Poemas, frases e mensagens de Jovina

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Jovina

Confissões de uma poeta.

 
Digo na letra para falar
Do instante.
O pensamento efêmero, rápido
Isolo-o na sintaxe da língua infiel
A todos.
Antes que tudo se acabe
E não sobre nem o fictício da letra
Nem a ilusão do concreto pensamento
Eu sou.
Tenho verbos a interpretar e gritos
Nessa letra in litteris.
Escrevo e apago o que sinto
Para letrar verbos e sentidos.
 
Confissões de uma poeta.

Súplica

 
Se eu quiser ficar,não deixe.
Se eu quiser entrar
Empurre-me porta a fora
Na fluidez das estradas.
Não me castigue com o fastio
Da normalidade.
Se por descuido eu fincar raiz
Arranque-a.Corte-a em pedaços
Sob a terra fofa. Não a proteja
Da chuva,nem do sol,nem do vento.
Deixe-a ao relento,ajude-me a brotar.
 
Súplica

Manhã primaveril

 
Essa manhã cristalina, entranhada no jardim
Conspira o brilho dos meus olhos
E acalenta a pétala seca
A revoar nos braços do sol.
As folhas verdes e floridas e vivas
Deslumbram meu olhar
Que se ergue para o encanto
Dessa hora morna e radiante
Que em minha sala deleita-se.
Fio dourado dessa manhã
Que se abre em risos vivos
E me desperta.
Fazem-se nascentes os sonhos
E as promessas da Arcadia
Desejos contínuos no meu peito
Desde a madrugada.
 
Manhã primaveril

Carta para o homem da rua K

 
Entendo o desvio do teu olhar
Tua vontade de sumir,sair correndo
Desse instante armadilha,
onde os artifícios do amor nos cercam
como nuvem cambiante,
Diante desse horizonte incerto de amar.
Mas,não compreendo teu medo
porque o meu gosta de aventurar-se,
Tem mania de São Tomé.Não me protege,
Atira-me nesse abismo de gostar
Sozinha sem tuas respostas
E ainda permite vontades á minha boca.
Enquanto me ofereces a dúvida e o pavor
Dessa aventura abissal que é amar
 
Carta para o homem da rua K

Desertora do teu amor

 
Não me bastou viver contigo,
Não quis ser resignada,
Preferi não ser uma boa mulher.
Não amamentei,
Não quis sofrer no paraíso das mães
Nem do teu amor.
Só quis ir pra rua, chegar em casa tarde.
Olhar pro homens, desejar.
Dei-lhe muitos beijos, nas fantasias tuas e minhas,gozei.
De resto fui carinhosa, fiz papel de frágil
Fritei bifes acebolados,
Dei aquele trato na casa.
Não o amei mais do que amei as minhas vontades
E minha alma saiu porta a fora, foi boiar no rio
Conhecer os mistérios das cocheiras e das nascentes
Depois Livre, conseqüente, a vadia saiu de casa
Foi brincar no mar.
 
Desertora do teu amor

Bem amar

 
Encontro nos seus olhos
O desejo dos passarinhos.
Aceito seu convite de voar
No simples toque das mãos
Fio do nosso prazer matinal,
Que imprime na minha alma
O afeto que você me dar
Com as mãos e o olhar.
Nossos corações alegram-se
Nos beijos provados hoje,
Pois,
Somos mestres do amor possível,
Da alegria de sentir e existir.
Somos fabricantes da felicidade
Eu da minha, você da sua
E juntos, do nosso bem amar
 
Bem amar

Discutindo a relação

 
Já nos dissemos quase tudo.
Agora mais e mais calam-se
Na fala banal da ilusão
De sermos um só.
Somos pouco nesse resumo
De que nosso amor é tudo.
As palavras emudecem sobre
O que somos,antítese do silêncio
E meu coração abre vagas
Sai da rota em busca de mais
Que beijos e amor confesso.
 
Discutindo a relação

AMOR PRÊt-À-PORTER

 
Guarda-me-ei desses amores inúteis
Que tem o não na frente de suas frases
Que nada lhes pertence, pensativos
Não seguem nenhuma estrada
E também
Daqueles que se dizem doces e macios
Rimados com as dores dos românticos
Contemplativos, sem trote, sem cio.
Esses amores que de tão leves são fracos
Não aguentam segurar uma pá, uma enxada,
Não aram a terra, não colhem, não plantam
Eternos incompreendidos.
Quero distância desses amores sem laço
Sem velocidade que não alcançam a volúpia
Da minha alma falante, escrevente que faz
E crê harmonicamente.
Deus me livre desses amores macios demais
Com medo do fim, procurando proteção.
Só quero os amores que jogam capoeira,
Fazem musculação, dão risadas escandalosas
Brotam sementes.
 
AMOR PRÊt-À-PORTER

O caminho das estações.

 
O caminho das estações

Nos dias fecundos do outono
Visto- me com os frutos amadurados
E os ofereço para meu próprio banquete.
Descanso na varanda das almas calmas
E sigo a trilha de todos os dias da vida
Pela decisão de construir meu castelo.
Tecer sem parar a travessia das estações
Com os joelhos no chão se for preciso.
No inverno, fico com os amigos de fé
Para ter a primavera.Com a cabeça
Cheia de flores da nova colheita
Dançar em movimentos abertos,
Sentir o verão Germinar as sementes
Da minha vida.
E forte retomar o caminho das estações
Para viver a primavera, ter o verão.
 
O caminho das estações.

Confissões de uma mulher

 
Há um colar de flores em torno de mim.
Há uma fera alada sobre o meu ventre
Uma serpente.
Caliente e vermelha sou astúcia
E Janelas múltiplas, novas trilhas
Para o caminho de Zaratustra.
Disfarço-me em teias de magos
E alquimistas geniais.
Deslizo em vôos sobre as sombras,
Renovo meus olhos e meus pensamentos.
Com as mãos em chamas permanentes
Vou tecendo os lastros da minha sobrevivência
 
Confissões de uma mulher

Laços do medo

 
Medo de ser descoberto
Medo de beijar
De se entregar
Medo do que virá depois.
E se aparecer uma barata
Ou vier o adeus?
Tudo pode ficar bem alto
Medo de altura,de subir escadas.
O medo.
O medo.
O medo.
Tenho medo de viver pensando
Como poderia ter sido.
 
Laços do medo

Para todo meu.com

 
Sou a fulana da noite iluminada
Aquela dos seus sonhos homens
Dos seus sonhos ocultos de macho.
Eu tirei sua roupa, temperei sua pele
Com beijos e mel e comi de todo jeito
Me enrosquei na sua pélvis e quis mais.
Ao sair dos seus braços, com saudade
Seus pensamentos interrogaram-me:
Já vai?
Quando voltei, você já estava pronto
Tomei seu café, ouvi suas queixas, suas lidas
Depois enchi minhas mãos com seu corpo
Lhe prendi nos meus olhos, nas minhas pernas,
Na minha língua. E lhe chamei de minha vida
Prometi o céu e o mar, mas dei apenas o paraíso.
Quando sai, deixei seu coração a murmurar:
Sem ela, não vivo.
 
Para todo meu.com

A tua espera

 
És que saio pra rua
A procura de tuas mãos
Mas, só há memórias de tempos
E fatos.
Mais saudade de ti.
Desagradam-me todos os corpos
E bocas que desejam minha boca.
Nenhuma me diz se é santo
Ou diabo o que sinto e tenho
Dito sobre essa espera.
As palavras não sabem dizer
O que sente um coração
Que ama sem promessas
 
A tua espera

Quero o silêncio

 
É o fim do meu idílio com o céu iluminado.
Saio da companhia das estrelas
Para o encontro dos nossos braços.
O silêncio espera pelas palavras mudas
No meu coração vazio.
Não quero agora o som da palavra
No silêncio dela meu coração sorrir
Alegra-se meu corpo.
No calor da tua língua em minha nuca
E nos beijos que lhe dou na boca.
 
Quero o silêncio

Paisagens cotidianas

 
Derrama-se chuva de melancolia.
Cruzam-se as vontades secas
Com alegrias mortas nos corações
Adubo dos sonhos que fenecem.
No mercado dos perversos impunes
Almas modeladas, etiquetadas
Cospem angustias enterradas à força
Nos luxos, nas porções químicas, eróticas
E nos coquetéis alcoolizados.
A timidez dos lábios e dos braços
Abre o pesadelo dos beijos ausentes
E dos abraços distantes.
Assombrações torturam a mente
E a tristeza vem como um presente.
No burburinho das ruas, nos quartos...
Atrás das cortinas de chita ou de cetim
Pra ela tanto faz.
 
Paisagens cotidianas

Meu doce amor

 
Seu amor chegou pra mim
Como o cotidiano das manhãs
Nas ensolaradas cachoeiras.
Amor do riso e da cama
Grudou como chiclete no meu
Cabelo, nos meus braços e pele
E vive a morar na minha casa.
Nunca mais saiu de mim
E eu vivo dando cambalhotas
Dizendo sim.
 
Meu doce amor

Sobre o amor

 
O amor é lâmina na letra,
Palavra curta, lacerada
É limite e silêncio.
Nada há na sua rasura impura,
Nos dizeres do seu intervalo
Que se abrem, úmidos, anômalos.
E desenham o vazio da sua semântica
Em faltas pavorosas de versos e atos
Na meia luz da esperança que não é suave
Nem lúcida.
 
Sobre o amor

Reencontro com as palavras

 
Não sei por que cargas d’água me afastei da escrita.
Decidi viver outros mundo, outros lugares.
Fui padecendo de cabeça cheia, meu coração
Ficou agastado imerso em ares vazios.
A vida? Essa ficou pesada.
Mas porque tantos ventos angustiados?
Era a solidão da música dos fonemas,
Enchendo meus dias de pesares.
Pensei, pensei e logo vi que era sina.
O jeito era voltar para as palavras,
Não tanto por prazer em escrever
Mas, pela missão de pegar o mundo
Em suas nuances bonitas e feias,
Aprisioná-lo na letra e na forma,
Tornar imagens as maravilhas
E as ruindades
Que andam por todos os lugares
Mas, é no fundo do ser onde elas moram.
 
Reencontro com as palavras

Rimas do amor

 
Meu bem, no e-mail que lhe mandei
Confessei meu amor: amo, amo, amo...
Você não acreditou.
Querido, esse negócio de amor
A gente tem que acreditar.
O que há no coração ninguém ver
Só escuta, fala-se com palavras.
Do amor nem elas são certas,
Não precisa ter medo de sofrer
È assim mesmo: amar, mentir
Amar , esquecer, enganar e trair,
Ou desamar, está dentro do mar
Que é o amor.
Tenha medo não, acho que vem do coração
Essas coisas boas de mim pra você.
 
Rimas do amor

Doutrina das pedras.

 
É de concreto.
As pedras tecem palavras doutrinárias.
Suas nuances e verdades sobressaltam
Os abraços não desabrochados , incógnitos.
E tudo fica pelo avesso na letra
Das pedras palavras insolúveis.
Fica intacta a porta do coração fechado
E do amor dormente na dureza das formas
Criando rimas e humanidades.
Nas línguas das pedras que não quebram no fogo
Nem com a força dos raios, é concreto
A pedra nas mãos e nos olhos fazendo
O mundo como uma névoa crepuscular.
 
Doutrina das pedras.