Poemas, frases e mensagens de DomCervantes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de DomCervantes

Antiode ao (humano) vegetariano

 
Aí o cara é vegetariano, pega uma infecção e toma antibiótico para matar alguns milhões de bactérias que o incomodam. Mas não come um pedacinho de carne porque é a favor da vida.

Dane-se a vida! Nascemos para morrer. E eu não me importo se o que estou comendo é bovino, felino ou humano. Contanto que seja saboroso e nutritivo.

E, para cada animal que você deixar de comer, eu vou comer três para compensar.

Vou até tomar um antibiótico para acabar com alguns milhões de vidas de bactérias. Ah, você não se importa com as vidas delas porque não lhe convém.

Sim, eu sei que nossa vida não passa de uma escravidão para satisfazer nossos micróbios 'bons'. Mas também duvido que você não os mataria, quando eles não se lhe proporcionassem, em troca de sua energia, o que você precisa.

Saia do armário! Você é tão egoísta quanto eu. Permita-me ser idiota e eu permitirei sua idiotice em troca. É disso que se trata a tal humanidade. Respeito a vida tanto quanto você. Apenas tanto quanto.

E viva a morte!
"Morte,
morte,
morte,
que, talvez,
seja o segredo desta vida."
(Raul Seixas - Canto para minha morte)
 
Antiode ao (humano) vegetariano

Poema aos leitores

 
Quando você vier me visitar outra vez,
abrirei a porta e verei que não é você.
Seu clone entra em minhas indagações
e chega à porta de saída do meu escuro,
sem encontrar o despertar das atenções.
O futuro só está na minha mente
e só eu tenho certeza do que precisa ser
descoberto
pela hu
man
i
d
ade
.

O meu mundo.

Dane-se, querido leitor!
Isto não é poesia,
mas também não foge dos fugitivos.

Mas se sua serpente cerebral
ainda estiver lendo minhas palavras,
encontrará minha amizade mental.

Rimas sem surpresas.

Há o mundo da palavra bonita
e lá eu não quero mais viver.
E o lado da sujeira dos calafrios
é o refúgio daquela mania de ser.

Dois.

Onde está?
 
Poema aos leitores

Confissões

 
Ela voltou a mim,
cada timbre é uma estrada
e eu estou percorrendo todos os caminhos ao mesmo tempo.

Meu sentido do sentir
sente o sentimento da sensação
de sensibilizar sete sentidos
em um só solitário.

Flutuações microtonais
entram em meu coração,
através de uma nova percepção.

Nem o mais absoluto ouvido
ou a mais afinada orquestra
pode escapar da derrapada sutil
da bandeira trêmula da oscilação ondulatória.

Há tempos que eu estive aqui,
estou até tremendo.
O medo tomou-me conta,
quando, ao observar os vidros desta janela,
me dei conta de que ela sou eu,
embora eu não seja ela.

Rato sem tô, rato sem tô, rato sem tô.
Soa a risada de sobra transcrita.
Dizia eu que a Aritmética
e pode voltar outra vez.
 
Confissões

2, música, fumaça, taça

 
Nosso próximo louvor será ao The Doors.
Acenda seu desejo e me entregue.
Duas frequências querendo se ajustar.
Tome de volta a chama mais perigosa.

Beba um gole do meu vinho,
enquanto afogo problemas.
Esta noite, fingiremos mais um pouco.
Mate sua sede em meu sangue.

Enterre a humanidade
e esconda aquelas mentes de seu sorriso.
Aqui não há regras,
nossos dois pensamentos são a única lei.
 
2, música, fumaça, taça

A verdade é que ainda penso em você, de vez em quando (Apenas um flash)

 
A verdade
é que eu meteria meu pau nela
até que ele caísse no chão.

E ela sabe disso.

Não sei como são seus olhos,
me resta apenas imaginar.

No horizonte da saudade,
há um sorriso sensível.
Sua imagem sem imagem,
seus sons não mais captados.

Imaginados.

Uma guitarra quente
a acender fogo naquela multidão
a cultuar Apolo
através de um seguidor destacado.

Uma guitarra que chora
para ver seu rosto na plateia.
 
A verdade é que ainda penso em você, de vez em quando (Apenas um flash)

"O que é pensar?"

 
- Pensou o meu pensamento.
 
"O que é pensar?"

A música e eu

 
Há quem procure amor em adjetivos.
Há quem se entregue só por amar, ainda que sem motivos.

Preciso sentir os instrumentos
a chorarem notas bem pertinho de mim.
É disto que preciso:
proximidade de melodias que me compreendam.
 
A música e eu

Londres está chamando

 
Quando, o quê,
como, onde, por quê,
por exemplo?

Diga-me o que tu és,
que eu te direi...
eu me esqueci, cosmarada!

Quem é, o que foi,
qual, em quem, de quem,
que poderia?

Eu e minha Guita Gità,
em noites de amor dividido
entre conexão e desconexão diária.

Dos restos de um pequeno violão de brinquedo
surgirão as melodias mais grandiosas,
às quais se curvarão os mais valiosos instrumentos
e para as mulheres seria a mais cheirosa das rosas.

Nosso elo não mais pode ser visto.
Eu estou indo buscar o meu visto.

(Ali, no canto da prateleira empoeirada,
há um livro aguardando para ser lindo.)
 
Londres está chamando

Não vou cantar esta música

 
O lunático aterrisssou na Lua
e nem foi um tapa de papel,
o que levou da cabeça flutuante
do garoto que entregava o jornal.

O garoto se despede da cachorra sua
e ele nem fica enfezado como Muriel.
Respira o ar que é seu neste instante
e não se importa de estar no gelo do Nepal.

Vou parar por aqui.
Mentira, eu vou continuar.
E vai ter que me ouvir.

Unindo pingos de luz de estrelas
que não mais emitem sua vida;
encanta seus olhos com o ser após a morte.
Somos todos sádicos.
 
Não vou cantar esta música

Insatisfação

 
Insatisfeito. Não comigo, mas com o que tenho que dar ao mundo para que ele me entregue o que quero. Eu poderia ser alguém mais comum ou simplesmente me retirar para uma viagem solitária para dentro de mim mesmo e não ter necessidades.
É tão estranho só poder ser eu. Ser e estar neste corpo e apenas neste, com um prazo de validade nesta prisão. Será que estou gastando o tempo que me foi dado da forma correta ou simplesmente isso nem importa, na verdade? Eu penso no que vou pensar; o Fernando do futuro que estará lendo isto serei eu mesmo? O que é o tempo, se eu não sou mais o mesmo de um minuto atrás, se a cada segundo meu corpo morre um pouco mais?
A cada palavra, um pouco mais de morte se aproxima e eu simplesmente entendo nada. Se a cada sete anos, toda e cada célula do meu corpo já morreu e foi substituída por outra, o que sou eu, afinal? Do que sou composto, se não é do material que sou agora? Ou será que dentro de sete anos, serei um ser totalmente diferente? Por mais que meus pensamentos tenham mudado, continuo me sentindo da mesma forma que me sentia quando era criança. Diferente, mas igual, acho que ainda sou eu e sempre serei. Seria eu uma alma?
 
Insatisfação

Ratoeira

 
Se quer tentar,
me diga de uma vez.
Porque eu já não sei,
eu te amo.

Se você vai sonhar,
se você vai
começar,
não pare.
E, se parar, não comece.

Os testes de resistências foram duros
e a solidão é apenas um descanso.
Eu não me contento com pouco.
Procuro seguir o caminho que não é manso.
Embora hajam estradas com menos armadilhas,
eu avisto bosques mais coloridos.
 
Ratoeira

Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)

 
Estive observando a árvore do fundo da minha casa: ela cresce sozinha e se mantém firme por si só, como se soubesse como, quando e para onde crescer. E ela cresce, majestosa, sendo sua própria arquiteta. Nós também crescemos sem saber. Você sabe precisar o momento exato em que deixou de ser criança e se tornou um adulto? Você percebeu os traços do seu rosto mudando, até chegar a ter uma aparência adulta, ou só se deu conta quando já estava velho demais? Você pensa que é dono de algo neste mundo, mas nem sequer seu próprio corpo é comandado por você.
 
Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)

As Esperanças

 
Nome que nome
Seu
Futuro pela grade
Nome seu
Meu
Depois o nosso
(depois do nosso)

Quando acreditar
Não perderei o seu dentro de mim
Um gole
Uma firmeza
Lambida
Gelada

Esquentou
 
As Esperanças

ESPERANDO POR SUA CARTA

 
Haviam asas no céu
e o chão era azul.
Eu poderia me jogar
para dentro da distorção do mar.

As portas do sobrado
não fazem nem questão.
E as bordas do seu brado:
'então casem sem perdão'!

Um carimbo do seu próprio sangue
deixou a mensagem graciosa.
E os segundos se esticavam,
enquanto meu corpo se apertava.

Não haviam letras, nem símbolos
e o que era um leve consolo
no meio de cada rosto na imensidão
se tornou a minha própria escuridão.

Eu abri os olhos e voltei para baixo.
Não havia sinal de vida, nem o gancho
no pescoço que parecia uma carta,
de seus pensamentos, tão farta.

Talvez a verdade é que eu quisesse tanto,
que vesti minha mente como um manto.
 
ESPERANDO POR SUA CARTA

A uma pequena muito querida

 
Ah, querida,
acredite em mim quando eu lhe digo:
eu não lhe faria nenhum mal.

Se você deixasse para sempre,
quando eu poderia saber?
E como eu perceberia
que este abridor de garrafas é você?

Eu só queria lhe ver.
Eu só queria saber de você.
Aquele amor acabou
e, mesmo sendo mentira,
o amigo fiel se viu distante.

E não há mais amor e ódio.

Há um pedaço vazio de infinito
em minha confusão
retornando à mente
antes consumida por seu vício.
 
A uma pequena muito querida

Senhorita Watson

 
Senhorita Watson,
eu vi seus seios hoje
e vi as mãos que os estavam tocando,
num lugar bem longe daqui.

E confesso que senti o calor
de um ciúme que eu não conhecia,
o desejo de estar no mundo,
sem sair do meu quarto.

E assim, sorrateiramente,
estar na mesma festa que você,
mostrá-la o que é intrigante,
com a força do meu firmamento de fama.

Com a minha guitarra,
berrarei seu nome pelos alto-falantes
e ao menos por uma noite
você será minha.
 
Senhorita Watson

Fantasia dos iludidos

 
Vi lanternas que soltam cabelos,
ao invés de fogo,
num mar de fantasias dos equivocados,
que se iludem pensando
que a realidade existe.
O que vem depois?
 
Fantasia dos iludidos

Eu gostaria de ser entendido

 
Eu gostaria de ser entendido
e que minhas fases e frases,
pichadas nas paredes dos banheiros
de um submarino amarelo,
subissem no patamar dos confusos herdeiros,
acompanhadas por um atento violoncelo.

E que, em cada desengano aparente,
eu tenha escrito minha poesia com as palavras trocadas,
a fim de que encontre um igual,
uma igual sintonia,
o pensar de um confidente leal,
o fim de duas agonias.
 
Eu gostaria de ser entendido

Reflexões sobre a vida, o Universo e tudo mais

 
A criatividade é apenas
a criança sincera,
a inimizade com o bom senso
e a contestação dos padrões de mundos alheios,
pois cada mente é uma arte única.

Falando sozinho.
Sem minha voz.
E ditando aos meus dedos
cada pensamento
da forma que vem a mim,
sobre minhas divagações sobre divagações,
sobre o teclado que segue as letrinhas da minha mente.
Reflexo nem um pouco integral
da totalidade dos meus pensamentos.
Embora insuficiente,
é ainda necessário.

Talvez minha música soe estranha para mim
da mesma forma que minha voz gravada
não reflete o que está ecoando no meu crânio,
por isso suas frequências se alteram
e se tornam estranhas de mim mesmo,
mas velhas companheiras de quem gosta
do som que vem do meu corpo.
Talvez ela seja só ruim.
Mas o que é ruim?
Em breve, pensarei nisso.
Talvez não seja ruim?
Mas ser bom é uma coisa boa?
Peraí!

Scorpions, Aerosmith, Queen,
Aphrodite's Child, U2...
Cada um tem um modo tão peculiar,
tão sincero de compor suas baladas!

Talking Heads, Tom Zé, Pink Floyd,
Renaissance, Nick Drake, Os Mutantes,
Led Zeppelin, Joy Division, The Zombies,
Chico Buarque, Raul Seixas, Kraftwerk...
Como são lindas as almas desinibidas!
E me perco em divagações.
Como você? Talvez.
Peraí!

A cada boa música
sentimos uma alma diferente.
E imitações de algumas
levam a repetições de padrões,
o que facilita a assimilação
em mentes preguiçosas.

Não me julgo capaz de escolher
uma alma como a mais linda.
Mas sei que algumas gritam mais alto
quando pisco para elas.

Isso é o resultado final da minha teoria
de que se todos e cada um fossem sinceros
consigo mesmo e com o mundo,
e externassem uma arte
vinda do mais profundo de suas mentes,
estaríamos sempre encantados e maravilhados
com belas criações artísticas
- a verdadeira arte,
aquela que vem daquilo que só você pensa,
que ninguém consegue revelar,
por medo das imposições
de belo e feio.

Pois só é belo em comparação ao que é diferente
e já se consolidou como mais útil e prático.
Por preguiça, certos padrões foram estabelecidos
para evitar a fadiga da procura por novos padrões
musicais - e artísticos, em geral -
que agradassem ao maior número possível de pessoas.

Portanto,
a arte fonográfica estacionou em artistas que se imitam entre si,
tentando imitar melodias, harmonias, ritmos, cores e sílabas
já consagradas pelo maior público possível
- o que é certo de que será rentável,
ao contrário de uma aposta.

Mas ainda existem grandes mentes que não tem medo de se revelar
em seu mais íntimo.
Sua música os deixam nus.
Eles sangram em seus medos
e vergonhas,
mas se entregam, nus,
para o deleite de seus empáticos
e a coloração do escuro
das mentes de seus apreciadores.

As palavras que escrevo
tem o significado que eu dei para elas.
Apenas esse é verdadeiro (para mim).
E a palavra 'poesia'
é escrita por mim,
vinda do meu próprio mundo,
dos modos como eu a construí
- sincero, real, instantâneo e reflexivo -
em todo o tempo que já me foi concedido.

Se toda a crítica e toda paixão
estarão apenas em meu mundo,
por que eu deveria me preocupar
com a minha empatia,
que se vê dentro das outras mentes,
tentando descobrir o impossível:
a maior verdade de sua alma
- sobre mim e sobre o mundo dele?

Convulsões.
Tantas cores.
Tantos sons inaudíveis.
Tanto estímulo.
Tanto reflexo.
Louco.
Estranho.
 
Reflexões sobre a vida, o Universo e tudo mais

Seu, outra vez

 
À noite, absorto por sua mente
e entregue aos toques da sua mão,
me vi deitado; outra vez seu, somente,
e senti o desespero do meu pulmão.

Ao despertar-me com sua carícia,
em cada obscenidade jogada,
atrevida e sentindo sua própria delícia;
levou-me em engano de volta à madrugada.

Todas aquelas décadas de tensão
a levar-nos para outra dimensão,
me trouxeram mais próximo e pude tocar
o que meu corpo tanto ansiava por adorar.

E, na minha pele, o amor eu senti;
e, a você, meu desejo eu consenti.
E enfim eu vi toda a ansiedade de sua calma,
em sua pele vermelha, no gozo da alma.
 
Seu, outra vez