Poemas, frases e mensagens de Jorge Santos

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Jorge Santos

Se te desse a lua ...

 
Se te desse a lua ...
 
Se te desse a lua,

Se dessa lua me ouso lavar,
Pois me deste tu a lua só,
Dou-te eu o mar enchente,
Se nesta lua houve um mar,

Atlantes, dantes homens-peixes...
Se te desse a lua nova à talhada,
Encantado seria eu na voz, na pele
E devoto do crescente, doravante

Pra louvar d'hora
A hora e por diante, escama
Do tempo sem tempo,
Tal como a memoria dum "Olifante"...

Se te desse a lua,

Iria de bicicleta, directo
A ela como quando saía da escola,
Antes de me estatelar,
Na areia do sopé, no escorrega

Lua cega, me lembra
O começo quando lançava
Flechas ao vento e o tempo
Não mais me abalava, lua sem peso

M'alembro do teu luar,
Se te desse a lua, lavava
Os meus olhos no mar,
Se te desse a lua,

Secava ao sol, as lágrimas e o sal...

Jorge Santos (19/06/2015)
http://joel-matos.blogspot.com

A vida não suporta o ermo lunar, requer um toque divino e feminino infinitesimal q.b.e que permanecerá depois dos Deuses morrerem,eles todos e das essenciais mutações se processarem para que a vida permaneça viva e bonita mesmo sem que, de viva voz ou ao vivo, nós a presenciemos.
Desejamos o impossível, o inútil,lançamos ao vento na esperança que renasçam as sementes do que pensamos ser vitorias e batalhas que outros seres vivos,também eles divinos e crentes a sua maneira, perderam batalhando.
Somos donos de uma alma insatisfeita, lunar e mesmo misteriosa, possuída de esperança hereditária,conquistámos a Inteira Terra e pouco mais porque o infinito não é possível ser possuído e porque temos dúvidas que em nós mesmos possa ocultar-se a porta do futuro.
Olhamos para o céu, comovidos por que ele assim seja e não como uma esperança de vida, um laço que nos prende ao infinito parente afastado.impassível...
O ermo não suporta vida, apenas a preciosa duração de um sentir, tal como o universo em nós.
O cheiro que tinha o primeiro instante, o momento primordial é o respirar quando cheira a chuva à terra.
No entanto existe uma lembrança ainda mais espantosa, uma saudade no fundo dos nossas almas, sem explicação, de alguma coisa desconhecida que não podemos evitar sentir, por tão simples o apelo com que a vida se cerca por todos os sentidos e de todos os lados e que devemos seguir e amar com toda a paixão como se fosse e sendo o respirar do planeta em uníssono connosco, celebrando a vida.
O futuro é um sonho, recomeça sempre, se mantivermos o sono cheio dos despertares garantidos pela felicidade das viagens do passado...

Carpe Diem
 
Se te desse a lua ...

Coração duende ...

 
Coração duende ...
 
Amo-te sem saber como,
Tomo os espinhos por
Rosas em botão e o ocre
Sabor de terra por açafrão,

Cominhos, amo sem saber
Eu como te amar e quanto
O amor é triste ou forte,
Vivo montado num escadote

Pra ser visto com nitidez
Por todos e por ti que me
Lembras a lucidez do campo
A brisa no meu cabelo branco

Amo-te sem saber como
O que conheço é um sentimento
Que ninguém tem tal como
O vento que ninguém conhece

Mas sente, eu sinto que amo
Mas nem sempre nem toda
A gente ou lugar e o céu
Não tem explicação pro que sinto

Sem razão aparente, espinhos
Açafrão e cominhos, rosas em botão
E o ácido da terra quando chove
Nela e em meu coração duende ...

Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Coração duende ...

No fundo ...

 
No fundo ...
 
No fundo,

Sou outra pessoa ao pensar,
Mudo tão completamente
Que os pés ponho, ao lado da boca
E o cérebro na ponta dum garfo

Rombo, sinto ser outra pessoa a pensar,
Tenho fome do que está pra'lém do fim,
E no que sinto me enrolo,encaracolo
Pra sentir o pensar com a boca

Em roda dos ridículos testículos
E o dedo grande do pé nos dentes
Com que descrevo mil varizes,
Estendendo-as ao comprido"

Embora só às vezes entenda,
O que dizem ao passar, plo pensar
Que não sendo meu, sou eu o outro
Ou outra gente no meu pensamento,

Bem lá no centro, a pensar ser eu,
Quem pensa com'ess'outra Pessoa,
Que no fundo soa e sabe a mim...
Sempre ... sempre... sempre...

Jorge Santos (06/08/2015
http://namastibet.blogspot.com

No fundo sei que de trás e de frente
apareço em cada obra que creio ser minha
embora saiba de sobra, em Réis
ela valer tão pouco e que eu nunca

Serei quem ...

(Jorge Santos)
 
No fundo ...

Em tempos quis o mundo inteiro ...

 
Em tempos quis o mundo inteiro ...
 
Em tempos, quis o mundo inteiro,
Hospedado no peito, redondo e obeso,
Perpétuo como um relojoeiro,
Um peito de soldado raso, desconhecido...

Era criança e havia amar,
Eternidade, justiça e razão...
E um lar... um veleiro vulgar,
E um timoneiro sem tripulação.

Hoje sou ilícito e estrangeiro,
Partido fui; metade do coração, eu entendi...
E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro
Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.

Acabei por fim, a não pensar em nada,
Até que acabou o meu tempo,
Escondido numa caixa enganosa, redonda…
Num habitual descontentamento.

Eu...a quem o mundo não bastava,
(Se nem eu, nem ele sabíamos que o outro existia)
Agora, pouco do que tenho e sinto, é seu...
Nem isto que escrevo, indefinido e a eito, sem serventia...

Basta hoje o dia não ser tão feio,
Pra ver no céu fiel a alegria que sinto ainda no peito,
Porque na terra, o que esperava não veio,
A minha alma foi sepultada num árido e seco deserto.

Joel Matos (04/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Em tempos quis o mundo inteiro ...

Janela de sotão

 
Janela de sotão
 
Janela de sótão

Chove sim, Nada demais,
Aqui vivo dentro de mim,
Pois aí não chove, apenas
Adoço e colho a sensação que

Ouço da janela, como uma
Súplica de quem chama
Assim por mim, sem querer
Coisa alguma, apenas chover

Certo, assim sem sossego
E sem parar,chove sim,
Nada mais que chuva, a chuva
Cai-me da mão, fria desolada

Cai no meu coração faz tempo,
Um conveniente vão abriga
Minh'alma, ind'agora lá fora
Chamava meu nome e chiava

O vento suplicando, agora
O que ouço é apenas chuva,
Dessa que adoça ao chover
A sensação de gostar tanto

De viver dentro do vão de
Sótão à janela, abrigado do
Vento que ind'agora chiava,
Chamava chamando p'lo

Meu nome e agora nada,
Ouço da janela apenas uma
Súplica lavada que clama
Assim solta, sem m'inspirar

Coisa alguma, apenas chover,
chover, chover mais nada...

Jorge santos (02/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Janela de sotão

Não entendo...

 
Não entendo...
 
Tod'o sentir m'entende,
Tod'o entender se sente,
Só eu não sei explicar
Como é viver sem sentir,

Embora sinta ao passar
Do tempo, tamanha
Nostalgia mas apenas no
Pensar, sem entender

Que o pensar não somente
Passa, como não sente
Como eu sinto, sem
Saber explicar o que minha

Alma pensa, sem passar
Do sonho ao normal
Sentido e ao presente,
O que sente de real

E não entende, apenas
Essa sensação não some
Por nada, nem que enrodilhe
A alma de conjunto com a Terra

Toda e a dor de não ter
Nem entender o que é este sentir
Imenso dentro, onde o tenho,
Não entendo, não entendo,

Não entendo......

Jorge Santos (11/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Não entendo...

Vivo numa casa sem vista certa

 
Vivo numa casa sem vista certa
 
Vivo numa casa de pano pintado d’mar e vestida d'vento,
Sempre virada ao tempo, mesmo ao vento hostil do norte,

A maré protesta do interior dos búzios e na casa d’ fronte
Alguém vigia pelos vidros, d’noite e abala quando desperto,

Nem a conheço, nem sei porque escuta nos búzios lá fora,
Talvez deseje algo e não encontre no ermo, o que procura

Ou espere vindo da espiral, algum rumor humano.
Vivo na praia p’ra me fundir nela, deslembrado e lugar-comum,

Se nem música ouço cantar as paredes de papel e pano,
No meu lugar na casa de trapo, sentado em lado nenhum.

Vivo numa casa povoada do assombro das horas tardias,
Escoam-se nas linhas de chuva pingando do telhado,

Conspirando na infinita monotonia de vidas esquecidas,
Na casa ao lado, não sei quem dorme e se levanta cedo,

Pois todas as noites, o desassossego é íntimo da morgue,
Com um bando de tordos, a entrar e a sair trajados de preto,

De madrugada, cerro as portadas e acautelo do furto,
O refluxo do mar imerso, de quem, com olhos ávidos o persegue.

Vivo numa casa arrendada nos subúrbios e em ruínas,
Jurei lealdade ao senhorio que recebe o arrendamento,

Mas infiltra-se p’las fissuras raios da luz d’outro tempo,
Em que o julgado era mudo e condenado a luz de velas,

Deambulam pelo patíbulo da forca na casa contígua,
Ouço-os berrar numa berraria abafada pela água

Da enxurrada, que corre nas telhas e se torna em oceano,
Eu escuto no escuro, através do muro da casa de pano.

Vivo por aí ao Deus-dará, (sem etiqueta)
Envergando velhos sentidos d’trapo,
Guiado por falsas vistas e na falta

destas, apenas pelo tacto,
Sem morada com vista certa…

Jorge Santos (11/2010)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Vivo numa casa sem vista certa

É fácil apagar pegadas...

 
É fácil apagar pegadas...
 
É fácil apagar as rasas pegadas,
Difícil, porém, é caminhar
Sem pisar no chão a sombra
Nossa, cúmplice do corpo,

Não a podemos deitar fora,
Nem a deixar no chão, onde mora
E onde a pisamos, está
Acostumada a ser humilde, humilhada

No equilíbrio quasi perfeito,
Entre o vazio da alma
Minha e o chão despojo, aconchego
Do nada que passo sem rasto,

É fácil apagar as pegadas,
Mas ninguém dispõe flores,
Onde não há vasos nem berços, só
Terra estéril, solo e pedaços

Que juntados não fazem um paredão,
Mas cabem justo numa pegada inteira,
Sob os meus velhos sapatos
Com buracos tão junto ao chão

E aos ratos da sola na biqueira,
É fácil apagar meu rasto,
Cúmplice do que nada sou,
Mais fácil é apagar o que nada faço,

Pra mudar este reles mundo meu,
De vaso ou calçado
Ou de uma simples menção na lápide,
Do cemitério público, junto aos legumes,

Sem vagas nas altas campas, apenas nas rasas,
Ignóbeis, estúpidas, esburacadas no chão,
Onde morro sempre à hora da "siesta"
Dentro do roto sapato que me não

Dão e nem é meu, o outro
É do ladrão que o roubou do público
Careca e apagado…

Jorge Santos (01/2015)
http://namastibetpoems.blogspt.com

Não vejo as tuas pegadas
nem escuto os teus passos,
pois és feito de silêncio
e de invisibilidade.

O real não é a medida
da nossa percepção.

Eu creio no que não vejo,
no que não ouço, nem toco.

Os sentidos me apequenam
e a razão me aprisiona,
o corpo me faz mortal.

Tempo e espaço são o cárcere
do prisioneiro ilusório.

Quem crê em suas paredes,
não pode ver o infinito.
Valter da Rosa Borges
 
É fácil apagar pegadas...

Ceramista quântico

 
Ceramista quântico
 
Julgo que vida seja dista,
Mais do brilho estelar, quanto
Da consciência conjunta
Destes seres terminais,

Cerâmicos quanto o narrador,
Quebradiços quanto o espaço,
Quimérico quanto um vasto
Duvidar que vida seja disso

Vasilhame, vaso do que se diz
Que brilha e é espaço consciente,
Se eu visto isto e isto em 2 pernas,
Além de narrador narrado

Que ser cuido, trapezista galáctico,
Ceramista quântico e vasilhame.
Julgo que seja dista a consciência,
Duma outra que real fosse, à outra que

Menos nos custa embora egoísta,
Sobreviver ao conhecimento cerâmico...

Jorge santos (06/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Ceramista quântico

Poema da linha do Horizonte

 
Poema da linha do Horizonte
 
Poema da linha do Horizonte.

Entre o aonde e o perto, decerto
Escolho o longe e o beijo do deserto
Distante, Homérico…
Por ser mais incerto se me perder

Pressuposto é…
Poder ver de-lá, o sol-posto,
O céu cor de escarlate e bege,
O beijo do sol-poente
E as montanhas de fogo
Estenderem-se p’lo horizonte,
Pungente de leite-creme e nata.

Prendo a amplitude d’um folego,
Não vá desaparecer de repente,
O ilógico e frágil,
Encanto,
Um mágico com estandarte
D'invólucro, de fractal silêncio,
Envolve-me a razão,
Como um feliz queixume…
…A-céu-aberto

Será caso pra que se não erre nós, caminhos
E cruzamentos, assim como
Se não erra, nos sinónimos
Da palavra te-amo,

-Amo o longe e o pra’onde
-Amo o incerto e o lugarejo
E que o vento, me convide
Pra um pais longínquo,
Aonde ande o descalço,
O mago e o beijo do horizonte.

Jorge Santos (03/2103)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Poema da linha do Horizonte

A mariposa e eu ...

 
A mariposa e eu ...
 
Quantas vezes te sinto tão perto,
Que ignoro o que seja ser um outro sentir
Meu,tantas vezes te sigo decidido,
Que nem sei que decisão tomar,

Ao sentir o som do teu vestido,
O perfume do teu discreto passar,
Quer sejas tu ou o pensar meu,
Que por vezes sinto, como quem

Sente ser de verdade, o sentir
Que não se tem certo, mas se sente
Como quem te tem por perto,
Quantas vezes sinto tão bem,

Quando tuas asas de ar voam rente,
Ao meu outro sonho morto, tão chão,
Tão curto. Quantas vezes sinto teu corpo,
Por definir na relva, tua voz no arvoredo,

Quantas vezes nem terreno meu coração
Tem, nem é sendo...

Jorge Santos (03/07/2015)
http://joel-matos.blogspot.com

-Nada é meu-
É tudo o que sei,
Nem o destino,
Esse despropósito
Sem bolsos,

Ainda tive esperanças
Que estatisticamente
O sol se pusesse à mesma hora
Para que eu o admirasse
Todos os dias,

Mas só um louco
Assim pensaria
E eu assim optei
Pelo cenário oposto,
Em não ser dono do sol posto,

Aceitar-me como sou, sendo
Nem dono do destino,
Nem mesmo dum pote vazio,
Sem ouro,
Como dizem,-"estava escrito"-

"Nada é meu"
Talvez seja o desejo, o mais
Perfeito dos erros
Que trago nos bolsos cheios,
Por não ter outros,

Para encher de borboletas
E sonhos doutros...

Jorge Santos
 
A mariposa e eu ...

Permitai-me ser triste ...

 
Permitai-me ser triste ...
 
Permita-me que silencie o contentamento
No rosto, se hoje me acenavam
Ainda, foi por bondade ou o oposto,
Pois sorrisos bons, nessas bocas não moram,

Deixai-me, pra que morra,
Sem saudade nem lembrança,
Porque se, a esperança ainda aqui se demora,
Vai abandonar por certo, esta minha praça,

Fico grato a quem me conheceu,
Mesmo que não tenha visto as minhas gotas
De lágrimas, como eu as sinto, caídas do céu,
Que não posso descreve-las, de tão belas…

Nunca fui hábil, na arte de amar o vizinho,
Nem noutra qualquer arte,
Deixai vir a morte, de mansinho,
Pra que também esta, não me “tome de parte”,

Permita-me que, seja o mais triste,
Que o silêncio consente,
Porque, se viver é um “estado de graça”,
Em cada dia que passa,

Agradeço a Deus, o aval concedido,
Mas deixai-me por favor, ficar calado,
Apreciando a sorte,
De poder ser triste sendo contente…

Jorge Santos (02/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Permitai-me ser triste ...

Espaço ponto .

 
Espaço ponto .
 
A esparsa banalidade do estéril
É uma forma de dizer, insisto, estou
No que estas lagunas palavras geram
Do alento que nem certeza tem, sendo

Ou que o coração pudesse ter e quanto,
Esse esforço todo, pra dizer tão, quão
O nome meu, em garrafas de soda,
Vidro Cáustico em, ou mar aberto,

Com alguma mensagem rosto dentro,
Que fosse entendida plo tempo,
-Eu não sei ler o espaço linha-
Linha espaço, estéril e banal,

Ileso tanto como o original, o vago,
-Quando eu pensar sereno, lousa,
-Vai-valer-a-pena- Abraçarei sem medo,
A inicial loucura que tinha natural,

O aspecto desta minha máscara futura,
-Louca extravagância-espaço ponto.

Jorge Santos (29/01/2015)
Http://namastibetpoems.blogspot.com

Nunca encontrei uma pessoa que tivesse as letras no canto superior da boca
Nunca encontrei uma pessoa que oca fosse a ponto de soar a eco as letras que consome aos poucos
Que dançam entre dentes e os significados destas se poderiam chamar
De discursos de paisagens e pensamentos, nunca conheci a ninguém os
Medos que tem nem pelo significado dos sonhos, julgando-se um outro
Nunca encontrei uma vida inútil em qualquer ser humano nem um padrão
De loucura igual na profissão que algum poeta escolheu sem ser autentico
Nunca encontrei do lado de fora das roupas um homem que tivesse fome como Caeiro
Ou um coração resguardado de tudo o que não quer nem a lama azia
Nunca encontrei numa pessoa escondida a morte ou a ferida que eu não pudesse
Ter na minha nem o sonhar nem o gritar completo do pouco que sou
Nunca encontrei quem tivesse as letras no canto da boca e na garganta
A vida como se fosse uma maldição e eu tenho tudo isso e mais sou honesto demais
Pra ser possível ser todos os homens ao mesmo tempo
Tenho o prazer de conhecer quem vive com o peito cheio como eu fiquei
De viver conhecendo quem encontrei com letras no canto da boca
E esperança no rosto deste todo
Suponho que serei célebre pelo que disser mas celebrado serei pelos versos que não escrevi porque não sei sou o obstáculo que de mim próprio me tomo, o verme.
Nunca encontrei no sábio uma frase incoerente como em mim as sinto, nem nos olhos a realidade física idêntica a minha.
Não tenho nada semelhante ao que encontrei nas ideias de outros nem o mesmo fraque me serve nos dias que sinto impar e verdadeiro.
Aquele fato cinzento significa tanto mais que a minha vida incómoda nada significa a mim próprio
Sou protagonista de uma comédia servida ao balcão de taberna acompanhada de um copo de três
E morcela de tédio servido sem exigência nem emoção, mas de fraternidade aos ombros.
Nunca encontrei um homem que pensasse sozinho tão puro todos os dias; jamais encontrei alguém completo de condição.
Nunca encontrei palavras subtis pra dizer obrigado porque sempre achei inútil obrigar-me a
Viver com outros sob um mesmo tempo, jamais o eco destes me atiçou o coração,
Sou mero observador casual e imagino-me incurável não faço esforços para me curar de todo
A facilidade de escrever deprime-me, largar frases como peixes sem anzol é uma necessidade que não me dignifica aos olhos de uma sociedade abdicada de ânsias desinteressada em se entender totalmente.
Nunca conheci um homem perfeitamente fragmentado no corpo e no espírito que possa exigir ser percebido integralmente e criteriosamente como obra de arte, ele próprio axioma.
Carpe-Diem digo eu, se vivesse de noite teria a forma e silhueta da contraluz do paradoxo porque tudo é “talvez” desde que me sobressaltei ao nascer doutra vez, talvez…
Não há critério ou critérios específicos que definam arte, objetivamente e em função de parecer verdade fundamental ou falsa premissa da hipocrisia, uma obra ou ideal tal como o chop suey de porco com molho agridoce comparado com a arte milenar de uma venerável e bela Gueixa no Japão Imperial do ponto de vista dos desdentados de curta-metragem de um país que eu amo com ódio e odeio por amor.
Já os nossos venerados cachorrinhos fofinhos e brincalhões são pitéu para outros paladares, esses também veneráveis e ancestrais por isso dignos do nosso maior respeito.
O pensamento é definido entre o causador e a causa, e esse pensar paladoso é sempre susceptível de contradição mas essa é em si mesmo a origem e a razão da arte, a contradição do autor.
Não pode haver critérios bem ou mal cheirosos, censuráveis ou boa/má censura só "porque dá jeito" ou cairemos num ridículo pântano sem ideias onde ainda a Terra era, seria o centro do universo ou onde o Islão não pode ser retratado como animal comível.
Também Mike Tyson comeu a orelha de Holyfield e não se tornou sacrossanto canibal,, antropófago bokassa ou menos escrupuloso nos punhos, na língua, no palato ou nos dentes todos apesar da indigestão que deve ter o primeiro experimentado.
Nunca encontrei uma pessoa que tivesse as letras no canto superior da boca.
Trata-se apenas de um efeito induzido em que uma ideia induz uma outra ou implica uma negação de outra ou outras propostas.
A contrariedade também em si é uma forma e consequência da existência do discurso artístico, logo também possui arte.
A arte existe em cada célula do nosso corpo e mesmo tirando dois ou três cabelos do peito e um ou outro da cabeça não deixa o conjunto empobrecido, podemo-nos desunhar que também isso é arte e glória
de ser Humano e contraditório.
Gogh falhou em todos os aspetos da sua vida comendo batatas do pequeno-almoço ao jantar mas ainda é uma inspiração e a orelha perdida não o tornou pintor menor ou menos intenso, tal como Mike Tyson, apesar de hoje poder ser reconstruída cirurgicamente.
É a intensidade com que vivemos que determina os traços fractais e faciais da nossa arte, sejamos intensos pois já que somos originais tal como as nossas mentes musicais, únicas as impressões que deixamos e serão sempre originais porque nós mesmos somos a nossa soma dos cabelos e porque a beleza nasce e assoma em nós por de dentro afora (sempre).
O verme de que fala Machado é humano também intenso e Ciúme e eu tenho ciúme de quem sabe ser mais intenso que a intenção que eu sou, tenho em mim um tição que embora arda não rende a obra que quereria, outros talvez sim...
Desta discussão nasceu a leitura do bom de Assis e isso é tão verdadeiro quanto o centro do universo onde tudo o que importa é o caos e por isso mesmo a construção reconstrução infinita já que não podem existir separados, jamais.
Nunca encontrei no sábio uma frase incoerente como em mim as sinto, nem nos olhos a realidade física idêntica a minha.
As normas e regras são uma falácia, há que subverter para criar o incriado que existe no estômago deste verme humano mas miraculoso.
Voltando às analogias entre Gueixas e “Shop suey” de Porco e, tal como ninguém é obrigado a gostar de qualquer uma das iguarias, muito embora eu me sinta mais inclinado pela mais vertical das duas, na escrita passa-se o mesmo, enquanto Ary ancorado ou Manuel Alegre, para mim não passem de uns encarniçados atores políticos de diferentes ideais ou cores (mais pra vermelho a minha) e o mérito premiado de fazedor de dinheiro caiba sem dúvida a um Paulo Coelho, sem dúvida que os respeito não fazendo deles modelo nem religião cara.
Perdão, acabei de esgotar os meus 11 minutos e "aí é que a porca torce o rabo" como diria o meu Mestre Caeiro e que morra o Dantas e viva Negreiros…
Sou honesto demais pra ser possível ser todos os homens ao mesmo e a um só tempo
Quando se ama se faz realidade do que deu a imaginação enquanto se não viva
é como se nem a luz sobreviva à sombra nem venha pra dizer Adeus
Com a noite, tudo fica calmo, (e frio), foge a consciência, do sítio definido e defendido p’lo dia pleno.
Soubesse eu, trancar o encanto em mim, por de dentro
E suspender o rio na nascente como se fosse uma ideia ou um cateterismo sem fluxo.
Um abraço meu, eu que não amo ninguém.
e Sambem... E o mundo por mim dance também o peito pode não bater nem sentir amor,
Vinguem por favor meu sofrer profundo sem ser gente, E rio chorará como os demais... Indiferente.
Se depois de ser eu deixar de existir todo eu quero que escrevam que existi entre o dia que eu comecei a escrever o dia sem sorte em que morri de verdade sem nada de importante ter sonhado
uma lápide e um nome de morto não é sonho nobre nem rua ter meu nome nem uma estrela
nem um sol por num rol de mercearia num cardápio de restaurante chinês depois de eu deixar de ser quero ter o meu nome gravado no canto
superior direito tombado em letras castanhas claras e sublinhadas a carvão num livro de capa amarela azul
e mole vendido a pobre na mercearia da Dona Cremilde Fuzeta da ponte de vida têm alguns de restolhos secos outros Demos vós outros faunos mas no fundo queremos tão não sentir a solidão em nós como um castigo vão e sem mais de menos
Meu Deus porque me dás sol e chuva sem isto na alma se soubesse compreender a natureza do homem
explicaria a justeza de mim a Cristo talvez soubesse ele porque existo tão longe dessa natureza minga
que sou mas estou tão disto meu Deus porque me dás este sol e só isto meu Deus ou Cristo
Desejaria ter os bons em roda d'mim gostaria que o meu querer tivesse na revolta o completo escrever e este fosse sempre uma descoberta sem trégua sem compasso nem esfera armilar
Mas com cornos em riste em vez de empunhar rendas palacianas e prendas avarentas
de deuses menores que eu, às vezes
Lábios, ensinai-me o trilho do olhar Dos símbolos a soletrar as letras
e a alinhas as coisas breves que a vida tem efémeras e boas
duráveis...fé em mim...
 
Espaço ponto .

Simples, como toda a vida fui...

 
Simples, como toda a vida fui...
 
O acto supremo da simplicidade
É o ser capaz de sentir a natureza
Exaltar-se quando meia primavera,
Amadurecer no verão ,paliar

No Inverno o coração com o cetim
Dos sonhos pra o sentir tranquilo
No bocejo da seiva, simples como
Fui eu toda a vida e ainda as mãos

Dessa tranquilidade vêm salpicadas
De gotas e da idade, tento de facto
Sentir a natureza e quando estou
De bem comigo próprio, as árvores

São o que me faz parar para respirar
Grande e talvez o mar, o luar e o vento,
O facto supremo é o que faz a alma
Ao talento distar menor e isso acalma

Da natureza as folhas e a erva, quanto
Mais a minha pele salpicada de gotas
De água, de todas e das muitas fontes
Minhas e frias, rios, cenários decerto ilhas

Mil e estradas em Abril, Maio, Junho,
Juro...

Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Simples, como toda a vida fui...

O risco...

 
O risco...
 
É um risco, por onde vou, decerto
Não preciso ir, mas alma bravia e cigana
Não tem estadia certa, quer chão
Duro como almofada e sem fronha,

Brando, o corpo, sem dúvida (decerto)
O pó da estrada o tornará bruto
E deserto, tal qual aragem seca do bocejo
De equilibrista antes de cair morto

No chão. É um risco, por onde vou,
Decerto vou encontrar das mesmas
Estrelas com que povoo a imaginação
E os povos das fábulas e das lendas…

Se esperares por mim, voltarei,
Com todos os sonhos, num saco gordo
Dessas estrelas, com que eles se fabricam,
Noutro mundo.

Jorge Santos (05/2013)
 
O risco...

Continuarei ...

 
Continuarei ...
 
Continuarei a sentir sem coração nem veias,
Continuarei a ouvir o coração nas orelhas
Sem tê-las na cabeça, ambas e parelhas,
Continuarei faça o que faça pra acabar
O arder desta fogueira que arde sem queimar

E sem me acabe de vez o ardor que é viver
Sem ter o coração atrás da orelha bamba,
Nem ouvir meu respirar através da cabeça,
Sem nas dos outros todos encontrar o coração
Que me falta ou que não sinto, a meias como hoje,

Continuarei a sentir o preço preso ao colarinho,
Como um ritual colado no rosto prolongando
A parede branca do sentir que não tenho
Nas veias, nem remédio pro que sou e sirvo,
A meias com todos em pensamentos e expressões

E no meu íntimo...

Jorge Santos (02/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Continuarei ...

Chove, mais nada ...

 
Chove, mais nada ...
 
Chove, mais nada...

Venho da chuva, porque a chuva, como eu,
Não faz sentido, não tenho sossego,
Vejo a chuva cair, como se fosse meu ego,
E eu cego de ver e a chuva se solta do meu ser.

Nego o parentesco que com chuva pareço
Eu ter, nem na alma, suposto era ela
Molhar-me, tão devagar… tão bela. Padeço
De chuva, que cai no meu ser e me esquece.

- Me espera chuva…

Faz esquecer quem sou, chuva que cai
Chuva que soa e cheira a terra e molha,
O que em mim sinto intempestivamente
E não faz sentido sentir em mim.

- Me espera chuva…

Senão morro, num desejo sem limites
De partir com a chuva, rio acima.
Sei que depois lá, nada sentirei
Porque será verão e Estio eu serei.

- Me espera chuva…

Não farei nem ruído, como a chuva
Que em mim cai sem vento, sem tecto.
Venho da chuva invicta, não pesada
Dividida entre o que em mim cai

E a enxurrada, chove, mais nada...
Chove, mais nada,,

Chove certo e linha recta,
chove por bem, por bem chovesse eu
também

Me espera chuva …me espera …

Chove em mim, Nada mais

Jorge Santos (09/2014)
 
Chove, mais nada ...

O cavaleiro da Dinamarca.

 
O cavaleiro da Dinamarca.
 
Quando eu depuser, amarga
A madrugada na Dinamarca,
Será tarde noutro continente,
Quando for eu, um dia desses

Poeira ou folha agarrada,
Na marca do tempo d’andas,
Serei um pouco do nada,
Imprevisível, cioso e portada

Desperto pra todas
As majestosas madrugadas,

Quando eu pensar,
-vai valer a pena-
Abraçarei sem medo,
A inicial loucura,

Que tinha o aspecto
Da minha cara banda,

Estou decidido a ser decidido,
Embora não saiba a diferença,
Entre o decreto e o impulso,
E qual o mais eficiente dos 2,

Contudo decidi partir pro n/sei,
Contra tudo e contra todos,
Pois o conceito de arriscar,
Não tem decreto-lei ou pulso tatuado

Sinto o impulso na veia cava,
Conto com a reacção avulsa
Do coração este e oeste,

Duvido do calor que faz,
Duvido de tudo que faz pensar,
Duvido do sábio do asno,
Duvido até do ar em Março,

Duvido ter nascido autarca,
De uma relação de humanos,
Não duvido do sonho,
Que esta canção conta,

Do mar a mar, em braços
E repete na volta dele,
O meu frio pensar, cento e tal
Vezes certos, na Dinamarca.

Jorge Santos (02/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com

De nada me serve tentar parecer forte
se esta força não servir pra dar a ninguém
nem sentir eu por quem ou alguém outrem
pode ser que envolto na minha farsa, nem falta lhes faça

Talvez um dia mude a modesta sorte à força
e alcance um cem numero com um murro
ou uma pedrada no charco e faça diferença
monstra nas letras desta montra desta Terra

física em cinzas
 
O cavaleiro da Dinamarca.

11 Minutos .

 
11 Minutos .
 
11 Minutos

Oh! Soma de arcaico anjo, doma
Eros, térreos, cerros e demos,
Domai meus erros, Behael e Ur,
Babel cairá e seus chocalhos

Serão hinos, a Javé musical,
A fé será o oceano do fim,
Sendo pedras serei Deus/caos,
Verei, vejo meus erros nos teus,

Venero mutilo o inútil instante,
Gomorra sensível, mas meu,
Anjo de mau-barro, grés,
Arenito, tez do décimo

Primeiro minuto, manganês,
Dilúvio em cine, meu filho
De veludo, meu tudo, arnês
Difícil de prever por estranho,

Os movimentos que anjos
Fazem, do vício de serem
Humanos e líricos. Creio
No córtex, vórtice e guia,

Gaya, aguilhão, rainha,
Perdoa ter abdicado, horto
De seu pai, Zebedeu, tudo o que
Choro é Ceres, demitido Rei,

Anjo bom de barro,
Zebedeu anjo meu, seres
Filho, Arcanjo e Galileu,
Mas igual e meu, com tudo

De mau e bom qual
De Deus vem, ou tem no rosto
O teu, de mau e bom.

Jorge Santos (02/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
11 Minutos .

Segmentos deRosa

 
Segmentos deRosa
 
Adicionei à minha colecção,
Da boca as que disse boas
E não digo já, a que valia
Por dois, das ouvidas da rua

jamais quero tê-las na
Mesa, cabeceira da opinião
Generalista como prova
Que não sou louco

De fora pra dentro,
Prefiro as que substituem
Pequenas impressões
Como seja dizer nada

Sendo o que me agrada
No crepúsculo a adição
Do que é grande e fácil
De meter pelo pescoço

Adicionei à minha colecção
Certos segmentos
Sinónimos de bocas sorrindo
Senão flor,caule,

Será isso que estou sentindo
Na boca, as que disse
Boas, normal você não dizer
nada...

Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Segmentos deRosa