Poemas, frases e mensagens de TrabisDeMentia

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de TrabisDeMentia

Poço de dor

 
 
Como é fácil me rir, pular de alegria
Sonhar com tanta fantasia
E a seguir tropeçar, cair, bater no fundo
E chorar num poço profundo

Como é fácil brilhar e sem saber porquê
Me ver frente a um espelho que não me vê
Mas eu desvio os olhos que ninguém viu
E me procuro, me cego no escuro

Quantas vezes me afogo aqui sentado
Esperando uma mão, esperando um abraço
Que não vem e eu preciso de alguém
A meu lado

Mas cada vez que morro nasço mais forte
Pois enfrento esta vida como se enfrenta a morte
Respiro fundo e tento ter calma
E prendo os meus lábios como quem prende a alma

Como é fácil estar bem e amar a vida
E até fingir um sorriso na despedida
Mas a saudade nunca tem horas pra chegar
E se amarra ao meu peito sem me avisar

Eu bem sei que aqui é o meu lugar
Do lado de dentro, do lado de cá
Mas até que me encham de terra sonharei com cor
Neste mundo de sombras, neste poço de dor

(E é tão amargo o sabor, mas é tão doce a lembrança
chorar faz bem quando se tem esperança)

Este poema vem acompanhado com música composta e interpretada por mim. Clique no play para escutar. Obrigado :)
 
Poço de dor

Cansaço

 
Meus olhos cansados pousaram em ti
Não fosses o fim de uma longa viagem
Teus olhos brilharam e eu me desfiz
Não fosse de amor esta minha bagagem

E na prateleira de um peito a bater
Num canto sem beira, nem fundo, nem fim
Dobrei-me, cheguei-me com jeito de querer
Ter nela, naquela, um espaço para mim

Após o abraço, tão curto, tão escasso
Um passo, um espaço, um frio que senti
Teus olhos pousados sobre o meu cansaço
Foi no embaraço tudo o que eu vi

Fechei-me, tranquei-me, quase chorei
Meu peito pesava, julgando eu, de dor
Meus olhos brilharam quando reparei
Num canto sem beira, dobrado, um amor
 
Cansaço

osrev od osrever O

 
ieres oãn áj iuf ednO
siam oãn iuqa e uov edno ouS
seõzar ed sasar sezìar ed osaR
seõtrop ed sadartsorp sadatrop ertne E
"siav" sedrev ed sadarav saderev ojeV

?siatlov oãn euq zov sedi ednO
?siatucse oãn euq sóv sedniv ednoD

ieracif oãn uos ednO
sárartnocne em ,uotse oãn es uoS
sárt arap uod euq sossap sod odniR
etnerf ahnim à adiv a odnarohc E
sáres otnauq o sárev e meV
etneserp odniv etsof euq sadartse mE
sád otnauqne ogimoc et-iR

zaf et euq ossap O
 
osrev od osrever O

Ao fundo

 
Um balão que
enche, enche, enche
sobe ao céu e arrebenta:

E ao lado um pássaro voando
E ao cimo um sol de tom dourado
E ao lado o tempo vai parando
E ao fundo um rio corre apressado
E ao lado um sol alaranjando
E ao cimo um céu já bem estrelado
E ao lado um corpo já quedando
E ao fundo o teu corpo suado
 
Ao fundo

Saber de ti

 
Há cousas que não vejo e não são poucas
As outras sendo vistas só por outros
As poucas que me acendem vão-se aos poucos
Se apagam para dar a vez a outras

A pouco e pouco vou desaprendendo
Para aprender além, algo de novo
Mas sempre esqueço alguém quando me movo
E doi saber de quem me vai esquecendo

O que eu queria desta vida era saber
Escolher o que lembrar e o que esquecer
E não ter nem que perder nem que ganhar

Queria voltar atrás no tabuleiro
Deixar o jogo a meio o tempo inteiro
E saber da tua peça o teu lugar
 
Saber de ti

Crise de identidade

 
Um susto, hoje levei, hoje um susto
Alguém gritou que eu... não era eu
Caiu-me em cima o céu e o chão cedeu
À força de um querer a todo o custo

Que eu quisesse crer que era outro
Que neste corpo alguém passou por mim
Que noutro noutro é que eu seria assim
Que tudo o que escevi seria doutro

Pavor, terror, assombro então senti
Se não sou eu então quem sinto eu
Se não me sinto quem é este aqui
Quem raio é este qu'isto aqui escreveu

E então alguém calou e me escutou
Pegou no que escrevera e lá me leu
Não sei o que lhe dera, nem que lhe deu
Mas no susto que me dera se encontrou
 
Crise de identidade

Dois dedos de conversa

 
Queria ter contigo
Dois dedos de conversa
Fazer da minha mão teu chão
Deixar-te em bicos de pés
Corando sobre o meu ombro
Levar na ponta da língua
As palavras ao teu pescoço
Saber para que lado te esquivas
Quantos gemidos abrigas
A quanto prazer obrigas
Tomar-te o gosto
 
Dois dedos de conversa

Ser poeta

 
- Os poetas são todos loucos,
Loucos, loucos como eu e tu
- Ah, mas eu não sou poeta!
- Estás é pateta! És um peru?!
- Ah, poeta escreve versos
De amor, sei lá, de kung fu
E ouvi dizer, mas não estou certo
"Todo o poeta é gabiru"
- Bah! Ser poeta é nada disso
É ser mais alto, como a canção
É beijar como quem seja...
Hum, é como chouriço no pão
Nem precisa saber escrever!
- Sequer saber escrever precisa?!
- Não complica, p'ra poeta ser
Basta ser louco ou sem camisa
- Hum, louco eu sou... descamisado...
Chouriço gosto... pão também...
Não sou peru... não sou pateta...
Serei poeta?! Não soa bem.
 
Ser poeta

Quer dançar comigo?

 
Não sei se sei dançar nem quero saber
Se eu pisar seu pé, seu pé pisei
Ninguém vai condenar pois é de lei
Encantos da mulher obedecer

E pode pôr no ar o que quiser
Tango, balada ou pimba sôr DiJay
A cantada mais linda eu já escutei
Está fresca nos lábios desta mulher

Depois não diga então que eu não tentei
Que um pé pisou seu pé ou que a beijei
Que até a minha mão foi atrevida

Pois se o seu corpo o meu corpo convida
Que se abra a pista à vida e viva a vida
E p´lo seu corpo à vista eu dançarei

Inspirado no soneto de saraabreu: "para o baile"
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290598
 
Quer dançar comigo?

Ad Bestias

 
Poetas que marcham com a palavra em riste
Dobram pela força do verso o branco que resiste
Manchando as folhas de afectos, assassinando jejuns
Jogando os longos decretos em longas valas comuns

Num desespero impotente assistem uma vez mais
As velhas paredes brancas às penas capitais
E no silêncio que sobra... e no pássaro que voa
Se encontra a paz que demora, jaz o amor que perdoa
 
Ad Bestias

O grande ...

 
Sou "O grande" e tenho dito
Pois ninguém, eu acredito
Nesta terra, é mais que eu

Sou o forte, o erudito
E de longe o mais bonito
Que há debaixo deste céu

Quando quero, posso e mando
E o mundo a meu comando
Dobra e tira o seu chapéu

Só abala a minha chama
Quando Deus, do alto, clama
"É meu, é tudo meu!"
 
O grande ...

Está na hora

 
O mundo é mais belo pela madrugada
Quando os pássaros já voam e o Homem ainda sonha
Quando o Sol arrependido devolve ao mundo a sua cor
Mas é breve o instante
Ao longe o caos vai trepidando
Seus passos, lentos, se apressando
Sem pressas, louco, atropelando
Com tempo, pouco, reclamando
Às portas da demora:
Está na hora...
Está na hora...
Está na...

E eu vou, já vou, só mais um pouco

O teu cheiro travestido é travesseiro
Onde encosto o meu rosto entorpecido
Onde me entrego à lembrança por inteiro
E pelos campos da lembrança vou perdido

E perdido te acho
Toco-te ao de leve a face
Fito os lábios vincados num sorriso
E me curvo em ti
Não me soltes deste abraço
Não me deixes só
Não me deixes nesta hora
Pois eu sei que está na hora
E tu bem sabes, está na hora
Que é só esta, está na hora
A nossa hora, está na hora
Agora, está na hora
Agora, está na hora
Agora, está na hora
Ago...
 
Está na hora

Às voltas

 
Quando escrevo por vezes penso
Que vou parir uma montanha
Que por ser tão tamanha
Será soprada pelos quatro ventos
Banhada pelos sete mares
Que irá na solas dos astronautas
Pisar novos mundos
Que por sistemas solares
E outros lugares profundos
Irá divagar
Como luz a se propagar
Que será para sempre
No espaço e no tempo
Na matéria e na memória
Que será vitória
Se fará rainha
Quando às guerras do Homem
Mostrar-se espada na baínha

Ah Deus, Deus, chego a chorar de emoção
Quando penso, por momentos, ter um poema assim na mão
Quando sinto andar às voltas a chave do Universo
E não esta folha em branco, sem um traço, sem um verso
 
Às voltas

Bondade infinda

 
Bom, é difícil solucionar o mal pois este é inerente ao Homem. Para impedir o Homem de cometer o mal teríamos de privá-lo da sua liberdade ou, indo diretamente à raiz, privá-lo do pensamento. Melhor ainda seria impedir a sua reprodução.

Como existe maldade nas mentes mais sãs, resta-nos colocar a nossa esperança nas mentes insanas que, por serem defeituosas, contêm maior virtude.

Em último recurso ouçamos os mal-dissentes, ouçamos quem dos outros diz mal e quem, na nossa presença, nos conforta com o seu carinho e bondade infinda.
 
Bondade infinda

O teu gesto mais profundo

 
Como é possível que eu te sinta
Sem nunca te ter tocado
Sem nunca te ter corrido
Com as mãos o corpo, o pescoço
Sem os teus lábios ter beijado?
Como é possível te ver ao lado
Tão presente,
De corpo tão quente
Sobre o meu debruçado?
Como é possível poder
Ser tudo o que queria ter sido
Ter tudo o que queria ser tido
Sem ouvir de ti
Esse amor não dito?
Serei eu o mito que alguém sonhou?
Serei eu o "por vir",
O que não aconteceu,
O grito que não valeu?
...Serei eu?

Sou,
No resto do meu mundo
O teu gesto mais profundo.
 
O teu gesto mais profundo

Jura-te

 
Não sei se ache verdadeiro
O que advém de "mal amado"
Amor, pensei, que fosse inteiro
Não parte ou meio, nem bocado

Também não creio ser mentira
Achar, porém, ter encontrado
Em cacos, laços que partira
O amor, meu bem, vandalizado

Mas como, como hei-de saber
Se amor, a mim, nunca se fez
Candura em una firma e forma?

Mas como hei-de eu não crer
Se a dor, que vinda em sua vez,
A jura, afirma e me conforma?
 
Jura-te

Ode à lua

 
E cai pois tudo cai enquanto cai
E cai caíndo o mundo à sua volta
E volta nessa volta em que se vai
Soltando de uma queda que a não solta

E doi pois tudo doi quando se cai
E cai soltando um ai que se revolta
E vira e se revira e nunca sai
Do negro do queixume que a escolta

É livre sem ser livre, na verdade
É presa sem ser presa, que a prisão
Se estende a toda a sua liberdade

Mas usar da liberdade de expressão
Para prender-me, a lua, à sua mão
É um assunto de extrema gravidade
 
Ode à lua

Encontro fatal

 
Vem, vem encontrar-te em minhas linhas
Enquanto eu me procuro em linhas tuas
Vem logo desnudar palavras minhas
Que eu louco, já deixei as tuas nuas

Depressa, tropeça em mim que eu calo
Teus gritos aflitos na minha boca
E cala-me, louca, enquanto falo
Da vida sofrida, da sorte pouca

Beija-me sem pressa ou embaraço
Que agora sou teu e em teu abraço
Serei tudo aquilo com que sonhaste!

Vem vinda... vinda impressa em aço
Espada ainda erguida que trespasso
Achava-te perdida, me encontraste!
 
Encontro fatal

Mata-me

 
Mata-me
Como mata a fome o sem abrigo
Como mata a febre o comprimido
Como mata a lebre o caçador

Vinga-me
Como vinga a lua o sol ausente
Como vinga a dor o ferro quente
Como vinga a flor o meu calor

Deixa-me
Como deixa a noite o amanhecer
Como deixa a ferida vero saber
Como deixa o fruto o seu sabor

Lembra-me
Como lembra o sino ter badalado
Como lembra a cruz de ter pesado
Como lembra a morte o teu amor
 
Mata-me

Luzes na noite

 
 
"Eu vejo luzes à noite
Eu vejo o céu a brilhar
Eu vejo luzes à noite
Eu estou onde não queria estar
Dou mais um passo
Hesito talvez um pouco
Mas continuo correndo
Correndo que nem um louco
Correndo que nem um louco"
Atrás de ti
Numa noite que não tem mais fim.

Hoje tudo o escrevo se foi na poeira das nuvens
Iludido com sonhos de um grande, de um grande amor
Hoje, hoje lembrei-me de ti e resolvi te escrever
Te lembrar nas palavras
Te esquecer, por momentos te esquecer
Hoje, hoje o vento soprou noutro sentido
E me levou consigo para onde agora eu estou
Pra longe, pra bem longe de ti e eu não consigo viver aqui
Eu preciso de ti, preciso de ti junto de mim!

Hoje tudo o que eu digo se foi e nada faz sentido
Só restaram as cinzas de um grande, de um grande amor
Hoje, hoje lembrei-me de ti pois não consegui esquecer
Me lembrei dos momentos
Me lembrei da saudade de te ver
Hoje, hoje a minha vida levou um descaminho
E me deixou sozinho, me deixou a sós
Hoje parece que o tempo sobrou, que o mundo parou
Que a terra quebrou, não sei o que vou fazer de mim,
Fazer de nós

Este poema vem acompanhado com música composta e interpretada por mim. Clique no play para escutar. Obrigado :)

A parte entre aspas pertence a um grupo musical já extinto de nome "Enche & Passa" oriundo do Bombarral. Quem estiver interessado em saber mais sobre este projecto por favor aceda ao link:

http://palcoprincipal.clix.pt/encheepassa
 
Luzes na noite