Poemas, frases e mensagens de Diogo.Gabriel

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Diogo.Gabriel

Perdido em tempos

 
Um senhor professor ministra sua aula com um toque de sono.Seu terno amarronzado, com um estilo clichê americano, aumentava a sensação de rispidez.
Os alunos, que de tempos em tempos deixam o peso da cabeça falar mais alto que a matéria de filosofia, cochilam.
Próximo à janela, um aluno esquiva sua atenção ao nada: olhava indiretamente as cabeças sobre os ombros que passam, e mais distante, a quadra quase abandonada da escola. Não sente nada. Não ouve nada. Não ouve, muito menos, o tal professor.
De forma inesperada e assustadora, um dos dois ventiladores que ringiram o semestre todo, se solta de cabos de energia e parafusos, e segue direto e certeiro no rumo do tal professor, que é inteiramente degolado por uma das hélices.
Morre, então, um dos cabrestos dos alunos sonolentos, que, nesta altura, sono já não tinham mais.
Como carniceiros, uns alunos olham e tocam o corpo e a cabeça ensanguentados. O aluno que sentara próximo à janela, sem medos ou receios, se aproxima e enfia a mão, pelo pescoço, na cabeça do (ex,agora) professor e retira uma pedra uniforme e redonda, do tamanho de uma moeda. Mesmo suja de sangue, ele -o aluno- a toma, como um comprimido, e num flash, volta a ver, consciente agora, a velha quadra da escola e a ouvir a velha e rouca voz do professor de terno amarronzado.
 
Perdido em tempos

Vazio Sentido

 
Essa falta me falta
E de certa forma me acalma
Estranho pensar assim
Apaixonante ser um cadim assim
Sem alma
Com coração
Sem reservas nem pra mim
 
Vazio Sentido

Ombros Caídos

 
E mesmo as belezas não vivem sozinhas.Vivem para os olhares. E mesmo a terra não vive sem o impacto das gotas de chuva. Ah, não mesmo! Nem mesmo a criança mimada vive sem seu sorvete doce e congelante de chocolate. Nem mesmo estas letras sem meus singelos dedos. E estas pessoas? Não sabem sequer respirar sem ajuda de outros. Embora, muito embora mesmo, há as exceções. Há sim aqueles (ou aquele, no singular mesmo) que prefere sentar-se embaixo duma pirâmide e meditar sozinho. Pensar somente em nada. Respirar o nada, sentir nada e ainda assim saber o quão grande é o sentimento do mundo, os laços das pessoas que necessitam de outras, como dito antes, o amor que estas sentem (mesmo nem sempre admitindo). Cá estou, deselegantemente escrevendo de ombros caídos, assim como os olhos, tentando descrever um alguém tampouco amado, ou mesmo odiado, pelos prazeres do mundo.
 
Ombros Caídos

Submergir

 
Em silêncio que nem um pouco careço
Submerso no tempo com um fim sem começo
E sentir essa overdose de informações
Que de tempos em tempos volta
E voltando traz consigo um sermão
Um tal que vem de dentro
E de dentro fica
Até que sua repentina voz
Através do cansaço meu, se petrifica
Matando o eu como o nós
E assim, liberando o mundo de mim
Como o sempre desejou

Me despeço, assim, então
(transposto)de joelhos ao chão
Adeus, adeus dor do cão.
 
Submergir

Necessidade

 
O que acontece depois daqui? - disse o pequeno garoto de olhos cintilantes ao seu grande Senhor.
E o tal Senhor, responde :
Há de vir uma inspiração, meu caro negrinho. Hoje, o barqueiro das emoções trará uma peça à esta tua juventude que carrega no coração.
O menino que carregava consigo uma atmosfera de pássaro, era levado pelas finas e machucadas pernas. Era uma cachoeira brava e violenta de sonhos, mas que, por fora, mais parecia um lago parado e sereno.
E nesta serenidade é que pairava o olhar daquele Senhor do século XVIII : Olhava triste e alegre ao mesmo tempo. Sabia que, pela linha tênue que separava a proteção dada pelos seus braços e o mundo ridículo lá fora, é que vagava a realidade que mataria aquele sonhador. Mataria. Palavra forte, mas real. Aliás, forte e real.
Decidiu, então o velho Senhor, que não deixaria seu amado sofrer e chorar no futuro.
Colocou a pobre criança na cama. Conversaram sobre o mundo e as estrelas. Ninou-a. Passou a mão pelos cabelos crespos do garoto. Enxugou as lágrimas. Levantou-se com passos cautelosos, e seguiu até seu quarto. Com a chave na mão, abriu a gaveta que guardava seus objetos pessoais e apunhalou um punhado de pano que enrolava algo.
De novo no quarto do garoto, sacou a garrucha, apontou pro triste futuro do negrinho e atirou. Atirou. Pelo sangue via escorrer suas futuras mágoas e dores.
Por doentio seu coração que chorava à época, usou a ultima e nada doce bala para enfeitar o fim do seu presente.

Há certas histórias e 'amanhãs' que é preciso serem cessadas para que o lindo horizonte perdure à eternidade.
 
Necessidade

Idade Maior. Problema menor (?)

 
Por tempos e tempos acreditei piamente, que quando este dia chegasse eu seria tão especial quanto o Sol. Ou um Sol. Ou como Luís.
Quede confiabilidade que tanto afamavam?
Quede bruta força de Zeus?
Quede beleza tão aclamada?
Quede respeito?
Quede liberdade?
Liberdade. Com L maiúsculo.
Quede ‘cadê’ da juventude?
Quede juventude?
Quede juventude e tempo?
O tempo. Dezoito em pouco.
18, você já foi melhor.
 
Idade Maior. Problema menor (?)

Alma Sem Calma

 
Esta vista monocromática desgasta
Amedronta a coragem dos frágeis e singelos
Mas o mesmo não acontece com meu ego
Caminho, pois, sem laços, sem elos

Asas, estas minhas, já cortadas
Não voam mais como nos tempos dos jardim azul e verde céu
Nos tempos antigos preto e branco
Hoje, dia sorrio, noite sou réu

Padeço, como já dito, sem medo
Esperando um dia o túnel branco luminar
Conversando com o vento, com o tempo
Enquanto isso, daqui espero o mundo mudar
 
Alma Sem Calma

Mar e Ilha

 
A estranha onda
Que de longe vem
E pra longe vai
Perto da ilha,
tímida se retrai

Beija a costa
Abraça a fina areia
Maresia que reflete
-Aresia, disperte!

Estranho mar
Linda ilha do brilho brilha
Mar, Mar e zia
Maravilha,
De Mar e de ilha

À vista, à vista!
Maravilha, maravilha,
Na onda, na crista
Mar i ilia
 
Mar e Ilha

Passado e Presente

 
.

Uma dor cresce
Deve ser amor
A consciência acorda
E o resto do corpo adormece
É paixão
É fascinação
É terror e fixação;

Fixação?
Fixa no chão
Na parede,
E no pequeno piso
Que os une
Fixa na cor,
Mas não se perde
Ou perde?
Perde a dor
Perde a noção.

A mão dourada
Aperta e aperta forte
O maldito e comentado coração,ção,ão,não
Não.
 
Passado e Presente

Pequeno que sou

 
Naquela noite,
Um sol brilhava
Uma mente cintilava,
E a bravura do cosmo,
Intenso, rodeava

Complexa poeira
-Assim se denominava
E ainda, assim, faz
E ainda, assim, se desfaz
E ainda ama, perspicaz
 
Pequeno que sou

Bonde nos trilhos da Juventude

 
Ontem tive um sonho
-Fugi da santidade
Ao fogo me disponho
-Fugi da castidade
Sumi dessa cidade, rua e praça
-Graças, oh graça!

Pertenço ao nada
Com alma já acabada
-Fugi da cruz
-Fugi da luz
No paraíso agora vivo
Pois agora cachaça é o que cativo

Em direção ao interessante covil
Mesclado com a virilidade vil
-Tudo à mil, viu!?
Vamos indo, todos nós
Com ou sem nós
Sumindo da calmaria
Todos em harmonia
Rumo à tirania
 
Bonde nos trilhos da Juventude

Letras sem Título

 
Venho, através desta
Abdicar de toda poça de horror
De toda falta de natureza
De toda falta de amor

Dizem, ainda, que quem ama, é feliz
Sou feliz, mesmo fazendo jus aos dramas de uma tal meretriz
Sentir,ainda mais, prazer em temer
Prazer do viver
Viver e temer

Sentir no olhar
Afinal, olhos são pra se mastigar
 
Letras sem Título