Poemas, frases e mensagens de Jardim<>

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Jardim<>

o quanto vagueei

 
o quanto vagueei
 
o quanto vagueei à tua procura, a levar comigo as tuas palavras, a fazer delas um mantra, uma prece, ao ouvi-las, a cultivar a ilusão de que não tinhas partido? quantos amanheceres permaneci a revolver as lembranças que não se desfaziam, a maneira como gesticulavas, os teus lábios quando encontravam os meus, como me recebias entre as tuas pernas, o branco dos teus dentes. o quanto vagueei a prometer-me que te encontraria a qualquer momento, a qualquer custo? essa promessa a resguardar-me da aniquilação, a sentir o teu cheiro em cada uma que despia, a chamá-las também pelo teu nome.

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Poemoa do livro Crónicas do Amor Impossível
 
o quanto vagueei

quando acordei

 
quando acordei
 
quando acordei não posso dizer que encontrei o inesperado. aquela manhã, tantas vezes adiada, finalmente se revelava e nascia, contra a minha vontade, no ontem emaranhada. era como se ainda estivesses aqui, restos do teu riso continuavam presentes na cena, as tuas mãos a tocar-me, as minhas coxas entre as tuas, na mesma cama em que prometemos ficar juntos para sempre. a luz imprecisa daquela manhã não me permitia acreditar que o teu som havia cessado, restando apenas a ruidosa agonia dos espelhos a despertar-me para o indesejado, o inevitável e a vontade de não acordar. o itinerário do teu corpo era agora um teorema, a concretude definitiva da tua partida, na mesma cama em que a outro te entregaste.

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Poema do livro Crónicas do Amor Impossível
 
quando acordei

será que consegues entender

 
será que consegues entender
 
 
será que consegues entender que algo em mim passou a bater fora do seu ritmo, que por onde passo já não tenho pressa, que as noites deixaram de ser uma procura feroz, que as estrelas, agora conheço-as pelo nome, que naquilo que
vejo surgiram prioridades? será que percebes que mesmo acordado o meu mundo se enovela em sonhos e que a trama
da realidade coaduna com eles tornando mais leve o tempo? será que escutas a música que eu ouço quando o nosso olhar
se encontra no meio de uma conversa e de repente entre nós se faz o silêncio? ansioso por tocar nos teus cabelos os meus gestos denunciam as minhas intenções quando estou ao teu lado. será que desconfias que chegar a ti foi o mais difícil dos caminhos, o mais improvável dos acontecimentos, um lance
de dados que não aboliu o acaso? será que imaginas a extensão da minha fome quando te devoro com os olhos, a ânsia de tocar as tuas pétalas e nelas colher o perfume que fabricas? será que entendes, nas pistas que deixo, na
cadência da minha respiração, a inquietude a que me entrego, até nos menores actos, nos momentos mais
fugazes? mesmo que não vejas o óbvio, sigo assim, sem ruído, aprendendo-me um pouco mais a cada instante, surpreendendo-me, reciclando-me, recriando-me, reinventando-me, sem querer apressar as horas, sem precisar de nada além de que existas.

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será que consegues entender

prometi amar-te

 
prometi amar-te
 
prometi amar-te, assim por inteiro, cada centímetro teu que trazes debaixo da roupa, sem me importar se já foste santa ou puta, comprometendo-me a escutar o que dizias, real ou imaginário. prometi amar-te, lúcido ou demente, apesar das coisas pequenas e insanas, grandiosas ou medíocres, ordinárias, desprezíveis, desnecessárias ou imprescindíveis que preenchem os teus calendários, ocupam a tua agenda e que me roubam o sono. prometi amar-te, nas tuas insignificâncias e coisas tolas que transformas em holocaustos, vendo a forma como te movimentas, o teu piscar de olhos quando mentes, de acordo com os teus ardis, os teus artifícios. prometi amar-te em cada segundo que nos é subtraído e apesar da constatação de tuas trapaças, apesar dos nossos fracassos. foi só quando desisti de ti que pude cumprir a minha promessa.

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prometi amar-te

antes que eu pudesse dar-me conta

 
antes que eu pudesse dar-me conta
 
 
antes que eu pudesse dar-me conta, desde o princípio, antes mesmo de te conhecer, já te amava. cultivava este amor repleto de promessas imprevistas, noutro hemisfério, em terras distantes, noutro continente, por cruzar mares e oceanos até me encontrar. já amava a tua cor e o teu toque, as tuas palavras antes que as ouvisse, já previa o emaranhar de nós e o nosso abraço, minha ânsia em percorrer os teus relevos e os teus segredos, os teus pelos na minha boca, a humidade entre as tuas pernas. já tinha as minhas mãos à espera das tuas, sempre a guardar a tua chegada, o momento delas envolverem os teus peitos. esperei por ti, repleto de histórias de outras tantas que se desvaneceram no momento em que os teus lábios se encontraram com os meus.

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antes que eu pudesse dar-me conta

espero o momento

 
espero o momento
 
 
espero o momento de te tocar e sabes que há em ti algo que me envolve e me conquista. esta expectativa é um ensaio que atravessa o abismo entre a nossa pele, é um prenúncio de algo em que me fizeste acreditar. algo que me tome quando este momento chegar e quando de mim tu te apoderares. contento-me com o teu frágil sorriso e as tuas promessas cuja interpretação se perde diante do timbre da tua voz. profeta da incerteza, aguardo do momento a sua acontecência. calo diante da fêmea húmida que sugere cios e sonhos, diante do encanto e do encontro aguardado por nossas línguas.

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espero o momento

se amor houvesse

 
se amor houvesse
 
 
se amor houvesse, bastar-me-ia isto para desaprender o meu caminho, para vagar da praça mauá à cinelândia sem direcção, quieto e calado, pequeno, leve, para me perder nas curvas e becos da cidade nua, para que me diluísse na multidão? seria suficiente para tocar os teus cabelos, para guiar os meus dedos por sob a tua saia até o teu húmido reduto, para desejar ouvir de ti um gemido? se amor houvesse, bastar-me-ia isto para admirar o céu do aterro, insano e vasto, amplo, alto, para criar asas que me levariam até ao sol repetindo o voo de ícaro? bastar-me-ia que nos encontrássemos num horizonte de eventos, que a tua respiração se fundisse à minha, que eu tornasse a crer em sonhos? se amor houvesse será que tu entenderias que por tua causa desaprendi o caminho, por tua causa vagueei sem direcção, por tua causa perdi-me, por tua causa parei para olhar o céu, por tua causa tornei a sonhar?

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se amor houvesse

foram tantos

 
foram tantos os que te comeram, a tantos juraste eterno amor. com todos tiveste a certeza de ter encontrado o teu par. como acreditar no que me dizes, mais uma vez, com a tua mesma antiga convicção? sou apenas mais um entre os tantos que te comeram. se apenas tarde te encontrei e não pude ser o primeiro, não posso cobrar do teu tardio amor ser o último.

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foram tantos

Beijo

 
Beijo
 
 
beijo as pétalas da rosa.
e na minha boca
o meu amor goza.

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Beijo

A casa está vazia

 
A casa está vazia
 
 
a casa está vazia, estar só torna-se um compromisso. o teu cheiro, porém, continua no ar, o mesmo ar ordinário que respiro e que traz o aroma de quando estavas aqui. a falta que me fazes, porém, é um prémio. é um presente que custei a aceitar e que me libertou do senso comum, do ofício de fabricar ilusões, da necessidade de acreditar em contos de fadas, de protagonizar ficções baratas, da dose diária de mediocridade.

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A casa está vazia

guardei para ti

 
guardei para ti
 
 
guardei para ti rosas e versos, construí cada palavra, pus em cada uma um gosto de sol e mel, procurei matizes e luzes. aguardei que sobre elas derramasses o teu sorriso ao encontrares ali o teu nome. a minha satisfação brotou entre as pétalas do jardim. o que fiz foi para esquecer as lágrimas já que agora somente os teus dedos correm pelo meu rosto.

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guardei para ti