Poemas, frases e mensagens de namastibet

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de namastibet

Por'ti posso ser tudo .

 
Por'ti posso ser tudo .
 
Por’ti, posso ser tudo ou pouco,
Posso ser o tal ser ou vulgar saco,
Posso levar o que não acarretei
E o que esqueci de sonhar, nem sei,
Se trouxe ou consumi,

Pra que a esperança se não me acabe,
Já que sensação de a ter, no meu bolso
Não cabe. Pra’ti, posso ser tudo,
Invisível ou puro empecilho,
Ter caído ao nascer

Causa de suicídio, vasilha,
Teu chão com meu brilho,
Mas não sou tudo, nem ninguém,
Sou, -a desfavor de mim mesmo-,
Catastroficamente incómodo,

E isso a mim, sim; a mim me dói,
Mais que tudo o que possa doer,
No lote que deixo, meu sem ter
Natural semelhante ou igual,
Pra que me consiga explicar e a sorte,

Se soubesse compreender a natureza
Explicaria a justeza de mim
O Cristo, soubesse ele porque existo,
Tão longe dessa natureza eleita,
Que consinto mas não habito,

Que sou, mas estou tão disto
Porque pra ti podendo ser muito,
Pra mim é igual a tão pouco,
Por isso vivo justo o que preciso, na pensão,
Entre a lida fama e o ciente que não…

Joel matos (12/2014)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Por'ti posso ser tudo .

Não fora o mar

 
Não fora o mar
 
Lá fora a frente de mar,
Inútil me parecia
A espuma e a praia rente
À minha saudade parceira

E uma tarde mansa
Na beira do que decerto sinto
Serem as gaivotas
Por mim chiarem

E ao meu ritmo,
Talvez sentindo dentro
Esta minha dor
De mar partido

Entre a espuma
E o que a praia
Me transmite em ondas
De ausência fria,

Tal e qual gente
que ama o que está perto,
Por mais que diste
Na corrente a memoria

Marítima, sangue de um
Poeta ...

Joel matos (30/05/2016)
http://joel-matos.blogspot.com

Não me canso de estar no meio de vocês todos,
de me sentir embalado nas boas e outras menos,
opiniões e olhares vossos,
embora nem os mereça,
nem os maus totalmente nem aos bons completamente,
eles são inerentes ao sermos humanos,
sabem por isso a tanto, todos eles a fortes sentimentos... belos.

Estes poemas são dedicados a todos os que se arranham.
a todos os que se ferem com palavras e injúrias,
(como eu próprio também já fiz sangue e fui ferido)
mas no fundo habitamos num mesmo azul ponto de agua doce e lágrimas,
na vastidão do universo,
no mesmo quarto escuro e vazio segundo uns,
brilhante e cheio de altruísmo noutros pontos de vista, mas vivemos com as mesmas dúvidas dos nossos antepassados,
apesar de tecnológicos parecermos e sermos indubitavelmente paradigmas evolutivos, todavia continuamos e continuaremos invariavelmente humanos ambíguos e frágeis,nus... belos

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill,

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill
 
Não fora o mar

Cansei...

 
Cansei...
 
Cansei de ser chuva,
Por quem nunca fui
Choverei d'enxurrada.
Cansei de chegadas

Morri de chegares,
Reclamei da estrada
Onde não passas,ou viv'alma,
Fiz do sonhar,

Milhares de coisas,
Inclusive cansar,
De pensar que o sonho
Me lavava,

E ele me levou
Ao mar covo,
onde não fui nunca,
No caminho,

Ainda pensei,
Voltar à terra,
Onde chorei enxurradas,
Por tudo e nada,

Sem caminho ou estrada,
A me tentarem,
Mudar a jornada.
Mil coisas

Inventei, mas levantei
E fui onde nunca
Cansei de ser eu,
Curva d'estrada,

Enxurrada, chuva,
Tudo ou nada,
Viv'alma, sonho,
Oxalá não chova tanto,

Pra voltar a ser
Feliz, neste
Outro quarto de lua,
Ou na rua.

Joel matos (28/03/2015)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Cansei...

Inocente e Incriado...

 
Inocente e Incriado...
 
Inocente e criada
Criado eu não,
Não tão leve nem tão puro
Quanto esta coisa

Criada e breve
-A minha alma-
Completa de artifícios
Criados

"Ao de leve"
Inocente e criada,
Nem o meu ser me serve
Criado eu não dele,

Assim Deus me leve,
Nem tão breve nem tão puro
Quanto do chão piso
Eu agora,

Dele adorno...
Inocente e Incriado
Assim me leve Deus
Ao-de-leve,

Inocente não puro,
Alma criada ...

Joel Matos (07/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Inocente e Incriado...

Eu passei por aqui ...

 
Eu passei por aqui ...
 
Eu passei por aqui sim,
Para gastar o tempo
E a espuma dos dias
Úteis, não digo inúteis

Para não romper a cadeia
Dos vários e leais locais
Por onde passo os dias
Por aqui passei eu sim,

Apesar de não ter ponte
Nem estrada por onde
Passar adiante, a memoria
Dos dias não me precede

Mas os dias que passei
Por aqui são o que de mim
Conheço e o que terei
De mais longínquo

Quando todos os meus dias
Devotos terminarem de pensar
E o pousar do pó depois
De eu passar por aqui

Sem mais tempo pra gastar
Nesta estrada sem estada
Nem ponte nem nada,
Eu passei por aqui...sim.

Joel Matos (03/07/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com
 
Eu passei por aqui ...

Pois tudo o que se move é sagrado...

 
Pois tudo o que se move é sagrado...
 
Muito mais que estas raízes férreas,
Tudo que é sagrado, penso ver
No ar, que me move o pensamento
Na direcção do céu, mais que raízes,

Estas tão térreas, não que não seja
Dum lugar sagrado, mas o desejo,
É penetrar nos sentidos dos céus,
Que me tiram o fôlego de madrugada,

E ao sol deposto, pois tudo quanto
Se move é sagrado e quando
Está quieto é terra, e dizer que amo,
Não chega, a Terra não entende

Nem eu a entendo, (me desminto)
Muito mais que estas raízes,
Estático é meu corpo e certa
A insatisfação deste pensar de pedra

Feito mas sustenta no meu ar,
As raízes que pensava caírem dos céus,
Meu sustento aqui na Terra,
Num desalinho total de raízes aéreas,

E céus tão meus, mas tão distos,
Quando da terra o céu me arrepia
A pele, mesmo quando não há estrelas,
E nem o céu fala comigo a noitinha,

Dizendo que me ama e sou seu,
Quanto mais estas raízes térreas,
Tíbias e finas...efémeras,brancas...

Joel Matos (18/08/2015
http://joel-matos.blogspot.com

De facto, sou alfaiate
De uma paisagem
Que sei existir dentro,
mas o disfarce que uso,

E de cantoneiro do
Caminho que vai daqui
Ao não-sei-será, pois ignoro
Se existe outra ou me acolherá

Esta quando aqui não for lugar
Meu, de facto...

J.S.
 
Pois tudo o que se move é sagrado...

Eu digo não

 
Eu digo não
 
Eu digo não ...

Eu digo não ao brilho tolo,
Não quero em fatias curtas,
A vontade dum povo todo,
Quando é a vítima e o bobo,

Não quero viver ansiando,
Por migalhas tam-poucas,
Sendo eu Interprete terrestre
E actor das Histórias loucas,

Desta gente com coragem
De dizer - Não ..Não
Quero a minha vontade presa,
Nem a prisão de pensar ser outro

O brilho ou ver o brilhar
Não daquilo que querem
Que eu veja e deseje nas montras
Mas o que me interessa ter,

A fatia do pão e não o bolor do bolo
E a mesa cheia de quem interpreta
A historia louca deste povo,
Que não é idiota nem tolo,

Mas a cereja rubra do topo
E quando "se toma de razões",
Que se cuidem os "Dons"
Todos, senão "Ai Jesus Maria"

Joel Matos (03/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Eu digo não

Hades, Rei do mundo escuro ...

 
Hades, Rei do mundo escuro ...
 
Ouço a esfinge murmurar por dentro,
E furar-me com o olhar cravado,
Por me não poder seguir andando,
Ainda tive vontade de fechar o livro,

Mas um adúltero e mau presságio
Sugere que dentro, antes eu me feche,
Tal e qual um jogo de esconde e foge
Em que me disfarço d’enigma e mistério.

Ouço a esfinge murmurar por dentro,
Não creio que seja d’alegria,
Pois soa mais a um triste choro,
Vindo d’alguma fóssil alquimia

Ou silvo de serpente que fascina,
E me convida a migrar pro além.

Hieróglifos Inecifráveis como a sina
Alinham-se em galerias d’aragem

E ouço a esfinge murmurar por dentro
Do passado, no fundo e místico templo
Soando como prenúncio, dum futuro
E malévolo Deus do crepúsculo...

Joel Matos (12/2012)

Nada há a temer no mundo ou sob,
Há uma blusa pra cada ser e um terno,
há que saber em que diferentes armários
os temos e vesti-los cabe a nós decidir quando,
como e por quanto tempo...
 
Hades, Rei do mundo escuro ...

Actografia ...

 
Actografia ...
 
Actografia

Creio no universo como um homem vulgar,
Não tenho filosofia que me defina,
Nem lugar em que gostasse de falecer,
Não consinto a vida, assimilo-a como a morfina,

Recolho-a nos campos e onde me deixam colher.
Acervo, incorporo tal-qual cobra, a peçonha,
Hasteio-a na haste mais fina que houver,
Enquanto flor do estio, fonte do sol, neblina,

Embora possua um instinto próprio de mulher
É o corpo e não a frágil alma destas que me fascina,
Autista no que exijo e existo sem o que conheço eu, entender,
Como se tudo fosse uma farsa da negação minha,

Disposta a tudo e ao que deus quiser, se isso doer,
O sol-pôr é um analgésico, uma agonia Celestina,
Com ele me uno a disciplina de desaprender,
E as inocentes crenças do virar das'quina,

Verdades transitórias e de aluguer...
Porque, como disse, não faço uso da inteligência divina,
(limito-me à opinião por estabelecer)
Tenho a demência, como estranha e inexplicativa vizinha,

Profundamente hipócrita na sua naturalidade e ilusão de freelancer.
Estou cansado de ser forçado a querer,
Mas não creio no universo que me dizem existir,
Já que a máquina de mentir fui eu que a criei.

Serei realmente gente?

Joel Matos (02/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Nunca encontrei uma pessoa que tivesse as letras no canto superior da boca
Nunca encontrei uma pessoa que oca fosse a ponto de soar a eco as letras que consome aos poucos
Que dançam entre dentes e os significados destas se poderiam chamar
De discursos de paisagens e pensamentos, nunca conheci a ninguém os
Medos que tem nem pelo significado dos sonhos, julgando-se um outro
Nunca encontrei uma vida inútil em qualquer ser humano nem um padrão
De loucura igual na profissão que algum poeta escolheu sem ser autentico
Nunca encontrei do lado de fora das roupas um homem que tivesse fome como Caeiro
Ou um coração resguardado de tudo o que não quer nem a lama azia
Nunca encontrei numa pessoa escondida a morte ou a ferida que eu não pudesse
Ter na minha nem o sonhar nem o gritar completo do pouco que sou
Nunca encontrei quem tivesse as letras no canto da boca e na garganta
A vida como se fosse uma maldição e eu tenho tudo isso e mais sou honesto demais
Pra ser possível ser todos os homens ao mesmo tempo
Tenho o prazer de conhecer quem vive com o peito cheio como eu fiquei
De viver conhecendo quem encontrei com letras no canto da boca
E esperança no rosto deste todo
Suponho que serei célebre pelo que disser mas celebrado serei pelos versos que não escrevi porque não sei sou o obstáculo que de mim próprio me tomo, o verme.
Nunca encontrei no sábio uma frase incoerente como em mim as sinto, nem nos olhos a realidade física idêntica a minha.
Não tenho nada semelhante ao que encontrei nas ideias de outros nem o mesmo fraque me serve nos dias que sinto impar e verdadeiro.
Aquele fato cinzento significa tanto mais que a minha vida incómoda nada significa a mim próprio
Sou protagonista de uma comédia servida ao balcão de taberna acompanhada de um copo de três
E morcela de tédio servido sem exigência nem emoção, mas de fraternidade aos ombros.
Nunca encontrei um homem que pensasse sozinho tão puro todos os dias; jamais encontrei alguém completo de condição.
Nunca encontrei palavras subtis pra dizer obrigado porque sempre achei inútil obrigar-me a
Viver com outros sob um mesmo tempo, jamais o eco destes me atiçou o coração,
Sou mero observador casual e imagino-me incurável não faço esforços para me curar de todo
A facilidade de escrever deprime-me, largar frases como peixes sem anzol é uma necessidade que não me dignifica aos olhos de uma sociedade abdicada de ânsias desinteressada em se entender totalmente.
Nunca conheci um homem perfeitamente fragmentado no corpo e no espírito que possa exigir ser percebido integralmente e criteriosamente como obra de arte, ele próprio axioma.
Carpe-Diem digo eu, se vivesse de noite teria a forma e silhueta da contraluz do paradoxo porque tudo é “talvez” desde que me sobressaltei ao nascer doutra vez, talvez…
Não há critério ou critérios específicos que definam arte, objetivamente e em função de parecer verdade fundamental ou falsa premissa da hipocrisia, uma obra ou ideal tal como o chop suey de porco com molho agridoce comparado com a arte milenar de uma venerável e bela Gueixa no Japão Imperial do ponto de vista dos desdentados de curta-metragem de um país que eu amo com ódio e odeio por amor.
Já os nossos venerados cachorrinhos fofinhos e brincalhões são pitéu para outros paladares, esses também veneráveis e ancestrais por isso dignos do nosso maior respeito.
O pensamento é definido entre o causador e a causa, e esse pensar paladoso é sempre susceptível de contradição mas essa é em si mesmo a origem e a razão da arte, a contradição do autor.
Não pode haver critérios bem ou mal cheirosos, censuráveis ou boa/má censura só "porque dá jeito" ou cairemos num ridículo pântano sem ideias onde ainda a Terra era, seria o centro do universo ou onde o Islão não pode ser retratado como animal comível.
Também Mike Tyson comeu a orelha de Holyfield e não se tornou sacrossanto canibal,, antropófago bokassa ou menos escrupuloso nos punhos, na língua, no palato ou nos dentes todos apesar da indigestão que deve ter o primeiro experimentado.
Nunca encontrei uma pessoa que tivesse as letras no canto superior da boca.
Trata-se apenas de um efeito induzido em que uma ideia induz uma outra ou implica uma negação de outra ou outras propostas.
A contrariedade também em si é uma forma e consequência da existência do discurso artístico, logo também possui arte.
A arte existe em cada célula do nosso corpo e mesmo tirando dois ou três cabelos do peito e um ou outro da cabeça não deixa o conjunto empobrecido, podemo-nos desunhar que também isso é arte e glória
de ser Humano e contraditório.
Gogh falhou em todos os aspetos da sua vida comendo batatas do pequeno-almoço ao jantar mas ainda é uma inspiração e a orelha perdida não o tornou pintor menor ou menos intenso, tal como Mike Tyson, apesar de hoje poder ser reconstruída cirurgicamente.
É a intensidade com que vivemos que determina os traços fractais e faciais da nossa arte, sejamos intensos pois já que somos originais tal como as nossas mentes musicais, únicas as impressões que deixamos e serão sempre originais porque nós mesmos somos a nossa soma dos cabelos e porque a beleza nasce e assoma em nós por de dentro afora (sempre).
O verme de que fala Machado é humano também intenso e Ciúme e eu tenho ciúme de quem sabe ser mais intenso que a intenção que eu sou, tenho em mim um tição que embora arda não rende a obra que quereria, outros talvez sim...
Desta discussão nasceu a leitura do bom de Assis e isso é tão verdadeiro quanto o centro do universo onde tudo o que importa é o caos e por isso mesmo a construção reconstrução infinita já que não podem existir separados, jamais.
Nunca encontrei no sábio uma frase incoerente como em mim as sinto, nem nos olhos a realidade física idêntica a minha.
As normas e regras são uma falácia, há que subverter para criar o incriado que existe no estômago deste verme humano mas miraculoso.
Voltando às analogias entre Gueixas e “Shop suey” de Porco e, tal como ninguém é obrigado a gostar de qualquer uma das iguarias, muito embora eu me sinta mais inclinado pela mais vertical das duas, na escrita passa-se o mesmo, enquanto Ary ancorado ou Manuel Alegre, para mim não passem de uns encarniçados atores políticos de diferentes ideais ou cores (mais pra vermelho a minha) e o mérito premiado de fazedor de dinheiro caiba sem dúvida a um Paulo Coelho, sem dúvida que os respeito não fazendo deles modelo nem religião cara.
Perdão, acabei de esgotar os meus 11 minutos e "aí é que a porca torce o rabo" como diria o meu Mestre Caeiro e que morra o Dantas e viva Negreiros…
Sou honesto demais pra ser possível ser todos os homens ao mesmo e a um só tempo
Quando se ama se faz realidade do que deu a imaginação enquanto se não viva
é como se nem a luz sobreviva à sombra nem venha pra dizer Adeus
Com a noite, tudo fica calmo, (e frio), foge a consciência, do sítio definido e defendido p’lo dia pleno.
Soubesse eu, trancar o encanto em mim, por de dentro
E suspender o rio na nascente como se fosse uma ideia ou um cateterismo sem fluxo.
Um abraço meu, eu que não amo ninguém.
e Sambem... E o mundo por mim dance também o peito pode não bater nem sentir amor,
Vinguem por favor meu sofrer profundo sem ser gente, E rio chorará como os demais... Indiferente.
Se depois de ser eu deixar de existir todo eu quero que escrevam que existi entre o dia que eu comecei a escrever o dia sem sorte em que morri de verdade sem nada de importante ter sonhado
uma lápide e um nome de morto não é sonho nobre nem rua ter meu nome nem uma estrela
nem um sol por num rol de mercearia num cardápio de restaurante chinês depois de eu deixar de ser quero ter o meu nome gravado no canto
superior direito tombado em letras castanhas claras e sublinhadas a carvão num livro de capa amarela azul
e mole vendido a pobre na mercearia da Dona Cremilde Fuzeta da ponte de vida têm alguns de restolhos secos outros Demos vós outros faunos mas no fundo queremos tão não sentir a solidão em nós como um castigo vão e sem mais de menos
Meu Deus porque me dás sol e chuva sem isto na alma se soubesse compreender a natureza do homem
explicaria a justeza de mim a Cristo talvez soubesse ele porque existo tão longe dessa natureza minga
que sou mas estou tão disto meu Deus porque me dás este sol e só isto meu Deus ou Cristo
Desejaria ter os bons em roda d'mim gostaria que o meu querer tivesse na revolta o completo escrever e este fosse sempre uma descoberta sem trégua sem compasso nem esfera armilar
Mas com cornos em riste em vez de empunhar rendas palacianas e prendas avarentas
de deuses menores que eu, às vezes
Lábios, ensinai-me o trilho do olhar Dos símbolos a soletrar as letras
e a alinhas as coisas breves que a vida tem efémeras e boas
duráveis...fé em mim...
 
Actografia ...

Caliça fraca

 
Caliça fraca
 
Trouxe à tona a cal branca,
Um destino cheio incompleto
Do que é ser estrangeiro,
Na nossa pele sargaço, limo ...

Trouxe à tona a caliça alta,
Enrugada a citação de
Meus restos lembrados
Na memória das paredes

De cal a sorrir, parecendo
Paredes tatuados desta pele
De que sou feito em terceira
Demão a caliça fraca, falsa...

Reboco meu,argamassa,
Cal branca...

Joel Matos (07/2016)
http://joel-matos.blogspot,com
 
Caliça fraca

Mezzo

 
Mezzo
 
Penso que não sou um poeta ileso,
Sou, antes de tudo mais,"ilido"
Mas mesmo poeta,

Nem um terço sou,
Embora fale como um, penso
De mim menos do que peso
Ou pesa a instituição deles,

Pensão a que não pertenço
De coração, sou lobo esfomeado,
E solitário com algum fogo-fátuo,
E intuição a jeito de "mezzo",

Nem poeta sou, por isso
Me travisto como tal, de louco
Pra parecer um outro, "esquizzo"
Que não sou, mas pareço,

Assim sou menos quem sou,
E mais de qualquer um dos que ouço,
Faço d'outro em que se não confia
Duas vezes,feijão frade, sou lasso

Por fora e por dentro falso filósofo,
Ruibarbo da aparência, liso
Postiço ...dou tudo o que tenho
Em mim, menos eu,represento

O que aparentemente sou,
Não sofro nem padeço
Do coração, como parece,
Em mim nada se passa,

Do que aparento, sou outro
Que aqui está e não o que quero
Ser, em mim incompleto, "Mezzo",
Meço daqui ao que não tenho,

Apenas uma braça de bem-crença,
Desde a raiz até a ponta do cabelo,
É o que esta alma incompleta mede,
E desconfio que nem a tenho,

No lugar onde a deveria ter eu, nos rins
É um facto e um fardo, a vida
Esta que carrego, sem a ter
De facto e não espero que me agradeçam

Com sorrisos, por continuar sentado em todas
As vidas que represento em vida,
Falo por avença no que sou, sem ser,
Sendo, faltam três terços pra ser poeta,

Sejam eles quem forem, pois sou eu
Tão pequeno ou tão "mezzo",
Mas mesmo, mesmo,mesmo...

Joel Matos (13/07/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com

"ser poeta" merece um poema grande
mas um poema merece uma flor maior
e até a dor imensa merece um poema
largo, se o poema precisar ter lado certo

é porque quem lê não se senta
do lado que sente quem descreve
uma flor indiferente que nem perfume tem
ou um poema que precisa ser torto tanto

para ser a porta certa para o sentir grande
e total ou dor incondicional,o ser tal poeta
merece ter sempre um poema de amor
certo o perto mais perto que um poeta

canhoto convém ter e não chore apenas
poema de mercearia, "aberto-das-tantas-
ás-tantas", mas sem poesia nem mérito
escrito a mão dextra e com a letra certa

e o perfume a rosa, falso e manso,
O "ser" poeta é aquele que parece ter dor quando
esconde nele a dor de verdade e encanta
quando mostra perfumada de poema

a dor aparente de quem nada sente
como verdade inquestionada, de "la Palice"
"Certains poèmes sont grands, d’autres pas". ...

A poesia há-de criar Rastafáris azedos
em nossos cabelos cristalizados
E o coche a colher onde dissolveremos
o acido que nos tornará a nós poetas

de verdade e o Tao ou caminho
as nossas veias a meias e cidades
ruas vielas promiscuas mas puras
como o pó que dissolvemos em ácido

azedo...
 
Mezzo

Posso soltar as asas..

 
Posso soltar as asas..
 
Posso soltar as asas,
Abalar no vento,
Prender-me á liberdade,
Como um nómada d'outro tempo,

Mas só voo, se me fizer
Soltar do medo e do pensar,
posso soltar as asas,
E deixar a alma

presa ao peito,
Que jamais isso,
Será voar a sério, sem volta
Nem pesar...

Sou tanto livre,
Quanto o coração
Me faça desaprender,
D’o sentir normal.

Posso soltar as asas,
Pra aliviar o peso,
Mas penso simplesmente,
Que voar é adicionar-me ao vento,

Sem o apetrecho
Que carrego desde sempre e o peso
Enganchado deste jeito,
Ao corpo morto,

Ele todo, ele todo…

Joel matos (03/06/2015)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Respira-me pra que m'inspire no teu respirar,
transpira-me da raiz até às varizes das folhas
acrílicas que se enterram no espírito meu,
simbólico e o consumo desta missão de respirar

Fundo - contendo o mundo aberto de par-em-par -
Respira-me pra que m'inspire no teu respirar,

J.S.
 
Posso soltar as asas..

Ciclo de escrita...

 
Ciclo de escrita...
 
Para interromper o ciclo de escrita,
Quero ganhar em parte, o que tenho de prazer,
Em ser ferida sem crosta e quanto,
Dessa crosta escarafuncho, até ser de novo

Ferida, poucos sabem o preciso que tenho,
Não resolvido, de procurar beleza à minha custa,
Nos dentes muito podres dum vagabundo,
Um ganido num latão do lixo do bairro da Belavista,

Quando escrevo sou isso e mais disso,
Não sou eu que fala por mim, nem a língua
Mas a imaginação de quem me vê e sinta inquilino,
O prazer que sinto e passa em mim,

Para interromper o ciclo da escrita,
Quero interpretar do mendigo ao proxeneta,
Quero ser bandido, maneta, força, natureza,
Aleluia e o que precisarem de mim, maçaneta

Do vosso pensamento, se me falta nas palavras
Que tenho evitado dizer, escritas abaixo
Desta cintura gorda que classifico de escrita arte,
Eu escrita sigo, descrevo pessoas, interpreto

O sentir diferente de toda a gente,
Como um escape, por isso quero interromper
O "coitus" com a poesia e seguir em frente,
Escarafunchando nesta minha ferida sem ferida,

Nem crosta, nem arte, nem vida…

Joel Matos (01/2015)

http://joel-matos.blogspot.com
 
Ciclo de escrita...

De todos, o último ...

 
De todos, o último ...
 
De todos os sonhos, os últimos
São a fase que genuína
Mais temos e nos ensina
A ser puros e sensíveis,

Os alimentos foram
O que extraí dos outros
Primeiros e não da
Metáfora que comi ao almoço,

Como todos os sonhos, os últimos
Formam uma conjugação
Nos outros, embora
Poucos fossem deveras

Lúcidos e genuínos
Como estes que sonhei
Há pouco e nesta fase
Última do espírito meu,

O qual correrá livre três
Dias depois de morto
Em outro, que não eu ...

Joel Matos (06/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
 
De todos, o último ...

Lisboa Tejo, Cidade beijo ...

 
Lisboa Tejo, Cidade beijo ...
 
Quem me dera não ter saudade de mim
Tanto, quem me dera ter presa à cintura,
Essa cidade madura, só pra não ser furtiva
A Saudade, mais tarde, quando partir

Sem mim e for embora da vila cidade,
Cidade afora, cidade mágoa, cidade que
Trago presa à cintura, cidade Tagus,
Na ponta dos dedos, saudade de mim,

Táctil e afago do hábito e dum cego grego,
Quem me dera ter a saudade assim, aqui
Dentro, como um lego e reconstruir das
Margens o Tejo e a cidade beco la dentro,

A minha cidade tem um mar preso,
Esse mar se chama saudade, tem peso
A minha saudade ,magoa-me e a espera
Um contrapeso, gémeo desta alma d’paredes,

Que de saudade ter se cansa, cidade
Me acalma, cidade me amansa no fado,
Tenho uma cidade presa à cintura,
Tem uma trança Tejo e outra me chama,

Amante e dorme comigo na cama,
Pena eu, cego não a vejo, não a beijo,
Cidade dispersa, cidade eu te beijo,
Desperta-me desta cegueira,- oh Tejo,

Pra ver o oceano imenso, lá longe, lá fora,
Quando me for, serás flor da saudade lilás,
Desta saudade que imerso no tejo vejo,
Afogo o meu pensar e o meu sonho

D’amar e saudar a cidade que amo,
Num beijo intenso, cidade insigne, viola,
Cidade meu signo, meu cisne, tejo
Meu lar de amor, onde Tu és Gente,

E eu teu fado, só plo prazer de ser fadista
Da canção que és, Tu também Lisboa…

Joel Matos (02/2015)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Lisboa Tejo, Cidade beijo ...

Frágil..

 
Frágil..
 
Tenho sentimentos frágeis
Em golpes de malabarista e saltos
Que me dão segurança pouca
Em qualquer andaime frouxo

De Humano autentico....
Guerreiro-viajado, amante,
Tenho pensamentos voláteis,
Como velas acesas, regressões

Onde aprendo que não vivo
Pela primeira vez, mas sempre.
Ficou claro para mim em tempos,
Que cada um entende da cor

Dos sonhos a que lhe
Convém, tendo-os ...
E então me arranho para
Saber se estou a armar sonhos

E se não voa o voar que dou,
Agarro até à morte,
Estas frágeis aves letras, aquelas
Que doem de tanto nó que dou

Às magras relas de guelras que o
Falar permite e sente
Eis quão fácil de sonhar
Eu sou sendo eu a sonhar, velas...

Joel Matos (11/2015)
http://joel-matos.blogspot.com

“O homem que pode observar sua mente sem distração
Não precisa tagarelar ou conversar.
O homem que consegue absorver-se em autoconsciência
Não precisa sentar-se com rigidez cadavérica.
Se ele conhecer a natureza de todas as formas
Os oito anseios mundanos* desaparecem por si mesmos.
Se ele não tiver desejo e ódio no coração
Não precisa exibir-se ou fingir.
O grande despertar da mente de Bodhi,
Que vai além do samsara e do nirvana,
Nunca pode ser atingida pela busca e pelo desejo.”
(Canção de Milarepa para o Dharma Bodhi do Nepal,
 
Frágil..

Tão simples quanto um cabelo meu ...

 
Tão simples quanto um cabelo meu ...
 
Nada pra mim é tão simples com'um cabelo
e uma ruga funda que conheço na testa,
as mãos que são como um mapa que sei-
-de-cor e as marcas da velhice que aparecem
sem que eu queira.
Nada pra mim é tão simples
como o mar na areia batendo e um pensar
perdido partindo na espuma, sem destino
que eu conheça, apesar da ruga na testa
e o cabelo a voar ao vento e o mapa das mãos
e o olhar vão no mar a olhar,
a olhar sem que eu queira parta , parta não ...

Joel Matos (09/2016)
http://joel-matos.blogspot.com

Sinto-me tão transparente
por enquanto
todavia nem sei se algum dia
serei intransponível eu
ou o meu canto ...

J.S.
 
Tão simples quanto um cabelo meu ...

Da suavidade

 
Da suavidade
 
A suavidade dos teus beijos
Arrepia-me como um banho
De hidromel e essências leves
Penas e sais desse teu leque

Pendessem dos braços, diria
Serem asas borboletas, aves
De penugens esses braços teus,
A suavidade breve dos beijos,

Prendem a mim, Deuses e Cristo
E todos os anjos do acrílico
Tecto, que a Cistina capela
Tem, nos sete véus de tintas

E em breus donde negro visto
Nem temer cristo, beijos embutidos
Como os teus nas frágeis vestes.
O tempo não suaviza a face dum velho

Tonto mas o sonho...ah! o sonho...
É como um banho de essência leve
Leve com os teus beijos de canja
Arcanja és, tal como Ofélia D'Elsenor

Joel Matos (25/03/2015)
http://joel-matos.blogspot.com
 
Da suavidade

Quando calha

 
Quando calha
 
Quando calha o amor pode ser triste como a fome
pode ralhar sem falar pode até matar
nem sei do que falo nem sei o que sinto
quando do instinto só fica tristeza e vazio

nem sei se existe na natureza amor invicto
tal como no coração humano, incrível
como se pudesse vir de Deus a formula
amarga da desilusão do homem no imperfeito

quando calha o homem pode ser genial
mutilar a alma imitar como em drama
os elementos que o destroem e consomem
como uma droga maligna e uma medonha acha

empunhamos o amor da mesma forma louca
insana e ao mesmo tempo suprema
como só o ser humano com um coração perene
que sempre se renova e aprende

quando calha o amor pode ser prova
que o homem como Deus Igual ...é grande
eu sei do que lhes estou a falar
O Homem é parecido em tudo comigo e contigo

Homem é sinónimo de AMOR e DAR (e perdoar)

Joel Matos (12/2014)

que pode o pensamento
falar comigo sobre o caminho que tomo
se nem creio as vezes
no que o coração me aponta
como sendo certo o que tomei

como pode cumprir um justo
a justiça dos ignorantes homens
sem se tornar pecador perante a justiça dos céus
que alguns clamam ser de Deuses divergentes

como pode ser branco manso a roupa
que vestimos se buscamos a perfeição
na boca da fera e não nos fatos
que envergamos para nos revestirmos de metralha
nas valas comuns da guerra e de sangue cor
dos gerânios nas batas dos forenses
 
Quando calha

O Anel dos Nibelungos...

 
O Anel dos Nibelungos...
 
Não canso de me montar nas pálpebras
Cansadas e nas cerdas do cabelo, não canso
De ser exigente no que escrevo plo cotovelo,
Canso de ser modesto não querendo sê-lo

Não canso de arrepiar caminho nas costelas,
De ser ferramenta de uma horta bera,
Que só dá tabaco em vez de trigo amarelo
Canso de transportar sonhos de taberna,

Que me não dão equilíbrio, mas vertigens,
De uma lerda batalha que não é mas é comigo,
Não me canso de pôr a alma de escrever,
Ardendo como se fosse carne viva e é o fundo

De mim mesmo que escarro e vomito
Num cadinho, qual não me dá nem o prazer,
Nem o vinho fino, que é da memória
A alma e a costela, de Aristóteles a direita.

Não me canso de desmontar as palavras
Secretas que me dão vida e serviram
A humanidade justificada em certa
Medida certificou a vontade e a morte

Justificaram a fraqueza e a entrega
O lado vazio e a hombridade cega
A verdade nem sempre clara, a compaixão
E o amor que não passam de lugar-comum

Nada desejo de novo que não seja
Ser eterno em algum lugar -mesmo de mentira-
Porque no meu corpo não resta
Mais a verdade garantida, entreguei-a

Quando me expus no que disse
E me afronta o que não falei
Do que disse na esperança de que
Me enganasse e de verdade comece

Mesmo sendo poeta desta mil gente.
Se algum dia lembrar além do que vivi, apresente
No que disse o que cansei de ser afim
Cansei de meu vinho, mau vinho

Cansei dessa casta da mediocridade, do dó,
Da crescente névoa, sem chão de roda,
Não canso de pedir ao destino o meu,
Anel postiço de volta.

Joel Matos (12/2014)
 
O Anel dos Nibelungos...