Poemas, frases e mensagens de Bretiney

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Bretiney

Licenciado em Ciências e Tecnologias do Ambiente

queria que fosses meu eterno abrigo [1]

 
Queria que fosses terra nunca antes plantada
Que fosses da minha dor Alteza fera
Que fosses, salutífera, da minha cura a Quimera
Que fosses Fortuna nunca antes amada

Queria que fosses a lira por Orfeu destinada
Que fosses a Lei que me assenta à Terra,
Que fosses do meu sossego a eterna Guerra,
Que fosses por meu dano a Cleopatra criada

Queria que fosses astro que conserta meu Plutão
Que fosses Justiça que Aristeu condenou
Que fosses da vida a indesvendável Razão

Queria que fosses pra mim O que Atlas segurou
Que fosses a fé que ungiu Abraão
Que fosses a dor que Romeu o matou

Casa comigo...
por querer que fosses
na terra, mar e céu
meu eterno abrigo!
 
queria que fosses meu eterno abrigo [1]

Não acredito em Deus... por acaso

 
Eu acredito em Deus, mas não acredito por acaso. Acredito porque: basta olhar para a Natureza para ver a perfeição da ligação dos organismos vivos, em que os “bons” e os “maus” ajudam-se mutuamente para um equilíbrio do ecossistema, tudo perfeito. É só olhar para um ser humano e ver uma verdadeira maquina a funcionar constantemente em torno de uma ligação entre as ações, o sistema nervoso e o cérebro. É só olhar para um ser vivo qualquer e ver que cada peça do seu corpo tem uma função e que nada num ser é por acaso ou inútil. Multiplicarmos em torno de um padrão genético (o DNA) de uma linhagem evolutiva herdada dos nossos antepassados, onde nenhum de nós é igual ao outro, nem os gémeos monozigóticos. Onde os desenhos feitos pelas papilas (impressão digital) são únicas e exclusivas de cada ser em todo o planeta. Se eu pensar que o mundo é obra do acaso, seria um pensamento catastrófico porque teria de chegar a conclusão de que o universo pode desaparecer a qualquer momento. E isto é caótico! É por tudo isso que digo que não somos nem nunca poderíamos ser uma obra do acaso. A natureza é fantástica, Somos incríveis e fantásticos porque somos filhos dela, apesar de sermos como um piano que de vez em quando desafina e precisa de reparo. Mas esse é o desafio da vida, a perfeição máxima que a vida nos dá, é esse reparo constante que faz a vida valer a pena – mas isso não tira o brilho de uma coisa fantástica que é a Natureza e que acredito ter a mão de algo superior (Deus)
 
Não acredito em Deus... por acaso

Sonetos \\\\"pedaços de mim\\\\"

 
 
Tão longe o perto grito soa
Os anos que os dias fizeram breves
Nesse perdão amordaçado que deves
Por a mim que deveras tempo magoa

Clamas alto tão perdão a proa
Vejo que por dentro de mim escreves,
Quando riscaste a minha morte tantas vezes,
Que me trouxe a glória e a coroa

Almo quis que por ti sofresse tanta dor
E quis que a mim o ensine tormento
Que todo pranto vem embalado num encanto

Tantas sortes que os ventos sopraram
Deixando preso meu dano maior
Quantos mares navegariam estes olhos que te quiseram?
 
Sonetos \\\\"pedaços de mim\\\\"

O "Pecado"

 
A mais doce da sua fruta, Sintra me deu
A mais proibida ser não podia,
Que faz-me do sonho a proeza de um viver
Traçado em riscos de sorrisos ténues, curtos e doces
Disfarçando por entre as folhas
O açúcar inerente do pecado que me consome

O sabor atrás se esconde da bela cor
Morena é a moça que me trouxe dela
Do aroma frágil do ar da beira do Porto de Sintra

Dos sabores mais ardentes
Que viçam em lábios a cada beijo,
Ó alma minha! Ó alma minha!
O paraíso a porta se assoma…
Cabe a mim, sem deixar a alma à porta, nela entrar

Ah, que mais doce proibição!
De que água bebeste tu
Pra seres a sede que os meus lábios veneram!
De que água bebeste tu!
De que água bebeste, ó moça!
Para que alma minha vulnere a tua ausência
 
O "Pecado"

Soneto

 
Ouve só, nesses versos, clamor
Matas-me toda Vida que dás vida
Se morri, foi a vida que me foi tanta dor
Se vivi, foi a morte tanta vez sucumbida

Tantas vezes que não fostes tanto amor
Ouve só, imenso, tantas águas desse rio
Fui Mar e Céu que guardou teu dispor
Ardor que enobreceu teu beijo tão frio

Ouve as águas desse mar, exaltadas
Voam brisas que das pedras desgarradas
E posso Servo, posso Rei e Imperador,

Que faz vir, dessa alma, a voz além da dor.
Que a Roma (amor) foge da morte
Por mais Ulisses que esse mar deu a sorte

Bretiney Rodrigues
 
Soneto

O meu jeito de amar

 
O meu jeito de amar
É um vazio cheio de dor
Preenchida por ondas de belezas raras
Que me matam, a cada quebra intensa,
Num sufoco de soluços das lágrimas caídas

O meu jeito de amar
Uma flor seria, de império desmedido
Que deslocasse montanhas
No mover dos meus dedos
Que fazia chover Deuses de toda galáxia
Num hino perfeito, que tu serias refrão

O meu jeito de amar
Podia ser um sorriso destemido
Esplendoroso e divino aos olhos do mundo, este
Que mergulha num mar torpe de ilusões
Num abater de todo o mal, que tu serias heroína

O meu jeito de amar
Um paraíso seria, de aves afinadas
Que cantavam o hino dos Deuses
De um sol penetrante dentre as plantas coroadas
Pelas flores, que teriam teu cheiro.
 
O meu jeito de amar

Carta para o meu Amor

 
O vento que me trouxe,parou…
Deve estar avariado nas poeiras do tempo
Ou nas minhas lágrimas que caem
E arrastam para o Tejo. Ou no resto que caiu
Nas garras do Douro e ninguém viu

Amor, por aqui vou vivendo
No soluço dos meus choros,
No consolo do amor recíproco
Que faz ver sem negra dor absurda, que
Só o tempo não é pequeno
Para um amor tão grande e pleno

Amor, eu vou indo…
Não com os passos que dantes dava.
Estes estão desarranjados, sem conserto.
Já sem ti, nem sei se vou ou se fico
À espera que chegues no vento que vim,
Mas esse vento parou quando me trouxe
Então, tenho que ir até a ti, amor mais doce

Se esse vento não me levar
Vou na mesma no vento mais próximo
Talvez demore até chegar,
Talvez chegue na mais breve manhã…
Desde que vá ti ver, amor
O vento é paciente o tempo que for

Estou tão próspero e leve…
Basta que o vento me leve em breve...
 
Carta para o meu Amor

Ilusão

 
Chegou a pronto, o salvador dos hem
Neste dia que o Sol reluz
Em pleno inverno, e entre as nuvens vem
A luz rebelde e sedenta, que seduz
A inocência radicada na pura alma.
Tão belo, o brilho do mal
Que leva ao torto caminho do carma
Por ilusão estúpida e fatal...

Implora o amor eterno, Alice perfeita,
Uma eterna princesa
O amor já não vem a cavalo, nem é feita
Com ramos de rosa de brilho acesa.
As fadas morreram, sozinha, és Alice
Sem castelo, num tudo imperfeito
Num amor furado, hipotético, que és artífice
Chora Alice, é o mundo de despeito

Chora Alice, mas lágrimas por amor é curto
Ouvi que lá, na terra dos meus,
Escondida atrás das árvores do porto
O vento leva esperança.
Perspectiva de nada, nem glória dos céus
Veta a sentença
Dos que perdem, na curva ermida.
Vês, Alice? Somos alma iludida
 
Ilusão

A fase perfeita do ciclo da vida é a fase final (a morte)

 
O nascimento de um Homem é quase perfeito, seria perfeito se fosse inevitável, mas não é, pelo facto de ser dependente do próprio Homem. A vivência após a nascença é indubitavelmente imperfeita, uma luta constante entre as balas sentimentais que mostra a imensa vulnerabilidade que damos à nossa alma. A única fase do ciclo da vida que o Homem comporta de forma perfeita é a sua fase final, a morte. Nisto o Homem não falha, não falhou nem nunca falhará… a morte é perfeita, por isso que digo que uma vida sem erros é uma morte, porque a morte não falha. Dizer que a morte é perfeita, alguém há-de achar que é uma coisa dita de forma profunda… e não deixa de o ser. Um pensamento sobre algo tão profundo que arranca até a alma pela raiz tem que ser profundo. Podem achar que pensar na morte é algo assustador e deprimente… e pode ser, como também pode não ser. O Homem quer ser perfeito sem saber separar a perfeição da imperfeição, sem saber que a perfeição é assustador, fria, calculista e previsível e que a imperfeição é atraente, calorosa, viva e imprevisível por isso que a vida é imperfeita e a morte é perfeita. E desta forma é, sim, assustador e deprimente pensar na morte. E, sendo assim, pode se pensar que perfeito seria se a morte não existisse. Mas pensar assim é um acto de egoísmo imensurável, de uma fatalidade psíquica gigantesca e de uma futilidade impar. E é exactamente neste ponto que a morte torna ainda mais perfeita: ela existe para que outros possam existir. E desta forma, diga-se, não é assustador e nem deprimente pensar que um dia morreremos.
 
A fase perfeita do ciclo da vida é a fase final (a morte)

Carta de uma mãe

 
Nos olhos da mãe dizia:
Ó filho esperança do mar,
Que te leve a sorte do azar!
E que benção seja doce desta maresia!

Olha, filho, no meu Rio, poesia!
Os versos que caem do amar
A dor que brotei para este Mundo matar
De ódio, amor e cruel fantasia

Ó filho, ó graça da minha desgraça!
Que seja o Mundo, esta sina,
O Céu que te ampara nessa vida!

Ó sangue vivo que me traça
Ó fé que o Céu me deu divina
Ó honra e dádiva merecida!
 
Carta de uma mãe

Não caibo numa vírgula do Pessoa

 
Dos Poetas e dos poetas
Não sou deles nenhum, sou simples
Desconhecido perdido entre as vírgulas

Dos Pessoas e “dos” pessoas
Sou uma das pessoas que nem simples
Caibo numa vírgula do Pessoa
 
Não caibo numa vírgula do Pessoa

Diferenças entre as religiões

 
As religiões são campos abstratos e relativos... Mas eu vejo a diferença entre um muçulmano e um católico, ou entre outros praticantes religiosos, como a diferença entre um Físico ou Matemático e um Técnico de Marketing. Cada um com as devidas crenças e virtudes aplicados em campos diferentes… Mas sendo ambos pessoas. O que nos iguala é o facto de sermos pessoas e o que nos diferencia, e acho bem, é a forma diferente de sermos pessoas.
Aderir à religião é um ato de acreditar, tal como ser ateu também o é, e ninguém deve ser julgado por isso. Primeiro porque não somos juízes de nada neste mundo apesar de alguns julgarem ser, e segundo, porque acreditar é a razão da vida… quem não acredita em nada não tem nada que o faça viver.
 
Diferenças entre as religiões

No dia que me mataram, eu nasci

 
No dia que me mataram,
eu nasci
Num bosque sombrio ao céu aberto,
eu nasci
Em qualquer hora que fosse, não sei,
eu nasci
Virado pró luar que rasgava o Deus,
eu nasci
Do ar da moça que aroma a delírio,
eu nasci
Dos pecados ténues, da boda do vento,
eu nasci
De todas as maneiras me mataram,
e eu nasci,
Jamais morrerei sem viver, por isso,
eu nasci
 
No dia que me mataram, eu nasci

O amor e todos os sentimentos são simples

 
O amor é simples, a vida e todos os outros sentimentos são simples, são ridículas e por vezes são rudimentares. E tudo isto vira um monstro sagrado quando entra na massa cinzenta de um Homem. Todos os pedaços caídos viram muralhas gigantescas e os sentimentos, que nem tamanhos têm, ganham dimensões e prospeções que alastram como um cancro. O ódio cega-nos, tal como a alegria, o amor, o desprezo e qualquer outro sentimento minúsculo. Quando tudo pode ser simples como todos eles o são. O “monstro” somos nós, os sentimentos são as armas que nos destroem e são perigosos por serem abstratas e indestrutíveis. Quando entram na mente humana ganham corpos e tornam perspicazes, temíveis e imortais. O Homem é o estimulante dos sentimentos, apanha qualquer um deles pela avenida e torna-o na maior cidade da sua mente e a partir daí cria canais de comunicação entre si que depois poderá culminar na sua autodestruição… tudo em busca da felicidade eterna que nenhum Homem jamais chegará.
 
O amor e todos os sentimentos são simples

Nos Olhos de Deus

 
É hora de ver o mundo nos olhos de Deus
Somos pequenos e a Terra ínfima sorte
O acaso cobre-a de propósito forte
Que o espontâneo riscou os céus

Nesses olhos julgou todos os Galileus
Pelas mãos da fé que jurou a morte
Aos fiéis da órbita e devido corte
Que faz a terra negar os Prometheus

Pregou crueldade nos pés de Cristo
E os césares gritavam da morte insana
A vitória arrancada ao que deus semeasse

Fora ao mal que faz o homem, insisto
Que sejamos da grandeza humana
Todo século que amanhece
 
Nos Olhos de Deus

A Incerteza

 
Entre as folhas do prédio da cidade
Caem minhas incertezas das mãos de Deus,
Entre os ares pardo da negra rua, olhos meus
Giram, despedaçados, em órbita da divindade

Pontas soltas da incerteza, e tantas,
Atordoam-me ao léu do vento
A cada semáforo que cruzo, invento
Termo do incerto em horas santas

Não santas são as horas escuras,
Acordado do sonho em plena rua
Onde já vejo gentes e a cidade, nua
Sem certezas para as minhas curas

E deparo com as folhas dos prédios da cidade
No chão envolto aos meus passos
Em sombras que se cruzam em laços,
E o semáforo verde, como campo da liberdade
 
A Incerteza

A nuvem solta

 
A ver no céu a nuvem solta,
Ela mira-me no meu maior pequenez
Perdido envolto das calçadas da cidade
Entre os homens humanos e o Sol que chovia.

Não desfaz, nuvem que vejo
Estou só, neste antro ermo de saudades longas
Afaga o ar onde passo, que pesa a dor
De choro dos bravos, como eu, que navegam
Em mares torpes e amaldiçoados pelas vidas
Não desfaz, nuvem que vejo
Estou só entre mórbidos olhos, por agora,
Fica e chove sob esse Sol que abrilhanta
A orla cretina da cidade lusitana
 
A nuvem solta

O dom que tenho é não ter dom nenhum

 
O dom que tenho é não ter dom nenhum,
E sei que o bom do que escrevo
É não ter sentido nenhum…
É o mistério que nem eu sei
Porque não sei coisa nenhuma

Deito me num mundo
E as palavras me cobrem…
Não as aceitava se tivesse um dom
Mas sou um dom nenhum,
Entre o que as palavras me dão

São ridículas as palavras que me chegam,
Não as seriam se tivessem sentido,
Não as posso dar, porque eu não tenho sentido
Sou a vida, o amor... os sentimentos,
Que são ridículos como elas
 
O dom que tenho é não ter dom nenhum

Apeteceu-me ouvir o fado

 
Apeteceu-me ouvir o fado,
Sentir as almas lusitanas por mim a dentro
Intenso, o clamor afegão de um fardo
Que reacende em mim cá dentro

Apeteceu-me ouvir o fado, e ouvi
Vi Amália da forma mais lendária
E doutros, vejo a lenda que ela semeou e ouvi
Tantas vezes que estou numa alegria triste e solitária

A melodia afina os desacertos do meu peito
São os acordes finos e ténues da guitarra lusitana
Soa como brisa que no meu leito
Assenta toda a calma de uma pura alma lusitana
 
Apeteceu-me ouvir o fado

Eu sou Deus...

 
Eu sou deus… meu Deus!
Criei meu eu sem e para os seus,
Meu mundo, minha dor, todos os meus
As minhas estrelas, astros e lua, todos os céus
Meus amores, minhas dores e cada adeus
As minhas lágrimas que alimentam o meu Amadeus
Meu Deus, meu Zeus!
Criei a cruz e os pregos para morrer com erros teus
Criei perdão e justiça pra quem padece nos bancos réus
Sou deus… meu Deus!
Criei os santos da minha mente e o Profeta Matheus
Vi nascer, sem os tocar, os Demónios e Prometheus
Criei as datas solenes e todos os meus Jubileus
Houve conflitos na minha mente e nasceram os meus ateus
Domei os todos com a minha razão e os fiz meus Judeus
Sou Deus… meu Deus!
Sou meu salvador e das almas dos plebeus
Criei a minha religião sob a fé como os hebreus
Luto por mim com armas fortes de todos os filisteus
Eu sou Deus, meu Deus!
Criei o meu eu e todos os “meus”.
 
Eu sou Deus...

Bretiney Rodrigues