Poemas, frases e mensagens de UsuarioZWT

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de UsuarioZWT

Exploradora Sinfonia

 
Exploradora Sinfonia
 
 
"Era uma bela orquestra
Havia um só maestro,
Este era homem destro,
E controlava todo o resto.

O som era sublime
Notas tão agudas
Um tanto opressoras
Conduzindo o forte regime.

Os músicos reprimidos
Tocavam sem cessar
O mesmo som reproduziam
Sem nem mesmo pensar.

Apenas acreditavam
Um dia tudo iria findar,
E ao tão hábil maestro,
Haviam de se igualar.

E assim hão de tocar
O doce som do vapor!
Já que a orquestra, senhor
Não pode perder o seu calor.

Pois há todo um ritual
Para (nos) sustentar.
Vidas é preciso sacrificar!

E se algum músico falhar,
O que tanto esperas?
Vá imediatamente trocar!

Já que a intensa produção,
Não pode nunca ir devagar
Há muitos ainda a explorar!

Portanto caros músicos,
Nada de se rebelarem!
Apenas sigam a melodia
Da exploradora sinfonia."
 
Exploradora Sinfonia

Acorda, pois já são sete e cinco

 
Ele não só me diz, mas me grita todos os santos dias: são sete horas e cinco minutos. Nem mais cinco nem menos cinco, eu já disse: s-e-t-e-e-c-i-n-c-o. Porque é coisa, porque tem espírito objetivo, não mente mesmo, é sempre pontual e exato: são sete e cinco. Nunca falhou e nunca falhará: sete e cinco. E se pudesse falar, suponho que ainda diria: "Acorda, seu vagabundo, porque já são sete e cinco." E de tão sarcástico que é ele mesmo, após berrar e vibrar, por-me pra fora da cama num pulo, tudo isso nos exatos sete e cinco minutos da manhã, ainda grava na sua bendita tela, a cada dia rotineiro: "Despertador programado para as sete e cinco. Deseja salvar?". E ponho-me a rir imensamente, pois poderia repetir aqui sete e cinco por quase trezentos e sessenta e cinco vezes, pra talvez, no mínimo, sentirem como é ter esse ser que me perturba sempre ao meu lado exatamente às sete e cinco de cada manhã. Certo dia, criei coragem e contei por algum tempo quantos sete e cinco haviam ali. Foi tão monótono, algo tão sete e cinco de se fazer, que parei por próximo dos cem sete e cinco. Mas você, leitor, poderia me objetar: ora, sua besta, porque não salva logo, em definitivo, o horário e chega desse sofrimento, chega desse sete e cinco repetidamente? E eu te retrucaria, pois, seu pretenso advogadozinho do sete e cinco: ora, eu nunca salvo o horário de pura raiva que sinto! A cada dia coloco o mesmo sete e cinco pra despertar porque não gosto de salvá-lo. É tão manifesto... Ora! Pois quem moveria um músculo sequer para salvar a quem não gosta? E de quem não gosto é tão simples, é tão claro: é daquele ser que me diz sete e cinco. Por isso, se você me disser algum dia na rua, enquanto passeio despreocupadamente, que se chama sete e cinco, ou que há tantas horas atrás foram sete e cinco, saiba já de antemão que fecharei minha cara pra tua figura e, quem sabe, até te odiarei. Mas para fim de conclusão, porque já são sete e quatro e porque já cansei de dizer sete e cinco, antes de salvar no despertador meu odiado companheiro sete e cinco, meus caros amigos que não são "sete e cinquistas", quero mesmo é que alguém me salve dessa rotina!
 
Acorda, pois já são sete e cinco

O tanto do tanto do amor.

 
"Te amo tanto
que não tem tanto
o qual possa medir
o tanto que te amo.
Posto que é um tanto
tão imensamente grande
que nem o maior dos tantos
é capaz de medir
o tanto que te amo."
 
O tanto do tanto do amor.

Facção do Amor

 
Facção do Amor
 
Inspirado nos versos de Drummond...

"Faço parte de uma quadrilha,
Faço parte sim, senhor.
Uma quadrilha impiedosa,
sanguinária e que provoca dor.

Na minha quadrilha tem sofrimento,
Espalhou-se por nós como o vento,
Era um rebento junto ao sentimento.

Na quadrilha nem se quer há dança,
todos se gostam muito, porém com desdém.
Só que todos amam sempre alguém,
e no final, entre nós, ninguém ama ninguém."

Poema escrito por mim, claramente baseado no poema de Carlos Drummond de Andrade: " Quadrilha ", referindo-se ao sofrimento de amar alguém e este ama a outra pessoa, assim como nos versos de Drummond. Para quem não conhece o poema, aqui está:

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história."
 
Facção do Amor

Da Janela ao Sol

 
Aqui do lado de casa tem uma janela
Todas as manhãs, acordo, já procuro por ela
Procuro por quem, por ela ou pela janela?
Não sei, não consigo nem mesmo explicar
Já ouvi dizer que do lado de casa ela vive
Mas nunca a vi da dita janela se aproximar.

Contra o sol, já olho de relance, te procuro
Morrendo de vontade, loucura, não me contenho
Porém, acho um nada, que pena, um tiro no escuro!
Porque ela estaria ali, por nada?
Ora, quanta falta minha de engenho!

Mas ouvi dizer que Biologia você vive a estudar
Óh moça, deixa disso! Vem pra janela meu jardim observar!
Tem flor, grama e tudo quanto é arvorela
Veja, tem mais ainda o querer te visitar
Mas, antes, um olhar certeiro gostaria de ter d'ela
Ali mesmo, vendo-me da maldita e querida janela.
 
Da Janela ao Sol

Arquiteta e o Poeta

 
"Corredor infinito
Sensações finitas
Lá vem a moça bonita,
deparar-se com o maldito.

O maldito de um poeta,
nem sabe andar de bicicleta,
A bicicleta do amor.

Ele nunca encontrou equidade,
um sorriso já o tomba para o lado,
quando finalmente percebe, caiu.
Um novo amor o possuiu.

A moça diz querer ser arquiteta,
estuda a Grécia, alfa e beta,
tudo para atingir sua meta.

Um poeta e uma arquiteta!
Quem diria, que coisa indiscreta.
O problema é que ele é um pateta,
Ela sempre muito bem discreta:

Tão discreta que ao passar por ele,
olha para os lados, finge que não viu.
O boboca passa rente, a ver navio.

Se por milagre eles dizem oi,
quando ele olha para trás,
a arquiteta já se foi.

E no dia seguinte, no mesmo corredor
Luta de novo por seu mísero oi diário,
Mas que belo de um trovador solitário."

Amor, humor.
 
Arquiteta e o Poeta

Belo dia de Domingo

 
Mais um dia de domingo. E como em todo, este dia sagrado vem sempre acompanhado de um bom jornal. Abre-se a folha, aquele cheiro de papel reciclado vem vaporosamente às narinas e folheia-se muitas notícias, próprias da civilização. Mas para falar a verdade, a parte que mais me encanta é as de crônicas. Sempre volto meus olhos para lá, na fútil tentativa de achar algum texto que compartilhe as mesmas angústias que eu. Nada. Apenas mais um bom texto, mas que novamente não me identifiquei. Mais abaixo estava a seção de quadrinhos e do horóscopo. Consegui algumas tímidas risadas em meio aos cartoons, mas hoje aquele horóscopo me clamava para ser lido. Consciente de que sempre fora pura bobagem, escrito ao acaso, e que qualquer homem que se preze, possuidor da razão não deve lê-lo; acabei lendo. Li sobre meu signo, o de peixes: "Amor: Há um ditado antigo que diz que, quando a sorte é muita, santo desconfia. Pois a maré agora é de sorte e é seu dever curti-la do começo ao fim." Dessa vez me surpreendi de tal modo que cheguei à conclusão: Bela bobagem! Como sempre, estive certo, não passava de mais uma idiotice. Desde quando terei sorte neste maldito amor? Essas duas palavras são tão antagônicas, que juntas, eliminam a existência de ambas! Veja só, perdi meu tempo mais uma vez. Pode ser que nem tanto, ao menos me fizera ter uma risada tão escandalosa que denunciou o mais íntimo sofrimento. Mas será que estas previsões funcionaram para alguém? Talvez eu seja só mais um peixe fora d'água.
 
Belo dia de Domingo

Libertação

 
Agora não preciso lhe desejar boa noite
Não preciso navegar em devaneios
Não preciso mais sonhar contigo.
Não é mais preciso me importar,
Porque nada mais importa.
Só me resta encher-me de comida
Repousar a face no travesseiro
Ter inúmeros e variados pesadelos
E por fim acordar, e ir ao banheiro.

Livrei-me das malditas correntes
Ou pelo menos tento me livrar.
Agora posso ser finalmente livre!
Isso mesmo, poetas, livre!
Não preciso mais continuar vivendo
Essa vida disciplinada pelo amor.
Sou inteiramente livre agora,
Para quem sabe, escolher outra paixão
E novamente sofrer de tanta dor.
Talvez seja uma condição humana
Adoramos a tormenta, rir do escárnio
De nossas próprias dores.

Provavelmente o amor nem se quer exista
Ou talvez ele só exista no plano imaginário
Numa forma idealizada do indivíduo
Onde o real nunca acontece, somente sonhos.
É projetado todas as nossas esperanças
Em algo impossível, inalcançável.
É um sentimento mentiroso, enganador
O mundo é uma eterna quadrilha,
De total desencontro amoroso.
Dizem não ter preço, mas eu discordo!
O amor mais verdadeiro e leal
Não te ilude, vai direto ao que se quer:
E lá se vai todas suas notas de reais.

Uma hora de tudo se cansa,
Pois ninguém é totalmente de ferro.
Cansei de ti, oh amores idealizados!
Tanto amei, sem nunca ter sido amado!
Tantos versos escritos, tantas ilusões.
E no final o que sempre nos resta?
O absolutamente nada, o vazio.
A ausência de qualquer coisa
Uma ausência preenchida
Totalmente de forma paradoxal,
Recheada de total melancolia.
Uma melancolia que tem peso,
Mesmo sem nem se quer existir!
Ela recobre sobre o peito, dói
Exerce sua massa, encolhe, comprime.
Maldita e insuportável dor sublime!

Ora, soltem-se, riam comigo!
Já não é mais preciso me importar,
Por que nada mais importa.
Não preciso seguí-la com meus olhos.
Agora posso ver o que quiser
Viver como quiser, seguir minha rotina.
Não preciso mais observar a lua,
Por que ela nem se quer aparece mais!
Hoje a noite não tem luar, e nunca terá.
Você, a minha Lua terrestre, não mais me fascina
Mas o único problema será lhe encontrar
Naquele maldito e longínquo corredor,
E esta dor do peito, novamente atina.
 
Libertação

Caderno velho

 
"Há um caderno velho e enrugado
Em segredos devia ser guardado,
pois nele estão todas as agonias
de um velho poeta apaixonado.

Mas nem é preciso se fazer preocupado,
já que vivemos em um mundo malogrado
em que a correria ofusca nossas alegrias,
e poucos se interessam por poesias."
 
Caderno velho

Vida de Trincheira

 
Vida de Trincheira
 
A baioneta já não mais mata
A granada já não mais estraçalha
Porque quem nos mata todos os dias
É tão-somente esta maldita guerra.
Não fomos nós quem a escolhemos
Eles a iniciaram e pagamos nós com nossas vidas.
Já não mais lutamos por nosso glorioso país
Lutamos mesmo é por mais um segundo de vida
Só mais um, um abrir e fechar de pulmões.
Não mais matamos porque os odiamos
Ora, porque não mais somos seres humanos,
Nos tornamos animais, sedentos por sangue e pão
E a morte nos tornara algo absolutamente tão habitual!
Se somos jovens? A juventude fora destruída
Agora somos apenas velhos em corpos de crianças.
A felicidade? Que é isso?
No máximo, somente quanto estamos junto de nossos camaradas
Podemos viver alguns momentos felizes,
Lembrar de casa, da paz e de nossas mulheres.
Elas já não nos esperam, pois sabem que não voltaremos
Porque a morte nos sonda a todo momento.
Acordamos cada dia, e lha desejamos bom dia.
Bom dia cara Morte! Faça-nos doce companhia
Nesta trincheira fedida, onde os ratos é quem mandam!
Pois veja! Eles comem mais do que nós, estão gordos
Apetitosos cadáveres é o que não lhes faltam!
O jantar está mesmo é sempre servido...
Vivem bem! Vivem mesmo! Enquanto nós vivemos junto ao medo
Esperando apenas uma granada nos abraçar,
E quem sabe volver à Terra suja, de onde nascemos e agora vivemos.
 
Vida de Trincheira

(A)Braços

 
Braços...
Gosto deles.
Mas não sozinhos!
Antes precisam de um A,
Bem em frente:
Um A de amor.
 
(A)Braços

O poeta contra a razão

 
A razão é sozinha, não precisa de amparos:
Se o que é, chamo de ser
O que não vai ser, ser não será
Os conceitos fazem-se tão claros!
Ninguém o vai duvidar.
Se, ao mesmo tempo, ser e não ser é contradição
Haveria, então, o livre poeta qualquer condição
De a tudo isso mudar? Por exemplo...
Que a grandeza do mar não vá ser mar, quem o vai entender?
Quer dizer, como conceber um não-mar: a-mar?
Ah, a isso já responderia o poeta todo risonho:
"Ó pobre razão! Se ao menos isso fosse matéria do teu entender...
Mas nada disso eu suponho! Em verdade, até te contraponho:
Ora, não vês que por aqui não tens lugar? Ralha-te então, ó entendimento finito!
Pois o inexplicável a-mar é matéria do sentir, do doce apaixonar..."
E do fundo do peito, contra a razão, o poeta dera um grito:
"Sim, do sublime e do infinito!"

Dei uma ampliada num poema que já tinha escrito com essa mesma brincadeira-relação: mar e a-mar.
 
O poeta contra a razão

Ofélia

 
Ofélia
 
"Água gélida e profunda,
De incessante movimento se faz transtornada,
Tão límpida que só pode ser oriunda,
De uma nascente apaixonada!

Sentada à beira deste rio,
Com seus meigos pés tocando o frio,
Está uma donzela a suspirar...

Em suas mãos está viçosa rosa,
Cada amor perdido é uma pétala formosa,
Uma por uma nas águas começa a lançar!

A pálida virgem de olhar bonito,
Fica observando as pétalas navegando até o infinito!
E inocente vontade em seu peito está a se formar...
'Ora, por que não experimentar?'

Passo a passo nas profundezas ia desbravando,
De quão grande pranto estava quase desmaiando,
Até que o fundo já não mais consegue tocar...

Pare Ofélia! Não brinque de se afogar!
Não bebas destas águas,
Que inundam teu coração,
Com antigos sentimentos de paixão,
Que em tempos lhe fizeram delirar!

Após imperduráveis momentos a lutar,
Por um instante o sabiá parou,
E a lânguida virgem se aquietou...
Sobre a fina cristalina está a flutuar!

Vá com a mórbida correnteza,
Bela estátua de grande delicadeza!
Até que encontre seus amores aflito,
Lá bem longe, no infinito!"
 
Ofélia

O abismo que há entre nós

 
O abismo que há entre nós
 
Era eu um construtor de pontes
Pois busquei erguer longo caminho
Sobre o grande abismo que há entre nós.
Com tijolos sobre caminho incerto
Andei a caminhar a passos largos, veloz!
E de quão grande loucura, por certo
Efeito visceral de caminhar em densa neblina,
Acabei por dar passo maior do que aquilo que construíra:
Meu encanto, portanto, foi minha ruína!
Firme e duro, sem qualquer dó, eu caíra
Tão-somente Deus sabe o quanto gritara!
Mas nem cima nem baixo alguém pode me escutar
Porque aqui, neste fosso, é lugar daqueles sem voz:
Óh, maldito abismo que há entre nós!
 
O abismo que há entre nós

Ei, garçom!

 
O amor não tem preço,
mas é barato e banal
tão simples de ser encontrado
só virar a esquina, afinal

Tão imbecil e enganador
que mesmo sabendo da dor,
sempre tem um idiota a morrer de amor

Surgem esperanças na mente
a razão some, tudo é delinquente
a vida é regrada em função do ente

Em verdade, não passa de um bar
onde todos fazem suas esperanças
se não der certo, não tem dom:
ora, põe mais uma na conta garçom!

Amor, humor.
 
Ei, garçom!

Sorte no jogo, azar no amor.

 
"Sorte no jogo, azar no amor:
Eis o que já dizia o velho dilema.
Ora, pois assim que terminar este poema,
Vou ali jogar na mega-sena!"

Amor, humor.
 
Sorte no jogo, azar no amor.

Oi ao vento

 
"Oi...
Uma simples palavra
Em meus lábios resguardada
Há de ser isto e mais nada.

Oi...
É tudo o que consigo pronunciar
É tudo o que a coragem me deixa falar.

Oi...
Disse, não deixei para depois
Mas você apenas virou as costas
E se foi.

Oi...
Ressoando sozinho ao vento
Sem nenhum ouvinte no momento
Apenas a dor corroendo por dentro.

Oi...

Oi...
Responda qualquer coisa,
Só de ouvir sua bela voz
Acalmaria esta paixão feroz
Que tanto me destrói."
 
Oi ao vento

Amor à Lua

 
Amor à Lua
 
"Se nessa longa madrugada de solidão,
Vejo que em meu peito não estás reclinada,
Resta-me apenas rogar-lhe, ó Lua fascinada:
Libertai-me desta melancólica escuridão,
E sejais por apenas uma única noite,
Minha doce e eterna amada."
 
Amor à Lua

Dona Melancolia

 
Dona Melancolia
 
Oh, Dona melancolia!
Como tu és maldita,
Tão chata e vadia!
Costumas atrapalhar
Somente em momentos
Totalmente inoportunos
Quando se é preciso estudar!
Tudo Influência dos anéis de Saturno!
Logo no baço começa a ser produzido
Um excesso de bile negrume!
E a tristeza vem, e me consome!
Ah, mas que bela sensação azedume.
Não tens nada melhor para fazer não?
Estás gorda, obesa, imunda!
Tão monstruosamente gorda
Que quando chega de fininho
E vem se sobrepor em meu peito
Exerce sua massa maldita, comprime!
Sua vagabunda, energúmeno!
Vá arranjar melhor trabalho!
Chega de me atormentar,
Vá procurar outro salafrário
Quem sabe até um espantalho?!
Deixe em paz este pobre coração,
Não quero sofrer com mais uma!
Já basta a minha doce solidão.

O médico grego Hipócrates, no séc. V a.C., definiu a melancolia como a “bílis negra”, um dos quatro humores corporais que na sua teoria se constituem por sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra. Para Hipócrates, o planeta Saturno exercia influência no humor do indivíduo e levava o baço a expelir bílis negra em excesso, causando a melancolia.
 
Dona Melancolia

Da madrugada

 
A noite, com efeito, "dissolve os homens" - como já bem disse uma vez o poeta Drummond. Principalmente quando se trata de uma parte específica dela: a madrugada. Ora, a madrugada, um não-tempo para aqueles que insistem em estarem acordados, se não passa, também é tempo outro: não deturbada pela visão da utilidade, pelos afazeres cotidianos, é tempo responsável pelo cair em si mesmo, isto é, de perceber a si mesmo como um ser existencial, o que a torna, por consequência, ao mesmo tempo, tão chocante, tão tediosa e, para alguns, sobretudo, tão entristecedora.
 
Da madrugada