Poemas, frases e mensagens de alessandrabenete

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de alessandrabenete

O tocar das palavras

 
Toca-me

flui em meu corpo
palavras
singelas...

repleta de pequenices
sem o frenético romance com o dicionário
sem casar-se com as regras

toca-me...
já disse!

palavras
singelas...

são elas que de tão simples
e pequenas
toca-me a alma

simples gestos
são capazes de denunciá-las...

um olhar
um abraço
um sorriso

Cabem uma a uma
na ponta da língua
de um beijo apaixonado.

Porque o amor não deve ser entregue doutra maneira.

_Alessandra Benete

Aos amigos, aos amantes... Aos apaixonados.
 
O tocar das palavras

Sob as estrelas de Xerém

 
O que vejo?
Não são simples focos de luz...
Ou meros corpos celestes
Vejo amor
Sinto o infinito
Lantejoulas de paixão
Gesto majestoso e sublime
De um ser superior
No ato da criação
Olhar estrelas apraz-me a alma
Inundando-me de paz
E de um amor visceral
Torna a escrita suave
E tênue...
Sob o céu estrelado de Xerém
Deixei-me levar e conquistar
E ouso na madrugada
Poetizar...
Lágrimas
Amores
Desamores
Paixão
E a tentar descrever saudade com certa tenacidade
Ah...
É este céu que me encanta
Que faz com que minha alma valse poética
No labirinto dos meus sentimentos
Em Xerém, o céu me acolheu
E mostrou-me exatamente para que nasci
E mesmo que o céu esteja tempestuoso
Saber que elas estão lá me conforta...
Pode soar estranho...
Mas preciso de uma pontinha de céu na fresta da janela
Para que eu possa escrever.

Alessandra Benete
 
Sob as estrelas de Xerém

Escrever

 
Escrever não é ofício para mim...
Não relaciono este ato a obrigação,
Está relacionado a minha alma e a incontáveis pequenices...
Não é profissão, é sentimento,
É vício que me vence e domina...
Chega quando quer e vai-se quando quer
Não sei onde mora
Tampouco de onde vem
Ou a que vem
Sou um turbilhão de palavras num dia e noutro acordo vazia
Não sou poetisa, não passo de uma simples “escrevente”
De um ser descontente que vive contente
De uma alma que grita e implora a liberdade da vida
 
Escrever

Comparado ao que sinto, todo o mar é uma simples gota...

 
Ao apreciar a lua a refletir nas águas serenas do mar madrugada adentro...
São inúmeros os "rabiscos" que surgem
Para esboçar simples folhas da minha caderneta,
Minha companhia solene,
E ainda assim fico a perscrutar toda a imensidão do mar,
Até onde é possível
Meu olhar perdido enamorar

Diante deste amor que adormece em meu peito
Todo aquele volume d’água
Toda sua imensidão...
E profundezas ainda misteriosas
Torna-se uma simples gota
 
Comparado ao que sinto, todo o mar é uma simples gota...

Reconquista-me serenamente

 
Um pedido de desculpas
que traz a essência e a humildade da alma
embalado pelas batidas de um coração
que pulsa arrependimento,
pode até não resolver de imediato
todos os problemas causados
pela falta de reciprocidade,
mas sem dúvidas encurtará a distância
que existe entre nós...

Sou humilde o suficiente para perdoar...
Mas confesso,
não sei como lidar com uma pessoa
que não saiba valorizar
a intensidade de um sentimento verdadeiro...

Felizmente ou infelizmente
nasci com esta alma
que não cabe em meu corpo,
com um coração pequenino e desorganizado

Sou estranha,
diferente...
Sou poetisa...
Eterna escrevente...
Meus poros exalam sentimentos e reciprocidade...

Desculpe,
mas Deus me fez assim,
ou o viver assim me moldou

Existem dias que estou mais receptiva
em outros necessito do abrigo da solidão

Não costumo abrir mão dos meus sentimentos
Então chegue mais perto
E reconquista-me com certa calma
com a serenidade da alma
_Alessandra Benete
 
Reconquista-me serenamente

Esboço

 
Quem me dera
conseguir passar para o papel
a grandeza da tua alma
e a preciosidade do teu sorriso...
 
Esboço

Desculpe esse meu jeito inteiro de ser.

 
Ei, desculpa
mas não sei amar "pela metade"...
E esse meu jeito "inteiro" de ser assusta...
Eu sei!
Apesar de algumas desilusões ainda mergulho de cabeça em algumas pessoas ciente de que nem tudo aquilo que reluz é ouro...
Mas e daí?
Sou assim.
Amo ser assim.
E não saberia ser doutro jeito...
Sei que corro um risco danado nos dias atuais
e que algumas pessoas são de fato "rasas" demais
mas preciso mergulhar
não posso viver só de imaginar...
Preciso de algo mais forte e mais intenso
preciso sentir e viver o mais belo dos sentimentos em seu auge.

_Alessandra Benete

Quem sou?
Eterna aprendiz.
Pedra bruta, sem desejo de ser lapidada.

_Alessandra Benete
 
Desculpe esse meu jeito inteiro de ser.

Porque você não deve namorar uma escritora, mas casar-se logo com ela? [1]

 
Porque você não deve namorar uma escritora, mas casar-se logo com ela?
(reeditado)

Escritoras são seres sobrenaturais, sensitivas e quase videntes. Sei que deve dar um medo danado de aproximar-se de uma criatura tão misteriosa e intensa. Capaz de tocar-lhe a alma com um só olhar. É excepcional estar ao lado de alguém que saberá interpretar seus erros e mostrar o lado positivo em cada plano que não se concretizou. Que será capaz de transformar um momento que passaria despercebido em um ato inesquecível.
Sem dúvidas você deve temer a alguém assim e jamais se apaixonar por uma escritora. Como tal, poderia dizer que sou um perigo! Mas prefiro ir por outro lado.
Apesar de não possuir tanta experiência quanto meu viver aparenta, tentarei deixar bem claro sobre porque você deve casar-se com uma escritora. Apesar dos devaneios, temos lá nossas qualidades!
É da natureza do ser humano temer àquilo que nos toca profundamente, porque tudo o que não pode ser explicado causa pavor. Daí um ponto a favor da escritora. Ela não vai sufocá-lo com perguntas rotineiras sobre o quanto você a ama, ou sobre o quanto é importante para ela que a ame. Nem dará crises do tipo “se não ficar comigo, corto meus pulsos”. Uma escritora não lhe fará perguntas a este respeito, mas escreverá sobre como se sente quando está ao seu lado e ela sentirá se você a ama de verdade. Nunca fará tempestades em copos d’água. Tampouco sentirá ciúmes da sua “amiguinha”. Seu olhar será o suficiente para a relação e dirá se ela deve ou não investir em você. E acredite, ela já havia lhe escolhido bem antes que você a escolhesse!
Como um livro, ela “leu” você e perscrutou seus defeitos e qualidades. E se você meu caro, conseguiu atrair este ser sinta-se especial ou amaldiçoado, isso dependerá da sua entrega, da sua capacidade de retribuir a este amor e a desejos tão intensos.
Uma escritora tem os sentidos aguçados, olho no olho, beijos, momentos de entrega são suficientes. Sei que a maioria dos homens preza a liberdade e gostariam de ter uma mulher compreensiva e quando surge uma mulher que olha tão fundo a sua alma e que compreende seus erros e deslizes, eles praticamente se desesperam.
Você deve casar-se com uma escritora ao menor sinal de amor. Porque ela não esperará muito tempo por você. Ela não curte ficar com a vida estacionada, se é que me entende.
Você não precisa ser letrado, nem viver citando as melhores frases de Clarice ou Drummond, precisa ser somente você e deixar que ela se doe sem reservas.
Seja autêntico e ela lhe dará a chance de habitar seus pensamentos e desejos mais profundos.
Ela jamais brincará com os seus sentimentos. Amor para ela é coisa séria!
Respeite seus momentos de solidão. Afinal ela pode escrever em um estádio de futebol lotado, mesmo assim escrever ainda continuará a ser um ato solitário.
Não exigirá perfeição alguma de você, tampouco terá crises de ciúmes. Escritoras são criaturas livres e não desejam ter “reféns”.
Ao seu lado não haverá monotonia ou escassez de sentimentos. Nem rotina ou tédio. Ela fará jus a sua mente criativa e lhe proporcionará ótimos momentos. Somente ela saberá como lidar com os vilões e não permitirá que destruam seu amor, caso seja verdadeiro.
Fará amor com você com a mesma dedicação com que escreve um livro... Será delirante e apaixonante, sem reservas ou repetições.
Você será recebedor de um amor indescritível, inabalável e imensurável.
Ela doará sua essência sem limites ou exceções.
Você deve casar-se com uma escritora porque ela não busca pelo homem perfeito!
Ela não quer conhecer nenhum “sapo”, ela quer você com todos os defeitos dentro da mala. Ela sabe muito bem que príncipe encantado não existe e que o lobo mau nem sempre é o vilão da história. Que de repente a vovozinha até teve um casinho com ele, mas seria um escândalo assumir na época. (risos)
Então não encene ou represente o “mocinho”. A mente dela já é complexa demais e inundada de personagens. Ela perceberá o mínimo sinal de falsidade.
Mas se você não deseja essa intensidade, meu caro, afaste-se... Não se encante ou se apaixone... Fuja depressa!
Fazer amor com um ser assim poderá ser perigoso, caso não esteja preparado!
Sem titubear ela te virará pelo avesso e te guiará até a fonte dos seus desejos e fantasias perigosamente viciantes.
Num simples beijo ela tocará a sua alma.
E se você já estiver sobre este encanto, case-se!
Lamento dizer, mas já é tarde para correr. E por mais que você fuja dela ou se envolva com outras mulheres, no fim sempre a desejará. Sempre regressará para seus braços. Não haverá beijos ou toques como os dela.
Ela sabe que a vida passa depressa e não é daquelas que espera a felicidade bater à porta. Ela não vai esperar que você desça do muro, mesmo sendo literalmente um gato.
Quanto à desorganização... Um belo e sutil home office resolverá tudo!
E quando vocês forem juntos à praia deixe que ela escreva algumas palavras. Acostume-se ao fato de ela sempre comprar a bolsa adequada para seus cadernos e escrevinhações.
No final você vai gostar da linda história de amor que ela escreverá sobre vocês.
Um dia você vai se sentar num canto com um pedaço dela nas mãos e saborear a virtude de ter esta mulher ao seu lado!
E ela sempre vai entender você como ninguém jamais ousara e nunca ficará com você por pena ou opção.
Isso não significa que ela aceitará de tudo, não é isso. Mas ela sabe muito bem que a vida real é bem diferente dos romances que ela escreve ou lê, e que você não é nenhum super-herói, nem vilão.
E quando ela te contar as novas histórias você vai perceber que em cada personagem existirá um pouco de você, haverá fragmentos seus por todos os lados... Se você realmente a fisgou isso será inevitável.
Escritoras são criaturas que exalam amor e que ardem em desejos secretos.
Que amam sem pudor e deliberadamente.
São Afrodites da literatura.
Somente ela te amará passionalmente.
Então caro amigo, se tiver alguma ao seu alcance siga meu conselho e case-se com ela!

Meu pedido está nas entrelinhas... :)
 
Porque você não deve namorar uma escritora, mas casar-se logo com ela? [1]

Perfeito avesso

 
Talvez tivesse eu a chance
de viver um amor perfeito
ainda assim prefiro
descansar em teu peito

Vai que esse "amor perfeito"
Desvira meu avesso
Que é meu lado perfeito

Por: Alessandra Benete
 
Perfeito avesso

Escrevo para ser, para não morrer

 
Não escrevo para comer
sim para ser livre
para libertar e nutrir sonhos e desejos
escrevo apenas para quem sabe voar
e para quem não tem medo bobos
mas que possua coragem absurda
de mergulhar em mim
escrevo para viver
vivo para escrever
e tocar intensamente
a alma de quem lê
 
Escrevo para ser, para não morrer

Você vai voltar!

 
Falando claramente, melhor, explicitamente, com uma dose moderada de sarcasmo - uma virtude que Deus me deu -, sem "mi,mi,mi”, “blá,blá,blá” ou "choramingo".
Tem um montão de gente por aí que critica Mc"s dos mais diversos tipos (acredite a lista é lonnnnga) e sem falar do Lepo-lepo que eu até gosto do ritmo (sou bastante eclética e amo mexer o esqueleto), mas cá entre nós ouvir este ritmo de domingo a domingo "ninguém merece", ninguém mesmo!
Aí você deve estar ou não, questionando "mas onde é que essa chata, metida e enfadonha quer chegar?" rs (sei que tem gente que me adicionou e me segue e me deu estas qualidades), nada contra... Agradeço a amizade e por me seguir... Sou eclética também lembra?
Agora direto ao assunto que não poderia ser outro a não serem minhas "escrevinhações", há quem goste e há quem não goste... Costumo dizer que os que gostam ou categoricamente, amam são predestinados (assim diz meu ego)! rs
Mas francamente, parar de escrever... IMPOSSÍVEL!
Se algum suposto escritor deixou de escrever por causa do que os outros pensam ou dizem por aí, sem dúvidas jamais foi escritor de VERDADE!
Melhor ainda, quem nunca cometeu um errinho ortográfico ou até mesmo de digitação que atire o primeiro dicionário ou teclado!
Seria impossível viver com a mente a transbordar e nada fazer.
Este mundo é tão vasto...
Há leitores e "leitores" para todos os gostos! GRAÇAS AO BOMMMM DEUS!
Então menino (um amigo literário muito especial), não deixes de escrever...
Sem dúvidas, sua alma não haverá de resistir a esta escuridão e a este cárcere...
Morrerá lentamente com a solidão dos teus pensamentos...
É quase impossível para nós viver com este ato tão solitário... Diz-me então como seria esta solidão sem este vício visceral e sem palavras para conquistar essa estranha liberdade que tanto ansiamos.
O que faríamos com esta alma que evoluiu mais do que o corpo?
Para onde iriam nossas fragrâncias?
Quem daria silhueta e melodia às palavras?
Assustam-me tais indagações e devaneios...
Corpos virariam túmulos de sentimentos profundos que outrora desejaram conquistar o mundo.
Lembre-se de que escrever é assumir riscos, ouvir "sim e não"...
Contudo, a parte mais gostosa nesta aventura de SER escritor é ganhar um passaporte para a IMORTALIDADE! Há galardão maior?
Todos os escritores têm períodos de crise... Você vai superar os teus!
Os melhores tiveram e ainda os têm, travam uma luta constante ao publicar novas edições, anseiam conquistar outros gostos, mas nem sempre são recebidos como esperavam, com os méritos da primeira edição.
Se for para se sentir melhor então engane-se e faça luto, sofra, mergulhe em noites de insônia, chore, emocione-se, ame e angustie-se, seja feliz, e, transforme cada nova experiência em palavras, seja ela boa ou ruim... Somente escreva, escreva e escreva.
Cedo ou tarde você voltará a escrever, já sentiu esse gostinho de ser folheado... É tarde para recuar... Eu sei...
Você vai voltar!

Escrever é mergulhar na imortalidade!

_Alessandra Benete
 
Você vai voltar!

O que difere um conto de um romance?

 
Para tentar extrair esta diferença não poderia deixar de citar duas obras:
Iracema de José de Alencar e O Alienista de Machado de Assis. Porque o primeiro citado seria um romance e o segundo, um conto?
Esta questão que parece aos olhos do leitor não possuir diferença alguma é mesmo de dar um nó no cérebro de alguns escritores. Mas continuemos...
Vale ressaltar que sou tão amadora aqui quanto você com sua curiosidade aguçada. E Deus me livre dessa coisa de citar ou enumerar regras.
Mas cá entre nós, as regras são responsáveis pelo nosso primeiro passo, isso mesmo, “primeiro passo”, pois quando aprendemos a nos equilibrar abrimos mão de algumas “ditaduras literárias”, pelo simples fato de desenvolver características próprias ao escrever.
Voltando ao assunto. O que difere uma obra da outra? Seria o número de páginas?
Diria que não. Iracema e O Alienista possuem mais ou menos o mesmo tamanho. E pode um conto ter uma página ou trezentas, tanto faz. Mas não é a quantidade de páginas que irá qualificar o texto literário como conto.
O que caracteriza um conto é a trama abordada, com poucos personagens e num único espaço de tempo. Pode ser de narrativa longa ou curta, com poucos, muitos ou nenhum diálogo. Isso varia do modo criativo de cada escritor. É importante saber respeitar isso. Ninguém está obrigado a seguir os passos de “fulano”. Devemos ser receptivos. E saber aceitar a diferentes métodos de criação.
Vale ressaltar que algumas regras que servem como normas para caracterizar um conto continuam intactas, mesmo após muitas mudanças.
São elas:
• Apenas um conflito
• Poucos personagens
• Um núcleo
• Uma ação principal que desencadeará todo o resto da narrativa
• Toda a história girará em torno da trama
É a partir destas bases que será possível dizer se o conto é realmente um conto.
Edgar Alan Poe pregava que a força do conto deveria estar em seu epílogo.
Anton Tchekhov nos trouxe o conto moderno, sem epílogo e dizia que se deveria cortar o início e o fim dos contos, a fim de que causassem maior impacto aos leitores.
Chamo a atenção para os estilos “diferentes”. Ambos são considerados os gigantes da arte do conto.
É isto o que diversifica as obras, onde você não tem a sensação de “dé jà vú” ao folhear um livro.
O que caracteriza um conto é a espécie da narrativa, que devido a poucos personagens tende a ser curta.
É comum quando alguém lê um conto bom e teima que se o autor escrevesse mais tornaria a história ainda melhor. Em alguns casos sim... Em outros seria uma ruína total.
O conto deve possuir o único objetivo de surpreender ao leitor. O final sempre deve ser surpreendente, sem alardes no meio da trama...
Poderia afirmar que o que caracteriza o conto é a carga dramática carregada de suspense. Por mais que se queira estar à frente, não se deve abrir mão de causar aquela sensação de “não entre no carro, o assassino está no banco traseiro”, todo leitor aprecia esta sensação. Se o autor conseguir provocar e instigar com suas palavras, sem tornar a leitura cansativa, terá conseguido escrever um bom conto, digno de ser levado para a cama, e lá ser devorado até as últimas palavras.
Por isso digressões e descrições demasiadamente longas devem ser extremamente evitadas.
Capriche no suspense. Aguce a curiosidade do leitor.
E jamais, em hipótese alguma subestime a inteligência e interpretação de quem lê.

Por hoje é só, espero ter ajudado.

Nada do que está escrito acima deve ser levado a sério.
 
O que difere um conto de um romance?

PAPO CABEÇA

 
PAPO CABEÇA - Primeiro capítulo

Consultório da psicanalista Melissa no Leblon. Int. Dia. 09 horas da manhã.

Relatos de um homem no divã.

Douglas: Sou extremamente cavalheiro, simpático e gentil...
Cá entre nós o sonho de qualquer mulher... Nem sei o que estou fazendo aqui... Não acho que necessito me tratar, mas os outros acham que ando meu esquisito. Bora então, ver o que a doutora que estudou para isso vai achar deste mal que nomeio coração partido, o meu tá mais pra “arrancado do peito”, porque aqui no meu peito parece que tem um buraco.
Sou um pouco afobado quando o assunto é um bom rabo de saia, gosto das morenas... Sou conquistador nato... Ou ao menos era, ou fui, sei lá...
De uns tempos pra cá tudo mudou sabe doutora... E a culpa é dela, completamente dela, que quer que eu assuma que a culpa é minha...
Estou sofrendo de crises de mau humor excessivas e quando não é isso dano a rir de tudo que me cerca... Sem falar da pressão que às vezes acha de dar uma de montanha russa...
Altos e baixos entende?
Viu só já comecei a ser sarcástico. O que tem de engraçado nisso? Estou tomando tantos medicamentos, para dormir e para acordar. Não jogo mais pelada nos finais de semana com os amigos. Nem desejo ficar conversando com ninguém. Foi ela... Ela virou minha vida de cabeça pra baixo... Mulher é mestre em deixar as pessoas de cabeça pra baixo, isso quando não fico pelo avesso. Sinto uma falta danada das saidinhas com os amigos. De sair por aí para pegar umas gatas... De uns tempos pra cá passei a ouvir até pagode... E quer saber, não ando pegando ninguém... Esse foi o ápice dos meus surtos. Nem na minha adolescência, quando era magrelo e com a cara repleta de espinhas passei momentos tão longos de seca e de fome.
Antes ela reclamava que eu não ligava, que não reparava no tom dos cabelos, na maquiagem, nas roupas... Agora ligo, deixo recados de voz, envio sms e ela que não atende, nem responde... E essa situação se arrasta já tem quase um ano... O pior é que acho que ela já tem alguém, só não me diz. Vasculho o facebook e o twitter em busca de alguma palavra que entregue tudo, que tire essa imagem de santa que me passa, mas ela é uma santa mesmo...

>>>> CONTINUA
 
PAPO CABEÇA

Viver

 
Viver é um sopro
brisa
ventania

É preciso Liberdade
para sentir
voar
invadir

Viver é mergulhar em abismos
é saltar para o alto
permitir que o auge nos alcance

_Alessandra Benete
 
Viver

A grandeza de saber sorrir

 
Acredito na energia contida no sorriso
que traz a alegria da alma que não se deixa contaminar
pela fraqueza dos outros,
que por não saber sorrir
tentam em vão apagar o teu sorriso
Deus
que sempre haja motivos para sorrir...
Hoje
Agora
Daqui a pouquinho
Amanhã
Depois de amanhã...
Quero estas marcas de expressão no meu rosto
Nada mais são do que a silhueta da minha alma
que faz com que o mundo lá fora
fique cor-de-rosa
que vire arco-íris de bondade
de humanidade e simplicidade
Sei que não dá pra mudar o mundo inteiro
nem para conquistar a todas as pessoas
mas é o mínimo
que vira muito ao meu redor
não me contento com este "bocadinho"
mas isso me faz feliz
me liberta
me faz sorrir
e provocar sorrisos
Obrigada por este "tiquinho"
singelo de amor
que algumas pessoas
ainda sabem doar
e cativar!

Algumas pessoas sorriem de dentro pra fora
não parece que sorri
parece que chora...
outras são capazes de iluminar
e com um sorriso abraçar

_Alessandra Benete
 
A grandeza de saber sorrir

AMOR RETRÔ X AMOR MODERNO

 
Dizer "eu te amo" tá tão na moda que só falta fazer desfile na Fashion Week inovando com frases e declarações mais elaboradas e que acompanhem cada estação do ano!

Proponho um desfile com tatuagens, plaquinhas dependuradas no pescoço, pulseiras, roupas, acessórios, cama, mesa e banho e por aí vai... Será bem-vindo na passarela qualquer tipo de inovação que propicie um ar de realidade ao fingimento, já que é esta a intenção do “doador”.

Não pasmem com minhas palavras, porque não é preciso ir longe para ver tais “demonstrações” de afeto.

Indago-me sobre o quanto as pessoas permitem-se levar por tal atrocidade, pior do que não amar, é fingir amor para quem de fato ama. E bem pior do que não ser amado, é aceitar de bom grado o falso amor.

É uma preocupação em estampar o “relacionamento perfeito” nas redes sociais. É fácil, muito fácil compartilhar fotos daquilo que não se vive no dia-a-dia... Um falso amor... Uma falsa felicidade... Nas redes sociais você pode ser até a princesa ou príncipe do Egito se assim desejar. O perfil é seu, não é?!

E cá entre nós, nem tenho nada haver com isso... Mas gosto de opinar sobre essas coisas grotescas que tomam cada vez mais espaço na sociedade, e deu-me Deus este dom de “quiçá”, que inunda a minha mente com palavras, mas isto já é outro departamento...

Voltando ao assunto...

Enquanto isso o tempo passa, porque se bem me recordo, tempo não espera por ninguém.

E sinceramente, quem se presta a viver uma situação deste tipo, de fato nunca viveu um amor verdadeiro. Porque quem saboreia a felicidade, não se contenta com fingimentos, tampouco com migalhas.
Algumas pessoas não sabem dar fim a um ciclo para que outro se inicie. Em alguns casos, o problema é psicológico e requer tratamento. Em outros é falta de vergonha na cara, acompanhada por dependência financeira e sentimental, o que desencadeia um quadro de FALTA DE AMOR PRÓPRIO!

Acrescento muito mais a este singelo texto, FINGIR AMOR NÃO É PERDA DE TEMPO, É PERDA DE VIDA!

Além do desfile sugiro também uma premiação para quem tem audácia de demonstrar amor de verdade, ato que nos dias de hoje pode e deve ser considerado de extrema coragem.

Antigamente, ouvir “eu te amo” era o sonho de consumo de qualquer ser apaixonado, há décadas foi o meu... A oposição que me perdoe, não abro mão de um bom e gostoso amor estilo retrô. Um amor que não necessita de palavras para declarar, pois é vívido no olhar.

Com toda esta modernidade é preciso muito mais do que palavras, é preciso sentir... É preciso tocar a alma.

Amor retrô

uma brisa do passado
toca-me o rosto
e aguça o desejo
de querer-te de novo...

_Alessandra Benete
 
AMOR RETRÔ X AMOR MODERNO

Caminhos de paz

 
A paz não está na bandeira içada
Embalada pelo vento
Tampouco nos tratados ou acordos
Paz é fragmento
É alma
Não há caminhos para encontra-la
A não ser no interior
Do próprio homem
Não se pode mudar
De uma só vez
O mundo inteiro
Mas qualquer um pode começar pelos lugares que frequenta
Paz é dar oportunidade
Aquele que após perder várias batalhas
Já tenha desistido de si.
Dê razões a sua estadia
Ao seu caminhar
E conquiste um lugar
Nos corações das pessoas
Paz é abraço doado
E mão estendida
É sentimento
É virtude
É algo intenso
De valor imensurável
Para ficar guardado dentro do peito
 
Caminhos de paz

Reconquista-me serenamente

 
Um pedido de desculpas
que traz a essência e a humildade da alma
embalado pelas batidas de um coração
que pulsa arrependimento,
pode até não resolver de imediato
todos os problemas causados
pela falta de reciprocidade,
mas sem dúvidas encurtará a distância
que existe entre nós...

Sou humilde o suficiente para perdoar...
Mas confesso,
não sei como lidar com uma pessoa
que não saiba valorizar
a intensidade de um sentimento verdadeiro...

Felizmente ou infelizmente
nasci com esta alma
que não cabe em meu corpo,
com um coração pequenino e desorganizado

Sou estranha,
diferente...
Sou poetisa...
Eterna escrevente...
Meus poros exalam sentimentos e reciprocidade...

Desculpe,
mas Deus me fez assim,
ou o viver assim me moldou

Existem dias que estou mais receptiva
em outros necessito do abrigo da solidão

Não costumo abrir mão dos meus sentimentos
Então chegue mais perto
E reconquista-me com certa calma
com a serenidade da alma
_Alessandra Benete
 
Reconquista-me serenamente

Fragrâncias

 
Você precisa saber
Que de todas as fragrâncias
As mais raras
Ou baratas
Adocicadas ou amadeiradas
Florais, fortes ou suaves...
Não encontrei nada tão inebriante
Quanto o cheiro do teu corpo
De quero mais
De perigo
De pecado
De sedução
De paz...
De felicidade
Fragrância essa de amor negado nas palavras
Mas perceptível
No olhar e em cada gesto teu
Sentimento revelado
Em cada letra da frase “vem me ver”
Descobri que jamais encontrarei esta fragrância
Que só existe em de você
É intransferível
Não pode ser fabricada
É o amor que pulsa em teu peito
Que aos poucos pelos poros é liberada
 
Fragrâncias

ABDUZIDOS - PRIMEIRA PARTE

 
Aterrorizantes, era a melhor definição para eles. Apesar de adequarem-se rapidamente as características humanas, o olhar deles ainda era negro, animalesco, sem sentimentos... Um aviso macabro.

Havia meses que estávamos naquela espécie de cúpula. A maior parte de nós fora abduzido enquanto dormíamos, outros foram pegos na volta para o lar após mais um dia cansativo de trabalho e relataram horas de pavor dentro da gigantesca espaçonave. Estávamos ali como cobaias... Eles não tentavam nenhum tipo de contato conosco, e sempre que havia proximidade eram bastante hostis.

Quando alguém era levado, não voltava mais. Pensamentos e pesadelos horríveis inundavam minha mente. A criatura mais alta e quase esquelética era responsável pelas mulheres. Ele ou ela sempre era mais sutil quando vinha buscar uma de nós. A última a ser levada foi Luzia, a chilena. Os ecos dos gritos dela eram abafados a medida com que era arrastada pelo corredor, até onde era possível que nossos olhares de pavor alcançar antes que a enorme fenda se fechasse novamente.

A cada anoitecer chegavam de dez a quinze prisioneiros de tudo quanto é lugar do mundo. Eu estava ali a mais ou menos um mês. Da noite em que fui abduzida recordo pouquíssimo... Estava exausta e completamente dopada por calmantes e antidepressivos. Uma discussão acirrada no tribunal com meu ex-marido pela guarda do nosso filho - meu pequenino Daniel, resultara numa terrível enxaqueca, aquela fora a terceira vez em menos de um ano que o juiz dava um parecer a meu favor. De início, quando despertei neste lugar, jurava que fosse obra dele para me afastar do nosso filho, mas havia mais prisioneiros que falavam de alienígenas e de criaturas horrendas... Relutei contra tais argumentos, meu intelecto não me permitia acreditar no que diziam, até que os vi no dia seguinte.
Era impossível saber onde estávamos. Não ouvíamos nada. Toda a cúpula era de aço sem janelas ou emendas que revelassem alguma porta... E ao redor, apenas silêncio.

À medida que mais de nós eram levados, começamos a fazer planos de ataque incentivados pelo francês recém-chegado. Já que estávamos destinados a padecer ali, ao menos morreríamos lutando, dizia ele enfaticamente. Eles nunca vinham em bando, eram sempre dois no máximo. Atacaríamos assim que viessem buscar mais um de nós.
Passaram-se dias sem que viessem para levar mais um ou para trazer novos reféns. Talvez fosse possível nos observar o tempo todo por trás daquela enorme redoma de aço e tivessem ouvindo tudo o que planejávamos. O que nos levou a desenvolver um comportamento mais silencioso.

Dormíamos de dez em dez para que a maior parte ficasse de vigia. Mesmo sem saber onde estávamos ou se teríamos como escapar, aquela era a nossa melhor opção, a única que tínhamos.

Despertei com o som cortante da enorme fenda que se abriu, desta vez do lado oposto revelando um corredor repleto de focos de luz branca. Era a tal criatura que sempre vinha só. Esperamos que ela viesse até uma de nós, já havíamos combinado de resistir quando alguém fosse escolhido e para a minha surpresa a pavorosa criatura me escolheu. Corri para o mais longe que pude da fenda, dando chance para que os outros olhassem pela passagem em busca de mais deles. Quando ela pôs suas garras afiadas em meu dorso senti um filete da minha pele soltar da minha costela e uma torrente de sangue escorrer formando uma enorme poça de sangue no chão. Seus dentes pontiagudos revelavam pequenos pedaços de carne. A criatura me arrastou pelo braço até a saída e quando pensei que todos haviam desistido, o francês pulou sobre ela. Dominamos e arrastamos o ser bizarro para fora e num acesso de fúria chutamos todo seu corpo até que a vida se esvaísse por completo. Infelizmente, três homens foram atingidos por suas garras afiadas e caíram ao chão agonizando entre os últimos fôlegos de vida. De repente a enorme fenda fechou-se. Mesmo ferida corri junto aos outros em busca de uma saída. O francês com instinto nato de um líder guiou todo o grupo, orientando para que os outros homens arrancassem algumas tubulações da parede para nos defender caso fosse preciso. Passamos por uma sala que lembrava um centro cirúrgico. Entramos e vimos o que temíamos. Havia pedaços humanos para todos os lados... Mãos, dedos, crânios partidos ao meio, órgãos e outros restos que era impossível reconhecer... Mataram e comeram a todos.
Todas as salas eram interligadas e para a nossa sorte estavam vazias. O corte na minha costela já começava a dificultar minha caminhada, mas a minha vontade de sobreviver e de voltar para o meu filho me dava forças para continuar.

Após percorrermos quase todo o lugar chegamos a uma sala toda de vidro, que nos permitiu ver o que nos aguardava lá fora. Uma porta lateral nos convidava para a liberdade. Jogamos objetos contra o vidro que se manteve intacto. Começamos então a apertar centenas de botões, numa busca frenética por um liberasse algum tipo de passagem. De repente a porta se abriu, sem indagar sobre onde estaríamos, corremos mata adentro, para a liberdade.
Foram dias vagando pela imensa floresta. Muitos adoeceram e morreram. Éramos apenas oito quando chegamos a uma enorme aldeia de índios, estávamos no coração da Amazônia, foi então que tive a certeza de que veria meu filho novamente.

Orientados mais uma vez pelo francês, escolhemos não contar a verdade para as autoridades, inventaríamos qualquer coisa, um sequestro... Mas não contaríamos a verdade. Combinamos de dizer a mesma coisa nos depoimentos. Diríamos que fomos abandonados no interior da floresta. Apesar de termos de conviver com o pavor de uma nova abdução, o pior ainda estaria por vir.

Já em casa, uma semana após minha fuga... Fui acordada em plena madrugada, com o som de algo caindo ao chão. Peguei a espingarda que agora ficava ao lado da cama e pé ante pé fui até a sala, havia alguém por trás das cortinas... Era o francês.
- Você? – indaguei ligando o interruptor.
- Vim para ver como está Lorena...
- Estou bem... Como entrou aqui?
- Você não se lembra de nada mesmo?
- Do que está falando?
- Nos conhecemos há muito tempo... Sou eu Alfred.
- É melhor você sair da minha casa!
- Nossa fuga daquele lugar foi tão fácil, você não acha? – disse Alfred transformando-se numa daquelas criaturas. – Ninguém foi sequestrado, queríamos trazê-los de volta, por isso o confinamento. Após passar longo tempo na forma humana, aprendendo seus hábitos e absorvendo sentimentos, muitos não conseguiram regressar. Os humanos são extremamente viciantes e fracos psicologicamente. Viver entre eles causa uma estranha dependência. Muitos como você casaram e tiveram filhos, criando para si falsas lembranças. Diga-me, por onde anda sua família? E o seu ferimento? Não existe mais, sarou de repente não foi?

Fiquei confusa... Realmente não tinha lembranças de parentes. E aquele ferimento... Tive uma recuperação impressionante. Não havia ficado nem uma cicatriz...

- Porque matou aquela coisa então?
- Não poderia correr o risco de perdê-la?
- Como me perderia se era prisioneira como os outros?
- Aqueles que não conseguiam regressar eram descartados, não poderíamos correr o risco de perder tudo o que conquistamos. Por isso deixei-me capturar. Meu único objetivo era recuperá-la... Eu lhe dei a vida Lorena...
- Você...
- Não somos como os humanos. Essa coisa de parentesco e criador, não existe entre nós. Somos uma espécie muito mais evoluída do que possa conceber. Não nos apegamos a nada, nem a ninguém.
- Porque então quis me libertar.
- Oh, minha querida... Não leve para o lado pessoal, não pense que tenho sentimentos. É que você possui informações de extrema importância para a invasão. Só desejo saber o que você conseguiu e nada mais.

De repente algo no olhar dele capturou o meu, meu coração parecia querer saltar do peito, minha respiração ficava cada vez mais ofegante, fui tomada por uma forte enxaqueca. Caí no chão dominada por uma dor muscular insuportável. Minha pele começou a se rasgar e os órgãos praticamente saltavam do meu abdômen, deixando minhas costelas totalmente expostas. Garras afiadas começaram a surgir em minhas mãos lançando os dedos despedaçados longe. Ele havia despertando em mim a criatura adormecida. Em meu crânio brotavam espinhos... Sempre fui um deles...

- Depois de passar muito tempo neste corpo a transformação é mesmo dolorosa.
- Quantos... Quantos sabem sobre mim? – indaguei recuperando o fôlego e fazendo esforço para colocar de pé aquele corpo esquelético.
- Somente eu sei sobre você...
- Agora me lembro de tudo Alfred... Do disfarce e da missão de me infiltrar entre os humanos... Nosso líder quer dominar todo o planeta e eliminar a raça humana... Nós nos alimentamos deles... Mas por que permitiu que se passasse tanto tempo, que me apegasse a eles... Porque permitiu que eu tivesse um filho?
- Perdemos contato, você ficou incomunicável durante anos. Deve ter sido por causa desta coisa de sentimento. Mas bastou que tivesse sua primeira crise de fúria para que pudesse reencontrá-la.
- O dia que tive a enxaqueca...
- Isso mesmo! E porque se apegar a este povo fraco e egoísta? Eles estão destruindo tudo e como deve se recordar, necessitamos deste planeta para sobreviver. Mas não eliminaremos a todos de vez, ficaremos com os mais saudáveis e jovens para procriar, afinal, são nosso alimento.
- Sim, compreendo...
Aproximei-me de Alfred de forma amigável e com um só golpe atravessei seu peito gelatinoso arrancando sua fonte de vida. Olhando nos olhos dele disse que ajudaria aos humanos a exterminar um a um, cada extraterrestre que surgisse.
- Sou mãe Alfred. Não posso permitir que outros como você alimentem-se de humanos. Lutarei ao lado deles. Nossa raça é que deve ser exterminada! Não sou mais como vocês, aprendi a conviver e a amar os humanos. Temos muito que aprender convivendo com o povo da Terra.

Fechei os olhos e como magnetismo meu corpo esquelético sugava cada pedaço de carne e pele, lenta e harmoniosamente todos os órgãos voltavam para o lugar. E aquela figura bizarra ia aos poucos tomando a forma humana novamente.
Ao imaginar o que Alfred seria capaz de fazer ao meu pequeno Daniel, devorei-o já que tínhamos a capacidade de voltar à vida após algumas horas.
Agora, ciente de toda a verdade e recuperando por completo toda a minha memória, a prioridade no momento é a de superar o desejo crescente de comer carne humana, até mesmo de devorar meu próprio filho...
Meus instintos animalescos estavam a cada dia mais aflorados. Passei a desenterrar os mortos para saciar minha fome... No freezer mantinha as partes mais suculentas, fígado, coração e cabeças...

Optei por levar uma vida noturna, tenho medo de não conseguir conter o desejo de saborear carne fresca e macia. Foi numa dessas saídas que conheci Derick, um alienígena que também optou ficar ao lado dos humanos.

Com a chegada dos seres superiores, uma batalha estava prestes a ser travada.
Agora com Derick ao meu lado tudo se tornaria mais fácil. Saímos em busca de outros que estivessem dispostos a lutar ao lado dos humanos, mas para isso teríamos que revelar nossa verdadeira identidade e correr o risco de que sermos vistos como inimigos.

Aos poucos Daniel, meu filho, adquiriu poderes extraterrestres... Mas isto já é outra história.

Alessandra Benete.
Carioca da gema, mãe e empresária.
Amante e aprendiz da arte de escrever!

https://www.facebook.com/alessandra.benete
 
ABDUZIDOS - PRIMEIRA PARTE

Alessandra Benete