Poemas, frases e mensagens de Nilsson

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Nilsson

penduro o silêncio no quarto

 
Começas por ler, e habituo-me
a tomar
o café já tarde pelo teu
arco-íris.

Penduro o silêncio no quarto,
e a estação
de dormir as rosas foi já há
muito;
um vento levou-a com o giz dos
pássaros
e, por isso, não me escrevas nada:
a tua noite já me morreu
e agora
tenho rosas no
céu.

O que me fizeres será um lago
coroado nos lábios;
o que me fizeres será um barco
escrito a cinza,
e depois um Inverno
para quem me viu com
a tua sombra
a imprimir
o mar
 
penduro o silêncio no quarto

minha querida Huntr

 
É
uma pena que a não
vejas.
Todas
as noites a lua desce,
mas
não sabemos onde;
as estrelas
atiram-se aos primei-
ros rebanhos
do mar,
atiram-se,
cruzam
o enxofre
que temos
mais quente
na mesa, descem
ainda se fôr preciso,
e nem sempre procuram
uma árvore, nem sem-
pre o vento: e de-
pois há quanto
tempo? Per-
gunto-te,
eu, Meu
amor
 
minha querida Huntr

minha doce vania

 
Sai,
a voar nessas estradas
que passam
em forma de névoa sob
o sol, e
sempre a voar
nesses
desertos
desenhados
a fogo onde flutuam
lábios;
sai, meu amor
os
relâmpagos
que te
atravessam
o ombro são rosas que
acordam,
são rosas
que começam um rio até
ao fim,
e não sei se
as vês neste incêndio de
cravos, neste tempo escuro que
vale a pena estender pelo
linho, ou só pelo meu,
numa das tuas
chávenas
de se-
de
 
minha doce vania

quando passaste passou a lua

 
O teu pulso é a geada alta dos
outonos em que me
visto, a última estação.
Cheguei há dias, e nos montes
continuam
os barcos com as sardas
de Carol Trentini; mas choveu ontem,
e vi-te descer o céu.
Choveu, muito, e vi-te:
quando
passaste passou a lua, e cumprido
terás a cor deste céu
com a tua, Meu
amor
 
quando passaste passou a lua

um violino é esse regresso ao outono

 
Um violino é esse regresso ao
Outono, e, no mar
onde vi os galgos, os ventos
correm ainda: correm
a cal,
ainda a cal dos astros e essa
luminosidade
que te escreve através da
sede;

e,

no silêncio, algumas folhas
com
os duvidosos
veios da noite não só emitem
fumos
como espalham o vento
de pesadíssimas algas:
o vento ainda, e perder-te
liam-me que era
quase sem-
pre as-
sim;

mas

vou parar por aqui, parar e ver,
ensinar as rosas, ver vento
a vento, como te
perdes, Meu
amor
 
um violino é esse regresso ao outono

minha alice luc

 
Hoje
onde estarias se fosse
eu a subir?
Talvez numa rosa,
talvez, mas
já foi tarde, muito
tarde: os
ventos migaram-se
sempre com
cardos neste piano
de passagem
para o pólen, e sinais
houve de
uma lua
que
a atira-
ram a
passos do
mar, a passos
de um rio, e sinais
altos ou muito al-
tos quase houve também
do vento, do meu, ou
sempre e tão suave-
mente do meu so-
bre o teu espe-
lho quando
molhas os
pés, Meu
amor
 
minha alice luc

um violino cego na vagina da tarde e o orgasmo reencaminhado pelo desespero dos dedos

 
.
naquela
tarde
que ambos recordámos
de pequena
eu pude ter a lua
cortada
à tua frente,
e sempre
naquele
embrulho
de polvo
com nevoeiros
que não visse
o mar onde te sento
uma vez em
anos
 
um violino cego na vagina da tarde e o orgasmo reencaminhado pelo desespero dos dedos

Fernanda Moreira

 
Ponho
no teu dedo um rio de
barbos e em
cinza
degraus de
vapor onde o meridiano
é Washington
separado
pelo
mar;
mas ainda
assim
tenta voar: a tarde
depois será
não a leres, será
também
não a veres, quando
os lobos
chegarem
das planícies, dos
ventos,
destes que as marés
agitam
como
um outono
mal criado, como
um outono sentado sobre
as árvores desocupando
do mar e fora do mar,
a única noite
acontecida
de espe-
lhos
 
Fernanda Moreira

ana júlia

 
Talvez
hoje passe ainda com o vento.
Talvez, e não é ainda
o céu o que podes levar. Tenho
a lua
em cima do teu quarto, a lua, e
este piano que a
vem tra-
zer.

Tenho-a,
e, talvez, eu não a saiba pôr:
o anoitecer
é um jardim acompanhado da
memória,
um jardim, o teu, e preciso ver
o que fa-
zes.

Não sei de onde vens, nunca sei:
mas há
um vento, mas há
sempre um
vento,
..e


com

a tua blusa que é ainda uma rosa,
uma seda com janelas,
uma seda
ou esse Inverno
habilmente bordado aos divãs
de Freud, pelos lagos
que faltam numa
estrela, Meu
amor
 
ana júlia

os teus peixes vivem nos sinos

 
Vamos brincar, ainda que estas
montanhas
possam adiar os ventos;
vamos,
as marés continuam magníficas,
as marés continuam, mas
antes os comboios passam-nas,
e só depois a lua
é maior.

E agora que chegaste, os barcos jogam
e com esta insónia. Os
barcos jogam, e os teus peixes
vivem nos sinos,
ou na rua
Langestraat 47.
Os teus peixes vivem nos sinos,
e nunca dão por certa
a lua que te vai nos
lábios, Meu
amor
 
os teus peixes vivem nos sinos