Poemas, frases e mensagens de MarysaSanches

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MarysaSanches

licor de chamas

 
licor de chamas
 
desvirtua a palavra do alvor da inocência
o carmim do crepúsculo.

desalinha-se
na brisa do ocaso
a mente
em guerra
dos poros borbulha
sangue ardente

na ânsia dos teus
eis que vibram
meus lábios
insinuações que a noite
premedita

como erguer uma prece angelical
diante da cor do altar de um céu em transição
se despindo acalorado
pra se vestir aveludado
de negro e dourado
pouso de um corvo
coberto de cetim
enluarado

parece tudo premeditado

um licor de chamas pra seduzir...

será inteira
a meia noite
em meio às estrelas
rendas
e meias de seda
quando teu querer
e minha ousadia
se despirem
inteiros...

meios
e meias
que me perdoem
que o crepúsculo é um terço
de fervor pontilhando
teu nome

mantra
alastrado de desejo
pra devoção suprema
de um beijo
 
licor de chamas

O lenço

 
invisível não ficará
meu silêncio

sob teus olhos
se estenderá na forma
de lenço

para que nele
escrevas...

se um dia sentires
saudade...
 
O lenço

Sim

 
então solto esta palavra
da prisão que a destinei.
escravizá-la não mais,
no calabouço do silencio.
deixá-la amordaçada
na frialdade do pensamento
não...

não mais
a afogarei nos amálgamas
da dúvida

na quentura do sopro
a libertarei

que tua liberdade
dê a ela a desenvoltura
que sempre revoguei.
 
Sim

perdida

 
encontrar-me-ás
um dia...
quem sabe

no equilíbrio azul de um voo
ou no perfume queimado
do incenso na prece

quem sabe
na neve derretida do monte
no resvalo do sol
quando se esconde

quem sabe
um dia
encontrar-me-ás

com teus lábios
exonerados dos meus
tua pele
descolada da minha

quem sabe um dia...

na extinção da hegemonia do teu gosto nos quatros cantos
do céu
da minha boca

encontrar-me-ás
quem sabe
sem a duplicidade dançante
congestionando retinas
das vestes tuas magentas
desistindo das tintas minhas
vertendo-se
ora doces
ora absinto
pelas esquinas

quem sabe se depara
comigo liberta
da comichão
fervilhando nas veias
levando-me a ser
tua fêmea-musa
(sem a cauda virginal)
sereia

quem sabe
um dia voltarás a me encontrar
sem a 'turvidade' desse feitiço

(vous aimer lucidement)

... sem que sejas meu vício
 
perdida

verde vivo

 
soa no ar
estalido
contorcido
fio de chama
tremelurento
na fraqueza
d' um pobre
baforar de vento
intenta

conquanto
pra sofrimento
pavio nenhum
desponta
pra
chamar-se
ao menos
a ponta

que se espalha
sem palha
viçoso
verde vivo
como relva
se revela
meu momento
 
verde vivo

invernais

 
em mar de tempestade
nuvens acabrunhadas
ausência de mergulhos
pássaros

meu deus!

esbate-se o céu
arruçado
no entristecido gris
dos olhos meus

Meu tempo de MiniPoesia
 
invernais

Preciso saber...

 
pudesses pegar o tempo
tensionar a corda que canta as horas
até romper as vozes que te levam
embora...

... diz-me

que acontecimento
mo darias?
 
Preciso saber...

medo

 
aquele quieto lago
que sempre passo ao lado
tudo dentro parado
e de repente
uma folha
uma pedra
e a dança
fantasmagórica
do reflexo
 
medo

azul de sonhos

 
o teu castelo
voa dentro de uma esfera azul
com janelas todas abertas
embevecidas com horizontes
em crepúsculos de flamingos.
com escadarias de cristal
e torres de madrepérolas
é o lar dos teus sonhos
batendo asas de algodão,
e a bola, Bia, continuará sempre azul,
enquanto minha varinha teus olhos encantar

não deixarei teu
castelo pousar.
 
azul de sonhos

explode coração

 
explode coração
 
amar-te

é...

seguir um rastilho

acender o pavio

pra explodir

sozinha

MarySSantos

Imagem extraida do Google
 
explode coração

CANÇÃO DO AMANHECER

 
CANÇÃO DO AMANHECER
 
ah, se fosses tu o olhar d’aurora
ah, se fosses tu o perfume d’ agora.
terias meu corpo inteiro jardim
terias terrenos viçosos de mim

ah, se fosses tu
ah, se fosses tu

o chão bolinado de orvalho
ah, se fosses tu este sol
me pedindo agasalho

quem dera fosses tu
mandando a sombra se esconder
quem dera fosses tu
quem dera fosses tu
este amanhecer

serias um raiar infinito
saudando meu amor
ainda mais bonito
qu’ este dia
amanhecido
 
CANÇÃO DO AMANHECER

Arquivo morto

 
quando o sol
não for mais sol
nem estrela
nem bola de fogo
quando o vento
não for nome de ar
em movimento
quando o ar não for
mais ar e nem o chão
flor e mata não
puderem ser mais chão
flor e mata
quando a água
não puder mais
ser água e os animais
não tiverem mais identidades
e seus grunhidos e
burburinhos não forem
mais som e nem tampouco
silencio e mesmo o silencio
ocorrer sem poder chamar-se
silencio
e tudo o mais
que se cerca de animados
ou inanimados não passarem
de acontecimentos
sem nomes
foi porque ocorreu
a extinção
do homem.
 
Arquivo morto

se um dia eu disser será pra te lembrar

 
como dizer
que te amo
se o mover
do meu amor
não dá tempo
pra
anunciar?
 
se um dia eu disser será pra te lembrar

despropriedades

 
dos teus devaneios
há um ser que foge mal consumido
desequilibrando a bandeja
de cobre mal fundido
da heróica fome
que te lança a garimpar pequenos
mundos
nada fica inteiro
no ser de ti que foge
nem mesmo a estatueta
em ouro inspirada
pra sempre brilhará
somente em tuas mãos.
 
despropriedades

ardilosamente

 
em vagas horas onde
se quebra o silencio,
como um mar se estende
o pensamento,
ardilosamente
pra te fazer navegar
até minha ilha de aventuras.

ondular-te neste mar
descontrolado em clausura
expande-se o poder
e a bravura
de te guiar em rodopios de vento
no azul de um tempo inteiro
em ondas de tormentas...
na pressa de te aportar,

,,,nuamente,,,

na praia órfã
de castidade, ao meu dispor,
somente
 
ardilosamente

queria apenas

 
queria apenas morrer
com um raio de sol nos lábios
e uma brisa de lua na face

não caminhando sobre
pedras em chamas
não cavalgando em ondas
fervilhando

só queria morrer
estampada de luz
não com o jogo
mareante
do teu fogo
 
queria apenas

desapego

 
livre das coleiras
do presente
de braços abertos
e peito ao céu
alargo-me
em silencio

mesmo que
ondículas
surjam provocadas
pelas pedras
atiradas pelo destino

ser-me-ei um lago
cálido e
cristalino
 
desapego

volições

 
volições
 
e,

são tantas estradas
que se estendem
desenhadas
que poeiras
viram estatueta
de tanto que se dá
a cara a tapas

e,

são tantos rabiscos
de estradas
que apaga o tempo
muitas passadas

inconclusas
etapas
nem sempre imprimem
traços firmes
das pegadas
 
volições

((malandragem))

 
((malandragem))
 
teus olhos...

meandram
por trás de montes
cruzam pontes
assaltam cores
de horizontes

perfuram o mar
o chão
as mãos
investem em mundos
enfrentam poços
tão profundos
teus fugitivos olhos

nunca enfrentam
os meus
quando finges
amar me

(...) e te amando
os meus fingem tão bem
acreditar nos teus;

os meus...
tão malandros
também

Mary
 
((malandragem))

tela viva

 
janela aberta nunca cala.
é uma tela natural de noticiários;
neste momento apresenta
árvores sambando galhos
enquanto o céu recebe círculos
de voos
de pássaros
de folhas
e embalagens plásticas.
também voam alguns resíduos
laminados corpos indefinidos

agitação revoluciona o ar
não se cansa
a janela de falar
mas estremece seu corpo
vitrificado quando um trovão
anuncia a promotora
de tanta atividade

- aí vem a senhora
tempestade!
 
tela viva

MarySSantos

espaço em pedaços