Poemas, frases e mensagens de PEDRA

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de PEDRA

Pedra

 
Um aperto de mão me envolve, me arremessa aos céus como fosse tudo meu. Antes de tornar à terra, uma pessoa a cabeça perdeu. A terra gira, abraça e sobre tudo pondera, até mesmo, sim, até mesmo sobre a guerra. E quem sou eu que nada faço? Pendendo de mão em mão, às vezes parte de obras, às vezes parte de turbas. Erro quando acerto e me arrependo de me deixar levar. Queria ser minério no seio da terra...
 
Pedra

Pedra

 
Há bilhões de anos nasci do turbulento ventre da Terra, mas apenas quando moldado homem há 40 anos pude parar para refletir. Quando reflito me imobilizo, minha feição endurece. Sou pedra novamente, qual no princípio. O tempo flui, os homens correm, as estrelas giram e penso comigo sobre a imutabilidade da mudança. Envelhecer é sempre inevitável, voltar ao pó e fluir novamente no ventre da agitação universal, desejável. Imutável é meu cansaço e minha esperança. O pé da colina encerra a dança. Paro de descer e, todo lascado, alguém há de descobrir minhas reflexões na polida superfície...
 
Pedra

Pedra

 
O chão que me sustenta é árido. É pálido o luar que me aflige. Todas as coisas que se movem o fazem por pura angústia. Tudo clama por água. Rios e litros e torrentes do precioso líquido. Ninguém clama por pedra, ninguém se agarra à pedras como se sua vida disso dependesse. Exceto à sua hora final, quando tudo é líquido e a realidade escorre qual fluido entre os dedos. Prestes a ser liquidado, o homem clama pela realidade sólida como uma pedra...
 
Pedra

Pedra

 
Não tenho mais a vocação pueril para mudar o mundo. Envelhecer é endurecer para resistir a mudanças. Tanto resiste-se que nada mais muda. De verde muda, rijo tronco e deste para mero fóssil. Armado de minério até os dentes, um contra-revolucionário em praça pública, em eterna marcha-ré contra a rotineira revolução do mundo.
 
Pedra

Pedra

 
Às vezes penso me mover. Por todos passo confiante, sem olhar para trás. Conto cada passo, com a certeza da importância desse feito: se não me lembrar desses números, quem se lembrará? A medida de meu progresso diminui à medida que os meço: os passos se calam, sobram os calos. Então a ilusão termina e tudo é igual a antes. Nunca me movi, passaram por mim.
 
Pedra

Pedra

 
Minhas convicções eram firmes como pedra e sobre elas me assentei. Quando ruiram, ruí com elas. Tempos depois, na escuridão do abismo recompus-me pedra, gota a gota. Mas durante a longa queda foi que percebi: pedra, carne e pena caem sob a ação da mesma força. Mas ao tocar o solo só a pluma permanece intacta. Quem dera tivesse mirado o céu, não a terra.
 
Pedra

Pedra

 
Não respiro, não perspiro, nem suspiro ou inspiro. Todas as coisas passam, como o vento pelos pulmões. Poucas ficam, como as feridas mais fundas, daquelas que as mais grossas cascas protegem e que não somem mesmo quando as retiro. Ninguém retira de si a si mesmo, como um coelho tirando a si mesmo da cartola. Ferida é raiz futura, semeada num furo, germinada em fúria. Seu tronco, sim, perdura. Por eras e eras até ser a pedra mais dura.
 
Pedra

Pedra

 
Ferrugem me ancorou à terra. A liberdade dos mares é para os peixes. Pela terra me arrasto pesado, um fóssil de priscas eras. Trago pedras na barriga e morte no sorriso. Que o homem me tema, que me mate, que se queixe. Ri melhor quem, com mandíbula de pedra, mastiga dinheiro, vidas e pertences.
 
Pedra

Pedra

 
Há dias que repousam sobre incertezas. Nada é mais certo que a eventualidade de desabarem pela força da gravidade. Basta aguardar e colher seus frutos: as lições de toda queda, escritas em ranhuras sobre a pele. Quando a noite chega, as chagas estão todas fechadas e endurecidas. É a fachada de tua morada, onde se lê todo e qualquer porquê. Sobre ela cai o cintilante olhar de estrelas, curiosas sobre a vida de pedra no planeta água...
 
Pedra

Pedra

 
É noite e meu corpo é frio. É convite ao repouso e ao silêncio das coisas esquecidas. É quando posso esquecer de tudo e mesmo de mim. Mas as horas passam e não esqueço. Me aqueço lembrando do teu incandescente ventre, berço de desejos tectônicos. Queria voltar a ser magma, escorrendo livre em seu interior. A plena satisfação de estar uno com a Terra, uma pedra solta no espaço de um abraço solar...
 
Pedra

Pedra

 
A parte que me coube foi a mais ínfima e também a mais confortável. Que outros se esfolem carregando a parte que lhes cabe aos ombros. Cada um sabe melhor que os outros quando está prestes a desabar e não há mesura ou censura que os socorra. Há muito desabei sobre mim mesmo e aqui trago esta marca: esta rachadura sob mim, onde habito e de onde vejo o mundo girar sob o céu... está é a parte que me coube.
 
Pedra

Pedra

 
O peso de continentes à deriva me eriça a crosta. Fica-se por tanto tempo em um só lugar que tudo parece perto e familiar. Às vezes anseio a volta, outras, a revolta. Pode-se voltar mil vezes ao mesmo ponto e nunca mais retornar ao ponto de partida. O que ficou foi só um marco, um x de tesouro enterrado. Sei exatamente onde fica, naquele crepúsculo da saudade que antecede toda ida. Mas não quero partir, quero ficar, eu e meus tesouros empilhados. Um dia me parto e os carrego comigo, à deriva pelo mar...
 
Pedra

Pedra

 
Nasci para ser pedra e não lamento. Há destinos piores, como o de ser vento e viver unicamente para se atirar à pedras e desgastá-las pela tenacidade. O que leva o vento a se agarrar às pedras com tamanha insistência? Não ouço em seu uivo respostas, apenas incoerentes lamúrias. Interminável cansaço me abate aos poucos. Pelas eras me esfarelo em areia e a lamúria, num eco sem memória... esculpido em meu esqueleto ficarão lacunas de nossa história.
 
Pedra

Pedra

 
Que fazer quando todos os caminhos são pedregosos? Calçar botas de sola grossa, escolher uma rota e nela persistir? E se a sola não aguentar? E se o caminho certo era o outro? Quem sabe? Quando tudo são pedras, perseguir flores é um doloroso erro. Quando tudo são pedras, a escolha certa é fazer-se pedra: ter olhos de pedra e pele e carne de pedra. Pedras não precisam seguir por caminho algum, são elas próprias parte do caminho. E em meu sono de pedra, pés macios passeiam por mim...
 
Pedra

Pedra

 
Os dias correm ligeiros por estradas de paralelepípedos. Não se estendem, não se atrasam. Por que tanta pressa? O que se esconde atrás da linha do horizonte? Curiosidade mórbida de quem, fixo ao solo, vê claro céu azul findar-se sempre no mesmo fio vermelho. Bordada na vista, retida na retina, a presa da pressa é engolida pela escuridão. Fosse eu dia, ser pedra almejaria.
 
Pedra

Pedra

 
Sobrevoa ainda uma nuvem, resquício de dias mais impetuosos. Atrás, esconde-se o sol brevemente, como quem brinca após mazelas. Aqui embaixo é o mesmo sempre, sob a sombra ou sob o sol. Sem pressa o saibro recobre terra, cascalhos e pedras. A chuva infiltrou-se no solo onde dorme em lençóis. Toda pedra é mais terra ao livrar-lhe das impurezas. Toda chuva é menos céu ao acordar e correr para o rio.
 
Pedra

Pedra

 
A luta pelo espaço me intriga. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço e um corpo pesado resiste ao movimento, a física ensina. Porém, há espaço à volta, embaixo e em cima. Os homens brigam para pisarem no mesmo finito chão, mas pedras amontoadas têm para si todo o infinito do céu.
 
Pedra

Pedra

 
Pergunto-me se o vento, que por tantas e repetidas vezes seguidas me dilacera, me esculpe, é fruto de uma mesma mão ou de várias e seguidas outras. Pois se deixa em evidência tamanha obsessão e propósito por um lado, por muitos outros parece-me amadora e demasiado incongruente, aqui e ali retocando ou deixando saliente. E assim vou sendo forjada, de poucos acertos dentre outros tantos traços errados, sem sequer reconhecer a mão e a fronte de quem se empenha em me fazer frente.
 
Pedra

Pedra

 
Meu cansaço é um abismo. Sei que ao final há repouso, mas por hora ocupo-me em rolar penhasco abaixo e em ir-me lascando aos poucos. As paredes rochosas passam ligeiras por mim, adiante vejo apenas escuridão e, da trilha que deixei, não há mais que ecos distantes e as cicatrizes em meu corpo sólido. Deixo um pouco de mim por onde passo. Temo não chegar inteiro ao prometido repouso... se ao menos eu pudesse, mesmo que por um instante, parar! Talvez então, encontrando-me deveras abismado com a situação, soltasse um suspiro. Mas não é da natureza das pedras suspirar ou almejar, apenas rolar e se lascar. O que faço com relativa competência, aliás...
 
Pedra

Pedra

 
Há sombras sob a luz. Descrevem contornos claros sobre superfícies pálidas. Um lago plácido indistinto do reflexo dos arredores quando despertado pela primeira gota de chuva. Que monotonia seria o dia sem a noite, eu sem tu. Sou pedra, és luz e nossa história está escrita em ondas arranhadas por sombras.
 
Pedra