Poemas, frases e mensagens de Frederico Rego Jr

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Frederico Rego Jr

MUDANÇAS

 
A curiosidade e o desejo de mudança são os motores que impulsionam a civilização humana . O achar que aquilo pode ser feito de modo diferente e melhor é o que nos impulsiona à frente. Por outro lado é muito mais cômodo e menos doloroso não mudar o curso das coisas: se está funcionando por que mudar? É esse sempre o dilema se acomodar com algo que aparentemente satisfaz nossas necessidades,e isso acontece em tudo que fazemos na vida .Não são raros os casais que se acomodam com uma relação pra lá de falida; todos os dias o indivíduo pega um engarrafamento dos infernos pra chegar ao trabalho, mas não procura outra opção para aquele suplício ;existe um acesso cirúrgico melhor para o paciente neste tipo de cirurgia que realizo todos os dias, mas já me acostumei com minha maneira de operar; meu partido político virou uma agremiação de malfeitores, mas já me acostumei com isso; meu time de futebol não me agrada nem um pouco, mas só sei torcer por ele; minha religião já não fala ao meu coração ,mas tenho medo do que vou encontrar em outra igreja. O mudar, ou procurar algo que melhore sua vida ,um caminho alternativo, pode ser difícil , as vezes até doloroso, mas no acerto final, nunca é ruim. A vida é cheia de desafios ou pelo menos devia ser assim para todos nós, ter medo de mudar, acreditar que não se deve mexer com o que funciona ,razoavelmente, se todos assim procedessem , se o comodismo fosse geral, estaríamos , com certeza, por inventar a roda e nossas mansões seriam soturnas cavernas.
 
MUDANÇAS

O DESTINO DO ALQUIMISTA

 
DESTINO DO ALQUIMISTA

Um desfigurado alquimista,
Desprezado e perseguido
Por reis e rainhas,
Fazia, em noites inúteis,
Em aparelhos inocentes,
A ciência dos vadios,
Transformava terra em mel,
Insetos deformados
Num mal qualquer,
No patê que nutre
Vermes ensandecidos.

Faz, ainda, por amor,
Ou rebeldia,
Da flor,
Troféu a ser dado
Aos espartanos
E aos homens que se matam,
Mordem-se,
Num tablado qualquer,
Com um canhão vulgar,
Com uma bomba sem nome,
Para glória de um mentor
Sem rosto,
Sem pátria,
Sem tempo.

Foi quase enforcado
O rebelde alquimista,
Ao propor em público,
Que seria de grande utilidade
Para o povo
Do reino,
Que se queimasse em fogueira,
As armas do monarca,
Que se empregassem os operários
Que viviam de fazer defuntos,
Do mesmo aço que faz um parafuso,
Uma colher faminta,
Uma enxada suja de barro,
No fabrico de espetinhos
Para brincar com dóceis répteis;
Seriam mais úteis
Com a nova tarefa!

Foi procurado,
Por quase um século,
Ao propor,
Em alcova de nobre
E volúvel senhora,
Indecorosas formas de amar.

Foi perseguido,
Por muito tempo,
Ao colocar em seus manuscritos
Proscritos,
Idéias torpes
Que fariam, em breve,
Brotar a prosperidade
Na cidade dos prisioneiros,
Arrebanhados em batalhas
De heroísmo duvidoso.

Passou intermináveis dias
Em infecto e frio calabouço,
Por defender,
Em asquerosa taberna,
Da violência e vexames injustos,
Impostos por mercenários
Oficiais do rei,
A vil cafetina,
Mal vista por diabos e santos,
Por territórios, muito além,
Das fronteiras da nação.

Execrado em praça pública o foi,
Dezenas de vezes,
Teve suas obras queimadas, pilhadas...
Suas opiniões
A respeito da real importância humana,
Questionadas por clérigos,
Juristas e pensadores da época,
Inconformados com o mesquinho cérebro,
Que se divertia,
Criando fantasmagorias heréticas,
Que mostravam o homem não tão importante!

Foi em período turbulento
Seus dias de glória;
Envolvido em quimeras,
Carregado em marsúpio
De inquieto monstrengo,
Criação de madrugada exuberante,
É chamado ao palácio medieval,
Para em poções,
Misto de raízes exóticas
E essências esotéricas,
De balsâmica aparência,
Trazer de volta a saúde
De sua alteza real.

Logo inverdades
De pátrios cidadãos,
Legaram ao alquimista
Batina de cores esmaecidas,
Em seus santos desconhecidos,
Para em poeirentos caminhos,
Em intermináveis charnecas,
Por abandonados mosteiros,
Encontrar, uma vez mais,
A solidão da irrequieta criação.

Quando os cabelos
Mostravam o destemor da idade,
Louca paixão se apossou
Do incompreendido indivíduo;
Em companhia da sábia e bela mulher,
Para muitos signatária de subversivos manifestos,
Para outros ungida feiticeira,
Viu passar muitos sóis em sua vida.
Até que o corpo paixão
Desapareceu,
Pela mão de algum carrasco inquisidor,
Deixando para o alquimista
A verdade eterna,
A ser derramada,
Como oração,
No ventre da massa comensal,
Que percorre extasiada
Séculos de horror.

Foi perdoado ontem,
Quando seu corpo apodrecido
Por séculos de história,
Foi encontrado
Na tumba dos esquecidos,
Onde se lia na lápide,
Em inscrições,
Quase imperceptíveis:
“Aqui jaz a razão”
 
O DESTINO DO ALQUIMISTA

O PORQUÊ DOS POETAS?

 
Com a espada afiada nas palavras,
Cravejada de brilhantes e espinhos,
Cortam a tirania mundo afora.

Atiram versos ao léu,
Vez por outra acertam o olho de um cretino,
O peito frio de um assassino,
A pele apodrecida de um racista,
O cérebro torto de um fundamentalista,
O coração alegre de uma amada despudorada.

Dão vida a vida,
Ressuscitam,
Todo dia,
Com o fervor dos loucos,
O que não merece fenecer.

Prosseguem nesta luta,
Pouco entendida,
Criando sentimentos,
Criando beleza,
Onde só há realeza
E cimento.
 
O PORQUÊ DOS POETAS?

NÃO, NÃO GOSTO!

 
De caminhos retos,
De destinos certos;
Daquele que segue os formulários
Sem ficar irrequieto;
Dos que se assustam
Com as travessuras da vida,
Que nos empurram ao incerto;
Dos que se importam
Com a poeira no assoalho
E não com o deserto da existência.
Dos que só se preocupam com o que não tem alma,
E não com a essência da vida.
 
NÃO, NÃO GOSTO!

UM INSTANTE

 
Já não me basta rir ou chorar,
De alegrias e tristezas,
Que passam, passam...
Como num filme sem controle,
Sem hora para terminar,
Com personagens que se vão
Sem se identificar.
Não há tempo para lamentar.
Não há tempo para comemorar.

É tudo tão rápido, tão rápido...
Que as lágrimas secam
Com a brisa da paisagem,
Assim que começa a viagem.
 
UM INSTANTE

A RESPEITO DA FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE

 
Tornou-se uma raridade aquela avó acolhedora que cuidava dos netos quando os pais iam trabalhar. Aquela avó, que era quase uma ou às vezes até mais que a mãe para seus netos. Aquela avó que além de cuidar, fazia todo tipo de vontades com um sorriso de dar inveja. Mas, os tempos são outros, quando a avó não tem ocupações de diversos tipos, mora longe; hoje é comum que as “modernas avós” não tenham muito tempo para os netos, como não tiveram para os filhos; são comuns avós profissionais liberais, empresárias e por aí vai. Não existem mais as avós dos nossos sonhos, ficaram num tempo que ninguém quer de volta. Só querem, de volta por estranho que pareça, aquela avozona, tudo presta, só não prestam as avós modernas... A vida contemporânea exige de todos um distanciamento físico, os filhos partem para destinos distantes, um mora em Deus me livre, outro na Groelândia, o caçula casou e mora não sei onde. Partem para onde existem melhores oportunidades de ganhar a vida. Os pais modernos, também, quase não participam da vida dos filhos, que são criados em creches ou por empregados. Aquele pai que almoça e janta com os filhos, é exceção ao que o mundo vem exigindo de todos. São raros indivíduos, que podem trazer de volta, um pouco desse mundo antigo. Filhos premiados são esses com certeza! Conheço uma família que conseguiu essa proeza! Houve a opção de não deixar ir embora essa parte boa da vida. Filhos pais e avós vivem numa cidade de aproximadamente 300 mil habitantes, a família não se desfez, pelo contrário aumentou com os agregados, netos, etc. Os que estudaram fora preferiram voltar e exercer suas profissões, médicos, engenheiros, empresários, por perto. São raros os dias em que não ocorrem almoços familiares, com a balbúrdia costumeira Três gerações diariamente no almoço, um sonho para muitos, ali é comum. Mas, quase todos tiveram oportunidade de partir atrás de ocupações com melhores remunerações. Existiu a opção por ficar ganhando menos e ter realmente uma família. Para muita gente” moderna” isso é falta de ambição ou outras besteiras de quem só pensa em ganhar mais. É claro que a opção de ficar perto da família, de morar perto do trabalho, nem sempre é possível, todavia tem muita gente que pode fazer essa opção, mas prefere a modernidade, prefere ver os filhos crescerem sem os pais, aceitam que avós sejam apenas visitadores dos netos. Ser “moderno” ou ultrapassado, como sempre, eis a questão.
 
A RESPEITO DA FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE

NINHO VAZIO

 
NINHO VAZIO
 
Foram-se os filhos
Para destino sonhado;
Ficou o ninho vazio e frio.
Uma mãe que não sabe o que fazer,
Para preencher,
Com prazer,
O que não se pode mais ter.

O casal desolado,
Os filhos cada qual para o seu lado.
Não sabe o que fazer com o poder alado!
Abandonado, atrofiado, amedrontado
Por anos e anos de desprezo, descaso...

O ninho frio
Sem convidado...
É bom ter mais cuidado
Com o ninho lotado,
Para não se sentir abandonado,
Melhor seria realizado,
Com o pássaro criado...

Frederico Rego jr
 
NINHO VAZIO

SE NÃO HOUVER AMANHÃ

 
Convido o passado
Pra ver o sol raiar
E me lambuzo todo
De coisas que já não existem.

Se não houver amanhã
Deito-me e me deleito
Com um presente passado
de não se perder
Ou canto para esquecer,
Ou grito para não enlouquecer.

Estarei, aqui, hoje
De braços abertos,
Aguardando que o passado
Saia das trevas abraçado com o futuro
E me leve para brincar, namorar...
E Para apagar o que der
E criar o que puder.
 
SE NÃO HOUVER AMANHÃ

INDIFERENÇA

 
 INDIFERENÇA
 
Recompensa cruel de um mundo em desalento,
Não existe muito tempo para se ouvir lamento!
Não existe importância em quem acalento!

A grande tristeza do meu amigo
Não me faz triste: tenho espírito corporativo.
Meu mundo tem regras que vem no informativo,
Não se pode viver sem o aplicativo.

Não importa se é grande a sabedoria
Preciso vender toda mercadoria,
Necessito comprar qualquer porcaria.

Foi por falta de tempo que não fui ao seu enterro,
Foi por falta de tempo que não foram no meu enterro,
Foi por falta de tempo que cometi meus maiores erros.
 
 INDIFERENÇA

CARGA EXPLOSIVA

 
SOMOS UM PAIOL
DE IDÉIAS PRECONCEBIDAS,
DE AMORES MAL RESOLVIDOS,
DE SENTIMENTOS ACOMODADOS ,
DE SONHOS ESQUECIDOS,
DE VONTADES PRETERIDAS.

UM PAIOL QUE SEMPRE EXPLODE
QUANDO OS CABELOS
MOSTRAM QUE O TEMPO PASSOU.
 
CARGA EXPLOSIVA

SEM PAIXÃO

 
Uma saudade
Que não podia estar ali.
O presente conspirava
Contra o futuro,
Deixando tudo esmaecido,
Sem emoção,
Quase em comoção.

Como uma novela
Que não se deixa partir,
Já surgindo outra no horizonte
Não deixando brotar saudade,
Do que está por terminar;
Não há tempo para sentar
E sonhar.

Passam, passam...
Sem contemplações,
Os fugazes fragmentos
De nossa história pessoal,
De nossa vida sentimental,
De nossa vida, quase, terminal.
 
SEM PAIXÃO

PAI

 
As bandeiras ficaram para os outros.
Você se retirou da luta,
Tanto a se fazer...

Descansa pai;
Tua semente não vai secar,
Seus ideais não vão se perder,
Neste mundo indiferente,
Teus sonhos não ficarão ao relento.

Descansa um pouco,
Para onde vai precisam de ti,
Não te preocupes,
Nós cuidamos de tudo por aqui .
 
PAI

O SUÍCIDIO

 
Partiu sem dizer adeus,
Partiu como partem os desesperados
Que não são mais esperados,
Deixando a todos como se fossem culpados.

Partiu porque doía tanto
Que não havia pranto
Que desse jeito.

Partiu para não ter que dizer não,
Para não ter que pedir perdão,
Para não pedir ajuda,
Para não ter que gritar: acuda-me!

Partiu deixando perguntas
Sem respostas,
Para não continuar vivendo por viver,
Sofrendo por sofrer.

Partiu deixando seus três pedaços de vida
Sem o abraço de despedida,
Partiu sem se despedir
Para não ter que dizer adeus,
Para não ter que perguntar por que meu Deus?
 
O SUÍCIDIO

O DIA SEGUINTE

 
DEPOIS QUE O CHEIRO
DE PÓLVORA DISSIPAR,
QUANDO O ÓDIO AMAINAR,
QUANDO OS CADÁVERES FOREM SEPULTADOS,
QUANDO NÃO HOUVER
MAIS LÁGRIMAS PARA VERTER,
QUANDO O VENTO ESPALHAR AS CINZAS,
CHEGAM OS ARTISTAS
COM SUAS ARMAS E FEITIÇOS,
PARA QUE A REALIDADE FRIA E MAL ACABADA,
GANHE CORES E UM JEITO NOVO DE EXISTIR.
E QUE ATÉ OS ESCOMBROS ENCONTREM UM MODO DE SORRIR.
 
O DIA SEGUINTE

ADORÁVEIS ESCRAVAS

 
 
Trabalha 8 horas fora de casa, gasta 4 horas para ir e voltar do trabalho. Chega no lar tem que arrumar,passar, cuidar das crianças, fazer o jantar e algumas coisinhas mais . Após toda esta labuta tem que estar bela e com toda disposição do mundo para satisfazer “o príncipe encantado” com sexo de boa qualidade . As mulheres modernas tem uma rotina muito próxima da escravidão.A divisão de trabalho entre homens e mulheres, ainda é uma grande utopia . Nós homens, vez por outra fazemos uma concessão no trabalho doméstico: lavamos louça, de vez em quando fazemos uma comidinha, trocamos uma fraldinha, colocamos água na geladeira. E queremos ser aplaudidos de pé por estas pequenas colaborações! Mas, infelizmente, não são os homens os culpados pelo sucesso auferido em nossa sociedade pela escravidão feminina . São as próprias mulheres que passam para suas filhas esse comportamento estúpido! Ensinam, às meninas todos os afazeres domésticos,e não ensinam para os meninos, já que os coitadinhos podem ser confundidos com maricas por exercerem atividades, supostamente femininas . As mamães, esclarecidas, modernas, devem começar a criar um ambiente que possibilite no futuro liberdade para nossas mulheres . Chega de hipocrisia e burrice! Não vivemos sobre o jugo do talibã ou de qualquer outra ditadura radical de costumes! São vocês que tem que tomar essa decisão. Dificilmente nós maridos vamos se acostumar a dividir tarefas domésticas, mas nossas filhas tem uma chance de escapar ilesas das chibatadas .
Por que, na maioria das vezes os chefes de cozinha, vulgarmente cozinheiros, são homens? Cristalino meus amigos! É um trabalho bem remunerado e com status em nosso meio, se fosse um trabalho não remunerado e considerado desimportante ficaria a cargo das mulheres, é claro! Sim serviço típico de servas...
Quebrar esses grilhões não é tarefa fácil , com certeza é trabalho e duro para algumas gerações. Está na hora de nós homens entendermos que precisamos participar desta mudança. Chega de comodismo, chega de sacanagem com nossas companheiras! As mulheres que amamos não merecem esse tipo de tratamento! Chega de achar que o macho é o provedor da casa, se fosse verdade elas não precisariam trabalhar fora de casa. As estatísticas mostram que elas estão ocupando, cada vez mais este lugar. Vamos levantar o traseiro do sofá , desligar a televisão e ajudar no que for preciso. Está mais do que na hora de darmos alforria às nossas esposas! Podíamos voltar no tempo, se fosse útil, e criar outra lei do ventre livre: mulheres nascidas a partir de agora teriam direito a liberdade no lar. Ou a lei da sexagenária; mulheres com mais de sessenta anos já teriam direito a viver sem grilhões.Vamos começar a criar formas mais modernas de relacionamento dentro dos nossos lares.É indolor e não custa nada...
 
ADORÁVEIS ESCRAVAS

UM DIA SEM IGUAL

 
Um dia em que todos que partiram,
Tivessem a oportunidade de voltar,
Um dia para o presente se embriagar,
Com o que não mais existe;
Para o passado ganhar cores
Do que é essencial,
Para o acerto de contas final;
Para acarinhar o que não foi no passado;
Para se dizer a todos que não mais estão aqui,
O quanto ainda são importantes;
Para os que ficaram uma desmedida alegria,
Com esse reencontro impossível.
 
UM DIA SEM IGUAL

UM MONUMENTO SEM PRAÇA

 
Muitas vezes os monumentos parecem de paz,
Talvez tragam lamentos mudos,
Talvez palavras e gestos sangrentos,
Talvez até a própria paz!

São sempre ricos e cheios de glória.
Sempre gritam à história de um povo
Num corpo de bronze.

Qualquer dia desses ergo um monumento.
Não um monumento ao que é grande.
Sim um monumento incompreendido.
Um monumento de barro e sangue.
Um monumento de pedaços de jornal velho,
Um monumento de ossos e ouro,
Um monumento coberto de folhas de outono,
Um monumento úmido,

Porque traz lágrimas,
Porque traz tristezas e alegrias,
No choro e no riso,
De heróis e bandidos.

Há quem diga que não há praças
Nem história para o meu monumento.
Há os que farão com cuspe e violência
O fim do meu monumento.
Há os que farão sorrindo o ridículo
Do meu monumento.

Com certeza a neve de inverno
Mutilará o meu monumento.
Cobrirá com um manto frio
O sangue e o barro.
Com certeza o sol de verão secará
O pranto do meu monumento.
Talvez a inocência de pássaros e crianças
Faça fim à história do meu monumento.

Mas, não importa que destruam.
Ou mutilem o meu monumento,
Sempre que me der vontade,
Ergo um monumento sujo e incompreendido.
De sangue e barro,
De osso e ouro,
De pedaços de jornal velho,
Coberto de folhas de outono.
 
UM MONUMENTO SEM PRAÇA

DOS EXÉRCITOS

 
A grande banda universal!
Um dia veremos amigo,
Um mundo,
Que dos exércitos formais
Restarão as garbosas bandas;
Nossos poderosos generais,
Para alegria dos festivais,
Serão alegres oficiais.

Vamos ver a bestial artilharia,
Fazendo música,
Não em instrumentos que fazem chorar,
Não em instrumentos lúgubres e ruidosos
Que é difícil amar,
Mas, em instrumentos coloridos,
De ruídos que se fazem adorar.
Cada qual fazendo esquecer
Com um som inebriante,
O canibalismo inconseqüente
Dos exércitos de hoje.

Todos farão parte,
Desta Singular e irreverente
Orquestra popular,
Onde se pode cantar e marchar.
Seremos companheiros
E herdeiros,
De algum maestro extravagante,
Poeta e infante.
 
DOS EXÉRCITOS

REFAZENDO

 
REFAZENDO
 
Acordei querendo escrever,
Alguma coisa,
Que purgasse minha alma,
Que me livrasse,
Que me perdoasse,
Do pesadelo de existir sozinho.

Queria do fundo do meu ser,
Criar alguma coisa,
Destruir alguma coisa,
Que me trouxesse um pouco de paz,
Que não me traísse,
Em vogais desconsoladas,
Que não me fizesse chorar
Em sentimentos impertinentes.

Acordei com um gosto
Cinza de vida no ar,
Com um gosto amargo
No céu da boca,
Como se o fel do mundo
Ali desaguasse.

Queria me explodir,
Explodir o mundo.
Catar seus pedaços,
Catar meus pedaços
E refazer de um modo
Mais doce,
Mais elegante,
Mais à vontade...
 
REFAZENDO

COISAS DE MOSQUITO E DE GENTE

 
Quando vemos um restaurante, uma clínica ou qualquer outro negócio vazio, logo achamos que aquilo não presta e não entramos ali. Tenho fortes suspeitas que esse preconceito, se é que podemos chamar assim, também acontece com mosquitos. Coloquei duas armadilhas que servem para capturar mosquitos, uma ao lado da outra , ambas idênticas em tudo. Uma encheu de mosquitos e a outra não recebeu nenhum visitante. Conclusão: Em alguns comportamentos somos iguais aos mosquitos. Portanto, nada de se achar grande coisa.
 
 COISAS DE MOSQUITO E DE GENTE