Poemas, frases e mensagens de Azke

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Azke

"soneto deste espaço,"

 
 
"Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor."

(Hamlet) Ato II, Cena II

da tela que te cabe ao redor dessa sua cena e fúria
por intrusão, te congrego a púlpito! e, porque quero!
sou só o pouco que te assemelha e posso até te ser..
qual alívio invasivo em proporção do absurdo clero

livra-me da minha vontade, mas não te livre de mim!
não te sabe a própria natureza, mas eu(!) te sei o corpo
a deter-lhe o gosto; e da boca, o alvoroço, meio e fim!
crê-me perto! queda-me o culto e insulta-me o esforço

ora, me denomine ao espaço que te deixo por declarar
é a tua rota! a tua bússola, e se for preciso, te direi ao ar
eu te deitarei à imagem de vênus! qual ela te seria, menos?

qual paixão e excesso te faria deusa? e. fosse ela, vento?
vê o meu acaso de espalhar, e entende-me o corte e vôo
vê a minha carne que tempera-te enquanto te fervo e corro
 
"soneto deste espaço,"

"soneto de um outro consolo e algo mais de si,"

 
 
"(...)queima-me. à combustão em lisura dos olhos
dos corpos em fileiras nuas e aos sonhos.
e aos sonhos exilados de ti

próximo-consolo
próxima culpa

essa
indecisão

morada do meu alimento
o exemplo de fartura
e

à fome do teu pão.."

por semblante e consumo de te perverter
um pouco. por apreciação e, cá: à minha libra
por inteirar-me aos todos os insultos de você
ao devaneio e suplício refém, o que me salvaria

oh! eu libertei um pouco de ti, ontem
à minha sensação de asas próximas em ar
em queda repente, tão nívea e insone
tal emprego do corpo ou-à febre que se deixar

ilustra-te! ao meu livro-crente de preferências
encontre à revelia que possívelmente, não virá
e desarme a tua roupa, a tua pele(e o que te há)

depura-te! à verve qual grito-frente em residência
é a tua morada, o meu corpo e inconsciência de fé
pois teu nome, me ama, me acorda e me põe de pé.

"Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor."

(Hamlet) Ato II, Cena II
 
"soneto de um outro consolo e algo mais de si,"

"excesso de terra sob seus pés,"

 
 
"Colocai-a na terra e que de sua bela e imaculada carne brotem perfumadas violetas!"

(Hamlet) Cena I, Ato V

a letra deixou-se em hábito de sonhar por ela,
a página de sopros e outros gostos ainda a diz
vê, "..."! é marca d´água em mentir que te fiz
olha, "..."! seria o espaço? laços e cenas e telas?

a quê te deveria ser o vento, e livrar-me de si?
a quê me daria o ar pouco de descer e ter ver, aí?
qual a forma que não escuto, pois é lima aqui
é agressão ao meio do sol e enquanto isso, desci

eu procurei a minha parte que um dia me levou
e eu procuro o controle de correr atrás, dos lados!
a minha carta de vestir ao nome que me sobrou

a minha ilusão intitulada! áreas e nadas! enfim,
toda a quimera que não opõe-se à queda e rastro,
e o todo o poder que não tenho de tira-la de mim,

.e de tudo que não faço.

texto inédito!
 
"excesso de terra sob seus pés,"

"palavra refém,"

 
 
“Quem, tendo um coração para amar e nesse coração a coragem suficiente para tornar conhecido o seu amor, teria podido conter-se?”

(Macbeth)

o preceito

o enxerto de cenas
solo que te aquece
à prece que te expulsa
laço
curvatura da linha
à
minha margem de..

o equilíbrio

forma-presente e nua
ávida letra que te pensei..
em deitar os meus arremessos
minhas setas e flechas
em
ti

o logotipo

o número perfilado
dados em conflito
à valsa da pele residente
crua mensagem
tombada
presente..
(sempre!)

o passo(sob o teu corpo..)

assim, de olhos-apenas
a criar-me do teu lado
a guardar o teu sonho-ruim
a mentir-te aos ouvidos trêmulos
e
ainda assim,

ir..
 
"palavra refém,"

"do soneto partidário,"

 
 
"...porque a roupa revela o homem...."

(Hamlet) Cena III, Ato I

quero ser grande! quero estar entre todos os quais
sejam estes, meros, vermes, devotos, tão meus-iguais!
a mim, à minha justiça! e toda à essa ílicita conversão
interação de pares e concluios! ah, putaria e inserção!

eu quero! quero ser o mocinho pútrido das opiniões
das minhas poesias toscas e sem talento, das variações
quero fingir-me, quero tingir-me de hipocrisia e lamber
ah, poeta de merda! abração e verborréia curta do ser..

qual exemplo pútrido e ambulante em moção primata
qual macaco coçador do cu de outrens, ora o dedo teu!
da fatia mais polpuda que você puder bafejar, ó filisteu!

em honras e glórias póstumas de costas e poesia magra
reles herói da puta que lhe descende, é assim o poeta
das suas ecumênicas lições de vida, e das suas abas retas

..ao contato de quem o agracia
..ó poesia.. é cuspida, é cuspida!!
 
"do soneto partidário,"

"vezes,"

 
 
"Colocai-a na terra e que de sua bela e imaculada carne brotem perfumadas violetas!"

(Hamlet) Cena I, Ato V

ao lado.
(de cá)

flâmula-tombada
(parte-tomada)
da água que me refere
(ou: confissão-imediata)
à: sensação-adjunta
em:
corpo-suave(ou: teu-único.)
queda da casa de causas..
(fonte: lúdica..)
às: asas repentes e lá mais, o que tiver de incisão.

preces sub-entendidas
escadaria da vaidade
(absurdo..)

à linha que me conflagra o desapego
é: arte-cênica
ébrio conto de moções
de
dúvidas
aos meus alheios e preventivos segredos(orações..)
às:
aspas..
em consumo de mentiras(culpas..)
de contacto e: ilusão.

a
linha..

tal alvo por execução aos meus desvios
empregos solícitos de fuga, mas:
eu,
sempre fico.

à exigência de querer mais um pouco
seja-me à lápide que deitarei um dia
seja-me, o retorno.. das minhas (ditas)canções.

ah-eu..

esqueci-me disso tudo..
o que vejo é o teu lado/pecado/conflito(impulso: fogo!)
e,
ainda.. frente.
em
paredes desiguais
eu,
esqueci-me de ter o registro
da calmaria em minhas mãos por remar à revelia
quando em

corpo/bússola, este contrato
este pressuposto ato em vão, enfim

te vai.
(e: te cria/e te cria..)
 
"vezes,"

"pé. ante pé,"

 
 
"(...)E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.(...)"

(Annabel Lee) Edgard Alan Poe(por Fernando Pessoa)

afinal.. o quanto ela me tanto completa!
pátria da minha carne, minhas tantas ansias
todo este ato tecido de tinta e fina névoa
é a minha chama!! e arde-me, inflama..

qual sonho pálido a um pátio de méritos
dias longos, inflados, vagos.. de pretéritos
em anexo, em algum outro lugar(aqui) incerto
tal hábito de pecado (e. cada vez)mais perto

e, segue.. ainda me consome, este assombro!
e ainda, a ser-me 'aliás' de tais ditas tragédias,
agora tombo, e o corpo é o dia e o nome dela

e eu morro. e eu vivo. eu até.. a desencontro
mas, da parte que me sabe, lima! se (te)for quem é
e eu ainda caminho.. em passo-fogo e, em pé.

pé-ante-pé..
 
"pé. ante pé,"

"Inflamável,"

 
 
"(...)Apaga-te... apaga-te breve vela!
A vida nada mais é que uma sombra que anda...
um pobre ator que se pavoneia e se agita durante sua hora no palco e depois não é mais ouvido.
É uma estória contada por um idiota
cheia de som e fúria que nada significa.
- Nada!"

(Macbeth)

- compreensão?

não.
ávido escape de credenciais(sim.)
à listra das minhas letras vãs, e
desconhecer o previsível

então,

ouve..

..

seja em cálida febre de cortinas
às previsões em decrépitas lisuras
ao baluarte. de canções e apuros
arbusto. que te segue (e)aos olhos do corpo

todo.. o mundo cético pra te controlar
pra te tentar e mais um pouco.

se,

é um palco pertencido, então abeire-se..
pelo culto de desavenças à ordem-modelo
ao,

corsário-mensageiro que revoltará os teus bens
à tua cama
à tua chama desenfreada, se.

em teu olhar, o acolher..

é
este?

um reflexo nivelado da cura por um sopro de vida?
é
esta?

a elegia da premissa sorte, que..
de ti,
em ti,

tanto/tanto te soma?

se,
não te dobram os sinos..

..é porque já todos, ainda: te serão,

(um-dia.)
 
"Inflamável,"

"after(that)"

 
 
"Se tem de ser já, não será depois; se não for depois, é que vai ser agora; se não for agora, é que poderá ser(...)"

(Hamlet) Ato V, cena II

todos os dias são longos. e todas as vezes em desencontro de um nome demorado, aqui, na minha boca. e todo este deserto confirma-me os passos que deixei.. todas as letras estiradas nessa tela inclinada, digital, propensa ao curso de conflitos únicos.. são todos os meus ensaios mudos! minha peça sem título. sem fim, aparente. uma luta armada em meus sonhos costurados e essa vontade rente de ficar mais um pouco.. (de ver, até!!) e-todas as folhas caídas da árvore que planejei. todas as curvas em que não caí, e todo esse asfalto louco e sem rumo que persigo..(sem medo, sem leis..) a hora vai. outra hora vem e eu ainda estou aqui. sem um mapa que encontre-me um fim. sem a voz(dela) que me parte, em suaves partes desiguais..(dizendo-me para ir) - eis-me, folha branca! à centelha de uma ânsia que descontrola a chuva, ávida de reinar aqui. eis-me à linha castigada de sopros em fileira acessa de um fogo frio e (ora)quente.. eis me, frente! onde todas as paredes são eternas - não importa o quanto eu as derrube e elas voltem! - qual fome silenciosa. a fome do corpo. da pele. do gosto molhado em minhas derradeiras e meticulosas aflições.. um nome que não direi hoje, pois: é gravado, aqui. em minhas confinadas e devastadas orações.. a parte rubra que eu não vi. em letra avulsa que não desapego. ou em noites de uma versão errônea. ou ali mesmo: cada vez mais perto. cada vez mais, sendo um erro liberto, e.

que(ainda) não acredita.
(e me diz, e me diz, e me diz, e me diz,e me diz, e me diz, e me diz, e me diz,e me diz, e me diz, e me diz, e me diz,e me diz, e me diz, e me diz, e me diz, e..)
 
"after(that)"

"constante.."

 
 
"(...)Meu único punhal será minha palavra."

(Hamlet) Cena II, Ato III

densa novena por anseio ao erro farto qual me prego
ao passo todo-rápido em direção a uma só arte vazia
à esta sede de conter o fim dos olhos, a queda, o martelo
ao resultado pleno e pouco, mas em tela-nua e preferida

nome destes dias incontantes.. letra que te faço crer..
é a minha condição em oposto rumo adornado, meu refrão
pois é latente aos teus sonhos cantados, ditados de se ver
em propulsão à cena que sirvo sob os meus livros e razão

dorme sonho-pouco! cuida da tua verve, que te faço reinar..
colhe-me aos teus preços e lendas matutinas e noites de ar
de fogo.. de corpo e conforto ao esboço louco por conflitar-te

minha tela-quimera de olhos doces e alfazemas de te exalar-te
ah, eu.. queimaria em sete frêmitos, dos infernos e de dentro
eu execraria o lado do sol.. por um punhado do teu alimento..
 
"constante.."

"soneto das outras palavras,"

 
 
"Mesmo que sejas tão casta quanto o gelo, e tão pura quanto a neve, não escaparás(...)"

(Hamlet) Cena I, Ato III

ouro e prata.. do valor incessante por te perdurar
diamante.. que te faz o corpo, sopro e gosto deserdar
platina.. às percepção e parte de si que não se acalma
esmeralda.. que te sejam verdes e vermelhas e altas..

...

.descrente ato dos meus olhos em fogos por te preferir
o contato ao tato dos teus lados que não te posso(ainda)
por exílio, digo! porque tenho-te a um palmo e a sumir
que desce.. longe, de tão longos dias teus devotos(acima)

hoje, você me deu a tua música e eu te pude compreender
disse-se, entre os olhos: "vem e fica perto!" e. eu te virei
mesmo que te afastem dos meus esforços de te requerer
eu continuo! se, de tão disperso em que estava, cá. te achei

e quero ouvir o teu acesso! deixa-me possesso, me convida!
abre a tua janela e me liberta desta fome que te denomina
vê os meus hábitos que te atrevem, e me lava com a tua cor

eu paro o tempo.. eu recomeço uma era pra te estar e construir
eu atravesso o inferno desperto, e eu te confesso o meu sentir
lê dos teus lábios que me despem e te faça soma-nua, meu amor

eu estarei lá.
 
"soneto das outras palavras,"

"soneto sem respostas,"

 
 
"Com estas flores pensava, doce donzela , adornar teu leito nupcial e não espalhá-las sobre tua sepultura."

(Hamlet) Cena I, Ato V

é este.o corte completo de uma mesma incisão
tal ato sem teatro, das falas que não mentem
procurando espelhos e deserdando a convulsão
entre paredes! entre cenas e onde se pretendem

as palavras já não confortam a dor ainda mais
esperas, que viraram histórias, desceram daqui
todas as mesmas linhas repartidas destas quais
todas as preces que um dia tentaram te preferir

quem vai socorrer os teus ombros nus, em apelo?
e quem te cantará, a um palmo dos teus seios?
sem nomes, cem passos que caíram nessas margens

quem poderia livrar-lhe da culpa que te congrega?
e qual presença ativa, tão lívida, ainda preserva?
este amor obsceno, este caso em febre de paragens,

..e sem hora certa para (re)voltar,
 
"soneto sem respostas,"

"soneto de perde-la outra vez,"

 
 
"Dar-vos uma resposta sadia. Meu espírito está doente."

(Hamlet) Ato III cena II

ela caminha entre pegadas deixadas daqui
na minha memória que provoca-me onde caí
ela me diz. ela me chama à vez que eu desejo
em um desmaio solícito que não acorda o erro

eis me defronte à mácula que deitei a contar
um, dois, três pontos de um nome pra desviar
a minha carta me queima os dedos e me serve
a minha queda de não espera-la ainda me rege

mas eu nunca perguntei-lhe qual à sua opção
eu nem sequer lhe respondi à minha dúvida
eu acreditei na mentira que eu desenhava

onde, por meios obscenos, eu a queria e amava
a minha culpa me parte em partes de fé absurda
pois eu escrevo na mesma lápide desta deserção

e eu procuro..
e eu encontro..
e eu torno a procura-la(então).
 
"soneto de perde-la outra vez,"

"do soneto inclinado à.."

 
 
“Junto de vós todo o universo está comigo. Como podeis então dizer que estou só, quando o mundo inteiro aqui está para me ver?”

(Sonho de uma noite de verão)

da mesma exclusão em controle vão desta inércia
de todas as minhas cenas e as todas cartas pérfidas
qual um suposto quadro falho que te desabriguei
eu ainda te conheço! eu ainda te lembro, leve e lei!

mas é do infortúnio ao espaço raso que te abstém
a minha corda de conselhos desesperados e além
qual palavra morta se você não existe, tão exilada
qual lembrança em equívoco que ainda não te afasta

vê.. é o meu prado de lages e meus anseios ditados
à minha porta do inferno entre-aberta que a existiu
pois te faço nome ao insone conto do teu laço-perfil

vê.. é a minha mão estendida qual asa que te liberta
minhas cartas vazias, sem meio e ou fim que as leva
pois me voltam algures servidos em corpo do teu lado

à minha regra e penitência.
à minha..

..negação.
 
"do soneto inclinado à.."

"soneto sem identidade"

 
 
"Colocai-a na terra e que de sua bela e imaculada carne brotem perfumadas violetas!"

(Hamlet) Cena I, Ato V

por cada palavra que despede-te breve em conflito,
de cada exemplo revelado, por demasia deste grito,
é.. auxílio! quase um preço, quase(um) quadro exilado
é.. conflito! à guerra do pecado que não morre afogado

aprendi o exercer-te sob água à escuridão dos teus olhos
eu pressenti quando faltaria o ar e vi-me a morrer, tão logo
te gritei.. te denunciei ao meu último conto livre desta vida
te amei.. entre sopros e convulsões súbitas quando à descida

lembrei-me das tuas linhas verticais e novamente, te achei
eram uns sonhos descobertos! tais ilhas e versos incorretos..
eram temores que eu te acabaria à pintura fria que te perdurei

eis-me ao centro dos teus pensamentos.. quais te fossem facas
eis-me sangrar à liberdade do confronto! eu perco, eu. te espero
nada tenho, que não este assombro. nada crio, que não esta carta

que você nem sabe..
nem vê, e.
nem te cabe.
 
"soneto sem identidade"

"soneto de nunca mais ser o que te faria"

 
 
esta(!) minha mão abomina o nome que te cerca
os meus sonhos morreram da fome que te serviu
letras vagas, telas rasgadas e a maldita espera,
apenas p'ra.. deixar o vento cair à lápide febril

os meus passos não cortam mais o caminho frio
porquê.. a cena de fogo que levava-me prece, ruiu
todas estas canções perdidas à linha prepotente..
as formas que eu te faria, não estão mais presentes

é um túmulo que acalma a história falsa que segui
é o registro do óbito em corda que desci e desci..
eu odeio o dia que te começou! todas as vezes, assim

então.. eu jogo a terra que te rompe o meu desejo
então.. será esta tragédia da informação e desapego
onde a um palmo da terra que te enterra, vejo a mim

e eu te grito, sim!
- nunca mais!
 
"soneto de nunca mais ser o que te faria"

"de crer e não ter,"

 
 
“Junto de vós todo o universo está comigo. Como podeis então dizer que estou só, quando o mundo inteiro está aqui para me ver?”

(Sonho de uma noite de verão)

oh,

carta calada de rumar-te à metade do que bem quis
do arremesso em desespero de tornar-te o que te fiz
à tua lenda por desaparecer da minha vista! não ver!!
não ter mais o meu apelo desta musa muda de se ter

ela, não me reprova e não me controla à minha culpa
não me lê e não dá a miníma pra este soneto filho da puta
ela nem sequer, sabe.. da minha verdade em ilustra-la
não vê minha batida à sua porta, que atreve-se a tenta-la

e tenta, tenta, tenta.. quais dias em acessos do súbito!
ao nome que digo dela e dos meus erros por afasta-la
à minha exclusão de seu seio porque tento o absurdo!

ah, eu.. calhei a tua casa, mar!! te referi em culto da prece
te santifico em adorno dos meus pecados de imagina-la
eu te digo, aqui e a este lado que te faço ópera da febre,

eu te doutrinarei!!!

em passo de fome explícita.
 
"de crer e não ter,"

"atrás das mãos dela,"

 
 
"Dar-vos uma resposta sadia. Meu espírito está doente."

(Hamlet) Ato III cena II

ora, vejam! a bela que adormece breve à lenha de não queimar
ora.. aos seus pelos acimados, aos seus erros e pecados de lados
ao turno que a delimita o contato e o após, ao espasmo de recriar
quer ser um conto, mas é a própria história! o estímulo, o espaço!

mas, vejam! a que serve-se em pratos altos de sua pele e porcelana
ah! linda boneca de pele e de cheiro e tão úmida, que derrete-se, sim!
ah, compulsão de tê-la em quadro paginado e à oferta desta chama..
e.. é apenas um delírio! ora, vejam! a que ditam-se os alforjes de mim:

a ser-me algoz! ter-me atroz de vozes que não a cercam e ainda, advir
ao palco frio das sombras em assentos deixados de um teatro a ruir
ao fogo que nunca termina.. ao excesso e à rima cortada pela vontade

ora, vejam! é a cena onde o júri te analisa.. onde vêem as tuas partes:
são os teus olhos que os exercitam! é a tua posição que também, os atrai
é essa fome que te vejo dançar! à tua curva avulsa de querer sempre mais

e, ainda..
 
"atrás das mãos dela,"

"que não tem parte,"

 
 
"Fora de casa sois pinturas; nos quartos, sinos; santas, quando ofendeis; demônios puros, quando sois ofendidas; chocarreiras no governo da casa e boas donas do lar quando na cama."

(Otelo) Ato II - Cena I

da mesma exclusão em controle vão desta inércia
de todas as minhas cenas e as todas cartas pérfidas
qual um suposto quadro falho que te desabriguei
eu ainda te conheço! eu ainda te lembro, leve e lei!

mas é do infortúnio ao espaço raso que te abstém
a minha corda de conselhos desesperados e além
qual palavra morta se você não existe, tão exilada
qual lembrança em equívoco que ainda não te afasta

vê.. é o meu prado de lages e meus anseios ditados
à minha porta do inferno entre-aberta que a existiu
pois te faço nome ao insone conto do teu laço-perfil

vê.. é a minha mão estendida qual asa que te liberta
minhas cartas vazias, sem meio e ou fim que as leva
pois me voltam algures servidos em corpo do teu lado

à minha regra e penitência.
à minha..

..negação.
 
"que não tem parte,"

"soneto de te ser insone,"

 
 
(...)"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.(...)

(O Corvo) Edgard Allan Poe - por Fernando Pessoa

ela deveria considerar o fato deste encontro
da toda razão por qual ela volta. todos os dias
um livro cheio de princípios e o final pronto..
ela deveria saber o nome que tanto a assedia..

uma mácula da letra pagã.. nada é, nada aceita.
uma mesma breve maçã.. a fome certa pra acabar
qual liberdade, que dela arde, lhe seria eleita?
que queda da sua pele, ainda ferve até disparar?

em janela muda, às vezes exclusas em que ela viu
em crença inacabada; à fé, dissimulada, lhe sorriu
ela era a mensagem desta mão enciumada, assim!

qual metodologia errada, quadro de tintas de mim
uma forma! uma sombra intitulada sob forte luz!!
era minha lima de moldar o que acima, lhe supus

e, ainda não era nada.
(- não era nada!!)
 
"soneto de te ser insone,"