Poemas, frases e mensagens de GabrielaSal

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de GabrielaSal

A (minha) poesia de cada dia

 
A (minha) poesia de cada dia
 
A (minha) poesia de toda vida

a poesia de toda vida
esteve por tempos contida
nos vãos pequenos das janelas
atrás das sombras da porta
onde os olhos jamais alcançaram
como um tesouro de pirata
escondido no fundo do oceano
com riquezas infinitas
coisas que no dia a dia
passaram por nós despercebidas
a verdade do espelho de cada dia
o instante que se transfigurou
em segundos apenas
aquelas flores que nasceram
nos jardins do vizinho
o espanto de um susto
a côr do silêncio
um pensamento que persistiu
a tão sutil densidade das coisas
o sabor melado da alegria
a mão seca que tocou a agonia
a fidelidade dos sentimentos puros
a imagem lúcida perdida no tempo
a poesia de toda vida
nasceu e morreu com o tempo
não foi vista pelos olhos distraídos
tentou acenar tantas vezes
desesperadamente quis dar sinal de vida
mostrar que estava ali para ser escrita
nasceu fresca e jovem
mostrou sua beleza até que envelheceu
mostrou nas rugas o segredo da poesia
mas invisível, não sobreviveu...
 
A (minha) poesia de cada dia

Oblíquo

 
Oblíquo
 
Oblíquo

às vezes olho o mundo
meio vertical
as pessoas, as situações
parecem não caber
no meu dia a dia
angustia-me essa visão
sentimentos fora do eixo
passos fora do rumo
aceitação!
ah! este mundo enviesado
e meus olhos
cansam de sonhar acordados
sempre em linha reta
direto no horizonte
onde o sol nasce brilhante
naquela côr alaranjada
cintilante...
então procuro suas mãos
de um modo simples
onde derramo suave
um carinho impensado
tão forte - e oblíquo
é este sentimento intranquilo
esta paisagem de seus olhos
e este abismo em que caio
sempre desviando-me do horizonte
essa linha oblíqua
(tão constante)
mostrando-me afinal
que meu mundo, só em meus sonhos
poderá ser - fitando aquele sol
na vertical...
 
Oblíquo

Fidedigna

 
Fidedigna
 
Fidedigna

vou deixar para amanhã
o sorriso suave carimbado no rosto
a aceitação eterna e previsível
tipo marca registrada de produto
de amor incondicional
nem vou pisar em ovos
vou quebrá-los todos!
hoje eu quero
o grito escandaloso da verdade
o gesto de escárnio
as feridas abertas e expostas
sem o costumeiro e diário grito calado
vou cuspir no prato que comi
arrancar a toalha da mesa
jogando no chão – todo farelo de pão
encarando as mentiras cara a cara
amanhã– juro, eu mudo
e levanto-me inteira
como quem se esqueceu
mas hoje, só hoje - quero ser Eu!

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Fidedigna

Intrepidez

 
Intrepidez
 
Intrepidez

não tente calar minha voz
com seu silêncio
a liberdade de expressão
é necessidade incontestável
a um ser humano
nem me olhe
cheio de repreensão - sou adulta
independente e vacinada
sem cogitação
minha cabeça decidida
tem seus próprios neurônios
não tente dirigir meus passos
eles seguem para onde quero ir
deixo aquele copo de vinho
pela metade em cima da mesa
para sua degustação
e esse jantarzinho a dois
à luz de velas
não passa de pura encenação
deixa-me sair pela porta da frente
com dignidade
ajude-me a carregar as malas
para a garagem
deixo embrulhada no criado mudo
a minha fraqueza
na pia do banheiro
passe um paninho
nas minhas lágrimas noturnas
no armário, pendurado
do lado direito da sua camisa azul
a minha insegurança
hoje ao sair por essa porta
pouco me importa a vizinhança
quero respirar um pouco desse ar
de liberdade incondicional
como herança deixo para você
meu celular
(isso é para voce nem me procurar)
 
Intrepidez

Benefício da dúvida

 
Benefício da dúvida
 
Benefício da dúvida

com um só toque
estrangulou a garganta - ávido
sufocando suspiros
boca a boca
sequestrou todas as defesas
num piscar de olhos
e com a frieza do olhar
congelou todos os gestos
esmagando com as mãos
os vestígios de ternura
possuiu a carne
como dono absoluto
de uma propriedade particular
e....mais tarde
varreu com as mãos
todos os porta-retratos
em cima do criado mudo
destruiu todas as provas reminiscentes
e matou o amor com tanta classe
que nem um profissional de primeira
poderia fazer igual
mas dessa, saiu ileso
como qualquer celebridade
pois como advogada do diabo
dei-lhe o benefício da dúvida
sem prazo de validade
 
Benefício da dúvida

Do chiclete à solidão

 
Do chiclete à solidão
 
Quando estou ansiosa mastigo chicletes. Aqueles coloridos.
Fazendo isso, sinto-me irreverente, em clima de tanto faz.
A cada imensa bola que faço, coloco toda minha raiva ali dentro. Então ela
estoura, e me sinto criança. E brinco com ele dentro de minha boca.
E então penso em você. Sim, ainda penso em você. Caramba, você acha que
vou esquecer assim do dia para a noite, 2190 dias?
Outro dia a noite tomando chã na cozinha lembrei de você. De costas para a
pia, preparando aquele seu famoso chá afrodisíaco de cipó-cravo, como se
precisássemos!
Naquela cama não havia um dia de tédio. Era um rolar louco e desvairado
entre as cobertas, com gemidos em todos os tons.
Depois fumávamos um cigarro fazendo desenhos com a fumaça
no escuro do quarto.
Saudade de sua voz rouca no escuro, a me contar historias, e a dar aquela gargalhada gostosa de fim de noite.
Ou quando na madrugada você rolava e deitava a cabeça em meu peito, enquanto eu acariciava seu cabelo macio e crespo brincando com eles na minha mão.
E agora, de repente entre uma bola e outra, eu lembro do último dia que nos vimos.
Ver você saindo daquela porta, me parecia o fim de um livro de ficção cientifica.
Naquele mesmo dia, engatinhei em seus rastros, lambi o copo que tinha a marca de sua boca, procurei suas digitais nos espelhos do banheiro, apalpando a saudade como coisa viva que pulsava dolorida em minha mão.
Daí para frente - entrei em coma na minha solidão.
 
Do chiclete à solidão

Sufoco

 
Sufoco
 
Sufoco

há muros de idéias que me cercam
espremendo constantemente
meu cérebro e coração
a luz verde diz: "Vai!"
e então dou um passo a frente
e abro os braços
vislumbrando o doce Paraíso
e a luz vermelha diz: "para!"
e volto então dois passos
virando a cabeça em desespero
olhando para o saboroso fruto!
atraente mundo
com orgias mil que nunca tem um fim
e prevalece sempre
essa tão conhecida liberdade consciente
que faz sempre
que eu pare dentro de mim

(driblo emoções
anestesio o coração
maldita razão!)

um dia vou morrer
em qualquer esquina
sufocada pela minha solidão!
 
Sufoco

Em seus a(braços)

 
Em seus a(braços)
 
Em seus a(braços)

Quero seus braços enlaçados em meu corpo, assim, pele com pele, matando essa sede, essa saudade desvairada. Uma loucura por essa identidade de sentimentos, quando seu sorriso se une a minha
respiração entrecortada, e nossas mãos se atropelam quando mergulham juntas a procura do prazer.
Falamos a língua muda do desejo misturada com um oxigênio impuro,uma falta de ar...
A sua voz suspirada em meu ouvido, toca todas as notas da minha solidão.
Seu corpo se contorce nas ondas do desejo e mergulho no espiral de sua emoção.
Paro. Respiro fundo.
Sua alma lateja em meus sentidos de uma forma absoluta.
Minha pele se arrepia, e sorrio, um sorriso esmaecido de saudade.
Acabei de cobrir-me de nudez.
Vem, e veste-me com suas mãos, arrepia minha pele para que eu me vista de emoção.
Abraça-me bem apertado contra o seu peito, , esmaga-me.
Deixa que minhas palavras mudas escorram pelo seu peito. Colha meus beijos com suas mãos.
Depois, fica assim...sem se mexer,pele com pele, nesse nosso transe.
 
Em seus a(braços)

Testemunha ocular

 
Testemunha ocular
 
Testemunha ocular

acordo e fito o teto do quarto. Não sei por que acordo, parece até um relóginho interior que desperta.
E no escuro os pensamentos começam, como cachoeiras. Principalmente aqueles problemas indissolúveis. Aquelas sombras escuras.
Levanto. Acendo a luz. Desço as escadas lentamente e meus passos são cuidadosos.
4 horas da manhã. Sento na poltrona da sala e ligo a TV. Vejo uma propaganda de centrifugador de sucos.
Pudesse eu colocar todos meus pensamentos alí, e
centrifugá-los. Fazer deles um só. Depois despejá-los no ralo da pia.
Acendo um cigarro. Veneno diário - companhia necessária.
Dirijo-me à cozinha para fazer café. Que insanidade, café as 4:10 da madrugada.
Sento na mesa da cozinha, com minha xícara cheia,
bebendo devagar, aquela quentura parece aquecer-me a alma, e me traz certo conforto.
Olho para as cadeiras vazias, e pareço ouvir a voz das crianças :“Mãe, o que tem para o jantar?”. Parece tudo tão longínquo.
Meus olhos se deitam no refrigerador, em uma foto nossa de férias na praia. Sorrio.
Termino meu café, meu cigarro, e lentamente volto
para meu quarto. Subo as escadas dando uma parada, olhando o sofá, o tapete, e pareço ver cenas antigas.
Sento na cama, apago a luz. Meu quarto parece tão imenso.
Deito a cabeca no meu travesseiro, e o
teto é testemunha ocular de minha solidão.

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Testemunha ocular

Frenesi

 
Frenesi
 
Frenesi

os sentimentos balançaram-se
e como uma delicada folha ao vento
dobraram-se...
uma mão bondosa
aterrizou em seu rosto
e afagou-o
aqueles olhos profundos
incansavelmente
a escutaram
sem nada dizer
sim, não somente os ouvidos
podem ouvir
mas os olhos, ah! os olhos
eles podem escutar
sem palavras
derramam ternuras infinitas
(como os seus)
assemelham-se
a abraços mudos
e injetam no sangue
tintas que percorrem as veias
colorindo emoções
suas maos sempre colheram flores
no jardim de meus sonhos
e suas doces palavras
tiraram delicadamente
todos os espinhos para nao me machucar
existem silêncios
(como este agora)
que enchem tetos de sonhos
apenas com suaves ventanias
e sua alma ainda sopra balões coloridos
a enfeitarem o perpétuo teto
de nossas doces fantasias
(ainda te sinto)
 
Frenesi

Ramerrão

 
Ramerrão
 
Ramerrão

e ela acordava todos os dias
com aquela caneca na mão
o olhar distante
os passos lentos
e se aproximava da janela
e olhava as flores
tudo parecia tão igual
como ontem
as revistas espalhadas no chão
o café na xícara florida,
a ansiedade do amanhã
a dúvida do hoje
e na cabeça, mentalmente
desenhava a mesmice
com aquela dor
de quem queria mudar
e simplesmente não conseguia
a rasgar por dentro a pele
do coração já destroçado
a sensação tão lúcida
dos mesmos passos
dos mesmos gestos
quase até dos mesmos pensamentos
a mesmice do gosto do café forte
a deslizar por sua garganta
a mão doentia
a procurar a morte prematura
naquele maço de cigarros
(a vida não sempre termina
de um modo imprevisível?)
sugava a nicotina necessária
para lhe dar a etérea sensação
de fiel companhia
olhava para cima
expirando na fumaça branca
naquela conhecida anestesia
observava os desenhos no ar
de seus sonhos enfileirados
na janela de sua solidão
e o vento atrás da cortina
soprava manso como uma música
trazendo aquela antiga bailarina
com seu vestido esvoaçante
equilibrando-se nas pontas dos pés
sonhos, sonhos...
enfileirados, coloridos
espremiam-se disfarçados
na rotina do dia a dia
mas nos soluços engolidos
conseguiam sempre sobreviver
abraçados à sua fantasia

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Ramerrão

Emergência

 
Emergência
 
Emergência

Canso-me de andar essas avenidas, sem dobrar esquinas, parece que meus passos vão sozinhos, sem ao menos que eu os ensaie.
Preciso livrar-me do confortável, e tentar sentir-me um pouco fora do lugar, para deixar meus sentimentos crescerem.
Quando repetimos as mesmas coisas, e sentamos na poltrona
do conforto, não há nada mais para se ver. Já declaramos morte
de nós mesmos.
Ainda sou jovem para morrer. Esse morrer por dentro.
Tenho que começar a desbravar estradas mais tortuosas, com mais curvas,
mais subidas e descidas. suar um pouco, e avistar o desconhecido, sem ter medo dele.
Por que a resistência e o medo? Por que pensar que felicidade é estar sempre
na zona de conforto?
Preciso perder o medo do desconhecido. Abrir meu mundo para novas
oportunidades.
Vejo isso hoje – em mim – como uma emergência.

quero procurar além daquele horizonte
desbravar meus medos e seguir em frente
desnudar-me de antigos pensamentos
e mergulhar neste desejo emergente

olhar sem temer, nos olhos, o desconhecido
e se a dor vier, que venha tomando conta
quero fingir que a desconheço e ir mais fundo
mesmo sentindo que tudo me amedronta

embriagar-me do novo, sentir sangue puro e vivo
rasgar-me em pedaços, trocar uma pele nova
lançar-me de cabeça em projetos nunca vistos
beber em goles a dor pura, e sair dessa alcova

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Emergência

O pequeno poema do vaso chinês

 
O pequeno poema do vaso chinês
 
O pequeno poema do vaso chinês

partido em pedaços
no chão da sala
aquele velho vaso chinês
as flores debruçaram-se
e a água derramada chorou
sobre chão de madeira encerado
formou minúsculas poças
com mil pedaços de sonhos
num canto, fazendo parte da cena
uma alma solitária
que de repente percebeu
a pura arte de transformar
um voo pleno
em dor tão íntima
 
O pequeno poema do vaso chinês

Impalpável

 
Impalpável
 
Impalpável

dispersou o olhar
fingindo-se de ausente
levantando a mão , manicure perfeita
olhou para as unhas vermelhas
e segurou a taça de vinho
em pose cinematográfica.
sentia-se invencível!
e gostava da sensação...
mergulhou a boca vermelha
na taça espumante
e dengosa, fez-se de vítima
bastou um instante
para transformar o frívolo
em profundo...
o céu tingia-se de rosa
a tarde caia lentamente
relaxou as pernas na cadeira
soltou os cabelos ao vento
e também os pensamentos
chorou alto até que as lágrimas
lavaram-lhe a alma
e torceram-lhe o coração
olhou a ferida exposta
e com determinada raiva
estancou o sangue com furor
poderosa levantou-se
impalpável!
equilibrando-se em sua dor...


.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Impalpável

Frugal

 
Frugal
 
Frugal

uma daquelas manhãs ensolaradas
quando o céu entra na alma
e as roupas penduradas no varal
cheiram a vento fresco
as crianças correm no quintal
a bola, o velocípede, a árvore
da porta da cozinha
o cheiro da feijão temperadinho
a mãe na janela, o sorriso fraterno
olha carinhosamente suas crias

era um dia qualquer
mais um no calendário da vida
uma segunda, ou quarta, ou sexta?
não sei... só sei da simplicidade
dos momentos tão bem guardados
daquele temporal à tardezinha
do cheiro da grama depois da chuva
o pipoqueiro na mesma esquina
do vizinho na cadeira de rodas
o caminhão do gás e sua musiquinha

um ramo de coisas simples
tomar banho com sabonete cheiroso
sentir os cabelos molhados nos ombros
o pingo frio da água em meu decote
eriça o bico de meus seios
sentir o gosto do café quente
experimentar a geléia de morangos
passar a língua nos lábios - os resquícios
a brisa da tarde no rosto
e a sensação de felicidade eterna

um olhar profundo e significativo
as palavras fáceis saindo da boca
o abraço apertado, sentido, desejado
a textura dos cabelos macios nas mãos
amar sentindo com a alma em pedaços
repartir um pensamento, sentir conforto
uma felicidade em fração de segundos
as mãos se tocando em reconhecimento
deitar em sonhos com gosto de chocolate
em silêncio ouvir a música do pensamento

o aconchego de lençóis macios e cheirosos
descansar a cabeça no travesseiro
na mão, um livro novinho a ser descoberto
um sorriso interno, como um agradecimento
o apagar lento da luz do abajur
o espreguiçar-se morno dentro das cobertas
ah! que dia tão simples e grandioso
quero dormir agora cheia de lembranças


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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Frugal

Niilista

 
Niilista
 
Podia-se ver somente os olhos no negro buraco da noite. 
Sentimento fleumático de liberdade plena em seu
pequeno mundo  de  sanidade mental. 
Sentou-se no seu medo, cortou um generoso pedaço de felicidade.
Sorveu aquele doce paladar de vitória. 
A saliva desceu na garganta e percebeu que a fase do engolir seco 
havia acabado.
Respirou fundo e um ar gelado percorreu-lhe as narinas como se tivesse um
halls na boca. 
Mastigou um pouco de esperança cuspindo o excesso. 
Em busca da total liberdade, jogou-se do precipício abraçando nuvens.
Sem alsa delta.
 
Niilista

Nua

 
Nua
 
Nua

nua de vontades
vazia de sentimentos
como uma casca fina
uma folha a voar
ao sabor do vento

nua de esperanças
desses sonhos tolos
dos desejos tecidos
das saudades sofridas
num poço de solidão

nua de sílabas
no silêncio do sentimento
das palavras ao vento
de ansiedades e lágrimas
e passos perdidos

e hoje, no âmago da alma
nua...nua de um nada
 
Nua

Engasgo

 
Engasgo
 
Engasgo

As palavras não cabem na minha boca, nem no meu peito.
Enroscam-se nos sentidos, como se fossem espirais de fumaça, e saem assim como nada.
O modo que você me olha, e pega um cigarro, e nele expira todos meus sonhos...
Aquele jeito de sorrir de lado, que me deixa sempre a sensação de ter feito algo errado.
Afundo-me em minhas palavras, e minha língua sai para fora da boca, como um aceno de socorro.
Mas você nunca me salva.
Você fica a observar essa minha falta de palavras, e tira vantagem desse meu defeito.
Defeito? Não sei.
Fico pensando como seria bom encher minha boca, numa total circunferência, e dizer: "não!".
Você ficaria todo surpreendido, sem ação. A fumaça do seu cigarro talvez saísse pelas suas orelhas.
Mas você sempre tem meu sim, mesmo não dito. Se digo não, o sim está nos meus olhos.
Quero olhar para você com a mesma frieza que você me olha. E no entanto meus olhos soltam chispas de desejo.
Se eu pudesse dizer não, quando você me cala a boca com um beijo, acaricia meus cabelos com suas mãos suaves, descendo languidamente para dentro de minha blusa, tocando meus seios.
Se eu pudesse dizer não, quando você me deita, espalha meus cabelos no travesseiro e me beija todo o corpo, dizendo entre sussurros que nunca desejou ninguém assim...
E eu fechando os olhos, em transe, acredito em cada suspiro.
Se eu pudesse dizer não, quando me entrego sem pensar nesse espiral de emoções...olhando através de seu ombro, em puro êxtase, o balançar da cortina.
Preciso de um transplante de córnea... quero meus olhos frios, assim como esse tão ensaiado não de de minha boca.
Mesmo que o não fosse trêmulo, os olhos poderiam dar a você uma falsa impressão naquele pano de fundo.
 
Engasgo

Pânico

 
Pânico
 
Pânico

de repente a perspectiva some
aquela linha tão fina, tão delineada
pendura-se como um varal caído
os olhos arregalam-se
um arrepio se faz sentir
na raiz dos cabelos
é como estar nua em uma noite fria
no meio de uma avenida
desviando-se dos carros
(nada mais que pensamentos)
depois os passos endurecidos
a visão do nada, num horizonte cinza
aquele medo irracional
que se alastra como fogo vivo
em uma poça de álcool
e sobe sem controle
queimando a pele dos sentidos
o frio da gélido da alma, em puro contraste
tenta desesperadamente apagar
o labaredas do pânico
que crescem...crescem... gigantescas
o suor frio a molhar a testa
e em fração de segundos...uma visão trincada
no espelho horrendo do futuro
uma verdadeira catástrofe da alma
e neste exato momento
(mais parece uma vida)
ninguém pode nos socorrer
tudo depende de nós
a quase impossível capacidade de sair
desse corredor escuro
com esse sufoco na garganta
com aquele velho gosto na boca
de palha seca
 
Pânico

Vôo livre

 
Vôo livre
 
Vôo livre

alça vôo aquele pássaro
e diante de meus olhos presos
acompanho sua liberdade
perco-me no momento
e em pensamento - faço-me asas
vôo por um instante
em antigos fragmentos de vida
com as chegadas felizes
e tão tristes partidas
o pássaro voa - e com ele
vão meus sonhos impossíveis
com o sempre destino
a lugar nenhum
mastigo na boca o desgosto
de simplesmente ser, e assim
por um breve momento
sonho em ter essas asas
e alçar um vôo bem alto
para longe de mim
 
Vôo livre

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi.♥