Poemas, frases e mensagens de Srimilton

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Srimilton

Ode ao desaparecimento #.#.#

 
Ode ao desaparecimento
(borrando um poema de Drummond)

Já passou dos cinquenta e agora,
Bem mais perto da despedida, aguente firme,
Falta muito pouco, Milton, está quase lá.

Bem mais longe já esteve quando nasceu
Neste mundo inadequado,
Então segure o leme com mais firmeza e não se mate.
O tempo vai piscar nos seus olhos
E você estará nos braços leves do esquecimento.

Quem sabe o mundo, em suas órbitas difusas,
Te surpreenda, coisa pouco provável, mas quem sabe,
Uma boa surpresa na dobra de uma esquina sem pavimento.

Quem sabe esta agonia seja o arado da terra
Preparando o plantio e uma colheita, quiçá, mais feliz.
Não, meu filho, não apresse o apagar da luz,
Você já sabe, morrer também é uma outra ilusão.

Então, não seja dramático, não se mate,
Apesar dessa gangrena no peito exangue, não se mate!

Mais um pouco e terá cumprido este seu carma medíocre
E, por favor, escreva um poema que preste,
Que alegre sua alma quando estiver singrando o atlântico.

Não esqueça, meu filho, neste mundo só os tolos são felizes.

MF.20.07.2015
 
Ode ao desaparecimento #.#.#

Os olhos de Karinna* #.#.#

 
Os olhos de Karinna

Os rubis seriam os mais caros
Se fossem da cor dos teus vitrais,
E as esmeraldas teriam valor infinito.
Assim seria com todas as pedras,
Se ganhassem o contorno de tuas pétalas azuis.

Ah!... mas o céu imita tuas persianas abertas,
Protegidas por teus cílios, tua face,
Tuas lágrimas e teus risos,
Cristais reverberando esta humilíssima poesia.

Fossem meus poemas
Da cor dos teus olhos,
Iriam dizer que sou verdadeiramente poeta,
O maior e o mais belo dos poetas.

E talvez me fosse feliz a vida,
E fosse essa gravidez azulada,
E eu creditaria.

Milton Filho/28.09.13
 
Os olhos de Karinna* #.#.#

À galera do luso, uma ideia (ou uma merda e... liguem os ventiladores no máximo!)

 
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À galera do luso, uma ideia (ou uma merda e... liguem os ventiladores no máximo!)

Logo abaixo estou postando um poema. Gostaria, dentro da possibilidade de cada um, fosse colocada uma crítica sincera. Desde de erros ortográficos, passando pela confusão de ideias, pelo erro equivocado da construção, melodia, até chegar na possível beleza do poema com seus devidos motivos, se assim o desejarem. Ou pode simplesmente dizer que não gostou. Ou pode simplesmente não colocar opinião nenhuma. Ou ainda, pode não querer participar e simplesmente colocar o lado bonito do poema e esquecer o lado feio do escrito.
O importante é o seguinte: O autor quer ouvir a opinião sincera, por mais que doa as têmporas. A pessoa que colocar a crítica, pode usar palavras amenas ou duras. “O poema não está bom ou o poema está horroroso”. Basta que não fale do autor, mas tão somente do escrito. Para isso vou sinalizar com o jogo da velha “#” aí no topo. Quando avistarem esse símbolo, estou dando total liberdade para descer a porrada no escrito. Ao autor cabe aceitar em silêncio, agradecer, ou discordar em um debate saudável onde todos, absolutamente todos, podem participar.
No meu caso, quero especificar que, isto é totalmente válido para o meu querido amigo Zesilveira, Ângela, Jairo de salinas e Carol, mas que os mesmos podem declinar ou não. Cito-os porque me sinto bem próximo dessas pessoas. Se não querem dizer que não gostou de tal ou qual poema, tudo bem. Ninguém é obrigado a entrar no jogo com todos. O importante é o meu sinal (#) que abre espaço para quem o desejar. Assim deve ser para quem colocar o sinal, caso desejem entrar neste jogo. Quem não gostar desse jogo, simples, não participe. Eu, sempre que me lembrar colocarei o sinal ou não colocarei o sinal quando não quiser beber desse ácido. Também não vai impedir uma crítica de um maluco qualquer, mesmo que não haja o sinal. É apenas um jogo, o meu jogo, que espero, seja de todos, se assim houver espírito para o circo.
Assim, quem quer mais incêndio entra, quem não, é fácil, basta não colocar o famigerado sinal.
O jogo, todos sabem, é perigoso.
Penso que não há necessidade de o Luso colocar regras para nivelar todos a algo que pode machucar quem não quer correr esse risco.
Acho bacana também, colocar um valor no final da crítica, para melhor ficar especificado o nível de horror ou deleite causado pelo poema. Entre 01 e 05, cabendo também os meios pontos. Talvez alguém queira dar um 4,5 ou um 3,5 e assim por diante.
Assim o pau vai quebrar, mas só com aqueles que de fato querem essa “briga”. Esquentar os debates é o desejo de alguns, pois que seja assim.

Agora, um exemplo que achei interessante. No meu livro, Antagonia, o prefaciador, Guilherme Caldeira, psicólogo e professor universitário, é apaixonado por um poema. Faz todo tipo de discurso sobre esse poema e suspira quando lê esse escrito. Já O Jayro de Mello, um Doutor, na área de humanas, não me lembro a matéria, diz coisas que nunca pensei ouvir, sobre um outro poema deste mesmo livro, o que me deixa encantado. São elogios pra lá excelentes. Já um outro amigo, muito brincalhão e inteligente, também policial, formado em direito, vive gritando meu poema “Peçonha” (colocado aqui no Luso), pela delegacia e dizendo as coisas mais doidas, outro encanto. O que tudo isso quer dizer? Três pessoas inteligentes gostando de três poemas distintos. Quem está mais certo? Há um certo? Penso que as críticas são complicadas porque cada ser humano é um universo, e as vezes a anos luz de distância, mas todos sabem disso, é só um lembrete.
Escolhi este sinal, #, porque a alusão é evidente. Um jogo.
Quero pedir desculpas aos administradores por colocar esse debate por aqui. Adoro quebrar algumas regras quando não fazem mal a ninguém. E também porque quero começar eu mesmo colando meu traseiro para arder nas chamas infernais da opinião pública sincera, já começando com dois poemas que não são os poemas elogiados pelas pessoas citadas acima. Acendam suas tochas então, ao incêndio.

Esqueci de dizer que o autor tem direito à réplica, pode não concordar e isso, além de ser saudável, vai esquentar mais o debate.

Quero iniciar com dois poemas, aí estão:

Destino

Quando o tempo me despir,
E estando nu de minhas vaidades,
Melindres inúteis,
Mágoas cancerígenas,
Sem nome, sem amor...
Como me apresento,
Se houver um lugar,
Sem saber quem sou?

Encontrarei outros que, como eu,
Sequer têm uma tatuagem?

...

O aprendiz

Vês estes olhos tristes e sem brilho,
Estes sulcos profundos
Desenhando a face,
E entre as mãos trêmulas,
Um coração tombado?

Um óleo sobre tela, meu filho,
Apenas um óleo sobre tela.

MF.

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À galera do luso, uma ideia (ou uma merda e... liguem os ventiladores no máximo!)

Na esperança de apaziguar...#.#.#

 
O Umav é o fotograma, que é o Ricardo e que nunca negou isso. Sei que isso é verdade, porque conversei com Ele pelo Skype. É gentil e muito tímido. É fato.

O Caio é mesmo o Caio, sei disso porque também já conversei com o mesmo pelo Skype,
embora sem a utilização do vídeo. Ele fala a verdade quando se refere aos seus outros perfis.
Suas fotos estão expostas no Facebook, acredito nessa realidade.

O Zésilveira, de fato, é o Zésilveira. Pessoa a quem me identifiquei desde o início, devido ao apoio recebido, quando alguns à época me atacaram por causa de um poema, fraco por sinal, que brincava com a minha dificuldade de trânsito por este site. Sou amigo do mesmo e conversamos por horas, usando a ferramenta Skype.

O Azke, apesar de não ter tido o prazer de uma conversa, amigo(s) do Luso me confirmaram que, de fato, é Ele mesmo, o da foto do perfil.

Prefiro acreditar em todos porque assim não perco tempo e fico na paz..(rs..).

Também porque observei que as coincidências que ocorrem nas letras, nos levam a acreditar em fantasmas ou em coisas inexistentes. Darei um exemplo: Uma vez li um poema que parecia ter sido escrito para mim, algo deletério, com xingamentos pra lá de chulos. Qual não foi minha surpresa, quando um outro rapaz tomou os xingamentos para si e entrou na página referida com palavrões e uma violência extrema. Pensei: Afinal, o poema era para mim ou o rapaz estava certo, era de fato dirigido a Ele aqueles impropérios? E assim aconteceu com muitos outros escritos que preferi não responder porque ademais, não queria entrar nessa frequência.

Também já pensei nessa confusão de falsos perfis e cheguei a imaginar que havia uns 20, todos comandados por uma única pessoa. Nóia. Piração. As coincidências eram tantas que não parava de crescer a minha desconfiança e os números de falsos perfis...(rs..). Me toquei e deixei de mão, afinal tenho uma vida fora desse espaço que é menos ilusória e mais rica, embora continue sendo uma holografia irritante..(rs..)

Por que estou dizendo isso? Todos Vocês que estão aqui nesta página(de início, esse texto seria postado na página do Azke, em seu escrito intitulado "Ingreme"), primam por uma boa literatura e, na minha opinião, são bons escritores, com rasgos de genialidade em alguns momentos, assim enxergo, sinceramente. As brigas, quando são virulentas, penso, trazem bem mais prejuízo do que algo de valor. Nem vou me alongar nesse tópico, porque todos sabem das perdas inerentes.

Fico mesmo encantado quando observo um debate acirrado, mas sem ultrapassar o nível do respeito. Não compreendo que uma pessoa, poeta, escreva tão belas linhas, aceite descer a um nível que não combina, mesmo, com aqueles poemas que brilham com um fulgor que não sei como classificar.

Aos poemas, senhores, porque isso é o que mais sabem fazer neste site. Brilhar, neste site, é a vocação dos poetas, de vocês, claro.

Com amizade,

Milton

Em tempo: Meu Skype é: Srimilton ...e todos do Luso estão convidados para um bate-papo rápido, usando essa ferramenta. Espero ter contribuído para apaziguar, caso contrário, minhas sinceras desculpas.
 
Na esperança de apaziguar...#.#.#

Ressonância #.#.#

 
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Ressonância

Quanto ao que escrevo, são vísceras radiografadas
Que as deixo ancoradas sobre a luz
Para que eu mesmo possa ver os tumores
E as fraturas internas, meus ossos quebrados.

Escrevo para capturar uma visão íntima de mim mesmo,
De minha feiura, de minhas veias entupidas.
É preciso limpá-las e eu improviso.

Escrevo na esperança de uma cura,
Na esperança de uma ruptura do homem velho,
Um separação desse passado disforme e inútil.

Não sou poeta, não é por isso que escrevo,
Mas utilizo palavras à maneira de uma lupa
Que me possibilite esse olhar mais fundo
Nas células do meu condicionamento.

Por que faço o que faço e não outra coisa?
E por que sou isto que abomino
E não aquilo que amaria se acaso possuísse?

A poesia me sugere alguns caminhos
E me faz sentir que sou melhor, apesar de tudo.
E isso, de certa forma, me faz querer ser melhor.
A poesia me leva, se estendo as mãos,
E sempre estou de mãos estendidas,
E sempre aprendo alguma coisa que valha.

E se não aprendo mais é porque me falta
Um outro braço, um outro cérebro,
Ou, quem sabe, um coração disposto ao sacrifício.

Mas aí, talvez, seria outra pessoa.
Alguém, que como eu, também iria ter o mesmo desejo,
Um algo melhor do que ele mesmo.

Porque ao homem falta sempre o contentamento,
Visto que nada basta a esse mesmo homem,
Quando roça na pele este sentimento,
Quando se vislumbra o mistério desse infinito.

Milton Filho/05.06.13
 
Ressonância #.#.#

A poesia cobre o mundo #.#.#

 
A poesia cobre o mundo

A poesia beija e abraça o mundo todos os dias,
E, dedica versos curtos, longos e de todos os tamanhos.
Me faz uma oração, este sol que doura minha pele
E o vento compõe diversas canções quando assobia.

Uma formiga passa apressada,
Transportando uma folha impossível de ser carregada;
Constrói uma poesia delicada que não é p'ra mim,
Mas agradeço assim mesmo a composição.

A minha gata, Mamá, pariu quatro gatinhos,
Quatro poesias em evolução.
Brincam no quintal, alheios aos versos do meu olhar
Sem rimas.

A caneta deitada sobre o papel,
Espera outro poema. Ela sonha a palavra?

Este cisco nos meus olhos
Arranca algumas lágrimas e todos irão pensar
Que ando triste e choro...
E aproveito para chorar mesmo,
Outra poesia que vai escorrendo pela face em vincos.

Posso ficar aqui descrevendo o mundo
Pelo resto da vida que me falta
E seria apenas o início do primeiro verso.

Milton Filho/12.04.2014
 
A poesia cobre o mundo  #.#.#

Código morse #.#.#

 
Código morse

Observo à noite as estrelas, a lua
E custa-me acreditar que não basta estender as mãos
Para tocar esses mimos siderais.
Mas por timidez, deixo as mãos nos bolsos.

Não me ficaria bem o furto de sequer uma estrela e
Atrapalhar, quem sabe, a órbita de qualquer planeta
Ou atrasar o belo movimento das marés.

Os meus olhos, esses não resistem,
Sempre retornam com o bater das pálpebras,
Ao piscar recorrente daquela estrela,
À moda de um improvisado código morse.

Milton Filho/06.09.13
 
Código morse #.#.#

Singularidade #.#.#

 
Singularidade

Há neste poema, condensado,
Um livro de mil páginas,
Com outras mil faces em cada folha
E, um espírito arteiro colorindo cada letra.

E cada homem ao digerir este poema,
Verá um livro diferente do anterior
E do posterior, indefinidamente.

E depois, esse mesmo homem,
Repetindo a leitura, irá se espantar
Ao perceber uma nova edição inteiramente revisada.

Como um rio ou uma árvore
Que nunca é rio ou árvore uma só vez.

Milton Filho... 29.03.2015
 
Singularidade #.#.#

Uma “resposta” a todos do Luso, embora ninguém tenha me perguntado nada, por isso as aspas. Mas a palavra RESPOSTA foi escolhida assim mesmo, porque sempre temos em nosso subjetivo, indagações. A minha ideia aqui, portanto, é respondê-las na medida do po

 
(#)

Uma “resposta” a todos do Luso, embora ninguém tenha me perguntado nada, por isso as aspas. Mas a palavra RESPOSTA foi escolhida assim mesmo, porque sempre temos em nosso subjetivo, indagações. A minha ideia aqui, portanto, é respondê-las na medida do possível, usando de conjecturas. Um tiro no escuro, se assim preferirem. E, não tem um alvo específico, senão todos, inclusive a mim mesmo!

O título aí encimado é enorme, mas é o título. Com esta ladainha que pretendo confeccionar, tenciono arrancar minhas máscaras e expor toda hipocrisia que penso ter, sem a ilusão de achar que vou identificar, de fato, todas. Este processo ou terapêutica que me imponho faz parte da busca insana por mim mesmo, por minha verdadeira natureza mental. E sendo um estranho para mim mesmo, isto muito me constrange, afinal, durmo com este estranho, vivo com este estranho e alguém que transa e faz sexo com minha mulher, que penso ser eu, não o conheço. Estranho tudo isso e, nem posso sentir ciúme porque é um tipo de traição no avesso do avesso, sem contar que está totalmente estabelecida pelos milênios de prática. Somos cornos de nós mesmos e nada podemos fazer, senão encontrar o verdadeiro dono do pinto. Quero saber quem sou, custe o que custar. E este é meu drama, meu sonho de consumo.
Os belos carros, as mansões, o sexo, tudo isso, ao colocar na minha mão, ainda posso curtir por momentos bem fugidios, mas correr atrás mesmo, não vou de jeito nenhum. Para mim e, também para a ciência, a matéria sucumbiu sobre si mesma, morreu por inanição. No mergulho, encontraram só energia coagulada, energia compactada, ou seja, algo virtual e sem existência objetiva. Portanto, está na contramão da história amealhar, juntar, colecionar selos, se empanturrar de dinheiro, terrenos, montanhas, ilhas ou banheiras de hidromassagens.
Sexo? Penso como Nietzsche: Bestial.
Já observaram um macaco transando? Ou, no meio da rua, uma cadela? Já perceberam como os corpos imitam perfeitamente o coito, este mesmo que praticamos, cheios de romantismo regado a um bom vinho ou Wisk? Empanturrados de um amor imbecil e instintivo e que, depois de alguns meses ou anos ou melindres, pedimos a separação em meio a tapas e ofensas, as mais baixas. Assinamos o divórcio como quem assina a própria alforria.
O belo romantismo, tão cheio de poesias e flores vai para o esgoto. Mas alguém aí pode querer falar das exceções, porque elas existem, mas a que custo esses casais permanecem “juntos” até o fim de suas vidas? Alguns não querem dividir os bens materiais, ou virtuais, suas ricas e ilusórias posses. Outros porque têm horror a solidão. Outros por insegurança...etc... etc... até chegar no verdadeiro e belo amor, não é? Estes, são raríssimos. É amor mesmo? Ou teria outro nome que temos medo até de pensar? Muitos nem querem pensar. Tremem. E quando sonham, porque isso acontece, dizem que é apenas um sonho e, dão o ponto final sem querer saber de onde veio o sonho ou o motivo daquele, em especial. Esses, se lessem Freud ou Jung, logo abririam a guarda para a depressão e o subterfúgio no suicídio. Se matariam numa perspectiva ilusória de estar matando o ego. O suicídio, agora esclarecido então por mim, é uma metáfora levada ao pé da letra. Para esses, e também os outros, o conforto e o prazer do pênis e da vagina, se encontrando, é o objetivo máximo. Se vai haver um filho depois disso, que se dane, “Deus tome conta”. Quando ficarem de quatro, agora já sabem, basta babar ou grunhir e nem se preocupem com o pensamento, quem vai querer pensar nesse momento inconcluso?
Agora vamos à merda do avatar AZKE (uma provocação ou uma ofensa chamar o avatar de merda? Sim e não, depende do cérebro que vai chafurdar aí. Estou rindo, acreditem se quiser.
Digo merda porque o homem por trás, e bem atrás, não o conheço, mas respeito o Budha que existe no íntimo desse homem, o ser Crístico que existe nesse homem, o Deus em latência que está bem vivo nesse homem. Mas que, por ser eu, também, um homem ainda em estado primitivo, saio na porrada, entre rancores mal contidos e todo tipo de baixezas por mim perpetradas. Neste caso, sabendo e acreditando, em estado de convicção, falto com o respeito, principalmente, por mim mesmo. Eis o meu constrangimento. E não pensem que é pouco quando falo em constrangimento. Mas aí está), mas como eu dizia, vamos a Ele. Aliás, um pequeno addendum. Já observaram que toda vez que uso essas palavras, Ele, dele, Você...etc.. coloco em maiúsculas, mesmo quando estou “brigando”? Observem minhas páginas. Quando não, é por simples esquecimento. Iriam perceber isso, também, lá no Portal Literal. Mas, lá, só deixaram os escritos em arte. Os comentários foram todos retirados, mas está lá, mesmo na briga homérica que tive com o Azke. É a minha tentativa de respeitar o Ser, O Cristo, O Budha, que existe no homem por trás do avatar. Penso que muitos devem ter percebido isso, não todos, portanto a explicação é para os distraídos. Sem ironia ou com. Não distingo por falta de competência mesmo.
De novo, vamos ao avatar Azke, com a respectiva tentativa para derrubar minhas máscaras. Cito-o porque Ele foi o pivô de alguns insights que prorromperam em mim, enquanto viajava em direção a minha bela Aracaju. Insights esses que me mostraram o quanto sou tolo e hipócrita e medíocre, o que me encheu de uma ternura e de um amor dos mais belos e profundos. Uma lucidez terna e amorosa que não consigo verbalizar aqui. Não tenho a sabedoria para interpretar aquele sentimento. Não foi uma epifania naquela envergadura que penso ser a verdadeira. Porque já tive uma antes, com trinta e dois anos, e que fiquei por três dias em total estado de êxtase, amor profundo por todos e por tudo, onde minha inteligência, naqueles três dias, deu um salto de anos luz. Contei essa história para o avatar JMatos, ou Jana, aqui do Luso, num dia de tédio, quando me encontrava na delegacia, pelo chat. Agora voltei à minha burrice cotidiana, o que é uma lástima, mesmo.
Escrevi três poemas na intenção do Azke (depois comento sobre os insights), que já no meio desses mesmos poemas, mudo de ideia, invertendo a direção da seta. Mas o que leram, preocupados mais com o esgoto que chafurdam, não puderam ver, não quiseram ver o que estava mais além. Olha aí o espelho. Olha aí o motivo porque digo, naquele poema simples, aqui no Luso, que ninguém vai entender meus poemas e que todos ficarão nas estantes esquecidos. Mostrarei os três poemas agora e as devidas explicações. Sim, tenho explicações. Por que não posso explicar os poemas que compus? Por causa da falácia, que todos repetem sem pensar, que o poeta não pode explicar por isso e isso..blá..blá... O poeta tem uma intenção quando escreve e todos querem descobrir qual é. Quando descobrem se sentem deliciados, principalmente se for um poema belo e inteligente. Vou ao deleite quando um poeta diz exatamente o que pensou quando escreveu tal ou qual poema. Deem Vocês a interpretação que querem. É um direito. Mas que o poeta quer ser compreendido, disso tenho certeza, ninguém vai me convencer que o poeta, o grande SER mágico e não sei mais o que, só quer ser lido. Ora, me deem licença. Convençam as múmias. O comunicador que não se importa em ser compreendido, que piada. De lascar, essa.
De minha parte, assumo, adoraria ser compreendido exatamente no recado em que estou tentando passar, comunicar, dizer. Quero que saibam o que penso, lá no tutano do poema e, quero que descubram também, o que vem embutido, em bilhete, pelo meu inconsciente e que, me escapa. Já fizeram isso comigo e foi um deleite. A lógica era irretocável. Assim foi entendido, não havia dúvidas, porque simples e claro depois de revelado.

Os poemas, então.

O dejeto

Ele flutua,
Causa asco,
Fede,
É humano? Não.
Ou sim.
Vai saber o que é este ser!

Mas, adubadas as plantas,
Não ingerimos essa merda?

Este belo e inteligente poema (sim, para mim é belo e inteligente, constatação minha, opinião minha, falta de modéstia, máscaras que caem e o escambau), foi escrito depois de uma briga com o Azke, onde Ele só não me chamava de deus. Os palavrões foram tantos que até hoje estou zonzo.
Mas, simplesmente não consegui chamá-lo de ‘dejeto’. Mas chamei a mim mesmo e todos nós, ou seja, me inclui totalmente. Não consegui resistir. Tentei, mas meu espírito impediu.
Observem o poema até à frase: “Vai saber o que é este ser!”. Parei aí e não consegui continuar. Fiquei rindo comigo mesmo neste momento. Depois fiquei saboreando a possível irritação equivocada daqueles que iriam ler.
Vejam que separei, depois de longos minutos travado no final da frase citada, para colocar:

“Mas, adubadas as plantas,
Não ingerimos essa merda?”

Só não vê quem não quer mesmo ver. Ou talvez porque esteja sutil demais para quem o lê e, claro demais para mim que o escrevi. Mudei de ideia aí e, chamei para mim toda a merda que ingiro em termos de ideia e/ou pensamentos de outros, sem deixar de pensar nas plantas mesmas, que adubamos com estrume e que comemos, diariamente, só que reciclado pela tecnologia natural da terra. Foi isto que pensei ao final do poema. O Azke, claro, ficou na periferia como todos nós. Coloquei Ele, o Azke, no mesmíssimo nível de igualdade. Se estou sendo sincero? Bem, às favas quem achar que não. Os meus pecados, terei que me haver é com minha própria consciência. Aí, me tremo todo. Portanto, repetindo, não foi dirigido á quem seria, de fato, dirigido. Este poema foi o primeiro. Está lá no Portal literal. Vamos ao seguinte. Que foi feito, também à guisa de recado ao mesmo avatar.

Este poema, que não sei se é bom ou ruim, mas que tenho certeza que vai ser melhorado, porque não estou contente com ele, é uma ironia ácida ou não tão ácida, afinal, feita a mim mesmo, ao próprio poema. Basta lê-lo com este viés. O poema fala do massacre das palavras, da ladainha da construção para se mostrar sofisticado, fala também dos poemas daquela moça que mete uma porrada de palavras, para mim desconexas, cheias de vulvas, pênis, pênis grossos, púbis, reentrâncias e por aí vai. Ora, este meu poema não fala a mesmíssima coisa. Ou, eu mesmo não já falei em outros poemas essas mesmas porcarias? Portanto, este poema, de novo, uma tentativa de direcionar à pessoas tais, foi frustrado. Novamente não resisti e falei de mim mesmo e todos, mas, claro, mais de mim. Senti que foi mais para mim. Novamente ri e disse para mim mesmo: “Milton, Você não tem jeito, se aquiete.”
Vejam que mudei, não muito é bem verdade, no final, depois da palavra “Digo:”
Aquilo seria para mim. Mas acham mesmo que penso ser um homem espiritualizado? Ali, é o que eu gostaria de ser. Quando digo: “As vísceras e seus correlatos, deixo aos cães.”, estou dizendo a mim mesmo, porque ainda me amarro numas coxas e numas vulvas. Tento superar a besta fera que há em mim, mas ainda estou de quatro em pleno coito, já um pouco enfastiado, é bem verdade, mas vem em ondas em determinados momentos que tento afastar. Por isso, nunca traí minha parceira de encarnação. Não me falta vontade. Mas a vergonha, ao me posicionar como quadrúpede, é muito mais.
O poema em questão: que está no luso:
(quem já leu, claro, vai pular ou, se quiser, vai fazer a verificação)

Metalurgia sem refino (ou a merda em vã tentativa)

E descem a marreta ensandecida como quem odeia
A palavra
E levam à forja a milhões de graus
Na esperança de arrancar o escalpo de algum sentido
Ou sabe lá o quê desse desespero.
E machucam e emprestam a feiura
De onde pensei, surpreso, nunca existir o medonho.
E sangram qualquer som hostil enrugado no grunhido,
A perder-se nas entrelinhas desse vazio.

A forma duvida, apesar do brilho(?),
Aliás tudo fica suspenso à beira do abismo
E se precipitam em plásticas espalhadas e disformes,
Posto que a distância impõe respeito nessa queda livre.

E cortam a palavra, e espancam a palavra,
E trituram a palavra entre caninos,
Suponho, como as bestas-feras na impossível fome.
Torcem as roupas íntimas puídas e estendem no varal e
Absolutamente nada dizem aquelas letras tão cheias de aridez,
Que ficam ali, na fileira imensa da estupidez, erguidas ao vento,
Ao curtume da navalha, do bisturi ou da faca
Do profissional da ideoplastia descambada no vil, ilusionista de si mesmo.

Tão bem arrumadas estas construções, tijolo por tijolo,
Num trabalho duro a saltar os olhos do diabo.
Satanás se contorce pleno de inveja –
Como pode essa criatura me superar na hediondez!?

E fundem a palavra, e fodem a palavra
Até putrefazer a palavra neste miasma,
E arrancam da palavra este chiado inconfundível, catarro e asma.
Tudo dentro dos mais altos padrões em série, exigidos pelos
Holofotes da passarela,
No corte e na dupla costura, seguindo as linhas e o modus operandi
De uma inclinada postura para o mais e portentoso nada.
Um niilismo elevado à putrefação e ao molho colorido,
Servindo à estultícia do pensamento fraco.

E vergastam a palavra, e torturam a palavra,
E afogam a palavra, e crucificam a palavra,
Até não haver graça nenhuma em teu sublime uso.
E depois de tudo, sério, muitíssimo sério, como a anta,
Colocam-se à mostra todas as vergonhas e dizem
Sem que ninguém possa ouvi-los:
Eis-me aqui neste aleijado e paralítico poema.

E depois tonitruam entre raios de estupidez: foda-se o amor.
De que me serve esse Assis, se a merda aduba as plantas?
Me alimento delas, dessas raízes.

E continuam na procriação e lambança de hímens e glandes, feito animais,
E riem e choram enviesados nesse sentimentalismo de veias e artérias,
Tão pobres e anêmicos e em sabor próximo, de mãos entrelaçadas.
É deste amor que tanto dizem, e explicam, e regurgitam, e vomitam,
E espalham, e enrabam, e enfrascam
Em vidros pequenos, médios e grandes de perfumes vencidos.

Mas o poeta, coberto de lepra, insiste contundente:
Eis-me aqui nesta construção feita de palha,
Este meu poema, este fogo de segundos,
Este monstro que tanto faz o gosto dos meus pares.

Digo:
E quem terá a coragem de me ouvir nesta solidão amarga
E saborear deste mesmo paladar solitário, talvez pior?
E quem terá a coragem de dançar em cima deste meu cadáver,
Que uni o verso neste multiverso de amar além das coxas?

Mas o amor virou mesmo um hieróglifo
E os arqueólogos não pensam mais em decodificar.
Uma vagina ou um pênis
É o souvenir perfeito e custa bem mais barato.

Para que amar assim tão universo? – pergunta o estulto da perquirição.
Amo somente neste oceano, respondo,
Porque aí sou plenamente livre. Outros lá estão.

As vísceras e seus correlatos, deixo aos cães.

Pois bem, o próximo poema vai pelo mesmo caminho. Tento endereçar, mas a minha consciência me dobra. Percebo o ridículo, percebo que o endereço sou eu mesmo e por aí vai. É irresistível. O poema, este, é hipócrita. Tão fácil perceber!
O poema diz logo de início:
“confeccionar condutos para fezes
À guisa de poemas, poesias,...”
Ora, mas esse mesmo poema não é isso, um conduto para minhas fezes e porcarias? Uma ironia, na minha opinião, facílima de observar.
Aliás é isso que aquele poeminha maroto, “Da inteligência”, e que gosto pra caramba, diz:

Da inteligência

A ironia fina
Diagnostica a acefalia.

Outra ironia. Sabem por quê? Porque fico puto quando não consigo perceber certas ironias finas. Minha inteligência não alcança e me sinto um acéfalo. Quero dizer, a ironia fina me diagnosticou: Não tenho cérebro. Putz...hehehehheehehehehe... me desculpem. Preciso rir. É muito divertido expor as vísceras. É divertido ser sincero. É divertido meter a chibata no próprio lombo. Minha esposa diz que sou doido e que sou muito duro comigo mesmo. Ela não brinca. Diz que preciso consultar um psiquiatra. Já insistiu tanto nisso que vou tirar a tomografia para provar que estou bem ou, quem sabe, descobrir algum tumor cancerígeno, vai saber o que vou encontrar por lá. Talvez a constatação da minha acefalia...hehe... Embora pense que, de algum modo, sou inteligente em alguma parte do corpo.

Sim, mas quase esqueço o poema. Que está no luso:

Hipocrisia é isto!

Confeccionar condutos para as fezes
À guisa de poemas, poesias,
Grávidas de acusações e porcarias/chulas.
Os poetas amam e transitam
Na integridade de caráter.
Falo dos verdadeiros poetas (não me incluo),
Não dos tolos.
Falo dos sábios (não me incluo).
Com estes, aprendo.

(Não está claro, claríssimo, que essa merda fala de si mesmo? Putz!
Não está claro a ironia?)

Acredito que os verdadeiros poetas transcendem a tolice. Mas aí é uma opinião muito íntima.
Vi isso no Rubaiyat de Omar Khayyan, quando estava em estado de consciência alterada no momento em que praticava uma meditação chamada Kriya Yoga. Sou um Kriyaban. Vi isto nas falas amorosas de Francisco de Assis e outros grandes espíritos. São eles os meus faróis, além da ciência, que sou totalmente fissurado e que não compreendo quase nada.

Tudo isto que digo aí em cima, vai soar bem piegas, não é? E isto não só para o Azke, mas acredito que para mais alguns. Quantos? Não tenho a menor ideia. Talvez a maioria, talvez a minoria. Honestamente não sei. Como eu gostaria? Gostaria que soasse bem bacana, claro. Vai dizer, você, que está lendo e que escreve, que não gosta de ouvir que adoraram um seu escrito, aquele que Você fez com tanto zelo?
Um cara que tem uma mente sofisticada, com certeza vai achar piegas e não sem razão. Um dia, eu mesmo, posso achar isso tudo um lixo. Agora não sei classificá-lo porque vou postá-lo assim que terminar. Não terei tempo para deixar de molho e ter uma visão à distância. Os erros gramaticais vão pulular. Mas vai assim mesmo, não por falta de respeito, mas porque, neste caso, estou valorizando o conteúdo. Adoraria escrever este texto de um modo mais elegante, para mim e para Você que está lendo. Fico feliz quando deixo alguém feliz. É vero.

Vamos ao insight que me ocorreu enquanto viajava para Aracaju, na verdade, quando voltava.
Porque, enquanto dirigia em direção à capital, na verdade eu pensava no Azke, em como deveria respondê-lo e, também, em como deveria me comportar, porque já estava sentindo vergonha por rebater o diálogo deselegante e insistente, lá, em “minha” página. Mas não resolvi nada. Foquei nos meus problemas a resolver.
Ao chegar em Aracaju, fui ao centro espírita, ouvir uma palestra e logo depois me dirigi ao shopping Center para me consultar com uma oftalmologista, aliás, bonita e gentil a disgramada. Sai do consultório e fui andar pelos corredores do shopping, mas em direção da livraria, Escariz, onde ocorreu o lançamento do meu livro. Queria saber sobre as vendas do famigerado. Os seis livros, os meus, continuavam lá, para meu desgosto (rs).
Antes, na primeira prateleira, havia um senhor, magro, de uns setenta anos. Quis passar entre Ele e a prateleira. Ele percebeu e gentilmente me estendeu o braço , num gesto de “pode passar ou fique a vontade”. Passei. Foi a vez Dele. Ele queria passar, então fiz o mesmo. Ele se dirigiu à prateleira dos livros da minha terra, Sergipe. Arrisquei um “O senhor gosta de livros sergipanos?”. Ele não me respondeu e pegou um livro. Pensei que era surdo, então peguei o meu livro e coloquei gentilmente em suas mãos ao mesmo tempo em que mostrava a orelha do livreco, onde continha minha foto. Foi o gatilho que destravou sua mudez. Ele diz: “Oh... meus parabéns.”
E sai logo para não importuná-lo. Mas, trinta segundos depois, Ele me acompanhou com o meu livro na mão e me pediu um autógrafo. Fiquei surpreso e feliz e disse: “O senhor tem certeza? Não quer ler um pouquinho só pra ver se gosta? Talvez o senhor ache uma lástima”. Ele, o Senhor, diz que todos os livros tem algo para oferecer. A conversa foi exatamente assim. Não enfeitei. Autografei e dediquei. Ele desapareceu e eu vendi um livro, um mísero livro de poemas. Vão ficar lá por três meses, os cinco restantes, até que eu passe pelo constrangimento de pegá-los de volta. Ou então terei que ficar por lá para vender, o que não vou fazer. Passarei então pelo constrangimento. Mereço.
Algo desatou em mim depois disso. Algo pequeno. Um tipo de amor, um algo terno.
Fui para a praça de alimentação. Enquanto almoçava, vi um casal de velhinhos, sentados. Também se alimentavam. Mas fiquei a observar a velhinha, que parecia mais frágil, sentada em sua cadeira de rodas, o maxilar tremendo enquanto ingeria o alimento... frágil ...desprotegida... e... comecei a pensar e sentir... os anos vividos, seus amores, suas ilusões, seus erros e uns tantos sentimentos que não conseguia identificar e que apertava meu peito. O amor começou a invadir meus pensares, meus sentimentos e... meus olhos ficaram úmidos. Daí por diante começou a vir outros sentimentos e não parou mais.
E, em meio a alegria, depois, e uma nostalgia, depois, um amor, depois, a certeza maior de minha mediocridade, minha hipocrisia, isto já na estrada, ouvindo Coldplay (novamente esse disco/cd, o primeiro dessa banda). A alegria e o amor me invadiu e chorei ouvindo “Yellow”... e continuei ouvindo e pensando nesse meu estado de ser tão pobre. Fiquei feliz por identificar minhas mazelas, minhas feridas, por estar me limpando cada vez mais dessas ilusões, dessas vaidades... E... lembrei do Azke já com um outro olhar bem mais amigo e respeitoso, obviamente pensando no ser transcendental que há no corpo que se intitula Alex. Pensei no Zesilveira e senti um amor avassalador. Na Ângela, o mesmo sentimento e em muitos do luso e no meu círculo de amizades. Algo rolou. E mais, mas não vou me estender.
Ao chegar em casa, me aprontei para ir a uma reunião de estudos, numa casa espírita aqui em Ribeirópolis, que comecei de forma estranha, muito estranha. Também não direi, já me alonguei demais.
Ao adentrar o recinto, a médium, depois, me declarou que entrei acompanhado de um espírito que demonstrava envergadura espiritual elevada. Meu terceiro olho, entre as sobrancelhas, latejava, pulsava, como nunca, mas é prazeroso. É uma pressão que não é pressão. Não sei explicar isso. Diz Ela que estou no início da preparação para virar um palestrante. Sentia isso já a muito tempo, a muitos anos. Vai rolar algo e, me parece, o meu curso de psicologia vai dançar.(rs). O sentimento de amor continuou, então...
Gostaria, também, de lembrar que rolou um sentimento muito forte e terno com relação à moça Roque, que foi à “minha” pagina de forma muito elegante fazer suas correções em meu texto, senti um terno carinho. O Luiz, esse cabeludo, simplesmente elegante e gentil, senti um terno carinho e, vejam só, no momento que pensava nesse cara, Ele postou sua crítica pra lá de elegante. Poderia ser mais duro se quisesse, mas não o foi.
Agora estou imaginando a reação, por exemplo do Azke. Vai me xingar, vai amesquinhar minhas letras, vai dizer que é piegas ou vai ficar em silêncio. E o Zesilveira? Vai gostar ou não? Vai achar piegas ou não? Vai ficar em silêncio ou não. E os outros? Vão me atacar ou tangenciar com palavras vazias, deixando ao largo a sinceridade?
A discussão que tive com o avatar Azke, elevou a estatística ao cume em poucas horas. Gosto desse joguinho. Fico observando os números subirem e outros descerem, como uma criança que brinca com um brinquedo novo. A galera gosta mesmo é de um barraco, muito mais e de longe, do que a poesia. Os números não mentem.(rsrs). Vejam lá. Os seres humanos e suas máscaras. O filósofo e famigerado Lobão estava certo: “é tudo pose..ôôôô... é tudo pose...ôôôôô...hehehe...

Por último, meu mais novo poema, que faço um pequeno desafio em tom de brincadeira.
Levando em consideração que o poeta quer dizer algo no principal do corpo do poema e que quer ser entendido naquilo que ele quis dizer e que, já disse que meus poemas, alguns, claro, não serão entendidos, lanço essa brincadeira.
Uma parte do poema, a que mais acho bonita e sofisticada, quero saber o que quis dizer nessa parte. Houve uma intenção bem clara para mim, um ideia que achei realmente bonita.
A parte é essa:

“No ranger da velha dobradiça
Sustentando a porta que se fechava em dúvida
Ou, naquela folha seca abandonando a árvore.”

Mandarei meu livro, por correio, até para Portugal, para quem acertar onde está beleza, que é sutil e inteligente para mim, vou repetir, PARA MIM( acho que posso me colocar como arrogante, pelo menos dessa vez, afinal, escancarei tudo mesmo e assumi minha total arrogância, não foi?), dessa estrofe. Garanto que quando for dito, todos verão que a lógica, apesar de sutil é irretocável.
Isto é para quem quiser participar da brincadeira; da pieguice, para alguns ou simplesmente uma brincadeira salutar, para outros. Participa quem quer e não precisa dizer que não vai participar. O silêncio, neste caso, além de ser elegante, diz muito mais.
Esqueci de dizer: Ainda estou trabalhando nele, portanto podem dizer se mudaria algo.
Querem saber de uma dúvida minha? Quis parar na quinta estrofe, onde termina dizendo “mas há poesia sufocada ali.” Não resisti e posto tudo. Mas irei retirar no futuro, se achar que está feio como um todo.

O poema inteiro:


O viço da poesia

Na geometria das coisas, onde não havia a menor graça,
Lá estava ela a delirar ainda mais o meu delírio.

No ranger da velha dobradiça
Sustentando a porta que se fechava em dúvida
Ou, naquela folha seca abandonando a árvore.

No andar trôpego do bêbado, ziguezagueando,
Como a escolher os mais belos paralelepípedos.
Nos riscos duplos de uma freada abrupta,
Denunciando o atropelamento de um poema distraído.
Nas linhas amarelas dividindo o negrume do asfalto quente
E nas placas de trânsito convidando a uma parada,
Ou dizendo, curto e gentilmente, para seguir.
E aquele defunto, tão sério, respiração presa,
Quanto tempo irá suportar essa falta de ar?
É lúgubre, bem sei, mas há uma poesia sufocada ali.

Outro dia fui às lágrimas
Quando recebi uma mensagem automática
No meu celular, era meu aniversário
Sendo lembrado pelos bits de um computador.
Quantas poesias passando por aqueles circuitos!

Aquilo tudo estava ficando intolerável à vida real
E, fui pedir conselhos às grossas e lindas coxas
Daquela médica em particular.
Mas quando me perguntou o que sentia,
Óculos de pernas abertas sobre a mesa a me refletir,
A caderneta de anotações, receituários em prontidão
E aquele estetoscópio em volta do pescoço fino
em que a terra há de sufocar um dia...

Ah... prorrompi em lágrimas e convulsões histéricas.
Era poesia demais, impossível continuar assim, afirmava
Aquele olhar clínico, enquanto meu coração tremia.
Esta patologia, dizia enquanto me aninhava entre pernas, é terminal.

Não havia jeito a ser dado, não podia ser curado.
E a morte me comeria lentamente, minuto a minuto,
Por entre cotidianos e idiossincrasias deste amor.

Pode baixar o cacete. Fiquem a vontade e com prazer. O orgasmo é de vocês.
Aos leitores apressados: É muito enfadonho ter que explicar o que está claramente exposto no texto ou, depois de explicar a um, vem um outro com a mesma indagação ou acusação. Tenho por costume ler os comentários de outros para me inteirar do assunto. Isto para não ser repetitivo. Se ocorrer, mesmo assim, responderei, fazer o quê?

MF.

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Uma “resposta” a  todos do Luso, embora ninguém tenha me perguntado nada, por isso as aspas. Mas a palavra RESPOSTA foi escolhida assim mesmo, porque sempre temos em nosso subjetivo, indagações. A minha ideia aqui, portanto, é respondê-las na medida do po

A palavra coxeia #.#.#

 
A palavra coxeia

A palavra coxeia nesses tempos modernos e,
Nem mesmo a tecnologia
Com suas ortografias penduradas no automático,
Impedem sua claudicância.

Pobre palavra, manca, cintura quadrada,
Feia, com suas pernas tortas, nas coxas,
Desenhada e violentada na rabeira de caminhões,
Em beiras de estradas, sem nada a oferecer,
Nem mesmo um copo d’água ou um pingo no i.

Pobre língua de trapo,
Língua comprida e maltrapilha a mendigar
Um simples acento agudo, grave, gravíssimo,
Morrendo à míngua
E matando outros de colapso nervoso.

Mas a palavra também é muleta,
Porque quem ama sabe do outro só de olhar
E, mesmo longe das retinas,
O coração lê no ar em movimento, suas letras,
Seus recados mais sutis,
Tudo regido e pontuado à perfeição.

Milton Filho/28/03/2014
 
A palavra coxeia #.#.#

Á-lá Amandu (uma singela homenagem)

 
Á-lá Amandu

Deus é Um, só
E eu sou Deus
E sou você
Logo’s
Todos um só Deus.

Amandu está certo!

Milton filho/01.08.13

“Não havia então ali, como não haverá jamais, nem paz, nem consolo, nem esperança: tudo em seu âmbito marcado pela desgraça era miséria, assombro, desespero e horror. Dir-se-ia a caverna tétrica do Incompreensível, indescritível a rigor até mesmo por um espírito que sofresse a penalidade de habitá-la.

O vale dos leprosos, lugar repulsivo da antiga Jerusalém de tantas emocionantes tradições, e que no orbe terráqueo evoca o último grau da abjeção e do sofrimento humano, seria consolador estágio de repouso comparado ao local que tento descrever. Pelo menos, ali existia solidariedade entre os renegados! Os de sexo diferente chegavam mesmo a se amar! Criavam a sua sociedade, divertiam-se, prestavam-se favores, dormiam e sonhavam que eram felizes!

Todavia, no presídio de que vos desejo dar contas nada disso era possível, porque as lágrimas que se choravam ali eram ardentes demais para se permitirem outras atenções que não fossem as derivadas da sua própria intensidade!”

Do livro: Memórias de um suicida

Autora: Yvonne do Amaral Pereira/
Espírito: Camilo Castelo Branco
À pg.18

Férias descanso!

Inté!
 
Á-lá Amandu (uma singela homenagem)

Aos poetas #.#.#

 
Aos poetas


Entre o que digo e o que você entende,
Há um istmo sobre esse abismo,
Um poema sombrio que nos separa.

Os teus olhos param no meio dessa ponte
E travam.
Olhos não pensam e não têm pernas,
Mas o cérebro, sim, tem asas... tensas!

Os covardes tremem diante
Da lancinante travessia,
Que não é longa, disso posso dizer.
O problema é ter que mirar o fundo
E descobrir que o fundo não tem fundo.

E ficamos assim, maltrapilhos,
Ouvindo ecos dos próprios dizeres,
Aprendendo em nós mesmos,
Nesse belo teatro de fala de(s)corada.

E para manter as máscaras (ou derrubá-las),
E para manter a esperança
Nessa comunicação insólita,
Construímos poesias, arremedos,
E viramos poetas de um mundo em chamas.

E alguns até se compreendem (ou pensam),
Raros porém,
Em momentos fugidios,
Como a um terno beijo roubado.

É assim que enviesamos as palavras,
Até virar no seu avesso, sua legítima expressão.
E a qualquer preço, estrídulos,
Arfamos no desejo de sermos compreendidos,
De sermos aceitos,
Mesmo dizendo, em lágrimas, do seu contrário.


Milton Filho/17.07.13
 
Aos poetas #.#.#

Viagem #.#.#

 
Viagem

Não preciso de novas paisagens,
Mas sim de um novo olhar para mesma paisagem.

Minha viagem é interna e não geográfica.

Milton Filho...01.02.15
 
Viagem #.#.#

Sobre a visão #.#.#

 
Sobre a visão

A olho nu, enxergamos muito pouco
E, mesmo esse pouco, é uma ilusão.

Milton Filho/06.02.2014
 
Sobre a visão #.#.#

Maturidades #.#.#

 
Maturidades

Parece que amadureci um pouco
Porque hoje não tenho certeza de mais nada.
O chão não me dá mais segurança
E desconfio de toda calma.

E do amor que antes nada sabia,
Hoje sinto-o, embora ainda com algumas reservas.

Casei-me com uma linda alma
A quem judio muito com minhas idiossincrasias inúteis,
Mesmo sabendo que nada posso exigir,
Nada posso querer.

E sobre essa minha existência descartável,
O que posso dizer?
Absolutamente não vejo nenhuma relevância,
Sinto muito e sei o quanto é lamentável,
Mas... lamentável para quem, pergunto já meio sonolento?

E que ninguém me faça um comentário imbecil
Neste poema, ando meio sem paciência pra essas coisas.

Milton Filho/06.04.2014
 
Maturidades #.#.#

O gato azeviche #.#.#

 
 
O gato azeviche

Um gato pretíssimo passou por mim,
Ligeiro e furtivo,
Como quem desconfia do homem.
Ele tem razão, o homem dá azar.

Coincidentemente, logo após,
Encontrei um amigo querido
Que há muito não via...

E segui meu caminho, feliz,
Pensando nesse encontro, quando, do nada,
Surge à minha frente o mais exuberante pôr do sol.

Cheguei em casa assim,
Extasiado com essa alegria simples e,
Minha mulher me sorriu
O sorriso mais lindo que já vi.

Ah!... esses gatos pretos, elegantes e belíssimos,
São como essas poesias,
Poucos compreendem esses mimos.

Milton Filho... 13.02.2015
 
O gato azeviche #.#.#

Das coisas imprevisíveis #.#.#

 
Das coisas incompreensíveis
(Uma fenomenologia da estupidez)

Se não compreendemos a nós mesmos,
Como poderíamos compreender as coisas do mundo?
Filosofias são expostas como um fêmur quebrado,
Os mais belos poemas extraídos de profundezas insondáveis,
Como compreendê-los sem abraçar a insanidade,
Se ainda engatinhamos no brilho opaco de sentimentos tão vis?

Amar?
Mal cuidamos dos nossos filhos,
E o vizinho, com os seus, fazem parte de outra tribo.
Amar? Não me faça rir!

E se alguém neste mundo, de fato, ama,
Não tenho a menor dúvida, deve estar em maus lençóis.
Deve estar, neste exato momento, chorando,
Talvez morrendo de tristeza e solidão.

Mas deixemos de lado essas especulações vazias
E tão cheias de impossibilidades.
Admitamos nossa incompetência evolutiva,
Mudemos nossa dieta de enlatados vencidos e pútridos.

Afinal, quem irá compreender se digo que este mundo
Vive no passado?
Não me peçam explicações sobre essa fratura exposta,
Aquele fêmur quebrado, citado logo acima,
No topo da minha ignorância.

Só sei que é assim, porque é extremamente doloroso
E a dor tem essa peculiaridade semiótica, doer.
É um tipo de consultoria, as vezes cara,
A nos dizer que algo está desajustado, perto de quebrar
E, nos humilha até à calcificação dos ossos, não antes disso.

Filosofias, muletas, dores ingentes, incompreensões
E este poema, como todos os outros ou,
Em sua esmagadora maioria, ficará na estante do mistério.
Entre outras coisas, por que o compus?

Mas, cúmulo do cúmulo do constrangimento,
Todos que passarem os olhos por esse hieróglifo poema,
Irão dizer, cheios de uma certeza estúpida:
¬- Compreendo suas palavras, Milton!...

E depois de ouvi-las, uma esperança, também estúpida
E também triste, irá responder:
- Será?

Essa carência de nós mesmos, nos fazem assim, eminentes idiotas.

Milton Filho... 01.07.16
 
Das coisas imprevisíveis #.#.#

Nada mais importa #.#.#

 
Nada mais importa

Nada mais importa,
Nem flores ou jardins inteiros,
Todos os sóis se pondo em horizontes imensos
Ou mesmo nascendo ao som de violinos.
A chuva em tempo de seca e morte
E nem falo do mais belo arco-íris...

Nada mais importa

A fome devorando o mundo,
Todos os inocentes, se houver, todos os santos,
Por mais que me importe,
Lágrimas e lamentos lancinantes...

Nada mais importa

Todo o dinheiro do mundo,
Todo o ouro e todo o diamante, as pedras todas
E todas as mansões com todas as suas obras de arte,
Tudo isso, nem vou dizer, não tem o canto do meu olhar.

Nada mais importa

Os mares, os oceanos, as florestas,
Os rios e suas cachoeiras todas, as quedas e abismos,
Qualquer que seja a beleza,
Nem mesmo toda a poesia que há em mim
Que está por nascer,
Até mesmo a mais bela poesia que arde nas entranhas,
Em todas as entranhas do mundo...

Mais nada importa

Nem mesmo toda a importância do mundo me importa,
Porque troquei tudo pela importância de saber
Quem cargas d’água é esse homem distinto e estranho
Que tão discretamente vive em mim.

E nada mais importa!



Milton Filho/01.07.2014
 
Nada mais importa #.#.#

Quando dei por mim #.#.#

 
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Quando dei por mim

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Não escrevo mais poemas
Depois que percebi os motivos do mundo.

Um dia acordei e dei por mim
Assistindo a fome devorar uma criança,
E não só ela.

Quando dei por mim,
O mundo já estava em guerra
E um rio de sangue desaguava em minha janela,
Via parabólica.

Quando dei por mim,
Vi que as pessoas riam, sopravam velas,
Como se o tapete púrpura
Combinasse ali, sob a mesa, posta para o jantar.

Quando dei por mim,
Vi que não escrevia mais qualquer poema,
Que eram fios de plasma,
E que nada disso trazia uma importância.

Quando dei por mim,
Meu espelho já mostrava um rosto desigual,
Estranho,
Que não fazia o menor sentido estar ali.

Quando dei por mim,
Estava me afogando nesse mar
E meus poemas não eram mais poemas.
Eram a angústia, viva, a reclamar sua permanência,
Uma insólita e legítima cidadania.

Quando dei por mim,
Já havia nascido uma outra árvore no colo,
De raízes bem mais profundas,
Fincadas nesse terreno a que chamamos alma
E que rego quase todos os dias com estas lágrimas
Que não param de cair.

E fiquei viciado em dar por mim e me devorar,
Porque também entendi
A elegante metáfora dos vermes,
Que é se alimentar dos homens e de tudo
E que hoje prezo muito poder imitar e aprender.

Quando dei por mim, estava lá,
No meio de todas essas coisas, que pareciam mudas,
A dizer o que eu precisava urgentemente saber.

Quando dei por mim, estupefato, ali, ouvindo,
Procurei a ilusória proteção do medo
Que já ia muito longe, bem longe do meu querer.

E ando assim, dando por mim em cada milímetro,
Em plena transfusão de gestos, partículas,
Sofrendo feliz a dor de parir cada vão momento,
Pelas frestas, fendas, deste que se dá
E que, sendo eu mesmo, dá-se por mim
Sem dar-se por contente.

Outro dia dei por mim
Me descobrindo tal e qual um medíocre
E já estava esquecendo quando um amigo,
Generoso,
relembrou-me desta minha humílima condição.

A verdade é que dou por mim, esquecido,
Outra condição que não me difere dos outros,
Posto que ninguém lembra de dar-se conta do que é.

Sou também fantasma, disfarçado nessa posta de carne,
O que me deixa à vontade para copular e procriar.
E observando essa prole, saber de mim, nesse espelho,
Nessa troca reflexiva, prenhe de novas ideias, me saber.

Aprendi isso então, a me dar por todas as horas,
Porque outro não vai se dar ao trabalho
De arrancar máscaras enquanto estou distraído,
Sem dar por conta de mim.

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Milton Filho/31.08.13
 
Quando dei por mim  #.#.#

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...

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O cacto, imponente e solitário,
Desafia o plúmbeo deserto.
Seus espinhos ferem
O olhar cansado dos peregrinos.

MF.

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