Poemas, frases e mensagens de NiaxeAugusto

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de NiaxeAugusto

Morte sobre os trilhos...

 
Morte sobre os trilhos...
 
Dos olhos da Morte eu vejo o meu futuro obscurecido por uma morte horrenda,
Os trilhos de um trem dilaceraram a minha carne apodrecida,
O meu sangue é jorrado e os meus pedaços estilhaçados,
Permanecerei vagando pelos vagões deste trem mortiço.

Guardando os segredos de sua sinfonia,
Sendo decapitado pelas minhas próprias dores,
Silenciado por toneladas de ferro fundido,
Sem gritos, sem medo e sem remorso.

Eu posso ver as luzes que iluminam esta noite tortuosa,
Eu permaneço imóvel mesmo ao ouvir o soar de seu sinal,
Fecho os meus olhos para o presente,
E sigo o meu destino ...

A Morte me espera em seu cavalo negro,
Camuflando-se em meio às sombras eternizadas do amanhã,
Em meu ultimo suspiro estarei sorrindo,
Em meu ultimo suspiro...
Silencio-me...
(Niaxe Augusto)
 
Morte sobre os trilhos...

Martírio

 
Martírio
 
Adentrei nas nuvens,
Para colher tuas lágrimas.
Esperei na areia por tuas ondas,
Mas o teu mar secou.
Sentirei saudade da tua brisa,
Em meu pescoço nas noites frias.
Procurei pelo cosmos,
O teu brilho.
Lapidei preciosidades,
Que não se equivalem
Aos teus preciosos olhos.
Tentei afogar minhas mágoas,
E acabei afogando-me junto delas.
Bebi uma dose por dia,
E meu corpo morre aos poucos.
Mas minha alma...
Dolorosa alma...
Morrera no dia
Que tu partiras!
(Niaxe Augusto)
 
Martírio

O precito

 
O precito
 
Tu voaste até mim
Em um vôo sereno.
Precito, tu esqueceste
Da pálida corrente
De teu remígio.
Agonizaste
Em gritos soturnos.
Morreras
Em conflitos noturnos.
Carbonizado
Pela chama
De teu ego.
(Niaxe Augusto)

Vocabulário:
Precito: Condenado ou abandonado.
Remígio: Bater de asas.
Soturno: Triste, tristonho.
 
O precito

Lábios noturnos

 
Lábios noturnos
 
A maciez
De teus veludosos
Lábios
Em contato
Com meus
Traz harmonia
Ao martírio meu.
Grácil sorriso teu
De traçados
Finos,
Rosados
E
Adocicados.
Leve pele tua.
De formosura...
E doçura.
Mordo
As levemente
Rosadas maçãs
De tua face.
Acaricio sutilmente
Com o polegar
Tua sensível
Boca.
Nossos olhos
Perpetuamente conectados.
Transmitem
A escuridão
E o amor
Que existem no cosmos
De nossos seres.
Lembranças,
Essas minhas
Que guardo no fundo
De meu coração.
Sinto saudade de ti.
Minha amada.
(Niaxe Augusto)
 
Lábios noturnos

Criança Morta / Releitura Poética/ Niaxe Augusto

 
Criança Morta / Releitura Poética/ Niaxe Augusto
 
Em pleno crepúsculo minh’alma debruça-se no deserto,
U sentimento paira sobre a minha família trazendo-nos o Orco de nossa miserável realidade,
As lágrimas brotam de nossas áridas faces e se misturam ao solo desértico do sertão.

Oh meu filho... Agora tu se tornarás berço tábido de vermes,
Tão jovem tu partirás desta proterva existência,
Anelo que tenhas fartura em sua próxima vida,
E que não partilhes de nossa miséria novamente.

Ígneo espírito ofuscado pela morte,
Mantenha a tua rutilancia mesmo no outro mundo,
Não permitas que a solitude das trevas o preencham,
Soturno viverei sem o fastígio de tua presença,
Talvez estaremos juntos no próximo solstício,
Descanse eternamente em meus braços,
Minha criança morta.
(Niaxe Augusto)

Vocabulário:

Orco: Inferno.
Tábido: Podrido.
Proterva: Insolente.
Anelo: Desejo.
Ígneo: Chamejante, como fogo.
Rutilancia: Esplendor, Brilho.
Solitude: Solidão.
Soturno: Tristonho, Triste.
Solstício: época do ano em que o Sol incide com maior intensidade em um dos dois hemisférios.
 
Criança Morta / Releitura Poética/ Niaxe Augusto

“Mater”

 
“Mater”
 
Desde o ventre tu cuidaras de mim,
Deu-me o teu amor incondicional,
E não pediu-me nada em troca,
Educou-me, instruiu-me e mostrou-me o caminho certo.
Agradeço pela magnificência de teu Ser minha amada mãe.
Agradeço por ter sido as vertentes da minha maturidade.

Comemoramos hoje o esplendor de teu dia,
Transbordando a euforia de um sentimento puro e translucido,
De meu coração brotam os frutos que a senhora cultivou,
E escrevo este singelo poema para ver-te sorrir.

Tu és o meu anjo protetor,
Tu és meu acalento em noites frias,
Tu és a perfeição da Natureza,
Tu és a minha doce e amada mãe.

“Mater”
(Mãe, do Latim “Mater”, cujo um de seus significados é a Origem)
 
“Mater”

Desprezível Veraneio.

 
Desprezível Veraneio.
 
Acordo desolado em manhãs de veraneio,
O brilhar ovante do sol ofusca minha visão,
O mormaço deixa-me estuante,
E fazes com que minha pele resfrie-se com a sua proteção natural.

Veraneio, odeio-te mais que a minha própria existência,
Maldita seja a radiação cancerígena e pulsante de teus raios solares,
Odeio-te profundamente,
Por que tu existes?

Tu trazes desastres às florestas secas,
Evaporas os poços cristalinos,
Aliena a todos com suas deslumbrantes praias,
E queima-me o tecido da carne.

Desprezo o teu brilho hoje...
E nas próximas manhãs,
Odeio-te...
Veraneio.
(Niaxe Augusto)

Vocabulário:

Estuante: Febril
 
Desprezível Veraneio.

Vem...

 
Vem...
 
Vem com a chuva
E os orvalhos.
Vem com a noite
E o frio.
Vem com o silêncio
Aquela mulher
Que um dia
Partiu.
Vem com as ondas
E as espumas.
Vem com o vento
E as folhas.
Vem com as rosas
O teu perfume
Que um dia
Eu senti.
Vem com a terra
E as árvores.
Vem com as nuvens
E a neblina.
Vem com o mármore
O teu corpo
Que um dia
Com os olhos esculpi.
Vem com o ouro
E a prata.
Vem com as safiras
E os diamantes.
Vem com as estrelas
O brilho de teu olhar
Que um dia
Foi meu...
Vem com a escuridão
E o delírio.
Vem com o martírio
E a solidão.
Vem com a depressão
Um homem vazio
Que um dia
Foi feliz.
(Niaxe Augusto)
 
Vem...

Minh'amada

 
Minh'amada
 
Devorar-te
É tudo aquilo que desejo,
Ser possuído por tua alma,
Ver teu corpo
Deslizar sobre o meu,
Tocar-lhe as vestes noturnas
Nesta noite soturna.
Enfim dormir
Sobre os seios de Minh'amada.
Dama alada
Do cosmos de meu ser.
E, em uma noite pluvial
Dar-te uma estrela,
Ou até mesmo duas,
Gêmeas
Talvez idênticas,
Talvez não.
Mas que darão continuidade
A nossa vida.
Em tempos modernos
Nos ventres materno.
Sobre o céu da meia-noite.
(Niaxe Augusto)
 
Minh'amada

Doce Donzela...

 
Doce Donzela...
 
Não sei aonde estás minha doce donzela,
E meu peito dói cada vez mais sem a sua tênue presença,
Perguntei ao ligeiro vento sobre o seu ilustre paradeiro,
Porém o mesmo não me dera teu singelo perfume,
Procuro tuas feições por entre a atra noite,
A Lua acompanha-me soturna a observar,
A penumbra das nuvens transparece a luz,
Tal penumbra que não me permite enxergar,
Aonde estás minha doce donzela?
Sinto as ondas obscurecidas pela abstrusa onda de teu cabelo ao vento,
Mas não sinto a magnificência de teu perfume,
Busco-te eternamente,
Doce donzela.

(Niaxe Augusto)

Vocabulário :

Atra : Escura , Sombria.
Soturna: Tristonha
Abstrusa: Escura
 
Doce Donzela...

O poeta

 
O poeta
 
Sou parte da natureza morta.
Fruto primogênito do Cosmos.
Escarlate dos céus rubros.
Colosso gélido dos Pólos.
Sou o oceano implacável.
Os vales e as montanhas.
Imperador mundial.
Maior que a estrela Vy Canis Majoris.
Sou a luz e a escuridão,
A alegria e a depressão.
Sou a música e todas as artes.
A ciência e suas vertentes.
Mas acima de tudo...
Sou folha de papel e lápis!
Cada palavra e cada verso!
Pois...
Eu sou poeta!
(Niaxe Augusto)
 
O poeta

Rouxinol

 
Rouxinol
 
Todas as manhãs vejo-te passar, amado pássaro,
De trás de meu muro fico lhe observando,
Às vezes tu passas célere,
Às vezes sereno,
E sempre esbanja tua rutilancia por onde tu passas.

Tu tens a beleza e a pureza incontestáveis,
És único dentre milhares,
Formoso e simples.
Rouxinol.

Tu tens a crista negra, obscura como a noite.
Tens olhos escuros, primogênitos do hirto espaço.
Tens a serenidade na voz, melódica como as notas de tua alma,
Tens plumas brancas em teu corpo, o corpo de uma esplêndida mulher.

Amo-te, mesmo sabendo que tu não sabes quem eu sou,
Amo-te de tal maneira, que se tu soubesses... Casaria-se comigo.
Amo-te e não quero nada em troca!
Amo-te e sempre amarei-te.
Rouxinol.

Vocabulário:

Célere: Ligeiro, veloz.
Rutilancia: Brilho, esplendor.
Hirto: Inflexível.
 
Rouxinol

Flores do jardim de tua alma

 
Flores do jardim de tua alma
 
Colho flores
No jardim de tua alma.
As sementes tuas...
Semeadas
Pelo vosso coração.
Germinam
Em forma de sentimentos,
E dominam
O teu corpo esculpido.
O perfume delas
É único e sedutor.
A beleza
Que vos foram concebidas
Torna-se indescritível.
As tuas pétalas
São delicadas
E dançam ao ventar sereno.
Um azul
Mais belo que qualquer
Outra aquarela
Banha as bordas
De tua essência.
Cultivo-as com fervor,
Pois sempre saberei,
Que cada uma
Faz parte de ti.
(Niaxe Augusto)
 
Flores do jardim de tua alma

Funeral...

 
Funeral...
 
Entre a névoa cinzenta
Fez-se o meu funeral.
O ódio destruiu a minha alma,
Obscurecidos,
Tornaram-se os meus olhos.
Congelado meu sangue permanece.

Fique forte disseram-me,
Não sucumba ao suicídio,
Apenas use as laminas como alivio,
E isto foi o que acabou,
Me matando...

Gritos de dor ecoam
Por entre a terra batida sobre o meu túmulo.
As sombras...
Tendem a corromper os mortos.
E o desespero...
É a única paz que me resta...

Mutilado.
Desolado.
Atormentado...
Eu morro.

Silenciado pelos céus mórbidos,
A chuva mistura-se as minhas lágrimas.
Aprisionado em meio à escuridão inquietante,
De meu doloroso funeral.
 
Funeral...

Niaxe Augusto - Krane

 
Niaxe Augusto - Krane
 
Vejo o suicídio em seus olhos,
O desejo incessante de sua alma,
Eram tão escuros quanto a noite,
E tão frios quanto a neve.

Seu semblante transparecia sofrimento,
E a melodia que tocava em sua harpa pura melancolia,
Sua obscuridade era transmitida por aquelas gélidas notas,
Notas de um coração partido em pleno Inverno súbito.

Corra pelo mundo meu jovem, você à encontrara,
Mesmo que leve cinquenta anos,
Soe este desespero por todas as partes,
Deixe os teus dedos recitarem sua dor por entre os vales.

Os céus permanecem fúnebres em meio a uma tremenda nevasca,
E sem energias o jovem debruça-se sobre a neve,
Uma linda menina o ajuda a levantar,
Pegou a sua harpa e o transmitiu o amor,
Um sorriso se abre em seu último suspiro.
E então ele morreu dizendo, eu te amo.
(Niaxe Augusto)
 
Niaxe Augusto - Krane

Donos do futuro

 
Donos do futuro
 
Tolos medíocres e as suas promessas não cumpridas,
Vivemos em um paradoxo infinito,
Aonde colocamos os bens materiais a frente das pessoas,
Os sonhos do manhã são frustrados por aqueles que tem o poder do capital,
Detentores do apocalipse, sacramentado pela besta sacrifical.

Donos do futuro obscuro que assola esta existência,
Serpentes esguias que rastejam sobre a podridão desse mundo,
Devastadores desta Era, monstros que corrompem os mares,
Iludem a todos, corroem as vertentes deste mundo podre.

Sonhos fúteis das masmorras esquecidas,
Tais masmorras feitas para privar a humanidade da verdade,
Seus prisioneiros estão selados numa pedra,
Com os seus desejos corrompidos por aqueles que têm a palavra.

O suicídio vem em noites frias,
Pois este paradoxo infligira às leis carnais,
Silenciando-nos o raciocínio,
E mascarando as verdades que nos resta...
(Niaxe Augusto)
 
Donos do futuro

Atlanta I

 
Atlanta I
 
Atlanta
Nunca foi tão solitária.
As ruas
Nunca foram tão vazias
De noite.
A fumaça de meu cigarro
Nunca adentrou tão amargamente
Em minha garganta.
Trago
Em minhas costas
O meu contrabaixo – minha alma -,
Na minha mão esquerda
Um arcaico amplificador – meu corpo -.
E
Em meus pés
A morte
De minha amada – meu trágico fardo -.
Eu a vi
Tirar a sua própria e rancorosa
Vida – tão jovem e tu já partiras-.
E desde então...
As ruas de Atlanta
Expressam o meu sofrimento.
Perco-me nas noites,
Ludibriando-me
Com os prazeres carnais
De meras prostitutas
Dos bares de blues
Da decadente Atlanta.
(Niaxe Augusto)
 
Atlanta I

Niaxe Augusto - O Absinto e o “Espectro”.

 
Niaxe Augusto - O Absinto e o “Espectro”.
 
A minha visão permanece turva dentre está floresta enevoada,
O ar se torna opaco em meus pulmões fazendo-me ter tonturas,
Uma voz funesta condiz-me a uma clareira translúcida,
Horrorizados os meus olhos se deparam,
Taciturnos de minha alucinógena consciência,
Apenas alguns goles desta mortífera bebida foram suficientes para arrancar o ser de meu corpo,
Mortuário desejo compulsivo que tenho por mais uma dose de Absinto.

Os meus distúrbios tornam-se a minha sanidade,
Inerme caminho por entre as árvores mortas,
E ao longínquo avisto uma túrbida criatura,
Uma aterradora sensação de medo assola-me neste momento.
Melancólico está o céu acima de minha alucinada cabeça,
E então a funesta voz intensifica-se e mostra-me a sua verdadeira e funérea forma.

Um “espectro” esconde-se em meio à relva morta de uma tábida árvore,
Observa-me com olhos obscurecidos pela dor e pergunta-me sobre a “Fada verde”,
“-Aonde esta a minha “Fada Verde”? , mero humano.”
“ -Onde você a escondeu?”
Eu o respondi atônico: “- Não sei do que tu falas abominação da natureza...Vai-te embora desta fúnebre existência.”
O “espectro” então tentou me levar para o Inferno, Porém ceifei-o antes com a minha faca.
O mesmo sangrava, agonizava e praguejava sobre a minha lamina antes de morrer.
E devido ao excesso de adrenalina que corria sobre meu corpo e os efeitos maléficos da bebida eu desabo ao chão desmaiado.

Após alguns dias acordo atordoado e percebo que o tal “espectro” na verdade era outro grotesco homem alucinado,
Ignoto que quem eu era eu o matei,
Corrompido pelo adocicada dose do elixir do Diabo ceifei sua alma,
Agora devo correr célere, pois já posso escutar os passos da justiça ao meu encolho.
Dispus-me ao risco desta malevolente bebida e sofri a consequência do não Ser.
Mas continuo sobre a sua dependência e anseio por mais uma doce e mortuária dose.
(Niaxe Augusto)
 
Niaxe Augusto - O Absinto e o “Espectro”.

Niaxe Augusto - Dissabores

 
Niaxe Augusto - Dissabores
 
Mantenha-se imóvel em seu soturno quarto lunar,
Prenda-se ao tempo que lhe resta de vida,
Pois não somos eternos,
Um dia morreremos igual às flores melancólicas do caixão de nossos pais.

À funesta realidade dou os meus braços,
Abraçando os dissabores que a mesma me dispôs,
Esquecendo a essência de um homem e cravando na pele a malevolência da essência de um monstro.
Dores inquietantes que não posso evitar,
Uma angustia mental que distorce as minhas lembranças.
Um ultimo suspiro desesperador que se esvai do meu antigo Eu.
(Niaxe Augusto)
 
Niaxe Augusto - Dissabores

Fim

 
Fim
 
Entre os trapos e fiapos costuro o meu coração vazio e desbotado,
A depressão vem como consequência do amor,
A dor é cada vez mais forte em meu peito...
Afinal, este é o meu fim ou apenas o seu começo?...

O sangue escorre por entre os rabiscos em minha pele,
O vento gélido corta minha face desfigurada,
A loucura é tida como a sanidade de minha alma,
E os meus gritos já não são escutados por mais ninguém.

O sofrimento ronda-me, e de meus olhos jorram o vazio.
Minha nascente secou há muito tempo atrás,
Busco a ajuda das lágrimas das nuvens... Mas até elas me esqueceram,
Busco a ajuda do tempo... Mas ele pediu-me para esperar.
Sozinho...

Noite obscura consuma-me,
Leve-me desta existência fúnebre,
Pegue todo este meu desespero,
E deixe-me livre...
Silencio-me...
(Niaxe Augusto)
 
Fim