Poemas, frases e mensagens de *Anggela*

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de *Anggela*

*Diz-me (do teu jeito)*

 
*Diz-me (do teu jeito)*
 
Diz-me,
(sem que precises de muitas palavras),
Das mágoas que te ferem a alma,
Das tristezas que te invadem o caminho.
Diz-me (com calma).
Tens em meu colo,
O teu ninho.

Diz-me,
(ainda que seja com os olhos úmidos),
Desta enormidade de sentimentos,
Das dores que te rasgam o peito.

Diz-me (do teu jeito).
Tens em meus ombros,
O teu alento.

Diz-me,
Deste sonho que te acompanha noite adentro
(dormiste, sem perceber).
Das pequenas coisas construídas.
Da tua alma carente.
Impotente.

Mas diz-me de coração aberto,
Sem medos,
Sem anseios.
Em teus devaneios.

E se te faltarem as palavras,
Por terem coisas que não cabem no peito,
(e é longa a madrugada),
Não digas nada.

Aninha-te em meu regaço.
E descanse em meu abraço.

*Anggela* - 24/04/2015
 
*Diz-me (do teu jeito)*

*Do Paraíso de Eva*

 
*Do Paraíso de Eva*
 
 
Nas ramagens secas do teu caminho,
É que me debruço languidamente nas lembranças do teu beijo...
É onde me silencio no afago majestoso dos teus atos,
Encobrindo com o véu de seda dos meus cabelos,
A preponderância do teu olhar....

Derramo-me no ventre paradoxal das estrelas,
Em gotas cristalinas, provocadas pela quentura do teu olhar,
Cingindo minha pele em carinhos aureolados,
E o mel adocica a tua retina,
Feito a maçã perdida no paraíso das folhas de Eva....

É o encantamento pendurado em asas de anjo,
Agraciado pelo carinho transbordante do coração cuidado,
Afagado,
Completado pela paz adormecida que se estende em teus braços,
Pincelando os dias e as noites,
Colorindo a alma cativa, presa do encanto carinhoso e febril....

E amanhece chovendo forte dentro do peito,
Nuvens carregadas de cinza, de todos os tons,
Testificam a saudade que desaba em jorros d’água,
Lavando em prece as loucuras da nossa esperança,
Redimindo os dias de solidão,
Arrastando-me em fuga, no tocar dos teus lábios,
Nossa perfeita entrega e redenção...
 
*Do Paraíso de Eva*

*Em Estado de Graça*

 
*Em Estado de Graça*
 
 
*Existem alguns lugares,
E certos momentos,
Que não são assim, tão difíceis de tocar...

Existem palavras,
Nem sempre perdidas,
Que se entrelaçam em dedos ávidos,
E atrevidos,
Que suspiram bordados e são aureolados de sentimentos,
E que não são assim,
Tão difíceis, de serem escritas...*

............................................................................................

É na veracidade do brilho que perpassas na pele,
Que recai manso, ininterrupto, de dentro desse tempo perfumado,
Que consegues me presentear,
Sempre,
Num ‘harmonia celestial,
A partilha que divido contigo, nesse calor vestido em seda,
Quando me aconchego, debruçada em teu peito amoroso,
Em trajes de liberdade....

Vivifico a doçura santificante e pura,
Que resplandece visceralmente de nós,
Partindo direto de um raio vivo,
Numa prova nítida de imagens e sons,
Que exalam da tua boca...
Cúmplice à minha...
Libertando-me dos meus fantasmas e dos meus grilhões...

Escreves,
Pelo meu corpo,
Com as pontas dos dedos,
Pingos doces de esperança...
E alcanças a minha retina,
Tão profundamente e em plenitude,
Que ainda que me falte o ar que me sustenta os dias,
Sobrevivo apenas por ter-te sereno e em estado de graça...

Não ouso abrir os olhos,
Por medo de interromper a languidez de nossos gestos,
E temerosa em não conseguir abafar a continuidade do que me apraz,
Ao perceber constelações, quando me tens por inteira...

Extasio-me assim,
Olhando inerte, a fluidez do ar que respiras,
A mansidão do teu abraço,
E o afago atemporal que transmites,
Quando tocas os meus cabelos, emaranhados em teu corpo,
Como riacho cerceando as cálidas rochas...

Inerte ao tempo, ficamos assim...
Silenciosamente dominados...

Antes que o cansaço nos alcance,
Antes mesmo que o sono nos renda...

Por inteiro....
 
*Em Estado de Graça*

*Num voo incerto, a ilusão rodopiou os dias...e encurtou distâncias*

 
*Num voo incerto, a ilusão rodopiou os dias...e encurtou distâncias*
 
 
Desfiz-me de todos os meus lutos,
Destas fantasias acetinadas,
Destas incertezas cheias de calosidades,
Que teimavam em te fazer ilusão ressequida em meu diário...

Tornei-me sombra verdejante em teu peito,
Borboleta que tece desenhos, na tela iluminada da tu’alma,
Sobrevoando um horizonte jamais sonhado,
Permanecendo,
Batendo asas,
E curvando-me cegamente ao teu coração,
Que há muito, deixou de ser saudade...

Cheguei a falsear o tempo,
Nublando o meu silêncio,
Descosturando todos os fios emaranhados que teci cá por dentro,
Só por ter medo de perder-me dentro de minhas próprias fraquezas,
E entristeci...

............................................................

Mas hoje,
Aquela esperança teimosa,
Passeante das madrugadas que não ousavam deixar meu afeto adormecer quieto,
Tornou-se amanhecer borbulhante,
Arco íris rutilando cometas e colibris...

E sem que eu desse por mim,
Quando voltei o meu olhar ao encontro do teu abraço imperante,
Recordei-me...
Recordei-me dessa inquietante espera,
Onde o tempo insistiu em prolongar o próprio tempo...

E no cintilar das palavras, tu te tornaste a luz irreverente do poema,
Ganhaste a beleza do meu jardim, atapetado da tua essência,
Permanecendo intacto em meu âmago...

E assim sobrevives aqui como a luminosidade,
Como a eternidade acalorada na junção de nossos lábios,
Subsistindo como Amor...
E como devoção....

E consegues no rodopio dos dias,
E na proporção exata,
Revolucionar esse meu pequeno céu estrelado,
Encurtando todas as distâncias que outrora existiram,
Entre o meu ontem,

E o nosso Amanhã...
 
*Num voo incerto, a ilusão rodopiou os dias...e encurtou distâncias*

*Encanto*

 
*Encanto*
 
Encanto teu num doce abraço,
Laço d’amor...fim do meu pranto.
 
*Encanto*

*Vem de um Lugar, chamado Coração...*

 
*Vem de um Lugar, chamado Coração...*
 
 
Vem do Alto,
De infinita beleza, vestido de um branco transluzente...
Braços abertos,
Coração arrebatando dores, curando feridas,
Melodicamente...

Vem do Firmamento,
De transparente Luz, adornado de Amor irremediável...
Mãos postas,
Estendidas,
Calor e bálsamo que se derramam num azul inesquecível...

Vem do Coração,
Daquele gesto abrangente e acolhedor,
D’uma Bondade que nos retém em Fé,
Em abraço Fraterno,
Carinho profundo ao Irmão sofredor,
Porque é Eterno...

Vem da Alma Pura,
Um dia sacrificada aos olhos de todos os que acreditam,
E que ainda velam e a Sua palavra propagam,
Que enternece e Cura...

Tudo Pode,
Tudo Acolhe,
Tudo entende,
E na oração de cada peito esperançoso,
Tudo Sempre Compreende...

Vem de Lá...
Do outro lado de uma Vida,
Hoje já não mais desconhecida,
Habitante da Lua acolhedora,
Vem de lá...
De onde sempre se poderá alcançar,
Com Seu olhar Poderoso e Paciente,
De onde Tudo se poderá desejar,
Esperar e tocar...

Vem da minha e da tua crença,
Vem do olhar sincero da criança,
Vem dos gestos de amizade,
De uma grande Fraternidade...

Vem do Eterno Amor,
Vem do Nosso Criador...

Vem...

**Um Lindo 2016! Iluminado, para todos Nós**
 
*Vem de um Lugar, chamado Coração...*

* Oportunidades são gestos de amor *

 
* Oportunidades são gestos de amor *
 
 
Oportunidades são gestos de amor.
Que em meio às turbulências, reconhece o valor,
D’um gesto de abnegação enternecido,
D’um sopro d’uma nova vida ressurgindo.

São canções entoadas nos lábios fervorosos,
Que não deixam dúvidas de tempos milagrosos,
Numa felicidade que o tempo sábio determina,
Provocando n’alma o fio da vida que não termina.

Oportunidades são gestos de amor.
Que sustentam um coração sem rancor,
Brotando de dentro d’olhar numa serenidade plena,
Suavizando a dor, em benção e paz amena.

São decisões tomadas na profundidade d’alma,
Que vislumbram o riso eterno da criança escondida,
Que aponta o céu, em inocência, sorrindo em eterna calma,
Porque sabe que há cura para toda e qualquer ferida.

Oportunidades são gestos de amor.
São momentos que renascem profundos do nosso interior,
Que nos santificam nas palavras que brotam,
Que acalentam o peito daqueles que ainda choram.

Oportunidades são gestos de amor.
É a ternura do abraço apertado,
É o carinho, é a compreensão d’um sublime clamor,
É o Verbo, mais que Divino, que liberta o acorrentado.

São flores multicoloridas plantadas no jardim,
É uma rosa mais vermelha que o carmim,
É a prece serena orvalhada de contemplação,
É a mão aberta que te estendo, nesse meu verso e na minha doce oração.
 
* Oportunidades são gestos de amor *

*Ainda não é Primavera...*

 
*Ainda não é Primavera...*
 
 
Ainda não é Primavera...

As folhas que rodopiam pelo chão,
Ressequidas,
Bailam na memória,
Numa dança incontrolável...

Empurradas pelo vento cortante,
Deslizam pelo caminho a ti destinado,
E não se importam se a dor te fere a alma,
E não se incomodam com esta ausência do teu brilho...

Ainda não é Primavera...

O sereno miúdo cobre a vastidão do céu,
Encobrindo a Lua,
Ainda Nua,
Observadora dos caminhantes,
Dos itinerantes,
Testemunha dos amantes...

Ainda não é Primavera...

A colcha de retalhos com que me cubro,
Desgastada nas extremidades,
Não abranda o frio persistente,
Insistente,
Que me abraça neste adormecer que não cede....

Não...ainda não é Primavera....

O carvão não crepita incandescente,
A lareira perde o viço destas chamas,
E na foz do teu leito não há nascente...

Vidro baço do teu hálito perdido,
Trinca-se a Vida,
Parte-se o Pão,
Numa ausência vasta chamada Solidão...

...................................................................

O infinito da Alma regenera o corpo,
Desfaz todas as Dores,
Acalenta os Amores....

............................................................

A despeito da distância que nos cubra,
Além da nuvem que tente pairar sobre as nossas cabeças,
Acima da dor que teimar em magoar este teu peito,
Fincada em sonhos estarei,
A esperar que pouses o teu ser dentro de mim,
Feito ave cansada,
Encontrando em meu regaço o teu descanso,
Este carinho manso...

Mesmo que ainda,
Não seja Primavera....
 
*Ainda não é Primavera...*

*Contava as horas, bailava no tempo...como delicado sonho...*

 
*Contava as horas, bailava no tempo...como delicado sonho...*
 
 
Contava as horas,
Imaginando todas as canções refletidas n’alma,
Entoando tudo aquilo que somente o tempo saberia,
Em uniformidade, descrever...

Sonhava de olhos abertos,
Fazendo da suave memória,
Seu único caminhar...
Uniformizando, em pequeno embrulho e num laço rosa,
A verdadeira forma de tamanho sentimento,
Compor e eternizar...

Hoje, numa valsa solta ao sol poente,
Baila em luz,
Quando as mãos desenham tanta procura,
Que se finda,
Ao pousar os olhos dentro da tua imaginação,
E não mais ousa duvidar do que está escrito,
E do que está definido...



Mas sorri...
Sorri em malabares por todas as vezes que pressente tão doce presença...



E almeja...

Almeja numa cascata de esperança, nunca mais ser breve,
E deixa escrito num bilhete, por debaixo da porta,
A ousadia de esperar que por ela passe,
Sem impedimentos,
Para que viva,
Sinta,
E comungue em uníssono todos os pensamentos,
Sonhos e a inspirada comunhão...

Sabe que estarás lá,
Ao alcance dos dedos,
Trêmulos de amor imenso...

Sem julgar o desvario das horas,
Apenas aguarda que a viagem recomece...
Que o encontro tardio torne-se intenso...
E que o amanhã seja perene e santo,
Coroando em tom carmim,
Um beijo eterno,
Que colorirá a tua face...
 
*Contava as horas, bailava no tempo...como delicado sonho...*

*Ainda que seja o último mergulho*

 
*Ainda que seja o último mergulho*
 
 
Olhas-me calado,
Em profundidade,
Revolvendo a terra seca que fere a minha retina,
Inspirando essa claridade tão emergente,
Que brota em caules amarelos,
Pertinentes a uma saudade,
Esvoaçante,
Que desliza na ponte da imaginação,
Sustentada pelo pouso das tuas mãos,
Envolvidas nas minhas...

És agraciado pela Divindade,
Suprema e Santa,
Em pétalas cobertas de luz,
Tomando conta dessa eternidade dentro do Universo,
Em que te tornas sublime,
Dentro d’ alma,
Conjecturando um tempo outrora desassossegado,
Itinerante,
Fonte de uma compreensão quiçá confusa,
Mas profundamente aceita,
Dilatada nos dias que não mais se confundem...

Porque és Vida...
Porque és Sustentáculo de todo agradecimento...

E mesmo que seja este o teu mergulho final,
Nas mais profundas águas do teu destilar,
Em que te tornas cego pelas cicatrizes da pele,
Ou pelas agruras e desvios impostos pelo Alto,
Arriscar-me-ei em lançar-me em ti, na escuridão,
Sem que a dúvida cerceie a enormidade do sentimento...

Oferto-te as minhas mãos...
Para que recostes a tua fronte cansada em meu peito,
Deixando que meus dedos descansem em teus cabelos,
Permitindo que o mundo gire,
Que um espaço seja aberto, assim como um túnel,
Levando-te direto para o meu coração,
D’uma forma tão linda....

Recebo-te aqui,
Em vibrações suaves,
Caminhantes em singela sintonia entre almas,
Num bem querer Eterno...
Em harmonia solene,
Conjugada por todas as manhãs vindouras,
Em que podemos sonhar,
Em que podemos permitir o carinho do nosso Abraço...
Soltando-nos vento afora, a cada batida boba do coração...

Preencheste-me de Vida e Amor...

E naquela gota de orvalho,
Em que me viste acarinhada e aconchegada em Luz protegida,
Quando os primeiros raios da alvorada despontaram na serra fria,
Enchi-me da tua constelação,
Preenchi-me da tua Salvação,
Afastei-me dum Inverno outrora cortante,
E despertei em Primavera....

Seduzida pelo teu olhar,
Pelo brilho do teu sorriso...

Renascendo....
Amando....
E Florindo...

Em meio às folhas recicladas do teu caderno...
Em meio à cada lágrima caída do teu acarinhado Amor...
 
*Ainda que seja o último mergulho*

*Ensina-me a Viver*

 
*Ensina-me a Viver*
 
 
Ensina-me a viver,
Enquanto os dias teimosos escapam pela fresta do meu olhar,
Dividindo o antigo bocado de alegria,
Que transita pelo meu sorriso,
Sem que seja necessário mostrar-lhe o som cristalino dos sinos,
Sem que sejam necessárias inúmeras palavras,
Expressas em tudo aquilo que no meu peito sobrevive...

Ensina-me a viver essa dimensão profunda,
Que sempre se cala na observação da madrugada,
Que cai farta,
Em pequenos orvalhos,
Alimentando a terra revolta, que encobre o meu corpo...

Ensina-me a viver essa confusão exagerada,
Que me abraça todos os dias,
Sem que se reconheçam os minutos sagrados,
Quando ingenuamente contornas a minha alegria,
Quando fortuitamente tocas com profundidade,
O germinar da minha semente,
Em cuja terra foi lançada,
A espera de rebentar em flor maior...

Ensina-me a viver essa beleza que cerceia o teu universo,
Composto em letras fatigadas,
Delineando um caminho exausto,
Onde as folhas brandas d’uma cerejeira,
Conseguem repousar aos pés do teu tronco,
Árvore frutífera,
Adubando o solo,
Produzindo novos brotos,
Para que te sustentes no galho nascente...

Ensina-me a viver esta ilusão que caminha mansa,
Despencando na mudez dos meus lábios,
Resplandecendo,
Alaranjando a presença divinal da aurora,
Que anuncia este céu da tua existência,
Fazendo-me guardar os segredos do dia em que viestes...

Ensina-me a viver o meu destino,
Este lugar em que respiro,
Em que me abraço,
Esquecendo-me de todas as perguntas...

Mas relembrando...
Todas as únicas respostas....
 
*Ensina-me a Viver*

* Quando esse poema se tornar Saudade *

 
* Quando esse poema se tornar Saudade *
 
 
Quando esse poema se tornar saudade,
E teimar em fazer dos teus olhos,
Um jorrar de palavras em arco íris,
Saberás que aquele tempo,
Outrora silencioso e passageiro, que falseou as horas,
Continuará encantando a beleza das horas enternecidas,
Que passo ao teu lado, em grandeza do tamanho do mundo...

Abraçarei essa saudade itinerante,
Espaçada numa curva perfumada das tuas mãos
Que me inebriam pelo toque,
Em meus ombros desnudos,
Nesse desejo imensurável,
Cambaleante,
Feito peregrino sedento de lábios...

Da varanda acastanhada dos meus olhos,
E das pupilas brilhosas dest’alma,
Observo-te em dissimulações,
Chamo-te em calor incendiado, na minha memória...

Tu serás sempre o afeto mais gentil,
A borda mais colorida e tecida em sentimentos brandos,
Permanecendo intacto e flutuante....

Quando esse poema se tornar saudade,
E quando nada mais restar de tão nobre,
E de tão imperioso,
Todo este peito vergado e aspirante,
Guardará segredos soberanos da tua presença...

Uma doce melancolia retorna suave,
Sentida dos teus gestos premeditados...

Uma distância inexistente agora mesmo te alcança,
Em gotículas de amar,
Renascendo no espaço ínfimo que deixaste aqui,
Em minha moradia, aquecida em versos tênues, numa tonalidade única...

Alcançarei o horizonte do teu corpo,
Em estado de graça,
Comemorando a vida nesse silêncio atemporal,
Transparente...
Transbordante de sabor sigiloso,
Vestido da nossa comunhão...

Sem refúgio...
Sem paradeiro ...
Escrito no livro da vida, no caminho do vento,
E no ar da noite Sagrada...
Que jamais se extinguirá,
Ao encalço de todas as horas...

...Quando esse poema se tornar saudade....
 
* Quando esse poema se tornar Saudade *

*A corrente da Vida*

 
*A corrente da Vida*
 
 
Janelas abertas...
Sopra a brisa fresca com aroma de capim cidreira,
Invadindo as pequenas frestas e recantos do meu interior,
Que se deixa mergulhar na magia gostosa de um Bom Dia...

Soa o sino na igrejinha distante,
E daqui, escondida em minha solidão,
Absorvo vozes melodiosas, feito um coral de anjos,
Na homenagem sacra do dom da Vida,
No reconhecimento pleno do dom da Simplicidade...

Nuvens de algodão cumprimentam o raiar da manhã,
Os pingos de ouro florescem no jardim primorosamente tocado,
E a vinha, a perder de vista, me presenteia com seus cachos robustos,
Delicadamente depositados na cesta de vime trabalhada...

Calço as botas enlameadas da noite anterior,
Protagonistas do trabalho árduo na madrugada afora...
Ajusto a sela no dorso da imaginação,
E galopando em meio à melodia da lição de cada dia,
Vou seguindo ao encontro de todo entendimento....

Acima das colinas, o chamamento da Luz...
Posso ouvir a voz do coração vindo da Magnitude dos rios,
Posso Agradecer a revoada de pássaros que me dão passagem,
E uma prece devotada flui majestosamente,
Dos meus lábios contritos e plenos de Fé...

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As dores existem para que sejam trabalhadas em nosso lado “humano”.
Os desencontros de almas são oportunidades de redenção,
De perdão,
E de reconhecimento, para que possamos perceber que, sem o “outro”, nada poderá evoluir. Nem o mundo, nem você mesmo.
Nada é por acaso. O raso necessita do fundo; o côncavo, só existe quando se une ao convexo; o Bem só permanece se rejeitarmos o Mal. A Razão jamais sobreviverá sem a Emoção.
Nada e ninguém vive só...somos uma corrente Única e Infinita...
A cada elo que se parte nessa irmandade, o Amor não flui, a Luz não completa a sua jornada, o “dar as mãos” fica interrompido, o Esperar torna-se doloroso e sem significado.
Nessa hora, o mundo silencia, e aguarda pacientemente que o fio condutor volte a se moldar ao próximo fio condutor, para que a continuidade do Todo permaneça.

Esse é o Caminho...
Essa é a Verdade....
Essa é ...A VIDA!

(...Isso já foi dito, há muito, há muito tempo atrás...)
 
*A corrente da Vida*

*Sobre o Passado e a Renovação*

 
*Sobre o Passado e a Renovação*
 
 
Foi por um momento...

E tomou a decisão insana em desligar todas as luzes...

Fechou o ferrolho das portas,
E cerrou as cortinas da Alma...
Em nada pensou...

Cobriu-se com o manto negro da vergonha,
Despiu-se da Esperança,
E nua, se prostrou diante dos próprios lamentos...

Conversou sem melindres com a própria desilusão...
Travou um diálogo surdo com o pensamento...
Questionou sobre a folha que da árvore caia,
E sobre os homens cegos que ferem todos os dias...

Pela Paz,
Calou-se...

Pela dor,
Maltratou-se,
E dos sonhos desacreditou...

Lavou as mãos por não achar culpados...
Ninguém lhe respondeu...
Nem sequer o aceno d’um lenço branco...

Sentiu estranhamente, dentro do peito,
A pequenina chama arder...
À distância, percebeu o sol aparecer,
O perfume das fores resplandecer...

A tempestade amainou pelo caminho,
No azul celeste os pássaros abriram suas asas,
E o alaranjado do poente fez reverência ao seu retorno...

Respirou com doçura, o ar dos libertados,
Deixou que o vento suave invadisse a pupila dos seus olhos,
E a mansidão do alvorecer deixou pintar de branco as vestes novas de linho...

Correu pelos campos de trigo,
Tocou-os,
Sentiu-os,
Um a um...

O que faria pelos dias que viriam?

O que diria, nesse instante,
Sobre a luz que lhe invadira?

Sentou-se na relva úmida,
Sorriu,
E acenou com Alegria...

Do Passado,
O esquecimento das páginas amarelas...

E da Renovação,
A certeza plena de um novo Tempo...

(E a Vida devolveu-lhe, de presente, um outro Sorriso...)
 
*Sobre o Passado e a Renovação*

*A Ternura Nossa de Cada Dia*

 
*A Ternura Nossa de Cada Dia*
 
 
Poderia ser um trago,
A escorrer pela garganta,
Queimando as lembranças que amargam os dias,
Cujas correntes insistem em nos mostrar o caminho inverso...

Poderia ser uma fumaça,
Saindo pelas narinas,
Esbranquiçada,
Entontecendo a realidade,
Que por tantas vezes,
Não ousamos enfrentar...

Poderia ser um som alto,
Estridente,
Descontente,
A perturbar os mais ínfimos instintos,
Tornando-nos perdidos,
Em meio a uma multidão,
Febril e enlouquecida....

Poderia ser o ódio,
A desventura,
O pranto,
E a desesperança....

Nem sempre, a força de nossos corpos nos sustenta,
Nem sempre, o sorriso surge nos lábios,
Nem sempre, o horizonte está tão perto...

Mas na Benção Divina,
Doada em cada Amanhecer,
Estando nublado ou não,
Vivifica-se o Pão bendito,
Oferece-se a Água Santa...

Espargida No Altar da Vida,
No vergar dos joelhos humildes,
No olhar ao Alto,
Mais Alto do que o próprio Entendimento e a Razão...

Reparte-se, então, ao longo do caminho,
A Afetuosidade d'um abraço generoso,
O calor brando d’um estender de mãos amigas,
Um sorriso enorme,
Maior que o próprio mundo,
Maior, até, do que a própria Sabedoria que a mente retém...

E antes mesmo do findar de um dia comum,
Acalma-se a fome dos que temem a dor,
Embala-se a Coragem dos que se perdem cambaleantes,
Doa-se Humildade e Compreensão...

Somente Algo Maior torna-se responsável por toda essa Alegria:
A Ternura Nossa de Cada Dia....
 
*A Ternura Nossa de Cada Dia*

*R.S.V.P* (...Répondre s'il vous plaît...)

 
*R.S.V.P* (...Répondre s'il vous plaît...)
 
 
Sondas-me pelas frestas de cada manhã,
Onde o sol se esconde por entre os prismas,
Colorindo os dias, misturando os matizes,
E, como habitante do teu peito, calo-me na perplexidade.

Não sei ao certo se tu és um poema de amor,
Tampouco sei se sobre o meu peito derramas teus sonhos,
Ou desabas as tuas lembranças fragmentadas pelo tempo.

Mas por certo,
Incendeias a minha esperança,
Invades o meu leito num farfalhar de desejos e anseios.

Enterneces-me em arrepios trôpegos, vasculhando-me a alma...
Remexendo afetos,
Outrora quedados ao chão,
Repisados pela dor de quem morre todos os dias...

Delicadamente o gracejo do teu sorriso, remonta minha face,
Pintando em pingos de luz o teu retorno ansiado...

Teu corpo é meu abrigo.
Teu amor é a chave mestra que me liberta.

E se me encantas, sem ao menos dizer uma só palavra,
Com teu olhar profundo,
Que consome meu delírio escondido,
Tenta me dizer,
Ao menos,
Em que canto d’alma tu escondes teus segredos...
Em que curva do meu corpo, o teu prazer dará as mãos ao meu...

Assim não mais me perderei,
Não mais correrei o risco de esquecer a simplicidade dos teus gestos,
E a candura da tua face que me protege...

E o teu beijo sagrado cingirá a minha testa,
Como testemunha agraciada,
De tanto Amor,

E tanta Devoção...
 
*R.S.V.P* (...Répondre s'il vous plaît...)

*E tudo sempre foi, desde o Princípio... Até o fim da Eternidade.....*

 
*E tudo sempre foi, desde o Princípio... Até o fim da Eternidade.....*
 
 
É aqui, nestas entrelinhas,
Que divido o teu silêncio com a minha alegria...

Do fundo do coração, no peito errante de quem sente,
Consegues imprimir, em minhas veias, a sensação das pálpebras que fecham,
A cada olhar meu que é sustentado pelo teu....

Ainda posso ver o teu rosto refletido no céu da minha boca,
Sentir a partilha deste tempo que contigo divido,
E este afago tão mágico,
Que a cada instante presencia a aurora dos teus dedos...
A me confortarem...
A me mostrarem o caminho exato do prazer que encontramos na nudez de nossos lábios...

Enganas-te se pensas que não percebi que agora já és parte de mim...
Parte de uma vida que caminha perdida há séculos,
Para que o anseio de estar junto a ti,
E que hoje vivo,
Seja tão meu quanto teu...

Tudo tão claro...
Tudo tão reconhecidamente declarado que não há como esconder,
Que tu’alma doce será sempre gêmea a minh’alma...

Mas ainda assim, desde sempre,
Desde o Princípio – como sempre foi,
Mesmo sentindo a secura dos desertos e sentindo na pele as torturas que a vida nos infligiu,
Continuo tendo a nítida certeza que os nossos passos vingarão em flor,
E todo o afeto será a raiz mais profunda,
Orvalhada pela água santificada,
Que nos unirá em real esperança...

Tão Doce,
E ao mesmo tempo tão Divino....

Teimo em ouvir o eco da tua voz,
O som dos teus passos,
E me convenço de que essa é a única chance de redenção,
Que posso obter,
Vivendo em plenitude, ao teu lado, como tem sido...

E aqui me finco, no solo sagrado da minha memória ,
Apenas para tocar a doçura das tuas asas...
Ficando inerte,
Acabrunhada,
Mas agigantada de afeto por seres livre,
E humanamente igual...
Igual a esta ternura que percorre todo um sonho,
E talvez até o meu...

Acalentando tod'uma Vida....
 
*E tudo sempre foi, desde o Princípio... Até o fim da Eternidade.....*

*Quando a eternidade encontra-se com o teu ser, voas livre, pisas o paraíso...sem ao menos notares*

 
*Quando a eternidade encontra-se com o teu ser, voas livre, pisas o  paraíso...sem ao menos notares*
 
 
Tenho aqui comigo, cá dentro, o teu conhecimento prévio...
Assim como um aconchego borbulhante,
Infinitesimal,
Que recobre o peito em heras de esperança...

Sei-te presente naqueles sonhos aflorados em tua pele,
Estrelas melodiosas que recobrem os teus olhos perdidos,
Vestindo cada segundo em que partilhas o teu corpo, ao meu,
E dir-te-ia que és único – pois tu és...

Brota do teu ser as mais belas conjecturas,
Vestindo em seda a mágoa que te faz carente,
Regendo a poesia,
Melodiosamente...
Que cai em veste branca, em uníssono...

Sei bem - e ao certo, que a tua liberdade de gestos,
Amparam a tua terra húmida,
Dando ao solo a enormidade de bens que carregas em pensamentos,
Particularmente teus...

Tu’alma volita desprendida de carinhos extremos,
Acendendo a tua chama que faz comunhão com o teu infinito,
Deixando-te assim,
Livre,
Para cuidar e cultivar as estrelas que te prenunciam...

E sem que percebas,
Pisas o paraíso...

Transbordas o sorriso, àqueles que te são mais caros,
E te tornas visceralmente translúcido.

E deixas-me – também,
Sem que eu note – embora eu me sinta,
Suavemente inteira...

Diante de tudo isso que eu ouso chamar de Essência...
Diante de tudo aquilo que pretendemos chamar de Amor...
 
*Quando a eternidade encontra-se com o teu ser, voas livre, pisas o  paraíso...sem ao menos notares*

*Devaneios*

 
*Devaneios*
 
 
Porque dessa forma que me tocas,
Na sutilidade do abraço apertado,
Ao mais doce encontro da tua ternura,
Sou empurrada pela brisa,
Num dia fresco de primavera,
Entre flores de mil cores.

Devaneio pelos caminhos ausentes,
Dentro da tua presença,
No anseio turvo de encontrar os teus olhos,
Imagem derradeira d’um sonho inexplicável,
Fantasia serena e plena,
Quando de mãos dadas ficamos.

E quando as lágrimas tão serenamente se desprendem,
O peito abre,
A alma explode,
O semblante do etéreo repousa na paz.

Não ouso interromper a languidez dos teus gestos,
O esboço do teu sorriso que preenche a minha fragilidade,
A tua boca em convite harmonioso,
E a tua serenidade, a me completar.

Guias-me pelas mãos, segurando-as com delicadeza,
Porque estás além de uma simples sedução,
Muito além do encanto pronunciado pelo silêncio.
Tu estás em minha saudade, algo tão bonito de se ter.

Tu és como a poesia.
Sagrada.
Imaculada.

Eu,
Nua...

Sou como a tua mais bela alegoria.
Acariciada.
Eternamente amada.
 
*Devaneios*

*Maria, plena de Graça* (EUREKA)

 
*Maria, plena de Graça* (EUREKA)
 
 
Maria
Mãe terna em todos os tempos,
Exemplo perpétuo de abnegação,
Zelosa por nós em doce oração,
Trazida em nosso seio através dos ventos.

Maria,
Perfumada pela beleza das rosas,
De cujo coração vibram sonoras harmonias,
Extremosa, de mãos tão carinhosas.
Amiga e tão presente, além dos mares, em todos os dias.

Maria,
Em cujos acordes nos doa singela poesia,
Vibrante nas palavras que oferta, tão belas e carinhosas,
Alma ternurenta... dentro do peito só reina a pura fantasia,
Fada bendita, translúcida, feito flores primorosas.

Maria querida,
Divina alegria,
Sol acolhedor que nos enternece e as luzes coloridas, nos irradia.
Por todos tão amada.
Pelo céu Supremo, beatificada.

Minha singela homenagem a Poetisa Maria dos Reis Rodrigues - Maria\Eureka, pelo carinho, pela presença e pelo Dom Supremo do Alto, por ser ela, quem é! Encantadora!
 
*Maria, plena de Graça* (EUREKA)