Poemas, frases e mensagens de joaovictor.azfe

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de joaovictor.azfe

A assinatura do bandido

 
Vejo revolucionários usando um rolex
Riem-se do povo e imperam: Dura Lex, sed Lex!
Duro é o chão, dura é a vida no mundo real
Sem hospitais, resta passar na ferida um pouco de sal
Mas lá vai um político andando de Mercedes Benz
Ontem teve tiroteio na favela e a criança não dormiu bem
Ditos libertadores com contas em paraísos fiscais
E no sertão o gado morto em um poço seco jaz
Presidentas ostentam em caros hotéis pelo mundo
Enquanto o povo repousa no inferno mais profundo
Eles dizem: Aos amigos tudo e aos inimigos a lei
Salve o esquema! A sabedoria do filosofo é distorcida
Eles dizem: Eu só sei que nada sei!
O inimigo é o povo que na correria prefere nem pensar
Mas é ano de Copa e ficamos na torcida
Esmolamos, pedindo o que nascemos para herdar
Na correria, com a pá na mão cavando a própria sepultura
É a assinatura do bandido que nos quer sem cultura.
 
A assinatura do bandido

MINERADORES DO FUNDO DO POÇO

 
O meu sorriso é a dor que se mascara
A vergonha é chaga aberta que não sara
A minha luz é artificial
O meu futuro obscuro
Difícil viver sem um ideal
Difícil com tanta gente em cima do muro

Sem saber onde houve o erro
Corrupção, tanto lixo, um aterro
O fedor de podres frutas tropicais
Invadidos, infantis propagandas sexuais
Mão-de-obra, gado para abate, sumo
Capricho de animais, massa de consumo

Os usurpadores não largam o osso
Alvejam-nos com chumbo grosso
O sal na ferida é o mínimo salário
O sal da terra como sinônimo de otário
Estamos com lama até o pescoço
Brasileiros: minerados do fundo do poço.
 
MINERADORES DO FUNDO DO POÇO

Enredo de um amor sinestésico

 
Cego pelo amor à primeira vista
Amarelo, escarlate, branco gelo
Rosas dormidas, cigarro, madrugada e maresia
Debussy, Clare The lLune

Esmagado pela saudade
Plúmbeo, azul opaco
Fumaça, cinzas, livro velho
Chopin, Nocturne No.2 in E flat, Op.9 No.2

Afogou-se nesse amor
Cores diluídas, anticor
Etílico, ferruginoso, lacustre
Beethoven, Sonata ao Luar.
 
Enredo de um amor sinestésico

ANTROPOFAGIA

 
Como meu coração para recriar o amor
Purificar e digerir minha dor
Como meus olhos, tudo que vi e vivi
Tempero para cobrir o desespero
Vejo dobrado!
Das minhas mãos faço um assado
Escrevo o futuro, esqueço o passado
Quero tudo mal passado
Para que meu gosto fique marcado
Em tudo um pouco de nariz ralado
Para sentir o mau cheiro quando
Algo estiver errado
Tempero minhas orelhas
Espero ouvir mais que falar
Deixo a língua pra lá
Se quero ser sábio, hei de calar
Como os pés para saber onde piso
E a boca para fazer brotar o riso
As pernas para correr atrás do que quero
Cheiro bom, cozinho e como
Essa vida com muito esmero!
 
ANTROPOFAGIA

Viajante astral

 
Um viajante astral voltando pro lado de cá
Um sonho se dissolvendo, já não lembro
Aqueles dias em que se acorda pensativo
O existir rondando como bicho furtivo
Um falso sorriso para o mundo
Vesti um escafandro e caminhei lá no fundo
Ecos do passado me visitaram sem motivo
Conversas presas nos cantos da casa
Pensei ter achado seu cheiro no travesseiro
Voei em lembranças como uma ave sem asa
Voei o dia inteiro...
 
Viajante astral

HAICAI SOCRÁTICO

 
Sob o risco de sofrer duras penas
Até segunda ordem eu desaprendi
Juro que a cada dia eu sei “menas”
 
HAICAI SOCRÁTICO

A medida do amor

 
A medida do amor
É dramalhão Mexicano
Está atrás das cortinas,
Quando se fecha o pano
Está no amor que foi extinto
E na lucidez do vinho tinto

A medida do amor
É santuário sagrado
Talhado fora do tempo, é mistério pagão
Evangelho perdido, manuscrito queimado
Está se equilibrando - entre odiar e ser amado,
Nas entrelinhas do coração.
 
A medida do amor

DESACREDITANDO

 
Ele acreditava em papai Noel até ver o pai colocando o presente na árvore de natal.
Ele acreditava em extraterrestres e discos voadores, mas até hoje aguarda a abdução e nada.
Ele acreditava em vidas passadas, cartomante, mãe de santo e aparição.
Ele acreditava no céu, no inferno, nos umbrais e em outra dimensão.
Ele acreditava em numerologia, runas, cabala, astrologia e destino.
Ele acreditava em tanta coisa e deu adeus, veio vindo desacreditando.
Por fim acreditava Nela, mas foi a maior das invenções do credo em desatino.
E crendo nela já acreditou até no amor, mas agora só vive amores ateus.
E espragueja o tempo - Maldito seja! Pois podiam ter dito a verdade desde menino.
 
DESACREDITANDO

O DINHEIRO DA CEGONHA

 
Socialistas, comunistas, burgueses
Esquerda, direita, cativos fregueses
Só sei que nada sou,
Nem ave, nem estrela rubra
E não quero ser até que se descubra
Procuro nas ruas o que o jornal não noticiou
Notícias que viram papel de limpar vidro
Charutos cubanos, luxúria em hidros
Dinheiro público para caras prostitutas
Mas erguem a mão chamando o povo a luta
Pobre de nós, manipulados como uma peteca
Manchete: Dinheiro na cueca!

Sinais do final dos tempos,
Dos tempos da democracia
É a pizza pelo pão de cada dia
E ele ainda diz que não sabia!
Isso tudo me lembrou da vida dura
Pois existe uma ditadura fria
E se a corrupção é a doença, onde esta a cura?
Uma injeção de pura consciência no voto
Chega de eleitor manobrado por controle remoto
E eu no limbo dos “istas” e das localizações,
Mas morrendo de vergonha.

- Nobre deputado, qual a origem do dinheiro?
- Ah, quem trouxe foi a cegonha!
 
O DINHEIRO DA CEGONHA

Ensaio sobre a inveja

 
Desde que o tempo é tempo, o verme do vício da alma
É a pausa antes da punhalada, para depois ver o sangue escorrer com calma
Admiração doentia, vezes confusão sexual, real insanidade
É o mesmo que brinca com a estima e pede humildade
É o fiel da balança que pesa a maldade
Um pesar alheio por tudo, ou quase tudo, alheio
Irmã da paixão desvairada e do ciúme, ela está no meio
O cumulo dela mesma, os invejosos invejam até os invejosos
É a tapinha nas costas, é um falso sorriso e olhos nervosos

Como ladrão que rouba ladrão
Dizem se ocupar, mas esperam os anos de perdão
São vampiros, alimentam-se da vida alheia
Para não se alimentar da própria vida
Fazem do ser terra estéril onde o bem não semeia
Vão chamá-lo de “meu querido” e “minha querida”
Sondam o coração do homem e o que o faz bater
Instintivamente se riem ao ver perecer

De mãos espalmadas negam invejar, rezam até de joelhos
Reproduzem em suas mentes inimigos, tal qual coelhos
Negam as intenções procurando o espelho para se ver
Apontam o dedo do implacável Deus de Abraão
Somam pesadelos com uma fila de fantasmas a cobrar
Fazem-se magoadas, julgam e enfim jogam corpos ao mar
Acusam santos de bruxaria e os queimam na fogueira da inquisição
Mas o inevitável é que se afogam de fato, carburam de fato, e pelo reflexo do espelho vêem-se perecer.
 
Ensaio sobre a inveja

Ala dos poetas

 
Cansado, quis-me louco
Fui o que se espera durante um bom tempo,
Mas foi pouco
Não podia ser são para o mundo adoecido,
Nem despercebido ser louco para mim
Mesmo assim fui pego pela Realidade na primeira esquina
Essa pau-mandado, psicopata de cada dia
Obrigou-me a ler jornal e pagar conta
A dizer sim senhor e sim senhora
Aguardar o salário no final do mês
A caminhar em círculos para o final das horas
E ser mais um num caminhão de chinês
Ainda me fez anotar o protocolo de atendimento
Outro dia recebi um envelope oficial
Informando da necessidade internação urgente,
Dizendo-me são para bagunçar minha mente
Essa burocrata forjou um falso teste de sanidade,
Pelo menos fui parar na ala dos notívagos, boêmios e poetas,
Na Casa de Custódia e Tratamento Sociedade.
 
Ala dos poetas

A morte do Pequeno

 
Se há pecado no amor,
É fazer o homem amar como criança
Estufar o peito e brincar de ser forte
Para fazê-lo levar um corte,
Que nem sequer leva pontos e sangra no invisível
Decretar a morte do Pequeno invencível
E já morta é um fantasma infantil num mundo de adultos
Que como fantasma chama os homens de vultos

Se há pecado no amor,
É fazer o homem amar como criança
Para depois partir pelo desavisado capricho
Dar adeus com a covardia de um cochicho
E o homem-menino, nu de si mesmo, nascendo do lixo
Fingindo ser grande, engrossando a voz, vivendo um clichê
Velando em pequeno caixão o que não pode entender
Caminhando como o Homem que precisa crescer.
 
A morte do Pequeno

O imperfeito roga ao Pai

 
Senhores feudais, arcebispos, ditadores, presidentes
Mudaram de roupa, cortaram o cabelo, clarearam os dentes
Meu Deus!Não param de vir ao mundo,
Usando a todo carma e a todo custo,
As velhas artimanhas e velhos sustos
Para fazer entre nós o mal fecundo

Mandatários, Latifundiários, Senhores de escravos
Contam dólares enquanto o menino de rua conta centavos
Viram velhos gagás babando por meninas
Fazem o povo se vender e alimentar a velha sina
Sobrenomes, sobre tudo e sobre todos
Instalam o terror em vários mundos
Fustigam o conceito de exaltar o preconceito
Palpita o coração do indignado que rebola no peito
E o Monstro se lambuza e lambe os dedos
Implanta um regime de repressão e medo
Usa o sangue do povo para assinar ofícios
Cheira carreiras de almas e alimenta todo vício
Ameaça tolher o que nunca deu de verdade
Faz da obrigação uma falsa caridade
Financiando o fim do mundo com verba pública
O demônio assinando licitações com sua rubrica

Espalmo as mãos e fecho os olhos em prece,
Rezo rápido porque essa gente se esquece
O maior meio de “cultura” já fez questão de esquecer
Peço infertilidade para as mães desses filhos da puta
Peço perdão, mas peço para ver se Deus me escuta
Porque esses velhos monstros tem que parar de nascer.
 
O imperfeito roga ao Pai

SIGLAS

 
Não era felicidade, era Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Não era amor, era Síndrome de Estocolmo.
Não eram dias bons e dias ruins, era Transtorno Bipolar.
Não era indiferença, era Transtorno de Personalidade Esquizoide.
Não eram ciúmes, era Transtorno de Personalidade Paranóide.
Não era tesão, era Síndrome de Excitação Sexual Persistente.
Não era frio na barriga, era Síndrome do Cólon Irritável.
Demorei a descobrir, eram muitas siglas, eram muitos diagnósticos.
Não sai ileso, “adquiri” Insensibilidade Congênita a Dor.

(J. Victor Fernandes)
 
SIGLAS

AS VERDADES DE UM INSTANTE

 
Naquele micro instante fui um narrador onisciente
Não é só o que é belo que se vê,
Vê-se um mistério, a juventude ainda quente
Vê-se o pensamente vagueando, vê-se também uma armadilha
Pode não ser nada, pode ser uma trilha,
Dali ao infinito desse lugar que a prendeu
Ela vive em algum tempo que talvez não se liberte
Jogue os dados e observe inerte,
Porque Ela é gente e aparição, porque Ela é outro bicho,
Pode ser cruel por ser leal a sua abadia
Mata e morre num cochicho,
Pedirá amor e pedirá perdão, lhe dirá que não sabia,
Ela é perfeita, Ela está quebrada, se refaz no mesmo claustro
E você, mero Você, saberá que foi uma prisão construída por outro
Tenha a pretensão de caminhar em areia movediça
Ela dá o sopro da vida, mata e manda rezar a missa
Ela sabe que observo, antes de antes Ela já percebeu
Mas o certo é que não vai demorar em vestir um sorriso,
Para aprisionar sem aviso,
O narrador desavisado no mundo seu.
 
AS VERDADES DE UM INSTANTE

CONTRA A CORRENTE

 
Contra a corrente que aprisiona a mente

Contra a corrente que aprisiona a alma

Contra as amarras que nos dão uma falsa calma,

Prendem-nos e não nos deixam reagir

Contra a corrente da mesmice que compromete o existir

Contra os grilhões que invertem os valores

Confundem os normais e criam tantas dores

Contra a corrente que se diz majoritária

Que do alto de uma montanha solitária

Usam caras canetas para cometer um genocídio mudo

Peças em um gigante tabuleiro, usados como escudos

São tantas Marias, Josés e Antônios

Cegos pela penumbra de velhos demônios.
 
CONTRA A CORRENTE

Busca Vida

 
De Barcelona a Calcutá
Busquei o som do amor para embalar a vida
Na terra, no ar, no mar

Aquele mar era a vida tão calada
Um flamenco em um deserto de água
Procurei, não te encontrei no turbilhão
Um balé nas profundezas, um oceano de incertezas
Me afoguei em uma maré de janeiro
Mas eu sei, me perdi de mim primeiro
E voltei a navegar

De Buenos Aires ao Panamá
Busquei o som do amor para celebrar a vida
Na terra, no mar, no ar

Minhas asas não eram mais fortes que o ar
Vivi uma música de Gardel, um filme com Darín
Assim sofri uma dor que não passava
Fui expulso do meu falso céu
Fumei mil cigarros, xinguei a presidente, tomei antidepressivo
Mas estava vivo, procurando uma saída
Quis entender o meu destino, quis entender a vida
Vivi um drama Argentino
Não virei tango por um triz
Lembrei-me do menino... E quis ser feliz

De Barcelona a Calcutá
De Buenos Aires ao Panamá
Daqui a qualquer lugar
Busquei o som do amor para completar a vida
No mar, no ar, na terra

Como a vida que começa, como a vida que se encerra
Tenho os pés no chão, embalo uma canção
E querendo ser feliz celebro a alegria, apago a tristeza como pó de giz
Do que já sei... A vida é melodia que tem ferida e cicatriz.
 
Busca Vida