltinho aqui ao lado:

http://www.luso-poemas.net/modules/ne ... t_id=28115#forumpost28115
 
RESULTADOS DO IV EVENTO 2013

Até ao "Último Capítulo"... temos ENREDOS*

 
TREZE

Capítulo I

Treze eram as pessoas. O grupo de oito homens e cinco mulheres adentrou no luxuoso barco para passeio por ilhas próximas. Todos eram tripulação e convidados do dono da embarcação, chamado respeitosamente Almirante. Anoiteceu em alto mar. Grande tempestade tomou de assalto o barco, que com dificuldade singrava na escuridão ondas gigantes lançadas sobre o convés. Faziam imensos esforços para que não adernassem, quando se ouviu:

-Mulher ao mar! A esposa do Almirante... No desespero, o homem canhoto, ainda tentou resgatá-la lançando ao oceano uma boia, quando teve punho e mão esquerda decepada por um dos tubarões, que sumiram com a infortunada senhora no meio do breu. Rapidamente fizeram-lhe um torniquete. Após boas doses de rum cauterizaram com ferro em brasa o ferimento. Uma vez cessada a tempestade e foram descansar.

Capítulo II

Senhor de grande fortuna e certa deformidade de caráter, numa época de medicina rudimentar, o Almirante não aceitou a mutilação. Assim, propôs em separado a cada tripulante: compraria a peso de ouro seu punho e mão esquerda. Quem tivesse coragem de decepá-la e servi-la como iguaria mais diferenciada, em bandeja de prata, aos outros convidados receberia mais dinheiro.

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ABLAÇÃO ALIMENTA AMBIÇÃO

Poesyck – ilha localizada no centro do Triangulo das Magias, governada pelo mago Peace Alquimium, grande mestre do poder da benevolência e da magia universal. Sua alma esotérica era praticamente constituída de dons benignos, mas continha pequena parcela de cunho maligno na mão esquerda, mas que não interferia na sua bondade. Peace Alquimium nutria o desejo de eliminar de vez toda e qualquer bruxaria demoníaca que interferisse no reino de luz destinado à humanidade.
Havia muitos magos de segunda e terceira categorias, porém onze deles causavam-lhe preocupações por se deterem em magias pelo caminho da mão esquerda, cujos atos evocavam sacrifícios satânicos. Por muito tempo investigou aqueles bruxos e não tolerando mais suas atitudes ocorreu fazer-lhes uma proposta. Pensou nos prós e contras e decidiu enviar instigantes missivas convites a cada um.
Evelyn Smith, Randolf Müller, Eleanor Creman, Anastácia Soy, Andrew Silver, Anah Rymond, Paul Clarency, Mathews Madeira, Peter Villar, Arthur Vidal e Antony Salvatori, todos com idades entre 40 e 50 anos, receberam a correspondência do Mestre das Magias, e imediatamente entraram em contato entre si para levar a cabo a proposta ali contida. Após pequena assembléia deram início aos preparativos que terminariam no grande e ambicionado banquete que aconteceria dentro de doze meses após o primeiro sacrifício. Fizeram um sorteio para estabelecer o dia e qual deles seria o primeiro a ofertar o manjar.
Assim, os meses foram passando e um por um se fez anfitrião, alimentando e sendo alimentado com suas próprias carnes de acordo com a carta convite recebida que dizia:
Do alto e do poder que me cabe comandar, reestruturar e pacificar todos os atos cometidos pelas inteligências mediúnicas existentes nesta esfera planetária proponho: Que os detentores de poder que utilizam as magias do caminho da mão esquerda usando da supremacia do ocultismo, que receberem esta carta, cortem suas mãos esquerdas na altura do antebraço e ofereçam entre si como manjar durante onze meses consecutivos, sendo que em cada mês seja consumido apenas um manjar por vez. Desta forma se alimentarão da magia um do outro e com isso o dom negro será erradicado de vossos atos e anseios. No décimo segundo mês, se farão presente nesta ilha de Poesyck, com seus trajes de gala, onde ofertarei um banquete cujo prato principal será minha mão esquerda cortada no pulso, pois que o lado obscuro do mal em minha essência é de pequena proporção. Quando tiver servido a todos e não mais restar resquícios de unhas em vossos pratos, receberão de mim a visão e todo o conhecimento que advém da Pedra Filosofal.

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CANIBAIS ANÓNIMOS

Em todo o mundo, são diariamente inúmeras as pessoas que desaparecem sem deixar rasto, e muitas as famílias que aguardam o regresso de um ente querido que muito provavelmente já morreu, mas cujo corpo nunca apareceu. Na realidade, alguns destes casos poderão estar interligados, e possuir uma só explicação, explicação esta que não aparece nos jornais ou na televisão, mas que é bem real.

Tal como existem viciados em cocaína, heroína, crack, ou outro tipo de drogas ou substâncias ilícitas, existem também viciados na própria carne humana. Esse não é um vício comum, mas quem de facto consome este tipo de alimento, se é que o podemos chamar assim, fá-lo pela adrenalina de matar outro ser semelhante, ou de digerir um “fruto proibido”, que portanto, poderá ser bem mais apetecível. Ao contrário de um viciado em droga ou em álcool, que pode ser reconhecido pela aparência, um viciado em carne humana não é facilmente reconhecido, e poderá ser qualquer um: um amigo, um familiar próximo, o nosso pai ou mãe, até nós próprios que inconscientemente, compramos “gato por lebre” a um dos anteriores.

Imaginemos também as mortes inexplicáveis, algumas delas de jovens, em blocos operatórios. Serão assim tão inexplicáveis, ou terão muitas delas sido provocadas propositadamente, para tráfico de órgãos humanos? E estaremos mesmo a falar de venda ilegal de órgãos humanos? Provavelmente sim, mas muitas vezes venda para consumo, e não só de órgãos. Existe actualmente uma rede de tráfico para canibalismo bem definida, e que possui uma dimensão já bastante significativa.

Do mesmo modo que existem grupos de alcoólicos anónimos, existem também grupos para “canibais anónimos”, estes formados em completo sigilo, não fosse o simples facto da sua existência ser tão peculiar. Poucas são as pessoas que ouviram falar deles, mas eles existem, e poderão ser compostos por pessoas do género masculino ou feminino, de maior ou menor estatuto na sociedade. Cada grupo passa por um ritual final, e é nesse ritual que os seus elementos provam que querem de facto exterminar o vicio que sentem.

Este ritual é um ritual de sacrifício. Nele, todos os participantes do grupo, à vez, e em reuniões isoladas, doam um pouco da sua própria carne, e partilham-na uns com os outros. O objectivo é sentirem na pele o sofrimento que infligiram nos familiares das pessoas cuja carne consumiram anteriormente, e observarem de perto o sofrimento dos restantes membros do grupo que oferecem também a sua carne. Com o fim das reuniões de ritual, todos estariam teoricamente livres do vicio, e portanto, a existência do grupo deixaria de fazer sentido.

Rodrigo Wallenstein era um dos membros de um desses grupos, e durante meses, tinha participado activamente em todas as sessões de discussão de experiências vividas, relacionadas com o canibalismo. Rodrigo era um homem de meia idade, tal como todos os restantes elementos do grupo, mas ao contrário de todos eles, era uma pessoa bastante influente na sociedade onde se encontrava inserido. O grupo estava já na fase de ritual, e Rodrigo não consumia carne humana desde que começara toda essa jornada, apesar de ainda ter escondidos dentro da sua arca frigorífica, uns bons pedaços, para emergências que pudessem vir a surgir. O fígado, o coração e as nádegas eram aqueles que mais apreciava.

Naquele dia, era a sua vez de sacrificar um pouco de si, e portanto, convidara todos os seus companheiros do grupo para um jantar na sua casa de férias, junto ao mar. Ele era o anfitrião daquele dia, e portanto, já tinha preparado a sua oferenda, e atendido aos ferimentos que a mesma lhe proporcionara. Quando a hora de servir o jantar chegou, Rodrigo segurou a enorme bandeja onde anteriormente depositara o seu sacrifício, já cozinhado, e dirigiu-se para o salão, onde os restantes membros do grupo de canibais anónimos o esperavam ansiosamente.

Infelizmente, o aroma daquela carne descontrolou-o ao longo do percurso para o salão, e a tentação de chupar e deliciar-se com todo o sangue daquele pedaço de carne foi de tal forma poderosa, que ele não aguentou. Sem hesitar regressou rapidamente à cozinha, e atirou a bandeja para cima de uma mesa. De seguida, dirigiu-se à arca frigorífica, e procurou rapidamente por outro pedaço idêntico de carne humana. Tinha sorte, pois daquela vez comprara meio humano, o que significava que tinha ali o mesmo tipo de carne que pretendia oferecer.

Para disfarçar, atirou esse pedaço para o microondas, e girou a roda para o máximo de potência. Iria levar a sua oferenda ainda um pouco crua, apenas um pouco quente, e se não gostassem, paciência! Só esperava que não detectassem a troca, e que ele pudesse guardar aquela que seria para si uma excelente sobremesa, após a reunião.


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A MORTE E A ARTE

Tomado pelo espirito sinistro da arte pôs-se a dar formas, encurvar linhas a desconstruir o plano do espaço de mármore; a escultura repousava viva sobre o pedestal. Como uma Vênus, ela se insinuava para o observador, seus seios duas maças, seus lábios entreabertos como que congelada em um momento solene, sua pele lívida como perola do mar. Era o resplendor dos anjos e a beleza das antigas deusas pagãs. Em nenhum momento pensaria em fazer algo tão belo. O artista emocionado pela criação tocou-lhe a face e teve a certeza que jamais existiria nessa, ou em outra realidade, peça de tão rara aparência.
Porém, não somente, o artista encontrava-se naquele aposento. A Morte o espreitava! Vagando entre as sombras do silêncio ela vigiava cada passo, cada suspiro, cada pincelada.
- Dê-me tão magnifica senhora! Bradou a Morte. Sua voz um rio negro, ora brando ora tempestuoso.
O artista recuou e fitou a imensa figura que se alongava e distorcia com o manto da noite.
- Dê-me tão magnífica senhora! Exclamou novamente a morte.
O artista olhou para a perfeição do que acabara de criar e soube que não poderia se desfazer dela, mesmo por um pedido da própria morte.
- Dê-me tão magnífica senhora e não conhecerás o fenecer das eras, não conhecerás a dor da não-vida retirando a última centelha eterna de seu corpo. Não verás o tempo corroer tua carne, nem dominar a sua feição.
Havia uma encruzilhada a frente: a imortalidade, ou a perfeição. Assediado com a ideia da vida eterna e com o coração pesado ele escolheu. Então a Morte foi embora, deixando silêncio e o pedestal vazio.
Os anos se passavam e os dias progrediam com a obsessão da beleza perdida. Por mais que tentasse jamais conseguia produzir algo similar. E ao fim do processo destruía a obra e passava horas se lamentando até recomeçar. Se pudesse morrer, morreria! Mas até isso lhe fora tirado. Ele vagava sem esperança e sem medo pelos becos e vielas noturnos. Sua loucura repuxava e ganhava forma, assim como magia da perfeição que lhe foi tirada: A visão do Paraíso perdido... A musa da inspiração dos campos divinos.
Então como que iluminado por sombria epifania vislumbrou sua “prima-dona” em uma mulher que passava ao ocaso. Ele a levou para o seu atelier, a tomou de corpo e alma e pôs-se a retrata-la, mas não era como a sua musa de toda beleza universal. Dessa vez ao termino, não destruiu a obra e sim a modelo. O sangue jorrava quente por entre os seus dedos... E agora, a mulher jazia flácida e inerte. Madelene, Lucrecia, Catherine... Prostitutas, sacerdotisas, belas moças, mulheres como a Vênus fora um dia ao inspirar homens e mulheres com sua fascinante beleza, mortas pelo artista que não encontrava a paz. Todas tinham algo que a sua antiga escultura possuía, mas nenhuma delas conseguia ser completa como ela foi.
Quando mais de Cem estátuas haviam em seu atelier, o artista vazio de alma ateou fogo no lugar e as labaredas começaram a devorar suas obras, ele sentou-se no meio da chamas para esperar por ela. A Morte enraivecida se ergueu das chamas.
- Eu dei-lhe a imortalidade e tu me procuras?
- Não há nada para ser vislumbrado que não a beleza dela. Devolva-a a mim.
- Não pode ter aquilo que eu levei, nem aquilo que está para além do que pode ser vislumbrado. Tens me servido, mas o destino foi tecido.
- Então não resta nada, nem hoje, nem nunca!
O artista fechou os olhos e sentiu as chamas ao seu redor o devorar. A morte compadecida o levou para os seus domínios nos reinos de Além-tumba. O artista acordou em uma sala com 11 impressionantes obras de artes: quadros e esculturas retratavam imagens tão belas que todo tempo seria pouco para melhor observá-las. No centro do imenso aposento, a 12º figura repousava coberta sob uma cortina vermelha, tinha de ser “ela”, tinha de ser. Aproximou-se afoito para desvelar o que havia sob o pano, mas a Morte surgiu à sua frente.
- Enfim, poderá retornar à ela. Mas antes deve sacrificar algo a mim. Como em vida renegou o dom que lhe ofertei, deve servir a sua própria essência até que não lhe reste nada e possa finalmente partir.
A Morte então apontou a direção de uma pequena mesa com um cutelo muito afiado e uma bandeja de prata, ele olhou para si e soube o que deveria fazer. Só pensava no momento em que a veria novamente, não importa se para isso tivesse destruir a si mesmo aos poucos. Imaginou que poderia olhar para ela por toda eternidade e assim o faria, naquela eternidade de poucos minutos que se passam quando atingimos o divino. Houve um estalar, mas ele quase não sentiu, apenas pegou a bandeja de prata e foi para o banquete, pois essa noite ele seria o anfitrião.

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O PACTO

I.

Noite qualquer do mês de abril. No imenso salão, um enorme lustre balançava suavemente com a brisa, refletindo nas paredes refulgências dos pingentes de cristal.
Próximo à janela sentia a aragem da noite. Figura singular, idade indefinida. Corpulento, o abdome proeminente disfarçado sob o talhe perfeito das roupas. Trazia nos olhos algo peculiar. Um brilho diferente, que combinava com movimentos sutis dos cantos da boca. Incomum também o fato de jamais ter sido visto com a cabeça descoberta e sem indefectíveis luvas grossas e negras. Costumava manter o braço esquerdo dobrado, a mão enluvada enfiada no colete, quase totalmente escondida.

Ao ser avisado pelo serviçal que os convidados haviam chegado, teve um sobressalto de alegria. Esfregaria as mãos e até bateria palmas, se pudesse. Olhou para um dos quadros. Uma figura com mesmos traços físicos, a mesma característica das mãos, parecia sorri-lhe, num esgar sardônico. Dirigindo-se ao retrato, disse:
- Chegaram! Vamos ver o que temos desta vez...

II.

Algum tempo depois, olhava quase com ternura para as doze pessoas que acabaram de selar o pacto. Cada um deles já havia participado de outras empreitadas, mas aquela tinha um toque especial. Poder, riquezas e glórias oferecidas a cada um deles. Em troca, deveriam cumprir uma tarefa e manter segredo sobre tudo o que vissem e soubessem. Uma vez iniciado, o pacto não poderia ser rompido, devendo o participante comparecer a todos os eventos e obedecer rigorosamente às regras.

Foram escolhidos com cuidado. Oito homens e quatro mulheres. Idades diferentes, mas não discrepantes. O soldado era o mais velho. Um operário desempregado, um médico, um ator já em final de carreira. Um político expatriado de um país vizinho, um jogador de futebol sem expressão, um engenheiro de minas e um comerciante, completavam as figuras masculinas. As mulheres, uma atriz decadente, a viúva de um senador, uma advogada e uma empresária de pretensa grife de luxo, a mais jovem do grupo. Selado o pacto, proferiram solenes os juramentos.

Cada qual foi orientado que, no devido tempo, receberia um livro com instruções. O primeiro a ser sorteado seria anfitrião de um convidado. A cada vez que um deles fosse contemplado, haveria um jantar, com um anfitrião diferente, o qual servira o acepipe principal. Os não sorteados não estariam presentes, apenas os que já eram ricos e famosos ocupariam a volta da grande mesa de banquetes. Não poderiam abster-se de comparecer, nem recusar os pratos, sob pena de perdimento do que já auferiram e outros castigos terríveis.

Um roteiro a seguir. Sempre, o anfitrião seria o último a entrar no salão, somente trazendo o acepipe após todos os convivas estarem em seus lugares. A cada jantar, um conviva seria acrescentado à mesa até que o último anfitrião servisse os onze já contemplados e saciados em seus sonhos de riqueza.

III.

Dias se passaram sem nenhuma novidade. Até viu nos jornais que um jogador de futebol, já em final de carreira, recebera um convite para treinar uma seleção no Oriente Médio. Um contrato milionário, por vários anos. A realização pessoal e profissional para aquele homem. Um mês depois, outra notícia chamou a atenção.

Um político expatriado de um país da America do Sul fora reconduzido ao cargo. Uma assembleia nacional declarou que havia sido destituído ilegitimamente, determinando a volta. Reassumiu, conduzido nos braços do povo. Na cerimônia da posse, dava gargalhadas sonoras, sem se importar com o local e os presentes. Nem mesmo ficou um pouco consternado diante dos olhares de censura de raros membros da oposição.

Assim foi acontecendo durante mais de um ano. Pelos jornais tomava conhecimento que membro do grupo havia ficado rico e famoso. Pensava quando seria a sua vez de receber o que tanto ambicionava. Quase madrugada, pelo noticiário, viu que uma antiga atriz fora reconhecida pela Academia de Cinema pelos serviços prestados em prol da arte cênica. Já havia assinado contratos milionários com redes de TV e produtores de cinema locais e estava de malas prontas para embarcar para os EUA e Europa, onde mais contratos a esperavam.

Começou a prestar mais atenção quando a mulher disse que, apesar do acidente que sofrera, esperava poder ainda atuar. Daí reparou que ela tinha a mão esquerda amputada, à altura do cotovelo Fechou os olhos e puxou pela memória. O jogador de futebol, agora técnico famoso usava um agasalho grosso e luvas. O político que vira numa reportagem estava com o braço esquerdo numa tipoia que encobria a mão.

Procurou saber sobre os demais e constatou estarrecido. Todos eles haviam sido amputados quase da mesma forma, um a um. Relatava cada qual um tipo de acidente, mas ele sabia que não era bem isso. Alguns davam a alma, ele teria que dar a mão esquerda. Era a retribuição, a paga para receber sua riqueza.

Pensou:

- Para ficar rico e famoso, dou de bom grado até meu braço esquerdo inteiro...

IV.

Há cerca de um mês, ficou sabendo que a advogada fora convidada para um cargo importante no Alto Comissariado das Nações Unidas, com polpudos salários e possibilidades de ascensão em cargos mais altos. Também ela não mais exibia a mão esquerda. Era a décima primeira do grupo. Não restava mais ninguém, a não ser ele.
Na mesma semana foi procurado por um advogado que deu a noticia: um tio, do qual nunca ouvira falar, havia falecido e deixara-lhe toda a herança. Propriedades, obras de arte, investimentos e ações em um valor com o qual jamais sonhara. E assumiria títulos nobiliárquicos. Os contatos seriam feitos em uma cidade do litoral e recebera as passagens e reservas. Chegara a sua vez de ser o anfitrião.
Já no resort, ainda no grande hall, finalmente recebeu o livro de que ouvira falar. Um alfarrábio vetusto, em couro e metal entalhado. No pergaminho da capa, uma fina iluminura medieval do mais puro ouro. Enfim! Logo mais receberia também o premio. Esfregou as mãos de contentamento, mas logo em seguida parou. Bem sabia que seria a última vez que faria isso.

A brisa marítima invadia o hall. Ali mesmo em pé, começou a ler. Arrepiou-se. Então era esse o tal segredo. Uma onda de terror e desanimo abateu-se sobre seu entusiasmo. O peito palpitava e a boca ansiava por saliva. Desabou em uma poltrona. Pelas grandes janelas a brisa envolveu seu corpo. A maresia penetrou na garganta, deixando um gosto salgado na boca ressecada.
Admirou-se como os outros tiveram tanta coragem para consumar tal ato. Alguns mais de uma vez. Duvidou de si mesmo. Teria coragem para tanto? A visão turvou-se, o estômago embrulhado seguido de náuseas. Já se havia imaginado sem a mão esquerda e até se acostumara com a ideia. Pesquisou sobre próteses e achava que poderia viver muito bem assim, sem a mão esquerda, mas com fama e dinheiro.

Pensando na riqueza que teria, aos poucos, foi recuperando a calma. Sentiu comichões no braço direito. Esfregou-o com a mão esquerda como a se despedir. Pensou:

- Bem, se posso dar meu braço esquerdo para tantas riquezas, por que não poderia também servi-lo numa salva e comê-lo com os demais? E só vai ser uma vez. Seria assim como a última refeição, um “último manjar”...

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A CONFRARIA DO BANQUETE

Tudo começou naquele pequeno vilarejo à beira mar, na Bahia de Amatique próximo a Guatemala com seus lindos coqueirais, suas areias branquinhas, suas águas azuis e seus raios de sol a iluminar o verde tapete natural que se estende a perder de vista pela densa floresta tropical. Ali a vida transcorria tranquilamente para aquele grupo de jovens, (quatro moças e oito rapazes), concludentes da Universidade de Arqueologia. Colegas de curso que misteriosamente tornaram-se amigos inseparáveis e tinham os mesmos objetivos de vida partilhavam da mesma filosofia ideológica. Juntos levavam a vida com entusiasmo e curiosidade inerentes aos jovens, e tinham em comum além do mesmo curso, o gosto por Mitologia.

Certo dia, os jovens em uma aula prática visitaram o fabuloso templo de Tikai, (na cidade Tikal), uma impressionante e inacabada construção Maia. Lá encontraram um ladrilho em hieróglifos, e juntos partilharam a plena certeza que em 21 de dezembro de 2012, aconteceria uma grande hecatombe mundial. Também encontraram uma misteriosa mensagem impressa, designada aos doze jovens que viriam a serem no futuro os anjos de luz destinados a salvar o mundo dessa programada tragédia. Estava em relevo nas “estelas” que essas pessoas seriam o elo de coragem, atitude e resignação e que em absoluto ato de bravura iria separar o joio do trigo, destruir o lado demoníaco, salvar o lado deidade e assim seria encontrado o equilíbrio do ciclo, que viria a anular a profecia do fim da humanidade.

Impactante para aqueles jovens foi descobrir seus nomes cravados na pedra junto às instruções de como deveriam proceder para a realização da profética missão, porque justamente eles seriam os citados anjos. Lá continham as instruções desse supremo sacrifício em prol do bem contra o mal e se tratava de eliminar o demoníaco lado perverso que se encontra segundo essa filosofia em cada mão esquerda da natureza humana, que fosse cumprido o ritual, que seria um banquete em oferenda ao grupo, começando em cada dezembro depois do ano 2000, até o ultimo dezembro de 2012, fazendo referência aos doze anos, (Coincidência, mesmo numero, doze amigos), antes da data estabelecida para o grande final.

No primeiro momento o susto foi impactante para aqueles jovens que se perguntavam o porquê de terem sido eles os escolhidos, mas logo entenderam que não tinham muito a questionar, por se tratar de fé, de convicção. Segundo suas interpretações o que estava escrito, estava escrito. A mensagem falava da bravura desses seres que em sua coragem e desapego da própria matéria, seriam o próprio gesto de amor, de solidariedade ao mundo, seriam os heróis, os espíritos limpos e evoluídos com a missão de evitar com seus sacrifícios o desfecho dessa catástrofe.

E assim ficou estabelecido entre eles o pacto, o segredo, a suprema renúncia, e resolveram que quando chegasse o tempo estabelecido pela profecia, seria marcada a Confraria do Banquete, que seria realizado com toda pompa e circunstância, num salão especial no Museu de Arqueologia e Etimologia na principal cidade do México.

"Fizeram entre si um sorteio para a ordem pessoal da destemida solenidade, e estabeleceram conforme o escrito recado, a se presentear com um distintivo, uma insígnia ao referido ato de bravura, seria um anel de pedra jade, oriunda das rochas vulcânicas, na cor verde para os homens, e rosa pra as mulheres para reluzir o triunfo do dedo anelar da mão divina destra.
E essa determinação se concretizou até o ultimo dia, onde ansiosos e destemidos reuniram-se...

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DEZEMBRO DE 1955

Em um pedacinho obducto do Alasca doze bocas ávidas rezingavam o que sobrara do piloto naquele confim de mundo onde a fome penitenciava a alma tornando inútil não celebrar a morte que sustentaria a vida por entre os penedais cercado pelo marulhar invisível.
Quando não restava mais vestígio das vísceras do piloto e os sobreviventes definhavam semimortos, era mérito sobre-humano manter o equilíbrio mediante os olhares que se devoravam.
Michael inesperadamente ofereceu os dedos da mão esquerda à consternação, não houve ânimo e nem tempo para impedir a automutilação que alimentou a matilha.
Haveria um próximo dia? Não, ninguém respondera ao chamado e os cordeiros a sacrifício foram lançados à sorte.
Michael clamava pela exclusão das quatro mulheres diante da indiferença de Seggal que de olhos vendados apontava para o nome esculpido no gelo e se não fosse a trapaça ignorada pelos ‘morrentes’ não teria sido ele, o ardiloso Seggal, a última ovelha a sacrifício adiando o próprio suplicio que chegou inevitavelmente ao amanhecer do décimo segundo dia acompanhado da covardia que minava a honra e a coragem enquanto o facão cortava o ar e fincava na geleira.
Intimado, sacou da arma que lhe ofertara o piloto morto no dia do acidente, acuou e amarrou a todos na ânsia doentia de sobrevivência.
Em dias sequenciais mutilou uma a uma a sinistra dos convivas na altura do pulso deitando sangue morno sobre a boca semisserrada dos ‘morrentes’ para manter o rebanho enquanto esperava a salvação naquele inóspito ambiente de devoração distante de Deus, isento de oração, perdão e culpa.
Um sinal atravessou o céu, um grande pássaro baixou sobre as penúrias do inferno gelado onde não havia pouso seguro e do azul marrento desprendeu uma longa corda que circundou o cadavérico homem.
Seggal omitiu os ‘morrentes’ declarando ser o único sobrevivente, salvou o corpo e condenou a alma aprisionando os convivas à sua (de)mente, entre as paredes de um manicômio e o eco lancinante dos próprios gritos, enquanto devorava compulsivamente os dedos da mão saciando o desejo inumano.
Quando o enfermeiro arrombou a porta e adentrou no quarto os dentes de Seggal violentou com gosto a própria mão arrancando-a do pulso.
Acordou com o braço esquerdo enfaixado e o sangue que maculava as gazes despertando-lhe o instinto selvagem, porém antes que entregasse o antebraço à boca salivante, abriu a escrivaninha, tateou com a mão direita a arma custeada naquele dia fatídico, mirou a fome escancarada e disparou colocando fim aos mórbidos pesadelos que o reunia toda madrugada aos convivas abandonados.
Um filete de luz tomou conta da escuridão e o conduziu por um corredor lúgubre até a porta maciça semiaberta onde luzia uma bandeja de prata polida deixada sobre uma pequena mesa rendada em branco.

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PIÈCE DE RÉSISTENCE

I.

Procurava emprego há três meses quando vi aquele anúncio, uma colocação para auxiliar de cozinha. Não entendia muito disso, mas achei que poderia tentar a vaga. Precisava trabalhar e estava aceitando qualquer serviço.
Os requisitos não eram muitos. Dizia o anuncio que deveria auxiliar nas tarefas. Preparação de alimentos, limpeza e conservação do local e dos equipamentos. Também auxiliar em serviço de copeiragem.
Respondi ao anuncio mandando um currículo no mínimo fantasiado. No dia da entrevista, havia mais de quinze pessoas. Um a um foram sendo chamados. Na minha vez, respondi algumas perguntas com os conhecimentos que adquiri no Google. Santo Google! Até para isso serviu. Perguntaram se eu tinha aversão a sangue e nessa parte eu tive sorte. Já trabalhei num açougue. Fui para casa na esperança de ser chamada.
No dia seguinte, recebi um telefonema dizendo que a vaga era minha. Esfreguei as mãos e até bati palmas, gesto esse que mais tarde jamais repetiria.

II.
Pela manhã dirigi-me à mansão e fui levadan até a cozinha. Um cômodo escuro e bem rústico, numa uma asa separada, ligada à construção principal por uma arcada de pedra bruta. Desse modo, fumaça, odores e barulhos poderiam ser mantidos fora da vista dos demais. Não havia fogão e sim uma espécie de lareira, munida de suportes móveis com ganchos ajustáveis, para apoiar e mover panelas e caldeirões.
Uma estante rústica acomodava frigideiras, chaleiras, espetos de vários tamanhos, e materiais para prender qualquer coisa desde tenras codornas até um boi inteiro. Pelas paredes estavam distribuídos vários tipos de facas, colheres, conchas e raladores. Numa mesa de tábuas brutas, o almofariz para triturar especiarias, panos para coar e potes de barro com temperos.
Mas, o que me chamou mais atenção foi num canto, um cepo de madeira da altura de uma mesa, contendo uma machadinha e logo abaixo, uma bacia estreita e rasa como usada para coletar gotejamento de algum liquido que escorresse.

III.

No meio da tarde, o chef me chamou e disse que a noite seria especial. O patrão iria receber convidados, e deveria por a mesa do grande salão para doze pessoas. Disse-me que eu serviria a bebida e alguns pratos, mas que a “pièce de résistance” seria servida pelo anfitrião em pessoa e ele mesmo faria o preparo. Disse o cozinheiro:
- Sem ele, seria impossível fazer o prato principal”, seguido de um riso entre sardônico e diabólico. Acrescentando:
- Vamos repassar a receita. Vamos tomar a peça de carne sem corta-la ou feri-la. Numa gamela vamos deitar a farinha peneirada numa peça de seda. Jogue lá dez ou doze gemas. Então vai deitar a carne para ser enfarinhada. Segue para panela de água fervente com manteiga, e aos poucos, vamos deitar os temperos atados inteiros em maço e à parte, cravo e açafrão, pimenta e gengibre. Se o caldo ficar muito ralo, vamos engrossa-lo com bocados de farinha e manteiga. Entendeu?
Fiz um sinal com a cabeça e perguntei o que iríamos cozinhar. Mais uma vez ele disparou aquele riso. Calei-me e contive a curiosidade.

IV.

Por volta das vinte horas todos os pratos secundários já estavam prontos. De repente, o anfitrião entrou na cozinha. Não era jovem e tinha uma expressão de vitória nos olhos. Com ele entrou outra pessoa, carregando uma maleta. Sem dizerem nenhuma palavra dirigiram-se até o cepo. O homem abriu a maleta e tirou várias faixas de gaze, um garrote, agulha e linha e arrumou cuidadosamente em fila. Erguendo as mangas do braço esquerdo, o anfitrião posicionou-o no cepo e com a mão direita tomou da machadinha. O outro homem fez um torniquete à altura do antebraço. Ajustando a bandeja embaixo do cepo, o cozinheiro me perguntou se a água já estava fervendo.
Um calafrio percorreu minha espinha, seguido de arrepios de terror. O anfitrião iria cortar a própria mão esquerda e ela seria o prato principal, depois de cozida com farinha e ovos, temperada com especiarias.
Quase automaticamente fechei os olhos. Não ouvi nem um som. Quando abri os olhos, o homem estava costurando o toco do braço. O cozinheiro trouxe a mão na travessa enfarinhada e me entregou. Dirigi-me até o caldeirão e ainda pude ver o braço do anfitrião ser enfaixado com gazes, já tingidas com salpicos recentes de sangue.
Terminado o cozido, foi posto numa salva com tampa. O anfitrião tomou-a na mão direita, levantou-a a altura da cabeça, mantendo o que restou do braço esquerdo apoiado no peito. Com uma expressão triunfante, avançou rumo ao salão principal, onde o esperavam os convidados.

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UMA ÚLTIMA VIDA

Sou novo. Tenho apenas 21 anos e forcei-me a vir para a guerra para não levar uma vida de gatuno.
Os gangsters de Chicago disputavam jovens como eu nos velhos bairros sujos e decrépitos dos subúrbios, isto no final dos anos 20, após a Quinta-Feira Negra. O pão mal chegava para toda a família, comíamo-lo por turnos para não termos todos fome às mesmas horas, o primeiro era sempre o pai, que tinha de procurar trabalho ou fazer uns biscates aqui e ali, e depois a mãe que fazia arranjos de roupa mal pagos para as finórias esposas de banqueiros semi-falidos, algumas já viúvas mercê do suicídio de seus maridos. Vivia-se numa roleta em que os mais estúpidos se governavam com uma metralhadora e sem respeito pela pobreza dos outros.
Aqui oiço o zumbido das balas metralhadas pelos Alemães, os gangsters cá da zona, vejo os meus camaradas de armas a pedir ajuda por lhes faltar um membro ou meio corpo, vejo os olhos de quem já nada vê, o fumo negro que sai de obuses detonados, ruínas... não vejo nada.
Estávamos em 1942, Dezembro, mês frio numa Europa em escombros, as notícias que nos chegam de casa são quase sempre boas ou nenhumas, de vez em quando lá morre a velha tia de um qualquer soldado. Dizem que está tudo bem por lá e que nos esperam como heróis.
Heróis! Heróis de membros amputados e com a morte na memória. Quando cá chegámos, ficámos alguns dias em Inglaterra para que os Generais decidissem o nosso destino, muitos, como eu, tinham tido pouco treino por terem sido voluntários, dois, três meses no máximo e depois atirados aos canhões.
A vida só perdoa àqueles que podem comprar o perdão, aos outros não. O meu avô Simeon dizia-me para fugir de perto dos ricos, só assim poderia ser como eles, vendo ao longe os erros que cometiam e evitando-os, tinha graça o velhote. Conseguia ver-me nos olhos dele, fundos. Os seus setenta anos despediam-se todos os dias da vida cada vez que acendia o cachimbo cheio de aparas de madeira que ia apanhando, depois juntava-lhe uma folhinha de hortelã para disfarçar algum cheiro, como se conseguisse.
Talvez tente ficar aqui pela Europa depois da guerra, se sobreviver. Aqui diz-se que se um soldado levar um tiro é mandado de volta a casa e que ganha uma pensão de guerra, não sei de quanto será, mas também não me sinto com coragem para levar um tiro. Talvez seja por isso que fecho os olhos enquanto despejo as antecâmaras da metralhadora.
Perguntei, na trincheira, a um desses ingleses empertigados quanto tempo esperava que durasse esta loucura, o pobre não teve tempo e me responder, assim que me olhou foi atravessado por duas balas perdidas, fiquei agoniado e aos gritos, completamente sujo e não foi só com os miolos dele, as minhas entranhas saíram todas. Quando o tiraram de cima de mim não via mais nada que não fossem perfis vermelhos, perdi os sentidos, os sentidos e a dignidade, se é que tal existe num sítio destes.
Passados pouco mais que alguns segundos os sentidos foram sendo restabelecidos, pois numa situação de guerra, só se pode ouvir o próprio silêncio e sentir o frio interior se estiver acordado, é a condição mínima para tentar manter-se vivo, a sobrevivência está no exercício peremptório das acuidades, sempre não perdendo a fé, controlando o medo, e mantendo frieza nas acções, mesmo que o cheiro acre de sangue te leve ao vómito descontrolado enojado pelo convívio com corpos mutilados, misto de vísceras, ossos e lama, rostos transfigurados com estampas de horror e dor, daqueles que foram horas atrás homens fardados, combatentes garbosos, defensores da pátria e da bandeira, agora ali, meninos mortos, pintados de abandono num quadro fantasmagórico. O cérebro fervilhava em pensamentos anestesiados, tentava arranjar uma condição favorável para sairmos da trincheira túmulo, onde só ecoava o som de lamentos de dor dos meus companheiros abatidos. Dependíamos de uma acção da retaguarda, mas a nossa artilharia jazia silenciosa, nem na hora do confronto principal se ouviu um único tiro, também não houve nenhuma quebra no cessar-fogo temporário do inimigo, permaneciam silenciosas. Como gostaria de ter ouvido os tiros dos nossos obuses, mas dei-lhes crédito, algo de sério havia acontecido, lamentei, era de suma importância e eficaz para nossa retirada. Precisava de informações, estávamos sem comunicação, o rapaz do rádio jazia morto com furo na orelha, do outro lado da cabeça não havia rosto, enfim; eu não tinha aptidão para manusear o rádio, mas teria que tentar, nada mais podia ser feito na situação que eu e os outros companheiros nos encontrávamos, afinal precisava de novas instruções de como chegar mais próximo dos alvos ou de uma retirada estratégica. Temia puxar para mim a responsabilidade para alguma acção imediata já que com o oficial morto a tropa carecia de comando. Continuei calado por alguns instantes enquanto isso começavam a ouvir-se os estrondos, continuados e ensurdecedores, do fogo pesado do inimigo que estava logo à frente, acabara o cessar-fogo, ouvíamos nitidamente o passar traçante dos projécteis sobre nossas cabeças, e nós, aqui na linha de frente, ainda não podíamos fazer nada, precisávamos da ajuda da retaguarda, éramos trinta, da tropa restava-nos para resistência pouco mais de onze aptos, os feridos eram incontáveis. Então, com a ajuda de mais quatro soldados, numa operação relâmpago, arrancámos as identificações dos corpos, guardando-as nos bolsos da mochila de campanha, quando já preparávamos para a retirada, numa decisão tomada sem anúncio, começara a chover torrencialmente, uma chuva gelada encharcava nossos uniformes, por causa do vento intermitente a sensação de frio era potenciada, doía até aos ossos, havia risco de hipotermia, perdíamos o senso de direcção por causa de uma espécie de nevoeiro, mistura de fumo de pólvora. Essa mudança meteorológica não me fez mudar de atitude, inconscientemente dei ordem aos meus camaradas para irmos em frente, mas não foi possível avançar, onde estávamos, antes era sabido ser uma trincheira natural mas na verdade é um regato, que de seco, começou a inundar-se rapidamente por causa do temporal, ao que aumentado o seu volume, veio trazendo os corpos boiando em suas águas sanguinolentas, pior, é que a força da correnteza nos arrastava para a direcção contrária, isto é; em direcção ao território ocupado pelo inimigo, neste momento já não mais tínhamos esperança de sobreviver.
Mas era forçoso sobreviver! Uma luz de esperança começou a brilhar dentro de mim e fez com que, momentaneamente, me alheasse de toda aquela carnificina. Deixei de sentir frio, de me sentir encharcado, muito embora as minha pesadas botas militares se enterrassem no lodo; e o meu uniforme fosse uma pasta de água e manchas de sangue. Vieram-me à lembrança imagens familiares, algumas delas muito queridas. Será sempre assim, quando o perigo é real e iminente? Sempre nos lembramos de nossa mãe e da nossa namorada?
Eu diria que sim, que a nossa mãe sempre surge como o derradeiro refúgio. Sempre ousamos regressar ao ventre materno, o único sítio aonde sempre estivemos protegidos e cómodos e…também sempre desejamos continuar a viver, seguir em frente. Sobretudo quando estamos às portas da morte! Por isso, também a lembrança dos olhos da mulher amada, o colar dos seus abraços, a doçura dos seus lábios também surgia como sinal de futuro e de contrapartida ao frio e à dor em que me encontrava atolado. Eu iria salvar-me! Não me importava quem ia ganhar a guerra, ou se algum dia pertenceria “ao exército heróico que há-de conquistar Berlim”, como proclamara o general George S. Patton, no discurso de saída de Inglaterra.
Estando absorto nestas doces divagações, alheado da terrível miséria em que me encontrava, sou despertado pela voz do Sargento que viera, perante o meu alheamento, gritar-me ao ouvido, muito embora o seu vozeirão pesado mal se fizesse ouvir no meio dos ruídos infernais do combate:
- Vamos retirar! Assesta a metralhadora naquele cômoro em frente e disparas quando vires o inimigo surgir! Só quando todos tiverem abandonado a posição em segurança será a tua vez de fazer o mesmo! Não te deixes matar!
Sem mais delongas, o Sargento desapareceu, limitando-se a dar-me uma pesada palmada nas costas. Caía a tarde. Em breve a mais pesada noite se abateria em meu redor. Mas a luzinha de esperança continuava acesa dentro de mim. Aninhei-me. Vejo surgir o primeiro carro de combate alemão à minha frente. Não reagi! Nem de nada adiantaria fazer fosse o que fosse. Também nada, nem ninguém me ligou a menor importância! Aconcheguei-me ainda mais na pequena cova, permitindo que a pesada viatura de ferro, pudesse passar por cima de mim, sem me molestar. Eis que, quando já me encontrava completamente protegido pelas lagartas de aço articuladas, uma de cada lado, se ouviu um estrondo estarrecedor e a massa informe, escaldante, se imobilizou sobre mim. E o que parecia ser a mais terrível das ameaças convertia-se assim num abrigo impensável e inexpugnável. Não só não me matava mas antes me salvava do inferno de metralha que, de forma gritante, explodia por todo o lado.
Não sei exactamente o que houve com meus camaradas, cercado de toneladas de ferro, aço e sob tiroteio incessante a minha ténue esperança não se abala, a miséria enrijece os nervos e prepara para encarar certas situações que normalmente sequer teria coragem de pensar lidar, a morte está certa. As doces lembranças de pessoas queridas perdem-se em imagens de nuvens de pólvora e mutilados na noite tenebrosamente negra e estrelada que aparece fria e calma. Com terra e areia nos olhos lacrimejantes como autómato atiro mirando não um alvo específico mas o monte de criaturas movimentando-se indistintos do outro lado da frente, um soldado levanta-se não muito distante, um camarada meu a quem gritamos para se proteger. Algo de estranho na forma como se contorce, mãos ao rosto e gritos, a silhueta é despedaçada por projécteis que esvoaçam, nunca saberei o que o fez erguer-se facilitando ser alvejado. As ordens não chegam até mim, isolado e confuso no que parece uma tumba, arrasto-me para uma abertura maior para melhor responder ao fogo cruzado, ainda protegido, entrincheirado, tentando avistar meus companheiros. Por um minuto o clamor de armas pesadas é interrompido, quando um avião passa num zumbido lamentoso e crescente, seria inimigo? No retorno ao barulhento trocar de disparos um clarão estremece o solo. Nestes segundos volto a pensar nos que deixei num país em crise, acredito que mesmo com todas as bandeiras, em todos os lados, jovens idealistas mas também inocentes ou sem escolha agora pensam nas múltiplas possibilidades de uma vida que mal começou para muitos e no amor dos parentes, amigos, no fim das contas com todas as insígnias, suásticas e ideologias confusas e autoritárias, tudo não passa de ganância dos poderosos, banqueiros, generais e políticos que brindam cada vitória ou derrota às custas de nossas almas. Somos todos iguais na instável e surpreendente batalha, todos vítimas, alguns com consciência disso, outros perdem-se em delírios pseudo-filosóficos extremistas. Nós não, voluntários nem sempre passam pela lavagem cerebral e explicações absurdas sobre os motivos de estar aqui ao invés de junto dos seus, na pátria mãe.
Novamente disparos, minha perna dói como que pregada mil vezes, formigando e ardendo, ensopada, estou faminto também, algo se arrasta sobre meu corpo, assustado mal reajo quando o Sargento, com a face em sangue, irreconhecível, soldado intrépido, abaixado, com os braços em meus ombros e um fuzil na mão, faz sinal para que me cale quando uma nova pausa paira no ar. Tiros aqui e ali, silêncio.
Somos os últimos da pequena tropa e os alemães seguem seu caminho até a mítica «Valhol» segundo as palavras dele. Tudo é muito rápido, podendo variar caso se esteja ferido contemplando pedaços do próprio corpo ou amedrontado, as horas morrem sem pressa para que mais combatentes tenham a chance de encontrar o fim e a perversa dor e lágrimas mal contidas escorram no rosto não mais envergonhado que enlouquecido, desfigurado.
O avião que passou sem que prendesse minha devida atenção era um dos nossos, na insana sinfonia de horror e bombas o clarão da morte era a resposta aos soldados nazis, pedaços de arianos na terra empobrecida. Enegrecidos, carbonizados, não têm o meu rancor tampouco a piedade, agora enfim despertei para a guerra, e juntamente com o Sargento prosseguimos de pé em nossos planos de batalha buscando outro local seguro ao encontro de mais dos nossos companheiros nalguma frente, as medalhas ainda pendem de meus bolsos na perna ferida por alguma bala que ricocheteou atingindo-me de raspão, uma lembrança caso sobreviva, para mostrar aos filhos e netos, uma das marcas do horror que agora vivencio. O rádio perdeu-se, resta caminhar tropeçando em escalpes, tantos que mal acredito. A paisagem resume-se em cadáveres e fumo, montes de aço contorcido, nenhuma habitação e o frio enregelante nos ossos que rangem deixa-me mais entristecido, esquecendo a dor na perna que me faz andar cambaleante. Um alemão sai do tanque que me protegeu, arrastando um corpo em pedaços da cintura para baixo e desarmado, voltando-se para trás o Sargento sem o fuzil que agora segurava, saca da sua pistola e atira certeiro na face que desaparece, é guerra, prossigamos então sem um último adeus aos colegas tombados.
“Mãe, deram-nos uma folga de três dias… queria estar aí mesmo que estivesse desempregado e com fome, era preferível”…
Comecei a escrever a carta para os meus pais mas perdi a coragem de continuar, pensei que me considerariam um cobarde. Isso não podia acontecer, eu sabia que o dinheiro que lhes mandava todas as semanas lhes fazia falta e nunca poderia desiludi-los.
A guerra é um lugar estranho para se estar, parece um interminável caminho adornado com o pior que há em cada um de nós, somos carcereiros da nossa própria ganância. Por aqui houve-se dizer que Hitler é um gajo baixinho e arrogante e que quase todos os soldados aliados lhe deixam mensagens em, pelo menos, uma bala. Não compreendo muito bem o que faço aqui. Rumpf, que me adoptou, chama-me louco por ser voluntário de um país que não está na guerra e por não saber o que me trouxe cá, sou um pobre coitado como outro qualquer. Quando lhe perguntei se podíamos ser amigos ele nem teve meias medidas:
- Para além de louco ainda queres ser meu amigo? Eu não faço amigos… os que tive, morreram todos!
Como eu o compreendia. Aqui as amizades fazem-nos cometer erros, matam-nos a nós e a todos os outros, são piores que balas.
A perna dói-me, mas o médico diz que é da mudança de tempo, aproxima-se a Primavera e com ela o calor que sobrepõe o cheiro dos mortos ao da comida, que, já de si, não é muito apreciada.
Londres está a ser bombardeada por bombas voadoras, que caem incessantes e sem prévio aviso, há quem arrisque dizer que os alemães estão a ganhar terreno e, com isso, a guerra, será esse o nosso destino, o de sermos todos alemães de segunda? Julgo que essa ideia, esse medo assassino, aumentou a vontade de virar o resultado em nosso favor.
Nestes três dias de folga soubemos que estava em curso a retirada das tropas aliadas em Dunquerque, aqueles alemães filhos da mãe tinham entrado em França, pouco tempo teríamos para gozar Paris, a bela e apaixonante Paris. Estava tudo num pandemónio, ninguém sabia o que pensar.
Os bares e restaurantes iam, no entanto, fazendo dinheiro nas despedidas dos aliados, algumas raparigas pediam-nos em casamento para irem de lá para fora, para outro país, para outra vida longe da guerra. Perguntei a Rumpf se podia mandar uma miúda para Portugal, ele riu-se na minha cara… calei-me. Ela era Geneviève, linda com seus olhos de Sol, seu sorriso delicado contornado a vermelho. “Namorámos” uns tempos até que seus pais conseguiram emigrar para os Estados Unidos… jamais nos veríamos.
Eu e Geneviève tínhamos feito planos para toda uma vida, assim que acabasse a guerra, casávamos, teríamos três filhos e envelhecíamos juntos, pouco mais dava para combinar e já isto era muito. Ficámo-nos por algumas noites de promessas e prazer, romance e amor em tempo de guerra. Escrevi-lhe algumas cartas, mas nunca as enviei por não saber a sua morada, na altura… agora já a sei. O navio em que seguia foi torpedeado por um submarino alemão em águas internacionais… ninguém restou, mas ainda tenho essas cartas, são a única forma de a recordar.
Era urgente recuar. Os alemães estavam às portas de Paris, era o saque total, a fuga generalizada, pessoas que recusavam sair, pessoas que passavam a apoiar Hitler, a Resistência a organizar-se, tiros, sangue e loucura. Paris deixou de ser Paris por alguns dias. Os Champs Elysées esvaziavam-se, a Torre Eiffel parecia mais pequena, o Arco do Triunfo perdera toda a sua beleza… o Rio Sena tornara-se cor de sangue.

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A PROFISSÃO DO ANFITRIÃO

I.

Esperando o início do banquete, recordava-me dos jantares anteriores. Não sei quanto aos outros, mas no início, mas não fora fácil engolir meu bocado daquela carne ensopada. Cortava um pedaço, espetava no garfo e logo procurava o copo. A intenção era colocar o naco na boca em empurra-lo para dentro do estomago com um grande gole de vinho. Com a sequencia de jantares acabei me acostumando. Diria até que já apreciava aquele prato.
Olhei rapidamente para os presentes e tentei trazer à mente a figura do anfitrião naquela noite. Vi-o rapidamente e não pude observar bem as mãos. Divagando, comecei a pensar se ele teria as unhas bem feitas ou se as roia, deixando aparecer os tocos dos dedos. Frequentaria uma manicure para deixar as unhas bem cortadas e limpas?
Sim. Por que convenhamos! Deixar as unhas “de luto” não seria muito polido. Muito anti-higiênico!
E se fizesse as unhas e usasse esmaltes? Será que teve o cuidado de usar esmaltes neutros e antialérgicos?

II.

O salão estava barulhento. De vez em quando aquele senhor gordo costumava soltar uma gargalhada. Odiava a gargalhada. Estridente e fina, desagradável como o som de uma hiena. Ainda bem que todos olham para ele nessas ocasiões e de imediato ela parava.
Continuando a olhar pelo salão detive o olhar naquela senhora gorda. Usava tantas joias! Não se contentando em usar brincos, colares, anéis e pulseira, ainda enfeitava o antebraço esquerdo com um pingente de ouro e safiras. Achei de muito mau gosto.
Um barulho acima da minha cabeça e olhei para o teto. Um grande candeeiro balançava ao sabor do vento. Voltei a olhar os presentes e balancei negativamente a cabeça, ao me deparar com um dos presentes coçando os ouvidos com o indicador da mão direita. Em seguida, placidamente levou o mesmo dedo ao nariz. Aquilo me embrulhou o estômago. Será que fazia isso também com os dedos da mão esquerda?

Estava demorando. Sabia que sem o anfitrião não haveria o prato principal e isso justificava a sua ausência entre nós até aquele momento. Não conseguia mesmo me lembrar do que ele fazia, qual era a sua profissão.
Talvez fosse um pintor ou um mecânico. Nesses casos, possivelmente teria restos de tintas e graxa nas mãos e debaixo das unhas.
Enquanto divagava distraído veio-me a lembrança da figura do nosso anfitrião. Aquela lembrança me embrulhou o estomago novamente. Não pude evitar o arrepio de asco ao lembrar a profissão.
Era médico. Mas fazer o que agora? O jantar estava prestes a começar. Restava torcer para que tivesse lavado bem as mãos e que usasse luvas em seus exames. Especialista em proctologia

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O ÚLTIMO CAPÍTULO

O dia está a declinar, a penumbra decora o meu quarto de cinzento. deveria levantar-me para acender a luz mas estou preguiçosa, sinto o conforto do sofá que oferece os seus braços
para aconchegar os meus. Os pensamentos veem, começam a aflorar a minha memória. Então lembro a juventude e não só. Tive a felicidade de poder viajar por países estrangeiros, ocasião
de ver coisas verdadeiramente extraordinárias, belas e imagináveis, mas nunca gostei de ficar muito tempo fora. Hotéis,
pousadas ou qualquer alojamento nos dão o conforto da nossa
casa e quando chegava sentia uma grande alegria. Reconheço
que foi um tempo de aprendizagem, conhecimentos úteis e culturais que me deram outra perspectiva do mundo. Agora no presente. É primavera, o tempo tem estado maravilhoso por isso amanhã tenciono ir passear pela vereda que circunda a casa. Calço uns ténis porque a terra é areenta, aquela pedritas
entram nas sandálias e magoam os pés. Mas é tão agradável ir pela sombra daquelas árvores, que nunca ninguém poda nem rega e só a chuva do inverno lhes mata a sede do calor do verão.. Agora reflorescendo provocam uma suave aragem que
nos traz o aroma doce das pequenas floritas campestres e coloridas. As amoras são uma tentação, um bocado poeirentas,
mas sopro e como-as, que doçura! Ás vezes até penso escrever
um livro mas não sei se alguém teria coragem de o ler até ao Último Capítulo…Na minha idade sénior de certo seria pouco compreensivo para os jovens que hoje em dia leem por siglas
no computador. Pelos adultos que nunca têm tempo para nada, nem para se coçarem pelas esquinas e idosos que infelizmente
precisam de óculos e nem dinheiro para os comprar. O tema seria insípido certamente. Vou guardar esta ideia peregrina para mais tarde quando regressar da minha última viagem e trazer histórias estreladas e luminosas. Ah! Que soneiraaaaaa!

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RECANTO DAS LETRAS

Estava agora completa a associação secreta de Luso-Poetas conhecidos como "Marmotas", que após expulsarem todos os demais poetas considerados por eles inferiores, os quais chamavam de "Antas", passaram a controlar todas as publicações de forma ferrenha numa busca doentia pela perfeição.
Alguns "Antas", inicialmente, não perceberam o cerco dos "Marmotas" pois estavam brigando entre si discutindo sobre estrelas e acordos ortográficos (melhor dizer, desacordo), e a desunião facilitou o ataque. Tão logo, o que se viu foi uma verdadeira caçada. Todos os "Antas" que recusaram a sair foram assassinados.
A obsessão aumentava a cada dia. No auge da loucura, os "Marmotas" decidiram que cada membro deveria cortar sua mão "inútil", a mão com a qual não escrevia, e que ela seria devorada por todos. Era o ato máximo de fidelidade à poesia, uma espécie de rito de passagem. Mas toda essa loucura estava longe de terminar, pois após devorarem a última mão inútil, decidiram no final daquela mesma noite que se algum membro ali presente não publicasse pelo menos três poemas por semana, dentro dos padrões exigidos de criatividade e originalidade, se fosse encontrado algum erro, mesmo de digitação, perderiam a mão "útil".
Ainda naquela mesma noite, três desistiram e voltaram para o "Recanto das Letras."

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O DERRADEIRO MANJAR

Um grupo de pessoas afins, conhecidas em seu circulo fechado, como o grupo dos doze, acreditavam que se ingerissem mutuamente a carne um do outro, a força de um se somaria a do outro, desta forma, um teria a força dos doze e como supunham que o lado esquerdo é a representação da força espiritual, resolveram de comum acordo que, um por um no prazo de doze semanas, deceparia parte do braço esquerdo e o servia como banquete aos outros onze, desta forma todos se fortaleceriam física e espiritualmente.

O local paradísico a beira-mar, havia sido cuidadosamente escolhido e tudo elaborado em detalhes cerimoniais.

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PRÉMIO EM MARTE


Primeiro Capítulo

Eram 5h da tarde quando o foguetão, último modelo acabara de aterrar em Marte. Lá dentro os 12 passageiros confortavelmente acomodados preparavam-se para sair. Todos tinham um ar radiante, pois apesar de serem mais de 1000 concorrentes, só eles tinham ultrapassado todas as provas que os levaram até ali. Aguardava-os agora a prova final, mas ninguém sabia o que os esperava, pois só o piloto tinha assegurada a viagem de regresso.

Um a um foram levados para um grande palacete encrostado num conjunto de rochas em tom madrepérola circundado por um rio de águas cor de violeta. Entraram pelo enorme portão até ao jardim, e depois foram introduzidos num salão redondo com janelas em toda a volta com vistas para exterior. No centro, assentado numa poltrona de veludo de cor neutra estava o presidente do júri vestido de forma estranha com uma capa que lhe cobria o corpo desde o pescoço até aos pés. Com uma voz pausada e austera revelou que a partir de agora era: “um por todos e todos por um”. O prémio só seria conseguido se ultrapassassem a prova final, e se um falhasse, tudo estaria perdido.

Foi-lhes dito que iriam ficar incomunicáveis, no entanto todas as noites um concorrente seria chamado através de sorteio para um jantar especial. Em cada jantar mais um seria acrescentado à lista, mas só passados 12 dias, estariam todos reunidos, no último banquete que seria realizado na parte superior do palácio, se entretanto ninguém falhasse o objetivo.

Os participantes estavam surpreendidos e até receosos, pois o ambiente tinha um ar de mistério e de pouca segurança, no entanto em breves segundos foi-lhes servida uma bebida de sabor agridoce que os deixou um pouco tontos. À medida que os minutos iam passando começaram a sentir-se muito felizes e cada vez mais eufóricos; afinal eles eram os heróis e todo o universo iria assistir em direto à sua vitória!

O que eles não sabiam é que a partir de agora iria começar o seu terrível pesadelo...

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ERAM DEUSES SANGUINÁRIOS

São atos incompreensíveis, mas antes da leitura do ‘Grande Livro Negro’, descoberto entre as ruínas duma antiga civilização. Se puséssemos apenas o olhar simplório de mortal aos fatos, jamais obteríamos com exatidão os motivos desde a formação do primeiro clã que se permitiu contaminar-se de instintos bárbaros e sanguinários, com o fim profícuo da aculturação insólita, advinda da aceitação e adoração dum ancestral imaginário e ‘Primaz do mal’, que deixou como primeira ordem antes do seu eterno mergulho ao âmago das profundezas; de segui-lo em seus preceitos cruéis a bem de se manterem coesos a ele, fortes e invencíveis, em prol da disseminação do poder e domínio através dos tempos pela guerra a todos os pontos habitados da terra, promovendo o controle amplo através do terror, subjugando as pessoas, à força dos misteriosos rituais macabros. Por isso, a expressão; “Do inimigo comerei a carne e beberei o sangue”.
Contam os anciãos refugiados numa aldeia nas montanhas geladas, que, assim como lhes contaram os antepassados, anciãos seculares e seus mestres, que, esses bárbaros não se contentavam em invadir, saquear e matar os habitantes dominados, os reis e seus guerreiros defensores; também lhes arrancavam o braço esquerdo, ‘o braço honroso, aquele que sustenta o escudo’ e levavam-no como troféus.
Num desses regressos, a legião sanguinária foi pega por uma forte nevasca, forçando-os a abrigarem-se na floresta. Isolados, não contavam que a tempestade perduraria além do tempo resistível ao frio, a sede e a fome. Findas as provisões de subsistência, e nulas as condições de sobrevivência, necessitados prementemente de proteína animal, comeram então seus troféus, adquirindo então o hábito do canibalismo, repetindo a cada fim de combate. Evento macabro que passou a ser considerado meritoso, pois, os elevavam a ‘superiores’ mestres de guerra.
Mantidos assim durante séculos, nesse vil perfil, sanguinários, ‘mestres superiores’ até a segunda dinastia, igualmente como seus antecessores; tidos como imortais, mas tão mortais quanto considerados divinos. Foi quando pela primeira vez correram o real risco de serem dizimados. Conta o episódio que após uma das incursões de guerra, como de praxe, trucidaram suas vítimas e delas trouxeram seus troféus... Já naquela altura, cada troféu considerado iguaria impar que se consumia nas ‘Festas da Vitória’, na verdade uma grande noite de orgia regada a vinho e ópio extensa a população servil intramuros constituída de mulheres parideiras, eunucos, e serviçais escravizados.
Algo de inusitado aconteceria naquela fatídica noite, quando, dois terço dos comensais foi surpreendido por uma grande catástrofe, um mal repentino sob o véu duma ‘peste negra’ levando quase todos a óbito em poucas horas. Mal devastador sabido somente após manipulações alquímicas feitas pelos magos e curandeiros da aldeia que se salvaram pelo impedimento de frequentarem as orgias por votos de castidade as suas relações diretas com os deuses. Registros descobertos da época consta que foram vitimados por uma estratégia inimiga, ação premeditada de guerra empreendida por um rei que teria sido avisado da invasão por esses bárbaros. Foram então enviados a combate soldados infestados duma doença infecciosa desconhecida que os faziam moribundos nos calabouços da fortificação, por isso, dispuseram dar seus corpos a imolação ao aço dos invasores pelo bem do reino.
E assim, durante dezenas de anos, parecia terem estabelecido uma trégua nas guerras. Na verdade não, foi apenas o tempo para se formar um novo clã, a terceira dinastia, constituída de indivíduos ainda mais perspicazes, cruéis e sanguinários. Quatro mulheres e um homem foram os únicos sobreviventes, pai e filhas, que se ofereceram em celebrações carnais incestas, para formação do novo clã, cada uma parindo gêmeos.
Morre o varão adulto, com oito filhos ainda inaptos a guerra, fica o comando nas mãos das matriarcas, com elas, o compromisso de continuidade da irmandade. Para que os motivos principais não se dispersassem, adotaram medidas radicais de proteção e bem estar, alheio à vontade dos adolescentes. Foram medidas duras, impostas em caráter definitivo e irrevogável, importantes no se previa para a eternidade. No parágrafo único, ditava que; ‘Sob qualquer pretexto, não se consumiria mais os troféus de vitória arrancados dos corpos dos inimigos; seriam queimados na praça central da cidade invadida, depois de saqueada e devastada’. ‘Deveriam os varões, completados a fase adulta; em sinal de obediência, na lua cheia, cada um dos iniciados, deceparia o próprio braço esquerdo, qual seria consumido por todos numa grande festa, uma cerimônia de iniciação, e de celebração aos antepassados.
Em volta da mesa, comensais incomuns, partícipes duma terceira geração de guerreiros do mal sob o vício do canibalismo, sendo que; os primeiros a radicalizarem, adotando a prática da automutilação e consumo da própria carne em ritual. Oferecendo aos seus pares, duma geração cujos ideais satânicos ficaram mais apurados ainda, sem correrem o risco de cometerem os erros do passado, de se envenenarem. Assim; fazendo da autopreservação o maior legado, a prova inconteste de lealdade, consequentemente, eternização do clã. Considerados ainda hoje uma irmandade poderosa e temida, seus membros resistem a esses tempos contemporâneos, só que o ritual não consiste mais na amputação do braço como sacrifício do corpo para o bem da alma possuída, consiste apenas em seccionar a falange do dedo mínimo, um arremedo do yubitsume, o ritual popular da Yakuza.

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Apurados os resultados da votação do júri, eis os vencedores deste VII Evento:

PIÈCE DE RÉSISTANCE - ARYSGAIOVANI - 1º lugar, com 32 pontos

O PACTO ---------------- LUIZMORAIS ----- 2º lugar, com 31 pontos

PRÉMIO EM MARTE - NELIAXP -------- 3º lugar, com 28 pontos

TREZE ----------- BETHA MENDONÇA - 4º lugar, com 26 pontos

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*(todos os enredos teriam que ter, por lógico, este final:)

ÚLTIMO CAPÍTULO

No amplo salão, onde uma mesa para doze estava requintadamente composta, ouvia-se o burburinho das vozes, em respeitosa moderação de timbres. Uma breve gargalhada soou, algures, e todos os olhares se voltaram para a origem dela, com uma estranha atitude de quase consternação e ofensa: fez-se um silêncio pequeno, e, logo depois, as conversas e os rostos voltaram ao tom grave, quase austero, que a ocasião impunha.
Alguém deu voz à ordem de sentar – o jantar ia ser servido. Havia doze lugares à mesa, mas só onze convidados na sala – sete homens e quatro mulheres, todos de idades a rondar a meia vida. O anfitrião, como sempre acontecia naquelas reuniões, serviria a refeição, e só se sentaria no seu lugar, ao topo da grande mesa, quando entrasse com o manjar e o servisse a todos, um por um.

O candeeiro enorme, suspenso sobre a mesa dos onze convivas, pareceu oscilar levemente, concedendo aos cristais que lhe adoçavam a luz, refulgências de curiosidade e espanto. Todos se voltaram para a porta, estranhamente sentindo uma aragem fria, reminiscências de brisa marítima, um gosto quase salgado-seco na boca...

O décimo segundo conviva, erguendo na mão direita uma enorme bandeja, trazia o braço esquerdo enfaixado e seguro ao peito. Uma mancha de sangue vermelho vivo trespassava as gazes brancas, deixando perceber que o acidente fora recente. Mesmo assim, sorria, triunfante, quando entrou na sala. Depois, em silêncio, pousou a bandeja sobre a mesa: uma mão esquerda, cortada com o pulso, fumegava, ainda, na enorme travessa...

Todos bateriam palmas, se tivessem as duas mãos... mas, claro, a todos os restantes convivas, faltava já a mão esquerda, cortada ao nível do antebraço... restou-lhes olhar com respeitosa admiração o “último sacrificado”, e, com estranha e discreta gula, o “último manjar”...

FIM
 
Até ao "Último Capítulo"... temos ENREDOS*

AVISO SOBRE O III EVENTO E CONSIDERAÇÕES SOBRE O IV EVENTO

 
Alô, lusuários!

Como foi dito antes, o nosso III evento ainda está ativo. Os que ainda não votaram ainda podem fazê-lo agora (vão lá, sim?).

O resultado do evento será confirmado amanhã.

Pedimos desculpas pelo atraso.

No mais, viemos aqui para pedir que vocês sugiram algo sobre o próximo evento.

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Caio: Minha sugestão é a seguinte:

Formar-se-iam grupos de cinco usuários. Cada grupo formado faria um poema com um número máximo de versos. Então, cada grupo nos enviaria o poema junto com os nomes dos perfis que formassem o grupo. Cada grupo teria um nome legal tipo "grupo fuinha"

Os poemas seriam então expostos na área de concursos para a apreciação do luso-poemas em peso.

Que tal?

Aguardamos sugestões...

E-L-P
 
AVISO SOBRE O III EVENTO E CONSIDERAÇÕES SOBRE O IV EVENTO

"Ai, o amor... "

 
...e a frase vencedora é!...
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Ai, o amor...um oceano onde duas gotas da existência se misturam em sentimentos indizíveis.

de HelendeRose

Quero agradecer a todos que participaram no "intervalo" da nossa gala de entrega de prémios, do I Evento Luso-Poemas 2013. Foi muito gratificante ler e reler todas as vossas frases, algumas de grande qualidade, todas cheias de Amor (como convém ao dia...) e criatividade.

Acrescento que me foi também muito agradável responder a todos, um por um, espero que em nenhum comentário tenha ferido suscetibilidades...

Feliz Dia de S. Valentim!

E L-P

P.S. Logo mais serão divulgados os resultados do I Evento L-P 2013!
 
"Ai, o amor... "

VOTAÇÕES - III EVENTO 2013

 
Caros Lusuários:

Já estão disponíveis para votação todas as quadras enviadas no âmbito do III Evento Luso-Poemas - 2013.

No separador "Concursos" (no topo da página, sensivelmente ao centro), encontrarão as quadras, e sob cada uma delas, um botão que facultará, em cascata, as pontuações possíveis: deverá clicar na que entender que o trabalho merece.

Por favor, certifiquem-se que votam em todas as quadras (são 40!).

A votação decorrerá durante esta semana, terminando, portanto, ao fim do dia 3 de março de 2013.

Todos os usuários registrados podem votar, participando ou não no presente evento!

Obrigado pela participação e pela colaboração!

E L-P
 
VOTAÇÕES - III EVENTO 2013

Quarto Evento

 
"...qual é o poema e quem o escreveu?"

Estou pensando num poema de um autor
português nascido no século passado.

O poema contém vários "e"
como conjunção aditiva.

O autor escreveu desde
os cinco anos de idade.

Quem é o poeta?

Qual é o poema?
 
Quarto Evento

MINI-CONTOS*

 
Ausência

Segura seu rosto e a olha no fundo dos olhos, procura calor e um sinal de vida naquele olhar invernal, nada. Depois, ajuda-a levantar-se e fazer sua toalete, era domingo, folga da enfermeira. Dá-lhe o pequeno almoço e leva-a ( na cadeira de rodas ) para o jardim, hora do sol. As rosas vermelhas, que ela amava , pareciam sorrir com sua presença. Senta no banco onde ficavam de mãos dadas, olha-a com carinho. As feições não se alteram nunca, sente a alma chorar. Se entristece, por não poder trazê-la de volta para ele, sua mente vaga, perdida, nas sombras. Fecha os olhos para rever seu sorriso (na festa das bodas de ouro, antes da doença) quando ela ainda estava consigo e brindaram à felicidade... pela última vez.
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(Indig)nação

Saiu de madrugada com a filha doente no colo.
Pensou em pegar um táxi, mas o dinheiro mal dava para o coletivo que, pelo horário, demoraria muito. Foi a pé até o hospital mais próximo, quatro quilômetros.
Implorou ajuda, mas teve que esperar mais uma hora pra descobrir que não havia plantonista, não havia vaga. Depois outras horas, conseguiu uma ambulância que o levou até um outro hospital. Mas a historia se repetiu, dessa vez como falta de recursos dada a gravidade do problema. Ouviu a criança dizer que estava com medo, antes de desfalecer nos seus braços. Foram em mais dois outros hospitais, no último conseguiu atendimento... Tarde demais!
A notícia saiu na televisão.
Uma nação inteira indignada!
Por três minutos, até começarem os gols da rodada.

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Move on

Decidiu tomar uma bica revigorante.
Entrou, cumprimentou e, ao balcão, observava os outros clientes. Apenas mulheres. Sentadas, sozinhas, ou em pequenos grupos. Curiosamente, era um café quase exclusivamente frequentado por mulheres. O outro, ali bem perto, por homens. Coisas das aldeias?
Percorreu os rostos. Sombrios, tristes, cansados. Vozes descaídas. Família, doenças… talvez as vidas de uma ou outra vizinha que goste de fazer coisas diferentes. Seguramente, muitos apertos e solidões.
Pagou. À porta, o habitual “Até logo!”. Ninguém respondeu. Apeteceu-lhe voltar atrás e dizer àquelas mulheres: Parem as lamúrias e maledicências. Sorriam! Levantem-se, vão caminhar! Ouçam música, dancem, cantem! Exercitem a memória! Sejam felizes e façam os outros felizes, também.
Nada disse. Impor aquilo que apenas pode ser sentido de dentro para fora?
Saiu, sem olhar para trás.

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entre a terra e o céu, o teu perfil.

escurecia já, como quando partiste deste mesmo leito de erva-doce, depois do amor. rolei sobre mim, abri os olhos e regressaste ao meu lado, deitada de costas, entre a terra e o céu: nos teus lábios, ainda o fogo do sol-por. os teus seios, duas colinas, a mais próxima deixando vislumbrar uma ermida, mamilo erecto. o teu ventre, um vale fecundo, ao descer das minhas pálpebras. nas origens das tuas pernas, num horizonte a sul, um tufo de alfazema...
e as tuas mãos nos sentidos das minhas, percorrendo-me a pele anoitecida.
voltei a fechar os olhos: continuavas lá. entreguei-me à terra e deixei que a brisa me lambesse os restos de suor.

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Cachorro no varal

Naquele momento tudo parecia se encaixar, havia preconceito na sala de aula e ponto. Ainda ontem o menino era marrom e pronto! A temática do dia era “os adoráveis bichinhos de estimação” e a personagem principal a “autora do menino marrom” que tomada de entusiasmo repetia com atropelos uma única frase:- “meu cachorro peto fede, ele não gosta de tomar banho”. Aquela pareceu- lhe a hora perfeita para a intervenção e quem ouvisse a mediadora em sua bela explicação sobre o “odor peculiar de todos os animais” aplaudiria, se não fosse, é claro, a intervenção da “aluna coadjuvante” que abriu caminho para novas possibilidades: Lilica, Sansão, Cristal e uma lista segmentada de nomeação aos pets. Uma fonoaudióloga urgente! O cachorro preto da menina era simplesmente o Fred!

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LEMBRAS-TE?

Lembras-te quando me puxavas pelo braço e soletravas o meu nome? Como era bom deixar que me conduzisses! Eu ía de olhos bem fechados sem saber para onde me levavas...
Lembras-te quando ao final de cada dia mergulhávamos nas águas transparentes da lagoa? Lembras-te como ríamos por coisas insignificantes e como nos
sabia bem jantar à luz do petromax, pão saloio e sopa de feijão? Como era
bom dormir bem aconchegada a ti, nas noites geladas de Agosto e acordar às 6h da manhã porque o calor já era insuportável dentro da tenda? Lembras-te...? Sabes, a velha
casa do guarda ainda lá está! O mesmo cenário permanece! Só nós, deixamos que o tempo, implacável, tornasse tudo numa memória!...

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Ênio

Sentado na guia meditava. Só ele não crescera, acometido por deficiência. Eram 108 centímetros com proporções corporais normais. Desde criança diziam que fora devido a síndrome pós nascimento. Traumatismo craniano aos três meses de vida. Escapuliu da banheirinha, aterrissou de cabeça no ladrilho.
Meditava quando ele apareceu. Zeus! Elegante e imponente, o “deutsche dogge“, famoso no bairro, mais de 110 centímetros.
Apavorado, encolheu-se, escondendo a cabeça entre os joelhos. Não se atrevia a enfrentar.
Mais perto, o dinamarquês cheirou Ênio encolhido. Sem maiores cerimônias, usou-o como poste. Depois do banho, Ênio levantou-se, exaltado. Disposto a enfrentar seu desafeto, ficou cara a cara. Zeus rosnou alguma coisa, afastando-se dois passos. Aproveitou-se. Uma cabeçada, um chute no joelho fez com que saísse ganindo.
Exultante, comemorou: “ Viu papudo?”
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Bolsa Família

Foi assim que encontrei a Tônia; engatinhava de joelhos revirando pó de sertão. Perguntei o que ela estava fazendo ali e, agoniada, revelou o acontecido:
- Ô dotô Inácio, recebi de presente uma bolsa carregada de comida pra toda família, mas ela ‘tava’ bem levinha que desconfio que Joãozinho, Tonico, Constancia, Josenildo, ‘num vai’ criar corpo de criança sadia. Essa ‘tar’ de bolsa tem ‘arças’ ‘fraquinha’ e arrebentou no caminho! Já ajuntei a bóia, mas tá fartando a coisa preciosa que disseram, tava junto. ‘Percuro... Percuro’, ‘num’ sei por onde caiu.
Cocei a cabeça intrigado, pois estava vazio em redor. Novamente perguntei:
- Que troço de preciosidade é essa Tônia? – que ela logo responde:
- É a ‘tar’ da cidadania seo Inácio... A ‘tar’ da cidadania...
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Contato

Estava passeando a noite, quando de repente vi no céu estrelado, algo tipo um cometa, vindo em minha direção, em altíssima velocidade, tentei correr, mas as pernas não obedeceram, estava apavorado, então ouvi uma forte explosão, acordei assustado. Parecia tão real, mas fora um sonho, no entanto fiquei com a forte impressão, que o barulho havia de fato, ocorrido dentro do quarto, onde dormia, acendi a luz, olhei, olhei, não vendo nada anormal, voltei a dormir. Pela manhã, a surpresa, o copo cheio de água, que havia deixado sobre a televisão, estava pela metade, pois ele havia sido transpassado por algo esférico, deixando orifícios de entrada e saída perfeitos, como se fosse sido fabricado assim, mostrei o copo a muitas pessoas, mas ninguém acreditou nesta versão.

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O homem do retrato

O homem sorriu-me e acenou-me com um breve levantar de mão tocando a aba do chapéu em sinal de um cumprimento cordial e respeitoso. Retribui com um leve esboço de sorriso meio atabalhoado pela surpresa. Aquele era o mesmo rosto, com o mesmo sorriso, que eu reconheci imediatamente dos retratos enclausurados nas molduras engalanadas, sobre os naperons de renda em cima da cómoda do quarto. Não havia dúvida de era o meu pai em novo e não me tinha reconhecido... Algo estava errado ali!
Fiquei imóvel enquanto o observava a desaparecer ao fundo, dobrando a esquina da rua.
Petrifiquei de gelo ao perceber que eu é que estava num tempo errado. Que não pertencia ali por não existir ainda...
Dei um salto e acordei estremunhada.

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REVANCHE

...Em fila indiana sob o causticante sol do árido sertão, seguiam; quando próximos do ponto mapeado; um sambaqui centrado num pequeno areal, o chão se abriu em fenda, e num vácuo, precipitaram-se todos.
No úmido fundo do precipício; luz difusa e tênue, filtrada através da nesga no topo da nave central. Pisavam sobre; fragmentos ósseos, peles, pelos, cabelos, carnes pútridas, restos de vestimentas e ferramentas de geólogos e paleontólogos.
Vindo do ocaso, um vento encanado, frio e persistente, que congelava os gotejamentos nas pontas das estalactites. Lívidos, viram a besta aproximar-se, sentar-se numa pequena lápide e acotovelar-se numa ara negra, com as garras sob o protuberante queixo. Num gesto, convidou a sentarem, e pela una vez rosnou num hálito enxofrado: - Vocês estão mortos; - mal vindos ao inferno!”

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SOLIDÃO INEBRIADA.

Chegou de sua maquinal rotina, sentou-se ao abraço de seu ordinário sofá.
Viu através da escuridão da noite, um meio de saída do seu particular universo de confinamento.

Nos raios de uma estrela cadente, viu quão fútil a idealização de sua vida.Banhou-se, na tentativa da água levar pelo ralo abaixo seus obscuros sentimentos.
De súbito, vestiu-se num ‘pretinho básico’ pintou os lábios de carmesim, perfumou-se de feromônios avant l’amour, pour femme.

Caiu na libertinagem da noite, nos bares experimentou absinto, nas boates temáticas desvairadamente dançou,beijou bocas sem nomes, inebriou-se ...

[Nauseou-se de sua correta \"pseudo\" moralidade.]

Olhou nos raios da manhã, sua insana/sensatez. Saiu da noite solidão, a seguir sua vida, em seu carro vermelho automático.
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* No âmbito do VI Evento Luso-Poemas

http://www.luso-poemas.net/modules/sm ... tion/item.php?itemid=2963

foram recebidos doze mini-contos, todos elegíveis, com 130 palavras ou menos.

Como prometido, aqui se publicam, para leitura e opiniões livres. A classificação, obtida de júri convidado, será publicada, Sábado, dia 20 de Abril.

Obrigado a todos, concorrentes, jurados e leitores.

E L-P
 
MINI-CONTOS*

Evento intermédio: "Ai, o amor..."

 
Enquanto os tambores rufam de expetativa, propõe-se um mini-evento:

Dia 14 é dia de S. Valentim, também dos Namorados, em Portugal. Reúnam-se à volta do espírito (nada como o Amor para nos reunir à volta do fogo...), revirem os olhos, ponham um ar sonhador e escrevam uma frase (uma frase só) que defina o Amor!

A melhor frase será, excecionalmente, escolhida pela administração deste "pelouro" de Eventos e divulgada no dia 14!

Bora lá, pessoal, o evento decorre só hoje e amanhã!!

E L-P

'Ai, o Amor...'

Como sou eu que vou escolher, de perfil (ooops, não há "smiley" de perfil... vai este, que hoje é dia de coraçõezinhos: ), reservo-me o direito de comentar cada frase... No final do dia, anuncio a vencedora!

E L-P
 
Evento intermédio: "Ai, o amor..."

EVENTO III -2013

 
Lusuários:

No presente Evento vamos voltar à produção criativa - um concurso de quadras!

O tema é:

O céu está a cair

As participações (uma por autor/perfil) deverão ser enviadas em mensagem privada para o perfil Eventos Luso-Poemas e a recolha decorrerá até ao final do dia 25 de Fevereiro de 2013.

Findo esse período todas as quadras serão publicadas, anonimamente e sujeitas a votação pública, isto é, todos os usuários com registo no site serão convidados a participar, votando, através de um sistema já implementado, de fácil acesso e operação.

A votação estará aberta durante uma semana, portanto, se tudo decorrer como o previsto, no dia 5 de Março de 2013 teremos a gala de entrega dos lusos de ouro!

De lembrar que, como no evento criativo anterior, serão apenas os três primeiros lugares a ser contemplados com prémios. Ainda não sabemos se mantemos a divulgação só dos cinco trabalhos mais votados, ou se optaremos por divulgar a classificação de todos, a seu tempo se decidirá.

Vá lá, toca a recolher meteoritos!



...e inspirem(-se)!

Boa sorte.

E L-P

Atentem:

Uma quadra, pra ser quadra,
tem que ter quatro versinhos,
rima certa e apurada
e um certo geniozinho...

Quatro versos e cadência,
rima em par ou alternada,
humor, siso ou sapiência
e alma simples... mais nada!

ATENÇÃO!

Cada participante só pode enviar UMA QUADRA sob o tema "O céu está a cair", podendo, ou não, incluir essa frase ou usá-la como título!
 
EVENTO III -2013

Evento intercalar (e informação sobre o IV EVENTO)

 
Bom dia, lusuários!

O nosso próximo evento, será, aproveitando a sugestão do Caio (que pareceu ser tomada como um desafio positivo), um concurso de poemas escritos a várias mãos.

Para isso, deverão formar equipas, de 3 a 5 elementos, escolhidos espontâneamente entre os vossos colegas de escrita com que tenham, porventura, mais afinidade poética, mais empatia... enfim, façam as vossas escolhas por qualquer razão que acharem válida.

Dêem um nome à vossa equipa, nomeiem um porta-voz e façam a vossa inscrição no evento, como equipa, enviando uma mensagem privada para este perfil -
E L-P, informando quais os elementos que a compõem.

Quando houver pelo menos 8 (oito) equipas "inscritas" no concurso, informaremos o tema do trabalho e dar-se-á início ao Evento.

Os trabalhos, em prosa ou em verso, serão então enviados também por mp para este mesmo perfil, que os publicará, em texto, identificados com o nome da equipa.

A votação voltará a ser restrita aos participantes, e decorrerá da seguinte forma:

-todos os membros de todas as equipas terão que votar, sob pena de verem o trabalho do seu grupo eliminado.
-os votos deverão ser enviados por pm para este perfil, e os valores a atribuir irão de 1 a * (sendo * igual ao número de equipas em competição, menos 1, já que está vedado o auto voto), devendo considerar 1 como o menos apreciado, 2, um pouco mais apreciado, 3, mais ou menos apreciado, 4, um pouco mais apreciado, 5, apreciado.... até chegar ao número máximo, o preferido. Portanto, se conseguirmos reunir 10 equipas, os votos serão 1,2,3,4,5,6,7,8,9 (nunca valores repetidos!), do menos apreciado até ao mais apreciado.

Isto é só um esboço de como decorrerá o evento. Haverá mais oportunidades de repetir esta informação e esclarecer eventuais dúvidas...

O primeiro passo será, pois, formarem os grupos... bora lá, pessoal, é hora de dar as mãos! (ao manifesto )

Esperamos a vossa melhor colaboração!

E L-P

ATENÇÃO!!
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v
continue a ler:

Entretanto, como exercício de intervalo, propomos o seguinte-

-formar um poema a partir das "palavras misturadas" (sem acrescentar mais nenhuma!)
do texto abaixo:

num e enlace mar nosso o areias descobrimento vento águas será céu me roçar beijo em levanto dissipação vaivém ao solta eflúvio o nosso doce de onde abraço acordo ao salgado amor me sobe vaga de espuma que será de meu vapor deita-te véu

Poderão usar todas as palavras ou parte delas, construindo um poema com sentido e lirismo.

O melhor poema (tendo também em consideração o número de palavras usadas - quantas mais melhor, preferencialmente todas) será o vencedor do evento.

Nestes eventos intercalares, não serão concedidos prémios, espera-se a participação somente pelo desafio, pela satisfação de criar, e pela "menção honrosa" que é a publicitação do poema vencedor e do seu autor!

Boa sorte!

***********************************************

O poema original, que se "misturou" para o desafio:

Deita-te
ao mar onde me acordo espuma
e me levanto abraço em vaga solta.

Meu amor,
o nosso beijo será de águas
o nosso enlace será vaivém
roçar de areias
descobrimento...

Eflúvio doce
dissipação
vapor salgado
que sobe ao céu
num véu de vento.
 
Evento intercalar (e informação sobre o IV EVENTO)

EVENTO II - 2013

 
EVENTO II - 2013
 
Caros Lusuários:

O II EVENTO LUSO-POEMAS - 2013 será um desafio:

No texto abaixo, editada em imagem para que se conseguisse a formatação pretendida, está escondido um poema (lógico e coerente, não simplesmente versos abstratos), de forma mais ou menos circular.

O primeiro autor que consiga descobri-lo, ganha o concurso, e o evento dar-se-á como terminado. Não há prazos, não há votações, não há esperas... é só deixar o Poema (ou as tentativas) em mensagem.

A organização estará atenta, na medida do possível, para que, quando o "descobridor" consiga "extrair" o nosso Poema, o possa felicitar, conceder-lhe um "Luso de ouro" e encerrar o evento.

Boa sorte!

(se necessário, clique sobre a imagem-texto*, para melhor visualização)

Como é nosso objetivo, os eventos a decorrer procurarão ser inovadores, diversificados, estimulantes da criatividade, do prazer lúdico da escrita, da partilha enriquecedora e do brio literário.

Esperamos e agradecemos a vossa melhor recetividade, quer em participação, quer em votação, quando ela vos for solicitada.

Sugestões, reclamações e observações, é favor deixarem no Forum, para discussão.

*contribuição de Sterea
 
EVENTO II - 2013

EVENTO IV - 2013

 
Lusuários:

O presente Evento, goradas que foram as expetativas de ser um desafio de escrita coletiva (só se inscreveu uma equipa), voltará à dinâmica de trabalho criativo individual.

O Tema de inspiração/Título dos trabalhos será:

"POEMA DE VIDA INTEIRA"

Os trabalhos, em prosa ou em verso, deverão ser enviados por mp para este mesmo perfil, que, findo o prazo estipulado para receção dos mesmos, os publicará, em texto conjunto, identificados somente com o número que lhes será atribuído em função da ordem de chegada.

A partir desse momento, passar-se-á ao processo de votação, que voltará a ser restrita aos participantes, e decorrerá da seguinte forma:

-todos os participantes terão que votar, sob pena de verem o seu trabalho eliminado.

-os votos deverão ser enviados por mp para este perfil, e os valores a atribuir irão de 1 a * (sendo * igual ao número de participantes em competição, menos 1, já que está vedado o auto voto), devendo considerar 1 como o menos apreciado, 2, um pouco mais apreciado, 3, mais ou menos apreciado, 4, um pouco mais apreciado, 5, apreciado.... até chegar ao número máximo, o preferido.

Resumindo, se tivermos 20 concorrentes, os votos serão 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,19 (nunca valores repetidos!), do menos apreciado até ao mais apreciado.

A entrega dos trabalhos a concurso decorrerá do dia 09/03/2013 a 17/03/2013.

Inspirem-se... e boa sorte!

E L-P
 
EVENTO IV - 2013

RESULTADOS DO I EVENTO 2013

 
Digníssimos Lusuários:

Como prometido, chegou a hora da entrega dos troféus, aos vencedores do I Evento Luso-Poemas 2013!!!

E os primeiros cinco lugares são de:

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5º Lugar--------------------------GABRIELASAL

4º Lugar--------------------------RAIODESOL
ex aequo ROQUESILVEIRA
ex aequo LUIZMORAIS

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3º Lugar--------------------------ZÉSILVEIRA

.

2º Lugar--------------------------PROPOESIA

.

1º Lugar----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------------------------------JOSÉCORREIA!!!!!!

QUADRO DE CLASSIFICAÇÕES:

Pontos Lugar
JOSÉ CORREIA 184 1º
PROPOESIA 180 2º
ZÉSILVEIRA 179 3º

RAIO DE SOL 170 4º
LUIZMORAIS 170 4º
ROQUESILVEIRA 170 4º
GABRIELASAL 168 5º

Temos o prazer de informar que já estão a ser entregues os "Lusos de ouro" aos três primeiros classificados (confirmem!!).

Parabéns a todos, especialmente aos galardoados!!
Continuem a participar, porque quem atingir o máximo de "lusos de ouro" conquistará o título de "Luso de Honra"!!!

E L-P
 
RESULTADOS DO I EVENTO 2013

RESULTADOS DO V EVENTO 2013

 
Caros Lusuários:

Cumpre-me informar, então, qual o vencedor do desafio deste V evento, "Dez autores para dez poemas"...

* *

*

*

*
ISSOR_HONEY

com 8 (oito)autorias relacionadas com sucesso!

Agradece-se a todos os autores que colaboraram nesta lúdica iniciativa, bem como a todos os que, valiosamente, participaram como concorrentes!

Parabéns à vencedora, que, com esta vitória, acumula já o segundo "Luso de Ouro"!

Aqui está o alinhamento correto das autorias:

Chovem punhais - Alice Luconi

Na linha deste voo - Ana Coelho

Florema - Cupcake

Partida - Jessicaseventeen

Depois da palavra - Maria Verde

Ensaio(-me) - marlise

Todas as árvores possuem flores... - miríade

Culpado in terno - Niké

Poema sem nada que o tenha - SilvaRamos

O (fogo) e o juízo final - Vania Lopez

Logo que possível será lançado novo desafio criativo, com ligeiras alterações de locação, das as quais serão devidamente informados. Esperamos que continuem connosco, em interesse, participação e colaboração.

E L-P
 
RESULTADOS DO V EVENTO 2013

Primeiro Evento

 
Evento Matinal

"...de quem é este poema?"

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Libertar-se ligeiro da moldura
é o desejo da face, onde, o desgosto
emigrado do poço de água impura,
vai se aninhar na hora do sol posto.

Do lugar da prisão vem a tortura,
pois vê, do seu retângulo, teu rosto
e acorrentado na parede escura,
não pode engravidar-te para agosto.

Guarda ainda no olhar instante e viagem:
o instante em que foi presa pela imagem
e o roteiro que fez em mundo alheio.

E eterna inveja do seu sósia ausente
que, embora prisioneiro da corrente,
habita num subúrbio do teu seio.

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Dicas:

1) brasileiro, filho de pais portugueses.

2) formado em Direito.

3) morreu em 11 de julho de 1960.
 
Primeiro Evento

Sexto Evento

 
"ameixas
ame-as
ou deixe-as"
- Paulo Leminski

Aqui hoje está calor.

Quero um poema que fale sobre uma fruta!
 
Sexto Evento

EVENTO V - 2013

 
Caros lusuários:

Este V Evento será um desafio lúdico, mas literariamente enriquecedor, e se tiver boa aceitação, planeamos repeti-lo, com outros poetas e outros trabalhos: trata-se de um jogo de "correspondências": dez autores para dez poemas.

O que o concorrente/leitor terá que fazer é atribuir a autoria, em função da lista aleatória dos poetas-colaboradores, aos 10 poemas aqui publicados.

Para isso, terá que ler cada um dos trabalhos com atenção, tentando identificar a marca ou o estilo do autor, a escolher na lista fornecida. Será, com certeza, um bom exercício de leitura e de aprofundamento - é claro que poderá (e talvez deva) haver a necessidade de revisitar cada um dos autores e fazer um reconhecimento da sua escrita...

Não é difícil. Todos nós temos as nossas maneiras próprias, a nossa "escrita de marca", o nosso cunho pessoal... e cada autor, como pedido, esforçou-se por deixar que ela transparecesse, nos trabalhos cedidos, sem no entanto a deixar demasiado óbvia...

De notar que os trabalhos são inéditos, por isso não vale perguntar ao tio Google!

É um excelente conjunto de poemas, se mais nada houver a ganhar, só a sua leitura já é um prémio.

Do regulamento:

§ Todos poderão participar, exceto, claro, os autores colaboradores!

§ As respostas, com a lista de títulos, seguida do nome sugerido do autor, deverão ser enviadas por mensagem privada para este perfil, Eventos Luso-Poemas.

§ Cada concorrente/lusuário pode enviar até 3 (três) tentativas de alinhamento das autorias.

§ Em resposta a cada mensagem, o E L-P informará quantas autorias o concorrente conseguiu fazer corresponder, sem especificar quais.

§ A cada nova tentativa, o E L-P informará quantos acertos coincidentes se verificaram, em relação á(s) anteriore(s), mas nunca apontando quais.

§ As correspondências conseguidas com sucesso, em cada uma das tentativas, não serão acumuláveis, para efeitos de contagem de pontos - valerá a tentativa que tiver o melhor resultado.

§ O evento decorrerá até que alguém consiga fazer as dez correspondências de autoria - se isso não acontecer até ao próximo dia 30 de Março, o evento será dado como encerrado, considerando-se vencedor do mesmo, o concorrente que tiver assinalado mais autorias.

§ O vencedor terá direito a um Luso de ouro.

§ Não se porá o problema de empates ou classificações ex aequo, visto que se considerará a ordem cronológica das respostas.

A lista de autores é a seguinte:

Alice Luconi

Ana Coelho

Cupcake

Jessicaseventeen

maria verde

marlise

miríade

Niké

SilvaRamos

Vania Lopez

***

Leia os poemas aqui:
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V

DEPOIS DA PALAVRA

Vomito pancadas talhadas no azulejo
Arco curvado pelas tuas mãos
Arco curvado.

Uma vez trouxestes-me uma janela
E pude ver o ar
e mesmo falso, respirava-o.

Mas o amor requeria provas que o movesse
fora das palavras que me davas
e talhavam em pouco tempo.
Portanto
não as quero mais,
quero carne e sangue!

A palavra morre, a palavra falha, a palavra talha.

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Todas as árvores possuem flores.

Toda árvore possui flor.
E a vida caminha embaixo dela...
E de seus frutos se alimenta,
de sua fotossíntese respira
de sua celulose abastece-se,
tira-lhe a cortiça,
a lenha de seu lume,
a madeira de seus instrumentos...

Lenhoso vegetal
de brilho e clorofila.
A perene seiva
de sua copa à raiz.
A revestir de solidez
o solo que se anda.

A exemplo:
Seu legitimo poder na natureza.
A doçura edificada
dos açucares em suas folhas.
A generosidade de sua sombra.
A versátil zona viva
de suas estações funcionais:
Vívidas flores da primavera,
folhas sábias caducas do outono,
seu súber às intempéries,
em sua protetora fortaleza.

A sabedoria a encantar os ventos,
que polinizam suas cores, seus aromas.
Como se todas fossem árvores ornamentais,
magnólias, ipês, flanboyants,
a adornar em beleza e essência nossa vida.

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Chovem punhais

Chovem punhais do céu de Marte
O deus da guerra está a postos
Titã , a lua , lança frias névoas
Saturno regela-se nesse compasso
Distante do Sol que aquece a Terra
Sementeira régia do sideral espaço.

Levantam-se montanhas, ao olhar
A flora enfeita as belas paisagens
Netuno governa oceanos e mares
Ninfas dançam nos bosques e lagos
Animais habitam todos os lados
Povoando a terra, a água e o ar.

Prometeu, doa ao homo, o fogo divino
Evolução e domínio - é o progresso
Destronados os deuses do Olimpo
A razão ordena o novo mundo-projeto
A ciência e a técnica, tronam o racional
‘Converso deus’, senhor deste universo.

Chovem punhais do céu da Terra...

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Na linha deste voo

É escura a noite
ao fundo cintilam as luzes
de um lugar distante
onde as almas dormem
no sono dos sonhos...

Chove!

Pingo a pingo
sobre as verdes folhas
de uma árvore com a raiz
suspensa no solo...

Gota...gota
ao som da ausência das estrelas!

Silêncio
na distância lunar do dia
...um pássaro perdido
sacode as asas
num céu negro

Por um instante
deixo o pensamento
na linha deste voo
a retomar ao ninho!

No beiral do santuário
onde o sagrado é um olhar
(des)coordenado
a sorrir por me saber sentir!

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Florema

Pingo lírio
no olhar lírico
e brota
a lágrima
que fere
a pele
do colibri.

Cai a pena,
o colírio
do poeta,

Voa
a pétala
no bico
do vento.
no circo
da dor,
o verso
encena:

Cai o pranto,
rega a planta,
nasce
o poema.

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ENSAIO-ME

Ensaio-me para ser menos confusa. Mais exata. Sobretudo ensaio outros costumes, outras manias, outras maneiras de mentir e sentir
ensaio para ser igual...
tão igual, como tantas outras, que se perdem na sua fantasia; confusas figuras de teatro, sem palco, sem fama
estou me ensaiando para ser menos espontânea, ser mais pratica, mais estática, dizem ser mais chique. Mais madame.
estou ensaiando para ser igual, igual boneca de pano forrada com idéias arcaicas.
assim serei finalmente considerada
sociedademente correta

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O... (fogo) e o juízo final...

morrem os espelhos (vazios)
com vistas do sol e da chuva
a jaqueta que tanto gosta
o cansaço dos pecados (aos pedaços)
o oxigênio que consome a sombra (sem cela)

a alma vendida como carne barata,
na terra e no mar
(todos os barulhos somem)...
tua voz quando chama meu nome,
o jeito que você põe o cabelo atrás da orelha...

pois me morre teu reflexo
e Deus... Deus não pode consolar
(um navio em chamas)

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Poema sem nada que o tenha

passo uma escova nos anos
pinto os lábios com o teu beijo
digo-te sem saber ler nem escrever
que te amo em Braille

respondes pelo enigma traquina do sorriso
a felicidade que só as crianças conhecem
e nunca estamos sós

depois amámo-nos
como se amam as flores
pelo caule das coisas simples
na metamorfose dos corpos

rimo-nos da tristeza
afagamos a beleza com mãos de tesoura
sem espinhos de futuro

e de tão felizes
apanhamos autocarros que nos levam
barcos que nos trazem
comboios que nos apitam

entre a felicidade azul de uma tela
entre dois mundos que se tangem
nos tijolos que os amantes compõem
há uma só certeza:
amar é uma empreitada de andaimes

um rio a correr para a terra
um gato sonolento num beiral
um pedaço da corda toda
Orquestra em fosso fundo

sabedores dos segredos das crisálidas
roemos os ossos ao destino
e ficamos à beira sonho
estampados como mártires
num pedaço de casulo
que usamos como noz

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acusado in terno

a testemunha
crava suas unhas
nas palmas do medo.
o juiz aponta o dedo:
- culpado!

todos olham de lado,
o alívio é imediato.
ninguém sabe como
mas, o culpado, de fato,
era o mordomo.

(que nesse dia estava de folga)

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PARTIDA

Não quero o travo
Cerrado dos lábios
Nem o grito do soluço aceso
No peito rasgado em lágrimas
De revolta e compaixão
Nas mãos desarmadas
Do abraço que te neguei…

Presenteia-me com sorrisos de face rosada
Em noite de lua cheia
Estende as mãos ao mar
E sussurra-lhe o meu nome
(Ele não esquece
O meu jeito de amar…)

Não sigas a corrente que todos seguem.
Embrulha antes, o beijo quente
Que te deixo nesta folha
E quando enxugares todas as lágrimas
Deita-a ao mar…

(Quero o Adeus mais silencioso de todas as brisas.)

Quando o voo partir
Recorda o cheiro das rosas
E o hálito do beijo que te não dei.
Lá do alto só quero sentir
O sorriso que me devolveste
Quando pela primeira vez, te olhei!
 
EVENTO  V - 2013